{"id":17789,"date":"2016-11-01T09:00:40","date_gmt":"2016-11-01T11:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17789"},"modified":"2016-11-01T09:58:41","modified_gmt":"2016-11-01T11:58:41","slug":"a-revolucao-da-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-revolucao-da-floresta\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o da floresta"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"article-subtitle\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2016\/10\/super_imgilustracao_de_uma_agrofloresta.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;w=680&amp;h=453&amp;crop=1\" alt=\"Pedro Corr\u00eaa\" \/><\/h2>\n<p class=\"article-subtitle\"><strong>Como a agrofloresta, uma t\u00e9cnica de agricultura que copia a natureza, sem o uso de venenos ou fertilizantes, pode frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, recuperar ecossistemas, libertar mulheres e acabar com a fome no mundo<\/strong><\/p>\n<div class=\"featured-image\">\n<p class=\"caption\">Sezefredo Cruz tentou por anos dominar a natureza. Abusava do fogo para limpar a mata e abrir espa\u00e7o para suas planta\u00e7\u00f5es de banana, arroz, milho e feij\u00e3o em Barra do Turvo, cidade na divisa entre S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. Por um tempo deu certo \u2013 o fogo fixa os nutrientes de forma r\u00e1pida e a produ\u00e7\u00e3o segue a todo vapor. S\u00f3 que o processo tamb\u00e9m desgasta o solo. As pragas come\u00e7aram a dominar as planta\u00e7\u00f5es. Sezefredo seguiu a recomenda\u00e7\u00e3o tradicional: apostou nos fertilizantes e defensivos qu\u00edmicos. E, a cada novo ciclo, menos dinheiro parava no bolso do agricultor.<\/p>\n<\/div>\n<p>A paisagem evidenciava os estragos: uma imensid\u00e3o de terra sem vida, enfeitada com bananeiras fracas e plantas marcadas por pragas. Sezefredo plantava comida, mas s\u00f3 colhia desgosto. \u201cCom o solo ruim, as bananeiras sa\u00edam da terra e, \u00e0s vezes, dava praga. Era uma tristeza.\u201d Os ganhos com o plantio mal pagavam a alimenta\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios que ajudavam na colheita. Um dia de trabalho na lavoura rendia o suficiente para comprar uma lata de \u00f3leo. N\u00e3o viu outra sa\u00edda a n\u00e3o ser colocar a propriedade \u00e0 venda.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, em 1995, um tal de Oswaldinho apareceu na cidade para vender seu peixe. Agr\u00f4nomo contratado pela Secretaria de Agricultura do Estado de S\u00e3o Paulo, Oswaldo Souza tinha a miss\u00e3o de promover feiras entre produtores locais. Mas carregava dentro de si uma paix\u00e3o bem maior. Seu peixe era a\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>\u00a0\u2013 um sistema integrado de \u00e1rvores e plantas de diferentes esp\u00e9cies em uma mesma planta\u00e7\u00e3o, com uso zero de fertilizantes ou agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gwOKHa6vmH0\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Homem das florestas<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldinho conheceu\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>\u00a0com Ernst G\u00f6tsch, um su\u00ed\u00e7o radicado no Brasil. Nos anos 1970, quando ainda vivia na Europa, o agricultor e pesquisador come\u00e7ou a fazer experimentos que combinavam o cultivo de diferentes esp\u00e9cies de plantas no mesmo espa\u00e7o, como faziam os fazendeiros europeus at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo 20. E reparou que seu feij\u00e3o ficava mais forte quando estava pr\u00f3ximo de \u00e1rvores. Melhor ainda depois que essas \u00e1rvores eram podadas. Percebeu ainda que n\u00e3o bastava cuidar apenas de uma planta (ou uma esp\u00e9cie): era preciso cuidar de todo o sistema em volta das planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Parecia sem sentido naquela \u00e9poca em que as ideias da revolu\u00e7\u00e3o verde come\u00e7avam a dominar as regras da agricultura.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o mundial crescia rapidamente e a preocupa\u00e7\u00e3o era como alimentar essa gente toda. O jeito era reduzir o tempo at\u00e9 a colheita e aumentar a produ\u00e7\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o apareceu, ent\u00e3o, com maquin\u00e1rio pesado, fertilizantes, veneno e sementes selecionadas. Os tratores agilizavam o processo todo e os produtos qu\u00edmicos criavam artificialmente as condi\u00e7\u00f5es ambientais certas para manter a planta saud\u00e1vel. Nessa l\u00f3gica da monocultura, qualquer outra esp\u00e9cie (insetos e ervas daninhas) s\u00e3o invasoras e devem ser eliminadas.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, no meio do processo, o solo se acaba, fica mais compactado e impermeabilizado (ou seja, seco). A isso ainda se juntam outros problemas, como a eros\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente por agrot\u00f3xicos, assoreamento de rios, fortalecimento das pragas. E d\u00e1-lhe fertilizante para fazer crescer e veneno para matar.<\/p>\n<p>Assim, a cada novo ciclo, mais cara a produ\u00e7\u00e3o, mais seco o clima, e menor a biodiversidade. Em planta\u00e7\u00f5es de org\u00e2nicos funciona quase do mesmo jeito, mas com insumos naturais. E os \u00fanicos vencedores s\u00e3o os grandes produtores \u2013 os Sezefredos e tantos outros agricultores pequenos n\u00e3o conseguem fechar a conta no azul.<\/p>\n<p>Ernst compreendeu todas as falhas desse modelo. E quanto mais se aprofundava em sua pesquisa, mais se afastava das ideias da revolu\u00e7\u00e3o verde. Encontrou na termodin\u00e2mica um conceito para entender como acontecia o impacto negativo da agricultura. <strong>\u00c9 o princ\u00edpio da entropia, que mede o desgaste e a desordem de um sistema. Imagine sua cozinha \u2013 cada vez que voc\u00ea prepara um prato, a lou\u00e7a aumenta e a sujeira cresce. Voc\u00ea bagun\u00e7a aquele espa\u00e7o. A natureza funciona do mesmo jeito. Quando o homem transforma o cerrado mato-grossense e as terras da Amaz\u00f4nia em extensas planta\u00e7\u00f5es de soja, a natureza entra em desequil\u00edbrio. A lou\u00e7a se acumula e uma hora a conta chega \u2013 menos vida, mais pragas, pobreza, aquecimento global e seca.<\/strong><\/p>\n<p>No sul da Bahia, entre as cidades de Ituber\u00e1 e Pira\u00ed do Norte, a conta da Fazenda Fugidos da Terra Seca andava bem vermelha. E foi para l\u00e1 que Ernst se mudou em 1984. Comprou 500 hectares de terras improdutivas. \u201cAs bananeiras n\u00e3o ficavam de p\u00e9. Ficavam deitadas pelo vento. Vinha a chuva e formava uma grande enxurrada. Depois vinha a seca\u201d, lembra Ernst. \u201cDiziam que gringo \u00e9 burro. Que n\u00e3o sabe escolher terra.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como m\u00e1gica<\/strong><\/p>\n<p>O gringo burro n\u00e3o queria ser mais um a criar o caos. Decidiu se integrar \u00e0quele meio, tirar da natureza sua comida e ganha-p\u00e3o e ainda assim mant\u00ea-la saud\u00e1vel. Se havia entropia, o melhor era buscar o oposto, <strong>a sintropia, a capacidade de reorganiza\u00e7\u00e3o das coisas.<\/strong> Encontrou na floresta a melhor sa\u00edda.<\/p>\n<p>Em qualquer \u00e1rea descampada, o mato \u00e9 o primeiro a aparecer. Essas \u201cervas daninhas\u201d se dispersam rapidamente e precisam de poucos nutrientes, ent\u00e3o se adaptam melhor \u00e0 escassez de recursos. \u00c9 por isso que o matinho nasce na rachadura da cal\u00e7ada ou domina a paisagem de Chernobyl. Ele tem um papel fundamental na recupera\u00e7\u00e3o do solo, retendo a umidade e descompactando-o. Como tem ciclo de vida breve, ainda melhora a fertilidade da terra, por conta da a\u00e7\u00e3o dos micro-organismos que trabalham na decomposi\u00e7\u00e3o do mato. Mais rico, o solo cria condi\u00e7\u00f5es para que plantas cada vez maiores e longevas cres\u00e7am. At\u00e9 que tudo se transforma em uma grande floresta.<\/p>\n<p>A natureza, por\u00e9m, n\u00e3o tem pressa. Pode demorar milhares de anos at\u00e9 que ela chegue a seu cl\u00edmax \u2013 tudo depende da fertilidade do solo e de p\u00e1ssaros e outros animais que espalhem sementes por l\u00e1.<\/p>\n<p>Ernst copiou a natureza e deu a ela a rapidez que a agricultura pede. Criou um sistema de plantio complexo, com plantas selecionadas para cumprir um papel em cada etapa desse processo de regenera\u00e7\u00e3o natural \u2013 com estratos cada vez maiores. Todas as sementes s\u00e3o espalhadas ao mesmo tempo, bem adensadas \u2013 e a escolha de cada esp\u00e9cie depende tamb\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o dela na nossa vida. Alface, r\u00facula e milho podem fazer o papel do mato. Um pouco maior, a mandioca, por exemplo, as sucede. \u00c9 quase como uma fam\u00edlia: o br\u00f3colis cria o mamoeiro, que cria a trema (uma \u00e1rvore nativa), que cria o ing\u00e1, que cria o abacateiro, que cria a castanheira. At\u00e9 que o mamoeiro cresce, o br\u00f3colis desaparece daquele espa\u00e7o e o estrato da floresta sobe um degrau. A\u00ed a floresta evolui at\u00e9 chegar aos ip\u00eas e cedros \u2013 que podem ser cortados e vendidos como toras de madeira.<\/p>\n<p>Quanto mais complexo o sistema (com maior intera\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rias esp\u00e9cies, inclusive o homem), mais completa a floresta, maiores as chances de que se torne saud\u00e1vel. \u201cTenho que ser uma presen\u00e7a ben\u00e9fica naquele meio. E n\u00e3o pensar apenas no que eu posso tirar disso. O resultado \u00e9 a abund\u00e2ncia\u201d, afirma Ernst. Nesse compasso sincronizado, at\u00e9 formigas, t\u00e3o combatidas na agricultura convencional, entram na dan\u00e7a. O papel delas \u00e9 fazer a poda natural e depositar ainda mais mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo, fabricando um adubo verde. E tudo bem se a cotia aparecer para comer castanhas e o tucano devorar o a\u00e7a\u00ed: em algum momento, eles v\u00e3o devolver as sementes para o ch\u00e3o e espalhar mudas em um lugar novo.<\/p>\n<p>Ao homem cabe a tarefa de aprimorar ainda mais a poda \u2013 at\u00e9 cortar galhos grandes ou derrubar \u00e1rvores inteiras, sem peso nenhum na consci\u00eancia ou no equil\u00edbrio do ecossistema. \u00c9 que perder uns galhos faz um bem danado \u00e0s plantas. Os microrrizas, uma simbiose entre fungos e ra\u00edzes, fazem a festa: come\u00e7am a produzir ainda mais \u00e1cido giber\u00e9lico, um horm\u00f4nio vegetal, que estimula seu crescimento e o de suas vizinhas, j\u00e1 que as ra\u00edzes se embaralham sob a terra. Al\u00e9m disso, a poda permite a entrada de luz, que aumenta em at\u00e9 70% a taxa de fotoss\u00edntese. Com mais fotoss\u00edntese, maior a capta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico, respons\u00e1vel pelo efeito estufa, da atmosfera. A\u00ed quando aquele galho vai para o ch\u00e3o, o carbono fica preso no solo e \u00e9 liberado aos poucos durante a decomposi\u00e7\u00e3o \u2013 num tempo bem mais lento do que aconteceria em um solo sem tanta mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p>E como na floresta uma \u00e1rvore que cai abre espa\u00e7o para o rein\u00edcio do ciclo, a retirada de uma esp\u00e9cie mais velha permite que aquele br\u00f3colis que cedeu espa\u00e7o para o mam\u00e3o possa voltar a brilhar por l\u00e1.<\/p>\n<p>Esse trabalho coletivo acelera o processo de produ\u00e7\u00e3o (desde o primeiro ciclo, seja em uma \u00e1rea de 100 metros quadrados ou de 100 hectares, pelo menos um p\u00e9 de alface voc\u00ea vai ter), mas, ao inv\u00e9s de sugar nutrientes, ele enriquece o solo. Com b\u00f4nus: aumenta a umidade e a incid\u00eancia de chuva na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>E o gringo que n\u00e3o sabia comprar terra viu a Mata Atl\u00e2ntica dominar seus 500 hectares. \u00c9 de l\u00e1 que manda cacau org\u00e2nico de primeira qualidade para a It\u00e1lia e de onde Ernst obt\u00e9m uma enorme variedade de frutas e vegetais que, se n\u00e3o v\u00e3o para a mesa, viram comida para a fauna que passou a morar l\u00e1. A fazenda ganhou at\u00e9 um novo nome: Olhos d\u2019\u00c1gua, em homenagem \u00e0s 14 nascentes que ressurgiram.<\/p>\n<p><strong>Pelo mundo<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldinho vendeu bem seu peixe. E Sezefredo, hoje aos 73 anos, nem em pesadelo pensa em se livrar do s\u00edtio cheio de palmeiras e outras \u00e1rvores. Dol\u00edria Rodrigues, do quilombo Terra Seca, tamb\u00e9m n\u00e3o. Imposs\u00edvel olhar a farta floresta no quintal dela e imaginar o cen\u00e1rio de 20 anos atr\u00e1s: uma casa de pau-a-pique cercada de capim, com baixa produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o, arroz, milho e cana. A\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>\u00a0trouxe de volta nascentes e fez surgir outras novas. A chuva nunca mais lavou a terra e assoreou o rio \u2013 pesquisas na regi\u00e3o mostram que uma\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>\u00a0de 15 anos tem capacidade de absor\u00e7\u00e3o equivalente a uma floresta secund\u00e1ria de 70 anos. E ainda que as vendas de verduras e frutas gerem pouca grana (um sal\u00e1rio m\u00ednino, em m\u00e9dia), parou de depender do marido. \u201cAntes eu n\u00e3o conseguia nem comprar um cal\u00e7ado para os meninos. Hoje, com meu esfor\u00e7o, eu consigo. E em at\u00e9 dois anos ainda vou ter um carro\u201d, conta. A casa tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais de barro.<\/p>\n<p>Sezefredo e dona Dol\u00edria representam apenas duas das mais de cem fam\u00edlias da Cooperafloresta, cooperativa de Barra do Turvo de produtores agroflorestais, que fazem dinheiro com a venda de seus produtos \u2013 ainda que com dificuldade em entrar no mercado, por conta da popularidade baixa de algumas frutas e verduras. E j\u00e1 produzem at\u00e9 goiabada, banana-passa, polpas de frutas e farinhas vegetais, gra\u00e7as \u00e0 pequena ind\u00fastria de processamento de alimentos financiados pelo projeto Agroflorestar, da Petrobras. Uma ajuda e tanto para uma cidade com o segundo pior \u00cdndice de Desenvolvimento Humano de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no sul de S\u00e3o Paulo ou da Bahia que\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>\u00a0d\u00e1 certo. Ernst consegue replicar o modelo em diversos ecossistemas. J\u00e1 deu certo na Amaz\u00f4nia, cerrado, caatinga e at\u00e9 na regi\u00e3o do Salar de Uyuni, na Bol\u00edvia. Em paralelo, sem influ\u00eancia do su\u00ed\u00e7o, agroflorestas j\u00e1 nasceram na Indon\u00e9sia e em pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e \u00c1frica, com poder de frear a expans\u00e3o do deserto do Saara. E a tend\u00eancia \u00e9 crescer cada vez mais: foi apontada pela ONU como forma de reduzir a fome e a pobreza no mundo. O Movimento dos Sem Terra tamb\u00e9m faz sua parte, espalhando agroecologia por seus assentamentos. E at\u00e9 Miguel, da novela Velho Chico, sonha em transformar as terras do av\u00f4 Afr\u00e2nio em\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>.<\/p>\n<p>No mundo real, a Fazenda da Toca, em Itirapina, interior de S\u00e3o Paulo, administrada por um dos herdeiros do fundador do grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Pedro Paulo Diniz, h\u00e1 poucos meses abandonou a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de latic\u00ednios para se dedicar \u00e0s agroflorestas. H\u00e1 tr\u00eas anos, ele tenta tornar esses produtos financeiramente vi\u00e1veis. Como o uso de m\u00e1quinas \u00e9 limitado, essas planta\u00e7\u00f5es exigem mais trabalho manual \u2013 o que encarece a produ\u00e7\u00e3o. A sa\u00edda foi adaptar algumas m\u00e1quinas para cuidar da poda e preparo da terra, enquanto os agricultores ficam com a parte mais delicada da colheita. Em at\u00e9 dois anos, a Toca promete colocar os frutos dessas colheitas nos mercados.<\/p>\n<p>Mais do que processo, a\u00a0<span class=\"textoDestaque\">agrofloresta<\/span>\u00a0carrega uma filosofia. Das organelas de uma c\u00e9lula \u00e0 biosfera, toda a vida \u00e9 baseada em uma rede de sistemas complexos que interagem entre si, em uma intensa troca de energia. Assim tamb\u00e9m deve funcionar a agricultura. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o mais inteligente ali. N\u00e3o \u00e9 o dono. \u00c9 s\u00f3 uma parte, uma c\u00e9lula\u201d, diz Ernst. \u00c9 o que ele chama de amor incondicional, sem competi\u00e7\u00e3o ou escassez. Com abund\u00e2ncia e coopera\u00e7\u00e3o. E, como mostra a floresta, quem n\u00e3o cumpre sua fun\u00e7\u00e3o sai mais cedo do jogo \u2013 que, nesse caso, \u00e9 a Terra.<\/p>\n<div class=\"featured-image\">\n<p class=\"caption\">Fonte &#8211; Pedro Corr\u00eaa, Superinteressante de 04 de agosto de 2016<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a agrofloresta, uma t\u00e9cnica de agricultura que copia a natureza, sem o uso de venenos ou fertilizantes, pode frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, recuperar ecossistemas, libertar mulheres e acabar com a fome no mundo Sezefredo Cruz tentou por anos dominar a natureza. 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