{"id":19223,"date":"2017-04-07T17:00:12","date_gmt":"2017-04-07T20:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19223"},"modified":"2017-03-27T15:33:07","modified_gmt":"2017-03-27T18:33:07","slug":"a-transposicao-e-a-morte-do-rio-sao-francisco-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-transposicao-e-a-morte-do-rio-sao-francisco-2\/","title":{"rendered":"A transposi\u00e7\u00e3o e a morte do rio S\u00e3o Francisco"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.alvarodias.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/trnsposi%C3%A7%C3%A3op-600x384.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u201cA ideia de aproveitamento das \u00e1guas do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> para projetos de irriga\u00e7\u00e3o de grande envergadura n\u00e3o \u00e9 ruim\u201d, mas considerando o \u201cestado de fragilidade\u201d dos afluentes que o alimentam, a execu\u00e7\u00e3o de uma obra como a da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/565564-transposicao-das-aguas-do-sao-francisco-a-hora-da-verdade\" target=\"_blank\">transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0ter\u00e1 como consequ\u00eancia \u201cacelerar a morte do rio\u201d, diz <strong>Altair Sales Barbosa<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o antrop\u00f3logo comenta a inaugura\u00e7\u00e3o do eixo leste da<strong> transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, e afirma que \u201ca pressa desenfreada para inaugurarem as obras se enquadra nos moldes ditados pelo modelo econ\u00f4mico que rege a pol\u00edtica brasileira, visando \u00e0 expans\u00e3o de fronteiras agr\u00edcolas para atender as exig\u00eancias do <strong>capital internacional<\/strong>, sem a devida preocupa\u00e7\u00e3o com as consequ\u00eancias ambientais e sociais para o futuro regional e mesmo para o futuro do planeta\u201d.<\/p>\n<p><strong>Barbosa<\/strong> explica que a transposi\u00e7\u00e3o afetar\u00e1 \u201cdrasticamente a din\u00e2mica\u201d n\u00e3o s\u00f3 do <strong>rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, mas de sua bacia hidrogr\u00e1fica, que \u201c\u00e9 formada por rios senis, que j\u00e1 atingiram seu estado de equil\u00edbrio\u201d. \u201cAs <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/558009-transposicao-do-rio-sao-francisco-ma-gestao-dos-recursos-hidricos-leva-nordeste-brasileiro-a-exaustao-entrevista-especial-com-joao-suassuna\" target=\"_blank\">consequ\u00eancias do sistema de transposi\u00e7\u00e3o<\/a> ser\u00e3o danosas e num curto espa\u00e7o de tempo levar\u00e1 \u00e0 morte a maioria dos afluentes do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, incluindo o pr\u00f3prio rio. Isto acontecer\u00e1 porque com a din\u00e2mica alterada o transporte de sedimentos arenosos aumentar\u00e1 de forma assustadora, gerando dentre as consequ\u00eancias o assoreamento, j\u00e1 que a maioria dos afluentes do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> corre por \u00e1reas da <strong>Forma\u00e7\u00e3o Urucuia<\/strong>, cuja caracter\u00edstica principal \u00e9 a ocorr\u00eancia de um arenito frouxo\u201d. Al\u00e9m disso, ressalta, \u201co rio S\u00e3o Francisco integra um sistema composto por elementos intimamente interligados\u201d, portanto \u201cqualquer altera\u00e7\u00e3o nesses elementos provoca altera\u00e7\u00e3o no sistema como um todo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/6555-cerrado-o-laboratorio-antropologico-ameacado-pela-desterritorializacao\" target=\"_blank\">Altair Sales Barbosa<\/a> possui gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia pela Pontificia Universidad Cat\u00f3lica de Chile, doutorado em Arqueologia Pr\u00e9-Hist\u00f3rica pela Smithsonian Institution &#8211; National Museum of Natural History, de Washington, Estados Unidos. \u00c9 coordenador do projeto Enciclop\u00e9dia Virtual do Cerrado pelo Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Goi\u00e1s, do qual \u00e9 s\u00f3cio titular.<\/p>\n<p>No dia 16 de maio, das 19h30min \u00e0s 22, ele profere a confer\u00eancia <a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/eventos\/os-biomas-brasileiros-e-a-teia-da-vida-14-pascoa-ihu-ex122801-00001\" target=\"_blank\">O Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado, as comunidades tradicionais e cultura<\/a>, dentro da programa\u00e7\u00e3o do evento <a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/eventos\/os-biomas-brasileiros-e-a-teia-da-vida-14-pascoa-ihu-ex122801-00001\" target=\"_blank\">Os biomas brasileiros e a teia da vida<\/a>, promovido pelo <strong>Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU<\/strong>. <a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/eventos\/os-biomas-brasileiros-e-a-teia-da-vida-14-pascoa-ihu-ex122801-00001\" target=\"_blank\">Veja a programa\u00e7\u00e3o completa<\/a>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como o senhor reage diante da entrega da primeira parte da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco, que leva \u00e1gua at\u00e9 Pernambuco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> A pressa desenfreada para inaugurarem as obras da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-entrevistas\/551677-transposicao-do-sao-francisco-o-elefante-branco-nordestino-entrevista-especial-com-joao-suassuna\" target=\"_blank\">transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0se enquadra, atualmente, nos moldes ditados pelo modelo econ\u00f4mico que rege a pol\u00edtica brasileira, visando \u00e0 expans\u00e3o de fronteiras agr\u00edcolas para atender as exig\u00eancias do <strong>capital internacional<\/strong>, sem a devida preocupa\u00e7\u00e3o com as consequ\u00eancias ambientais e sociais para o futuro regional e mesmo para o futuro do planeta.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Era ou n\u00e3o desej\u00e1vel realizar essa obra no S\u00e3o Francisco? Por qu\u00ea? Quais s\u00e3o os impactos geol\u00f3gicos de uma transposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> A ideia de aproveitamento das <strong>\u00e1guas do S\u00e3o Francisco<\/strong> para projetos de irriga\u00e7\u00e3o de grande envergadura n\u00e3o \u00e9 ruim, mas no estado de fragilidade e degrada\u00e7\u00e3o em que se encontram seus alimentadores, execut\u00e1-la \u00e9 acelerar a morte do rio. A bacia tem que ser vista de maneira global. Como j\u00e1 \u00e9 conhecido, o rio S\u00e3o Francisco integra um sistema composto por elementos intimamente interligados, e qualquer altera\u00e7\u00e3o num desses elementos provoca altera\u00e7\u00e3o no sistema como um todo. As \u00e1guas da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/560183-revitalizacao-do-sao-francisco-precisa-de-r-30-bilhoes-diz-comite-da-bacia-hidrografica\" target=\"_blank\">bacia do S\u00e3o Francisco<\/a> dependem basicamente dos <strong>aqu\u00edferos Urucuia e Bambu\u00ed<\/strong>, cuja recarga depende das \u00e1guas das chuvas, absorvidas pelo complexo sistema radicular das plantas do <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/382\" target=\"_blank\">Cerrado<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Cerrado<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Cerrado<\/strong> \u00e9 uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/536664-a-complexa-teia-hidrica-que-brota-do-cerrado-esta-ameacada-entrevista-especial-com-altair-sales-barbosa\" target=\"_blank\">forma\u00e7\u00e3o complexa<\/a> que depende de in\u00fameros fatores para a sua exist\u00eancia. Entres estes fatores, incluem-se alguns mam\u00edferos que t\u00eam a capacidade de quebrar, no mecanismo do seu intestino, a dorm\u00eancia das sementes de algumas plantas e se tornam disseminadores dessas plantas, cujas tecnologias ainda n\u00e3o foram desenvolvidas para produ\u00e7\u00e3o em viveiros. Outro fator importante \u00e9 a poliniza\u00e7\u00e3o por vespas e abelhas ind\u00edgenas end\u00eamicas do Cerrado. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio falar que a fauna do Cerrado se encontra em processo acelerado de extin\u00e7\u00e3o, portanto o processo natural de dissemina\u00e7\u00e3o vegetal est\u00e1 afetado.<\/p>\n<p>O <strong>Cerrado<\/strong>, enquanto ambiente e forma\u00e7\u00e3o vegetacional, j\u00e1 atingiu seu apogeu evolutivo. Isto significa que, uma vez <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/564689-cerrado-perde-metade-da-vegetacao-nativa-agronegocio-acelera-o-processo\" target=\"_blank\">degradado<\/a>, n\u00e3o se recupera jamais na plenitude de sua biodiversidade. A discuss\u00e3o da revitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de uma fal\u00e1cia que revela desconhecimento da hist\u00f3ria evolutiva do <strong>Cerrado<\/strong>. Algumas plantas do <strong>Cerrado<\/strong> demandam s\u00e9culos para atingirem a maior idade.<\/p>\n<p>Se considerarmos o <strong>Cerrado<\/strong> com um todo, ou seja, incluindo todos os seus subsistemas, menos de 5% de sua \u00e1rea original est\u00e1 preservada. Nos chapad\u00f5es onde ocorre a recarga dos aqu\u00edferos, este \u00edndice ainda \u00e9 menor.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quem foram os principais apoiadores e opositores da transposi\u00e7\u00e3o? Pode nos apresentar quais s\u00e3o os argumentos utilizados em favor da obra e quais s\u00e3o os contr\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> Quando o Governo Federal, em 2005, anunciou o projeto de<strong> transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, grande parte dos pesquisadores brasileiros, conhecedores da ecologia regional, se posicionou contr\u00e1ria ao referido projeto. Juntamente com os pesquisadores, v\u00e1rios segmentos sociais de agricultores familiares, ribeirinhos e <strong>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/strong> tamb\u00e9m se juntaram a essas vozes \u2014 a mais expressiva e esperan\u00e7osa foi expressada atrav\u00e9s do gesto do bispo da diocese de Barra, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/11053-transposicao-do-rio-sao-francisco-e-a-luta-de-frei-cappio-entrevista-especial-com-ruben-siqueira-e-roberto-malvezzi-gogo\" target=\"_blank\">D. Luis Cappio<\/a>. Entretanto, o fim do protesto deste bispo, explicitado atrav\u00e9s de um jejum de v\u00e1rios dias, associado \u00e0 decis\u00e3o do <strong>Supremo Tribunal Federal<\/strong> de ordenar a retomada das obras para a <strong>transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, funcionou como uma ducha de \u00e1gua fria, despejada em todos os movimentos que possuem uma vis\u00e3o diferenciada da posi\u00e7\u00e3o oficial sobre a transposi\u00e7\u00e3o. E apagou de vez a esperan\u00e7a que alguns mantinham na capacidade de di\u00e1logo dos governantes.<\/p>\n<p>A promessa do ent\u00e3o governador da <strong>Bahia<\/strong> de revitalizar as cabeceiras dos alimentadores do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> n\u00e3o passou de uma ilus\u00e3o, porque cientificamente \u00e9 imposs\u00edvel concretizar este fato.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco se divide em dois eixos, o Norte e o Leste. Pode nos explicar cada um deles e de que modo a \u00e1gua do rio ser\u00e1 transportada para os quatro estados que receber\u00e3o essa \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> O atual projeto de <strong>transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/strong> consiste na constru\u00e7\u00e3o de dois eixos adutores, que se interligam a eixos adutores menores, dispersos em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. O primeiro eixo, denominado <strong>Eixo Norte<\/strong>, ter\u00e1, segundo dados oficiais, 402 quil\u00f4metros de extens\u00e3o por 25 metros de largura e 6 metros de profundidade. Ser\u00e1 totalmente constru\u00eddo em massa concreta. Entretanto, dados n\u00e3o oficiais informam que esse eixo ter\u00e1 uma extens\u00e3o superior a 600 quil\u00f4metros, n\u00e3o contabilizando os adutores colaterais. A \u00e1gua que abastecer\u00e1 esse eixo ser\u00e1 bombeada para o canal a partir da cidade de <strong>Cabrob\u00f3<\/strong> e passar\u00e1 prioritariamente por terras do Estado do <strong>Cear\u00e1<\/strong> e <strong>Rio Grande do Norte<\/strong>.<\/p>\n<p>O segundo eixo se denomina <strong>Eixo Leste<\/strong> e de acordo com dados oficiais ter\u00e1 uma extens\u00e3o de 220 quil\u00f4metros em linha reta, tomando como orienta\u00e7\u00e3o o eixo principal. Todavia, esse eixo se une a um emaranhado de eixos menores, cuja somat\u00f3ria total ultrapassa os 1.000 quil\u00f4metros. Passar\u00e1 em terras dos Estados de <strong>Pernambuco<\/strong> e <strong>Para\u00edba<\/strong>. Sua capta\u00e7\u00e3o se far\u00e1 atrav\u00e9s de bombeamento de \u00e1gua, a partir da <strong>represa de Itaparica<\/strong>. A constru\u00e7\u00e3o, toda em concreto, ter\u00e1 as mesmas caracter\u00edsticas do <strong>Eixo Norte<\/strong>, com 25 metros de largura por 6 de profundidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/03\/17_03_papa_do_projeto_de_transposicao_imagem_overno_federal.jpg\" \/><em>Mapa do projeto de Transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco\u00a0(Fonte: Portal do Governo Federal)<\/em><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que avalia\u00e7\u00e3o faz do processo de constru\u00e7\u00e3o da obra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> Este <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/8070-transposicao-do-rio-sao-francisco-existem-outros-caminhos-mais-abrangentes-eficientes-e-baratos-entrevista-especial-com-roberto-malvezzi-gogo\" target=\"_blank\">sistema de transposi\u00e7\u00e3o<\/a> afetar\u00e1 drasticamente a din\u00e2mica do <strong>rio S\u00e3o Francisco<\/strong> e toda sua bacia, que \u00e9 formada por rios senis, que j\u00e1 atingiram seu estado de equil\u00edbrio. Este estado j\u00e1 foi afetado algumas vezes pela constru\u00e7\u00e3o de barragens. As consequ\u00eancias do sistema de transposi\u00e7\u00e3o ser\u00e3o danosas e num curto espa\u00e7o de tempo levar\u00e1 \u00e0 morte a maioria dos afluentes do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, incluindo o pr\u00f3prio rio. Isto acontecer\u00e1 porque com a din\u00e2mica alterada o transporte de sedimentos arenosos aumentar\u00e1 de forma assustadora, gerando dentre as consequ\u00eancias o assoreamento, j\u00e1 que a maioria dos afluentes do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> corre por \u00e1reas da <strong>Forma\u00e7\u00e3o Urucuia<\/strong>, cuja caracter\u00edstica principal \u00e9 a ocorr\u00eancia de um arenito frouxo.<\/p>\n<p>A <strong>transposi\u00e7\u00e3o<\/strong>, da forma como se nos apresenta, aumentar\u00e1 tamb\u00e9m a velocidade dos rios na sua calha principal. Isto provoca em todos os afluentes o fen\u00f4meno denominado sugamento dos aqu\u00edferos, que ser\u00e3o sugados em velocidade maior para alimentarem os rios agora mais velozes desde seus cursos superiores.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 \u00e9 conhecido, em fun\u00e7\u00e3o da retirada da cobertura vegetal nativa para <strong>monocultura<\/strong>, os <strong>aqu\u00edferos<\/strong> n\u00e3o est\u00e3o sendo recarregados como deveriam e de ano em ano diminuem em seus n\u00edveis. O sugamento funcionar\u00e1 como um aspirador sugando a \u00faltima poeira dos cantos de alguns aposentos que algu\u00e9m esqueceu de varrer.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Um dos principais argumentos dos governos do PT e PMDB ao defenderem a transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco era o de que a obra beneficiaria 12 milh\u00f5es de pessoas em quatro estados, Pernambuco, Cear\u00e1, Para\u00edba e Rio Grande do Norte. Por que na sua avalia\u00e7\u00e3o esse argumento \u00e9 fr\u00e1gil e por quais raz\u00f5es a obra \u00e9 controversa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> Infelizmente, o discurso da gera\u00e7\u00e3o de empregos e do enriquecimento f\u00e1cil, usado pelos pol\u00edticos sem a devida assessoria cient\u00edfica, tem servido de base para iludir o povo. O tempo tem demonstrado o quanto esse discurso \u00e9 falacioso.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que se houvesse o estudo adequado de toda a <strong>bacia do S\u00e3o Francisco<\/strong> e um <strong>zoneamento agroecol\u00f3gico<\/strong> correto, algumas \u00e1reas poderiam usufruir da irriga\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/555503-transformacoes-no-semiarido-brasileiro-a-luta-pela-agua-nao-pode-acabar-ela-e-permanente-entrevista-especial-com-gloria-araujo\" target=\"_blank\">sem a necessidade da transposi\u00e7\u00e3o<\/a> da forma como est\u00e1 se concretizando.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como a popula\u00e7\u00e3o desses quatro estados tem reagido ao processo da transposi\u00e7\u00e3o e especialmente neste momento, com a entrega de parte da obra? A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 dividida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vantagens e desvantagens dessa obra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> Pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o tem reagido de forma mais veemente. Isto porque falta organiza\u00e7\u00e3o e falta consci\u00eancia. Se esses dois elementos existissem, a rea\u00e7\u00e3o seria bem maior.<\/p>\n<p>Conhecimento do problema que a transposi\u00e7\u00e3o trar\u00e1, muitos t\u00eam, mas a consci\u00eancia que \u00e9 capaz de mudar comportamentos, poucos a t\u00eam. A resist\u00eancia fica por conta de pequenos grupos organizados da <strong>Igreja Cat\u00f3lica<\/strong>, como a<strong> Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/strong>, ribeirinhos, pescadores e alguns artistas que abra\u00e7aram a causa. Felizmente a consci\u00eancia est\u00e1 se alastrando, o que poder\u00e1 ter, no futuro, resultados concretos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor comentou recentemente que h\u00e1 uma disputa por \u00e1gua no Oeste da Bahia entre popula\u00e7\u00e3o local e multinacionais do agroneg\u00f3cio. Como essa disputa vem ocorrendo e por que as empresas se beneficiam da transposi\u00e7\u00e3o, e a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> H\u00e1 cerca de um m\u00eas, fiz uma vistoria em alguns rios do oeste da <strong>Bahia<\/strong>, vertente do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> e outros situados a leste do <strong>Espig\u00e3o Mestre<\/strong>, que vertem para o <strong>Tocantins<\/strong>. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de pura calamidade, basta analisar as imagens de sat\u00e9lite da regi\u00e3o para verificar a migra\u00e7\u00e3o das nascentes desses rios, bem como o desaparecimento de outros.<\/p>\n<p>Os grandes empreendedores dessas iniciativas s\u00e3o absente\u00edstas, n\u00e3o vivem no local, por isso mesmo n\u00e3o sabem dimensionar a grandeza do crime que est\u00e3o cometendo, n\u00e3o s\u00f3 contra as popula\u00e7\u00f5es tradicionais, mas contra os bens naturais e a pr\u00f3pria humanidade, uma vez que o preju\u00edzo ambiental j\u00e1 concretizado \u00e9 irrevers\u00edvel. Para quem conhece a din\u00e2mica da ecologia do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias-2015\/549497-cerrado-perdeu-metade-da-sua-vegetacao-afirma-estudo-do-governo\" target=\"_blank\">Cerrado<\/a>, tem pleno conhecimento deste fato. Seus representantes, verdadeiros capatazes, se alinham aos que dominam a pol\u00edtica do Estado da <strong>Bahia<\/strong>, atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os que deveriam cuidar do meio ambiente, e n\u00e3o favorecerem e facilitarem a sua destrui\u00e7\u00e3o. Os representantes destes \u00f3rg\u00e3os desconhecem as diferen\u00e7as com que o <strong>Sert\u00e3o de Dentro<\/strong> se manifesta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica ecol\u00f3gica de <strong>Salvador<\/strong> ou do Litoral.<\/p>\n<p>Algumas pessoas que exercem cargos pol\u00edticos, assentados em <strong>Salvador<\/strong> e algumas regionais, funcionam como \u201ccabe\u00e7a de ponte\u201d entre a popula\u00e7\u00e3o que os elegeu confiando nas suas \u201cboas inten\u00e7\u00f5es\u201d, e os capatazes dos empres\u00e1rios alien\u00edgenas. Juntos proporcionam o suic\u00eddio ambiental e humano pela a\u00e7\u00e3o dos que det\u00eam o poder, e o suic\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o, por omiss\u00e3o, que v\u00ea seus bens naturais e seus valores humanos serem erodidos, mas que n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a necess\u00e1ria para frear o processo de degrada\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da natureza e das comunidades.<\/p>\n<p>\u00c9 importante salientar que o <strong>Cerrado<\/strong> do oeste da <strong>Bahia<\/strong> \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a recarga do <strong>aqu\u00edfero Urucuia<\/strong>, atrav\u00e9s da absor\u00e7\u00e3o das \u00e1guas das chuvas. As \u00e1guas desse aqu\u00edfero sustentam os rios que correm paralelamente encaixados e que s\u00e3o os respons\u00e1veis diretos pela vida e<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias-2015\/549169-a-perenidade-do-rio-sao-francisco-cada-vez-mais-ameacada-entrevista-com-roberto-malvezzi-gogo\" target=\"_blank\"> pereniza\u00e7\u00e3o do <strong>rio S\u00e3o Francisco<\/strong><\/a>, \u201cum patrim\u00f4nio nacional\u201d. Mas o <strong>Cerrado<\/strong> do oeste da Bahia tamb\u00e9m \u00e9 importante para a vida no Planeta, pois, pelas suas caracter\u00edsticas evolutivas, exerce o papel de sequestrar grande \u00edndice de carbono da atmosfera, numa \u00e9poca em que o efeito estufa p\u00f5e em risco a vida na Terra. Portanto, este ambiente, se preservado, pode ser considerado tamb\u00e9m um <strong>Patrim\u00f4nio da Humanidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Desde que o grande capital se implantou na \u00e1rea, o <strong>Cerrado<\/strong> em todos os seus gradientes vem sendo, paulatinamente, delapidado na plenitude de sua biodiversidade, incluindo as \u00e1guas. Portanto os autores dessa fa\u00e7anha est\u00e3o cometendo um crime contra a humanidade. Talvez n\u00e3o tenham as condi\u00e7\u00f5es e intelig\u00eancia necess\u00e1rias para avaliarem as consequ\u00eancias nocivas advindas de tais atos. Mas, tamb\u00e9m, podem ter sido engolidos pela gan\u00e2ncia do lucro, o que \u00e9 ainda pior. Uma coisa \u00e9 certa, nesta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabe a frase b\u00edblica \u201cPerdoai, Senhor, porque eles n\u00e3o sabem o que fazem\u201d.<\/p>\n<p>Os frutos dessa desarmonia ser\u00e3o colhidos ainda na gera\u00e7\u00e3o atual. N\u00e3o pensem que somente os filhos e netos herdar\u00e3o o sofrimento, cuja semente est\u00e1 sendo plantada, porque a natureza n\u00e3o espera quando entra em desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Especificamente para o Rio S\u00e3o Francisco, quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias ambientais da transposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/535703-pesquisadores-anunciam-a-extincao-inexoravel-do-rio-sao-francisco\" target=\"_blank\">rio S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0nasce no <strong>Cerrado<\/strong> de <strong>Minas Gerais<\/strong>, na <strong>Serra da Canastra<\/strong>, percorre mais de 3.000 km at\u00e9 sua foz. Ao longo desse percurso, vai engrossando suas \u00e1guas, principalmente com seus afluentes da margem esquerda, que formam as sub-bacias dos rios <strong>Paracatu<\/strong>, <strong>Urucuia<\/strong>, <strong>Carinhanha<\/strong>, <strong>Corrente<\/strong> e <strong>Grande<\/strong>. Todos esses rios e seus alimentadores menores est\u00e3o morrendo a cada hora que passa. Alguns j\u00e1 desapareceram para sempre. Isto acontece porque os dois grandes aqu\u00edferos que fazem o S\u00e3o Francisco brotar e o alimentam ao longo do seu percurso, est\u00e3o secando.<\/p>\n<p>Para entender este fato, \u00e9 necess\u00e1rio recuar no tempo, pelo menos 45 milh\u00f5es de anos. \u00c9 nesta \u00e9poca que o <strong>Cerrado<\/strong> adquire suas fei\u00e7\u00f5es atuais, cuja vegeta\u00e7\u00e3o possui um sistema radicular complexo. Por este fator, come\u00e7ou a reter as \u00e1guas das chuvas que ca\u00edam principalmente nos Chapad\u00f5es do Noroeste de <strong>Minas<\/strong> e Oeste da <strong>Bahia<\/strong>, <strong>Distrito Federal<\/strong> e Nordeste <strong>Goiano<\/strong> e parte do <strong>Tocantins<\/strong>. Estas \u00e1guas, primeiro s\u00e3o armazenadas nas rochas decompostas, que formam o len\u00e7ol fre\u00e1tico, depois, pela abund\u00e2ncia, infiltram pelas brechas das rochas do subsolo e se acomodam nos len\u00e7\u00f3is profundos. No <strong>Bambu\u00ed<\/strong>, esta \u00e1gua, ap\u00f3s atravessar a <strong>Forma\u00e7\u00e3o Urucuia<\/strong>, que \u00e9 arenosa, se armazena nas imensas galerias comuns \u00e0s forma\u00e7\u00f5es calc\u00e1rias. No Urucuia a \u00e1gua foi formando, com o tempo, grandes reservat\u00f3rios que se acomodavam entre os poros do arenito.<\/p>\n<p><strong>Aqu\u00edferos<\/strong><\/p>\n<p>Quando os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/542741-exploracao-de-aquiferos-precisa-se-tornar-mais-sustentavel-dizem-especialistas\" target=\"_blank\">aqu\u00edferos<\/a>\u00a0retiveram \u00e1gua suficiente, esta come\u00e7ou a brotar, na forma de nascentes, principalmente nas testas da Serra e na forma de pequenas lagoas nas \u00e1reas aplainadas, formando as veredas. Com o tempo as \u00e1guas, como l\u00e1grimas milagrosas, come\u00e7aram a descer em dire\u00e7\u00e3o a leste, alimentando a calha do seu condutor mor, o <strong>rio S\u00e3o Francisco<\/strong>. E assim, foram se formando paisagens que deveriam ser maravilhosas. Ao longo dos rios surgiam lagoas e banhados, onde se multiplicavam, em grande quantidade, os peixes que outrora eram abundantes, n\u00e3o s\u00f3 no S\u00e3o Francisco, mas em todos os seus afluentes.<\/p>\n<p>Na realidade os afluentes da margem esquerda s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela <strong>pereniza\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, pela sua oxigena\u00e7\u00e3o e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pelo seu nascedouro e exist\u00eancia. A \u00e1gua armazenada neste grande espa\u00e7o geogr\u00e1fico abrange desde a <strong>Serra da Canastra<\/strong> ao sul, at\u00e9 a <strong>chapada das Mangabeiras<\/strong> ao norte e se limita a oeste pelo<strong> Espig\u00e3o Mestre<\/strong>, que separa <strong>Goi\u00e1s<\/strong> e <strong>Tocantins<\/strong> de <strong>Minas<\/strong> e <strong>Bahia<\/strong>. Nos Chapad\u00f5es formados a leste do Espig\u00e3o Mestre, existem grandes dep\u00f3sitos de arenito que constituem a <strong>Forma\u00e7\u00e3o Geol\u00f3gica Urucuia<\/strong>, de<strong> idade Cret\u00e1cea<\/strong>, formada entre 140 e 65 milh\u00f5es de anos. A forma\u00e7\u00e3o Urucuia repousa sobre a Forma\u00e7\u00e3o Bambu\u00ed, calc\u00e1rio de idade Pr\u00e9-Cambriana e Paleozoica Inicial, com m\u00e9dia de um bilh\u00e3o de anos. Essas duas forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas armazenam \u00e1guas que formam dois grandes aqu\u00edferos, respons\u00e1veis pelas \u00e1guas que fazem jorrar a nascente do S\u00e3o Francisco e de todos os seus afluentes da margem esquerda, que, em fun\u00e7\u00e3o de sec\u00e7\u00f5es geomorfol\u00f3gicas, est\u00e3o agrupados em dois grandes conjuntos. O primeiro se situa desde a Serra da Canastra at\u00e9 a<strong> Serra da Capivara<\/strong>, na fronteira entre Minas Gerais e Bahia. O segundo se situa desde esta Serra at\u00e9 os contrafortes da <strong>Chapada das Mangabeiras<\/strong>, na fronteira entre Bahia, Tocantins, Piau\u00ed e Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os rios do primeiro conjunto, se destacam: <strong>Abaet\u00e9<\/strong>, <strong>Paracatu<\/strong>, <strong>Urucuia<\/strong> e <strong>Pardo<\/strong>. A partir da <strong>Serra da Capivara<\/strong>, um aglomerado de capilares hidrogr\u00e1ficos forma importantes rios, como o <strong>Carinhanha<\/strong>, que des\u00e1gua diretamente no <strong>S\u00e3o Francisco,<\/strong> e uma s\u00e9rie de outros importantes, como <strong>Pratud\u00e3o<\/strong>, <strong>Pratudinho<\/strong>, <strong>Arrojado<\/strong>, <strong>Correntina<\/strong>, do <strong>Meio<\/strong>, <strong>Guar\u00e1<\/strong> etc., que nas proximidades de<strong> Santa Maria da Vit\u00f3ria<\/strong>, se juntam dando origem ao rio <strong>Corrente<\/strong>, que des\u00e1gua no S\u00e3o Francisco, nas proximidades de <strong>Bom Jesus da Lapa<\/strong>. Mais ao norte, outro grande conjunto de in\u00fameros capilares aquosos, que vem desde o <strong>Jalap\u00e3o<\/strong>, se junta dando origem ao <strong>rio Grande<\/strong>, que des\u00e1gua diretamente no <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>. Todos esses rios s\u00e3o perenes durante toda \u00e9poca do ano, e at\u00e9 cerca de 30 anos atr\u00e1s o volume era no m\u00ednimo 5 vezes maior que o volume atual.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1970, as \u00e1reas dos chapad\u00f5es, onde se situam as nascentes e os cursos m\u00e9dios desses rios, v\u00eam sofrendo uma grande transforma\u00e7\u00e3o, com a retirada da cobertura vegetal natural, para a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e outras plantas ex\u00f3ticas. Este fato tem impedido a realimenta\u00e7\u00e3o normal dos aqu\u00edferos, contribuindo para o desaparecimento de in\u00fameros afluentes menores e a diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do volume dos cursos maiores.<\/p>\n<p>A maior parte dos afluentes da margem direita do rio <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> \u00e9 formada por rios tempor\u00e1rios, rios que costumam desaparecer na esta\u00e7\u00e3o seca. Isto ocorre porque esses rios n\u00e3o s\u00e3o provenientes de aqu\u00edferos, mas dependem das \u00e1guas armazenadas no fino len\u00e7ol fre\u00e1tico, que repousa sobre rochas n\u00e3o porosas que constituem o <strong>Cr\u00e1ton do S\u00e3o Francisco<\/strong>. O len\u00e7ol fre\u00e1tico est\u00e1 na depend\u00eancia das \u00e1guas pluviais e da vegeta\u00e7\u00e3o. Portanto, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias-2015\/539686-desmatamento-afeta-balanco-hidrico-do-cerrado-e-causa-erosao\" target=\"_blank\">desmatamento<\/a> associado a um per\u00edodo de estiagem prolongada o afeta totalmente.<\/p>\n<p>O rio mais importante pela margem esquerda n\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1rio, porque vem do <strong>aqu\u00edfero Bambu\u00ed<\/strong>. Trata-se do <strong>rio das Velhas<\/strong>, que carrega para o <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong> todo o <strong>esgoto de Belo Horizonte<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Cerrado j\u00e1 atingiu o cl\u00edmax evolutivo<\/strong><\/p>\n<p>De todos os ambientes terrestres atuais, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/563825-manutencao-das-tres-principais-bacias-hidrograficas-do-pais-depende-da-preservacao-do-cerrado-entrevista-especial-com-fernando-tatagiba\" target=\"_blank\">Cerrado<\/a>\u00a0pode ser considerado o mais antigo dentro da hist\u00f3ria recente do Planeta, que come\u00e7ou por volta de 65 milh\u00f5es de anos numa Era Geol\u00f3gica denominada <strong>Cenozoica<\/strong>. Os processos iniciais da hist\u00f3ria evolutiva do Cerrado come\u00e7aram no in\u00edcio dessa era e se concretizaram por volta de 45 milh\u00f5es de anos antes do presente. Por isto o Cerrado como um todo \u00e9 um ambiente especializado que j\u00e1 atingiu seu cl\u00edmax evolutivo, ou seja, uma vez degradado n\u00e3o mais se recupera na plenitude da sua <strong>biodiversidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Hoje s\u00e3o conhecidas aproximadamente 13 mil esp\u00e9cies vegetais no <strong>Cerrado<\/strong>. Atualmente existe conhecimento para produ\u00e7\u00e3o em viveiros de no m\u00e1ximo 200 esp\u00e9cies. As pesquisas da <strong>biotecnologia<\/strong> sobre produ\u00e7\u00e3o de mudas nativas do <strong>Cerrado \u201cin vitro\u201d<\/strong> t\u00eam alcan\u00e7ado poucos resultados positivos. Portanto, quando se fala em revitaliza\u00e7\u00e3o do Cerrado, \u00e9 prudente considerar esses aspectos, incluindo a fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da vegeta\u00e7\u00e3o nativa para a alimenta\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos, caso contr\u00e1rio n\u00e3o passa de discurso vazio.<\/p>\n<p>A partir de 1970, a vegeta\u00e7\u00e3o nativa do <strong>Cerrado<\/strong>, que ocupava os chapad\u00f5es, capinas e tabuleiros, foi sendo substitu\u00edda por <strong>plantas ex\u00f3ticas<\/strong>. Consequ\u00eancia: a chuva continuou caindo, mas n\u00e3o infiltrava como anteriormente, nem era absorvida pelo complexo sistema radicular da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, porque esta n\u00e3o existia mais. As plantas ex\u00f3ticas introduzidas t\u00eam raiz subsuperficial, e n\u00e3o chegam a reter 20% das \u00e1guas; al\u00e9m do mais, como se trata de culturas tempor\u00e1rias, grande parte do ano o solo fica desnudo, aumentando a perda da umidade do len\u00e7ol fre\u00e1tico. Acrescente-se a isso os piv\u00f4s centrais que nos chapad\u00f5es s\u00e3o alimentados atrav\u00e9s de po\u00e7os artesianos. Ou seja, al\u00e9m, de n\u00e3o estarem sendo recarregados normalmente, a pouca \u00e1gua existente atualmente nos aqu\u00edferos ainda \u00e9 sugada para umedecer as grandes planta\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o ret\u00eam o excesso dessa \u00e1gua, que acaba evaporando.<\/p>\n<p>A retirada da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/564689-cerrado-perde-metade-da-vegetacao-nativa-agronegocio-acelera-o-processo\" target=\"_blank\">cobertura vegetal natural do Cerrado<\/a> tem influenciado a pr\u00f3pria vida do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, j\u00e1 que este depende de fatores ecol\u00f3gicos extremamente complexos e interdependentes. O processo de desaparecimento dos seus alimentadores hidrogr\u00e1ficos est\u00e1 acontecendo num ritmo muito acelerado, em fun\u00e7\u00e3o desse fator. O racioc\u00ednio \u00e9 simples: as \u00e1guas das chuvas eram absorvidas em grande parte pela vegeta\u00e7\u00e3o nativa que alimenta os aqu\u00edferos, que fazem suas descargas nos declives e \u00e1reas baixas formando os rios.<\/p>\n<p><strong>Migra\u00e7\u00e3o das nascentes<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 como um imenso reservat\u00f3rio, assemelhando-se a uma grande caixa d\u2019\u00e1gua com v\u00e1rios furos enfileirados de cima para baixo. Quando o reservat\u00f3rio estava cheio, a \u00e1gua jorrava por todos os furos. \u00c0 medida que o n\u00edvel foi baixando, a \u00e1gua que anteriormente jorrava dos furos superiores deixava de correr. Este fen\u00f4meno \u00e9 conhecido pelo nome de migra\u00e7\u00e3o de nascentes. A migra\u00e7\u00e3o das nascentes provoca o desaparecimento de pequenos cursos d\u2019\u00e1guas no in\u00edcio, mas \u00e0 medida que o processo se acentua, os cursos maiores s\u00e3o afetados, at\u00e9 desaparecerem totalmente. Vez em quando, v\u00e3o ocorrer cheias estrondosas, provocadas ciclicamente por fen\u00f4menos naturais como <strong>El Ni\u00f1o<\/strong> e <strong>La Ni\u00f1a<\/strong>, mas isto n\u00e3o significa que o rio tenha ressuscitado, s\u00e3o fen\u00f4menos ef\u00eameros provocados por enxurradas resultantes de chuvaradas que se deslocam pelos antigos caminhos das \u00e1guas.<\/p>\n<p><strong>Extin\u00e7\u00e3o da fauna<\/strong><\/p>\n<p>O que aconteceu com o quadro vegetacional vem acontecendo tamb\u00e9m com os animais, incluindo os insetos polinizadores, que se encontram em acentuado <strong>processo de extin\u00e7\u00e3o<\/strong>. No caso espec\u00edfico da fauna aqu\u00e1tica do<strong> rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, esta era abundante, com variadas esp\u00e9cies de peixes que saciavam a fome das popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e ainda mantinha com\u00e9rcios din\u00e2micos. Esse panorama n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p>Diante de tal situa\u00e7\u00e3o, alguns se colocam como salvadores, pregando, por exemplo, programas de soltura de alevinos para repovoarem os rios. \u00c9 sempre bom lembrar que a cadeia alimentar dos filhotes de peixes se inicia nas lagoas e matas ciliares, ambientes produtores de fitopl\u00e2nctons. Entretanto a <strong>degrada\u00e7\u00e3o<\/strong> provocou o desaparecimento das lagoas marginais e das matas ciliares cont\u00ednuas. Por isso, os peixes foram embora.<\/p>\n<p>O incentivo oficial, atrav\u00e9s de verbas governamentais e internacionais, para a pesquisa aplicada visando \u00e0 produtividade, demonstrou que a \u00e1rea dos chapad\u00f5es por onde nascem e correm os principais afluentes do <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, com muito insumo, poderia se transformar num potencial agr\u00edcola de dimens\u00f5es grandiosas, associado ao fato de ser uma das \u00faltimas reservas da terra capaz de suportar, de modo imediato, a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, cereais e a forma\u00e7\u00e3o de pastagens e canaviais. Este fato atraiu recentemente grandes investimentos, criando modifica\u00e7\u00f5es significativas, do ponto de vista da infraestrutura de suporte. Fen\u00f4menos que, tomados em conjunto, t\u00eam provocado situa\u00e7\u00f5es ecologicamente nocivas, com perspectivas preocupantes a n\u00edvel regional e global.<\/p>\n<p><strong>Modelo econ\u00f4mico<\/strong><\/p>\n<p>A causa fundamental desta situa\u00e7\u00e3o pode ser creditada ao <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/514233-cerrado-e-visto-como-fonte-para-aumentar-o-pib-brasileiro-entrevista-especial-com-lara-montenegro\" target=\"_blank\">modelo econ\u00f4mico<\/a>\u00a0que se instalou, voltado para o lucro imediato, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es globais do meio ambiente e o conhecimento necess\u00e1rio do funcionamento da <strong>ecologia do Cerrado<\/strong>. Tamb\u00e9m pode-se associar a este determinante a falta de a\u00e7\u00f5es integradas de pesquisa t\u00e9cnico-cient\u00edfica para o conhecimento hol\u00edstico das intera\u00e7\u00f5es ambientais existentes, que tem causado a aus\u00eancia de propostas concretas de zoneamento ecol\u00f3gico, com \u00eanfase socioecon\u00f4mica e planejamento global do uso dos recursos naturais da terra. Em suma, a pesquisa ficou voltada apenas para a produtividade; em nenhum momento se pensou na pesquisa visando \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a concretiza\u00e7\u00e3o do atual projeto de <strong>transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco<\/strong> para os dois eixos adutores maiores e para os eixos menores, prevista para ser totalmente finalizada em 2017 e quando as bombas sugadoras instaladas em <strong>Cabrob\u00f3<\/strong> e <strong>Itaparica<\/strong> estiverem funcionando a todo vapor, todo o sistema hidrogr\u00e1fico da bacia ser\u00e1 afetado drasticamente. Isto porque a din\u00e2mica do grande rio e toda sua bacia formada por rios senis, que j\u00e1 atingiram seu estado de equil\u00edbrio, ser\u00e1 tamb\u00e9m drasticamente afetada. As consequ\u00eancias da transposi\u00e7\u00e3o ser\u00e3o danosas, e num curto espa\u00e7o de tempo levar\u00e1 \u00e0 morte a maioria dos <strong>afluentes do S\u00e3o Francisco<\/strong>, incluindo o pr\u00f3prio rio.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Desde o Imp\u00e9rio h\u00e1 discuss\u00f5es sobre a viabilidade ou n\u00e3o da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco e muitos defenderam esta como a \u00fanica possiblidade para resolver o problema da seca do Nordeste. O que seria uma alternativa \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> No <strong>Imp\u00e9rio<\/strong> a situa\u00e7\u00e3o da preserva\u00e7\u00e3o era outra, mas ainda bem que n\u00e3o se concretizou naquela \u00e9poca a tal <strong>transposi\u00e7\u00e3o<\/strong> porque, se a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e social viesse a acontecer, como realmente aconteceu, hoje ter\u00edamos um grande deserto no <strong>Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Patricia Fachin, IHU de 17 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA ideia de aproveitamento das \u00e1guas do S\u00e3o Francisco para projetos de irriga\u00e7\u00e3o de grande envergadura n\u00e3o \u00e9 ruim\u201d, mas considerando o \u201cestado de fragilidade\u201d dos afluentes que o alimentam, a execu\u00e7\u00e3o de uma obra como a da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco\u00a0ter\u00e1 como consequ\u00eancia \u201cacelerar a morte do rio\u201d, diz Altair Sales Barbosa \u00e0&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-19223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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