{"id":19180,"date":"2017-04-02T09:00:45","date_gmt":"2017-04-02T12:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19180"},"modified":"2017-03-22T13:49:44","modified_gmt":"2017-03-22T16:49:44","slug":"ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/","title":{"rendered":"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg\" alt=\" (Foto: Thom\u00e1s Arthuzi)\" \/><em>(Foto: Thom\u00e1s Arthuzi)<\/em><\/p>\n<p class=\"chamada-materia hidden-xs\"><strong>O atual padr\u00e3o de consumo \u00e9 insustent\u00e1vel e coloca o futuro da humanidade em risco. Afinal, o mundo \u00e9 aquilo que voc\u00ea come<\/strong><\/p>\n<p class=\"chamada-materia hidden-xs\">Uma boa ceia de natal, como diz a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento de reunir a fam\u00edlia e os amigos para preparar pratos deliciosos, beber sem preocupa\u00e7\u00e3o com o dia seguinte e conversar sobre o ano que passou, com hist\u00f3rias engra\u00e7adas, conquistas profissionais e eventuais fofocas cotidianas. A abund\u00e2ncia de <strong>comida<\/strong> sobre a mesa da sala, no entanto, tamb\u00e9m conta com uma narrativa que diz muito sobre nosso atual modelo de desenvolvimento. Nesse caso, infelizmente, a hist\u00f3ria n\u00e3o nos leva a um final feliz.<\/p>\n<p>\u201cO que posso fazer para transformar o mundo em um lugar melhor?\u201d As primeiras cenas de <strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DQCs-an-uBc\" target=\"_blank\"><em>Cowspiracy<\/em><\/a>,<\/strong> document\u00e1rio lan\u00e7ado em 2014 e que recebeu aten\u00e7\u00e3o mundial ap\u00f3s a Netflix disponibilizar a produ\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o de streaming em setembro deste ano, levantam uma quest\u00e3o que volta e meia faz barulho em muita consci\u00eancia. Kip Andersen, diretor do filme, fez esse mesmo questionamento ap\u00f3s assistir ao document\u00e1rio <em>Uma Verdade Inconveniente<\/em>, produ\u00e7\u00e3o assinada por Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001.<\/p>\n<div>\u00a0Os dados apresentados sobre a influ\u00eancia humana no aumento de gases de efeito estufa na atmosfera, que fez subir a temperatura terrestre em 0,85\u00b0C nas \u00faltimas d\u00e9cadas, motivou Andersen a assumir uma s\u00e9rie de compromissos pessoais, como diminuir o tempo dos banhos, trocar o carro pela bicicleta no deslocamento urbano e reciclar aquilo que consumia.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>A certeza de realizar uma grande contribui\u00e7\u00e3o para o futuro da humanidade caiu por terra ap\u00f3s um amigo compartilhar no Facebook a not\u00edcia de um relat\u00f3rio divulgado em 2006 pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, afirmando que a pecu\u00e1ria gerava 18% da quantidade de gases de efeito estufa, superior em cinco pontos percentuais \u00e0s emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico de todo o setor de transporte do mundo. Diante dessa informa\u00e7\u00e3o, Andersen procurou institui\u00e7\u00f5es governamentais, ONGs, empresas e pesquisadores para chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que o modelo de consumo da humanidade \u2013 e, sobretudo, nossos h\u00e1bitos alimentares \u2013 s\u00e3o insustent\u00e1veis e esgotar\u00e3o os recursos da Terra caso mudan\u00e7as definitivas n\u00e3o ocorram em um curto horizonte de tempo. Mas para entender a gravidade desse desequil\u00edbrio, \u00e9 necess\u00e1rio compreender como alcan\u00e7amos o atual sistema de produ\u00e7\u00e3o de comida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/eYrFA3BMQM5PU-9V-S1wCm-h0WI=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-02.jpg\" alt=\" (Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi)\" \/><\/p>\n<p>Convenhamos que acordar segunda-feira de manh\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 entre os momentos mais agrad\u00e1veis da semana, mas imagine ter de sair de casa todos os dias para buscar o pr\u00f3prio <strong>alimento<\/strong> \u2013 e isso n\u00e3o significa caminhar at\u00e9 a padaria para comprar p\u00e3ezinhos quentes. Os primeiros Homo sapiens a ocuparem o planeta dedicavam-se \u00e0 busca de vegetais comest\u00edveis ou animais para ca\u00e7a e, quando eventualmente topavam com um bicho feroz, as chances do ca\u00e7ador se tornar a presa da vez aumentavam consideravelmente.<\/p>\n<p>Tudo mudou gra\u00e7as \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do arado, ferramenta criada h\u00e1 mais de sete mil anos para descompactar a terra e torn\u00e1-la prop\u00edcia ao cultivo de plantas em maior escala. O feito tecnol\u00f3gico levou \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de excedentes aliment\u00edcios, que possibilitou a divis\u00e3o do trabalho em diferentes atividades e deu o pontap\u00e9 para um novo tipo de sociedade, cada vez mais especializada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/WESORrvUtA0Dtgdy343_aGbMVbU=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-03.jpg\" alt=\" (Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi)\" width=\"400\" height=\"995\" \/><\/p>\n<p>A <strong>comida<\/strong>, respons\u00e1vel por suprir as necessidades biol\u00f3gicas do ser humano, tornou-se uma mercadoria valiosa \u2013 de acordo com as \u00faltimas estat\u00edsticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o brasileiro gasta em m\u00e9dia 16% de sua renda mensal em alimenta\u00e7\u00e3o. Com fatias cada vez maiores de lucro, a humanidade dominou a natureza para fabricar mais recursos nutricionais: h\u00e1 10 mil anos, 99% da quantidade de biomassa animal correspondia a bichos selvagens; hoje, animais criados para a alimenta\u00e7\u00e3o humana e n\u00f3s, Homo sapiens, fazemos parte de 98% da mat\u00e9ria viva do planeta.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Life-Hacks\/noticia\/2016\/05\/10-formas-cientificamente-comprovadas-de-melhorar-sua-produtividade.html\" target=\"_blank\">produtividade<\/a> por hectare \u2013 unidade de medida para superf\u00edcies agr\u00e1rias que corresponde a uma \u00e1rea semelhante a um campo de futebol \u2013 aumentou no Brasil, com seis vezes mais gr\u00e3os colhidos na mesma \u00e1rea e dez vezes mais carne obtida por hectare. \u201cNo pa\u00eds, houve um salto tecnol\u00f3gico para o desenvolvimento de uma agricultura tropical, que aumentou a produtividade e diminuiu os pre\u00e7os\u201d, afirma Rodrigo de Brito, assessor t\u00e9cnico da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria, a CNA.<\/p>\n<p>Acontece que essa l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o\u00a0 e cria\u00e7\u00e3o animal trouxe consequ\u00eancias ambientais mais graves do que o pr\u00f3prio processo de industrializa\u00e7\u00e3o, com um impacto sem precedentes na emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, no consumo crescente de \u00e1gua pot\u00e1vel e na exaust\u00e3o das terras cultiv\u00e1veis. Tudo isso para garantir aquela picanha do churrasco de domingo ou o rosbife assado do card\u00e1pio da ceia natalina. \u201cO consumo de carne aumenta o impacto ambiental, com o desmatamento nas \u00e1reas de florestas, emiss\u00f5es de gases poluentes e mudan\u00e7as nas incid\u00eancias de chuvas\u201d, afirma Paulo Barreto, mestre em Ci\u00eancias Florestais pela Universidade Yale e pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon).<\/p>\n<p>Em estudo apresentado neste ano, Barreto reuniu dados sobre o impacto ambiental da atividade agropecu\u00e1ria, respons\u00e1vel por 62% do total de emiss\u00f5es brasileiras de gases poluentes em 2013. Desse \u00edndice, a cria\u00e7\u00e3o de gado ocupa posi\u00e7\u00e3o privilegiada: a fermenta\u00e7\u00e3o no intestino dos animais foi respons\u00e1vel por 76% das emiss\u00f5es de gases poluentes do setor agr\u00edcola brasileiro em 2013, com a libera\u00e7\u00e3o do g\u00e1s metano, que tem potencial poluente 25 vezes superior ao g\u00e1s carb\u00f4nico, e do \u00f3xido nitroso, liberado no esterco do animal, 296 vezes mais danoso que o CO2.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, cada boi ou vaca produz de 250 a 500 litros de metano por dia \u2013 s\u00f3 no Brasil, o rebanho est\u00e1 estimado em 212 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado, de acordo com n\u00fameros do IBGE. O bilion\u00e1rio volume t\u00f3xico \u00e9 somado \u00e0 derrubada de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para a abertura de pastos, que diminuem o n\u00famero de \u00e1rvores respons\u00e1veis por sequestrar o\u00a0 g\u00e1s carb\u00f4nico\u00a0 durante o processo da fotoss\u00edntese e consequentemente aumentar a quantidade de poluentes na atmosfera. De 2000 a 2013, o rebanho bovino aumentou em 70% na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, passando de 47 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado para 80 milh\u00f5es \u2013 n\u00e3o por acaso, 65% das \u00e1reas desmatadas da regi\u00e3o deram lugar a pastos.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o territorial para as atividades da pecu\u00e1ria, ali\u00e1s, n\u00e3o se restringem \u00e0 destina\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os para os animais viverem: relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO-ONU) indica que metade dos gr\u00e3os produzidos no planeta \u00e9 utilizada para os 70 bilh\u00f5es\u00a0 de animais criados para a alimenta\u00e7\u00e3o humana. \u201cUm quilo de carne de frango custa dois quilos de ra\u00e7\u00e3o e os porcos se alimentam com o dobro dessa quantidade\u201d, diz o professor Carlos Arm\u00eanio Khatounian, do Departamento de Produ\u00e7\u00e3o Vegetal da Escola Superior de Agricultura da Universidade de S\u00e3o Paulo (ESALQ-USP). \u201cO resultado disso \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o cada vez maior de cereais e o uso de terra para fornecer ra\u00e7\u00e3o animal.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da expans\u00e3o de monoculturas de gr\u00e3os, como soja e milho, a cria\u00e7\u00e3o de animais tamb\u00e9m contribui indiretamente para o consumo de cada vez mais \u00e1gua doce \u2013 70% do consumo desse recurso v\u00eam da agricultura, de acordo com relat\u00f3rio do programa clim\u00e1tico das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 2011. Segundo informa\u00e7\u00f5es coletadas pela organiza\u00e7\u00e3o Water Footprint Network, a m\u00e9dia de \u00e1gua utilizada na produ\u00e7\u00e3o de um quilo de corte bovino sem osso corresponde a assustadores 19,4 mil litros de \u00e1gua, o equivalente a 143 banhos de 15 minutos de dura\u00e7\u00e3o ou 431 duchas de cinco minutos.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o do consumo dessas <strong>carnes<\/strong> por uma alimenta\u00e7\u00e3o de peixes e frutos do mar seria a solu\u00e7\u00e3o, portanto? N\u00e3o exatamente. \u201cA pesca \u00e9, de longe, o principal impacto \u00e0 sa\u00fade dos oceanos\u201d, diz Monica Peres, diretora geral da Oceana Brasil, que trabalha com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade dos oceanos. \u201cNas \u00e1reas costeiras, a polui\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de habitat s\u00e3o mais percept\u00edveis, mas na medida em que vamos em dire\u00e7\u00e3o ao oceano, a pesca se torna o impacto mais importante.\u201d Em 2014, a produ\u00e7\u00e3o total da piscicultura brasileira foi de 474,33 mil toneladas, de acordo com dados do IBGE. O problema \u00e9 que a lista oficial do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente j\u00e1 considera 475 esp\u00e9cies de peixes e invertebrados aqu\u00e1ticos amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, por conta de altera\u00e7\u00f5es no habitat e a captura insustent\u00e1vel. Al\u00e9m dos n\u00fameros oficiais, a FAO indica que de 11 a 26 milh\u00f5es de toneladas de peixes por ano s\u00e3o capturados de maneira ilegal no mundo, que geram um valor aproximado de US$ 10 bilh\u00f5es a US$ 23 bilh\u00f5es. Se nem o bacalhauzinho da ceia est\u00e1 garantido, o que resta de esperan\u00e7a para a humanidade?<\/p>\n<p>Em <em>Cowspiracy<\/em>, Kip Andersen levanta a bandeira de que \u00e9 poss\u00edvel tornar o mundo mais sustent\u00e1vel a partir da suspens\u00e3o do consumo de carne e outros produtos derivados dos animais, como leite, ovos e margarina \u2013 grupo de alimentos ricos em prote\u00ednas, os macronutrientes que participam de processos celulares fundamentais para o funcionamento de nosso organismo.<\/p>\n<p>Nutricionistas e m\u00e9dicos concordam que uma dieta exclusivamente vegetariana \u00e9 poss\u00edvel de ser adotada por adultos, que consumiriam a prote\u00edna vegetal de produtos como feij\u00e3o, lentilha, gr\u00e3o de bico, soja e ervilha. Nesse caso, a \u00fanica defici\u00eancia seria a da vitamina B12, presente em maior quantidade nos produtos de origem animal e importante para a constitui\u00e7\u00e3o do sangue \u2013 nesse caso, a vitamina seria consumida pelos vegetarianos estritos em forma de suplemento nutricional sint\u00e9tico. \u201cGera\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias vegetarianas n\u00e3o s\u00e3o an\u00eamicas, mas t\u00eam uma estrutura e peso menor que os humanos on\u00edvoros em longo prazo\u201d, afirma o m\u00e9dico Roberto Navarro, especialista em nutrologia. \u201cAl\u00e9m do aumento dos \u00edndices de colesterol, o excesso de prote\u00edna afeta o funcionamento dos rins e pode prejudicar a composi\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio dos ossos.\u201d A recomenda\u00e7\u00e3o para o consumo di\u00e1rio de prote\u00ednas \u00e9 de 0,8 a 1,2 gramas por quilo ou 300 gramas de carne por semana.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 maiores justificativas nutricionais para o consumo excessivo de carne, por que fazemos quest\u00e3o de rechear o nosso prato com um belo peda\u00e7o de bife a cada refei\u00e7\u00e3o? \u201cPassamos por est\u00e1gios de fome na hist\u00f3ria e o consumo de carne era uma marca de distin\u00e7\u00e3o social\u201d, diz a nutricionista Julicristie Oliveira, professora da Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas da Universidade de Campinas (Unicamp). \u201cQuando era presidente, Lula dizia que o brasileiro j\u00e1 podia comer carne, em um exemplo da melhora do poder de compra.\u201d De fato, entre 2002 e 2014, a popula\u00e7\u00e3o subalimentada no Brasil caiu 82,1%, por um esfor\u00e7o de pol\u00edticas p\u00fablicas associado ao crescimento econ\u00f4mico da exporta\u00e7\u00e3o de produtos da agropecu\u00e1ria: a soja \u00e9 o principal produto da balan\u00e7a comercial brasileira, o pa\u00eds \u00e9 l\u00edder na produ\u00e7\u00e3o de frango e tem a meta de suprir 44,5% do mercado mundial de carne bovina at\u00e9 2020. \u201cH\u00e1 40 anos, o consumo anual de produtos de origem animal na China era de quatro quilos por habitante, e isso inclu\u00eda leite, ovos e peixe\u201d, diz o professor Carlos Arm\u00eanio Khatounian. \u201cHoje, esse \u00edndice \u00e9 de 80 quilos anuais e o que possibilitou isso foi a expans\u00e3o da soja no Brasil para a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo com a instabilidade econ\u00f4mica, a expectativa do\u00a0 setor agropecu\u00e1rio\u00a0 \u00e9 ser respons\u00e1vel por R$ 1,2 trilh\u00e3o do Produto Interno Brasileiro (PIB) deste ano, praticamente um ter\u00e7o do total das riquezas nacionais, com participa\u00e7\u00e3o de R$ 816,1 bilh\u00f5es da agricultura e R$ 391,6 bilh\u00f5es da pecu\u00e1ria, consideradas as diferentes etapas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o presente em nosso atual modelo de desenvolvimento, que contrap\u00f5e a economia nacional com a sustentabilidade ambiental, n\u00e3o se restringe \u00e0s grandes propriedades monocultoras e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais. Assim como a carne, o h\u00e1bito de comer certos vegetais sem levar em conta suas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e sazonais tamb\u00e9m produz desequil\u00edbrios pelo uso excessivo de agrot\u00f3xicos ou fertilizantes artificiais que esgotam os recursos naturais da terra e poluem o len\u00e7ol fre\u00e1tico \u2013 dados da FAO afirmam que o mau uso de fertilizantes aumentou o teor de f\u00f3sforo nos sistemas de \u00e1gua doce em 75%, proliferando algas que afetam o equil\u00edbrio da biodiversidade. \u201cSabe por que o tomate, a batata e o morango utilizam tanto veneno? Porque eles s\u00e3o plantas de adapta\u00e7\u00e3o for\u00e7ada em nosso ambiente\u201d, afirma o professor Khatounian, da ESALQ.\u00a0 \u201cAs popula\u00e7\u00f5es humanas adaptaram sua dieta e padr\u00e3o de sabor naquilo mais abundante em cada quadrante do planeta, o gosto \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o sociocultural.\u201d<\/p>\n<p>Em artigo sobre a hist\u00f3ria da alimenta\u00e7\u00e3o, o pesquisador afirma que esses vegetais desembarcaram em territ\u00f3rio brasileiro por conta da imigra\u00e7\u00e3o, utilizando doses de agrot\u00f3xicos para controlar as pragas locais \u2013 de acordo com a FAO, a agricultura causa mais de 40 mil mortes por envenenamento por pesticidas a cada ano no mundo. Mas como se n\u00e3o bastasse ainda h\u00e1 as toneladas de comida que diariamente t\u00eam o lixo como destino.<\/p>\n<p><strong>Destino da gula<\/strong><\/p>\n<p>Chega a ser inacredit\u00e1vel o fato de que, at\u00e9 dezembro de 2015, ainda existissem mais de 800 milh\u00f5es de pessoas em condi\u00e7\u00f5es de pobreza extrema e <strong>fome<\/strong>, segundo os \u00faltimos dados da ONU. Enquanto isso, o desperd\u00edcio global de comida \u00e9 estimado em 1,3 bilh\u00e3o de toneladas, o equivalente a um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o total mundial, a um custo perdido de US$ 750 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e uma \u00e1rea de 1,4 bilh\u00e3o de hectares, equivalente a 28% da \u00e1rea total ocupada pela agricultura no mundo. Cerca de 45% de todas as frutas e legumes, 35% dos peixes e frutos do mar e 20% da carne v\u00e3o para o lixo e s\u00e3o respons\u00e1veis pela emiss\u00e3o de 3,3 bilh\u00f5es de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera do planeta. \u201cO transporte \u00e9, possivelmente, a principal causa dos danos mec\u00e2nicos, cuja intensidade varia com a dist\u00e2ncia a ser percorrida e o tipo de produto transportado\u201d, diz Ant\u00f4nio Gomes Soares, pesquisador da Embrapa. \u201cEm um pa\u00eds com dimens\u00f5es continentais como o Brasil, transportar frutas e hortali\u00e7as, que s\u00e3o altamente perec\u00edveis, em estradas ruins e caminh\u00f5es sem refrigera\u00e7\u00e3o, permite o aumento substancial das perdas.\u201d De acordo com a institui\u00e7\u00e3o, metade das 26,3 milh\u00f5es de toneladas anuais perdidas no Brasil ocorre durante o manuseio e transporte dos alimentos, enquanto 30% do desperd\u00edcio acontece nas\u00a0 centrais de abastecimento e comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ajudar a solucionar esse problema, a carioca Luciana Quint\u00e3o fundou em 1998 a ONG Banco de Alimentos, que entra em contato com distribuidores e supermercados para recolher alimentos que seriam desperdi\u00e7ados e os distribui para institui\u00e7\u00f5es que atendem atualmente a quase 22 mil pessoas. \u201cNo lixo da cidade, mais da metade do material org\u00e2nico \u00e9 resto de alimento\u201d, diz Luciana. \u201cH\u00e1 um grave problema que \u00e9 cultural: grande parte da popula\u00e7\u00e3o joga fora talos e sementes, enquanto poderia aproveit\u00e1-los na hora de preparar o alimento.\u201d<\/p>\n<p>A FAO afirma que, em 2013, 500 mil toneladas de alimentos foram poupadas do desperd\u00edcio por meio dos bancos de alimentos: s\u00f3 na Am\u00e9rica Latina, 190 mil toneladas foram distribu\u00eddas a 12,7 mil organiza\u00e7\u00f5es de 15 pa\u00edses.\u00a0 Desenvolvido em parceria com 50 restaurantes do Rio Grande do Sul e de S\u00e3o Paulo, o projeto Satisfeito foi idealizado em 2012 por conta de um desconforto comum na hora em que o prato pedido chega \u00e0 mesa. \u201cA gente se d\u00e1 conta que a <strong>refei\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 maior do que a nossa fome\u201d, diz Luiza Esteves, coordenadora da iniciativa realizada pelo Instituto Alana, organiza\u00e7\u00e3o que realiza trabalhos na \u00e1rea de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Ao participar do Satisfeito, o restaurante pode indicar ao cliente uma troca: h\u00e1 a possibilidade de pedir um prato com a por\u00e7\u00e3o menor de comida pelo mesmo pre\u00e7o da quantidade original. O valor economizado pela empresa \u00e9 doado ao projeto, que j\u00e1 disponibilizou cerca de 130 mil refei\u00e7\u00f5es repassadas a organiza\u00e7\u00f5es. \u201cEssa \u00e9 uma mudan\u00e7a de cultura, porque vemos aquela ideia do prato bem servido, mas as pessoas est\u00e3o cada vez mais conscientes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade\u201d, afirma Luiza. Em S\u00e3o Paulo, um restaurante de porte m\u00e9dio desperdi\u00e7a quase 10% do produto total em servi\u00e7os de buf\u00ea; j\u00e1 o modelo \u00e0 la carte pode registrar 40% de perdas.<\/p>\n<p><strong>Que fazer?<\/strong><\/p>\n<p>Caso tenha chegado at\u00e9 o final desta reportagem, por favor, n\u00e3o desista da sua ceia natalina ap\u00f3s encontrar essa aparente espiral de caos que fundamenta o atual modelo de desenvolvimento alimentar, abastecimento e consumo. As mudan\u00e7as de nossos h\u00e1bitos alimentares ser\u00e3o irrevers\u00edveis nos pr\u00f3ximos anos, mais provavelmente por mudan\u00e7as decorrentes de movimentos econ\u00f4micos do que por cat\u00e1strofes naturais. \u201cA ind\u00fastria de tabaco alegava que a propaganda contra o cigarro desempregaria muita gente, mas esse argumento ignora a flexibilidade da economia e a cria\u00e7\u00e3o de novas oportunidades\u201d, diz Carlos Arm\u00eanio Khatounian. \u201cUma dieta com menos carne poderia gerar novos postos de trabalho na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e nutricional, al\u00e9m de uma nova diversidade de produtos, mas o fato \u00e9 que isso n\u00e3o acontecer\u00e1 de uma hora para a outra.\u201d Nunca subestimem a capacidade de transforma\u00e7\u00e3o do capitalismo, afinal.<\/p>\n<p>Quem compartilha uma opini\u00e3o semelhante ao do professor da ESALQ \u00e9 o norte-americano Dan Barber, chef do restaurante nova-iorquino Blue Hill e autor do livro <em>O Terceiro Prato<\/em> (editora Casa Amarela, 480 p\u00e1ginas). Na obra, Barber prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es para superar o atual sistema alimentar a partir de uma <strong>gastronomia<\/strong> que respeite as particularidades culturais e os ciclos biol\u00f3gicos de cada territ\u00f3rio, al\u00e9m de aproximar o pequeno agricultor do consumidor, a partir da valoriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o familiar e org\u00e2nica. \u201cCom o fim do modelo de agricultura \u2018industrial\u2019, teremos de mudar as estruturas de como consumimos a comida\u201d, diz o chef em entrevista \u00e0 GALILEU. \u201cIsso significa mais diversidade e menos componentes qu\u00edmicos nas fazendas, com dietas mais ligadas \u00e0 realidade ecol\u00f3gica\u201d. O \u201cterceiro prato\u201d proposto por Barber para o futuro \u00e9 composto de gr\u00e3os, legumes e vegetais, sendo que a carne ser\u00e1 utilizada como um condimento. E o mais importante de tudo, sem perder o sabor e o prazer de se alimentar bem. \u201cA comida cultivada do jeito correto e com o tipo adequado de ecologia \u00e9 invariavelmente mais gostosa.\u201d<\/p>\n<p>Mas se o futuro n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim assim, o que \u00e9 poss\u00edvel fazer agora para mudar a nossa rela\u00e7\u00e3o com a comida? A consci\u00eancia de consumo \u00e9 um primeiro passo importante para tornar os h\u00e1bitos mais sustent\u00e1veis, como verificar a proced\u00eancia das mercadorias compradas nos mercados \u2013 cerca de 60% da carne consumida no Brasil prov\u00e9m dos tr\u00eas maiores frigor\u00edficos que publicam relat\u00f3rios socioambientais sobre a compra de carne de origem l\u00edcita. O problema \u00e9 que 40% da carne vendida ainda v\u00eam de origem incerta e duvidosa. Mas como colocar press\u00e3o para que os supermercados parem de comprar carne de fazendas que desmatam a floresta? Para tentar responder a essa pergunta, o Greenpeace publicou o estudo <em>Carne ao molho madeira &#8211; vamos colocar a floresta na frente dos bois<\/em>, que realizou um question\u00e1rio com os principais supermercados do pa\u00eds para entender a pol\u00edtica de aquisi\u00e7\u00e3o de carne. O resultado foi decepcionante: entre as grandes empresas, nenhuma se saiu bem. \u201cHoje pode se dizer que, de forma geral, a carne vendida nos supermercados brasileiros \u00e9 de origem duvidosa\u201d, afirma Adriana Charoux, coordenadora da campanha de pecu\u00e1ria da ONG. \u201cN\u00e3o quer dizer que toda a carne seja suja, s\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 para garantir que a carne est\u00e1 livre de desmatamento.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de sofrer press\u00f5es do agroneg\u00f3cio e com o desafio de produzir alimentos para cada vez mais pessoas, os produtores familiares que n\u00e3o utilizam agrot\u00f3xicos no cultivo de vegetais tamb\u00e9m ganham destaque como alternativa sustent\u00e1vel para o futuro. \u201cExperi\u00eancias agroecol\u00f3gicas mais avan\u00e7adas mostram que \u00e9 poss\u00edvel produzir mais e respeitar a biodiversidade, acumulando \u00e1gua para recuperar o solo\u201d, afirma Denis Monteiro, da Secretaria da Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia.\u00a0 \u201cUma das propostas do movimento agroecol\u00f3gico \u00e9 promover os mercados locais: ao inv\u00e9s de levar um produto transportado em uma dist\u00e2ncia de mil quil\u00f4metros voc\u00ea estimula aquilo que \u00e9 produzido localmente.\u201d Apesar de n\u00e3o eliminar completamente a necessidade de trazer alimentos de outros lugares, quanto menor o espa\u00e7o de deslocamento, mais fresco chegar\u00e1 o produto, poupando o meio ambiente da emiss\u00e3o de poluentes dos caminh\u00f5es de transporte.<\/p>\n<p>O brasileiro consome, em m\u00e9dia, 40 quilos de carne vermelha por ano: em uma conta feita com o Greenpeace, se 10% da popula\u00e7\u00e3o tirasse a carne do card\u00e1pio em um dia do m\u00eas, o impacto ambiental seria melhor do que se 1% dos habitantes do pa\u00eds parasse de comer carne da noite para o dia. De qualquer maneira, antes de iniciar a sua ceia natalina, lembre-se que o peru desossado e sem penas era um ser vivo \u2013 e, apesar de ser a primeira vez que a \u00e9tica e o cuidado com os animais \u00e9 citada nesta reportagem, essa \u00e9 uma quest\u00e3o essencial para uma mudan\u00e7a definitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira como nos relacionamos com nossa comida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/S-0HgY7oZZW1V5gs8GpTIVl1Dss=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-05.jpg\" alt=\" (Foto: Revista Galileu)\" \/><\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0Thiago Tanji, reportagem Gustavo Poloni, Marcia Schuler e Samuel Lima, Galileu de 17 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Foto: Thom\u00e1s Arthuzi) O atual padr\u00e3o de consumo \u00e9 insustent\u00e1vel e coloca o futuro da humanidade em risco. Afinal, o mundo \u00e9 aquilo que voc\u00ea come Uma boa ceia de natal, como diz a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento de reunir a fam\u00edlia e os amigos para preparar pratos deliciosos, beber sem preocupa\u00e7\u00e3o com o dia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-19180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o - FUNVERDE<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o - FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"(Foto: Thom\u00e1s Arthuzi) O atual padr\u00e3o de consumo \u00e9 insustent\u00e1vel e coloca o futuro da humanidade em risco. Afinal, o mundo \u00e9 aquilo que voc\u00ea come Uma boa ceia de natal, como diz a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento de reunir a fam\u00edlia e os amigos para preparar pratos deliciosos, beber sem preocupa\u00e7\u00e3o com o dia&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/funverde\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-04-02T12:00:45+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"funverde\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\"},\"author\":{\"name\":\"funverde\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277\"},\"headline\":\"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o\",\"datePublished\":\"2017-04-02T12:00:45+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\"},\"wordCount\":3697,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg\",\"articleSection\":[\"Geral\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\",\"name\":\"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o - FUNVERDE\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg\",\"datePublished\":\"2017-04-02T12:00:45+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage\",\"url\":\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg\",\"contentUrl\":\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\",\"name\":\"FUNVERDE\",\"description\":\"ONG criada em 1999, para melhorar o planeta, atrav\u00e9s da preserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\",\"name\":\"FUNVERDE\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg\",\"width\":457,\"height\":499,\"caption\":\"FUNVERDE\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/funverde\",\"https:\/\/x.com\/funverde\",\"https:\/\/www.instagram.com\/funverde\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277\",\"name\":\"funverde\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"funverde\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o - FUNVERDE","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o - FUNVERDE","og_description":"(Foto: Thom\u00e1s Arthuzi) O atual padr\u00e3o de consumo \u00e9 insustent\u00e1vel e coloca o futuro da humanidade em risco. Afinal, o mundo \u00e9 aquilo que voc\u00ea come Uma boa ceia de natal, como diz a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento de reunir a fam\u00edlia e os amigos para preparar pratos deliciosos, beber sem preocupa\u00e7\u00e3o com o dia&hellip;","og_url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/","og_site_name":"FUNVERDE","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/funverde","article_published_time":"2017-04-02T12:00:45+00:00","og_image":[{"url":"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg","type":"","width":"","height":""}],"author":"funverde","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@funverde","twitter_site":"@funverde","twitter_misc":{"Escrito por":"funverde","Est. tempo de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/"},"author":{"name":"funverde","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277"},"headline":"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o","datePublished":"2017-04-02T12:00:45+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/"},"wordCount":3697,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg","articleSection":["Geral"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/","name":"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o - FUNVERDE","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg","datePublished":"2017-04-02T12:00:45+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#primaryimage","url":"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg","contentUrl":"http:\/\/s2.glbimg.com\/IVusI5dUqvbm7BCWetrRYzOfzlE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/23\/293-capa-01.jpg"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ha-algo-de-errado-com-a-sua-refeicao\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"H\u00e1 algo de errado com a sua refei\u00e7\u00e3o"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/","name":"FUNVERDE","description":"ONG criada em 1999, para melhorar o planeta, atrav\u00e9s da preserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization","name":"FUNVERDE","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg","width":457,"height":499,"caption":"FUNVERDE"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/funverde","https:\/\/x.com\/funverde","https:\/\/www.instagram.com\/funverde\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277","name":"funverde","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g","caption":"funverde"}}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19180"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19180"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19180\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19186,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19180\/revisions\/19186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19180"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=19180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}