{"id":17954,"date":"2016-11-22T17:00:39","date_gmt":"2016-11-22T19:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17954"},"modified":"2025-10-19T08:57:18","modified_gmt":"2025-10-19T11:57:18","slug":"a-projecao-politica-do-vegetarianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-projecao-politica-do-vegetarianismo\/","title":{"rendered":"A proje\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do vegetarianismo"},"content":{"rendered":"<p>\u201cDevemos deixar de lado o misticismo, a religi\u00e3o e as doutrinas <em><strong>New Age<\/strong><\/em> que tanto adentraram o <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3638&amp;secao=350\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vegetarianismo<\/a> ao longo dos anos, especialmente durante a \u00faltima d\u00e9cada. \u00c9 necess\u00e1rio que nos formemos e conhe\u00e7amos a evid\u00eancia que apoia esta ideia, caso queiramos que esta dieta seja considerada no interior do debate pol\u00edtico\u201d. \u00c9 o que defende <strong>Ezequiel Arrieta<\/strong>, no in\u00edcio de seu livro <strong>Vegetarianismo en el debate pol\u00edtico<\/strong> (2014), para deixar claro de que lado est\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Arrieta<\/strong> \u00e9 um m\u00e9dico muito jovem, vegetariano de nascimento, de C\u00f3rdoba, que nos \u00faltimos anos se dedicou a indagar a forma como a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/557809-o-custo-ambiental-de-comer-carne\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">produ\u00e7\u00e3o de alimentos de origem animal<\/a> est\u00e1 prejudicando terrivelmente o meio ambiente \u2013 as terras, as \u00e1guas, a atmosfera \u2013 e, por conseguinte, quem o habita. Tanto se apaixonou pelo tema, que n\u00e3o s\u00f3 escreveu o livro, como tamb\u00e9m abandonou o doutorado que estava realizando sobre fisiologia reprodutiva e come\u00e7ou outro em que investiga os efeitos de diferentes cen\u00e1rios de dieta sobre o uso da terra, a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e a conserva\u00e7\u00e3o de ambientes naturais.<\/p>\n<p>Divulgador cient\u00edfico com experi\u00eancia, <strong>Arrieta<\/strong> n\u00e3o economiza em detalhes, dados e argumenta\u00e7\u00e3o na hora de explicar a raz\u00e3o pela qual seria bom para n\u00f3s mesmos e para nossos(as) vizinhos(as) que diminuamos, o quanto antes, o consumo de produtos de origem animal: carnes (de boi, de porco e de frango, entre outras), leite e ovos. \u201cPrecisamos restaurar superf\u00edcies de matas e terras que est\u00e3o degradadas. Ainda que se fa\u00e7a a agricultura e a pecu\u00e1ria bastante eficientes, h\u00e1 uma propor\u00e7\u00e3o do impacto ambiental que n\u00e3o poder\u00e1 ser reduzida. A \u00fanica forma para isto \u00e9 reduzindo a oferta e a demanda destes alimentos\u201d, adverte.<\/p>\n<p><strong>Como se inicia o seu interesse em investigar para colocar o vegetarianismo no debate pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p>Eu sou m\u00e9dico de forma\u00e7\u00e3o e, al\u00e9m disso, sou vegetariano de nascimento. Mais ou menos em 2012, comecei a investigar quest\u00f5es de ecologia que gostava de ler relacionadas ao meio ambiente e cheguei a um relat\u00f3rio muito grosso da <strong>FAO<\/strong>(<strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong>), que se chama <strong>A longa sombra do gado<\/strong> (2006). \u00c9 um relat\u00f3rio muito longo e completo sobre a pecu\u00e1ria, que estabeleceu um antes e um depois no que \u00e9 investiga\u00e7\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o de alimentos em n\u00edvel mundial. O relat\u00f3rio comentava que a pecu\u00e1ria era uma das principais fontes do efeito estufa, e a partir disso come\u00e7aram a fazer um mont\u00e3o de estudos. Causou-me um pouco de curiosidade e, al\u00e9m disso, por minha forma\u00e7\u00e3o, sabia que as dietas vegetarianas t\u00eam importantes benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, decide escrever o livro Vegetarianismo en el debate pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, quis escrever um livro porque tinha uma necessidade imperiosa de compartilhar o que estava aprendendo, porque sempre fiz divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, em diferentes espa\u00e7os. Quando publiquei o livro (em 2014), j\u00e1 havia me formado m\u00e9dico e estava fazendo meu doutorado anterior, que era em fisiologia reprodutiva. Naquele momento, pedi a alguns investigadores que eram conhecidos no campo da ecologia e da nutri\u00e7\u00e3o se podiam ser os revisores de meu livro e aceitaram de muito boa vontade e me deram bons retornos. Isso me fez pensar que n\u00e3o tinha uma vis\u00e3o t\u00e3o errada sobre o assunto e me trouxeram o desejo de saber mais e de receber mais cr\u00edticas. Sendo assim, continuei compartilhando com muitos investigadores daqui, de C\u00f3rdoba e da Argentina, presenteei setenta livros. E, em determinado momento, abandonei meu doutorado anterior e mudei para outro, relacionado a temas que apresento no livro.<\/p>\n<p><strong>No livro, voc\u00ea exp\u00f5e a inefici\u00eancia do modelo alimentar atual, que \u00e9 baseado em produtos de origem animal, por quest\u00f5es econ\u00f4micas, sanit\u00e1rias e ambientais, entre outras. Como caracteriza este modelo?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um tema muito complexo de abarcar e, \u00e0s vezes, at\u00e9 dif\u00edcil de debater e de conversar, porque as pessoas t\u00eam muitos preconceitos, particularmente em um pa\u00eds como a Argentina, com uma cultura t\u00e3o pr\u00f3xima ao consumo de carne. Por isso, \u00e9 bom separar qual \u00e9 a tend\u00eancia mundial e qual \u00e9 o enfoque regional. A Argentina tem uma quest\u00e3o muito singular em rela\u00e7\u00e3o ao restante dos pa\u00edses do mundo, porque conta com um grande consumo de carne de boi, mas, em n\u00edvel mundial, se consome muito mais carne de porco e de frango. E os animais maiores precisam de mais recursos para se alimentar. Ou seja, um boi precisa de mais \u00e1gua, mais terra, mais comida que um frango. Se precisamos alimentar animais para depois nos alimentar desses animais, h\u00e1 uma quest\u00e3o de cadeias tr\u00f3ficas que s\u00e3o inevit\u00e1veis. Se nos alimentamos dos animais, estamos sendo o terceiro elo da cadeia alimentar. Ent\u00e3o, temos que gerar um monte de recursos para alimentar todos esses animais. E mais ou menos a partir dos anos 1960, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o verde, o consumo de carne em n\u00edvel mundial explodiu, multiplicou-se por cinco, come\u00e7aram a lhe destinar muitos recursos, e a\u00ed apareceu o <em>feedlot<\/em> e a agricultura industrial em volta da produ\u00e7\u00e3o de alimento de origem animal. Todo este aumento no consumo de carnes, de frango, de porco, de boi, de leite, de ovos. A agricultura industrial permitia produzir maior quantidade de forragem, como soja e milho, para poder alimentar estes animais em <em>feedlots<\/em> e, dessa maneira, produzir maior quantidade.<\/p>\n<p><strong>Na Argentina, cerca de 70% da superf\u00edcie agr\u00edcola \u00e9 destinada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado. Que implic\u00e2ncias possui este uso da terra?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 muita coisa. Quando \u00e9 necess\u00e1rio mais terra para a cria\u00e7\u00e3o, avan\u00e7a-se sobre espa\u00e7os que antes eram florestas, matas, que eram pastagens naturais e que se tornam pastagens artificiais, ou esteiros que \u00e9 preciso secar para fazer planta\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, por haver tantos animais, s\u00e3o emitidos muitos gases de efeito estufa. Com a grande quantidade de excrementos se gera contamina\u00e7\u00e3o, que tem a ver, entre outras coisas, com a grande quantidade de antibi\u00f3ticos que \u00e9 fornecido aos animais, n\u00e3o s\u00f3 para que as infec\u00e7\u00f5es sejam prevenidas, como tamb\u00e9m para promover o crescimento. \u00c9 uma trama muito complexa, que tamb\u00e9m impacta na sa\u00fade e que torna necess\u00e1rio que analisemos criticamente o tema da seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p><strong>De que maneira define a seguran\u00e7a alimentar e como \u00e9 afetada por este modelo, baseado na produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>A seguran\u00e7a alimentar \u00e9 basicamente abastecer de comida de qualidade e em quantidade suficiente para todos. Em meados do s\u00e9culo passado, quando se cria a <strong>FAO<\/strong>, come\u00e7aram a questionar a respeito da quantidade de pessoas no mundo com fome, desnutridas. Ent\u00e3o, fomentou-se esta ideia de que aumentando a produtividade do campo, e assim a oferta de comidas, se solucionaria a fome, por quest\u00f5es de mercado. Por consequ\u00eancia, supunha-se que ao ter mais comida, baixaria o pre\u00e7o e as pessoas poderiam comprar mais facilmente. Bom, isto n\u00e3o aconteceu assim, porque continua existindo muitas pessoas com fome. Houve uma redu\u00e7\u00e3o, \u00e9 verdade, mas se passaram 50 anos e continua existindo 700 milh\u00f5es e pessoas no mundo em estado de desnutri\u00e7\u00e3o. Nessa \u00e9poca, o consumo de carne come\u00e7ou a ser promovido porque era considerada um alimento fundamental para a seguran\u00e7a alimentar, porque possui prote\u00edna e nutrientes que s\u00e3o fundamentais. Mas, a realidade \u00e9 que as pessoas com menos recursos n\u00e3o s\u00e3o as que t\u00eam acesso a esses produtos. (<a href=\"https:\/\/www.academircharterschools.com\/nitrazepam-online\/\">https:\/\/www.academircharterschools.com\/<\/a>)  No entanto, nesta quest\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar se costuma falar que a pecu\u00e1ria \u00e9 fundamental, que n\u00e3o se deve deixar de promover o consumo de carne porque estes s\u00e3o alimentos fundamentais para a nutri\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es que menos t\u00eam. Mas, quando s\u00e3o analisados os dados, nota-se que o maior consumo de carne se d\u00e1 nas cidades e em popula\u00e7\u00f5es de rendas m\u00e9dias e altas. Ent\u00e3o, estas popula\u00e7\u00f5es das grandes cidades s\u00e3o as que est\u00e3o produzindo o grande impacto ambiental que a pecu\u00e1ria acarreta.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os impactos ambientais deste modelo alimentar?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muitos, mas os principais s\u00e3o os que impactam sobre a biodiversidade e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Esta forma de agricultura e pecu\u00e1ria que temos hoje em dia utiliza uma enorme superf\u00edcie de terra e, para isso, avan\u00e7a sobre ecossistemas naturais que nos prestam servi\u00e7os sem que percebamos, como sequestrar o di\u00f3xido de carbono da atmosfera, nos prover de \u00e1gua e prevenir de inunda\u00e7\u00f5es, por exemplo, al\u00e9m de ser o habitat de diferentes comunidades abor\u00edgenes. Desmatou-se um mont\u00e3o para poder avan\u00e7ar com este tipo de modelo, os animais levam 70% do total da Am\u00e9rica do Sul. Al\u00e9m disso, tem a quest\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, porque a produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de um ter\u00e7o dos gases de efeito estufa, dos quais 80% v\u00eam da pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>E o problema \u00e9 que nem tudo o que os animais produzem \u00e9 di\u00f3xido de carbono que, eventualmente, poderia ser sequestrado, por exemplo, reflorestando&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Claro. Diferente do setor energ\u00e9tico e do transporte que, sim, emitem di\u00f3xido de carbono, a pecu\u00e1ria e a agricultura emitem dois gases que s\u00e3o superpotentes e muito dif\u00edceis de controlar, que \u00e9 o metano e o \u00f3xido nitroso, atrav\u00e9s do que se chama fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica, que s\u00e3o os arrotos e os gases dos bois, e a excre\u00e7\u00e3o e a urina, que \u00e9 o metano; e o \u00f3xido nitroso vem tamb\u00e9m da excre\u00e7\u00e3o, da urina e da aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes ao solo. Hoje em dia, para poder produzir um mont\u00e3o de soja e de milho para alimentar os animais, devo sim e sim aplicar fertilizantes porque os solos n\u00e3o d\u00e3o e, al\u00e9m disso, para que os solos n\u00e3o percam nutrientes, porque, caso contr\u00e1rio, \u00e9 insustent\u00e1vel. Ent\u00e3o, tudo isso emite gases que ficam na atmosfera muito tempo, o g\u00e1s metano permanece [por] cem anos e o \u00f3xido nitroso trezentos anos. Ent\u00e3o, por a\u00ed, os produtores ou alguns t\u00e9cnicos que analisam como podemos mitigar a pecu\u00e1ria n\u00e3o leva em conta que fazendo sequestro de carbono n\u00e3o podem atenuar o aquecimento global pelo metano e \u00f3xido nitroso. E com os fertilizantes tamb\u00e9m existe o problema da eutrofiza\u00e7\u00e3o, porque ao aplicar tantos fertilizantes se enche de nutrientes as correntes de \u00e1gua \u2013 os lagos, os rios, os arroios -, explodem a vida, se consome o oxig\u00eanio e se morre toda a vida. Estamos contaminando os cursos de \u00e1gua, o Golfo do M\u00e9xico, por exemplo, \u00e9 um desastre devido \u00e0 atividade agropecu\u00e1ria e a grande aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes na bacia do Mississipi.<\/p>\n<p><strong>Que outros modelos produtivos pode haver como alternativa ao que impera atualmente?<\/strong><\/p>\n<p>A agroecologia baseada em evid\u00eancias. Na realidade, chama-se agroecologia, mas como foi tamb\u00e9m tomada por grupos meio m\u00edsticos que come\u00e7aram a lhe meter um mont\u00e3o de coisas meio raras como a astrologia, n\u00f3s preferimos cham\u00e1-la assim. Trata-se da ci\u00eancia da agroecologia, que \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o da ecologia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, entender os agroecossistemas como entidades que devem ser manejadas com muito cuidado e conhecimento. O que a agroecologia promove \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de alimentos com base no conhecimento e n\u00e3o tanto no uso de um mont\u00e3o de energia, de m\u00e1quinas, fertilizantes e agroqu\u00edmicos, mas, ao contr\u00e1rio, aproveitando as propriedades que possuem muitas esp\u00e9cies, que interatuam entre si para produzir alimentos de maneira eficiente. E \u00e9 algo muito bom como alternativa da agricultura industrial. De qualquer maneira, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que seja sim e sim agroecologia ou sim e sim agricultura industrial, pode ser uma quest\u00e3o diversificada que se adapta a cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 uma dieta sustent\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>Dieta sustent\u00e1vel \u00e9 um conceito que surgiu h\u00e1 pouco tempo, o conceito tem aproximadamente uns 6 anos, e foi cunhado pela <strong>FAO<\/strong>. Na realidade, n\u00e3o se sabe muito bem o que \u00e9 uma dieta sustent\u00e1vel. A defini\u00e7\u00e3o \u00e9 bonita, porque diz que s\u00e3o dietas ambientalmente amig\u00e1veis, que fazem um uso eficiente dos recursos naturais, que s\u00e3o culturalmente aceit\u00e1veis, que s\u00e3o economicamente acess\u00edveis, que geram impactos positivos \u00e0 sa\u00fade, que s\u00e3o nutricionalmente adequadas. Ou seja, \u00e9 um conceito muito amplo, muito complexo. Mas, devido a essa complexidade e a esse detalhe que \u00e9 \u201cculturalmente aceit\u00e1vel\u201d, n\u00e3o se pode determinar o que \u00e9 uma dieta sustent\u00e1vel, porque depender\u00e1 de cada regi\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o mesmo produzir uma dieta sustent\u00e1vel na China que uma dieta sustent\u00e1vel na Argentina, e dentro da Argentina n\u00e3o \u00e9 o mesmo uma dieta sustent\u00e1vel na Capital Federal e uma Ushuaia ou em Jujuy, porque depender\u00e1 do tipo de produ\u00e7\u00e3o que se fa\u00e7a. Os especialistas concordam em que as dietas sustent\u00e1veis s\u00e3o baixas em conte\u00fado de origem animal e abundantes em conte\u00fado de alimentos de origem vegetal. S\u00e3o dietas que teriam um baixo conte\u00fado em carnes, ovos e l\u00e1cteos, e dentro das carnes haveria uma menor propor\u00e7\u00e3o de ruminantes, que s\u00e3o os bois, as cabras e as ovelhas. E pelo lado dos alimentos de origem vegetal deveria ter uma boa propor\u00e7\u00e3o de legumes e cereais, e abundantes frutas, verduras, sementes.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os mitos que h\u00e1 em torno do vegetarianismo?<\/strong><\/p>\n<p>Os mitos em torno dos vegetarianismos t\u00eam a ver com os mitos que h\u00e1 ao redor da carne. Existe o mito de que a prote\u00edna adequada s\u00f3 est\u00e1 na carne, quando na realidade \u00e9 poss\u00edvel conseguir todos os amino\u00e1cidos que necessitamos para um correto crescimento e desenvolvimento nos alimentos de origem vegetal, combinando inteligentemente legumes e cereais. A taxa de an\u00eamicos na popula\u00e7\u00e3o vegetariana n\u00e3o \u00e9 maior que a taxa de anemia da popula\u00e7\u00e3o que come carne. A vitamina <strong>B12<\/strong> \u00e9 um tema particular, porque \u00e9 produzida pelas bact\u00e9rias do solo, que em um momento eram incorporadas \u00e0 carne, ao tecido animal, porque os animais se alimentavam de coisas que estavam no solo, mas hoje em dia isso j\u00e1 n\u00e3o existe mais, porque quase todos os animais s\u00e3o criados em feedlots. Ent\u00e3o, o porco e o frango que est\u00e3o no feedlot requerem suplementos com <strong>B12<\/strong>. Por\u00e9m, n\u00f3s, vegetarianos, o que fazemos \u00e9 tomar o suplemento com <strong>B12<\/strong>, ao inv\u00e9s de consumir o suplemento que d\u00e3o aos animais atrav\u00e9s do consumo de sua carne. A ideia de que h\u00e1 etapas cr\u00edticas na vida que requerem carne como alimento tamb\u00e9m \u00e9 um mito. Todo o ciclo de vida requer uma dieta balanceada e equilibrada, e pode ser levada tranquilamente sem nenhum produto de origem animal, seja na gravidez, inf\u00e2ncia, lact\u00e2ncia ou velhice. Inclusive, h\u00e1 atletas profissionais que s\u00e3o vegetarianos. A redu\u00e7\u00e3o no consumo de carne gera muitos benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade, reduz os riscos de enfermidades cardiovasculares, de diabetes tipo 2, de sobrepeso e obesidade, e alguns tipos de c\u00e2nceres. Ent\u00e3o, o vegetarianismo tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante do ponto de vista da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Fontes &#8211;\u00a0Ver\u00f3nica Engler, P\u00e1gina\/12, tradu\u00e7\u00e3o Cepat, IHU de 22 de novembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDevemos deixar de lado o misticismo, a religi\u00e3o e as doutrinas New Age que tanto adentraram o vegetarianismo ao longo dos anos, especialmente durante a \u00faltima d\u00e9cada. \u00c9 necess\u00e1rio que nos formemos e conhe\u00e7amos a evid\u00eancia que apoia esta ideia, caso queiramos que esta dieta seja considerada no interior do debate pol\u00edtico\u201d. \u00c9 o que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-17954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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