{"id":18960,"date":"2017-03-19T09:00:51","date_gmt":"2017-03-19T12:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=18960"},"modified":"2017-03-06T13:31:06","modified_gmt":"2017-03-06T16:31:06","slug":"o-colapso-inevitavel-e-o-antropoceno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-colapso-inevitavel-e-o-antropoceno\/","title":{"rendered":"O colapso (in)evit\u00e1vel e o Antropoceno"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-2LH98UAl7WQ\/WLhMoArp7lI\/AAAAAAAAD5I\/lgJ8Nt10lRkRJE4Vy8M-6OK_-t0KQCu9ACLcB\/s1600\/antropoceno.png\" \/><\/p>\n<p>O sistema produtivo capitalista experimentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas enormes transforma\u00e7\u00f5es, que colocaram o planeta sob intensa press\u00e3o no que diz respeito \u00e0s fontes de mat\u00e9rias-primas e de energia. A China virou um enorme galp\u00e3o de f\u00e1brica, a ser alimentado por carv\u00e3o e g\u00e1s para suas termel\u00e9tricas, min\u00e9rio de ferro, cobre e metais raros para eletro-eletr\u00f4nicos, pl\u00e1stico e qu\u00edmicos diversos. Por todo o globo, a frota automobil\u00edstica e tamb\u00e9m a frota a\u00e9rea n\u00e3o pararam de crescer, demandando materiais met\u00e1licos e n\u00e3o-met\u00e1licos para sua fabrica\u00e7\u00e3o e, sobretudo, derivados de petr\u00f3leo para moviment\u00e1-las. Interconectado globalmente, o sistema capitalista proporcionou um fluxo extremamente intensivo n\u00e3o apenas de capital especulativo, mas desses materiais e dos produtos a partir deles fabricados. As redes longas desse sistema econ\u00f4mico ligaram, via extra\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e consumo, praticamente todos os indiv\u00edduos em praticamente todos os cantos do planeta. Por terra, pelo ar e pelos mares, milh\u00f5es de toneladas de material de bauxita a celulares viajam todo ano, numa espiral crescente.<\/p>\n<p>O resultado dessa expans\u00e3o n\u00e3o apenas em volume do que \u00e9 produzido e consumido, mas no aumento da velocidade do transporte e do descarte estabeleceu um conflito que faz a luta de classes parecer um di\u00e1logo amig\u00e1vel: a contradi\u00e7\u00e3o insol\u00favel entre um sistema intrinsecamente expansionista e um mundo limitado. Os chamados <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fronteiras_planet%C3%A1rias\">limites planet\u00e1rios<\/a>\u00a0est\u00e3o sendo um a um ultrapassados. As curvas de diversos par\u00e2metros assumiram a forma exponencial, configurando o que se convencionou chamar de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.igbp.net\/globalchange\/greatacceleration.4.1b8ae20512db692f2a680001630.html\">a grande acelera\u00e7\u00e3o<\/a>&#8220;, particularmente n\u00edtida a partir da segunda metade do s\u00e9culo passado e in\u00edcio deste.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/1000\/1*IOUIWy_MZuECIpZRK9hy6Q.jpeg\" \/><em>Da popula\u00e7\u00e3o urbana ao consumo de fertilizantes, da produ\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em><em>de papel \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa, do uso de\u00a0<\/em><em>\u00e1gua doce \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental, tudo cresceu exponencial<\/em><em>mente em especial a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/em><\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do ecossistema terrestre \u00e9 global. S\u00e3o exemplos o pl\u00e1stico nos oceanos; os metais pesados no solo, rios e penetrando por toda a biota via cadeia alimentar; o oz\u00f4nio (desej\u00e1vel em camadas elevadas da atmosfera mas extremamente prejudicial pr\u00f3ximo \u00e0 superf\u00edcie) produzido por rea\u00e7\u00f5es fotoqu\u00edmicas que se originam em motores e caldeiras de combust\u00e3o e que gera <i><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Smog\">smog<\/a><\/i> (como o que literalmente obstrui a vis\u00e3o em Beijing e outras grandes cidades da China e outros pa\u00edses)&#8230; A mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da atmosfera se d\u00e1 de forma m\u00faltipla: a quantidade de aeross\u00f3is (particulado l\u00edquido e s\u00f3lido em suspens\u00e3o) se multiplicou brutalmente com os processos industriais, combust\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e queimadas; gases que n\u00e3o existem naturalmente agora fazem parte do ar que respiramos, particularmente os halocarbonetos (que incluem os CFCs respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio estratosf\u00e9rico e que, em seu conjunto, s\u00e3o gases de efeito estufa) e as concentra\u00e7\u00f5es de gases como \u00f3xido nitroso (resultante da decomposi\u00e7\u00e3o de fertilizantes e outros agroqu\u00edmicos nitrogenados), metano (emitido em associa\u00e7\u00e3o com atividades agropecu\u00e1rias) e, claro, di\u00f3xido de carbono, ou CO2. Al\u00e9m da influ\u00eancia brutal sobre o clima (os tr\u00eas \u00faltimos citados s\u00e3o gases de efeito estufa), o excesso de CO2 na atmosfera leva a que este se dissolva nos oceanos, acidificando-os (o pH j\u00e1 aumentou 0,1 desde o per\u00edodo pr\u00e9-industrial, o que implica em um aumento no n\u00edvel de acidez em quase 30%). \u00c0 contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, soma-se a contamina\u00e7\u00e3o radioativa, associada aos sucessivos testes nucleares e, claro, aos acidentes e vazamentos em reatores, como os casos tr\u00e1gicos de Tchernobyl e Fukushima. Ao se ter a sociedade humana organizada conforme a din\u00e2mica do capital pressionando o ecossistema global como for\u00e7a de escala geol\u00f3gica, interferindo decisivamente (e em v\u00e1rios casos de forma dominante) nos ciclos biogeoqu\u00edmicos e alterando a pr\u00f3pria termodin\u00e2mica planet\u00e1ria, alguns cientistas propuseram que se caracterize o presente como uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, distinta do Holoceno (per\u00edodo de cerca de 10 mil anos de estabilidade clim\u00e1tica ao longo do qual a civiliza\u00e7\u00e3o humana floresceu): o <a href=\"http:\/\/oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br\/search\/label\/Antropoceno\">Antropoceno<\/a>, conforme a designa\u00e7\u00e3o proposta por Crutzen e Stoermer (2000), num artigo que faz parte <a href=\"http:\/\/www.igbp.net\/download\/18.316f18321323470177580001401\/1376383088452\/NL41.pdf\">desta publica\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>J\u00e1 ficou evidenciado um forte acordo, num <a href=\"https:\/\/noticias.terra.com.br\/ciencia\/considerada-nova-epoca-geologica-antropoceno-ganha-forca-entre-cientistas,cb1079464e02a6acae7ed734436ec7fev14cmf94.html\">grupo de trabalho de especialistas<\/a>, que o Antropoceno deve ser j\u00e1 caracterizado como uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, embora ainda n\u00e3o tenha sido delimitado que refer\u00eancia deve ser adotada, nem do ponto de vista temporal nem do ponto de vista f\u00edsico-biogeoqu\u00edmico. De qualquer modo, a ado\u00e7\u00e3o do termo \u00e9 cada vez mais consensual. Mais recentemente, <a href=\"http:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/2053019616688022\">Gaffney e Steffen (2017)<\/a> fizeram uma atualiza\u00e7\u00e3o das atuais condi\u00e7\u00f5es do Antropoceno e os n\u00fameros s\u00e3o cada vez mais assombrosos, especialmente quando comparamos as tend\u00eancias exponenciais e disruptivas do Antropoceno com a marcante estabilidade do Holoceno.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-sRIARao0OkY\/WLgnrxiUbII\/AAAAAAAAD3o\/J6pKU1gxWnMmtmsy8QmQZCbvYZAWAFODACLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-12%2Ba%25CC%2580s%2B10.00.29%2BPM.png\" \/><\/p>\n<p>Dado que os combust\u00edveis f\u00f3sseis (carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s) foram e continuam sendo as principais fontes de energia, a concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de CO2, principal produto da combust\u00e3o, disparou no Antropoceno. No per\u00edodo de 1970 a 2015, essa concentra\u00e7\u00e3o cresceu 75 partes por milh\u00e3o, o que nos d\u00e1 uma taxa de varia\u00e7\u00e3o de 166 ppm\/s\u00e9culo. Esse valor \u00e9 quase 1000 vezes aquele verificado entre 11.000 e 7.000 anos atr\u00e1s (in\u00edcio a meados do Holoceno), quando a concentra\u00e7\u00e3o de CO2 caiu a uma taxa de aproximadamente 0,17 ppm por s\u00e9culo. \u00c9 550 vezes maior do que as mudan\u00e7as entre o Holoceno m\u00e9dio e o per\u00edodo pr\u00e9-industrial (1750), intervalo durante o qual essa concentra\u00e7\u00e3o caiu a uma taxa em torno de 0,30 ppm\/s\u00e9culo. \u00c9 100 vezes maior do que a varia\u00e7\u00e3o observada na concentra\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s na \u00faltima grande mudan\u00e7a clim\u00e1tica global natural (t\u00e9rmino da \u00faltima era glacial). \u00c9 10 vezes maior do que o maior evento conhecido de libera\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s na Era Cenoz\u00f3ica, o &#8220;M\u00e1ximo T\u00e9rmico do Paleoceno-Eoceno&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-B5kLLSN643Q\/WLgsCxN6MnI\/AAAAAAAAD38\/ZIAq6UwtNT8Pwg7h3w_d5NVq3Ac-XUSVwCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-13%2Ba%25CC%2580s%2B9.18.38%2BAM.png\" \/><\/p>\n<p>Mas como discutimos v\u00e1rias vezes em nosso blog, n\u00e3o reside s\u00f3 no CO2 o problema&#8230; Grandes quantidades de metano s\u00e3o produzidas pela fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica (no aparelho digestivo de animais ruminantes) e pelas chamadas &#8220;emiss\u00f5es fugitivas&#8221;, vazamentos que inevitavelmente acompanham a prospec\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o e processamento de combust\u00edveis f\u00f3sseis, especialmente com t\u00e9cnicas mais agressivas como o &#8220;fracking&#8221;. Esta subst\u00e2ncia \u00e9 um poderoso g\u00e1s de efeito estufa, com potencial de aquecimento global 34 vezes maior do que o do CO2 na escala de 100 anos. A estimativa de varia\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de metano (CH4) ao longo do Holoceno (11 mil anos atr\u00e1s at\u00e9 o per\u00edodo pr\u00e9-industrial) \u00e9 de cerca de 2 partes por bilh\u00e3o (ppb) por s\u00e9culo. De 1750 a 2012, a quantidade de metano na atmosfera saiu de 722 ppb para 1810 ppb (150% de aumento!). De 1984 a 2015, a taxa de incremento m\u00e9dia na concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica desse g\u00e1s foi de 57,5 ppb\/d\u00e9cada (ou 575 ppb\/s\u00e9culo), valor mais de 285 vezes maior do que a estimativa m\u00e9dia para o Holoceno.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-R46OQjTCgAk\/WLgsL_XuZcI\/AAAAAAAAD4A\/AEPqhbV7q4kuNdPoEQEBeon0RAxH10bugCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-12%2Ba%25CC%2580s%2B10.05.32%2BPM.png\" \/><\/p>\n<p>Sabe-se desde o s\u00e9culo XIX que uma altera\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o desses gases teria o potencial de mudar o balan\u00e7o energ\u00e9tico terrestre. E as evid\u00eancias agora est\u00e3o a\u00ed. Entre 1970 e 2015, a temperatura m\u00e9dia global cresceu a uma taxa m\u00e9dia de 0,17\u00b0C por d\u00e9cada (ou 1,7\u00b0C por s\u00e9culo). Em contraste, durante o Holoceno, a temperatura mostrou-se relativamente est\u00e1vel, com uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 0,01\u00b0C\/s\u00e9culo. Portanto, as varia\u00e7\u00f5es de temperatura, hoje, s\u00e3o 170 vezes mais r\u00e1pidas do que aquelas verificadas durante o Holoceno.<\/p>\n<p>A ciclagem de nutrientes no Sistema Terra tamb\u00e9m est\u00e1 profundamente alterada. Os ciclos do Nitrog\u00eanio e do F\u00f3sforo est\u00e3o entre ciclos biogeoqu\u00edmicos mais importantes. 180 Tg (teragramas ou milh\u00f5es de toneladas) de nitrog\u00eanio s\u00e3o processados anualmente por processos agr\u00edcolas, industriais e rejeitos urbanos, o que representa mais do triplo do nitrog\u00eanio processado globalmente pelos microorganismos fixadores terrestres (toda a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio nos continentes somada resulta em 58 Tg\/ano). Somando-se os 30 Tg associados \u00e0 combust\u00e3o, chegamos a 210 Tg\/ano, mais do que a soma da fixa\u00e7\u00e3o nos continentes (58 Tg\/ano), nos oceanos (140 Tg\/ano) e na atmosfera, por rel\u00e2mpagos (5 Tg\/ano). O resultado \u00e9 que o ciclo do nitrog\u00eanio encontra-se totalmente desbalanceado. H\u00e1 estimativas de que hoje em dia 72% do Nitrog\u00eanio que chega aos corpos d&#8217;\u00e1gua v\u00eam da atividade agropecu\u00e1ria, incluindo o uso de fertilizantes sint\u00e9ticos. No caso do f\u00f3sforo, os valores de refer\u00eancia do Holoceno eram de 10-15 Tg\/ano, mas este valor agora foi elevado para 28-33 Tg\/ano, associado com minera\u00e7\u00e3o, res\u00edduos e, novamente, com fertilizantes. Em outras palavras, \u00e9 poss\u00edvel que os fluxos de f\u00f3sforo tenham sido simplesmente triplicados. Os impactos envolvem eutrofiza\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as de pH, altera\u00e7\u00e3o do teor de oxig\u00eanio dissolvido e mudan\u00e7as na toxicidade, produzindo desequil\u00edbrios nos ecossistemas e n\u00e3o raro inviabilizando o aproveitamento desses corpos d&#8217;\u00e1gua para uso humano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-y4tApPOR_54\/WLgx07KncrI\/AAAAAAAAD4Y\/N1H8ZnENW9cyicavFYfydErQ6l_hEUN9wCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-13%2Ba%25CC%2580s%2B4.30.03%2BPM.png\" \/><\/p>\n<p>Os oceanos tamb\u00e9m est\u00e3o sob uma press\u00e3o violent\u00edssima das a\u00e7\u00f5es humanas. Em virtude do aumento de concentra\u00e7\u00e3o de CO2 atmosf\u00e9rico e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas associadas a ele, os oceanos t\u00eam sofrido transforma\u00e7\u00f5es violentas durante o Antropoceno. Em 2016, acompanhando o recorde global de temperaturas, a superf\u00edcie dos oceanos ficou 0,69\u00b0C mais quente do que a m\u00e9dia de 1951-1980, cerca de 1\u00b0C acima das temperaturas m\u00e9dias observadas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A presen\u00e7a de enormes quantidades de CO2 na atmosfera faz com que parte significativa desse g\u00e1s se dissolva nos oceanos, diminuindo seu pH, ou seja, aumentando sua acidez. As estimativas s\u00e3o de que o pH oce\u00e2nico j\u00e1 diminuiu em 0,1 o que implica numa acidez 26% maior. Segundo <a href=\"http:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/2053019616688022\">Gaffney and Stefan (2017)<\/a>, tais mudan\u00e7as j\u00e1 s\u00e3o de 3 a 7 vezes maiores e 70 vezes mais r\u00e1pidas do que aquelas verificadas durante as deglacia\u00e7\u00f5es (como a sa\u00edda da \u00faltima era glacial h\u00e1 11.700 anos. Os autores tamb\u00e9m estimam que um ritmo de acidifica\u00e7\u00e3o t\u00e3o acelerado seja in\u00e9dito em 250 milh\u00f5es de anos, quando os &#8220;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Trapps_siberianos\">trapps siberianos<\/a>&#8221; (supervulc\u00f5es) lan\u00e7aram enormes quantidades de gases na atmosfera, extinguindo 95% das esp\u00e9cies marinhas naquela que foi a maior extin\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria geol\u00f3gica terrestre (Extin\u00e7\u00e3o do Permiano-Tri\u00e1ssico).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-ZnoT7XukYNo\/WLgymaMJ7fI\/AAAAAAAAD4c\/SrSI8-8ivKAic8ZCzhlZvHReMWZKKulQgCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-18%2Ba%25CC%2580s%2B9.03.02%2BAM.png\" \/><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o fica nisso. Recente estudo publicado na Nature por <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/nature21399.epdf\">Schmidtko et al.<\/a> (2017) mostra que o teor de oxig\u00eanio dissolvido nos oceanos caiu 2,1% em 50 anos. A raz\u00e3o disso? O aquecimento global, por dois fatores: primeiro, quanto maior a temperatura oce\u00e2nica, menor a solubilidade (n\u00e3o apenas do oxig\u00eanio, mas dos gases em geral). Segundo, como o aquecimento se d\u00e1 principalmente a partir da superf\u00edcie, a tend\u00eancia \u00e9 aumentar a chamada estratifica\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, mant\u00e9m-se \u00e1gua quente em cima e \u00e1gua fria embaixo, o que limita a mistura vertical e portanto a ventila\u00e7\u00e3o, que leva \u00e1gua com oxig\u00eanio para camadas mais profundas. Mais um efeito temido das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que se confirma. Por fim, n\u00e3o custa lembrar que tais mudan\u00e7as profundas s\u00e3o ainda agravadas por uma s\u00e9rie de outras agress\u00f5es diretas, incluindo vazamentos de petr\u00f3leo, a quantidade enorme de pl\u00e1stico, o excesso de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo nos rejeitos de agropecu\u00e1ria e esgoto, a pesca predat\u00f3ria e o fluxo de esp\u00e9cies invasoras por meio da \u00e1gua de lastro dos navios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-pwjIsiEcFSM\/WLgzZmI45JI\/AAAAAAAAD4g\/JNez5r-dJq48tubEN55eupqmeSyK80szgCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-19%2Ba%25CC%2580s%2B12.28.38%2BPM.png\" \/><\/p>\n<p>Quando nos referimos \u00e0 humanidade, no atual est\u00e1gio de desenvolvimento do capitalismo, como uma for\u00e7a geol\u00f3gica, isso inclui tamb\u00e9m o sentido mais literal do termo, o de movimenta\u00e7\u00e3o de material do solo e subsolo. Do ponto de vista cient\u00edfico, n\u00e3o se sabe se a f\u00e9 remove montanhas, mas o Antropoceno, com certeza. O fluxo de sedimentos decorrente da atividade mineradora atingiu impressionantes 57.000 Tg\/ano (teragramas por ano), ou 57 bilh\u00f5es de toneladas. \u00c9 cerca do triplo da soma daquilo que \u00e9 carregado pelos rios de todo o planeta. Importante dizer que esses pr\u00f3prios fluxos naturais, dos rios, tamb\u00e9m est\u00e3o sendo alterados, com processos erosivos tendo contribu\u00eddo para aument\u00e1-los enquanto os barramentos t\u00eam contribu\u00eddo para reduzi-los.<\/p>\n<div>\n<p>Na Natureza, tudo que cresce exponencialmente produz instabilidade, seguida de colapso. \u00c9 simples assim. Na F\u00edsica, quando resolvemos as equa\u00e7\u00f5es de um problema e uma das solu\u00e7\u00f5es \u00e9 de crescimento exponencial, n\u00f3s a descartamos, por ser implaus\u00edvel. Violar a conserva\u00e7\u00e3o da massa, a conserva\u00e7\u00e3o da energia e a 2\u00aa Lei da Termodin\u00e2mica parece ser o sonho da economia capitalista, mas s\u00f3 podem conduzir ao pesadelo de uma sociedade insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Kzgtf_7-HrQ\/WLhGuQYN9-I\/AAAAAAAAD44\/zDWl4VJSo7QQdld4ItyyhllbiOvR94qqQCLcB\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2017-02-18%2Ba%25CC%2580s%2B3.26.30%2BPM.png\" \/><em>Um dos desfechos poss\u00edveis na modelagem de Motesharrei et\u00a0al. (2014): colapso completo e irrevers\u00edvel por superexplora\u00e7\u00e3o\u00a0do ambiente e desigualdade econ\u00f4mica.<\/em><\/p>\n<p>Nesse sentido, o colapso do Antropoceno \u00e9 inevit\u00e1vel. \u00c9 at\u00e9 (obviamente de forma simplificada) trat\u00e1vel matematicamente, como no modelo de &#8220;colapso N irrevers\u00edvel&#8221; conforme <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0921800914000615\">Motesharrei et al. (2014)<\/a>: a natureza cai abaixo da &#8220;capacidade de carga&#8221; e isso leva \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o e queda da produ\u00e7\u00e3o de riqueza, ao colapso da &#8220;plebe&#8221; e s\u00f3 depois ao colapso da &#8220;elite&#8221;. Como mostra o gr\u00e1fico, esta termina por ruir tamb\u00e9m, mas pelo visto, a julgar pela sua (im)postura em geral, prefere desfrutar dos privil\u00e9gios de curto prazo. O colapso do capital \u00e9 inevit\u00e1vel (a n\u00e3o ser no cen\u00e1rio altamente improv\u00e1vel da viabiliza\u00e7\u00e3o de tecnologias de migra\u00e7\u00e3o, coloniza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o espacial em grande escala em uma escala de poucas d\u00e9cadas).<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 algum colapso evit\u00e1vel? Eu diria que o colapso civilizat\u00f3rio geral, o colapso da esp\u00e9cie, este ainda n\u00e3o est\u00e1 dado. Na verdade, \u00e9 essa a disputa ainda colocada. Para os bilion\u00e1rios, parece pior desaparecer logo, destronados por um processo de transforma\u00e7\u00e3o social que desmonte essa sociedade expansionista e desigual, do que desaparecer depois, no colapso ecol\u00f3gico. Mas a sa\u00edda, como nos filmes de a\u00e7\u00e3o em que a sa\u00edda se estreita cada vez mais implica em mais do que um combate de longo prazo, pois tamb\u00e9m \u00e9 para agora. As emiss\u00f5es acumuladas a cada ano diminuem cada vez mais a margem de manobra, tornando <a href=\"http:\/\/folk.uio.no\/roberan\/t\/global_mitigation_curves.shtml\">cada vez mais dif\u00edcil<\/a> manter as chances de evitar que se ultrapasse um aquecimento (<a href=\"http:\/\/oquevocefariasesoubesse.blogspot.com.br\/2015\/07\/por-agua-abaixo.html\">j\u00e1 catastr\u00f3fico<\/a>) de 2\u00b0C (o limite de 1,5\u00b0C est\u00e1, a essa altura, virtualmente inviabilizado).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-S-itDH0wXqk\/WLhJquO1njI\/AAAAAAAAD5A\/c8xw-LrI6AQSe3TY0_wPpj7d4z1cjSceQCLcB\/s1600\/mitigationcurves.png\" \/><em>Se as emiss\u00f5es continuarem a crescer at\u00e9 o come\u00e7o da pr\u00f3xima\u00a0<\/em><em>d\u00e9cada no ritmo atual,\u00a0torna-se praticamente imposs\u00edvel, sem\u00a0<\/em><em>remo\u00e7\u00e3o de carbono em grande escala, deter o aquecimento\u00a0<\/em><em>global a menos de 2\u00b0C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial.<\/em><\/p>\n<p>Especificamente no que tange \u00e0 quest\u00e3o clim\u00e1tica (e, por tabela, da acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica), a depender do que for feito na pr\u00f3xima d\u00e9cada ou duas, o aquecimento global poder\u00e1 ficar entre uma heran\u00e7a negativa, delet\u00e9ria e profundamente inc\u00f4moda para at\u00e9 dezenas de gera\u00e7\u00f5es seguintes ou pode vir a ser uma cat\u00e1strofe completa, capaz mesmo de inviabilizar boa parte do globo como habitat para o g\u00eanero humano. \u00c9 um contexto em que as escolhas que mais salvaguardam o futuro (inclusive a velhice das gera\u00e7\u00f5es atuais) s\u00e3o precisamente aquelas mais contr\u00e1rias \u00e0 l\u00f3gica do mercado e da acumula\u00e7\u00e3o de capital (e s\u00e3o absolutamente urgentes). S\u00e3o as que batem de frente com incentivo ao consumismo, obsolesc\u00eancia programada, propaganda, uso extensivo de embalagens, cria\u00e7\u00e3o de falsas necessidades em torno de itens f\u00fateis e sup\u00e9rfluos, transporte individual, expans\u00e3o das fronteiras extrativista e agr\u00edcola, uso perdul\u00e1rio de mat\u00e9ria-prima e energia, matriz energ\u00e9tica concentrada e baseada principalmente em combust\u00edveis f\u00f3sseis, excesso de produ\u00e7\u00e3o, uso massivo de fertilizantes e outros agroqu\u00edmicos, jornadas de trabalho muito mais prolongadas do que o necess\u00e1rio, etc. As escolhas que salvaguardam o futuro s\u00e3o as no sentido de uma sociedade igualit\u00e1ria, democr\u00e1tica e que utiliza racional e contidamente a mat\u00e9ria e a energia que o restante da natureza lhe fornece. S\u00e3o aquelas de um &#8220;colapso do bem&#8221;, de inflex\u00e3o na velocidade dos processos e (tentativa de) revers\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es ambientais delet\u00e9rias associadas ao Antropoceno.<\/p>\n<p>O problema maior, de fato, \u00e9 a corrida contra o tempo. Se as emiss\u00f5es continuarem a crescer at\u00e9 o come\u00e7o da pr\u00f3xima d\u00e9cada no ritmo atual, torna-se praticamente imposs\u00edvel, sem remo\u00e7\u00e3o de carbono em grande escala, deter o aquecimento global a menos de 2\u00b0C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial. Ou seja, se precisamos de um &#8220;colapso do bem&#8221; para deter as piores consequ\u00eancias do caos ecol\u00f3gico introduzido pelo Antropoceno, a &#8220;palavra-de-ordem&#8221; bem que pode ser &#8220;Colapso J\u00e1!&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Blog o que voc\u00ea faria se soubesse o que eu sei? de 02 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sistema produtivo capitalista experimentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas enormes transforma\u00e7\u00f5es, que colocaram o planeta sob intensa press\u00e3o no que diz respeito \u00e0s fontes de mat\u00e9rias-primas e de energia. 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