{"id":18478,"date":"2017-01-25T09:00:17","date_gmt":"2017-01-25T11:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=18478"},"modified":"2017-01-09T14:42:42","modified_gmt":"2017-01-09T16:42:42","slug":"queimadas-destroem-78-da-biodiversidade-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/queimadas-destroem-78-da-biodiversidade-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Queimadas destroem 78% da biodiversidade da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazonia.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/fogo-queimadas.jpg\" alt=\"Queimada no Par\u00e1 (Foto: Daniel Beltra\/Greenpeace)\" \/><em>Queimada no Par\u00e1 (Foto: Daniel Beltra\/Greenpeace)<\/em><\/p>\n<p><strong>Estudo apresentado pela RAS afirma que ap\u00f3s 25 anos, a floresta pode se recuperar, mas com uma vegeta\u00e7\u00e3o diferente da original.<\/strong><\/p>\n<p>Os motivos que provocam a ocorr\u00eancia de queimadas na Floresta Amaz\u00f4nica\u00a0s\u00e3o diversos, mas um estudo divulgado pela Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel (RAS) aponta um dado preocupante: cerca de 78% das esp\u00e9cies de plantas e animais sofrem redu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s uma \u00e1rea ser atingida pelo fogo. Somado a isso h\u00e1, ainda, a elimina\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 40% do estoque de carbono da mesma \u00e1rea, o que contribui, significativamente, para o efeito estufa, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais alarmante quando se avalia que a floresta afetada pode nunca mais se recuperar, uma vez que h\u00e1 possibilidade de determinada \u00e1rea ser novamente atingida pelo fogo. Se realizado de forma cont\u00ednua, esse processo pode levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores, p\u00e1ssaros e outras esp\u00e9cies nativas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Segundo o levantamento, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 94% das esp\u00e9cies de plantas, 54% de aves e 86% de besouros.<\/p>\n<p>O pesquisador brit\u00e2nico Jos Barlow, da Universidade de Lancaster ( Reino Unido), \u00e9 membro da RAS. Ele explica que a biodiversidade das florestas intactas \u00e9 insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cEm um panorama de 25 anos percebemos que a floresta recuperou sua paisagem, mas com uma vegeta\u00e7\u00e3o diferente da original. N\u00e3o temos dados de quanto tempo uma \u00e1rea atingida pelo fogo demoraria para recuperar a sua biodiversidade e nem se ela pode mesmo voltar a se recuperar\u201d, pontua Barlow.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/QUEIMADAS-INCENDIO-FLORESTAL-SANTAREM-2015_FOTO-Adam-Ronan_ECOFOR-6-1024x768.jpg\" alt=\"Jos Barlow \u00e9 pesquisador da biodiversidade do ecossistema tropical (Foto: Adam Renan\/ECOFOR)\" \/><em>Jos Barlow \u00e9 pesquisador da biodiversidade do ecossistema tropical (Foto: Adam Renan\/ECOFOR)<\/em><\/p>\n<p>Barlow disse que esp\u00e9cies raras, amea\u00e7adas globalmente, s\u00f3 s\u00e3o encontradas na Amaz\u00f4nia no que eles denominaram \u201cfloresta prim\u00e1ria intacta\u201d. Esses exemplares sofrem tanto com o corte seletivo quanto com as queimadas. \u201cA paisagem, a floresta, muda muito com a a\u00e7\u00e3o do homem. Por exemplo, manter a cobertura florestal de 80% em uma floresta prim\u00e1ria n\u00e3o significa prote\u00e7\u00e3o para o mesmo valor da sua biodiversidade. \u00c0s vezes isso det\u00e9m, apenas, 50% de conserva\u00e7\u00e3o para p\u00e1ssaros e besouros\u201d, explica. Pensar que h\u00e1 esp\u00e9cies que n\u00e3o conseguem viver desassociadas das florestas pode fazer surgir um estado de alerta sobre o desmatamento.<\/p>\n<p><strong>As taxas do desmatamento<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/SLIDE-QUEIMADAS-PARA-DESMATAMENTO-AMAZONIA_FOTO-RODRIGO-BALEIA-GREENPEACE-1024x683.jpg\" alt=\"Queima de pastagem em \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia (Foto: Rodrigo Baleia\/Greenpeace)\" \/><em>Queima de pastagem em \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia (Foto: Rodrigo Baleia\/Greenpeace)<\/em><\/p>\n<p>Dados do Programa de Monitoramento de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)\u00a0mostram que houve redu\u00e7\u00e3o de mais de 25 mil km\u00b2 da Floresta Amaz\u00f4nica, em 2004, para cerca de 6.200 mil km\u00b2, em 2015.<\/p>\n<p>Embora os n\u00fameros sejam positivos, os focos de inc\u00eandios somaram 87 mil no mesmo ano e foram intensificados pelo fen\u00f4meno clim\u00e1tico El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero foi 48% maior do que em 2014 e 23% quando comparado com 2010, quando houve uma estiagem de menor intensidade. Barlow diz que estava mais otimista, uma vez que essa redu\u00e7\u00e3o foi acompanhada por aperfei\u00e7oamento no monitoramento e em avan\u00e7os na cobertura do Cadastro Ambiental Rural (CAR). \u201cO problema \u00e9 que os dados de 2015 e as previs\u00f5es para 2016 de mais de 8 mil km\u00b2 s\u00e3o realmente assustadores\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/27622-o-que-e-o-cadastro-ambiental-rural-car\/\" target=\"_blank\">CAR<\/a> \u00e9 um registro eletr\u00f4nico obrigat\u00f3rio para todos os im\u00f3veis rurais para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento\u00a0das florestas do Brasil.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os fatores que contribuem para as queimadas: extra\u00e7\u00e3o madeireira ilegal, mudan\u00e7a clim\u00e1tica (que resulta em estiagens mais longas), florestas degradadas, ca\u00e7a predat\u00f3ria, abertura de clareiras, manejo do solo por meio do processo de corte e queima. Segundo a pesquisa da RAS, as queimadas praticadas na Amaz\u00f4nia \u2013 inclusive aquelas que acontecem no interior da floresta \u2013 s\u00e3o resultado da a\u00e7\u00e3o do homem. A falta de responsabiliza\u00e7\u00e3o das pessoas envolvidas pelos crimes ambientais, de pol\u00edticas p\u00fablicas agravam o processo de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O fogo em Santar\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/QUEIMADAS-INCENDIO-FLORESTAL-SANTAREM-2015_FOTO-Adam-Ronan_ECOFOR-7.jpg\" alt=\"Inc\u00eandio florestal em Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1 (Foto: Adam Ronan\/ECOFOR)\" \/><em>Inc\u00eandio florestal em Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1 (Foto: Adam Ronan\/ECOFOR)<\/em><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, 43% dos 576 produtores entrevistados sofreram alguma perda financeira devido \u00e0s queimadas. Mas dentre tantos casos, o de Santar\u00e9m, munic\u00edpio localizado no oeste do Par\u00e1, foi o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o: foram mais de 74 mil km\u00b2 de florestas destru\u00eddas, \u00e1rea maior do que a desmatada em toda a Amaz\u00f4nia Legal em 2015.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo foram destru\u00eddas as florestas, as planta\u00e7\u00f5es, as pastagens e at\u00e9 casas. Como n\u00e3o se imputa responsabilidade a algu\u00e9m, at\u00e9 hoje os trabalhadores que tiveram bens econ\u00f4micos tomados pelo fogo n\u00e3o receberam qualquer tipo de indeniza\u00e7\u00e3o. Manoel Edivaldo Santos Matos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santar\u00e9m, conta que o fogo cercava as planta\u00e7\u00f5es e casas por todos os lados. \u201cQuando ach\u00e1vamos que o fogo estava controlado, encontr\u00e1vamos outro foco. Foi muito triste\u201d, relembra.<\/p>\n<p>O caso foi t\u00e3o devastador em Santar\u00e9m que at\u00e9 a Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s foi atingida. As popula\u00e7\u00f5es tradicionais perderam planta\u00e7\u00f5es inteiras de caf\u00e9, pimenta-do-reino, cupua\u00e7u, laranja, graviola e outros cultivos. Entre as perdas, Matos recorda de duas que o marcaram: a de um agricultor que viu a moradia da fam\u00edlia ser destru\u00edda pelo fogo e a de uma planta\u00e7\u00e3o de seis mil p\u00e9s de pimenta-do-reino em que s\u00f3 conseguiram se salvar 300.<\/p>\n<p>\u201cO que todas essas pessoas perderam ficou por isso mesmo, porque n\u00e3o recebemos nenhuma ajuda. \u00c9 preciso que todos tenham aten\u00e7\u00e3o especial com a regi\u00e3o. N\u00f3s precisamos proteger as florestas, porque a Amaz\u00f4nia\u00a0\u00e9 muito importante para o mundo\u201d, defende Matos.<\/p>\n<p><strong>O agricultor precisa do fogo?<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/QUEIMADAS-INCENDIO-FLORESTAL-SANTAREM-2015_FOTO-Adam-Ronan_ECOFOR-4-1024x768.jpg\" alt=\"Queimada em \u00e1rea agr\u00edcola em Santar\u00e9m (Foto: Adam Ronan\/ECOFOR)\" \/><em>Queimada em \u00e1rea agr\u00edcola em Santar\u00e9m (Foto: Adam Ronan\/ECOFOR)<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/QUEIMADAS-INCENDIO-FLORESTAL-SANTAREM-2015_FOTO-Jos-Barlow-4-1024x680.jpg\" alt=\"A pesquisadora brasilera \u00c9rika Berenguer, tamb\u00e9m pesquisadora da Universidade de Lancaster (Foto: Jos Barlow\/2015)\" \/><em>A pesquisadora brasilera \u00c9rika Berenguer, tamb\u00e9m pesquisadora da Universidade de Lancaster (Foto: Jos Barlow\/2015)<\/em><\/p>\n<p>Os preju\u00edzos das queimadas s\u00e3o incontest\u00e1veis, mas ao olhar para a realidade do pequeno produtor \u00e9 preciso questionar se ele tem condi\u00e7\u00f5es de substituir o processo de corte e queima como meio de arar a terra. Segundo pesquisa da RAS, na qual foram entrevistados 576 pequenos produtores, 56% afirmaram n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es financeiras e t\u00e9cnicas para praticar uma agricultura livre do fogo.<\/p>\n<p>\u00c9rika Berenguer, tamb\u00e9m pesquisadora da Universidade de Lancaster, diz que os donos de propriedades com mais de 500 hectares optam cada vez mais por uma agricultura livre de queimadas, via mecaniza\u00e7\u00e3o. Os agricultores com menos de 100 hectares informaram n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de abandonar esta pr\u00e1tica. \u201cO processo de mecaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel para todos os pequenos produtores. Por isso, muitos ainda dependem do processo [do fogo], mas este acaba, por vezes, prejudicando o pr\u00f3prio agricultor\u201d, diz.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que, para alguns agricultores, o fogo ainda \u00e9 uma alternativa \u201cbarata\u201d de preparar a terra para o pasto ou ro\u00e7ado. Ao utilizar a t\u00e9cnica, mesmo com o uso de aceiros (barreiras que demarcam e limitam a \u00e1rea a ser queimada), o fogo pode sair do controle, sobretudo em \u00e9pocas de seca extrema. O inc\u00eandio fora de controle pode atingir propriedades vizinhas e as florestas, onde o combate fica ainda mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Berenguer contesta o uso da express\u00e3o \u201cbarato\u201d, dizendo que \u201co fogo \u00e9 um dano sem benef\u00edcio\u201d. Dos entrevistados, metade assumiu que j\u00e1 sofreu alguma perda financeira para o fogo. Em 86% dos casos, os inc\u00eandios v\u00eam de fora da propriedade \u2013 ou seja, n\u00e3o s\u00e3o causados pelo agricultor. \u201cIsso gera grande inseguran\u00e7a entre os produtores, que investem menos em medidas de controle das queimadas e em usos do solo mais rent\u00e1veis, como a fruticultura, com medo de perd\u00ea-las\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Outro n\u00famero que mostra o comportamento do pequeno agricultor diante do fogo diz que 91% deles constroem aceiros para que as chamas n\u00e3o se alastrem; 70% das queimadas s\u00e3o feitas contra o vento; mas somente 7% dos trabalhadores evitam o per\u00edodo mais quente do dia para iniciar o processo. Para Berenguer, as medidas de preven\u00e7\u00e3o ter\u00e3o maior efetividade quando realizadas junto \u00e0s comunidades e n\u00e3o direcionadas somente para a propriedade. Outra alternativa seria o apoio no emprego de maquin\u00e1rio, seguido de insumos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u201cO maquin\u00e1rio ajudaria a evitar as queimadas, mas talvez trouxesse outros problemas que ainda n\u00e3o podemos mensurar\u201d, afirma a pesquisadora carioca \u00c9rika Berenguer.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado nos munic\u00edpios de Paragominas, Santar\u00e9m, Belterra e Moju\u00ed dos Campos, todos no Par\u00e1. Nele foi constatado que somente 6% dos pequenos produtores possuem maquin\u00e1rio; mesmo assim, aqueles que fazem o uso dos equipamentos alugam de outros propriet\u00e1rios. Desse n\u00famero, 10% possuem acesso \u00e0s m\u00e1quinas por meio de programas governamentais.<\/p>\n<p><strong>O efeito estufa<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/QUEIMADAS-INCENDIO-FLORESTAL-SANTAREM-2015_FOTO-Jos-Barlow-2.jpg\" alt=\"Queimada na floresta em Santar\u00e9m, oeste do Par\u00e1 (Foto: Jos Barlow\/2015)\" \/><em>Queimada na floresta em Santar\u00e9m, oeste do Par\u00e1 (Foto: Jos Barlow\/2015)<\/em><\/p>\n<p>Em 2010, os inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia brasileira levaram a uma emiss\u00e3o de 15 milh\u00f5es de toneladas de carbono, o que equivale a quase metade das emiss\u00f5es do setor energ\u00e9tico do pa\u00eds no mesmo ano, segundo estudo da Global Biogeochem Cycles, divulgado em 2015.<\/p>\n<p>Berenguer explica que \u00e1reas devastadas s\u00e3o mais f\u00e1ceis de serem atingidas pelo inc\u00eandio. \u201cEssas florestas s\u00e3o mais abertas e, portanto, mais secas, facilitando a ocorr\u00eancia das queimadas\u201d, detalha. O Brasil precisa controlar o desmatamento e as queimadas na Amaz\u00f4nia para cumprir com as metas de redu\u00e7\u00e3o dos gases de efeito estufa, dizem os pesquisadores.<\/p>\n<p>Na pesquisa foram apresentados dados sobre a que teve mais impacto sobre as escolhas dos produtores. \u201cN\u00f3s percebemos uma grande lacuna com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o sobre o uso do fogo, o que pode ser resolvido por meio de programas educacionais\u201d, explica \u00c9rika Berenguer.<\/p>\n<p>Os cientistas pontuam que, apesar do estudo, as iniciativas devem ser realizadas pelo poder p\u00fablico. \u201cEm nossos estudos cabe apresentar os dados e as preocupa\u00e7\u00f5es, mas as solu\u00e7\u00f5es devem ser feitas a n\u00edvel dos atores sociais respons\u00e1veis\u201d, aponta Berenguer.<\/p>\n<p><strong>O pequeno produtor<\/strong><\/p>\n<p>O termo \u201cpequeno produtor\u201d ainda \u00e9 alvo de cr\u00edticas quando se quer apresentar dados de queimadas diferentes do desmatamento cometido pelos donos das grandes propriedades. O pequeno agricultor pode se configurar em agricultor familiar, campon\u00eas, os quilombolas, os ind\u00edgenas, os ribeirinhos, por exemplo.<\/p>\n<p>Eliane Moreira, procuradora licenciada do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Par\u00e1 e doutoranda da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), pesquisa territ\u00f3rios coletivos e atenta para a necessidade de se questionar a express\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMuito se faz em prol do grande propriet\u00e1rio de terra, mas n\u00e3o h\u00e1 estudos que acompanhem a trajet\u00f3ria rural das comunidades tradicionais. Elas, sem d\u00favida, est\u00e3o \u00e0 margem das pol\u00edticas de incentivo. Um exemplo disso s\u00e3o os esfor\u00e7os que abrangem o Cadastro Ambiental Rural\u201d, defende Moreira.<\/p>\n<p>Segundo a procuradora, h\u00e1 uma demanda real de incentivos para essas comunidades, tanto de acesso \u00e0 terra quanto de assentamento e cr\u00e9dito rural. E quando se fala do uso do fogo n\u00e3o h\u00e1 uma uniformidade. \u201cEles t\u00eam uma compreens\u00e3o de que essa talvez n\u00e3o seja a melhor t\u00e9cnica, mas ainda n\u00e3o est\u00e3o empoderados o suficiente para abandonar essa tecnologia ultrapassada e n\u00e3o t\u00eam acesso a novas formas de arar a terra\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>O que diz a Semas?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Secretaria de Meio Ambiente do Par\u00e1 (Sema), s\u00e3o realizadas reuni\u00f5es peri\u00f3dicas, comumente no in\u00edcio do ano, entre a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e institui\u00e7\u00f5es parceiras, em que s\u00e3o discutidas as condi\u00e7\u00f5es atuais e os progn\u00f3sticos para os pr\u00f3ximos anos e, assim, desenvolver a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0s queimadas no estado.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da secretaria, em 2016 os munic\u00edpios em que mais foram detectados focos de queimadas s\u00e3o Altamira, S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu e Novo Progresso. Com rela\u00e7\u00e3o a 2015, houve redu\u00e7\u00e3o dos focos de inc\u00eandio: 80% em Altamira, 200% em S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu e 35% em Novo Progresso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/DESMATAMENTO-ILEGAL-AMAZONIA-CURUA-UNA-PARA_FOTO-MARIZILDA-CRUPPE-GREENPEACE-1024x682.jpg\" alt=\"Caminh\u00f5es carregados de madeira aguardam a travessia do rio Curu\u00e1-Una, pr\u00f3ximo a Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1 (Foto: Marizilda Cruppe\/Greenpeace)\" \/><em>Caminh\u00f5es carregados de madeira aguardam a travessia do rio Curu\u00e1-Una, pr\u00f3ximo a Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1 (Foto: Marizilda Cruppe\/Greenpeace)<\/em><\/p>\n<p>Fonte &#8211; Catarina Barbosa, Amaz\u00f4nia Real de 21 de dezembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queimada no Par\u00e1 (Foto: Daniel Beltra\/Greenpeace) Estudo apresentado pela RAS afirma que ap\u00f3s 25 anos, a floresta pode se recuperar, mas com uma vegeta\u00e7\u00e3o diferente da original. 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