{"id":19116,"date":"2017-03-24T17:00:02","date_gmt":"2017-03-24T20:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19116"},"modified":"2017-03-20T11:15:18","modified_gmt":"2017-03-20T14:15:18","slug":"cerrado-o-laboratorio-antropologico-ameacado-pela-desterritorializacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/cerrado-o-laboratorio-antropologico-ameacado-pela-desterritorializacao\/","title":{"rendered":"Cerrado. O laborat\u00f3rio antropol\u00f3gico amea\u00e7ado pela desterritorializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Altair Barbosa analisa os movimentos de variadas formas de vida ao longo de eras no Cerrado e como a a\u00e7\u00e3o do ser humano contempor\u00e2neo \u00e9 uma amea\u00e7a a todas<\/strong><\/p>\n<p>O Cerrado brasileiro abriga n\u00e3o s\u00f3 riqueza em termos de fauna e flora. Destruir esse bioma significa mexer com quest\u00f5es geol\u00f3gicas e h\u00eddricas que trar\u00e1 repercuss\u00f5es a todo o Brasil. Al\u00e9m disso, pode significar uma perda arqueol\u00f3gica e de formas de vidas que existem h\u00e1 mil\u00eanios. \u00c9 por isso que o antrop\u00f3logo Altair Sales Barbosa prop\u00f5e um olhar mais complexo sobre o bioma. \u201cO sistema do Cerrado, dos chapad\u00f5es centrais do Brasil, pela posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, pelo car\u00e1ter flor\u00edstico, faun\u00edstico, geomorfol\u00f3gico e pela hist\u00f3ria evolutiva, constitui o ponto de equil\u00edbrio desses variados ambientes\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Nesta entrevista concedida \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por e-mail, al\u00e9m de detalhar o bioma do Brasil central, observa como o ser humano vai agindo nesse ambiente, promovendo modifica\u00e7\u00f5es com objetivos apenas econ\u00f4micos e desconsiderando a din\u00e2mica de todo Cerrado. \u201cNos tempos atuais da nossa contemporaneidade, tamb\u00e9m sem levar em considera\u00e7\u00e3o a voca\u00e7\u00e3o da terra e a voca\u00e7\u00e3o cultural do que ainda resta de aut\u00eantico na cultura do Homem do Cerrado, uma nova onda globalizada de invas\u00f5es chegou e est\u00e1 se instalando\u201d, alerta. E, segundo Barbosa, isso tem gerado consequ\u00eancias num ritmo nunca antes visto, afetando formas de vida no campo e na cidade. \u201cCom o incremento da tecnologia e o avan\u00e7o do capital, comunidades inteiras s\u00e3o desestruturadas e desabrigadas, criando o fen\u00f4meno da desterritorializa\u00e7\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa<\/strong> possui gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia pela Pontificia Universidad Cat\u00f3lica de Chile, doutorado em Arqueologia Pr\u00e9-Hist\u00f3rica pela Smithsonian Institution &#8211; National Museum of Natural History, de Washington, Estados Unidos. \u00c9 coordenador do projeto Enciclopedia Virtual do Cerrado pelo Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Goi\u00e1s, do qual \u00e9 s\u00f3cio titular.<\/p>\n<p>No dia 16 de maio, das 19h30min \u00e0s 22, ele profere a confer\u00eancia O Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado, as comunidades tradicionais e cultura, dentro da programa\u00e7\u00e3o do evento Os biomas brasileiros e a teia da vida, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/biomasbrasileiros\" target=\"_blank\">Veja a programa\u00e7\u00e3o completa.<\/a><\/p>\n<p><strong>Confira um trecho da entrevista. A vers\u00e3o completa ser\u00e1 publicada no Cadernos IHU ideias.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como compreender as formas de vida no Cerrado, desde a perspectiva biol\u00f3gica \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com os povos?<\/strong><br \/>\n<strong>Altair Sales Barbosa \u2013<\/strong> Fisiograficamente, o Brasil possui sete grandes matrizes ambientais. Essas matrizes foram denominadas por Ab\u2019Saber , em 1977, como Dom\u00ednios Morfoclim\u00e1ticos e Fitogeogr\u00e1ficos. Outros estudos as denominam Biomas, embora o conceito de bioma n\u00e3o seja muito apropriado, pois tende a enfatizar ou real\u00e7ar um cl\u00edmax vegetacional, muitas vezes n\u00e3o corroborado pela hist\u00f3ria evolutiva do espa\u00e7o em quest\u00e3o. A partir de 1992, tenho sugerido a utiliza\u00e7\u00e3o do conceito biogeogr\u00e1fico, classificando cada grande matriz ambiental como um sistema. Essas grandes matrizes ambientais podem ser agrupadas da forma seguinte: Sistema Biogeogr\u00e1fico Amaz\u00f4nico; Sistema Biogeogr\u00e1fico Roraimo-Guianense; Sistema Biogeogr\u00e1fico das Caatingas; Sistema Biogeogr\u00e1fico Tropical Atl\u00e2ntico; Sistema Biogeogr\u00e1fico dos Planaltos Sul-Brasileiros; Sistema Biogeogr\u00e1fico das Pradarias Mistas Subtropicais, e por \u00faltimo temos o Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado.<\/p>\n<p>Atualmente, o modelo fisiogr\u00e1fico sofreu modifica\u00e7\u00f5es, por quest\u00f5es n\u00e3o ambientais, mas de geopol\u00edtica ou especificamente pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Para ilustrar, citamos o caso do Pantanal Mato-Grossense, que n\u00e3o passa de um subsistema integrante do Sistema do Cerrado. Entretanto, como existe um movimento social crescente para incluir o Cerrado como Patrim\u00f4nio Nacional, movimento este que entra em contradi\u00e7\u00e3o com o Planejamento Econ\u00f4mico do Brasil, que considera o Cerrado \u00e1rea de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, desmembrou-se o Pantanal deste ambiente, transformando-o em Patrim\u00f4nio Nacional. No entanto, n\u00e3o significa que esteja livre da expans\u00e3o agropastoril, trata-se apenas de uma ilus\u00e3o ou artif\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Cerrado e suas rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado est\u00e1 situado nos planaltos centrais do Brasil, onde imperaram climas tropicais de car\u00e1ter sub\u00famido, com duas esta\u00e7\u00f5es \u00ac-\u00ac uma seca, outra chuvosa. Constitui o grande dom\u00ednio do Tr\u00f3pico Sub\u00famido, coberto por uma paisagem que constitui um mosaico de tipos fision\u00f4micos que varia desde campos at\u00e9 \u00e1reas florestadas.<\/p>\n<p>Estas sete matrizes ambientais formam, na maior parte dos casos, intrincados sistemas ecol\u00f3gicos interdependentes. O sistema do Cerrado, dos chapad\u00f5es centrais do Brasil, pela posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, pelo car\u00e1ter flor\u00edstico, faun\u00edstico, geomorfol\u00f3gico e pela hist\u00f3ria evolutiva, constitui o ponto de equil\u00edbrio desses variados ambientes, uma vez que se conecta, por interm\u00e9dio de corredores hidrogr\u00e1ficos, com esses e com outros ambientes continentais. Os chapad\u00f5es centrais do Brasil, cobertos pelo Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado, constituem a cumeeira do Brasil e tamb\u00e9m da Am\u00e9rica do Sul, pois distribuem significativa quantidade de \u00e1gua que alimenta as principais bacias hidrogr\u00e1ficas do continente.<\/p>\n<p>O Cerrado abrange os Estados de Goi\u00e1s, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Inclui a parte sul e leste de Mato Grosso, oeste da Bahia, oeste e norte de Minas Gerais, sul e leste do Maranh\u00e3o, grande parte do Piau\u00ed e prolonga-se em forma de corredor at\u00e9 Rond\u00f4nia e, de forma disjunta, ocorre em certas \u00e1reas do nordeste brasileiro e em parte de S\u00e3o Paulo. Ecologicamente, relaciona-se \u00e0s Savanas, e h\u00e1 quem afirme que o cerrado seja configura\u00e7\u00e3o regionalizada destas. Entretanto, este ambiente possui uma hist\u00f3ria evolutiva muito diferente das savanas africanas e australianas.<\/p>\n<p>No Brasil, o cerrado e os campos recebem denomina\u00e7\u00f5es diferentes, de acordo com a regi\u00e3o: Gerais, em Minas e Bahia; Tabuleiro, na Bahia e outras \u00e1reas do Nordeste; e ainda Campina, Costaneira e Carrasco, dependendo da regi\u00e3o. Nenhuma dessas designa\u00e7\u00f5es populares reflete sua totalidade ecol\u00f3gica, referindo-se apenas a uma modalidade fision\u00f4mica, \u00e0s vezes, associada a uma ou outra configura\u00e7\u00e3o geomorfol\u00f3gica. Por estas raz\u00f5es, o paradigma puramente bot\u00e2nico n\u00e3o tem sido suficiente para demonstrar a totalidade e a import\u00e2ncia ecol\u00f3gica do Cerrado, j\u00e1 que destaca ou enfatiza apenas parcelas fragmentadas de sua composi\u00e7\u00e3o. Quando isso acontece, o car\u00e1ter da biodiversidade, elemento marcante da ecologia do Cerrado, n\u00e3o recebe a import\u00e2ncia merecida, nem sequer pode ser compreendida em seus aspectos fundamentais.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do paradigma Biogeogr\u00e1fico tem demonstrado ser um referencial de grande import\u00e2ncia para que se possa entender o Cerrado, em sua globalidade. Compreendendo os diversos matizes, tanto abertos e ombr\u00f3filos , como subsistemas interatuantes e integrantes decisivos de um sistema maior, o conceito Biogeogr\u00e1fico tem ressaltado a import\u00e2ncia que o Cerrado exerce para o equil\u00edbrio dos demais ambientes do continente, al\u00e9m de demonstrar que a principal caracter\u00edstica da sua biocenose \u00e9 a interdepend\u00eancia dos componentes aos diversos ecossistemas.<\/p>\n<p><strong>Popula\u00e7\u00f5es do passado<\/strong><\/p>\n<p>O Cerrado exerce papel fundamental na vida das popula\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas que iniciaram o povoamento das \u00e1reas interioranas do continente sul-americano. Na regi\u00e3o do Cerrado, essas popula\u00e7\u00f5es desenvolveram importantes processos culturais que moldaram estilos de sociedades bem definidas, em que a economia de ca\u00e7a e coleta imprimiu modelos de organiza\u00e7\u00e3o espacial e social com caracter\u00edsticas peculiares. Os processos culturais ind\u00edgenas, que se seguiram a este modelo, trouxeram pouca modifica\u00e7\u00e3o \u00e0 fisionomia sociocultural e, embora ocorresse o advento da agricultura incipiente, exercida nas manchas de solo de boa fertilidade natural, existentes no Cerrado, a ca\u00e7a e a coleta, em particular a vegetal, ainda constitu\u00edam fatores decisivos na economia dessas sociedades.<\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo XVIII, o panorama regional come\u00e7ou a sofrer sens\u00edveis modifica\u00e7\u00f5es, com o incremento da coloniza\u00e7\u00e3o que se embrenha pelo interior do pa\u00eds, em busca de ouro, pedras preciosas e \u00edndios escravos. Nesse contexto, e a partir dessa data, surgiram os primeiros aglomerados urbanos, e a explora\u00e7\u00e3o mais intensa dos recursos minerais que come\u00e7ava a se incrementar j\u00e1 provocava os primeiros sinais de degrada\u00e7\u00e3o. Findo o ciclo da minera\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o do Cerrado permaneceu economicamente dedicada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado e \u00e0 agricultura de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Alguns desses modelos econ\u00f4micos ainda subsistem em espa\u00e7os localizados at\u00e9 os dias atuais, e outros modelos mais simples, baseados no extrativismo, s\u00e3o adotados por popula\u00e7\u00f5es caboclas, habitantes atuais de espa\u00e7os restritos. O isolamento que a regi\u00e3o manteve em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas mais populosas e economicamente din\u00e2micas do Brasil, at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1960, fez com que este quadro permanecesse basicamente inalterado, fato que a implanta\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia alterou consideravelmente, desestruturando os sistemas sociais implantados e causando entropias de ordem biol\u00f3gica e geol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Agricultura<\/strong><\/p>\n<p>O potencial agr\u00edcola que o Cerrado demonstra, associado ao fato de ser uma das \u00faltimas reservas da terra capaz de suportar, de modo imediato, a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e a forma\u00e7\u00e3o de pastagens ligado ao desenvolvimento das t\u00e9cnicas modernas de cultivo, tem atra\u00eddo recentemente grandes investimentos e criado modifica\u00e7\u00f5es significativas, do ponto de vista da infraestrutura de suporte. O fato da n\u00e3o exist\u00eancia de uma pol\u00edtica global para a agricultura tem provocado o \u00eaxodo rural e o crescimento desordenado dos n\u00facleos urbanos. Todos esses fatores, em seu conjunto, t\u00eam como consequ\u00eancias situa\u00e7\u00f5es nocivas ao meio ambiente natural e social, com perspectivas preocupantes.<\/p>\n<p><strong>Fauna e flora<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o do Cerrado n\u00e3o pode ser entendida como uma unidade zoogeogr\u00e1fica particularizada, porque n\u00e3o apresenta esta caracter\u00edstica, tampouco pode ser considerada uma unidade fitogeogr\u00e1fica , por n\u00e3o se tratar de uma \u00e1rea uniforme em termos de paisagem vegetal. O mais correto \u00e9 correlacionar os diversos fatores que comp\u00f5em sua biocenose e defini-la como um Sistema Biogeogr\u00e1fico. Um sistema que abrange \u00e1reas plan\u00e1lticas, o Planalto Central Brasileiro, com altitude m\u00e9dia de 650 metros, clima tropical sub\u00famido de duas esta\u00e7\u00f5es, solos variados e um quadro flor\u00edstico e faun\u00edstico extremamente diversificado e interdependente. A fauna variada do Cerrado, que transita noutros ambientes, por exemplo, a caatinga, tem sua maior concentra\u00e7\u00e3o registrada no Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado, em virtude das possibilidades alimentares durante todo ciclo anual.<\/p>\n<p>H\u00e1 um estrato gram\u00edneo que sustenta uma fauna de herb\u00edvoros durante boa parte do ano, enquanto n\u00e3o est\u00e1 seco. Antes de aparecerem as flores, as queimadas naturais, por um lapso de tempo, prov\u00eam os animais com c\u00e1lcio e sais minerais. Logo aparecem as flores que, durante uma determinada \u00e9poca, substituem como alimento as gram\u00edneas. O final das floradas coincide com o in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa, que faz rebrotar os pastos secos e a matura\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies frut\u00edferas. Acompanhando os herb\u00edvoros e atr\u00e1s, tamb\u00e9m, de recursos vegetais, animais com outros h\u00e1bitos formam uma complexa cadeia. Em termos vegetais, este sistema \u00e9 complexo e nunca pode ser entendido como uma unidade, pois h\u00e1 o predom\u00ednio do cerrado stricto sensu como paisagem vegetal, mas h\u00e1 tamb\u00e9m seus variados matizes, como campo e cerrad\u00e3o, al\u00e9m de forma\u00e7\u00f5es florestadas, como matas e matas ciliares e ainda s\u00e3o comuns as veredas e ambientes alagadi\u00e7os.<\/p>\n<p>As \u00e1reas florestadas s\u00e3o constitu\u00eddas pelas matas ciliares que ocorrem nas cabeceiras dos pequenos c\u00f3rregos e rios, em suas margens, como tamb\u00e9m se espalham em \u00e1reas mais extensas acompanhando as manchas de solo de boa fertilidade natural. Por exemplo, as matas do rio Claro e outras vertentes do Parana\u00edba e o outrora chamado &#8220;Mato Grosso de Goi\u00e1s&#8221;. As veredas e ambientes alagadi\u00e7os s\u00e3o mais abundantes, a partir do centro da \u00e1rea nuclear (sudoeste de Goi\u00e1s), toma a dire\u00e7\u00e3o norte e leste e sul e, \u00e0 medida que se aproxima do Pantanal Mato-Grossense, ficam mais evidentes os ambientes alagadi\u00e7os com contornos diferenciados.<\/p>\n<p><strong>Um cerrado de muitos sistemas<\/strong><\/p>\n<p>Nessa perspectiva, o Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado pode ser subdividido em subsistemas espec\u00edficos, caracterizados pela fisionomia e composi\u00e7\u00e3o vegetal e animal, al\u00e9m de outros fatores, que apresentam a seguinte organiza\u00e7\u00e3o: Subsistema dos Campos, Subsistema do Cerrado Stricto Sensu; Subsistema do Cerrad\u00e3o; Subsistema das Matas; Subsistema das Matas Ciliares; Subsistemas das Veredas e Ambientes Alagadi\u00e7os.<\/p>\n<p>Essa diversidade de ambiente \u00e9 um fator muito importante para a diversifica\u00e7\u00e3o faun\u00edstica, permitindo a ocorr\u00eancia de animais adaptados a ambientes secos e, tamb\u00e9m, a ambientes \u00famidos. Da mesma forma, propicia tanto a ocorr\u00eancia de formas adaptadas a \u00e1reas ensolaradas e abertas, como favorece a ocorr\u00eancia de formas ombr\u00f3filas. Esses fatores atribuem ao Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado um car\u00e1ter singular, distinguindo-o pela diversidade de formas vegetais e animais.<\/p>\n<p><strong>Desterritorializa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nos tempos atuais da nossa contemporaneidade, tamb\u00e9m sem levar em considera\u00e7\u00e3o a voca\u00e7\u00e3o da terra e a voca\u00e7\u00e3o cultural do que ainda resta de aut\u00eantico na cultura do Homem do Cerrado, uma nova onda globalizada de invas\u00f5es chegou e est\u00e1 se instalando. Isso tem gerado forte impacto sobre o meio ambiente e causado a desestrutura\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o rural e urbana, num ritmo nunca visto na hist\u00f3ria da humanidade. Com o incremento da tecnologia e o avan\u00e7o do capital, comunidades inteiras s\u00e3o desestruturadas e desabrigadas, criando o fen\u00f4meno da desterritorializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Jo\u00e3o Vitor Santos, IHU de 13 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Altair Barbosa analisa os movimentos de variadas formas de vida ao longo de eras no Cerrado e como a a\u00e7\u00e3o do ser humano contempor\u00e2neo \u00e9 uma amea\u00e7a a todas O Cerrado brasileiro abriga n\u00e3o s\u00f3 riqueza em termos de fauna e flora. 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