{"id":18249,"date":"2016-12-21T09:00:58","date_gmt":"2016-12-21T11:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=18249"},"modified":"2016-12-12T15:39:21","modified_gmt":"2016-12-12T17:39:21","slug":"vigilancia-aos-agrotoxicos-parte-33","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/vigilancia-aos-agrotoxicos-parte-33\/","title":{"rendered":"Vigil\u00e2ncia Aos Agrot\u00f3xicos, Parte 3\/3"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/farm4.staticflickr.com\/3386\/3438820998_1f01bce371.jpg\" width=\"819\" height=\"793\" \/><\/p>\n<p>PIGNATI et. al. (2014), registra que esta estrat\u00e9gia de se analisar a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, o uso de agrot\u00f3xicos e seus efeitos na sa\u00fade-ambiente, contribuir\u00e1 para a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que subsidiar\u00e3o estrat\u00e9gicas de precau\u00e7\u00e3o de impactos e de preven\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Tanto em sa\u00fade do trabalhador, como ambiental, sanit\u00e1ria e epidemiol\u00f3gica e colaborar\u00e3o na reflex\u00e3o do modelo de desenvolvimento executado no Brasil pelos Governos e empreendedores agr\u00e1rios, a qual impacta os trabalhadores e o ambiente.<\/p>\n<p>Como por exemplo, as previs\u00f5es de contamina\u00e7\u00e3o ambiental e intoxica\u00e7\u00f5es humanas poder\u00e3o ser inferidas conforme o tipo de lavoura predominante no munic\u00edpio (soja, milho, cana e algod\u00e3o), os tipos de agrot\u00f3xicos utilizados e suas toxidades agudas e cr\u00f4nicas, servindo de alerta aos agentes da vigil\u00e2ncia em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Estes dados, em conjunto com a estimativa de periodicidade de uso, s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para a identifica\u00e7\u00e3o dos meses de maior emprego nas comunidades com maior probabilidade de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estabelecer\u00e3o prioridades para as atua\u00e7\u00f5es conjuntas de preven\u00e7\u00e3o e monitoramento dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos (Sa\u00fade, Agricultura e Ambiente), sociedade civil e popula\u00e7\u00f5es expostas. E v\u00e3o colaborar na previs\u00e3o de \u201ceventos sentinelas\u201d, em toda a rede assistencial (hospitais, PS, PSF e ambulat\u00f3rios).<\/p>\n<p>Com os dados de prov\u00e1veis de intoxica\u00e7\u00f5es agudas e cr\u00f4nicas e contamina\u00e7\u00e3o ambiental e alimentar, os munic\u00edpios, complementando com suas informa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas locais, poder\u00e3o construir um mapa dos poss\u00edveis impactos gerados pelo uso dos agrot\u00f3xicos com localiza\u00e7\u00e3o das comunidades rurais e urbanas mais ou menos vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>E com participa\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e popula\u00e7\u00e3o, se poder\u00e1 implementar processos de conhecimento, discuss\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e organiza\u00e7\u00e3o da sociedade para executar uma vigil\u00e2ncia a sa\u00fade efetiva como relatado por PIGNATI et al. (2011), AUGUSTO et al. (2012) e RIGOTTO et al. (2012) ou como proposto por PORTO e SOARES (2012) ou por MACHADO (2011).<\/p>\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o de \u201cinforma\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o\u201d e para aumentar as evid\u00eancias cient\u00edficas dos impactos dos agrot\u00f3xicos na sa\u00fade, pode-se conformar uma matriz de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, uso de agrot\u00f3xicos e incid\u00eancia de agravos de uma s\u00e9rie hist\u00f3rica dos \u00faltimos dez anos, de cada unidade federada, como apresentado em PIGNATI e MACHADO (2011) e PIGNATI et al. (2011).<\/p>\n<p>Esses autores verificaram os dados de morbi-mortalidade numa matriz de produ\u00e7\u00e3o e agravos, em s\u00e9rie hist\u00f3rica de 10 anos (2001 a 2012), mostrando a correla\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o (hectares por habitante), a exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos (litros por habitante) e as incid\u00eancias de agravos correlacionados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi evidenciado por F\u00c1VERO (2.011), a correla\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos nas lavouras e o aumento das incid\u00eancias de doen\u00e7as pulmonares agudas em crian\u00e7as menores de 5 anos atendidas nas Unidades de Sa\u00fade nos per\u00edodos de safra da soja, milho e algod\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00e1rios agrot\u00f3xicos s\u00e3o alerg\u00eanicos e irritantes pulmonares. Al\u00e9m disso, este estudo tamb\u00e9m demonstra que quanto mais perto das lavouras se situavam as resid\u00eancias das crian\u00e7as, maior era o n\u00edvel end\u00eamico das patologias do trato respirat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Esta problematiza\u00e7\u00e3o de riscos, tamb\u00e9m servir\u00e1 para prever a contamina\u00e7\u00e3o do leite materno das m\u00e3es (trabalhadoras rurais e urbanas) que amamentam num determinado munic\u00edpio, conforme PALMA (2011).<\/p>\n<p>Ou a contamina\u00e7\u00e3o do sangue e urina de professores das escolas rurais rodeadas de lavouras ou na periferia da cidade, os quais se exp\u00f5em aos agrot\u00f3xicos via ar, \u00e1gua pot\u00e1vel e chuva descritos em MOREIRA et al. (2012) e BELO et al. (2012).<\/p>\n<p>Nas observa\u00e7\u00f5es dos estudos acima, se verificou que as pulveriza\u00e7\u00f5es daqueles 140,8 milh\u00f5es de litros de agrot\u00f3xicos por avi\u00e3o e trator eram realizadas a menos de 10 metros de fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel, c\u00f3rregos, de cria\u00e7\u00e3o de animais e de resid\u00eancias.<\/p>\n<p>Essas dist\u00e2ncias desrespeitavam o antigo Decreto de Mato Grosso n.2283\/09 que proibia a pulveriza\u00e7\u00e3o por trator a 300 metros ou o atual Decreto de Mato Grosso n 1.651\/13 que cancelou o anterior, mas que pro\u00edbe pulveriza\u00e7\u00e3o por trator a 90 metros daqueles locais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m desrespeitavam a Instru\u00e7\u00e3o Normativa do MAPA n\u00ba 02\/2008 que pro\u00edbe pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea a 500 metros de fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel, c\u00f3rregos, de cria\u00e7\u00e3o de animais e de resid\u00eancias.<\/p>\n<p>Portanto, al\u00e9m de n\u00e3o se respeitar as legisla\u00e7\u00f5es e as normas de pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, o Governo pouco fiscaliza e ainda amplia os riscos, diminuindo a margem operacional de pulveriza\u00e7\u00e3o proibida, por trator, de 300 para 90 metros.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es produzidas s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para os processos de educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade junto \u00e0s popula\u00e7\u00f5es expostas, trabalhadores e entidades componentes do controle social visando o fortalecimento das a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Da mesma forma, poder\u00e3o subsidiar a\u00e7\u00f5es integradas dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o da agricultura, meio ambiente, trabalho, sa\u00fade, entre outros, que s\u00e3o fundamentais para o avan\u00e7o da vigil\u00e2ncia dos impactos dos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Tanto em n\u00edveis locais quanto regionais e na busca da diminui\u00e7\u00e3o progressiva de seu uso, caminhando na dire\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o de outro modelo agropecu\u00e1rio que poder\u00e1 ser o agroecol\u00f3gico, como prop\u00f5e a Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e pela Vida.<\/p>\n<p>Neste sentido, a Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e pela Vida desenvolve no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade popular e participativa que prop\u00f5e o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de proibir as pulveriza\u00e7\u00f5es por avi\u00e3o, proibir o uso no Brasil dos agrot\u00f3xicos proibidos na Uni\u00e3o Europeia, fim dos subs\u00eddios p\u00fablicos a esses venenos, implanta\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios de Vigil\u00e2ncias \u00e0 Sa\u00fade dos trabalhadores, do ambiente e dos expostos aos agrot\u00f3xicos, transi\u00e7\u00e3o para a agroecologia e busca do desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tornar efetivas as a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia \u00e0 sa\u00fade no Brasil envolve processos e pr\u00e1ticas interinstitucionais e participativas que incorporem informa\u00e7\u00f5es de impactos sociais, ambientais e de sa\u00fade relacionados ao processo produtivo agropecu\u00e1rio e \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ocupacional, alimentar, ambiental e populacional aos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia corrobora com um modelo de vigil\u00e2ncia em que devem ser fortalecidas as a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade aliadas \u00e0s estrat\u00e9gias de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica ao se estabelecer a\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas e integradas de substitui\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos e fertilizantes qu\u00edmicos por outras pr\u00e1ticas de aumento da produ\u00e7\u00e3o de alimentos e controle de doen\u00e7as agropecu\u00e1rias, segundo PIGNATI et. al. (2014).<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ANVISA. Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos (PARA). 2013. [acessado 2013 dez 28]. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.anvisa.gov.br<\/p>\n<p>ANVISA. Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada \u2013 RDC n\u00ba 10, de 22 de fevereiro de 2008. Disp\u00f5e sobre reavalia\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica de ingredientes ativos. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o 2008; 25 fev.<\/p>\n<p>AUGUSTO, L. G., CARNEIRO F., PIGNATI W. e RIGOTTO R. M., Dossi\u00ea II: Agrot\u00f3xicos e ambiente. Rio de Janeiro: ABRASCO; 2012. 2\u00aa Parte<\/p>\n<p>BAHIA. Secretaria Estadual de Sa\u00fade. Manual de orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia de ambientes e processos de trabalho agr\u00edcola. [acessado 2014 maio 30]. Dispon\u00edvel em: www.suvisa.ba.gov.br\/saude_trabalhador\/publicacoes\/manuais<\/p>\n<p>BELO, M. S. S., PIGNATI, W., DORES, E. G. C., MOREIRA, J. 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Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; EcoDebate de 18 de novembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PIGNATI et. al. (2014), registra que esta estrat\u00e9gia de se analisar a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, o uso de agrot\u00f3xicos e seus efeitos na sa\u00fade-ambiente, contribuir\u00e1 para a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que subsidiar\u00e3o estrat\u00e9gicas de precau\u00e7\u00e3o de impactos e de preven\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade. 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