{"id":18248,"date":"2016-12-20T09:00:55","date_gmt":"2016-12-20T11:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=18248"},"modified":"2016-12-12T15:39:16","modified_gmt":"2016-12-12T17:39:16","slug":"vigilancia-aos-agrotoxicos-parte-23","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/vigilancia-aos-agrotoxicos-parte-23\/","title":{"rendered":"Vigil\u00e2ncia Aos Agrot\u00f3xicos, Parte 2\/3"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/farm4.staticflickr.com\/3386\/3438820998_1f01bce371.jpg\" width=\"755\" height=\"731\" \/><\/p>\n<p>PIGNATI et. al. (2014) detalha que o consumo de agrot\u00f3xicos por hectare de lavoura de soja tem variado de 7,5 a 16,8 litros, sendo que na lavoura de milho variou de 3,0 a 9,6 litros por hectare e para o cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar varia de 3,7 a 7,6 litros por hectare e na cultura de algod\u00e3o, o consumo variou de 17,5 a 44,9 litros por hectare.<\/p>\n<p>Isto se deve a diversos fatores, como a infesta\u00e7\u00e3o maior ou menor de patologias agr\u00edcolas, aumento da resist\u00eancia das pragas aos agrot\u00f3xicos e tamb\u00e9m porque algumas plantas transg\u00eanicas, usam maiores quantidades de pesticidas que as tradicionais.<\/p>\n<p>Os dados mostram que um hectare de soja consume em m\u00e9dia 12,17 litros de agrot\u00f3xicos, um hectare de milho consumiu 6,14 litros, um hectare de algod\u00e3o consumiu 23,86 litros e um hectare de cana-de-a\u00e7\u00facar consumiu 4,84 litros de agrot\u00f3xicos em forma de produto formulado.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do calend\u00e1rio agr\u00edcola foram definidos os meses de aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos de acordo com o tipo de lavoura.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio agr\u00edcola \u00e9 um instrumento de consulta que fornece detalhadamente a forma correta de se plantar mais de 20 culturas no Estado de Mato Grosso, e que tem por objetivo orientar a melhor \u00e9poca para realizar as atividades agr\u00edcolas em cada fase da cultura.<\/p>\n<p>Com orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de plantio, tratos culturais, aduba\u00e7\u00e3o, in\u00edcio da colheita, secagem, informa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e outras a serem seguidas em cada m\u00eas.<\/p>\n<p>Verifica-se nesta tabela que, de acordo com calend\u00e1rio agr\u00edcola executado, o per\u00edodo de inter-safra foi de junho a setembro, quando n\u00e3o h\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, predominando o clima seco e sem chuvas, conformando a \u00e9poca onde se cultiva apenas a cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Esse per\u00edodo da inter-safra da soja, milho e algod\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 chamado de \u201cvazio sanit\u00e1rio\u201d, que de acordo com Decreto n. 1524 de 20\/08\/2008 do Governo do estado de Mato Grosso, fica proibido a planta\u00e7\u00e3o e irriga\u00e7\u00e3o dessas lavouras para preven\u00e7\u00e3o de diversas patologias, entre elas a ferrugem asi\u00e1tica da soja e o bicudo do algodoeiro.<\/p>\n<p>Em todas as lavouras estudadas s\u00e3o utilizados mais de um tipo de agrot\u00f3xicos e como em cada munic\u00edpio s\u00e3o cultivadas v\u00e1rias lavouras ao mesmo tempo, isto implica numa exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla aos agrot\u00f3xicos. Tanto dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o do entorno, quanto de toda biota, podendo elevar os riscos de doen\u00e7as humanas e ambientais relacionadas aos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Para se estimar o potencial dos impactos dos Princ\u00edpios Ativos desses agrot\u00f3xicos na sa\u00fade, verificaram suas classes toxicol\u00f3gicas humanas e riscos ambientais.<br \/>\nAs lavouras de soja usam maior quantitativo de herbicidas por hectare (9,0 litros), seguido de inseticidas (2,4 litros) e fungicidas (1,1 litros). As culturas de milho tamb\u00e9m usaram mais herbicidas por hectare (4,3 litros), seguido de inseticidas (1,0 litros) e fungicidas (0,2 litros).<\/p>\n<p>Enquanto que as culturas de algod\u00e3o usaram mais inseticidas por hectare (14,1 litros), seguido de herbicidas (8,8 litros) e fungicidas (0,15 litros). As lavouras de cana-de-a\u00e7\u00facar usaram 4,2 litros de herbicidas por hectare, incluindo o glifosato como maturador e tamb\u00e9m se usou 0,4 litros de inseticidas e 0,2 litros de fungicidas por hectare.<\/p>\n<p>Esses agrot\u00f3xicos consumidos nessas lavouras t\u00eam potencialidade de causar intoxica\u00e7\u00f5es agudas e quando a Dose Letal m\u00e9dia (DL 50) de cada um deles ultrapassar o n\u00edvel toler\u00e1vel poder\u00e1 ser fatal para a vida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para cada um desses agrot\u00f3xicos existem estudos demonstrando seus efeitos na sa\u00fade humana, seja de indu\u00e7\u00e3o ou na promo\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tipos de c\u00e2nceres, m\u00e1s forma\u00e7\u00f5es fetais, desregula\u00e7\u00e3o end\u00f3crina, dist\u00farbios imunol\u00f3gicos e perturba\u00e7\u00f5es mentais.<\/p>\n<p>Outros estudos demonstram que esses agrot\u00f3xicos tamb\u00e9m t\u00eam a potencialidade de aderirem \u00e0s plantas e serem absorvidos por elas e contaminarem suas produ\u00e7\u00f5es, conforme dados demonstrados no PARA 2012.<\/p>\n<p>Segundo PIGNATI et. al. (2014), outros estudos mostram que agrot\u00f3xicos podem se dispersar, seja por evapora\u00e7\u00e3o ou desvio das gotas ou lixivia\u00e7\u00e3o e contaminarem as \u00e1guas superficiais, as \u00e1guas subterr\u00e2neas, a chuva e o ar que se respira.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio discutir estes dados e suas consequ\u00eancias para a sa\u00fade p\u00fablica em sua rela\u00e7\u00e3o com o modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico brasileiro, com o modo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio dependente de agroqu\u00edmicos, transg\u00eanicos, agrot\u00f3xicos e fertilizantes.<\/p>\n<p>Com o uso inseguro dos agrot\u00f3xicos, com seus subs\u00eddios fiscais, com o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de terras e com a disputa com os movimentos de busca de um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel para o campo baseado na agroecologia, conforme PIGNATI et. al. (2014).<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ANVISA. 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Institui a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade do Trabalhador e da Trabalhadora. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o 2012; 24 ago.<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS). Portaria n\u00ba 2.866, de 02 de dezembro de 2011. Institui a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral das Popula\u00e7\u00f5es do Campo e da Floresta (PNSIPCF). Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o 2011; 3 dez.<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS). Sistema Nacional de Notifica\u00e7\u00e3o de Agravos \u2013 SINAN. Bancos de dados eletr\u00f4nicos. [acessado 2014 set 19]. Dispon\u00edvel em: http:\/\/dtr2004.saude.gov.br\/sinanweb\/<\/p>\n<p>Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e pela Vida. Boletim Informativo da Campanha. [acessado 2014 maio 30]. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.contraos agrotoxicos.org<\/p>\n<p>CARNEIRO, F. F., PIGNATI, W., RIGOTTO, R. M., AUGUSTO, L. G. S., RIZOLLO, A., MULLER, N. M., ALEXANDRE, V. P., FRIEDRICH K. e MELLO, M. S. 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Cuiab\u00e1: Universidade Federal de Mato Grosso; 2011.<\/p>\n<p>GRIS\u00d3LIA, C. K., Agrot\u00f3xicos, muta\u00e7\u00f5es, c\u00e2ncer &amp; reprodu\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia: editora Universidade de Bras\u00edlia; 2005.<\/p>\n<p>IBGE. Brasil, s\u00e9rie hist\u00f3rica de \u00e1rea plantada e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola; safras 2005 a 2012. [acessado 2013 ago 15]. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.sidra.ibge.gov.br<\/p>\n<p>INSTITUTO DE DEFESA AGROPECU\u00c1RIA DO MATO GROSSO (INDEA-MT). Relat\u00f3rio\/Planilha de Dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agrot\u00f3xicos dos anos de 2005 a 20012. [banco de dados eletr\u00f4nico]. Cuiab\u00e1: INDEA-MT; 2013.<\/p>\n<p>ITHO, S. F., Rotina de atendimento do intoxicado. 3\u00aa ed. Vit\u00f3ria: Toxcen; 2007.<\/p>\n<p>MACHADO J. H. M., Perspectivas e pressupostos da Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Trabalhador no Brasil. In: Gomez CM, Machado JHM, Pena P. Sa\u00fade do Trabalhador na sociedade brasileira contempor\u00e2nea. 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Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; EcoDebate de 17 de novembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PIGNATI et. al. 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