{"id":17530,"date":"2016-10-15T17:00:35","date_gmt":"2016-10-15T20:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17530"},"modified":"2016-10-13T16:12:58","modified_gmt":"2016-10-13T19:12:58","slug":"um-nordeste-mais-arido-outro-provavel-legado-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/um-nordeste-mais-arido-outro-provavel-legado-das-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Um Nordeste mais \u00e1rido: outro prov\u00e1vel legado das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<div class=\"issuuembed\" style=\"width: 600px; height: 400px;\" data-configid=\"4622892\/39618382\"><\/div>\n<p><script type=\"text\/javascript\" src=\"\/\/e.issuu.com\/embed.js\" async=\"true\"><\/script><\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-77862016000700337&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt\">artigo<\/a> &#8220;Proje\u00e7\u00f5es de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas sobre o Nordeste Brasileiro dos Modelos do CMIP5 e do CORDEX&#8221; de autoria de Guimar\u00e3es et al. (o primeiro autor, Sullyandro Guimar\u00e3es, foi meu orientando de mestrado e eu, junto com outros colegas e ex-alunos, sou um dos co-autores) foi rec\u00e9m-publicado na Revista Brasileira de Meteorologia. At\u00e9 onde sei \u00e9 a primeira an\u00e1lise de f\u00f4lego usando conjuntamente os dados dispon\u00edveis do <a href=\"http:\/\/cmip-pcmdi.llnl.gov\/\">CMIP<\/a>5 (<i>Coupled Model Intercomparison Project, 5th Phase<\/i>), isto \u00e9, modelos globais e do <a href=\"http:\/\/www.cordex.org\/\">CORDEX<\/a>(<i>Coordinated Regional Climate Downscaling Experiment<\/i>), isto \u00e9, modelos regionais, voltada para a regi\u00e3o. O conjunto de simula\u00e7\u00f5es inclui as &#8220;rodadas&#8221; feitas por nosso grupo de pesquisa aqui mesmo na Universidade Estadual do Cear\u00e1 e aproveito o espa\u00e7o n\u00e3o apenas para divulgar o trabalho e aproveitar para falar um pouco da modelagem clim\u00e1tica feita para e por estas bandas, como tamb\u00e9m para agradecer a todos que o comp\u00f5em. Devo dizer, por\u00e9m, que, entrando no que realmente interessa, o &#8220;clima&#8221; de comemora\u00e7\u00e3o encerra a\u00ed, afinal o resumo do artigo encerra falando de uma &#8220;tend\u00eancia de aumento de aridez sobre o NEB durante este s\u00e9culo&#8221;. Antes por\u00e9m, de falar de porque devemos considerar seriamente os resultados do &#8220;Sullas&#8221; (como carinhosamente o chamamos) para o fim do s\u00e9culo, vamos falar do contexto atual, de uma seca provavelmente in\u00e9dita.<\/p>\n<p><b>Uma seca recorde que deve servir de alerta<\/b><\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), atrav\u00e9s do seu <a href=\"http:\/\/monitordesecas.ana.gov.br\/\">monitor de secas<\/a>, n\u00e3o deixam d\u00favidas quanto \u00e0 gravidade da seca em curso sobre o Nordeste. Predomina um cen\u00e1rio de &#8220;seca extrema&#8221;, com uma \u00e1rea bastante significativa no sul do Cear\u00e1 e parte do sert\u00e3o e agreste pernambucanos de &#8220;seca excepcional&#8221;, que \u00e9 a grosso modo aquela entre in\u00e9dita e sem paralelo numa escala de 50 anos (ou tecnicamente no percentil de 2%), com impactos tanto de curto como de longo prazo (vide figura).<\/p>\n<p>O car\u00e1ter de ineditismo dessa estiagem que prevalece em alguns estados desde 2012 \u00e9 confirmado por dados da Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos (<a href=\"http:\/\/www.funceme.br\/\">Funceme<\/a>). O levantamento dos t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o mostra que se trata da seca mais intensa em mais de um s\u00e9culo. De 1910 a 2016, somente em duas outras ocasi\u00f5es o Cear\u00e1 experimentou estiagens de cinco anos consecutivos, mas nesses dois casos a precipita\u00e7\u00e3o total foi maior do que no caso presente. De 1951 a 1955, a precipita\u00e7\u00e3o anual foi de 608 mm e de 1979 a 1983, de 566mm. Entre 2012 e 2016, a m\u00e9dia de chuvas foi de apenas 516 mm anuais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-GiMMS4i5ToI\/V_f_YRMlMmI\/AAAAAAAADOg\/hffgEmlb0UUzdEa0ZjoGWU3na6qgc4BZwCLcB\/s1600\/ana_26_agosto16.png\" \/><em>\u00cdndice de secas da ANA para Agosto de 2016<\/em><\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, por exemplo, houve estiagem at\u00e9 em anos de La Ni\u00f1a, sendo que o \u00fanico ano que recebeu influ\u00eancia de um evento de El Ni\u00f1o forte foi precisamente 2016. Ainda n\u00e3o dispomos de um estudo de atribui\u00e7\u00e3o que possa vincular de maneira mais definitiva esse quadro \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, mas n\u00e3o deixa de ser essa conex\u00e3o uma hip\u00f3tese absolutamente razo\u00e1vel, que precisa ser investigada. Uma das caracter\u00edsticas de um clima aquecido que \u00e9 consistente nas proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como j\u00e1 mostramos no nosso blog <a href=\"http:\/\/oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br\/2015\/06\/mudancas-climaticas-e-agua-de-crise.html\">neste artigo<\/a> sobre a crise h\u00eddrica, \u00e9 que regi\u00f5es j\u00e1 secas tendem a ficar ainda mais secas e muitas regi\u00f5es chuvosas tendem a receber mais precipita\u00e7\u00e3o, como se o aquecimento global funcionasse, para a \u00e1gua, como um Robin Hood \u00e0s avessas. Mas para estudos de atribui\u00e7\u00f5es, ferramentas como modelos clim\u00e1ticos s\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-9A_xsPFIfwU\/V_gEZfRcSYI\/AAAAAAAADO8\/U3ZTHAiWG804AW7UOfHwgztLkVAQcLs1QCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-10-07%2Ba%25CC%2580s%2B5.22.41%2BPM.png\" \/><em>S\u00e9rie de precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia sobre o Cear\u00e1 de 1910 a 2016.\u00a0Fonte: Funceme<\/em><\/p>\n<p><b>Devemos levar os modelos clim\u00e1ticos a s\u00e9rio<\/b><\/p>\n<p>Tenho trabalhado com modelagem atmosf\u00e9rica (inicialmente) e clim\u00e1tica (que implica em acoplamento da atmosfera com outras componentes do Sistema Terra como oceanos, biosfera etc. posteriormente) h\u00e1 mais de 20 anos. E sou testemunha da evolu\u00e7\u00e3o da capacidade desses modelos em representar processos f\u00edsicos e biogeoqu\u00edmicos e dos computadores em nos possibilitarem simula\u00e7\u00f5es cada vez mais detalhadas espacialmente e\/ou por escalas de tempo cada vez mais longas. Os modelos clim\u00e1ticos n\u00e3o s\u00e3o um &#8220;coelho tirado da cartola&#8221;, mas produto de desenvolvimento e pesquisa por parte de milhares de especialistas (dentre os quais tenho orgulho de me incluir). Importante dizer tamb\u00e9m que eles s\u00e3o sempre testados (ou &#8220;validados&#8221;, como usamos no nosso jarg\u00e3o). Sua capacidade de reproduzir condi\u00e7\u00f5es observadas (n\u00e3o apenas no que diz respeito ao tempo e ao clima presentes, mas tamb\u00e9m para condi\u00e7\u00f5es que incluem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do passado) \u00e9 condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para que continuemos a utiliz\u00e1-lo com confian\u00e7a, seja para previs\u00f5es de tempo, previs\u00f5es clim\u00e1ticas sazonais ou proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas de mais longo prazo. E n\u00e3o, n\u00e3o desconsideramos as incertezas. Pelo contr\u00e1rio, as levamos muito a s\u00e9rio e geralmente n\u00e3o nos limitamos aos resultados de uma \u00fanica simula\u00e7\u00e3o e nem mesmo de um \u00fanico modelo em nossas pesquisas. \u00c9 comum olharmos para o que dizem <b>v\u00e1rios modelos <\/b>(no nosso jarg\u00e3o, o &#8220;<i>ensemble<\/i>&#8220;), exatamente para termos uma ideia dessas incertezas e do &#8220;espalhamento&#8221; das previs\u00f5es ou proje\u00e7\u00f5es. Para quem \u00e9 familiar com gr\u00e1ficos mostrados na apresenta\u00e7\u00e3o de resultados de pesquisas e proje\u00e7\u00f5es em clima, j\u00e1 deve ter se familiarizado com os &#8220;espaguetes&#8221; (m\u00faltiplas linhas, cada uma representando um modelo ou simula\u00e7\u00e3o individual) ou com faixas em que a m\u00e9dia (ou mediana) \u00e9 acompanhada do espalhamento (seja mostrando-se o desvio-padr\u00e3o entre as simula\u00e7\u00f5es ou o &#8220;range&#8221;, isto \u00e9, o intervalo entre menor e maior valor).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.climatechangeinaustralia.gov.au\/media\/ccia\/2.1.5\/cms_page_media\/274\/IPCC_AR_resolution_small_2.jpg\" \/><em>Evolu\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o espacial dos modelos clim\u00e1ticos desde\u00a0o primeiro relat\u00f3rio do IPCC (FAR, First Assessment Report)\u00a0at\u00e9 o quarto, o AR4, do lado esquerdo e compara\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o horizontal e vertical dos modelos atmosf\u00e9ricos e oce\u00e2nicos tipicamente usados nos anos 1990 e recentemente,\u00a0quando da elabora\u00e7\u00e3o do AR5.<\/em><\/p>\n<p><b>Sim, esses modelos funcionam no Nordeste!<\/b><\/p>\n<p>Dentre as experi\u00eancias que tive trabalhando com modelos atmosf\u00e9ricos e clim\u00e1ticos em nada menos que <b>metade da minha vida<\/b>, uma das mais agrad\u00e1veis e bem-sucedidas foi sem d\u00favida alguma o processo que levou \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da previs\u00e3o de clima usando modelos din\u00e2micos de escala regional na Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos (a <a href=\"http:\/\/www.funceme.br\/\">Funceme<\/a>). Sem entrar em detalhes t\u00e9cnicos, o que posso garantir \u00e9 que tanto os modelos regionais inicialmente adotados como os modelos globais que hoje a institui\u00e7\u00e3o adota t\u00eam produzido resultados satisfat\u00f3rios h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, ajudando bastante a cada ano nos progn\u00f3sticos para a esta\u00e7\u00e3o chuvosa. Essa confian\u00e7a que ganhamos nos modelos regionais quando de seu uso para previs\u00e3o sazonal nos deixou animados com a possibilidade de repetir o \u00eaxito com proje\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e embora o processo, neste caso, envolvesse necessidade (bem maior diga-se de passagem) de poder de processamento e armazenamento de dados, n\u00f3s aceitamos o desafio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-Y1uQNtjfOEs\/V7YHZFHOkQI\/AAAAAAAADFU\/OXewnSwbgIUMciYQLTvBQeac41dBWHAdwCEw\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-08-18%2Ba%25CC%2580s%2B4.03.22%2BPM.png\" \/><em>Ciclo anual de precipita\u00e7\u00e3o no per\u00edodo\u00a01985-2005 sobre o Nordeste: observa\u00e7\u00f5es em vermelho, m\u00e9dia dos modelos\u00a0em preto, em azul e verde as duas simula\u00e7\u00f5es realizadas por nosso grupo\u00a0de pesquisa. O restante do &#8220;espaguete&#8221;\u00a0representa os demais modelos dos conjuntos do CMIP5 e CORDEX<\/em><\/p>\n<p>A valida\u00e7\u00e3o dos modelos do CMIP5 e do CORDEX para nossa regi\u00e3o ao final confirmou o que esper\u00e1vamos, isto \u00e9, que tanto os modelos clim\u00e1ticos globais quanto os regionais representam corretamente aspectos do clima do Nordeste como as varia\u00e7\u00f5es anuais de temperatura e principalmente de precipita\u00e7\u00e3o e que principalmente na representa\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es espaciais dessas vari\u00e1veis os modelos regionais e especialmente o &#8220;<i>ensemble<\/i>&#8221; trazem ganhos importantes. Ter confian\u00e7a na representa\u00e7\u00e3o dessas e outras vari\u00e1veis \u00e9 importante para estimar corretamente o \u00edndice de aridez (raz\u00e3o entre precipita\u00e7\u00e3o e evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial) e, portanto, para examinar os resultados das proje\u00e7\u00f5es relativas a esse \u00edndice (e outras vari\u00e1veis) em cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-zAZQvhoqstw\/V7YLMioUs6I\/AAAAAAAADF8\/yv2fcMkBIkQJSXQ8kJp4QMKKGLr5dD9uACLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-08-18%2Ba%25CC%2580s%2B4.23.09%2BPM.png\" \/><em>Precipita\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dia no per\u00edodo 1985-2005: observa\u00e7\u00f5es \u00e0\u00a0esquerda e resultados de duas simula\u00e7\u00f5es com modelo regional\u00a0realizadas na UECE. Fonte: Guimar\u00e3es, 2015 (disserta\u00e7\u00e3o de\u00a0mestrado)<\/em><\/p>\n<p><b>Num clima mais quente, extremos de secas e chuvas se intensificar\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>J\u00e1 discutimos em outras oportunidades em nosso blog qual o mecanismo por traz do esperado (e em larga medida j\u00e1 observado) aumento dos eventos extremos. Existe uma lei f\u00edsica, a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Clausius%E2%80%93Clapeyron_relation\">equa\u00e7\u00e3o de Clausius-Clapeyron<\/a>, que de forma simplificada nos diz que quanto mais quente estiver o ar, mais vapor d&#8217;\u00e1gua ele ser\u00e1 capaz de armazenar. Isso transforma a atmosfera num maior reservat\u00f3rio de \u00e1gua (na fase de vapor), o que faz, de um lado, com que a evapora\u00e7\u00e3o tenda a aumentar (o que agrava condi\u00e7\u00f5es de seca) e, do outro, que haja mais vapor dispon\u00edvel para condensa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de nuvens de chuva (o que intensifica as tempestades e chuvas extremas).<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es de temperatura n\u00e3o deixam d\u00favida: mesmo em cen\u00e1rios em que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o em parte mitigadas e mesmo que se consiga limitar o aquecimento global em 2\u00b0C ou mesmo, devemos assistir a uma eleva\u00e7\u00e3o de alguns graus no Nordeste e em outras regi\u00f5es do Brasil. A raz\u00e3o para isso \u00e9 que os continentes se aquecem mais do que os oceanos e se a m\u00e9dia de aquecimento for de 2\u00b0C, \u00e9 prov\u00e1vel que a maior parte dos oceanos aque\u00e7a menos que isso, ao passo que os continentes aque\u00e7am acima desse valor. Da\u00ed, no Nordeste, essa altera\u00e7\u00e3o na temperatura deve impor mudan\u00e7as no ciclo hidrol\u00f3gico e a tend\u00eancia \u00e9 ficarmos sujeitos \u00e0 dualidade, de condi\u00e7\u00f5es ambas extremas, mas opostas.<\/p>\n<p>No trabalho que publicamos, o Nordeste deve ficar 2,1\u00b0C mais quente no final do s\u00e9culo XXI do que no in\u00edcio em um cen\u00e1rio <b>com mitiga\u00e7\u00e3o<\/b>. No cen\u00e1rio sem mitiga\u00e7\u00e3o, esse aquecimento salta para 4,0\u00b0C, e devemos lembrar que, uma vez que a refer\u00eancia aqui \u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, a mudan\u00e7a de temperatura em rela\u00e7\u00e3o ao clima pr\u00e9-industrial \u00e9 ainda maior, possivelmente beirando os 6\u00b0C. Como h\u00e1 tamb\u00e9m variabilidade espacial, as regi\u00f5es mais no interior tendem a ser mais afetadas do que as por\u00e7\u00f5es litor\u00e2neas, como mostra a figura abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-t35CqT1Lwog\/V8A7VlsNc8I\/AAAAAAAADHA\/Mgg1_AMvZPQ1oA6PuCcDT2CFLK5sy8IdACLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-08-26%2Ba%25CC%2580s%2B9.47.57%2BAM.png\" \/><em>No pior cen\u00e1rio, as mudan\u00e7as de temperatura projetadas pelo\u00a0conjunto de modelos (considerando a m\u00e9dia de todos eles) devem ultrapassar os 3\u00b0C em todas as por\u00e7\u00f5es do Nordeste, chegando a quase 5\u00b0C em algumas delas. Os modelos regionais\u00a0utilizados na UECE projetam um aquecimento ainda maior.\u00a0A refer\u00eancia \u00e9 o per\u00edodo 1985-2005, ent\u00e3o \u00e9 certo que o aquecimento em rela\u00e7\u00e3o ao clima pr\u00e9-industrial ser\u00e1 ainda maior.<\/em><\/p>\n<p>De um lado, \u00e9 bastante claro que as perdas por evapora\u00e7\u00e3o e evapotranspira\u00e7\u00e3o devem se agravar com o quase certo aumento de temperatura. Do outro, especialmente na por\u00e7\u00e3o norte da regi\u00e3o, uma<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zona_de_converg%C3%AAncia_intertropical\">Zona de Converg\u00eancia Intertropical<\/a>\u00a0(ZCIT) mais ativa pode trazer eventos de chuva extrema. A pergunta que fica \u00e9: quem prevalece entre esses dois fatores no balan\u00e7o h\u00eddrico final?<br \/>\n<b><br \/>\n\u00c1gua: chuva vari\u00e1vel e evapora\u00e7\u00e3o maior<\/b><\/p>\n<p>No artigo, mostra-se que a proje\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos modelos apresenta um contraste, com maiores chances de aumento da precipita\u00e7\u00e3o na por\u00e7\u00e3o norte do Nordeste (justamente em fun\u00e7\u00e3o de uma proje\u00e7\u00e3o de chuvas mais intensas produzidas pela ZCIT e uma redu\u00e7\u00e3o bastante significativa das chuvas nos estados da Para\u00edba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, nos quais a precipita\u00e7\u00e3o depende de outros sistemas. A figura abaixo\u00a0mostra as varia\u00e7\u00f5es percentuais projetadas pela m\u00e9dia dos modelos. Em termos absolutos, as mudan\u00e7as no campo de precipita\u00e7\u00e3o s\u00e3o de aumento de at\u00e9 200 mm\/ano na costa norte do NEB, e diminui\u00e7\u00e3o mais elevada em maior parte da regi\u00e3o centro-leste, de at\u00e9 -100 mm\/ano. Considerando a regi\u00e3o Nordeste como um todo, a m\u00e9dia dos modelos nos dois cen\u00e1rios simulados apresenta proje\u00e7\u00e3o de pequena redu\u00e7\u00e3o no total de precipita\u00e7\u00e3o, de -11,3 mm\/a e -21 mm\/a respectivamente para os cen\u00e1rios com e sem mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-4Le8gSGfOe4\/V8BMkCiXQZI\/AAAAAAAADHc\/S8DQQWYEJAYcb4kSM5Ej536m6zdhlc4lgCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-08-26%2Ba%25CC%2580s%2B10.53.55%2BAM.png\" \/><em>Campos de diferen\u00e7a percentual na\u00a0m\u00e9dia\u00a0anual de\u00a0precipita\u00e7\u00e3o entre o<\/em><br \/>\n<em> pior cen\u00e1rio e o presente.<\/em><\/p>\n<p>Mas especialmente para quem possa ficar otimista com a proje\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia dos modelos de um certo aumento da precipita\u00e7\u00e3o especialmente no norte do Cear\u00e1 e Piau\u00ed, \u00e9 fundamental que, al\u00e9m de lembrar das incertezas nessa vari\u00e1vel, existem outra quest\u00f5es. Primeiro, outra grandeza que \u00e9 crucial para o balan\u00e7o h\u00eddrico \u00e9 a evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial e esta \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o crescente com a temperatura. Segundo, que \u00e9 preciso checar indica\u00e7\u00f5es de como essa chuva tende a se distribuir.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial, a figura abaixo\u00a0revela tanto na m\u00e9dia dos modelos globais como principalmente nas simula\u00e7\u00f5es com o modelo regional da UECE, uma tend\u00eancia a um aumento significativo da mesma. No cen\u00e1rio sem mitiga\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dia dos modelos do CMIP5 projeta uma eleva\u00e7\u00e3o de 200 a 300 mm anuais na maior parte da regi\u00e3o, implicando em aumentos percentuais de 10% na zona litor\u00e2nea a 18% nas regi\u00f5es mais internas ao continente. O caso fica ainda mais preocupante se olharmos para os modelos regionais, que em uma das simula\u00e7\u00f5es aponta a possibilidade de em uma ampla por\u00e7\u00e3o do Nordeste com aumentos projetados de mais de 400 mm (ou at\u00e9 mais de 500 mm) na taxa anual m\u00e9dia de evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial, podendo representar aumentos percentuais impressionantes, acima de 30%.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-tu_3f-mzftk\/V_e2GM6pdZI\/AAAAAAAADM4\/i5T59dDDwkIUZvnpzh5QwRYGHdtYMeesQCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-10-07%2Ba%25CC%2580s%2B11.49.30%2BAM.png\" \/><em>Diferen\u00e7a (absoluta, acima e percentual, abaixo) na m\u00e9dia\u00a0anual da evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial entre o pior cen\u00e1rio,\u00a0no final do s\u00e9culo XXI, e o presente.<\/em><\/p>\n<p>Na m\u00e9dia da regi\u00e3o, todos os modelos indicam aumento dessa vari\u00e1vel, especialmente no cen\u00e1rio RCP8.5 (sem mitiga\u00e7\u00e3o): de +7,4% a 24,1%, a depender do modelo, sendo que as duas configura\u00e7\u00f5es do modelo regional utilizado na UECE indicaram aumentos de +17,7% e +19,9%. Essa combina\u00e7\u00e3o de chuva incerta e\/ou heterog\u00eanea com aumento generalizado da evapotranspira\u00e7\u00e3o tende a impor uma press\u00e3o ainda maior sobre os recursos h\u00eddricos e a agricultura.<\/p>\n<p><b>Mesmo com heterogeneidade espacial, a tend\u00eancia \u00e9 de maior aridez<\/b><\/p>\n<p>Com efeito, quando sobrepomos as mudan\u00e7as projetadas nas duas vari\u00e1veis, precipita\u00e7\u00e3o e evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial, o que resulta \u00e9 um quadro mais desfavor\u00e1vel no balan\u00e7o h\u00eddrico. Usando-se a defini\u00e7\u00e3o simples do <a href=\"http:\/\/www.funceme.br\/index.php\/areas\/17-mapas-tem%C3%A1ticos\/542-%C3%ADndice-de-aridez-para-o-cear%C3%A1\">\u00edndice de aridez<\/a>\u00a0(IA), que \u00e9 a raz\u00e3o entre precipita\u00e7\u00e3o e evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial (IA = Pr\/ET0), percebe-se que quanto menor for esse \u00edndice, mais \u00e1rida \u00e9 a regi\u00e3o, de tal modo que um IA inferior a 0,20 caracteriza uma regi\u00e3o \u00e1rida, um IA entre 0,20 e 0,50 nos d\u00e1 um clima semi-\u00e1rido, um IA entre 0,50 e 0,65 caracteriza a regi\u00e3o como de clima sub\u00famido seco e para um IA entre entre 0,65 e 1, tem-se um clima sub\u00famido \u00famido e finalmente, acima de 1,0, ou seja, locais com precipita\u00e7\u00e3o maior que a evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial, o clima \u00e9 considerado \u00famido.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-dk1rm9XD5Hw\/V_fDm_rATQI\/AAAAAAAADNY\/3CLQjlOD7E4APgGfcEwVHVLWDLvCcQtNgCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-10-07%2Ba%25CC%2580s%2B12.46.38%2BPM.png\" \/><em>Distribuic\u0327a\u0303o acumulada das diferenc\u0327as percentuais das me\u0301dias\u00a0do i\u0301ndice de aridez do NEB entre os cen\u00e1rios com e sem mitiga\u00e7\u00e3o e o clima recente.<\/em><\/p>\n<p>No caso das proje\u00e7\u00f5es de clima futuro do Nordeste, quando se juntam as informa\u00e7\u00f5es dessas duas vari\u00e1veis, o quadro que emerge \u00e9 o de uma tend\u00eancia ao aumento da aridez, como esperado. No cen\u00e1rio sem mitiga\u00e7\u00e3o, metade dos modelos projeta uma redu\u00e7\u00e3o de 18% ou mais nesse \u00edndice. Apenas 3 deles (8,3% dos modelos) sugerem que a aridez diminuiria sobre a regi\u00e3o (aumento do IA) e 9 (25% dos modelos) sugerem altera\u00e7\u00f5es modestas (varia\u00e7\u00f5es de aumento ou diminui\u00e7\u00e3o do IA inferiores a 5%). A grande maioria (2\/3 dos modelos) indica redu\u00e7\u00e3o do IA entre valores que v\u00e3o de 5% a mais de 40% como no caso de 3 modelos com proje\u00e7\u00f5es mais extremas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-4Cm-9YTM0hI\/V_fH7xkSY9I\/AAAAAAAADOA\/_-HelwQRUkoQL6pqm5bGRRHKaU9Q1dUpgCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2016-10-07%2Ba%25CC%2580s%2B1.03.31%2BPM.png\" \/><em>Proje\u00e7\u00f5es do \u00edndice de aridez pelos v\u00e1rios\u00a0modelos\u00a0individuais (globais e regionais). A maioria<\/em><\/p>\n<p>Essa varia\u00e7\u00e3o entre os \u00edndices projetados pelos diferentes modelos tamb\u00e9m se expressa em proje\u00e7\u00f5es diferentes do comportamento da &#8220;mancha&#8221; de clima semi-\u00e1rido. Atualmente, essa mancha ocupa 982.566 Km\u00b2 (63%) dos\u00a01.558.000 km\u00b2 do Nordeste Brasileiro, mas a maior parte dos modelos indica uma tend\u00eancia \u00e0 sua expans\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 36% deles projeta um aumento dessa \u00e1rea em mais de 5%. Quase a metade dos modelos (16 deles) sugere inclusive uma tend\u00eancia ao aparecimento de \u00e1reas de clima \u00e1rido maiores do que 100.000 km\u00b2, uma altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que certamente favorece a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Desertifica%C3%A7%C3%A3o\">desertifica\u00e7\u00e3o<\/a>, especialmente se esta vier acompanhada de desmatamento, degrada\u00e7\u00e3o e perda de solo, etc. 30 dos 36 modelos projetam um recuo na \u00e1rea considerada como de sub\u00famido \u00famido, dos quais 19 indicam redu\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas em mais de 40% do territ\u00f3rio.<\/p>\n<div class=\"separator\"><b>Qualquer adapta\u00e7\u00e3o requer outro modelo de desenvolvimento<\/b><\/div>\n<div class=\"separator\"><\/div>\n<p>Muito se tem debatido, inclusive em meio aos movimentos sociais do campo atuantes no Nordeste, sobre a conviv\u00eancia com o semi-\u00e1rido. Com efeito, alguns avan\u00e7os s\u00e3o vis\u00edveis, no que tange \u00e0 seguran\u00e7a h\u00eddrica, com as cisternas e nas possibilidades, na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, incluindo tecnologias de baixo custo (como as cisternas de enxurrada e barragens subterr\u00e2neas), t\u00e9cnicas de agrofloresta, plantio consorciado e outras t\u00e9cnicas de manejo que preservam o solo e, embora ainda sejam muito restristas, em a\u00e7\u00f5es gerais de recupera\u00e7\u00e3o ambiental, incluindo iniciativas de reflorestamento e de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas.<\/p>\n<p>Mas devo dizer que tais medidas, embora representem ensaios importantes de adapta\u00e7\u00e3o (e tamb\u00e9m de mitiga\u00e7\u00e3o, pois implicam em sequestro de carbono fixado pela vegeta\u00e7\u00e3o e solo), est\u00e3o longe de ser suficientes e tampouco podem servir de base para um otimismo injustificado. O que as proje\u00e7\u00f5es de modelos clim\u00e1ticos nos fornecem s\u00e3o indicativos para cen\u00e1rios em que n\u00e3o h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o humana local, apenas a a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica global via modifica\u00e7\u00e3o do clima planet\u00e1rio. E tal altera\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 suficiente para introduzir press\u00f5es extras no sistema s\u00f3cio-geoambiental do semi\u00e1rido nordestino.<\/p>\n<p>Da\u00ed, mais do que urge que o debate de conviv\u00eancia com o semi-\u00e1rido n\u00e3o apenas incorpore a luta por adapta\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades, preven\u00e7\u00e3o de riscos e tamb\u00e9m de mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E evidentemente isso passa de tirar esse debate dos nichos restritos das comunidades rurais e dos movimentos sociais do campo. Se a press\u00e3o \u00e9 de grande escala, global, as a\u00e7\u00f5es locais s\u00e3o insuficientes. Precisam entrar na pauta as cidades, principais fontes de desequil\u00edbrio metab\u00f3lico, bem como o modelo de desenvolvimento em seu conjunto, incluindo gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola irrigada e outras atividades econ\u00f4micas. Por exemplo, no estado do <a href=\"http:\/\/oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br\/search\/label\/Cear%C3%A1\">Cear\u00e1<\/a>, se de um lado a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios contribuiu para garantir maior seguran\u00e7a h\u00eddrica, a vulnerabilidade do sistema como um todo foi ampliada, virtualmente cancelando seus benef\u00edcios, com a ado\u00e7\u00e3o de um modelo econ\u00f4mico de base hidrointensiva: termel\u00e9tricas, fruticultura irrigada, sider\u00fargica, minera\u00e7\u00e3o (o que inclui a proposta abjeta de explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio no munic\u00edpio cearense de Santa Quit\u00e9ria, na<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mina_de_Itataia\">mina de Itataia<\/a>).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/static.paraiba.pb.gov.br\/2013\/07\/Cisternas-de-Placa-no-sertao-paraibano-Sedh-e-mds-3.jpg\" \/>\u00a0<em>Adapta\u00e7\u00e3o a um semi\u00e1rido sob press\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel somente com a\u00e7\u00f5es descentralizadas e voltadas para o campo. Reduzir a vulnerabilidade\u00a0da regi\u00e3o especialmente no quesito h\u00eddrico implica em uma\u00a0profunda revis\u00e3o das escolhas de modelo de desenvolvimento,\u00a0especialmente o uso intensivo de \u00e1gua como empreendimentos como termel\u00e9tricas, agricultura irrigada de grande<\/em><br \/>\n<em> porte, minera\u00e7\u00e3o, etc.<\/em><\/p>\n<div id=\"post-body-510942029755894437\" class=\"post-body entry-content\">\n<div dir=\"ltr\">A aposta na l\u00f3gica de &#8220;obras&#8221;, como a transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco que foi sistematicamente tratada como redentora para o Nordeste parece especialmente ruim, inclusive considerando os resultados aqui mostrados (mesmo porque na Bahia, a tend\u00eancia \u00e0 aridiza\u00e7\u00e3o parece ser maior do que na m\u00e9dia da regi\u00e3o). Panac\u00e9ias como reuso e dessaliniza\u00e7\u00e3o em grande escala precisam ser pensadas num cen\u00e1rio em que eventualmente precisaremos delas para garantir abastecimento de \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o humana e n\u00e3o para ind\u00fastrias sedentas, emissoras e poluentes. Fato: precisamos caber no semi\u00e1rido todos n\u00f3s, inclusive e especialmente os habitantes das metr\u00f3poles, at\u00e9 porque boa parte das atividades hidrointensivas, como gerar eletricidade em termel\u00e9tricas, s\u00e3o tamb\u00e9m carbointensivas, n\u00e3o restando outra alternativa a n\u00e3o ser interromper o quanto antes tais atividades. Se um Nordeste mais \u00e1rido \u00e9 outros dos poss\u00edveis legados do aquecimento global, que nos defendamos e nos preparemos desde j\u00e1.<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"post-footer\">\n<div class=\"post-footer-line post-footer-line-1\"><span class=\"post-author vcard\">Fonte &#8211; Alexandre Cosa, Blog O que voc\u00ea faria se soubesse o que eu sei? de 07 de outubro de 2016<\/span><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo &#8220;Proje\u00e7\u00f5es de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas sobre o Nordeste Brasileiro dos Modelos do CMIP5 e do CORDEX&#8221; de autoria de Guimar\u00e3es et al. (o primeiro autor, Sullyandro Guimar\u00e3es, foi meu orientando de mestrado e eu, junto com outros colegas e ex-alunos, sou um dos co-autores) foi rec\u00e9m-publicado na Revista Brasileira de Meteorologia. 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