{"id":19231,"date":"2017-04-11T17:00:18","date_gmt":"2017-04-11T20:00:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19231"},"modified":"2017-03-28T10:30:40","modified_gmt":"2017-03-28T13:30:40","slug":"vegetacao-exuberante-da-amazonia-corre-risco-de-ser-substituida-por-gramineas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/vegetacao-exuberante-da-amazonia-corre-risco-de-ser-substituida-por-gramineas\/","title":{"rendered":"Vegeta\u00e7\u00e3o exuberante da Amaz\u00f4nia corre risco de ser substitu\u00edda por gram\u00edneas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/3\/2210\/1844443740_d76e80cb68_o.jpg\" \/><em> <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/arcosta\/\">Alexandre R. Costa<\/a><\/em><\/p>\n<p>Os progn\u00f3sticos das <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/564759-nao-ha-nivel-de-desmatamento-seguro-para-o-clima-na-amazonia\" target=\"_blank\">\u00faltimas pesquisas sobre a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong><\/a> indicam que, futuramente, o novo regime de clima da floresta poder\u00e1 ser mais parecido com o do <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/382\" target=\"_blank\">Cerrado<\/a>, por conta de dois fatores: o aumento do <strong>desmatamento<\/strong> e os efeitos das <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>, informa o f\u00edsico <strong>Henrique Barbosa<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>. \u201cCom as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, esperamos que a temperatura na Amaz\u00f4nia aumente e as chuvas diminuam. Isso tamb\u00e9m vai causar um aumento nos per\u00edodos de seca, e as secas ficar\u00e3o mais secas\u201d, diz na entrevista a seguir, concedida por telefone.<\/p>\n<p>Coautor de um estudo internacional que analisa as consequ\u00eancias da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/563265-secas-e-desmatamento-podem-levar-a-savanizacao-da-amazonia\" target=\"_blank\"><strong>seca<\/strong> e do <strong>desmatamento<\/strong> na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong><\/a>, o pesquisador explica que, se o regime de clima da floresta for alterado, \u201chaver\u00e1 uma substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o exuberante da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> por uma vegeta\u00e7\u00e3o mais rala, com gram\u00edneas e \u00e1rvores espa\u00e7adas, ou seja, a vegeta\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o ser\u00e1 mais parecida com a atual vegeta\u00e7\u00e3o do <strong>Cerrado<\/strong>\u201d. As mudan\u00e7as na vegeta\u00e7\u00e3o, por sua vez, impactar\u00e3o diretamente o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/563895-passado-da-amazonia-mostra-resiliencia-a-pouca-chuva\" target=\"_blank\">ciclo hidrol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia<\/a>, e como consequ\u00eancia haver\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o das chuvas nas regi\u00f5es <strong>Sul<\/strong> e <strong>Sudeste<\/strong> do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cChove muito na Amaz\u00f4nia e uma das raz\u00f5es disso \u00e9 que a floresta emite muito vapor de \u00e1gua para a atmosfera. Mas quando se troca a vegeta\u00e7\u00e3o nativa por outra &#8211; ao desmatar e trocar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa por soja ou pastagem, por exemplo -, diminui-se sobremaneira a quantidade de \u00e1gua que essa vegeta\u00e7\u00e3o devolve para a floresta\u201d, frisa. E adverte: \u201cO que nosso estudo faz \u00e9 alertar para o perigo de que essas mudan\u00e7as que estamos impondo \u00e0 Amaz\u00f4nia podem estar causando um processo de savaniza\u00e7\u00e3o do bioma, mesmo naquelas regi\u00f5es que n\u00e3o foram perturbadas\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de <strong>Henrique Barbosa<\/strong>, manter uma floresta \u201cheterog\u00eanea\u201d \u00e9 fundamental para diminuir os efeitos da seca. \u201cSe a vegeta\u00e7\u00e3o for toda igual, a floresta como um todo responde de maneira igual \u00e0s mudan\u00e7as de chuva e de temperatura. Isso significa que, quando a temperatura for alterada de modo a causar <strong>efeitos na vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong>, toda a floresta sentir\u00e1 esses efeitos, ou seja, a floresta inteira ser\u00e1 perturbada de uma hora para a outra. (&#8230;) Isso demonstra que a pr\u00f3pria biodiversidade da floresta, especialmente a vegetal, \u00e9 important\u00edssima para manter a estabilidade dela\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/565845-reducao-da-chuva-sobre-a-mata-acentua-de-maneira-permanente-perda-florestal-na-amazonia\" target=\"_blank\"><strong>Henrique Barbosa<\/strong><\/a> \u00e9 doutor em F\u00edsica pela Universidade Estadual de Campinas &#8211;\u00a0Unicamp. Entre 2004 e 2008 atuou como pesquisador assistente no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais &#8211; Inpe e atualmente leciona no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211;\u00a0USP.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as evid\u00eancias ou hip\u00f3teses que indicam que a Amaz\u00f4nia pode entrar num ciclo de desmatamento e seca nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Barbosa \u2013<\/strong> Existem evid\u00eancias cient\u00edficas de como a floresta interage com a atmosfera, ou seja, de como a atmosfera e a biosfera interagem, e quais s\u00e3o os mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o que existem entre elas. Nesse panorama, uma das coisas que \u00e9 clara para os cientistas \u00e9 que a <strong>cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong> que encontramos em uma localidade, por exemplo, na floresta tropical \u00famida da <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/211\" target=\"_blank\">Amaz\u00f4nia<\/a>\u00a0ou na <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/6754-ineficiencia-de-politicas-publicas-numa-caatinga-cada-vez-mais-arida\" target=\"_blank\">Caatinga<\/a>, para citar dois exemplos, pode n\u00e3o ser est\u00e1vel. O que isso significa? Imagine um sistema com mais de um ponto de equil\u00edbrio. Os dois sistemas de equil\u00edbrio existentes s\u00e3o uma vegeta\u00e7\u00e3o parecida com o <strong>Cerrado<\/strong> e outra, com a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>. O estado em que esses sistemas de equil\u00edbrio v\u00e3o se encontrar depender\u00e1 das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, ou seja, dos regimes de precipita\u00e7\u00e3o e da varia\u00e7\u00e3o de temperatura.<\/p>\n<p><strong>Pontos de equil\u00edbrio<\/strong><\/p>\n<p>Vou explicar isso dando o seguinte exemplo: \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos uma caixa de papel\u00e3o numa sala. Quando empurramos essa caixa, ela \u00e9 afastada, mas se mant\u00e9m na mesma posi\u00e7\u00e3o. No entanto, se a empurrarmos demais, ela vai tombar de lado e vai encontrar outra posi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio. O <strong>equil\u00edbrio da vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong> e dos biomas ocorre mais ou menos desse modo, porque os biomas t\u00eam mais de um ponto de equil\u00edbrio, dependendo da distribui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e, especialmente, da temperatura e da umidade t\u00edpica de cada regi\u00e3o. Ent\u00e3o, se perturbarmos demais essas duas vari\u00e1veis climatol\u00f3gicas \u2013 temperatura e umidade -, o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o de determinado bioma pode ser alterado.<\/p>\n<p>As evid\u00eancias que temos s\u00e3o de que a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> teve dois status de equil\u00edbrio: um com temperaturas mais altas e menos precipita\u00e7\u00e3o, no qual a vegeta\u00e7\u00e3o era muito mais parecida com a do <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/6756-cerrado-o-laboratorio-antropologico-ameacado-pela-desterritorializacao\" target=\"_blank\">Cerrado<\/a>, e outro com bastante chuva, com temperaturas mais amenas e sem grande variabilidade, que \u00e9 o que se tem hoje na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Ciclo de desmatamento e seca: Cerrado se expandir\u00e1 sobre a Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>Fiz essa explica\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria para dizer, ent\u00e3o, o que \u00e9 esse <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/565778-amazonia-pode-entrar-em-ciclo-de-desmatamento-e-seca-diz-estudo\" target=\"_blank\">ciclo de desmatamento e seca<\/a>, o qual foi apontado em nosso estudo. Uma das quest\u00f5es que abordamos no estudo foi tentar identificar e quantificar a import\u00e2ncia dos mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o entre a floresta e a atmosfera.<\/p>\n<p>Quando o homem emite mais carbono para a atmosfera, aumenta o efeito estufa e entramos nesse processo de <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong> antr\u00f3picas, causadas pelo homem. E com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, esperamos que a temperatura na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> aumente e as chuvas diminuam. Isso tamb\u00e9m vai causar um aumento nos per\u00edodos de seca, e as secas ficar\u00e3o mais secas. Portanto, considerando essas possibilidades, \u00e9 mais prov\u00e1vel que o novo regime do clima seja parecido com o do <strong>Cerrado<\/strong>. Isso significa que nas regi\u00f5es de fronteira entre a Amaz\u00f4nia e o Cerrado, \u00e0 medida que as \u00e1rvores forem morrendo e novas forem nascendo, haver\u00e1 uma <strong>substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong> exuberante da Amaz\u00f4nia por uma vegeta\u00e7\u00e3o mais rala, com gram\u00edneas e \u00e1rvores espa\u00e7adas; ou seja, a vegeta\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o ser\u00e1 mais parecida com a atual vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado.<\/p>\n<p><em>&#8220;Por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, h\u00e1 uma chance maior de que a vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica do Cerrado domine o espa\u00e7o da Amaz\u00f4nia&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um processo que acontece da noite para o dia, vai ocorrer no tempo de vida das plantas. Por conta das <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>, h\u00e1 uma chance maior de que a vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica do <strong>Cerrado<\/strong> domine o espa\u00e7o da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>,<strong>\u00a0<\/strong>e, \u00e0 medida que o desmatamento continuar aumentando na regi\u00e3o, esse quadro ser\u00e1 acelerado.<\/p>\n<p><strong>Desmatamento interfere no ciclo de chuvas<\/strong><\/p>\n<p>Chove muito na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, e uma das raz\u00f5es disso \u00e9 que a floresta emite muito vapor de \u00e1gua para a atmosfera. Mas, quando se troca a vegeta\u00e7\u00e3o nativa por outra &#8211; ao desmatar e trocar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa por soja ou pastagem, por exemplo -, diminui-se sobremaneira a quantidade de \u00e1gua que essa vegeta\u00e7\u00e3o devolve para a floresta.<\/p>\n<p>De onde vem essa \u00e1gua? Sempre do oceano e, no caso brasileiro, do <strong>oceano Atl\u00e2ntico<\/strong>, pr\u00f3ximo \u00e0 costa do <strong>Par\u00e1<\/strong>. Essa \u00e1gua evapora do oceano, \u00e9 carregada pelos ventos, entra por cima do continente e chove. Como as \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia puxam muito a \u00e1gua que est\u00e1 no solo e fazem a respira\u00e7\u00e3o, elas acabam emitindo bastante vapor de \u00e1gua para a floresta. Ent\u00e3o esse vapor de \u00e1gua que as \u00e1rvores emitem se junta com o que sobrou de vapor de \u00e1gua na atmosfera depois da primeira chuva; todo esse vapor de \u00e1gua continua sendo carregado pelos ventos, e vai chover novamente mais para frente.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por causa da quantidade de \u00e1gua que a Amaz\u00f4nia emite para a atmosfera, que h\u00e1 uma grande <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/565082-desmatamento-encurrala-chuva-na-amazonia\" target=\"_blank\">quantidade de chuvas na regi\u00e3o<\/a>. Se a vegeta\u00e7\u00e3o da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> fosse diferente, ou seja, composta de vegeta\u00e7\u00f5es que n\u00e3o emitissem tanta precipita\u00e7\u00e3o para a atmosfera, acabaria secando\u00a0o ar que vem do oceano e s\u00f3 choveria nas regi\u00f5es pr\u00f3ximas da costa. Entretanto, como as \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia t\u00eam uma evapotranspira\u00e7\u00e3o muito grande, elas conseguem sustentar esse ciclo de vapor de \u00e1gua, e a vegeta\u00e7\u00e3o faz essa reciclagem do vapor de \u00e1gua que veio do oceano. Se a atual vegeta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia for trocada por pastagem, vai chover bastante, mas a \u00e1gua, ao inv\u00e9s de ser devolvida para a atmosfera, correr\u00e1 para os rios e ir\u00e1 embora.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando <strong>desmatamos<\/strong> uma certa regi\u00e3o e trocamos uma floresta por pastagem, a regi\u00e3o ser\u00e1 afetada como um todo e isso vai gerar implica\u00e7\u00f5es em outras regi\u00f5es. Nesse caso, tanto a <strong>Amaz\u00f4nia <\/strong>quanto o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/espiritualidade\/159-entrevistas\/565900-ciclo-hidrologico-do-pantanal-depende-da-conservacao-da-amazonia-entrevista-especial-com-carolina-joana-da-silva\" target=\"_blank\">Pantanal<\/a> e o <strong>Sudeste<\/strong> ser\u00e3o afetados, porque a nova vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai mais ser capaz de emitir tanto vapor de \u00e1gua para a atmosfera, e com isso vai diminuir a precipita\u00e7\u00e3o, mesmo numa regi\u00e3o que nunca teve sua vegeta\u00e7\u00e3o alterada. Ent\u00e3o, se perturbarmos um peda\u00e7o da floresta, consequentemente perturbaremos uma parte da floresta que nunca foi tocada, por causa desse v\u00ednculo que existe no ciclo do vapor de \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o as novidades apontadas pelo estudo do qual o senhor participa, em rela\u00e7\u00e3o ao fluxo e ao ciclo das \u00e1guas na Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Barbosa \u2013<\/strong> Essa explica\u00e7\u00e3o que fiz sobre o fluxo e o ciclo das \u00e1guas \u00e9 bastante geral, e j\u00e1 t\u00ednhamos conhecimento do modo como esse ciclo se dava. O que fizemos de diferente nesse estudo \u2013 e fomos o \u00fanico grupo que fez isso at\u00e9 hoje \u2013 foi considerar o transporte do vapor de \u00e1gua em cascata. Vou explicar como isso funciona. Normalmente, quando os cientistas avaliam a import\u00e2ncia da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> para as <strong>chuvas<\/strong> no <strong>Sudeste<\/strong> do Brasil, eles usam diversos tipos de modelos de observa\u00e7\u00e3o e tentam, de alguma maneira, acompanhar a \u00e1gua que foi evapotranspirada pela floresta e verificar por onde ela passa e quando e onde chove.<\/p>\n<p><strong>Ciclo de \u00e1gua intermedi\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>O que fizemos de diferente foi escrever um modelo e desenhar um conjunto de equa\u00e7\u00f5es que consigam representar v\u00e1rios ciclos de \u00e1gua intermedi\u00e1rios; ou seja, at\u00e9 chegar ao ponto de interesse, por exemplo, no <strong>Sudeste<\/strong>, a \u00e1gua sai da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, se transforma em chuva no meio do caminho, entra no solo, \u00e9 puxada de novo por outras \u00e1guas naquela regi\u00e3o, \u00e9 emitida de novo para a atmosfera, vai mais para frente, chove outra vez, evapora de novo. Conseguir acompanhar esse ciclo das \u00e1guas em v\u00e1rios ciclos de evapora\u00e7\u00e3o, precipita\u00e7\u00e3o e reevapora\u00e7\u00e3o, precipita\u00e7\u00e3o e reevapora\u00e7\u00e3o novamente, \u00e9 uma novidade. Isso traz uma contribui\u00e7\u00e3o a mais. A nossa estimativa \u2013 e a estimativa da maioria dos estudos recentes \u2013 \u00e9 de que a \u00e1gua que sai diretamente das plantas da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> e vai para a atmosfera \u00e9 respons\u00e1vel por 20% das <strong>chuvas nas regi\u00f5es Sul e Sudeste<\/strong> do Brasil. Quando consideramos que a \u00e1gua que saiu da Amaz\u00f4nia pode se transformar em chuva no meio do caminho, por exemplo, no <strong>Pantanal<\/strong>, e depois evaporar novamente e ir para o Sudeste, percebemos que a responsabilidade da Amaz\u00f4nia pelas chuvas no Sul e Sudeste do pa\u00eds \u00e9 ainda maior, cerca de 25%. \u00c9 a primeira vez que foi feita a verifica\u00e7\u00e3o desse transporte de \u00e1gua em cascata, e usamos esse mesmo processo no estudo que foi publicado recentemente na <strong>Nature<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Ciclo de desmatamento e seca<\/strong><\/p>\n<p>O que percebemos \u00e9 que, quando consideramos esse transporte em cascata, o <strong>ciclo de desmatamento e seca<\/strong> fica mais intensificado do que se poderia prever se fosse considerado apenas o transporte do vapor de \u00e1gua direto, de um lugar para o outro. Ent\u00e3o, o que observamos \u00e9 que j\u00e1 estamos sentindo os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as mudan\u00e7as nos <strong>regimes de precipita\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia<\/strong> e, ao mesmo tempo, continuamos desmatando \u2013 na verdade <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/563809-desmatamento-cresceu-por-igual-na-amazonia-em-2016-mostra-analise\" target=\"_blank\">o desmatamento voltou a aumentar\u00a0<\/a>nesses \u00faltimos dois anos. Ou seja, estamos for\u00e7ando o sistema e contribuindo para que diminuam as chuvas e aumentem as temperaturas, o que deve levar a essa transi\u00e7\u00e3o de uma floresta tropical \u00famida para uma vegeta\u00e7\u00e3o\u00a0t\u00edpica do <strong>Cerrado<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c9 poss\u00edvel verificar que percentual da Amaz\u00f4nia j\u00e1 tem uma vegeta\u00e7\u00e3o mais parecida com a do Cerrado?<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;As regi\u00f5es que foram desmatadas se parecem muito mais com o Cerrado do que com a Amaz\u00f4nia&#8221;<\/em><\/p>\n<p><strong>Henrique Barbosa \u2013<\/strong> \u00c9 muito dif\u00edcil avaliar, porque esse \u00e9 um processo lento que acontece numa escala de tempo do ciclo de vida das \u00e1rvores, ent\u00e3o \u00e9 algo a ser verificado em mais de vinte anos. De todo modo, as regi\u00f5es que foram desmatadas se parecem muito mais com o <strong>Cerrado<\/strong> do que com a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, e toda a regi\u00e3o conhecida como <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/560206-dezoito-politicos-tem-50-mil-cabecas-de-gado-no-arco-do-desmatamento\" target=\"_blank\">Arco do Desmatamento<\/a>\u00a0j\u00e1 sofre com isso, como Rond\u00f4nia, Acre e Par\u00e1.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o que nosso estudo faz \u00e9 alertar para o perigo de que essas mudan\u00e7as que estamos impondo \u00e0 <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> podem estar causando um processo de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/561074-cientista-alerta-para-perigo-de-savanizacao-da-amazonia\" target=\"_blank\">savaniza\u00e7\u00e3o do bioma<\/a>, mesmo naquelas regi\u00f5es que n\u00e3o foram perturbadas. Nosso estudo se concentra especificamente na Amaz\u00f4nia, mas esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m pode acontecer nos demais biomas. Certamente se mudar o regime de precipita\u00e7\u00e3o e temperatura na regi\u00e3o do <strong>Cerrado<\/strong>, por exemplo, a vegeta\u00e7\u00e3o vai sofrer e vai haver mudan\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Ent\u00e3o, se o ciclo hidrol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia for alterado, ser\u00e3o alterados os ciclos hidrol\u00f3gicos de todos os biomas do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Barbosa \u2013<\/strong> Sim, por causa dessa influ\u00eancia da \u00e1gua que vem da <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> e que alimenta a precipita\u00e7\u00e3o em outras regi\u00f5es no continente sul-americano: 20 ou 25% das\u00a0<strong>chuvas<\/strong> da regi\u00e3o Norte da <strong>Argentina<\/strong> e do <strong>Sul<\/strong> e <strong>Sudeste<\/strong> do <strong>Brasil<\/strong> s\u00e3o geradas da \u00e1gua que vem da Amaz\u00f4nia. Se essa quantidade de \u00e1gua for reduzida, espera-se que as chuvas diminuam nessas outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Para fazer esse c\u00e1lculo, tamb\u00e9m temos que considerar a variabilidade clim\u00e1tica, ou seja, chove mais no ver\u00e3o e menos no inverno. Mas isso n\u00e3o significa que em todo ver\u00e3o chove a mesma quantidade. Em alguns ver\u00f5es chove muito e, em outros, chove pouco. Essa varia\u00e7\u00e3o de chuvas de um ano para o outro significa que estamos provocando uma mudan\u00e7a que \u00e9 dif\u00edcil de separar da variabilidade natural do sistema.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que seria preciso fazer para reverter ou evitar esse ciclo de desmatamento e secas que est\u00e1 sendo previsto para a Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Barbosa \u2013<\/strong> \u00c9 preciso vontade pol\u00edtica dos governantes para querer fazer essa mudan\u00e7a. Por raz\u00f5es diferentes, entre elas vontade pol\u00edtica e pre\u00e7o de commodities, nos dois governos <strong>Lula<\/strong> e no primeiro governo <strong>Dilma<\/strong>, conseguiu-se controlar muito o <strong>desmatamento<\/strong>, o qual foi reduzido a quase zero. Contudo, essa urg\u00eancia sobre o assunto foi deixada de lado, tendo em vista outros problemas que o pa\u00eds estava enfrentando, e os pol\u00edticos passaram a se concentrar mais em outras pautas.<\/p>\n<p>De todo modo, n\u00e3o se pode deixar de ter a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias-2015\/550260-se-entendermos-a-floresta-nao-sera-preciso-derrubar-um-galho-de-arvore\" target=\"_blank\">preserva\u00e7\u00e3o da floresta<\/a>\u00a0como um dos itens principais da lista do que se deve fazer, principalmente para quem est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de definir as leis, as estrat\u00e9gias de manejo e a legisla\u00e7\u00e3o ambiental. Como cientista, posso fazer pesquisa e tentar educar as pessoas para transmitir esse conhecimento. Como jornalista, voc\u00ea pode ajudar divulgando esses estudos. Agora, como popula\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos ir a <strong>Bras\u00edlia<\/strong> pressionar os pol\u00edticos, mas, em \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00e3o aqueles\u00a0que est\u00e3o com a caneta na m\u00e3o que ir\u00e3o escrever a lei.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Gostaria de acrescentar algo ou explicitar algum outro ponto do estudo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Barbosa \u2013<\/strong> Uma coisa interessante que observamos \u00e9 que, se a floresta for heterog\u00eanea, o efeito da seca pode ser diminu\u00eddo. Se a vegeta\u00e7\u00e3o for toda igual, a floresta como um todo responde de maneira igual \u00e0s <strong>mudan\u00e7as de chuva e de temperatura<\/strong>. Isso significa que, quando a temperatura for alterada de modo a causar efeitos na vegeta\u00e7\u00e3o, toda a floresta sentir\u00e1 esses efeitos, ou seja, a floresta inteira ser\u00e1 perturbada de uma hora para a outra. Portanto, quanto mais heterog\u00eanea for a floresta &#8211; se em certas localidades existirem \u00e1rvores que s\u00e3o mais resistentes ao estresse h\u00eddrico e, em outras localidades, \u00e1rvores que s\u00e3o menos resistentes; em outras existirem \u00e1rvores que aguentam mais a varia\u00e7\u00e3o de temperatura e, em outras, \u00e1rvores que aguentam menos, ou seja, se h\u00e1 essa variabilidade grande, tal como se observa hoje na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> -, maior a possibilidade de estabilizar esse ciclo negativo de desmatamento, de redu\u00e7\u00e3o das chuvas, de transi\u00e7\u00e3o de floresta para <strong>cerrado<\/strong>. Quando a floresta \u00e9 heterog\u00eanea, esse ciclo n\u00e3o consegue se propagar t\u00e3o r\u00e1pido. Isso demonstra que a pr\u00f3pria biodiversidade da floresta, especialmente a vegetal, \u00e9 important\u00edssima para manter a estabilidade dela, sem falar na sua import\u00e2ncia para o desenvolvimento cient\u00edfico e para o desenvolvimento de rem\u00e9dios.<\/p>\n<p><strong>Por que devemos nos importar com a Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Se fizermos uma lista dos pa\u00edses mais poluidores do mundo, o Brasil est\u00e1 em oitavo lugar, justamente por causa do desmatamento e das queimadas na Amaz\u00f4nia&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que gostaria de comentar \u00e9 por que devemos nos importar se um tipo de <strong>vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong> vai desaparecer na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, se outro tipo de vegeta\u00e7\u00e3o vai surgir em seu lugar. Isto \u00e9, por que devemos nos preocupar se a vegeta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pode ser substitu\u00edda por uma vegeta\u00e7\u00e3o de <strong>Cerrado<\/strong>? Uma das quest\u00f5es centrais \u00e9 que as <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias-2015\/542423-1-das-arvores-da-amazonia-captura-metade-do-carbono-da-regiao\" target=\"_blank\">\u00e1rvores da Amaz\u00f4nia <\/a>s\u00e3o todas muito grandes, t\u00eam troncos enormes, ou seja, possuem de 30 ou 40 metros de altura, e a quantidade de carbono armazenado nessas \u00e1rvores \u00e9 muito grande. Ent\u00e3o, se uma \u00e1rvore dessas morre e nasce uma muito menor no local, vai haver uma diferen\u00e7a entre duas massas de carbono e essa diferen\u00e7a vai para a atmosfera. Nesse processo de substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pela vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado, aumentar\u00edamos muito a quantidade de carbono na atmosfera e, consequentemente, aumentariam as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, as mudan\u00e7as de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o processo de savaniza\u00e7\u00e3o. Por isso, temos que ter cuidado com a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Se fizermos uma lista dos pa\u00edses mais poluidores do mundo, o <strong>Brasil<\/strong> est\u00e1 em oitavo lugar, justamente por causa do <strong>desmatamento<\/strong> e das <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/551344-recorde-de-queimadas-na-amazonia-causa-perda-de-biodiversidade\" target=\"_blank\">queimadas na Amaz\u00f4nia<\/a>. Se n\u00e3o considerarmos o desmatamento e as queimadas, o Brasil nem aparece nessa lista, porque a atividade industrial brasileira \u00e9 muito pequena. Ent\u00e3o, temos de pensar n\u00e3o s\u00f3 em preservar a floresta, mas tamb\u00e9m nos efeitos que essa preserva\u00e7\u00e3o acarreta para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, porque se n\u00e3o fizermos isso, os efeitos ser\u00e3o muito maiores n\u00e3o s\u00f3 na Amaz\u00f4nia, mas no mundo todo. Se o n\u00edvel das \u00e1guas subir por conta do aquecimento global, como est\u00e1 sendo previsto, a popula\u00e7\u00e3o que vive na regi\u00e3o costeira ser\u00e1 completamente afetada.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Patricia Fachin, IHU de 28 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre R. 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