{"id":19137,"date":"2017-04-04T09:00:17","date_gmt":"2017-04-04T12:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19137"},"modified":"2025-12-13T05:01:50","modified_gmt":"2025-12-13T08:01:50","slug":"tramontina-comprou-madeira-de-serraria-flagrada-com-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/tramontina-comprou-madeira-de-serraria-flagrada-com-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Tramontina comprou madeira de serraria flagrada com trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<div class=\"excerpt\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/serrariasflagradas-1-300x300.jpg\" width=\"870\" height=\"870\" \/><\/p>\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o revela ainda trabalho escravo no corte de madeira para exporta\u00e7\u00e3o, ligando o crime a empresas que fizeram obras no Central Park e Brooklyn Bridge<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>A rede que abastece madeira para os utens\u00edlios dom\u00e9sticos da Tramontina incluiu, em anos recentes, uma serraria flagrada com trabalho escravo contempor\u00e2neo. A fabricante abastece as lojas do Walmart no Brasil, Carrefour e do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, entre elas o Ponto Frio, as Casas Bahia e o Extra.com. Procurada pela reportagem, a empresa afirmou que interrompeu as compras ao tomar conhecimento dos problemas da serraria flagrada pelo crime (leia a <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/respostas-da-tramontina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resposta completa da Tramontina<\/a>).<\/p>\n<p>A mesma realidade foi detectada em exportadores que compraram de serrarias amaz\u00f4nicas responsabilizadas por submeter trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de escravo. Elas vendem madeira para empresas como a USFLoors, que abastece a rede de materiais para constru\u00e7\u00e3o norte-americana Lowe\u00b4s. Outro comprador \u00e9 a Timber Holdings, que j\u00e1 forneceu madeira para obras no Central Park e na Brooklyn Bridge.<\/p>\n<p>Tanto a US Floors quanto a Timber Holdings, procuradas pela reportagem, disseram que a madeira comprada por eles n\u00e3o \u00e9 a mesma envolvida no flagrante de trabalho escravo.<\/p>\n<p>A rede de rela\u00e7\u00f5es comerciais que liga as marcas brasileiras e internacionais \u00e0s serrarias foi descoberta em investiga\u00e7\u00e3o da <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> e confirmada pelas empresas. Embora a reportagem n\u00e3o possa tra\u00e7ar o destino exato de cada peda\u00e7o de madeira, pois os produtos se misturam nos vendedores intermedi\u00e1rios, a investiga\u00e7\u00e3o revela que a rede de fornecedores de grandes grupos varejistas e da constru\u00e7\u00e3o civil est\u00e1 contaminada pela pr\u00e1tica criminosa. Ou seja, essas marcas est\u00e3o financiando redes que exploram o trabalho escravo.<\/p>\n<p>Os casos investigados come\u00e7am em duas serrarias que operam no oeste do Par\u00e1, um dos principais polos de expans\u00e3o da ind\u00fastria madeireira na Amaz\u00f4nia brasileira. Uma delas \u00e9 a Madeireira Iller. Em dezembro de 2012, fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho resgataram 31 pessoas que atuavam no beneficiamento, corte e transporte de madeira nativa para a empresa, em Santar\u00e9m. A empresa madeireira tamb\u00e9m foi <a href=\"https:\/\/mpf.jusbrasil.com.br\/noticias\/237530381\/caso-madeira-limpa-mpf-pa-denuncia-30-acusados-a-justica\">denunciada por delitos ambientais<\/a> e seus donos chegaram a ser presos em 2015 por esse motivo.<\/p>\n<p>Entre 2012 e junho de 2015, a Madeireira Iller foi um dos fornecedores da planta industrial da Tramontina em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, local onde a empresa fabrica m\u00f3veis e utens\u00edlios de madeira vendidos em todo o Brasil.<\/p>\n<p>Outro caso envolve a Bonardi da Amaz\u00f4nia, madeireira que empregava nove pessoas resgatadas da explora\u00e7\u00e3o do trabalho escravo em outubro de 2012. A empresa foi fornecedora da Tradelink Madeiras, ind\u00fastria de Ananindeua, tamb\u00e9m no Par\u00e1, entre agosto do mesmo ano e julho de 2015.<\/p>\n<p>A Tradelink Madeiras pertence ao Tradelink Group, sediado em Londres. Em resposta \u00e0 reportagem, o grupo afirma que faz inspe\u00e7\u00f5es de campo em seus fornecedores e que n\u00e3o encontrou irregularidades trabalhistas na Bonardi da Amaz\u00f4nia em junho de 2012. Ou seja, quatro meses antes do flagrante de trabalho escravo feito pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, a serraria foi visitada por funcion\u00e1rios da Tradelink.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o flagrante, a multinacional afirma que decidiu manter neg\u00f3cios com o fornecedor pois a madeireira se comprometeu a regularizar a situa\u00e7\u00e3o de seus funcion\u00e1rios (leia a <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-da-tradelink\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resposta da Tradelink<\/a>)<\/p>\n<p>Os produtos da Tradelink Madeiras t\u00eam alcance internacional. A rede Lowe\u2019s, segunda maior cadeia varejista de materiais de constru\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, j\u00e1 comercializou mat\u00e9ria-prima oriunda da empresa.<\/p>\n<p><strong>Trabalhadores escondidos na mata<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 2012, quando foram resgatados por fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho, os funcion\u00e1rios da Madeireira Iller viviam em condi\u00e7\u00f5es rudimentares, incompat\u00edveis com a sofisticada rede de compradores com quem seus empregadores faziam neg\u00f3cios. Nas \u00e1reas onde as \u00e1rvores eram cortadas, em plena floresta amaz\u00f4nica, dormiam em barracos de lona ou palha sem paredes para protege-los dos perigos da mata. Sobre o ch\u00e3o de terra batida e ao ar livre, as refei\u00e7\u00f5es eram preparadas em fogareiros improvisados, com alimentos armazenados sem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de higiene.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia banheiro nesses locais. A \u00e1gua era obtida em um igarap\u00e9, tamb\u00e9m frequentado por animais silvestres, e armazenada num tambor de \u00f3leo de motor.<\/p>\n<p>Trabalhando em uma atividade com alto risco de acidentes, os trabalhadores n\u00e3o tinham equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, carteira assinada e ganhavam apenas pelo que produziam. Nem o sal\u00e1rio m\u00ednimo estava garantido no final do m\u00eas, tudo dependia do n\u00famero de \u00e1rvores derrubadas.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es encontradas \u201caviltam a dignidade humana e caracterizam situa\u00e7\u00e3o degradante\u201d, registraram os auditores do trabalho no relat\u00f3rio da fiscaliza\u00e7\u00e3o, que enquadra o caso dentro do conceito de trabalho escravo contempor\u00e2neo, expresso no C\u00f3digo Penal brasileiro. Por conta disso, os trabalhadores foram resgatados do local e a empresa foi responsabilizada pelo crime.<\/p>\n<p>Ainda segundo os auditores, o dono da serraria teria mandado 23 funcion\u00e1rios fugirem e ficarem escondidos da a\u00e7\u00e3o fiscal. O objetivo seria evitar o flagrante das viola\u00e7\u00f5es. Os trabalhadores foram obrigados a se esconder dentro da mata durante cinco dias, per\u00edodo em que ficaram expostos a todos os riscos da floresta, at\u00e9 que finalmente foram encontrados pelos fiscais.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, em 2015, os propriet\u00e1rios da Madeireira Iller foram acusados de diversos crimes ambientais e chegaram a ser presos durante a Opera\u00e7\u00e3o Madeira Limpa, a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para o combate \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e grilagem de terras. A madeireira foi multada em R$ 1,8 milh\u00e3o por ter em dep\u00f3sito madeira sem comprova\u00e7\u00e3o de origem legal, al\u00e9m de apresentar informa\u00e7\u00f5es falsas nos sistemas oficiais de controle florestal.<\/p>\n<p>A <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> entrou em contato com \u00cdrio Luiz Orth, da fam\u00edlia propriet\u00e1ria da Madeireira Iller e, segundo a fiscaliza\u00e7\u00e3o trabalhista, o principal respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o da empresa. Ele declinou o pedido de entrevista.<\/p>\n<p>Entre 2012 e junho de 2015, a Madeireira Iller foi um dos fornecedores da planta industrial da Tramontina em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, local onde a empresa fabrica m\u00f3veis e utens\u00edlios de madeira. Os produtos do grupo Tramontina, l\u00edder nacional no mercado de utens\u00edlios para cozinha, s\u00e3o vendidos pelos principais varejistas do Brasil. Procurada pela reportagem, a empresa afirmou que interrompeu as compras assim que tomou conhecimento dos problemas da Iller, em 2015 \u2013 ou seja, tr\u00eas anos ap\u00f3s o flagrante.<\/p>\n<p><strong>Controle da Tramontina n\u00e3o identificou trabalho escravo<\/strong><\/p>\n<p>A Tramontina afirmou, por meio da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o, que contrata consultores para avaliar presencialmente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos seus fornecedores. Questionada se havia identificado irregularidades trabalhistas na Madeireira Iller em 2012, a empresa relata que a avalia\u00e7\u00e3o interna retratou uma realidade bastante diferente da encontrada pela fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u201cNas visitas feitas pela Tramontina, foi poss\u00edvel verificar a exist\u00eancia de refeit\u00f3rio, alojamentos, uso de uniformes e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual. Na hip\u00f3tese de haver trabalhadores em outros locais, isso n\u00e3o chegou ao conhecimento da empresa\u201d, diz a nota da empresa.<\/p>\n<p>A Madeireira Illler continuou abastecendo a Tramontina at\u00e9 junho de 2015. O corte ocorreu depois que foi constatado que esse fornecedor \u201cprovavelmente processava madeira de projetos de origem legal e outros projetos de origem duvidosa\u201d.<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses antes disso, no entanto, a Madeireira Iller j\u00e1 integrava a \u201clista da transpar\u00eancia\u201d do trabalho escravo, documento que divulga o nome das empresas flagradas pelo governo federal praticando esse tipo de crime. A inclus\u00e3o dos empregadores na lista ocorre ap\u00f3s a conclus\u00e3o do processo administrativo do Minist\u00e9rio do Trabalho relativo \u00e0s fiscaliza\u00e7\u00f5es, que garante direito de defesa aos autuados.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 elaborada pelo Minist\u00e9rio do Trabalho por solicita\u00e7\u00e3o, por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, da <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> e do Instituto do Pacto Nacional para a Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo (Inpacto). A \u201clista de transpar\u00eancia\u201d surgiu para preencher o vazio de informa\u00e7\u00e3o deixado pela aus\u00eancia da \u201clista suja\u201d do trabalho escravo \u2013 cadastro de empregados flagrados por esse crime, publicado semestralmente pelo Minist\u00e9rio do Trabalho de 2003 a 2014. Em dezembro de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu uma liminar que suspendia a publica\u00e7\u00e3o a pedido de uma associa\u00e7\u00e3o de incorporadoras imobili\u00e1rias. Desde junho de 2016, por\u00e9m, o STF liberou a divulga\u00e7\u00e3o da \u201clista suja\u201d, mas ela segue suspensa por decis\u00e3o do governo federal.<\/p>\n<p>Tal como era com a \u201clista suja\u201d, a \u201clista de transpar\u00eancia\u201d tem sido utilizada por empresas formalmente comprometidas em combater a escravid\u00e3o em suas redes de fornecedores (consulte os nomes na \u00faltima lista<strong> <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/listadetransparencia4.pdf\">aqui<\/a><\/strong>). Elas incluem, por exemplo, os associados do Instituto do Pacto Nacional pela Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo, que assumem o compromisso de definir restri\u00e7\u00f5es comerciais aos empregadores flagrados com o crime.<\/p>\n<p>A <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> perguntou \u00e0 Tramontina se a empresa usa a \u201clista da transpar\u00eancia\u201d no controle de seus fornecedores. \u201cSempre utilizamos e continuaremos utilizando\u201d, disse a empresa. Por meio de nota, afirmou que, a partir de 2016, reduziu de seis para tr\u00eas meses o prazo para a atualiza\u00e7\u00e3o de cadastros que preveem o descredenciamento de fornecedores envolvidos com trabalho escravo e crimes ambientais.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas principais grupos varejistas do Brasil \u2013 Walmart, Carrefour e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar \u2013 tamb\u00e9m se comprometem a restringir neg\u00f3cios com empresas da \u201clista da transpar\u00eancia\u201d. Tendo em vista que todos s\u00e3o clientes da Tramontina, a <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> solicitou o posicionamento deles sobre o caso.<\/p>\n<p>O Carrefour informou que repudia qualquer forma de trabalho an\u00e1logo ao de escravo ou pr\u00e1ticas contr\u00e1rias \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental. J\u00e1 o Walmart e o grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar (dono do Ponto Frio, Casas Bahia e Extra.com) ressaltaram que a Tramontina j\u00e1 havia tomado medidas para remover a Madeireira iller de sua cadeia de fornecimento. Clique nos nomes das empresas para ver, na \u00edntegra, o posicionamento do <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Carrefour.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carrefour<\/a>, do grupo <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-do-grupo-pao-de-acucar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/a>\u00a0e do <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-do-walmart-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Walmart<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Tradelink e Lowe\u2019s<\/strong><\/p>\n<p>Outra madeireira paraense flagrada empregando m\u00e3o de obra escrava \u00e9 a Bonardi da Amaz\u00f4nia. Em outubro de 2012, o Minist\u00e9rio do Trabalho resgatou nove trabalhadores que extra\u00edam madeira nativa para a empresa em Altamira, Par\u00e1.<\/p>\n<p>Eles estavam alojados em barracos no meio da floresta, com estrutura de pau retirado da mata. Eram cobertos com lona pl\u00e1stica e tinham piso de ch\u00e3o batido. O local servia como dormit\u00f3rio e a \u00e1rea de refei\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores tomavam banho e lavavam as roupas em um c\u00f3rrego pr\u00f3ximo aos barracos. N\u00e3o havia banheiro no local, que ficava a 110 quil\u00f4metros da cidade mais pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Assim como no caso da Madeireira Iller, os trabalhadores n\u00e3o tinham contratos de trabalho formalizados, e eram pagos por produ\u00e7\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es degradantes de alojamento e higiene identificadas pela fiscaliza\u00e7\u00e3o levaram a Bonardi da Amaz\u00f4nia a ser responsabilizada pelo emprego de m\u00e3o de obra escrava no local, em conson\u00e2ncia com um dos crit\u00e9rios que tipificam esse crime no C\u00f3digo Penal brasileiro.<\/p>\n<p>Procurada pela <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b>, a Bonardi da Amaz\u00f4nia afirmou que assinou um acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho para regularizar a situa\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios, e que cumpriu todas as exig\u00eancias do governo brasileiro. (Leia a <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-da-bonardi-da-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resposta da Bonardi<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/serrariasflagradas-3-1-800x798.jpg\" \/><\/p>\n<p>Em 2012, a Tradelink Madeiras era um dos clientes da Bonardi da Amaz\u00f4nia. A empresa afirma que visitou o projeto de manejo desse fornecedor quatro meses antes da fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho. Segundo a Tradelink, n\u00e3o houve, na ocasi\u00e3o, nenhuma constata\u00e7\u00e3o de irregularidade trabalhista no local.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o resgate, a madeireira continuou como fornecedora da Tradelink at\u00e9 julho de 2015, mesmo ap\u00f3s ter seu nome inclu\u00eddo na \u201clista da transpar\u00eancia\u201d do trabalho escravo, em mar\u00e7o daquele ano. Segundo a Tradelink, o acordo firmado entre a Bonardi da Amaz\u00f4nia e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho \u2013 que foi devidamente cumprido, segundo o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio \u2013 foi o motivo pelo qual a empresa decidiu manter a madeireira entre os seus fornecedores ap\u00f3s o flagrante (Leia as respostas da <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-da-tradelink\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tradelink<\/a>).<\/p>\n<p>Em 2015, um dos clientes da Tradelink nos Estados Unidos foi a USFloors, que produz pisos de madeira vendidos, por exemplo, pela rede varejista Lowe\u2019s, a segunda maior cadeia de materiais de constru\u00e7\u00e3o norte-americana. A Lowe\u2019s possui mais de 1,7 mil lojas no pa\u00eds, al\u00e9m de tamb\u00e9m estar presente no M\u00e9xico e no Canad\u00e1. A USFloors confirmou que madeira adquirida pela empresa da Tradelink foi posteriormente vendida \u00e0 Lowe\u2019s. No entanto, a empresa afirma que essa mat\u00e9ria-prima n\u00e3o era a mesma que a Tradelink havia adquirido da Bonardi da Amaz\u00f4nia. (<a href=\"https:\/\/ecotourspetate.com\/ordering-generic-tapentadol-from-us-to-us-pharmacies\/\">ecotourspetate.com<\/a>)  A mesma informa\u00e7\u00e3o foi dada pela Tradelink, quando procurada pela reportagem.<\/p>\n<p>\u201cEu fui pessoalmente \u00e0 f\u00e1brica da Tradelink no Brasil e sentimos que, entre todas as f\u00e1bricas visitadas, a Tradelink era a \u00fanica com procedimentos adequados para garantir o cumprimento das regulamenta\u00e7\u00f5es locais e internacionais\u201d, avalia Philippe Erramuzpe, diretor de Opera\u00e7\u00f5es da USFloors. Em nota enviada \u00e0 Rep\u00f3rter Brasil, Erramuzpe afirma que a empresa parou de comercializar este produto importado do Brasil via Tradelink devido \u00e0 \u201cbaixa performance de vendas\u201d. O diretor afirma que os fornecedores da USFloors s\u00e3o obrigados a \u201ccertificar que o material n\u00e3o \u00e9 produzido em viola\u00e7\u00e3o com as leis e regula\u00e7\u00f5es locais\u201d e encerra a nota afirmando que \u201capoia integralmente\u201d o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o da reportagem. (Leia a \u00edntegra do <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-da-usfloors\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">posicionamento da USFloors<\/a>).<\/p>\n<p>A <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> \u00a0tentou, por diversas vezes, contato com a Lowe\u00b4s, por telefone e por email. O varejista, no entanto, n\u00e3o respondeu aos pedidos de esclarecimento encaminhados.<\/p>\n<p><strong>Brooklyn e Central Park<\/strong><\/p>\n<p>Outro cliente regular da Bonardi da Amaz\u00f4nia, desde 2012 at\u00e9 os dias atuais, \u00e9 a Ronardi Comercial Exportadora de Madeiras, uma <i>trading<\/i> brasileira sediada emColombo, no Paran\u00e1. Seus clientes incluem empresas norte-americanas, como a Timber Holdings USA. Trata-se de uma fabricante de pisos de madeira que j\u00e1 forneceu mat\u00e9ria-prima para importantes projetos urban\u00edsticos naquele pa\u00eds, como no Atlantic City Boardwalk, na Brooklyn Bridge e em obras no Central Park.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/serrariasflagradas-2-800x798.jpg\" \/><\/p>\n<p>Muitos desses projetos utilizam ip\u00ea em sua composi\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mesmo tipo de madeira que a Timber Holdings adquiriu da Ronardi em 2016, e que a Ronardi, por sua vez, tamb\u00e9m adquire da Bonardi da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 <b>Rep\u00f3rter Brasil, <\/b>A Ronardi afirmou que \u201crepudia veementemente qualquer transgress\u00e3o \u00e0 lei trabalhista\u201d. A empresa diz ter pedido esclarecimentos \u00e0 Bonardi da Amaz\u00f4nia ap\u00f3s o contato da reportagem e reproduziu o comunicado do fornecedor, no qual a Bonardi afirma ter regularizado a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e n\u00e3o ter mais d\u00e9bitos trabalhistas pendentes. (Leia o <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-da-ronardi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">posicionamento completo da Ronardi<\/a>).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m contatada pela reportagem, a Timber Holdings afirmou, na primeira leva de respostas enviadas por email, que a empresa comprou dois cont\u00eaineres com pisos de Ip\u00ea e com documenta\u00e7\u00e3o de cadeia de fornecimento indicando conex\u00e3o com a Bonardi de Amaz\u00f4nia Ltda. Posteriormente, por\u00e9m, a empresa retificou essa informa\u00e7\u00e3o. Em um segundo email \u00e0 reportagem, a empresa afirmou que a madeira adquirida da Ronardi tinha origem em outras serrarias, que n\u00e3o a Bonardi.<\/p>\n<p>\u201cNossa empresa \u00e9 completamente contra qualquer tipo de trabalho escravo e com\u00e9rcio de madeira ilegal, e deve-se ressaltar que a Timber Holdings foi uma das primeiras empresas do mundo a investir em uma auditoria terceirizada para cada carregamento de madeira importado do Brasil\u201d, diz a empresa. Segundo a importadora norte-americana, nenhum embarque de madeira \u00e9 aprovado caso existam empregadores arrolados na \u201clista da transpar\u00eancia\u201d \u00a0em qualquer etapa da rede de fornecedores do produto, desde a origem at\u00e9 o vendedor direto (Leia as <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/resposta-da-timber-holdings\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">repostas da Timber Holdings <\/a>USA).<\/p>\n<p>A realidade dos trabalhadores explorados por serrarias no Par\u00e1 pouco mudou desde os casos flagrados em 2012. Em outubro do ano passado, a <b>Rep\u00f3rter Brasil<\/b> encontrou trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es degradantes muito parecidas com as registradas nas serrarias Iller e Bonardi durante fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho no mesmo estado. Al\u00e9m de condi\u00e7\u00f5es degradantes, muitos estavam sem receber pagamento e sofriam amea\u00e7as quando cobravam seus direitos. Saiba como vivem e morrem os homens que derrubam a Amaz\u00f4nia: \u201c<a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/03\/trabalho-escravo-na-amazonia-homens-cortam-arvores-sob-risco-e-ameaca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trabalho escravo na Amaz\u00f4nia: homens cortam \u00e1rvores sob risco e amea\u00e7a<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Reportagem parte do especial <a href=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/madeireiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Profiss\u00e3o Madeireiro<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Andr\u00e9 Campos, Rep\u00f3rter Brasil de 13 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00e3o revela ainda trabalho escravo no corte de madeira para exporta\u00e7\u00e3o, ligando o crime a empresas que fizeram obras no Central Park e Brooklyn Bridge A rede que abastece madeira para os utens\u00edlios dom\u00e9sticos da Tramontina incluiu, em anos recentes, uma serraria flagrada com trabalho escravo contempor\u00e2neo. 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