{"id":17827,"date":"2016-11-04T15:00:47","date_gmt":"2016-11-04T17:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17827"},"modified":"2016-11-04T10:25:27","modified_gmt":"2016-11-04T12:25:27","slug":"emissao-do-brasil-sobe-35-em-2015-mostram-dados-do-seeg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/emissao-do-brasil-sobe-35-em-2015-mostram-dados-do-seeg\/","title":{"rendered":"Emiss\u00e3o do Brasil sobe 3,5% em 2015, mostram dados do SEEG"},"content":{"rendered":"<p>Desmatamento foi respons\u00e1vel por aumento da polui\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, que ocorreu apesar de queda recorde no PIB; dados mostram pa\u00eds afastado do cumprimento de compromissos internacionais<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) tiveram uma eleva\u00e7\u00e3o de 3,5% em 2015 em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. O dado \u00e9 do <a href=\"http:\/\/seeg.eco.br\/\" target=\"_blank\">SEEG (Sistema de Estimativa de Emiss\u00e3o de Gases de Efeito Estufa)<\/a>, do Observat\u00f3rio do Clima, cuja quarta edi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 lan\u00e7ada nesta quinta-feira (27), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>De acordo com o sistema, o Brasil emitiu 1,927 bilh\u00e3o de toneladas brutas de CO<sub>2<\/sub> equivalente (CO<sub>2<\/sub>e, a soma de todos os gases de efeito estufa convertidos em di\u00f3xido de carbono) no ano passado, contra 1,861 bilh\u00e3o de toneladas em 2014.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o aconteceu num ano em que o PIB do pa\u00eds caiu 3,8%, numa das piores recess\u00f5es da hist\u00f3ria. Ela se deu sobretudo devido ao aumento do desmatamento no ano passado. Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgados em setembro indicam que a taxa de desmatamento na Amaz\u00f4nia cresceu 24% em 2015 em rela\u00e7\u00e3o a 2014. As emiss\u00f5es por mudan\u00e7a de uso da terra, que consideram todos os biomas brasileiros, cresceram 12%.<\/p>\n<p>J\u00e1 o setor de energia, segunda maior fonte de emiss\u00f5es da economia brasileira, teve uma queda de 5,3%, devido \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e ao avan\u00e7o das energias renov\u00e1veis. \u00c9 a primeira vez desde 2009 que as emiss\u00f5es do setor de energia caem no Brasil. Nos demais setores \u2014 processos industriais, agropecu\u00e1ria e res\u00edduos \u2014 as emiss\u00f5es n\u00e3o variaram significativamente em rela\u00e7\u00e3o a 2014.<\/p>\n<p>Os dados de 2015 SEEG consolidam um quadro de estagna\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, no qual o pa\u00eds n\u00e3o consegue reduzir suas emiss\u00f5es apesar dos compromissos assumidos em 2009, na confer\u00eancia de Copenhague. Em 2013, elas cresceram 8%, mesmo com a estagna\u00e7\u00e3o. Em 2014, ca\u00edram 4%, na esteira da queda de 18% do desmatamento na Amaz\u00f4nia \u2014 mas com forte aumento no setor de energia, devido \u00e0 seca que fez o governo acionar termel\u00e9tricas f\u00f3sseis. No ano passado, elas subiram em plena recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 2005, quando o Brasil come\u00e7ou a derrubar o desmatamento na Amaz\u00f4nia, at\u00e9 o ano passado, as emiss\u00f5es da agropecu\u00e1ria aumentaram 9%, as de energia aumentaram 45% e as de res\u00edduos e processos industriais, cerca de 23%. \u201cOs dados mostram que o Brasil teve um per\u00edodo singular de queda de 2005 a 2010 e, desde ent\u00e3o, estamos patinando, com emiss\u00f5es totais estabilizadas h\u00e1 seis anos e com forte aumento no setor de energia\u201d, afirma Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es do pa\u00eds est\u00e3o no mesmo ponto em que estavam em 2010, quando o Brasil come\u00e7ou a implementar as metas com as quais se comprometeu em Copenhague \u2014 de redu\u00e7\u00e3o de 36,1% a 38,9% at\u00e9 2020 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria. \u201cHoje temos de reduzir o desmatamento pela metade para cumprir a meta de Copenhague, mas ele est\u00e1 aumentando em vez disso\u201d, afirmou Tasso Azevedo.<\/p>\n<p>\u201cNos pa\u00edses desenvolvidos e at\u00e9 mesmo em pa\u00edses em desenvolvimento como a China n\u00f3s come\u00e7amos a ver um descolamento entre PIB e emiss\u00f5es: a economia cresce com emiss\u00f5es est\u00e1veis ou em queda. No Brasil isso n\u00e3o acontece. \u00c9 preocupante, porque rumamos para 2020 com emiss\u00f5es em alta e n\u00e3o numa trajet\u00f3ria consistente de redu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Andr\u00e9 Ferretti, gerente de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio e coordenador-geral do Observat\u00f3rio do Clima (OC).<\/p>\n<p>Para Carlos Rittl, secret\u00e1rio-executivo do OC, os dados mostram que o Brasil est\u00e1 longe de uma trajet\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es compat\u00edvel com seus compromissos no Acordo de Paris. \u201cO acordo do clima entra em vigor daqui a 11 dias. Tir\u00e1-lo do papel exige mudar drasticamente o rumo do nosso desenvolvimento, mas n\u00e3o \u00e9 o que estamos vendo acontecer\u201d, afirmou. \u201cAs emiss\u00f5es de energia ca\u00edram, mas o risco de elas voltarem a subir rapidamente quando o pa\u00eds sair da recess\u00e3o \u00e9 enorme, dada a aposta nos combust\u00edveis f\u00f3sseis, que dominam os investimentos no setor \u2014 com o Congresso ainda por cima embarcando no trem da alegria do carv\u00e3o, como se quisesse que o pa\u00eds voltasse ao s\u00e9culo 19.\u201d<\/p>\n<p><strong>ENERGIA<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2014 e 2015, dois fatores foram respons\u00e1veis majorit\u00e1rios pela redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es no setor de energia, onde elas crescem mais depressa no pa\u00eds: a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o aumento da participa\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis na matriz energ\u00e9tica, em especial o \u00e1lcool combust\u00edvel.\u00a0\u201cSessenta e cinco por cento da redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es no setor de Energia ocorreu nos transportes\u201d, diz Marcelo Cremer, do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente). Por conta da crise, o consumo de diesel utilizado para transporte de cargas caiu 7,1%. O consumo total de combust\u00edveis para ve\u00edculos leves (etanol e gasolina) se manteve est\u00e1vel, por\u00e9m o etanol apresentou um crescimento de 18,6%, enquanto a gasolina diminuiu 9,4%. Esses fatores foram respons\u00e1veis por uma redu\u00e7\u00e3o de 7,4% no setor.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, os dois maiores respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es no \u00faltimo ano foram a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e as atividades industriais, que ca\u00edram, respectivamente, 4,8% e 2,9%. \u201cA queda nesses dois setores est\u00e1 relacionada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico que provocou, entre outros, diminui\u00e7\u00e3o na demanda de eletricidade e na produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica de a\u00e7o e cimento\u201d, diz Cremer. Colaborando ainda mais para a redu\u00e7\u00e3o dessas emiss\u00f5es est\u00e1 o aumento das fontes renov\u00e1veis n\u00e3o-h\u00eddricas na matriz el\u00e9trica, principalmente a e\u00f3lica: 21,1%. O despacho das usinas hidrel\u00e9tricas caiu 3,7% e das usinas t\u00e9rmicas a combust\u00edveis f\u00f3sseis diminuiu 4,9%.<\/p>\n<p><strong>AGROPECU\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p>O SEEG 2016 incorpora duas novidades no setor que \u00e9 o terceiro maior respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es brasileiras. Primeiro, o monitoramento mensal das emiss\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o de carne e do uso de fertilizantes; depois, o primeiro c\u00e1lculo das emiss\u00f5es e remo\u00e7\u00f5es de carbono no solo devido as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, que n\u00e3o s\u00e3o contempladas pelos invent\u00e1rios nacionais de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Conhecer a emiss\u00e3o dos solos \u00e9 fundamental, porque a NDC (Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada) do Brasil tem um forte componente de recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas. No entanto, hoje n\u00e3o se computa quanto essas pastagens emitem ou removem de carbono no solo \u2014 um dado crucial para entender o potencial de sequestro de carbono em pastos recuperados.<\/p>\n<p>Segundo a primeira estimativa do SEEG, solos agr\u00edcolas emitiram em 2015 cerca de 225 milh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub> equivalente e sequestraram 195 milh\u00f5es de toneladas. \u201cO grande salto que o Brasil pode dar \u00e9 nesse setor, porque n\u00f3s temos 50 milh\u00f5es de hectares de pastos degradados que est\u00e3o emitindo carbono, quando poderiam estar sequestrando\u201d, disse Marina Piatto, coordenadora da iniciativa de Clima e Agropecu\u00e1ria do Imaflora.<\/p>\n<p><strong>RES\u00cdDUOS<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1990, o setor de res\u00edduos s\u00f3lidos apresentou um cen\u00e1rio crescente de emiss\u00f5es, devido sobretudo \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o dos aterros sanit\u00e1rios. Nos aterros, o processo de decomposi\u00e7\u00e3o anaer\u00f3bica, que gera g\u00e1s metano, \u00e9 mais frequente do que nos lix\u00f5es \u2014 em compensa\u00e7\u00e3o, nos aterros, esse g\u00e1s pode ser aproveitado para gerar energia.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es de esgoto t\u00eam uma forte correla\u00e7\u00e3o com aspectos econ\u00f4micos e taxas de urbaniza\u00e7\u00e3o observada no pa\u00eds. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 bem clara: em Estados onde h\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o maior e altas taxas de urbaniza\u00e7\u00e3o, as emiss\u00f5es tendem a ser bem maiores\u201d, diz Igor Albuquerque Reis, gerente de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do ICLEI \u2013 Governos Locais pela Sustentabilidade.\u00a0\u201cO fato de haver poucos investimentos na pr\u00e1tica de recupera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica nas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto \u00e9 um dos motivos pelo qual as emiss\u00f5es do setor n\u00e3o apresentam uma queda significativa\u201d, prossegue Reis. \u201cCom a universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 rede de esgoto e a amplia\u00e7\u00e3o do tratamento de efluentes previstos na Lei de Saneamento, \u00e9 bem prov\u00e1vel que ocorra um aumento das emiss\u00f5es no setor, logo o aproveitamento energ\u00e9tico de lamas residuais e biog\u00e1s seria muito desej\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p><strong>TERCEIRO INVENT\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n<p>Os dados de 2015 foram ajustados de acordo com o Terceiro Invent\u00e1rio Nacional de emiss\u00f5es, entregue pelo Brasil \u00e0 ONU em abril deste ano. O invent\u00e1rio, a informa\u00e7\u00e3o oficial mais recente e acurada dispon\u00edvel sobre as emiss\u00f5es do Brasil, mostra que as emiss\u00f5es por desmatamento em 2010 foram cerca de 25% maiores do que indicava o invent\u00e1rio anterior. Isso levou a uma revis\u00e3o em toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica de emiss\u00f5es por mudan\u00e7a de uso da terra, o que produziu a eleva\u00e7\u00e3o em todos os valores reportados anteriormente pelo SEEG e tamb\u00e9m a queda de 4% nas emiss\u00f5es brutas do pa\u00eds em 2014 em rela\u00e7\u00e3o a 2013 (os dados anteriores, produzidos com base no segundo invent\u00e1rio, mostravam uma queda de 0,9% no total).<\/p>\n<p><strong>BRUTO OU L\u00cdQUIDO?<\/strong><\/p>\n<p>As emiss\u00f5es l\u00edquidas de GEE em 2015 foram de 1,402 bilh\u00e3o de toneladas de CO<sub>2<\/sub>e, contra 1,336 bilh\u00e3o em 2014 \u2014 alta de 4,9%.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, o SEEG tamb\u00e9m d\u00e1 um tratamento distinto \u00e0s chamadas emiss\u00f5es l\u00edquidas \u2014 que descontam as remo\u00e7\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> por florestas em \u00e1reas protegidas, como unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas. O governo reporta esses dados na contabilidade oficial do Brasil, considerando-as remo\u00e7\u00f5es \u201cantr\u00f3picas\u201d. Tal desconto \u00e9 facultado aos pa\u00edses pelo IPCC, o painel do clima da ONU. No entanto estas remo\u00e7\u00f5es s\u00e3o, a rigor, naturais (elas ocorrem enquanto as \u00e1rvores crescem nessas florestas), o que distorce o resultado.<\/p>\n<p>A partir do Terceiro Invent\u00e1rio Nacional, por\u00e9m, tornou-se poss\u00edvel tamb\u00e9m estimar as remo\u00e7\u00f5es por florestas secund\u00e1rias, ou seja, por rebrota de florestas. O SEEG 2016 reporta os tr\u00eas n\u00fameros, portanto: emiss\u00f5es brutas, emiss\u00f5es l\u00edquidas considerando remo\u00e7\u00f5es por \u00e1reas protegidas (na mesma m\u00e9trica do governo) e emiss\u00f5es l\u00edquidas considerando tamb\u00e9m as remo\u00e7\u00f5es por florestas secund\u00e1rias.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/analise-das-emissoes-brasileiras\/\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio do Clima<\/a> de 27 de outubro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desmatamento foi respons\u00e1vel por aumento da polui\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, que ocorreu apesar de queda recorde no PIB; dados mostram pa\u00eds afastado do cumprimento de compromissos internacionais As emiss\u00f5es brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) tiveram uma eleva\u00e7\u00e3o de 3,5% em 2015 em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. 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