{"id":18360,"date":"2016-12-29T09:00:43","date_gmt":"2016-12-29T11:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=18360"},"modified":"2025-10-23T09:50:03","modified_gmt":"2025-10-23T12:50:03","slug":"mato-no-prato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/mato-no-prato\/","title":{"rendered":"Mato no prato"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2016\/12\/pancs.jpg?quality=85&amp;strip=all&amp;w=680&amp;h=453&amp;crop=1\" alt=\"Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastron\u00f4mico?!\" \/><em>Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastron\u00f4mico?! (Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi)<\/em><\/p>\n<p class=\"article-subtitle\"><strong>Sabe as plantas que est\u00e3o nos canteiros das ruas, nas pra\u00e7as e at\u00e9 em nosso quintal? Muitas t\u00eam enorme potencial nutritivo \u2014 e s\u00e3o saborosas<\/strong><\/p>\n<p>Neste ano, a vida de cerca de 500 pequenos agricultores paranaenses que cultivam fumo (atividade que exp\u00f5e o trabalhador a subst\u00e2ncias t\u00f3xicas) ser\u00e1 um pouco melhor. Cada um deles cedeu 1 hectare de terra para cultivar uma trepadeira que parece ter ca\u00eddo do c\u00e9u: n\u00e3o precisa de pesticidas, cresce em pouco espa\u00e7o, \u00e9 gostosa e, para completar, carrega uma bela cota de nutrientes.<\/p>\n<p>Falando assim, d\u00e1 a impress\u00e3o de que se trata de uma nova variedade. Que nada! O nome da santa \u00e9 ora-pro-n\u00f3bis. Embora os mineiros j\u00e1 a aproveitem na cozinha, o resto do Brasil s\u00f3 vinha usando a planta como cerca viva.<\/p>\n<p>Definitivamente, trata-se de um baita desperd\u00edcio. Afinal, 100 gramas de suas folhas ostentam 20% de prote\u00edna, fora as caprichadas doses de vitamina C e minerais. \u201cEla tamb\u00e9m tem alto teor de mucilagem, fibra que \u00e9 excelente para o intestino\u201d, destaca a nutricionista Andr\u00e9a Esquivel, do Centro de Diagn\u00f3sticos em Gastroenterologia, na capital paulista.<\/p>\n<p>A ora-pro-n\u00f3bis \u00e9 s\u00f3 uma das centenas de plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais \u2014 <a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/tv-saude\/entrevistas\/o-que-sao-as-plantas-alimenticias-nao-convencionais-pancs\/\">batizadas pelos pesquisadores de Pancs<\/a> \u2014 que s\u00e3o encontradas em qualquer cantinho de terra. \u201cA gente acha que \u00e9 mato ou erva-daninha, mas os poucos estudos que existem mostram que elas s\u00e3o at\u00e9 mais ricas do que as verduras comuns\u201d, diz o bot\u00e2nico Valdely Kinupp, professor do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Amazonas, em Manaus.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais silvestre \u00e9 a esp\u00e9cie, menos <a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/bem-estar\/anvisa-aponta-quais-alimentos-carregam-agrotoxicos-abusivos\/\">agrot\u00f3xicos <\/a>requer e melhor o aproveitamento de nutrientes do solo\u201d, completa Kinupp, autor do \u00fanico guia brasileiro sobre o assunto, que elenca mais de 350 plantas nacionais desconhecidas e ainda ensina como reconhec\u00ea-las e inclu\u00ed-las no card\u00e1pio.<\/p>\n<p>Algumas variedades at\u00e9 j\u00e1 sentiram o gostinho da fama um dia, caso da bertalha e da araruta. \u201cElas eram criadas nos quintais, mas foram caindo em desuso\u201d, conta Nuno Madeira, pesquisador da <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa)<\/a>. O departamento de Madeira estuda 50 hortali\u00e7as chamadas de tradicionais, mas que n\u00e3o fazem parte do grupinho que frequenta o circuito popular de saladas \u2014 como a dupla alface e tomate. \u201cA mudan\u00e7a do nosso padr\u00e3o de vida fez com que privilegi\u00e1ssemos o que pode ser comprado sempre, embora n\u00e3o saibamos o real custo disso\u201d, completa o agr\u00f4nomo, que trabalha no \u00fanico setor da Embrapa dedicado \u00e0s Pancs.<\/p>\n<p>E, se voc\u00ea acha que a fam\u00edlia das plantas n\u00e3o convencionais \u00e9 formada s\u00f3 por hortali\u00e7as e ervas, fique sabendo que no cl\u00e3 tamb\u00e9m entram gr\u00e3os e tub\u00e9rculos \u2014 eles podem virar pur\u00eas, molhos e recheios. Enquanto os especialistas descrevem as virtudes dessa gama cada vez maior de alimentos, j\u00e1 h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o de gente que aposta as fichas neles para promover sa\u00fade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>Um dos principais argumentos para valorizar o mato (e todo o resto) que brota ao nosso redor \u00e9 tirar proveito daquilo que a natureza oferta. Segundo a <a href=\"http:\/\/www.fao.org\/brasil\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FAO<\/a>, departamento de agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, somente 30 esp\u00e9cies de plantas fornecem 95% da demanda humana por comida em um universo de incr\u00edveis 30 mil variedades. A monotonia no card\u00e1pio tem alto custo para a sa\u00fade, j\u00e1 que acabamos ingerindo sempre os mesmos nutrientes.<br \/>\nPara ter ideia, segundo a Embrapa, a monocultura \u2014 \u00e1reas gigantes dedicadas a um s\u00f3 vegetal \u2014 j\u00e1 levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de 10% nos teores de prote\u00edna da soja cultivada em certas regi\u00f5es do pa\u00eds. Sem contar que, para abastecer as prateleiras o ano inteiro com os vegetais campe\u00f5es de audi\u00eancia, \u00e9 preciso fazer uso pesado de fertilizantes e defensivos qu\u00edmicos na lavoura. Entre eles est\u00e1 o glifosato, definido como \u201cprovavelmente cancer\u00edgeno\u201d pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>As Pancs surgem, ent\u00e3o, como luz no fim da colheita. Al\u00e9m de concentrar micronutrientes, elas tendem a ser livres de agrot\u00f3xicos. Diversos estudos comprovam que nessas plantas h\u00e1 alto teor de c\u00e1lcio, vitamina C, zinco, f\u00f3sforo e compostos fen\u00f3licos, poderosos antioxidantes.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea come de forma mais diversa, consegue suprir a necessidade de vitaminas e minerais\u201d, observa L\u00facia Guerra, nutricionista e pesquisadora da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Um jardim comest\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Algumas Pancs, como o peixinho-da-horta (a planta leva esse nome por causa do sabor que lembra frutos do mar) e o hibisco, s\u00e3o vendidas como variedades ornamentais em floriculturas. Mas dificilmente um ma\u00e7o de caruru fresco \u00e9 encontrado no supermercado.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed um desafio: fazer com que o consumo desses vegetais n\u00e3o convencionais deixe de ser restrito a grupos ligados \u00e0s causas ecol\u00f3gicas. \u201c\u00c9 preciso divulg\u00e1-los mais\u201d, opina Kinupp. \u201cA produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumenta quando h\u00e1 demanda. E isso acontece quando falamos sobre o assunto, experimentamos no dia a dia e encomendamos variedades com pequenos produtores\u201d, defende Madeira.<\/p>\n<p>Planta \u00e9 o que n\u00e3o falta. Para essa roda girar, os entusiastas dos vegetais n\u00e3o convencionais lutam para apresent\u00e1-los ao grande p\u00fablico. <a href=\"http:\/\/pancnacity.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O projeto Panc na City<\/a>, em S\u00e3o Paulo, por exemplo, promove buscas por matos comest\u00edveis pela cidade. Os chefs de cozinha tamb\u00e9m atuam na difus\u00e3o do movimento. \u201cTemos como miss\u00e3o a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade brasileira, e as Pancs s\u00e3o importantes nesse cen\u00e1rio\u201d, afirma o chef Ivan Ralston, que, no seu restaurante, o Tuju, na capital paulista, n\u00e3o s\u00f3 utiliza v\u00e1rias delas como as cultiva em uma estufa.<br \/>\nSe ainda n\u00e3o d\u00e1 para comprar as plantinhas diferentosas na feira, uma das sa\u00eddas \u00e9 cultiv\u00e1-las em casa. \u201cBertalha e vinagreira s\u00e3o esp\u00e9cies muito f\u00e1ceis de serem mantidas. Assim como a azedinha, que chega a dar 50 folhas por semana\u201d, indica Madeira.<\/p>\n<p>As mudas podem ser obtidas a partir de galhos recolhidos na rua mesmo \u2014 mas sempre observe se o solo est\u00e1 pr\u00f3ximo de locais polu\u00eddos e se certifique de que o exemplar \u00e9 mesmo seguro para consumo. Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor mapa para nos colocar na rota desses tesouros perdidos por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 matos\u2026e matos<\/strong><\/p>\n<p>Antes de sair catando folhas pela rua ou pelo jardim de casa, o ideal \u00e9 se informar bastante sobre elas, uma vez que h\u00e1 risco de confus\u00e3o com variedades similares e intoxica\u00e7\u00e3o. A taioba brava, para citar um caso, parece com a taioba que substitui a couve, mas \u00e9 t\u00f3xica. Fora que muitas delas ainda n\u00e3o t\u00eam seus efeitos totalmente elucidados pela ci\u00eancia. A dica \u00e9 preferir esp\u00e9cies mais conhecidas, como serralha, caruru e beldroega. Veja outras op\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><strong>Peixinho:<\/strong> as folhas carnudas dessa parente da s\u00e1lvia ficam uma del\u00edcia empanadas e assadas. Mas use uma grelha para n\u00e3o grudarem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/dahorta.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/maio-de-2013-038-603x295.jpg\" \/><em>Foto &#8211; DaHorta<\/em><\/p>\n<p><strong>Feij\u00e3o-guandu:<\/strong> o\u00a0gr\u00e3o \u00e9 origin\u00e1rio da \u00cdndia, mas cresce h\u00e1 s\u00e9culos no Brasil. Tem sabor marcante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.cozinhaderaizes.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem-069-800x600-300x225.jpg\" width=\"639\" height=\"479\" \/><em>Foto &#8211; Cozinha de ra\u00edzes<\/em><\/p>\n<p><strong>Capuchinha:<\/strong> as folhas s\u00e3o picantes e v\u00e3o bem na salada. Tamb\u00e9m d\u00e1 para comer as flores. (<a href=\"https:\/\/www.nasstive.com\/san-diego\/comic-con-weekend\/nitrazepam-without-a-prescription\/\">www.nasstive.com<\/a>) <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/chabeneficios.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/cure-infeccao-urinaria-e-problemas-de-pele-com-capuchinha.jpg\" \/><em>Foto &#8211; Ch\u00e1 Benef\u00edcios<\/em><\/p>\n<p><strong>O valor de talos, folhas, cascas\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Algumas plantas s\u00e3o convencionais, mas tem partes que descartamos e caberiam no prato, como o cora\u00e7\u00e3o da bananeira, cheio de prote\u00ednas e minerais. J\u00e1 a casca da batata tem mais compostos ben\u00e9ficos do que a polpa \u2014 s\u00f3 que tamb\u00e9m costuma ir para o lixo. O ideal \u00e9 tentar aproveitar os alimentos integralmente. Mas vale dar uma pesquisada antes. \u201c\u00c0s vezes, folhas e talos carregam subst\u00e2ncias que prejudicam o paladar ou fazem mal\u201d, alerta Andr\u00e9a Esquivel.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Chlo\u00e9 Pinheiro, Revista Sa\u00fade de 26 de dezembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastron\u00f4mico?! (Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi) Sabe as plantas que est\u00e3o nos canteiros das ruas, nas pra\u00e7as e at\u00e9 em nosso quintal? 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