{"id":17614,"date":"2016-10-18T15:00:44","date_gmt":"2016-10-18T17:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17614"},"modified":"2016-10-18T16:22:58","modified_gmt":"2016-10-18T18:22:58","slug":"movimento-ambientalista-e-a-energia-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/movimento-ambientalista-e-a-energia-nuclear\/","title":{"rendered":"Movimento ambientalista e a energia nuclear"},"content":{"rendered":"<section class=\"main\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/poAmfm-UdjtUmzF4oLxRcZClbCs=\/0x0:976x550\/620x349\/s.glbimg.com\/po\/ek\/f\/original\/2014\/03\/11\/chernobyl_hoje.jpg\" alt=\"Chernobyl hoje. (Foto: Extra (Globo))\" \/>O governador do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, tomou recentemente uma decis\u00e3o que pode ter s\u00e9rias consequ\u00eancias para todo o movimento ambientalista daquele pa\u00eds, com repercuss\u00f5es no resto do mundo. A decis\u00e3o do governador tem a finalidade de permitir ao Estado de Nova York atingir a meta de 50% de eletricidade de fontes renov\u00e1veis em 2030. Atualmente, essa participa\u00e7\u00e3o \u00e9 de apenas 23%.An\u00e1lises t\u00e9cnicas conclu\u00edram que para alcan\u00e7ar esse ambicioso objetivo ser\u00e1 preciso manter em funcionamento duas centrais nucleares, que s\u00e3o deficit\u00e1rias. Ser\u00e1 necess\u00e1rio, portanto, pagar mais pela energia gerada nos reatores nucleares porque reatores nucleares n\u00e3o emitem gases, que s\u00e3o a principal causa do aquecimento global. O subs\u00eddio necess\u00e1rio \u00e9 de US$ 965 milh\u00f5es para os pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n<p>Com isso os reatores nucleares ganham uma sobrevida, o que encorajou outras iniciativas do mesmo g\u00eanero e irritou o movimento antinuclear americano. A decis\u00e3o tomada pelo governador de Nova York criou, pois, uma divis\u00e3o no movimento ambientalista, que no passado marchava unido contra o aquecimento global e contra a energia nuclear.<\/p>\n<p>As duas vertentes ambientalistas t\u00eam origens hist\u00f3ricas diferentes. O movimento tradicional teve in\u00edcio em fins do s\u00e9culo 19 e era essencialmente voltado para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Com o aumento da polui\u00e7\u00e3o resultante da grande atividade industrial do s\u00e9culo 20 e do crescimento das cidades, ele se estendeu \u00e0 melhoria da qualidade do ar e das \u00e1guas e ao impacto das grandes obras no meio ambiente. Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o e deu origem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios de meio ambiente ou entidades p\u00fablicas equivalentes no mundo todo.<br \/>\nMais recentemente, os problemas do aquecimento global passaram a dominar a agenda ambiental, j\u00e1 agora com s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, porque a redu\u00e7\u00e3o do consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, necess\u00e1ria para diminuir a emiss\u00e3o de gases respons\u00e1veis pelo \u201cefeito estufa\u201d, tem profundas consequ\u00eancias econ\u00f4micas e afeta os pa\u00edses de forma diferente.<br \/>\nO movimento antinuclear \u00e9 muito mais recente. Desde o in\u00edcio teve um car\u00e1ter mais pol\u00edtico, pelo fato de n\u00e3o haver uma distin\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica clara entre o uso de energia nuclear para fins militares e para fins pac\u00edficos, e foi isso que originou uma enorme mobiliza\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio da guerra fria, entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o movimento antinuclear era frequentemente acusado de ser antiamericano.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">&#8220;O movimento antinuclear &#8230; teve um car\u00e1ter mais pol\u00edtico&#8221;. Pode at\u00e9 ter sido no in\u00edcio do movimento, mas\u00a0depois dos ambientalistas entenderem o problema para a humanidade, virou uma guerra\u00a0como todas as outras que lutamos contra a destrui\u00e7\u00e3o do planeta e da humanidade. Defini\u00e7\u00e3o besta, querendo desqualificar o movimento ambientalista.<\/span><\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais de funcionamento, reatores nucleares s\u00e3o seguros e n\u00e3o podem ser comparados com armas nucleares, porque a radioatividade fica contida numa c\u00e1psula de a\u00e7o. Al\u00e9m disso, n\u00e3o emitem gases de \u201cefeito estufa\u201d e por essa raz\u00e3o s\u00e3o considerados uma fonte de energia renov\u00e1vel.<br \/>\nQuando acontecem acidentes, por\u00e9m, a c\u00e1psula pode se romper e espalhar radioatividade. Foi o que aconteceu em 2011 em Fukushima, no Jap\u00e3o: centenas de milhares de pessoas foram afetadas e o custo da conten\u00e7\u00e3o dos danos \u00e9 enorme, uma vez que a quantidade de material radiativo liberada \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 da explos\u00e3o at\u00f4mica que destruiu Hiroshima, em 1945.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Seguro? Chernobyl (1986),\u00a0Three Mile Island (1979),\u00a0Kyshtym (Ozyorsk &#8211; 1957),\u00a0C\u00e9sio \u2013 137 (1987),\u00a0Tokaimura (1999),\u00a0Seversk (1993),\u00a0Yucca Flat (1970), \u00a0Windscale (1957),\u00a0Bohunice (1977),\u00a0Fukushima\u00a0(2011)&#8230; Qualquer acidente afeta de milhares a milh\u00f5es de pessoas e a contamina\u00e7\u00e3o dura milhares de anos. Seguro? Onde? *<\/span><\/p>\n<p>A partir de 1970, centenas de reatores nucleares foram constru\u00eddos em 31 pa\u00edses; operam hoje no mundo 440 deles. At\u00e9 20 anos atr\u00e1s a energia nuclear parecia ser a energia do futuro. Mas os acidentes e o receio de contamina\u00e7\u00e3o nuclear levaram v\u00e1rios pa\u00edses, entre os quais Jap\u00e3o e a Alemanha, a abandonar gradativamente essa forma de energia e procurar desenvolver alternativas.<\/p>\n<p>Eletricidade nuclear, que chegou a representar 16% da energia el\u00e9trica usada no mundo, representa hoje menos de 11%. Apenas uns poucos pa\u00edses continuam a construir reatores \u2013 os principais deles s\u00e3o a China, a \u00cdndia, a R\u00fassia e a Coreia do Sul. Nos outros h\u00e1 grandes esfor\u00e7os para manter os reatores existentes em funcionamento e substituir os antigos, que est\u00e3o atingindo o fim de sua vida \u00fatil.<\/p>\n<p><strong>Sucede que os novos reatores s\u00e3o mais caros que os antigos e a competitividade que proporcionavam no custo da eletricidade produzida est\u00e1 desaparecendo: g\u00e1s natural, que \u00e9 abundante em muitas partes do mundo, oferece custos menores, da mesma forma que energias renov\u00e1veis como a e\u00f3lica e a de biomassa.<\/strong><\/p>\n<p>Foi por isso que o Estado de Nova York decidiu subsidiar fortemente o setor nuclear para manter aqueles dois reatores em funcionamento. O argumento dado pelo governo \u00e9 que subs\u00eddio \u00e9 o \u201ccusto social do carbono\u201d que seria emitido se os reatores fossem desligados, j\u00e1 que a eletricidade teria de ser gerada usando combust\u00edveis f\u00f3sseis, que emitem gases do \u201cefeito estufa\u201d.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 defendida por alguns ambientalistas, o que cria um conflito com os ambientalistas mais tradicionais. O problema \u00e9 decidir o que \u00e9 mais grave: emiss\u00f5es de gases de \u201cefeito estufa\u201d, que s\u00e3o liberados sempre que energia \u00e9 gerada a partir de combust\u00edveis f\u00f3sseis, ou os efeitos da radioatividade que poder\u00e1 ser lan\u00e7ada no meio ambiente apenas quando eventuais acidentes acontecerem.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Opa, os efeitos n\u00e3o s\u00e3o apenas em caso de acidente. Esqueceram de mencionar os res\u00edduos radioativos que s\u00e3o descartados anualmente, depositados em locais espec\u00edficos e tem que ficar l\u00e1 por centenas de anos. E nem todos os pa\u00edses que tem usinas nucleares seguem um\u00a0procedimento seguro. Alguns\u00a0enterram em minas desativadas, outros no mar, que tem milhares de tambores que podem se romper em algum momento. Como a radia\u00e7\u00e3o demora de centenas a milhares de anos para se dissipar, quem garante que daqui h\u00e1 algumas centenas de anos as minas de sal que hoje abrigam o lixo nuclear n\u00e3o estar\u00e3o sendo exploradas para consumo de sal, contaminando os humanos?\u00a0Pior ainda, os humanos estar\u00e3o consumindo peixes sendo contaminados pelos tambores que vazaram no fundo do mar.<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel resolver essas diferen\u00e7as de maneira cient\u00edfica, mas o que est\u00e1 ocorrendo na pr\u00e1tica \u00e9 que diversos pa\u00edses adotaram o \u201cprinc\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o\u201d e est\u00e3o abandonando a energia nuclear como op\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Exemplos s\u00e3o a Alemanha, a It\u00e1lia, o Jap\u00e3o e a Fran\u00e7a. Outros est\u00e3o reduzindo a sua contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como os custos de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade nuclear est\u00e3o subindo e os de outras energias renov\u00e1veis est\u00e3o baixando, o problema provavelmente ser\u00e1 resolvido por quest\u00f5es econ\u00f4micas \u2013 que levar\u00e3o ao abandono da alternativa nuclear.<\/p>\n<p>Por enquanto ela est\u00e1 se mantendo \u00e0 custa de subs\u00eddios, que dificilmente poder\u00e3o perdurar indefinidamente<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goldemberg \u00e9 Professor Em\u00e9rito da USP, presidente da Fapesp, foi secret\u00e1rio do Meio Ambiente da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/p>\n<p>Fonte &#8211; O Estado de S.Paulo de 17 de outubro de 2016<\/p>\n<\/section>\n<div class=\"galerias\">\u00a0<span style=\"color: #ff6600;\">*<\/span><\/div>\n<div class=\"galerias\">\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Windscale (1957) &#8211;\u00a0Durante o per\u00edodo que sucedeu a Segunda Guerra, a Inglaterra tamb\u00e9m buscava desenvolver armas nucleares. A pressa em fazer uma bomba at\u00f4mica em Windscale levou ao inc\u00eandio no reator, vazando material radioativo para a atmosfera. Para manter uma boa imagem sobre seu programa nuclear, o governo do pa\u00eds tentou ocultar as neglig\u00eancias que levaram ao acidente, que \u2013 supostamente \u2013 ocasionou mais de duas centenas de casos de c\u00e2ncer entre as comunidades vizinhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Kyshtym (Ozyorsk &#8211; 1957) &#8211;\u00a0Criada em 1957, como fruto da corrida nuclear da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a usina de Mayak sofreu uma falha no sistema de refrigera\u00e7\u00e3o do compartimento de armazenamento de res\u00edduos nucleares. O erro causou uma explos\u00e3o em um tanque com 80 toneladas de material radioativo.\u00a0A nuvem de g\u00e1s contaminou a regi\u00e3o em um raio de 800 km. Como a cidade de Ozyorsk, onde aconteceu o acidente, n\u00e3o estava no mapa sovi\u00e9tico, o fato ficou marcado como \u201co desastre de Kyshtym\u201d. Cerca de dez mil pessoas foram evacuadas, sem explica\u00e7\u00e3o do governo. Foram registradas pelo menos 200 mortes por causa da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Bohunice (1977) &#8211;\u00a0O acidente na usina de Bohunice, na Tchecoslov\u00e1quia de 1977 (hoje dividida em Rep\u00fablica Checa e a Eslov\u00e1quia) ocorreu ap\u00f3s uma mudan\u00e7a de combust\u00edvel. Os absorventes de umidade que cobriam as barras de combust\u00edvel n\u00e3o foram removidos da forma correta. Como conseq\u00fc\u00eancia, o combust\u00edvel sofreu superaquecimento, levando \u00e0 corros\u00e3o do reator.\u00a0Segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica, n\u00e3o h\u00e1 estimativas adequadas sobre feridos ou mortos porque, na ocasi\u00e3o, o acidente teria sido encoberto pelo governo sovi\u00e9tico. O que se sabe \u00e9 que os gases radioativos se espalharam por toda a usina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">EUA, 28 de mar\u00e7o de 1979 &#8211;\u00a0Em Three Mile Island (Pensilv\u00e2nia), uma falha humana impediu o resfriamento normal de um reator, cujo centro come\u00e7ou a derreter. Os dejetos radioativos provocaram uma enorme contamina\u00e7\u00e3o no interior do recinto de confinamento, destruindo 70% do n\u00facleo do reator. Um dia depois do acidente, um grupo de ecologistas mediu a radioatividade em volta da usina. Sua intensidade era oito vezes maior que a letal. Cerca de 140 mil pessoas foram evacuadas das proximidades do local. O acidente foi classificado no n\u00edvel 5 da escala internacional de eventos nucleares (INES), que vai de 0 a 7.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">EUA, agosto de 1979 &#8211;\u00a0Um vazamento de ur\u00e2nio em uma instala\u00e7\u00e3o nuclear secreta perto de Erwin (Tennessee) contaminou cerca de mil pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Three Mile Island (1979) &#8211;\u00a0A central nuclear de Three Mile Island foi cen\u00e1rio de um acidente que atingiu o n\u00edvel 5 na Escala Internacional de Eventos Nucleares, em 28 de mar\u00e7o de 1979. Localizada pr\u00f3xima a Harrisburg, capital da Pensilv\u00e2nia, a usina sofreu superaquecimento devido a um problema mec\u00e2nico, mas n\u00e3o chegou a explodir, pois os t\u00e9cnicos optaram pela libera\u00e7\u00e3o de vapor e gases. Apesar de n\u00e3o haver casos de mortes em raz\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o, cerca de 25 mil pessoas entraram em contato com os gases, que foram liberados para evitar a explos\u00e3o. No mesmo ano, uma comiss\u00e3o presidencial e a Comiss\u00e3o Nuclear Reguladora chegaram a seguinte conclus\u00e3o: \u201cou n\u00e3o haver\u00e1 casos de c\u00e2ncer ou o n\u00famero ser\u00e1 t\u00e3o pequeno que nunca ser\u00e1 poss\u00edvel detect\u00e1-los.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Jap\u00e3o, janeiro-mar\u00e7o de 1981 &#8211;\u00a0Quatro vazamentos radioativos na usina nuclear de Tsuruga, uma cidade na prov\u00edncia de Fukui, a 300 quil\u00f4metros de T\u00f3quio, deixaram 278 pessoas contaminadas por radia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Chernobyl (1986) &#8211;\u00a0O maior desastre nuclear da hist\u00f3ria ocorreu em Chernobyl, na regi\u00e3o da Ucr\u00e2nia, em 26 de abril de 1986, quando o\u00a0reator n\u00famero 4 da usina sovi\u00e9tica de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, explodiu durante um teste de seguran\u00e7a, \u00a0liberando uma nuvem radioativa, com 70 toneladas de ur\u00e2nio e 900 de grafite, na atmosfera. O acidente \u00e9 respons\u00e1vel pela morte de mais de 2,4 milh\u00f5es de pessoas nas proximidades e atingiu o n\u00edvel 7, o mais grave da Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES).\u00a0Ap\u00f3s a explos\u00e3o do reator, v\u00e1rios trabalhadores foram enviados ao local, para combater as chamas. Sem equipamento adequado, eles morreram em combate e ficaram conhecidos como \u201cliquidadores\u201d. A solu\u00e7\u00e3o foi construir uma estrutura de concreto, a\u00e7o e chumbo, para cobrir a \u00e1rea da explos\u00e3o.\u00a0No entanto, a constru\u00e7\u00e3o foi feita com urg\u00eancia e apresenta fissuras, tanto que o local at\u00e9 hoje \u00e9 nocivo, pela radia\u00e7\u00e3o. Para se ter uma id\u00e9ia da magnitude do acidente, o volume de part\u00edculas radioativas em Chernobyl foi 400 vezes maior do que o emitido pela bomba at\u00f4mica de Hiroshima, lan\u00e7ada no Jap\u00e3o, ap\u00f3s a Segunda Guerra.\u00a0O combust\u00edvel nuclear queimou durante 10 dias, jogando na atmosfera radionucl\u00eddeos de uma intensidade equivalente a mais de 200 bombas at\u00f4micas iguais \u00e0 que caiu em Hiroshima. Tr\u00eas quartos da Europa foram contaminados.\u00a0Prypiat, cidade elaborada para ser moradia dos trabalhadores da usina, teve seus habitantes mortos ou evacuados. Animais, rios e florestas tamb\u00e9m foram contaminados e diversas anomalias gen\u00e9ticas se deram na regi\u00e3o, que engloba antigos pa\u00edses do bloco sovi\u00e9tico, como Bielorr\u00fasia, Ucr\u00e2nia e R\u00fassia. Hoje, 26 anos ap\u00f3s a cat\u00e1strofe, foi iniciada a constru\u00e7\u00e3o de uma nova estrutura, para reduzir a amea\u00e7a de radioatividade no local. Atualmente a cidade de Prypiat \u00e9 desabitada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">C\u00e9sio \u2013 137 (1987) &#8211;\u00a0O acidente radioativo de n\u00edvel 5 segundo a INES aconteceu em Goi\u00e2nia, em 1987, quando dois catadores de papel encontraram um aparelho de radioterapia e o levaram para um ferro-velho. Ap\u00f3s desmontarem o aparelho, os homens encontraram uma c\u00e1psula de chumbo, com cloreto de c\u00e9sio em seu interior.\u00a0A colora\u00e7\u00e3o brilhante do cloreto de c\u00e9sio no escuro impressionou Devair Ferreira, o dono do ferro-velho, que levou o \u201cp\u00f3 branco\u201d consigo e distribuiu o material para familiares e vizinhos. Ap\u00f3s o contato com o c\u00e9sio, n\u00e1useas, v\u00f4mitos e diarr\u00e9ia atacaram (a sobrinha de Devair foi a primeira a falecer, seis dias ap\u00f3s ingerir o material). Ao todo, onze pessoas morreram e mais de 600 foram contaminadas. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o atingiu 100 mil pessoas.\u00a0O ferro-velho onde abriram a c\u00e1psula foi demolido, o com\u00e9rcio fechou e muitas pessoas se mudaram. As autoridades sanit\u00e1rias constru\u00edram um dep\u00f3sito em Abadia de Goi\u00e2nia, cidade pr\u00f3xima, para armazenar as mais de 13 mil toneladas de lixo at\u00f4mico, resultantes do processo de descontamina\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Yucca Flat (1970) &#8211;\u00a0A regi\u00e3o de intensos testes nucleares fica em Nevada, a 65 km de Las Vegas. Em dezembro de 1970, um dispositivo de alta pot\u00eancia foi detonado no subsolo, mas provocou rachaduras, que resultaram em detritos radioativos na atmosfera. Cerca de 86 trabalhadores foram expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se sabe o que ocorreu com os funcion\u00e1rios. Atualmente desativada, a regi\u00e3o recebeu seu \u00faltimo teste em 1992.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">R\u00fassia, abril de 1993 &#8211;\u00a0Uma explos\u00e3o na usina de reprocessamento de combust\u00edvel irradiado em Tomsk-7, cidade secreta da Sib\u00e9ria Ocidental, provocou a forma\u00e7\u00e3o de uma nuvem e a proje\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias radioativas. O n\u00famero de v\u00edtimas \u00e9 desconhecido. A cidade, hoje chamada de Seversk, \u00e9 fechada e s\u00f3 pode ser visitada a convite. Possui diversos reatores nucleares e ind\u00fastrias qu\u00edmicas para separa\u00e7\u00e3o, enriquecimento e reprocessamento de ur\u00e2nio e plut\u00f4nio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Jap\u00e3o, mar\u00e7o de 1997 &#8211;\u00a0A usina experimental de reprocessamento de Tokai (nordeste de T\u00f3quio) foi parcialmente paralisada depois de um inc\u00eandio e de uma explos\u00e3o que contaminou 37 pessoas, em um acidente ocorrido no dia 11 de mar\u00e7o de 1997.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Jap\u00e3o, setembro de 1999 &#8211;\u00a0A mesma usina voltou a ser palco de um novo acidente nuclear em 30 de setembro de 1999, devido a erro humano, provocando a morte de dois t\u00e9cnicos. Mais de 600 pessoas, funcion\u00e1rios e habitantes dos arredores, foram expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o e cerca de 320 mil pessoas foram evacuadas. Os dois t\u00e9cnicos haviam provocado uma rea\u00e7\u00e3o nuclear descontrolada, Ao utilizar uma quantidade de ur\u00e2nio muito superior \u00e0 prevista durante o processo de fabrica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Jap\u00e3o, 9 de agosto de 2004 &#8211;\u00a0Na usina nuclear de Mihama, a 320 quil\u00f4metros a oeste de T\u00f3quio, um vapor n\u00e3o radioativo vazou por um encanamento que se rompeu em seguida, ao que parece, por uma grande corros\u00e3o, provocando a morte de cinco funcion\u00e1rios por queimaduras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Fran\u00e7a, 23 de julho de 2008 &#8211;\u00a0Durante uma opera\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o realizada em um dos reatores da usina nuclear de Tricastin, no sul da Fran\u00e7a, subst\u00e2ncias radioativas vazaram, contaminando muito levemente uma centena de empregados. Segundo autoridades francesas, as subst\u00e2ncias chegaram a atingir dois rios pr\u00f3ximos ao local. Autoridades chegaram a proibir o consumo de \u00e1gua e a pr\u00e1tica de pesca e esportes nos rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Jap\u00e3o, 12 de mar\u00e7o de 2011 &#8211;\u00a0O terremoto de 9 pontos da Escala Richter que atingiu o Jap\u00e3o em 11 de mar\u00e7o, causou estragos na usina nuclear Daiichi, em Fukushima, cerca de 250 quil\u00f4metros ao norte de T\u00f3quio. Explos\u00f5es em tr\u00eas dos seis reatores da usina deixaram escapar radia\u00e7\u00e3o em n\u00edveis que se aproximam do preocupante, segundo as autoridades japonesas.O acidente foi classificado no n\u00edvel 5 da escala internacional de eventos nucleares (INES) pelas autoridades japonesas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Esses s\u00e3o s\u00f3 alguns dos maiores acidentes ocorridos com o uso da pac\u00edfica e limpa energia nuclear. Pesquise, aprenda, se posicione contra esta imbecilidade pela qual pagar\u00e3o todos os nossos descendentes.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"formComentar\" class=\"blockForm\">\n<form id=\"formComentario\" action=\"http:\/\/www.brasilagro.com.br\/\" method=\"post\" name=\"formComentario\"><\/form>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governador do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, tomou recentemente uma decis\u00e3o que pode ter s\u00e9rias consequ\u00eancias para todo o movimento ambientalista daquele pa\u00eds, com repercuss\u00f5es no resto do mundo. 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