{"id":18342,"date":"2016-12-31T09:00:23","date_gmt":"2016-12-31T11:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=18342"},"modified":"2016-12-25T16:09:19","modified_gmt":"2016-12-25T18:09:19","slug":"16-fatos-marcantes-para-o-clima-em-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/16-fatos-marcantes-para-o-clima-em-2016\/","title":{"rendered":"16 fatos marcantes para o clima em 2016"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/GISTEMP_Sep2016_1-e1482506917820.png\" alt=\"Anomalia de temperatura da Terra em setembro (Imagem: Nasa)\" \/><\/p>\n<p>Relembre nesta retrospectiva os principais eventos e personagens que tornaram o ano que termina.\u00a0um marco, para o bem e para o mal, na hist\u00f3ria do combate ao aquecimento da Terra.<\/p>\n<p>Para o bem e para o mal, 2016 foi um ano e tanto na luta contra a crise do clima. Foram 12 meses de uma sucess\u00e3o vertiginosa de trag\u00e9dias e esperan\u00e7as, her\u00f3is e vil\u00f5es, avan\u00e7os e retrocessos. Relembre aqui 16 fatos, epis\u00f3dios e personagens que fizeram a hist\u00f3ria deste ano de extremos.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>O ano mais quente da hist\u00f3ria<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/GISTEMP_Sep2016_1-e1482506917820.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4825\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/GISTEMP_Sep2016_1-e1482506917820.png\" alt=\"Anomalia de temperatura da Terra em setembro (Imagem: Nasa)\" width=\"650\" height=\"376\" \/><\/a><\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 sabe, mas n\u00e3o custa repetir: o ano que se encerra bateu de longe, de <em>muito longe<\/em>, todos os recordes de temperatura desde o in\u00edcio dos registros globais com term\u00f4metros, em 1880, e provavelmente desde a pr\u00f3pria inven\u00e7\u00e3o do term\u00f4metro, em 1850.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/aquecimento-bate-12oc-em-2016\/\">o ano deve fechar com uma m\u00e9dia global 1,2<sup>o<\/sup>C mais alta do que na era pr\u00e9-industrial<\/a>. Foi o maior aumento anual de temperatura de todos os tempos: 0,2<sup>o<\/sup>C.<\/p>\n<p>A culpa, como os cientistas j\u00e1 disseram v\u00e1rias vezes, foi de um El Ni\u00f1o monstro entre 2015 e 2016, sobreposto a uma tend\u00eancia de aquecimento global que tende a acelerar devido ao encerramento de uma fase fria do Oceano Pac\u00edfico que durou uma d\u00e9cada. Para 2017, felizmente, a <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/2017-ainda-extremo-mas-menos-quente\/\">previs\u00e3o \u00e9 menos sombria<\/a>: dificilmente o ano novo bater\u00e1 o calor de 2016. Mas sempre podemos contar com os maus h\u00e1bitos da humanidade para produzir novos recordes.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Donald Trump<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/161109_SLATEST_HC-Supporters-10.jpg.CROP_.promo-xlarge2-e1482507028217.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4976\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/161109_SLATEST_HC-Supporters-10.jpg.CROP_.promo-xlarge2-e1482507028217.jpg\" alt=\"Adrees Latif\/Reuters\" width=\"650\" height=\"401\" \/><\/a><\/p>\n<p>A surpreendente elei\u00e7\u00e3o do bilion\u00e1rio\/mit\u00f4mano\/agressor sexual\/negacionista do clima, em novembro, botou em p\u00e2nico a comunidade internacional \u2013 exceto talvez o <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/mundo\/noticia\/2016\/12\/cia-acredita-que-russia-interferiu-nas-eleicoes-americanas-favor-de-trump.html\">governo russo<\/a>. Desde ent\u00e3o, muita gente tem tentado enxergar um fio de esperan\u00e7a em algum lugar: Trump disse que v\u00ea \u201calguma conex\u00e3o\u201d entre o aquecimento global e a a\u00e7\u00e3o humana! Aleluia! Trump se encontrou com Al Gore! Hosana nas alturas! Trump recebeu Leonardo DiCaprio! Gl\u00f3ria a Deus!<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Trump se encarregou na sequ\u00eancia de mostrar a que realmente veio: nomeou tr\u00eas negacionistas de alto coturno para a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, para o Departamento de Energia e para o Departamento do Interior. Amea\u00e7ou cortar a verba de pesquisas clim\u00e1ticas da Nasa. Cereja do bolo, anunciou que seu secret\u00e1rio de Estado ser\u00e1 Rex Tillerson, presidente da Exxon. Ela mesma, a empresa que passou duas d\u00e9cadas financiando todo tipo de ataque \u00e0 ci\u00eancia do clima, <a href=\"https:\/\/insideclimatenews.org\/content\/Exxon-The-Road-Not-Taken\">mesmo sabendo desde os anos 1970 da conex\u00e3o entre o petr\u00f3leo e o aquecimento da Terra<\/a>.<\/p>\n<p>Cientistas do clima j\u00e1 est\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/energy-environment\/wp\/2016\/12\/13\/scientists-are-frantically-copying-u-s-climate-data-fearing-it-might-vanish-under-trump\/\">copiando freneticamente as bases de dados<\/a> climatol\u00f3gicos do governo que podem ser v\u00edtimas do esquadr\u00e3o da morte do gabinete trumpista.<\/p>\n<p>Tudo indica que o governo do republicano ser\u00e1 t\u00e3o ruim quanto parece. Mais uma vez, boa sorte ao mundo para resolver o problema com o governo americano jogando contra.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>O Acordo de Paris agora \u00e9 lei<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/2013_Fireworks_on_Eiffel_Tower_04-e1482507084244.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4944\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/2013_Fireworks_on_Eiffel_Tower_04-e1482507084244.jpg\" alt=\"Foto: Wikimedia Commons\" width=\"650\" height=\"403\" \/><\/a><\/p>\n<p>Motivada em parte pelo medo de que a elei\u00e7\u00e3o americana pudesse dar no que deu, a ONU iniciou no come\u00e7o uma ofensiva diplom\u00e1tica sem precedentes para botar o Acordo de Paris em vigor ainda em 2016, quatro anos antes do prazo oficial. O esfor\u00e7o foi liderado pelo secret\u00e1rio-geral, Ban Ki-moon, com forte apoio dos l\u00edderes dos EUA, Barack Obama, da China, Xi Jinping, e da ministra do Meio Ambiente da Fran\u00e7a, Segol\u00e8ne Royal. E contou com uma <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/voto-da-ue-poe-paris-em-vigor-em-novembro\/\">esperta manobra jur\u00eddica da Uni\u00e3o Europeia<\/a> para dispensar a ratifica\u00e7\u00e3o em bloco e permitir que cada um dos 28 pa\u00edses pudesse somar seu esfor\u00e7o de corte individualmente, de forma a cumprir os crit\u00e9rios para a entrada em vigor. Desde 4 de novembro, <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/acordo-de-paris-agora-e-lei\/\">Paris \u00e9 lei no mundo inteiro<\/a>, inclusive no Brasil.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>A China desacelera \u2013 e as emiss\u00f5es globais v\u00e3o junto<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Corbis-42-45885861-e1482507160791.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-739\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Corbis-42-45885861-e1482507160791.jpg\" alt=\"Polui\u00e7\u00e3o industrial na China. (Foto: Li Fan\/National Geographic Creative\/Corbis)\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, uma an\u00e1lise da trajet\u00f3ria de emiss\u00f5es da China sugeriu que <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/china-pode-ja-ter-passado-pico-de-emissao\/\">o maior poluidor do planeta pudesse ter alcan\u00e7ado seu pico de emiss\u00f5es<\/a> de gases-estufa em 2015, 15 anos antes do que se comprometeu a fazer na sua NDC. Na nova vers\u00e3o do Plano Quinquenal, a China se comprometeu a reduzir o uso de carv\u00e3o mineral para gerar energia e a limitar o crescimento a \u201capenas\u201d 6% ao ano (sambando na cara do Brasil). Tamb\u00e9m no come\u00e7o do ano, o governo chin\u00eas anunciou o fechamento maci\u00e7o de minas de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois bons motivos est\u00e3o por tr\u00e1s do movimento: o alto grau de competitividade de suas ind\u00fastrias de energia limpa e o estado de convuls\u00e3o social causado pela polui\u00e7\u00e3o do ar. S\u00f3 as emiss\u00f5es de particulados finos, em sua maior parte pelas termel\u00e9tricas a carv\u00e3o, matam 1,4 milh\u00e3o de pessoas por ano no pa\u00eds. (Como nada \u00e9 o que parece no mundo, a China vem sendo acusada de <a href=\"http:\/\/www.climatechangenews.com\/2016\/11\/04\/chinese-backed-coal-plant-jeopardises-kenya-climate-target\/\">exportar usinas a carv\u00e3o para pa\u00edses africanos<\/a>, efetivamente terceirizando suas emiss\u00f5es.)<\/p>\n<p>Seja qual for a raz\u00e3o, o mundo agradece: gra\u00e7as \u00e0 queda das emiss\u00f5es por energia na China e nos EUA, 2015, em 2015 <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/co2-estabiliza-mas-conta-do-clima-cresce\/\">as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> globais por queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis ficaram estagnadas<\/a> pela primeira vez num ano de crescimento econ\u00f4mico, e em 2016 a previs\u00e3o \u00e9 que elas sigam sem crescer. \u00c9 cedo para dizer se essa tend\u00eancia ser\u00e1 permanente, por\u00e9m.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Rio-2016 leva o clima \u00e0s massas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/05-08-2016-Opening-Ceremony-thumbnail-e1482507207679.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4479\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/05-08-2016-Opening-Ceremony-thumbnail-e1482507207679.jpg\" alt=\"05-08-2016-Opening-Ceremony-thumbnail\" width=\"650\" height=\"368\" \/><\/a><\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/olimpiada-enfim-traz-clima-para-as-massas\/\">abertura da Olimp\u00edada do Rio<\/a> foi uma das poucas gratas surpresas de 2016 no Brasil. Num pa\u00eds mergulhado em recess\u00e3o e pessimismo, o show inverteu expectativas e a l\u00f3gica geopol\u00edtica de espet\u00e1culos desse tipo, marcados sempre por um complexo freudiano de \u201co meu (pa\u00eds) \u00e9 maior do que o seu\u201d.<\/p>\n<p>Os Jogos do Rio, que tiveram codire\u00e7\u00e3o do cineasta e ambientalista Fernando Meirelles, trouxeram uma mensagem global. E a mudan\u00e7a clim\u00e1tica foi parte importante dela. Durante cerca de quatro minutos, mais de 3 bilh\u00f5es de pessoas assistiram em suas TVs \u00e0s assustadoras proje\u00e7\u00f5es de aumento do n\u00edvel do mar e aos gr\u00e1ficos de temperatura do painel do clima da ONU. Foi a maior audi\u00eancia da hist\u00f3ria para a ci\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>E n\u00e3o ficou s\u00f3 nisso: durante os Jogos, mais de cem atletas de 34 pa\u00edses se engajaram na <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/umpontocinco\/\">campanha 1,5<sup>o<\/sup>C \u2013 o recorde que n\u00e3o devemos quebrar<\/a>, do Observat\u00f3rio do Clima com o F\u00f3rum dos Pa\u00edses Vulner\u00e1veis, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente e o GIP (Gest\u00e3o de Interesse P\u00fablico). Eles mandaram pelas redes sociais sua mensagem de que a sobreviv\u00eancia de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es dependem do alcance da meta mais ambiciosa do Acordo de Paris.<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Eventos extremos: o batom na cueca da humanidade<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/matthew1-e1482507285271.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5256\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/matthew1-e1482507285271.jpg\" alt=\"matthew\" width=\"650\" height=\"350\" \/><\/a><\/p>\n<p>O ano, nem precisa dizer, foi <a href=\"https:\/\/public.wmo.int\/en\/media\/press-release\/provisional-wmo-statement-status-of-global-climate-2016\">de eventos clim\u00e1ticos extremos<\/a>. O furac\u00e3o Matthew se abateu sobre o Haiti em outubro, matando quase 550 pessoas. Recordes hist\u00f3ricos de temperatura foram batidos na \u00c1frica do Sul (42,7<sup>o<\/sup>C em Pret\u00f3ria), na Tail\u00e2ndia (44,6<sup>o<\/sup>C), na \u00cdndia (51<sup>o<\/sup>C) e no Kuwait (54<sup>o<\/sup>C \u2013 credo!). O Canad\u00e1 teve o pior inc\u00eandio florestal de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O Nordeste do Brasil, que j\u00e1 vinha sendo impactado por quatro anos de chuvas abaixo do normal, teve uma estiagem extremada. No Brasil inteiro, <a href=\"http:\/\/www.mi.gov.br\/reconhecimentos-realizados\">2.034 munic\u00edpios estavam em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia<\/a> em novembro de 2016, 1.522 deles no Nordeste. Bras\u00edlia entrou em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de abastecimento de \u00e1gua <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2016-09\/seca-provoca-primeiro-racionamento-de-agua-em-brasilia\">pela primeira vez<\/a>.<\/p>\n<p>O gelo marinho no \u00c1rtico teve sua segunda menor extens\u00e3o j\u00e1 medida no ver\u00e3o \u2013 e, para surpresa at\u00e9 dos cientistas polares, que acham que j\u00e1 viram de tudo, derreteu tamb\u00e9m no inverno, impulsionado por <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/degelo-artico-ameaca-resto-do-mundo\/\">temperaturas at\u00e9 20<sup>o<\/sup>C mais altas<\/a> que a m\u00e9dia em algumas regi\u00f5es (sim, voc\u00ea leu certo: 20<sup>o<\/sup>C).<\/p>\n<p>E foi tamb\u00e9m em 2016 que os cientistas come\u00e7aram de forma sistem\u00e1tica a atribuir eventos extremos individuais \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, algo que at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s era considerado heresia. Em novembro, a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial afirmou que <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/onu-liga-eventos-extremos-a-aquecimento\/\">mais de metade de 79 extremos<\/a> registrados no mundo todo entre 2011 e 2015, inclusive a estiagem na Amaz\u00f4nia entre 2014 e 2015, teve influ\u00eancia direta do aquecimento da Terra.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>O Congresso brasileiro fossiliza\u2026<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/camara-e1482507353396.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1227\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/camara-e1482507353396.jpg\" alt=\"Foto: Rodolfo Stuckert\/C\u00e2mara dos Deputados \" width=\"650\" height=\"432\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi um ano dif\u00edcil para ser parlamentar no Brasil. A Lava Jato apertou como nunca o cerco a deputados e senadores de diversos partidos. O achacador-geral da Uni\u00e3o, Eduardo Cunha, foi ver o sol nascer quadrado em Curitiba. A confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o no Congresso \u00e9 <a href=\"http:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/opiniaopublica\/2015\/11\/1712977-congresso-nacional-recebe-pior-avaliacao-desde-anoes-do-orcamento.shtml\">a menor em 23 anos<\/a>. E os bocudos da Odebrecht ainda resolveram contar para todo mundo <a href=\"http:\/\/www.poder360.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Delacao-ClaudioMelo-Odebrecht-dez2016.pdf\">como funciona o esquema de pagar deputados e senadores para aprovar projetos de lei<\/a>.<\/p>\n<p>Foi nesse clim\u00e3o que duas pe\u00e7as para l\u00e1 de bizarras entraram em tramita\u00e7\u00e3o: uma delas \u00e9 um projeto de lei que prop\u00f5e a libera\u00e7\u00e3o dos carros de passeio a diesel no Brasil. O segundo criava nada mais, nada menos que um <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/ongs-pedem-veto-de-temer-ao-carvao\/\">programa de incentivo ao carv\u00e3o mineral<\/a>, com constru\u00e7\u00e3o de novas usinas. O presidente Michel Temer teve o bom senso de vet\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O projeto do diesel, objeto de <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/sociedade-diz-nao-a-lei-do-carro-a-diesel\/\">grita generalizada da sociedade civil<\/a>, mereceu at\u00e9 comiss\u00e3o especial: iria a plen\u00e1rio sem precisar passar por nenhuma outra comiss\u00e3o. Visto que a proposta n\u00e3o interessa nem ao governo, nem \u00e0 Petrobras, \u00e9 de se imaginar por que raz\u00e3o teria aparecido. Uma pista: <a href=\"http:\/\/sustentabilidade.estadao.com.br\/blogs\/ambiente-se\/projeto-do-carro-a-diesel-no-brasil-pode-ser-aprovado-nesta-semana\/\">quem criou a comiss\u00e3o especial<\/a> foi ele mesmo, Eduardo Cunha.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o dizer que tudo foram trevas, o mesmo Parlamento que queria ressuscitar os piores combust\u00edveis f\u00f3sseis <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/ratificacao-de-acordo-do-clima-no-senado-transcendeu-partidos-e-ideologia\/\">aprovou a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris em tempo recorde<\/a>: menos de tr\u00eas meses, e no meio de uma crise pol\u00edtica.<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>\u2026e o BNDES desfossiliza<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/brazil-windfarm-e1482507430786.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2016\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/brazil-windfarm-e1482507430786.jpg\" alt=\"brazil-windfarm\" width=\"650\" height=\"366\" \/><\/a><\/p>\n<p>Premido pela crise econ\u00f4mica, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social resolveu estancar o desperd\u00edcio de dinheiro p\u00fablico em projetos energ\u00e9ticos sujos ou de futuro incerto: anunciou que <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/bndes-corta-apoio-a-termicas-fosseis\/\">n\u00e3o financiaria mais novas usinas termel\u00e9tricas a \u00f3leo e carv\u00e3o mineral<\/a> com cr\u00e9dito subsidiado. As grandes hidrel\u00e9tricas, pedra de toque da pol\u00edtica energ\u00e9tica do governo passado, v\u00e3o receber menos dinheiro: o cr\u00e9dito subsidiado caiu de 70% para 50% do valor do empreendimento. Por outro lado, o BNDES aumentou seu cr\u00e9dito para energia solar: de 70% para 80% do valor do projeto.<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong>A morte da Grande Barreira<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/06-Lizard007-e1482507476338.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5259\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/06-Lizard007-e1482507476338.jpeg\" alt=\"06-Lizard007\" width=\"650\" height=\"433\" \/><\/a><\/p>\n<p>Temperaturas do mar acima da m\u00e9dia desde 2014, e agravadas pelo El Ni\u00f1o de 2015\/16, causaram o pior evento global de branqueamento de corais da hist\u00f3ria. O branqueamento ocorre quando o calor excessivo impede a sobreviv\u00eancia das microalgas que vivem em simbiose com os corais e mant\u00eam os recifes vivos. O fen\u00f4meno atingiu corais em quase 40 pa\u00edses, inclusive no Brasil. Entre as v\u00edtimas est\u00e1 o maior conjunto de recifes do mundo, a Grande Barreira de Coral da Austr\u00e1lia, que se estende por 2.300 quil\u00f4metros. Segundo <a href=\"http:\/\/www.globalcoralbleaching.org\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Australias-Coral-Reefs-Under-Threat-From-Climate-Change.pdf\">levantamento do Conselho do Clima australiano<\/a>, 93% dos recifes da Grande Barreira sofreram algum grau de branqueamento. O governo australiano publicou em junho a informa\u00e7\u00e3o de que <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2016\/jun\/03\/agencies-say-22-of-barrier-reef-coral-is-dead-correcting-misinterpretation\">22% dos corais do pa\u00eds estavam mortos<\/a>.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias econ\u00f4micas nos pr\u00f3ximos anos tendem a ser desastrosas. Os corais abrigam 25% das esp\u00e9cies de peixe do mundo, e meio bilh\u00e3o de pessoas dependem diretamente desses ecossistemas para sobreviver.<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong>Usina de S\u00e3o Luiz \u00e9 enterrada (mas a cova \u00e9 rasa)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/MUNDURUKU-TAPAJOS_FOTO-GREENPEACE-ANDERSON-BARBOSA-e1482507603120.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4464\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/MUNDURUKU-TAPAJOS_FOTO-GREENPEACE-ANDERSON-BARBOSA-e1482507603120.jpg\" alt=\"Mundurukus nos pedrais do Tapaj\u00f3s, que seriam submersos pela usina de S\u00e3o Luiz (Foto: Anderson Barbosa\/Greenpeace)\" width=\"650\" height=\"433\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 2016, um dos projetos fara\u00f4nicos mais insanos do setor de energia do pa\u00eds foi enterrado, na esteira da crise econ\u00f4mica e das pris\u00f5es dos empreiteiros da Lava Jato: a usina hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, um monstrengo que se aboletaria em uma das \u00faltimas zonas de floresta preservada cont\u00ednua do sul do Estado. A usina, de 8.040 megawatts, alagaria o equivalente a meia cidade de S\u00e3o Paulo para gerar como energia firme metade desse total, a um custo de R$ 30 bilh\u00f5es \u2013 que gra\u00e7as \u00e0 Lava Jato n\u00f3s <a href=\"http:\/\/noblat.oglobo.globo.com\/geral\/noticia\/2016\/12\/fraude-amazonica-20-12-2016.html\">sabemos como seriam gastos<\/a>.<\/p>\n<p>A presidente do Ibama, Suely Ara\u00fajo, <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/lava-jato-recessao-e-indios-enterraram-o-projeto-insano-da-usina-do-tapajos\/\">determinou em agosto o arquivamento do processo de licenciamento ambiental da hidrel\u00e9trica<\/a>, por insufici\u00eancia do EIA-Rima. Num passado n\u00e3o muito distante, teria sido demitida no ato.<\/p>\n<p>Ambientalistas, ribeirinhos e ind\u00edgenas comemoraram. Mas eis que, alguns meses depois, e Eletrobras <a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRKBN13Q4QP\">volta a falar na retomada de S\u00e3o Luiz<\/a>. N\u00e3o \u00e9 para agora: seria para 2022, quando o PIB qui\u00e7\u00e1 tenha voltado ao azul e a turma da engenharia esteja de volta das f\u00e9rias em Curitiba.<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong>A volta do que n\u00e3o foi<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<div id=\"attachment_861\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/amazonia-e1482507796193.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-861\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/amazonia-e1482507796193.jpg\" alt=\"\u00c1rea recentemente desmatada na Amaz\u00f4nia (Foto: Marizilda Cruppe\/Greenpeace)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea recentemente desmatada na Amaz\u00f4nia (Foto: Marizilda Cruppe\/Greenpeace)<\/p>\n<\/div>\n<p>Desta vez n\u00e3o houve pompa e circunst\u00e2ncia, nem bate\u00e7\u00e3o de bumbo na confer\u00eancia do clima. O desmatamento na Amaz\u00f4nia explodiu em 2016, e o governo sentou-se em cima dos dados at\u00e9 quando p\u00f4de. Ao contr\u00e1rio dos anos de queda na taxa, nos quais se convocava a indefect\u00edvel entrevista coletiva para anunciar a boa nova, <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/desmatamento-sobe-29-o-maior-em-8-anos\/\">a subida de 29%<\/a> (para quase 8.000 quil\u00f4metros quadrados) foi objeto de um estranho n\u00e3o-an\u00fancio: o ministro do Meio Ambiente divulgou as medidas pretendidas para conter a alta, mas recusou-se a informar de quanto ela foi \u2013 admitiu, por\u00e9m, que se trata de uma revers\u00e3o na curva, j\u00e1 que este \u00e9 o segundo ano consecutivo em que a taxa sobe. O dado s\u00f3 seria inserido no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais v\u00e1rias horas depois.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o significar\u00e1 mais 130 milh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub> na conta de emiss\u00f5es do Brasil em 2016, e um esfor\u00e7o redobrado para atingir o compromisso de cortar em 80% as emiss\u00f5es por devasta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia em 2020.<\/p>\n<p>O governo reagiu \u00e0 disparada das motosserras anunciando <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/publico-podera-monitorar-imoveis-rurais\/\">a divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos dados do Cadastro Ambiental Rural<\/a> \u2013 contendo imagens de sat\u00e9lite de mais de 3 milh\u00f5es de propriedades rurais, que agora podem ser monitoradas por qualquer cidad\u00e3o. O aumento da transpar\u00eancia causou como\u00e7\u00e3o entre os fazendeiros, que <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/cna-diz-que-vai-processar-sarney-por-car\/\">amea\u00e7aram processar o ministro<\/a> por \u201cviola\u00e7\u00e3o de privacidade\u201d.<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li><strong>Kigali e Montr\u00e9al salvam o dia\u2026<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/15591423551_b783071747_z.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4776\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/15591423551_b783071747_z.jpg\" alt=\"Imagem: Ach K\/Flickr\" width=\"640\" height=\"395\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em outubro, duas cidades sem nada em comum inscreveram seus nomes na hist\u00f3ria do combate \u00e0 mudan\u00e7a do clima. No come\u00e7o do m\u00eas, a rica Montr\u00e9al, no Canad\u00e1, foi palco de uma reuni\u00e3o da Oaci (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional da Avia\u00e7\u00e3o Civil) que fechou o <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/paises-aprovam-acordo-sobre-emissoes-de-aviacao\/\">primeiro acordo global<\/a> para conter as emiss\u00f5es do transporte a\u00e9reo internacional. Duas semanas depois, a pobre Kigali, palco do genoc\u00eddio de Ruanda de 1994, sediou o encontro que fechou um <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/paises-fecham-acordo-sobre-superpoluentes\/\">acordo contra uma categoria de gases \u201csuperpoluentes\u201d<\/a>, os HFCs. Juntas, as duas decis\u00f5es deram um pouco mais de esperan\u00e7a \u00e0 humanidade de evitar um aquecimento global catastr\u00f3fico.<\/p>\n<p>A Oaci adotou um mecanismo de mercado para compensar o crescimento das emiss\u00f5es da avia\u00e7\u00e3o internacional a partir de 2020. Se deixado sem controle, o setor cresceria suas emiss\u00f5es em 300% at\u00e9 2050, garantindo o estouro da meta de Paris. O novo mecanismo significa que tudo que a avia\u00e7\u00e3o internacional emitir a mais a partir de 2020 precisar\u00e1 ser neutralizado. Mas tem uma pegadinha: sua primeira fase, que vai at\u00e9 2026, \u00e9 de ades\u00e3o volunt\u00e1ria. E o Brasil, por exemplo, ainda n\u00e3o aderiu.<\/p>\n<p>Na capital de Ruanda, foi acordada uma emenda ao Protocolo de Montr\u00e9al (aquele da camada de oz\u00f4nio) para congelar e banir os HFCs. Esses gases substituem os nocivos CFCs em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. S\u00f3 que s\u00e3o gases de efeito estufa milhares de vezes mais potentes do que o CO<sub>2<\/sub>. A expectativa \u00e9 que a emenda de Kigali, que prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o dos HFCs a partir de 2019, possa evitar at\u00e9 0,5<sup>o<\/sup>C de aquecimento global neste s\u00e9culo.<\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li><strong>\u2026e Marrakesh mant\u00e9m a bola rolando<br \/>\n<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/terrachama-e1482507967910.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5056\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/terrachama-e1482507967910.jpg\" alt=\"Participantes da COP22 brincam com bola de pl\u00e1stico no \u00faltimo dia da confer\u00eancia de Marrakesh (Foto: OC)\" width=\"650\" height=\"428\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na \u00c1frica aconteceu em novembro a COP22, a confer\u00eancia do clima de Marrakesh. Ningu\u00e9m esperava muita coisa de Marrakesh, e de fato ela n\u00e3o entregou muita coisa: sua decis\u00e3o mais importante foi <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/reuniao-morna-termina-quente-em-marrakesh\/\">antecipar a data de finaliza\u00e7\u00e3o do manual de instru\u00e7\u00f5es de 2020 para 2018<\/a>.<\/p>\n<p>O fato mais importante de Marrakesh ocorreu fora da COP: a tr\u00e1gica elei\u00e7\u00e3o americana, que azedou o ambiente na Cidade Ocre nos primeiros dias de reuni\u00e3o. Havia a expectativa constante de que Trump fosse anunciar a qualquer momento a retirada dos EUA do acordo ou da Conven\u00e7\u00e3o do Clima. Isso n\u00e3o aconteceu (ainda). Mas o balde de \u00e1gua fria teve um efeito positivo, no final: todos os pa\u00edses reafirmaram seu compromisso pol\u00edtico de levar o Acordo de Paris a bom termo, com ou sem os Estados Unidos. E a China passou a despontar ao lado da Uni\u00e3o Europeia como l\u00edder no combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Insh\u2019allah.<\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li><strong>Diga-me quanto emites e eu te direi quanto vales<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/PETROBRAS-1-e1482508033768.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1831\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/PETROBRAS-1-e1482508033768.jpg\" alt=\"Foto: Petrobras\" width=\"650\" height=\"432\" \/><\/a><\/p>\n<p>2016 tamb\u00e9m foi marcado, ainda que discretamente, como o ano em que a finan\u00e7a mundial come\u00e7ou a entender a \u201cbolha de carbono\u201d. Uma for\u00e7a-tarefa criada no \u00e2mbito do G20, o grupo dos 20 maiores emissores, recomendou \u00e0s empresas que divulguem como gerenciam os riscos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causam a seus neg\u00f3cios e como est\u00e3o cortando as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>A For\u00e7a-Tarefa sobre Divulga\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas com o, criada pelo FSB (Conselho de Estabilidade Financeira) do G20, p\u00f4s suas recomenda\u00e7\u00f5es em consulta p\u00fablica em dezembro. Elas incluem a identifica\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e gerenciamento dos riscos e oportunidades relacionados ao clima. Tamb\u00e9m abrangem a descri\u00e7\u00e3o do impacto potencial sobre as empresas da limita\u00e7\u00e3o do aumento da temperatura global a 2<sup>o<\/sup>C \u2013 em especial sobre as ind\u00fastrias f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Esse setor poderia perder US$ 34 trilh\u00f5es em receitas at\u00e9 2040, j\u00e1 que cumprir o Acordo de Paris exige necessariamente que a maior parte das reservas de petr\u00f3leo e carv\u00e3o sejam deixadas no subsolo. O presidente do Banco da Inglaterra e do FSB, Mark Carney, tem alertado desde o ano passado para a chamada \u201cbolha de carbono\u201d, ou o risco de manter investimentos em ativos f\u00f3sseis que tendem a virar passivos muito em breve com as regula\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a expans\u00e3o vertiginosa das energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li><strong>Emiss\u00f5es de metano disparam<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/bois-e1482508077585.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5173\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/bois-e1482508077585.jpg\" alt=\"Gado em pasto degradado na Amaz\u00f4nia: rebanho bovino lidera emiss\u00f5es de metano do Brasil (Foto: Ipam)\" width=\"650\" height=\"317\" \/><\/a><\/p>\n<p>O ano poderia ter acabado sem mais essa: em dezembro, o cons\u00f3rcio internacional Global Carbon Project publicou o balan\u00e7o global do metano, o segundo g\u00e1s de efeito estufa mais importante. E concluiu que o aumento da concentra\u00e7\u00e3o dessa subst\u00e2ncia na atmosfera <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/gas-metano-dispara-e-ameaca-meta-de-2-graus\/\">cresceu 14 vezes<\/a> entre o come\u00e7o do s\u00e9culo e 2012. As causas ainda s\u00e3o tema de debate, mas a agropecu\u00e1ria e o desmatamento s\u00e3o apontadas como vil\u00e3s. Outro fator que pode ter feito a diferen\u00e7a \u00e9 um aumento brutal das emiss\u00f5es de metano por ecossistemas tropicais, em especial na Am\u00e9rica do Sul. Os cientistas n\u00e3o descartam que isso possa ser j\u00e1 um dos temidos \u201cfeedbacks positivos\u201d do aquecimento global: emiss\u00f5es aumentam a temperatura, que perturba os ecossistemas, que aumentam ainda mais as emiss\u00f5es, num c\u00edrculo vicioso.<\/p>\n<ol start=\"16\">\n<li><strong>Obama e Ban Ki-moon cumprem suas promessas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/un.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5261\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/un.jpg\" alt=\"(Foto: UN Photo)\" width=\"650\" height=\"433\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 2016, dois l\u00edderes mundiais terminam seus mandatos na condi\u00e7\u00e3o de her\u00f3is da luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica: o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente dos EUA, Barack Obama.<\/p>\n<p>Obama assumiu em 2009 com o p\u00e9 esquerdo: uniu-se \u00e0 China para melar a confer\u00eancia do clima de Copenhague, frustrando a expectativa de 7 bilh\u00f5es de pessoas interessadas num acordo que pudesse garantir a seguran\u00e7a do planeta. Em seu segundo mandato, ele se redimiu.<\/p>\n<p>O havaiano surfou a boa onda do g\u00e1s natural, que come\u00e7ara a substituir o carv\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de energia, e limitou as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> das termel\u00e9tricas via Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, contornando o Congresso republicano. No final de 2014, costurou com a China o entendimento que tornou poss\u00edvel o Acordo de Paris. Em 2015, baixou o Plano de Energia Limpa, destinado a cumprir as metas da NDC americana. E, nos \u00faltimos dias de mandato, jogou uma casca de banana para Donald Trump: usou uma obscura lei de 1953 para <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/us-news\/2016\/dec\/20\/barack-obama-bans-oil-gas-drilling-arctic-atlantic\">proibir toda a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s no \u00c1rtico e na costa atl\u00e2ntica dos Estados Unidos<\/a>.<\/p>\n<p>O sul-coreano Ban era um virtual desconhecido de sotaque engra\u00e7ado em 2007, quando assumiu a ONU no lugar do carism\u00e1tico Kofi Annan. N\u00e3o tardou a identificar no combate ao aquecimento global uma potencial t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para o multilateralismo e uma oportunidade de a desacreditada organiza\u00e7\u00e3o mostrar sua relev\u00e2ncia. Agigantou-se \u2013 sem perder a discri\u00e7\u00e3o. Girou o mundo martelando \u00e0 exaust\u00e3o o discurso de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel combater a pobreza sem agir tamb\u00e9m contra o caos clim\u00e1tico. Foi um dos mentores do Acordo de Paris e o principal <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/ban-pede-ratificacao-de-paris-em-setembro\/\">respons\u00e1vel por sua entrada antecipada em vigor<\/a>. Em sua \u00faltima entrevista coletiva numa COP, em Marrakesh, <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/hollande-fustiga-trump-na-cop22\/\">lan\u00e7ou um sutil desafio<\/a> a Donald Trump sobre a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: \u201cO que antes era uma uni\u00e3o impens\u00e1vel de pa\u00edses em torno do objetivo clim\u00e1tico agora \u00e9 algo irrefre\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos das imagens<\/strong><\/p>\n<p>1. Nasa<br \/>\n2. Addres Latif\/Reuters<br \/>\n3. Wikimedia Commons<br \/>\n4. Corbis<br \/>\n5. Olympic.org<br \/>\n6. Nasa<br \/>\n7. Rodolfo Stuckert\/C\u00e2mara dos Deputados<br \/>\n8. Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n9. The Ocean Agency \/ XL Catlin Seaview Survey<br \/>\n10. Greenpeace<br \/>\n11. Marizilda Cruppe\/Greenpeace<br \/>\n12. Ach K\/Flickr<br \/>\n13. Claudio Angelo\/OC<br \/>\n14. Petrobras<br \/>\n15. Ipam<br \/>\n16. UN Photo<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Observat\u00f3rio do Clima de 23 de dezembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relembre nesta retrospectiva os principais eventos e personagens que tornaram o ano que termina.\u00a0um marco, para o bem e para o mal, na hist\u00f3ria do combate ao aquecimento da Terra. Para o bem e para o mal, 2016 foi um ano e tanto na luta contra a crise do clima. 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