{"id":17391,"date":"2016-10-03T15:00:45","date_gmt":"2016-10-03T18:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17391"},"modified":"2016-09-30T18:03:39","modified_gmt":"2016-09-30T21:03:39","slug":"modelo-agricola-alternativo-corre-o-risco-de-ser-controlado-pelas-multinacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/modelo-agricola-alternativo-corre-o-risco-de-ser-controlado-pelas-multinacionais\/","title":{"rendered":"Modelo agr\u00edcola alternativo corre o risco de ser controlado pelas multinacionais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/09\/27_9_graos_sociedade_nacional_agricultura.jpg\" \/><em>Foto &#8211; Sociedade Nacional de Agricultura<\/em><\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=485\" target=\"_blank\">produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola alternativa<\/a>, que n\u00e3o utiliza <strong>agrot\u00f3xicos<\/strong>, nos pr\u00f3ximos anos possivelmente tamb\u00e9m ser\u00e1 controlada por um grupo de menos de cinco multinacionais que hoje dominam o mercado mundial de agrot\u00f3xicos e sementes transg\u00eanicas. Segundo\u00a0<strong>Victor Pelaez Alvarez<\/strong>, empresas como <strong>Monsanto<\/strong>, <strong>DuPont<\/strong>, <strong>Syngenta<\/strong>, <strong>Dow<\/strong> e<strong>Bayer<\/strong> j\u00e1 est\u00e3o investindo em herbicidas produzidos \u00e0 base de insumos biol\u00f3gicos, e quando os \u00f3rg\u00e3os reguladores passarem a barrar a venda de agrot\u00f3xicos, o atual \u201cmodelo agr\u00edcola vai simplesmente substituir os agrot\u00f3xicos por produtos de base biol\u00f3gica; \u00e9 por isso que as empresas j\u00e1 se preparam para essa transi\u00e7\u00e3o e, obviamente, v\u00e3o continuar atuando nessa l\u00f3gica de grande escala\u201d, adverte o engenheiro. \u201cO que hoje \u00e9 um modelo alternativo de pequenos agricultores que usam ativos biol\u00f3gicos\u201d, frisa, \u201cem pouco tempo, ser\u00e1 controlado pelas grandes empresas. Esse \u00e9 o risco que est\u00e1 colocado\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com <strong>Alvarez<\/strong>, al\u00e9m de atuarem no ramo de <strong>agrot\u00f3xico<\/strong> e de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554075-sementes-transgenicas-reduzem-a-biodiversidade-aponta-estudo-da-unicamp\" target=\"_blank\">produ\u00e7\u00e3o de sementes transg\u00eanicas<\/a>, essas empresas tamb\u00e9m est\u00e3o atuando na \u00e1rea de agricultura de precis\u00e3o, desenvolvendo tecnologias para \u201cmonitorar tanto o clima quanto o solo e desenvolver novas mol\u00e9culas, adaptadas a <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong> espec\u00edficas\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por telefone, <strong>Alvarez<\/strong> tamb\u00e9m comenta a recente <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/560117-bayer-compra-monsanto-por-66-mil-milhoes-de-dolares\" target=\"_blank\">fus\u00e3o entre a Bayer e a Monsanto<\/a>. Ele afirma que o neg\u00f3cio faz parte de um processo que vem se acentuando desde os anos 1990, em que empresas maiores adquirem as menores, criando um oligop\u00f3lio tanto no <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554285-brasil-lider-mundial-no-uso-de-agrotoxicos\" target=\"_blank\">mercado de agrot\u00f3xicos<\/a>\u00a0quanto no de <strong>sementes transg\u00eanicas<\/strong>. Hoje, \u201ca partir dessas movimenta\u00e7\u00f5es\u201d, as quatro maiores empresas que det\u00eam 49% do mercado mundial de agrot\u00f3xicos passar\u00e3o a controlar \u201c74% do mercado\u201d. Empresas como <strong>Monsanto<\/strong>, <strong>DuPont<\/strong>, <strong>Syngenta<\/strong>, <strong>Dow<\/strong> e <strong>Bayer<\/strong>, que controlam \u201c46% do mercado de sementes, com essas fus\u00f5es passar\u00e3o a controlar 50% desse mercado, o que gera uma concentra\u00e7\u00e3o tanto no mercado de agrot\u00f3xicos quanto no de sementes\u201d, informa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/?id=539242:fragilidade-da-anvisa-e-o-uso-indiscriminado-de-agrotoxicos-no-brasil-entrevista-especial-com-victor-manoel-pelaez-alvarez\" target=\"_blank\">Victor Manoel Pelaez Alvarez<\/a> \u00e9 graduado em Engenharia de Alimentos, mestre em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica pela Universidade Estadual de Campinas e doutor em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universit\u00e9 de Montpellier I. Al\u00e9m de professor na Universidade Federal do Paran\u00e1, \u00e9 membro do Conselho Editorial do International Journal of Biotechnology e da Revista Brasileira de Inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 o significado da fus\u00e3o entre a Bayer e a Monsanto para as empresas e como essa fus\u00e3o tende a reconfigurar o mercado mundial de sementes e agrot\u00f3xicos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> Esse processo de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/560196-bayer-monsanto-a-maior-fusao-empresarial-da-historia\" target=\"_blank\">concentra\u00e7\u00e3o de capitais<\/a>\u00a0j\u00e1 tem acontecido nos \u00faltimos anos, ou seja, aconteceu no final dos anos 90 e in\u00edcio dos anos 2000 e agora acontece novamente. No passado foram feitas aquisi\u00e7\u00f5es por parte da <strong>Arysta<\/strong>, e a partir da\u00ed a <strong>DuPont<\/strong> e a <strong>Dow Chemical<\/strong>, que s\u00e3o respectivamente a quinta e sexta maiores empresas desse ramo de atividade, iniciaram uma fus\u00e3o, e a <strong>Syngenta<\/strong> foi adquirida pela\u00a0<strong>ChemChina<\/strong>. Se analisarmos os indicadores que os \u00f3rg\u00e3os de defesa da concorr\u00eancia fazem, vamos verificar que, antes dessas novas fus\u00f5es, as quatro maiores empresas controlavam 49% do mercado mundial. O que dever\u00e1 acontecer \u00e9 que, a partir dessas movimenta\u00e7\u00f5es, elas controlem 74% do mercado mundial. Ent\u00e3o, h\u00e1 um crescimento significativo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as cinco maiores<strong> empresas de agrot\u00f3xicos<\/strong> &#8211; <strong>Monsanto<\/strong>, <strong>DuPont<\/strong>,<strong>Syngenta<\/strong>, <strong>Dow<\/strong> e <strong>Bayer<\/strong> -, que controlam 46% do mercado mundial de sementes, com essas fus\u00f5es passar\u00e3o\u00a0a controlar 50% desse mercado, o que gera uma concentra\u00e7\u00e3o tanto no mercado de agrot\u00f3xicos quanto no de sementes. Essas empresas atuam nesses dois campos porque eles s\u00e3o ativos complementares. A <strong>Monsanto<\/strong> foi a pioneira no ramo de sementes, ingressou no mercado porque desenvolveu uma semente resistente ao seu pr\u00f3prio herbicida, que \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/545120-uso-de-glifosato-pode-causar-riscos-a-saude-indica-parecer-tecnico-de-pesquisadores-da-ufsc\" target=\"_blank\">glifosato<\/a>, e a partir da\u00ed a empresa fez uma s\u00e9rie de aquisi\u00e7\u00f5es que a tornaram a l\u00edder no mercado de sementes. As demais empresas seguiram a mesma l\u00f3gica de criar sementes resistentes.<\/p>\n<p>Para voc\u00ea ter uma ideia, essas empresas adquiriram, desde 1996, quando foi lan\u00e7ada a\u00a0<strong>semente transg\u00eanica<\/strong> nos <strong>EUA<\/strong>, at\u00e9 2006, 133 empresas de sementes, 45 empresas de agrot\u00f3xicos e hoje elas est\u00e3o num outro segmento de mercado, que s\u00e3o os biointensivos, ou seja, os <strong>agrot\u00f3xicos<\/strong> de base biol\u00f3gica e n\u00e3o de base qu\u00edmica. Esses produtos est\u00e3o sendo desenvolvidos para complementar o portf\u00f3lio das empresas, dado que os custos de agrot\u00f3xicos qu\u00edmicos s\u00e3o muito elevados, principalmente em fun\u00e7\u00e3o do aumento das restri\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os reguladores nos pa\u00edses desenvolvidos. Isso faz com que os custos e os riscos de desenvolvimento sejam cada vez maiores, mas os mercados dos pa\u00edses desenvolvidos demandam cada vez mais produtos sem agrot\u00f3xicos ou com res\u00edduos menores.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m est\u00e3o atuando no ramo de agricultura de precis\u00e3o, que funciona a partir do uso massivo de dados, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/40024-o-metodo-cientifico-em-tempos-de-internet\" target=\"_blank\">Big Data<\/a>, que serve para monitorar tanto o clima quanto o solo e desenvolver novas mol\u00e9culas, adaptadas a <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas <\/strong>espec\u00edficas, ou seja, trata-se de uma \u00e1rea de fronteira. Essa diversifica\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os faz com que as empresas tenham um portf\u00f3lio de produtos que envolvam pap\u00e9is tecnol\u00f3gicos, e isso cria uma rede muito grande. Para se ter uma ideia, nessas tr\u00eas \u00e1reas em que elas atuam, as seis maiores empresas adquiriram cerca de 200 empresas e fizeram cerca de 470 acordos com outras empresas. Esses acordos comerciais de <strong>transfer\u00eancia de tecnologia<\/strong>, ou de comercializa\u00e7\u00e3o de uma empresa por outra, fazem com que haja uma rede intrincada de atua\u00e7\u00e3o em diferentes mercados que envolve desde o uso diferenciado de biopesticidas, agrot\u00f3xicos, sementes, desenvolvimento de tecnologia, e esse efeito de rede faz com que elas de fato controlem toda a produ\u00e7\u00e3o de insumos para agricultura.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por que o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/560231-fusao-entre-bayer-e-monsanto-deve-agravar-inseguranca-alimentar-no-brasil-diz-professor\" target=\"_blank\">senhor afirma<\/a> que essa fus\u00e3o poder\u00e1 ter implica\u00e7\u00f5es no sentido de agravar a inseguran\u00e7a alimentar no Brasil? Quais os impactos dessa fus\u00e3o para os agricultores e consumidores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> Porque os <strong>custos de produ\u00e7\u00e3o<\/strong> s\u00e3o cada vez maiores na medida em que essas empresas controlam os mercados de forma concentrada. Vou mencionar o exemplo publicado na <strong>revista da Embrapa<\/strong>, que trata justamente da eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos insumos e das commodities. \u00c9 poss\u00edvel verificar que enquanto o valor da produ\u00e7\u00e3o de soja \u00e9 100, 150%, o valor da semente aumentou o dobro disso, e no caso do algod\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais dram\u00e1tica, porque o pre\u00e7o da semente aumentou quatro vezes mais que o valor da produ\u00e7\u00e3o. Isso faz com que o custo de produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 possa ser sustentado por subs\u00eddios agr\u00edcolas e, portanto, essas empresas acabam sendo subsidiadas com dinheiro p\u00fablico. Esse \u00e9 o <strong>modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/strong> instalado com a <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2680&amp;secao=300\" target=\"_blank\">Revolu\u00e7\u00e3o Verde<\/a>, e que viabiliza a produ\u00e7\u00e3o em grande escala para que o custo unit\u00e1rio seja menor. Ent\u00e3o, obviamente que, em grande escala, o pre\u00e7o cai de modo significativo. Mas esse modelo agr\u00edcola foi implantado no contexto da <strong>Guerra Fria<\/strong>, onde estava em disputa uma ideologia de esquerda x direita, onde a direita colocou, a partir dos <strong>EUA<\/strong>, o capitalismo numa perspectiva de que poderia resolver a fome no mundo produzindo alimentos a baixo custo.<\/p>\n<p>Mas falta uma vari\u00e1vel nessa equa\u00e7\u00e3o: a <strong>distribui\u00e7\u00e3o de renda<\/strong>. Se n\u00e3o h\u00e1 renda para adquirir os alimentos, por mais que o pre\u00e7o deles seja baixo, isso n\u00e3o ser\u00e1 o suficiente para resolver o problema da <strong>fome<\/strong>. Esta quest\u00e3o que est\u00e1 em jogo: n\u00e3o basta reduzir custo de produ\u00e7\u00e3o; \u00e9 importante distribuir renda, mas esse modelo \u00e9 concentrador de renda na medida em que poucos agricultores t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de produzir. \u00c9 por isso que os agricultores acabam utilizando cr\u00e9dito agr\u00edcola para viabilizar esse modelo. Ent\u00e3o, quanto mais h\u00e1 essa concentra\u00e7\u00e3o, mais os custos se elevam; e o custo das sementes se elevou muito, porque os mercados s\u00e3o concentrados e as empresas fixam pre\u00e7os, desenvolvem tecnologias cada vez mais caras, e isso gera um impacto na renda do agricultor. Assim, para n\u00e3o onerar o consumidor final, volta-se \u00e0 quest\u00e3o dos subs\u00eddios.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Hoje, como \u00e9 poss\u00edvel romper com essa proposta da Revolu\u00e7\u00e3o Verde?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> A quest\u00e3o \u00e9 repensar o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542603-agricultura-atual-nao-e-sustentavel-\" target=\"_blank\">modelo de produ\u00e7\u00e3o<\/a>. Quando esse modelo foi institu\u00eddo, a rota alternativa, que seria hoje a chamada <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6445&amp;secao=485\" target=\"_blank\">agroecologia<\/a>, com o uso de insumos biol\u00f3gicos e n\u00e3o qu\u00edmicos, foi inibida. Ou seja, houve uma trajet\u00f3ria tecnol\u00f3gica baseada no <strong>uso intensivo de agrot\u00f3xicos<\/strong> porque, ao fazer sementes melhoradas, com determinadas caracter\u00edsticas, elas perdiam resist\u00eancia a algumas pragas, mas esse pacto tecnol\u00f3gico foi adotado com um custo elevado. Hoje, se resgata a ideia do insumo biol\u00f3gico como algo que tem um menor risco ambiental e um menor custo. Tudo isso est\u00e1 colocado e de fato h\u00e1 que se repensar sempre os <strong>modelos de monocultivo<\/strong> em grande escala, e esse \u00e9 o desafio em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o os impactos causados pelo uso dessas duas tecnologias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> O primeiro impacto \u00e9 a perda de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554075-sementes-transgenicas-reduzem-a-biodiversidade-aponta-estudo-da-unicamp\" target=\"_blank\">biodiversidade biol\u00f3gica<\/a>. O uso da <strong>transgenia<\/strong> \u00e9 uma iniciativa da <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Verde<\/strong>, de monocultivos produzidos em grande escala para reduzir os custos unit\u00e1rios de produ\u00e7\u00e3o. O segundo impacto \u00e9 que as sementes resistentes a herbicidas foram desenvolvidas justamente para se usar mais\u00a0<strong>herbicidas<\/strong>, fazendo com que o uso continuado desses produtos gerasse uma resist\u00eancia \u00e0s plantas indesejadas, as chamadas ervas daninhas, e fazendo com que se usasse uma combina\u00e7\u00e3o de herbicidas altamente t\u00f3xicos, como o caso do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/527268-brasil-pode-liberar-veneno-mais-toxico-para-lavouras-transgenicas\" target=\"_blank\">2,4D<\/a>, que j\u00e1 estava no fim do seu ciclo de vida. H\u00e1 um retrocesso tecnol\u00f3gico acontecendo nessa perspectiva, onde cada vez mais se utilizam e se combinam esses herbicidas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 justamente que o processo de <strong>avalia\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos<\/strong> avalia a<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/553469-agrotoxicos-o-veneno-que-o-brasil-ainda-te-incentiva-a-consumir\" target=\"_blank\">toxicidade dos herbicidas<\/a> com cada ingrediente ativo em separado, e n\u00e3o pela combina\u00e7\u00e3o deles, embora se saiba que esse uso combinado gera um efeito sin\u00e9rgico, que tem um impacto ainda desconhecido tanto no ser humano quanto no meio ambiente. Os \u00f3rg\u00e3os reguladores dos pa\u00edses desenvolvidos come\u00e7aram a se preocupar com essa combina\u00e7\u00e3o de herbicidas, mas o Brasil ainda est\u00e1 longe de tratar essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia em que houver esse controle de forma sistem\u00e1tica, esse <strong>modelo agr\u00edcola<\/strong> vai simplesmente substituir os agrot\u00f3xicos por produtos de base biol\u00f3gica e \u00e9 por isso que as empresas j\u00e1 se preparam para essa transi\u00e7\u00e3o e, obviamente, v\u00e3o continuar atuando nessa l\u00f3gica de grande escala. O que hoje \u00e9 um modelo alternativo de pequenos agricultores que usam ativos biol\u00f3gicos, em pouco tempo ser\u00e1 controlado pelas grandes empresas. Esse \u00e9 o risco que est\u00e1 colocado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Ent\u00e3o as empresas j\u00e1 est\u00e3o investindo num modelo alternativo, mas esse n\u00e3o mudar\u00e1 a l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> Exato. Trata-se de um <strong>oligop\u00f3lio<\/strong>, em que poucas empresas controlam e concentram o mercado cada vez mais. O papel dos \u00f3rg\u00e3os de concorr\u00eancia \u00e9 importante, mas mesmo a\u00ed h\u00e1 certas limita\u00e7\u00f5es, porque a capacidade que as empresas t\u00eam de exercer um poder de mercado vai al\u00e9m da quest\u00e3o de pre\u00e7o. As outras empresas ficam com pouca alternativa e pouco espa\u00e7o de mercado para atuar. Mesmo que as grandes n\u00e3o imponham pre\u00e7os maiores, as pequenas ficam impossibilitadas de atuar em mercados que s\u00e3o extremamente marginais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como se d\u00e1 a din\u00e2mica do com\u00e9rcio internacional de agrot\u00f3xicos e qual \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do Brasil nesse com\u00e9rcio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> O <strong>Brasil<\/strong>, a partir de 2008, passou a ser o segundo <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554285-brasil-lider-mundial-no-uso-de-agrotoxicos\" target=\"_blank\">l\u00edder no mercado mundial de agrot\u00f3xicos<\/a> e o primeiro exportador mundial de agrot\u00f3xicos. Hoje,\u00a0<strong>Brasil<\/strong> e <strong>EUA<\/strong> correspondem a quase metade do consumo mundial de agrot\u00f3xicos e s\u00e3o os primeiros exportadores de alimentos. O que faz o Brasil ser um grande importador de agrot\u00f3xicos \u00e9 o fato de produzir as principais commodities agr\u00edcolas que mais usam agrot\u00f3xicos, como a soja, o milho, o algod\u00e3o e o caf\u00e9. Ent\u00e3o, o Brasil \u00e9 destinat\u00e1rio desse modelo de produ\u00e7\u00e3o em que, ao mesmo tempo, importa esses insumos da <strong>China<\/strong> e \u00e9 o maior exportador de alimentos para a China. O com\u00e9rcio mundial de agrot\u00f3xicos \u00e9, portanto, um com\u00e9rcio intraempresas, porque s\u00e3o essas maiores empresas que t\u00eam subsidi\u00e1rias em v\u00e1rias partes do mundo. Nesse contexto, <strong>Fran\u00e7a<\/strong> e <strong>Alemanha<\/strong>, portanto, s\u00e3o as maiores importadoras e exportadoras de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O que seria uma alternativa para romper com esse mercado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Victor Pelaez Alvarez \u2013<\/strong> As alternativas s\u00e3o variadas e aqui \u00e9 poss\u00edvel incluir desde leis que consigam reduzir essa <strong>concentra\u00e7\u00e3o de capitais<\/strong>, at\u00e9 leis que incentivem capitais de menor porte, com alternativas tecnol\u00f3gicas. Alguns argumentam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alimentar a popula\u00e7\u00e3o com produto org\u00e2nico por uma quest\u00e3o de escala, mas quando come\u00e7ou a<strong> Revolu\u00e7\u00e3o Verde<\/strong>, ela tamb\u00e9m n\u00e3o era vi\u00e1vel. Ent\u00e3o, tudo depende de uma trajet\u00f3ria tecnol\u00f3gica e de uma continuidade de investimentos e de assist\u00eancia t\u00e9cnica. Isso significa que precisamos de pol\u00edticas de curto, m\u00e9dio e longo prazo para incentivar alternativas tecnol\u00f3gicas e isso est\u00e1 ligado n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, mas a uma quest\u00e3o de soberania.<\/p>\n<p>No <strong>Brasil<\/strong>, n\u00f3s temos uma grande empresa de refer\u00eancia na \u00e1rea de pesquisa, que \u00e9 a\u00a0<strong>Embrapa<\/strong>. O importante \u00e9 como vai se utilizar esse saber para garantir a soberania nacional nesse processo, porque o fato de hoje o Brasil ser o segundo maior exportador de alimentos tamb\u00e9m tem a ver com a experi\u00eancia da Embrapa.<\/p>\n<p>Fonte -Patricia Fachin, IHU de 27 de setembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto &#8211; Sociedade Nacional de Agricultura A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola alternativa, que n\u00e3o utiliza agrot\u00f3xicos, nos pr\u00f3ximos anos possivelmente tamb\u00e9m ser\u00e1 controlada por um grupo de menos de cinco multinacionais que hoje dominam o mercado mundial de agrot\u00f3xicos e sementes transg\u00eanicas. 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