{"id":19415,"date":"2017-04-09T09:00:54","date_gmt":"2017-04-09T12:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19415"},"modified":"2017-04-07T12:06:49","modified_gmt":"2017-04-07T15:06:49","slug":"o-mundo-com-10-bilhoes-de-habitantes-em-2053","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-mundo-com-10-bilhoes-de-habitantes-em-2053\/","title":{"rendered":"O mundo com 10 bilh\u00f5es de habitantes em 2053"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160928-160928-600x370.png\" alt=\"os sete pa\u00edses mais populosos - 2016 e 2050\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cSe a economia crescente do descarte e do desperd\u00edcio imediato dos bens continuar,\u00a0<\/em><em>iremos entregar a Terra ainda banhada em sol apenas \u00e0 vida bacteriana\u201d<\/em><br \/>\n<em>Nicholas Georgescu-Roegen (1969)<\/em><\/p>\n<p>O mundo alcan\u00e7ou 1 bilh\u00e3o de habitantes, aproximadamente, no ano de 1800. Duplicou para 2 bilh\u00f5es em 1927. Na virada do mil\u00eanio, no ano 2000, atingiu a cifra de 6 bilh\u00f5es de pessoas e chegou a 7 bilh\u00f5es em 2011. Relat\u00f3rio da Population Reference Bureau (PRB), divulgado em agosto de 2016, estima que a popula\u00e7\u00e3o mundial atingir\u00e1 10 bilh\u00f5es de habitantes em 2053.<\/p>\n<p>Em termos regionais, haver\u00e1 um fosso demogr\u00e1fico e ritmos bem diferentes de mudan\u00e7a, com a popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica Subsaariana mais do que dobrando de tamanho, dos atuais 1,2 bilh\u00e3o para os 2,5 bilh\u00f5es em meados dos anos 2050, enquanto a Europa \u2013 mesmo com as imigra\u00e7\u00f5es \u2013 deve diminuir de tamanho e a Am\u00e9rica Latina deve alcan\u00e7ar o pico populacional e a estabilidade do crescimento em meados do atual s\u00e9culo.<\/p>\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7a dos nomes dos 7 pa\u00edses mais populosos, mas haver\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o na ordem de localiza\u00e7\u00e3o do ranking. A China deve perder cerca de 34 milh\u00f5es de habitantes, passando de 1,378 bilh\u00e3o em 2016 para 1,344 bilh\u00e3o em 2050. A \u00cdndia vai passar de 1,3 bilh\u00e3o para 1,7 bilh\u00e3o no mesmo per\u00edodo (vai crescer cerca de dois Brasis). Portanto, a \u00cdndia vai ultrapassar a China e se tornar\u00e1 o pa\u00eds mais populoso do mundo.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos devem se manter no terceiro lugar. Mas a Indon\u00e9sia que ocupa o quarto lugar atualmente deve cair para a quinta posi\u00e7\u00e3o em 2050 e o Brasil deve perder o quinto lugar e cair para o s\u00e9timo posto no ranking dos pa\u00edses com maior volume de popula\u00e7\u00e3o. O Paquist\u00e3o vai permanecer no sexto lugar, mas passando de uma popula\u00e7\u00e3o de 203 milh\u00f5es de habitantes, em 2016, para 344 milh\u00f5es em 2050. O maior salto ser\u00e1 da Nig\u00e9ria \u2013 que vai ganhar 3 posi\u00e7\u00f5es \u2013 passando do 7\u00ba lugar para o 4\u00ba lugar, em empate com os Estados Unidos. A popula\u00e7\u00e3o da Nig\u00e9ria que est\u00e1 atualmente em torno de 187 milh\u00f5es deve pular para 398 milh\u00f5es de habitantes em 2050.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos ser\u00e3o o \u00fanico pa\u00eds desenvolvido a apresentar um crescimento demogr\u00e1fico significativo na primeira metade do s\u00e9culo XXI, com um acrescimento de 74 milh\u00f5es de pessoas entre 2016 e 2050 (a maior parte deste crescimento em fun\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o). Evidentemente, este processo vai agravar o impacto sobre a degrada\u00e7\u00e3o ambiental dos EUA e pressionar ainda mais o d\u00e9ficit ecol\u00f3gico global.<\/p>\n<p>Os EUA possuem atualmente uma Pegada Ecol\u00f3gica per capita de 8,2 hectares globais (gha) e biocapacidade per capita de 3,8 gha. A Pegada total est\u00e1 em torno de 2.610 bilh\u00f5es de gha para uma biocapacidade total de 1.193,8 gha. Assim, a Pegada americana \u00e9 2,2 vezes maior que a biocapacidade, representando um d\u00e9ficit de 220%. Evidentemente, o modelo americano \u00e9 insustent\u00e1vel e s\u00f3 sobrecarrega o resto do mundo.<\/p>\n<p>Mas os pa\u00edses pobres e populosos tamb\u00e9m possuem alto d\u00e9ficit ecol\u00f3gico. A Pegada Ecol\u00f3gica total da \u00cdndia est\u00e1 em torno de 1,435 bilh\u00e3o de gha, para uma biocapacidade de 560 milh\u00f5es de gha, ent\u00e3o a \u00cdndia apresentou grande d\u00e9ficit ambiental. A Pegada Ecol\u00f3gica total da \u00edndia era mais do dobro da biocapacidade total e o d\u00e9ficit ambiental est\u00e1 crescendo e tende a aumentar com o crescimento demoecon\u00f4mico do pa\u00eds. A \u00cdndia j\u00e1 \u00e9 o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) do mundo e tem resistido muito em colocar em pr\u00e1tica as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris da COP-21, embora tenha prometido ratificar o Acordo de Paris no dia 02 de outubro, anivers\u00e1rio de nascimento de Mahatma Gandhi.<\/p>\n<p>Dos 7 pa\u00edses em quest\u00e3o, apenas o Brasil possui atualmente super\u00e1vit ambiental, com pegada per capita de 3,1 gha e biocapacidade per capita de 9,1 gha. A Indon\u00e9sia tem pegada de 1,6 gha e biocapacidade de 1,3 gha. O Paquist\u00e3o tem pegada de 0,8 gha e biocapacidade de 0,4 gha e a Nig\u00e9ria tem pegada ecol\u00f3gica per capita de 1,2 gha e biocapacidade per capita de 0,7 gha. Portanto, s\u00f3 o Brasil est\u00e1 no verde e os demais pa\u00edses est\u00e3o no vermelho do d\u00e9ficit ecol\u00f3gico. E o quadro vai ficar muito pior em 2050 quando o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e da economia forem muito maiores.<\/p>\n<p>De fato, o mundo est\u00e1 em uma encruzilhada, pois existem muitos pa\u00edses ricos que continuam consumindo al\u00e9m da conta e muitos pa\u00edses pobres, com popula\u00e7\u00f5es crescentes, que precisariam de mais recursos para reduzir a pobreza e melhorar o padr\u00e3o de consumo. Evidentemente, a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades de renda e riqueza (patrim\u00f4nio) poderia aliviar as condi\u00e7\u00f5es de subnutri\u00e7\u00e3o e subconsumo. Por\u00e9m, mesmo numa situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica de perfeita distribui\u00e7\u00e3o de renda a pegada ecol\u00f3gica m\u00e9dia do mundo j\u00e1 \u00e9 maior do que a biocapacidade m\u00e9dia. O mundo tinha, em 2012, uma biocapacidade total de 12,2 bilh\u00f5es de hectares globais, mas tinha uma pegada ecol\u00f3gica de 20,1 bilh\u00f5es de hectares globais. Portanto, a pegada ecol\u00f3gica ultrapassava a biocapacidade em 64%. A humanidade j\u00e1 consome 1,64 Planeta e j\u00e1 se encontra no \u201ccheque especial\u201d, dilapidando a heran\u00e7a deixada pela M\u00e3e Natureza.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 insustent\u00e1vel. Por um lado, os pa\u00edses ricos (com cerca de 1,2 bilh\u00e3o de habitantes) consome al\u00e9m do necess\u00e1rio para uma vida descente e digna. De outro lado, muitos pa\u00edses pobres e em desenvolvimento consomem aqu\u00e9m das necessidades para obter uma vida descente e digna, mas possuem popula\u00e7\u00f5es enormes (como \u00cdndia, Paquist\u00e3o, Nig\u00e9ria, etc.) e, mesmo com baixo consumo per capita, possuem alto consumo agregado e incapaz de ser atendido pela biocapacidade nacional.<\/p>\n<p>Tudo isto mostra que a escala das atividades antr\u00f3picas j\u00e1 ultrapassou os limites fundamentais da sustentabilidade e h\u00e1, por exemplo, uma crise h\u00eddrica pela frente. O mundo j\u00e1 ultrapassou a capacidade de carga do Planeta, gerando uma sobrecarga ecol\u00f3gica. J\u00e1 ultrapassou tamb\u00e9m as fronteiras planet\u00e1rias (Alves, 06\/02\/2015), inclusive o aquecimento global que \u00e9 uma amea\u00e7a concreta e crescente. Para evitar o colapso ambiental \u00e9 preciso reduzir a pegada ecol\u00f3gica e para evitar as injusti\u00e7as sociais \u00e9 preciso reduzir os n\u00edveis de desigualdade. Por\u00e9m, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser o crescimento econ\u00f4mico ilimitado com crescente extra\u00e7\u00e3o de recursos do meio ambiente. Crescimento econ\u00f4mico ilimitado \u00e9 imposs\u00edvel diante do fluxo metab\u00f3lico entr\u00f3pico. Ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 necess\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 o decrescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas tamb\u00e9m o decrescimento do padr\u00e3o de consumo m\u00e9dio das pessoas, com equidade social.<\/p>\n<p>A modernidade urbano-industrial cresceu ampliando a acumula\u00e7\u00e3o de capital e incorporando mat\u00e9rias-primas, energia e gente no processo produtivo. O crescimento do capital f\u00edsico e da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 vital para o sistema capitalista, assim como o sangue \u00e9 vital para o vampiro. O sistema de produ\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nico produz e distribui (n\u00e3o de maneira justa) bens e servi\u00e7os, a partir da explora\u00e7\u00e3o da natureza e dos trabalhadores. Em troca, o capitalismo oferece para as pessoas \u201cp\u00e3o e circo\u201d, mas para a natureza s\u00f3 oferece degrada\u00e7\u00e3o, defloramento e lixo.<\/p>\n<p>O ser humano n\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica com a natureza. As abelhas, por exemplo, sugam a seiva das flores, mas n\u00e3o as destroem. Ao contr\u00e1rio, elas s\u00e3o polinizadoras. Quanto mais abelhas tirarem sua subsist\u00eancia das flores, mais flores nascer\u00e3o do processo de poliniza\u00e7\u00e3o. Mas o ser humano tem uma rela\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria com a natureza, pois para se multiplicar causa preju\u00edzo a outras esp\u00e9cies e aos ecossistemas hospedeiros. A esp\u00e9cie humana \u00e9 do g\u00eanero ectoparasita.<\/p>\n<p>Mas independentemente de qual esp\u00e9cie for, uma regra b\u00e1sica deve ser respeitada e o parasita n\u00e3o pode matar o hospedeiro. Com o processo de globaliza\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o desenfreada da natureza ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. E o mais grave \u00e9 que a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente continua em ritmo assustador no s\u00e9culo XXI. S\u00f3 h\u00e1 um Planeta vivo e ele est\u00e1 sendo assassinado e a caminho de se tornar est\u00e9ril. O ser humano \u00e9 um ectoparasita que est\u00e1 matando o seu pr\u00f3prio hospedeiro. Vive do parasitismo ecol\u00f3gico e est\u00e1 provocando um holocausto biol\u00f3gico. Mas deveria saber que o ecoc\u00eddio \u00e9 tamb\u00e9m um suic\u00eddio.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u201cGlobal Material Flows And Resource Productivity\u201d (UNEP, julho de 2016) mostra que a extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais globais aumentou tr\u00eas vezes nos \u00faltimos 40 anos. A quantidade de mat\u00e9rias-primas extra\u00eddas do seio da natureza subiu de 22 bilh\u00f5es de toneladas em 1970 para 70 bilh\u00f5es de toneladas em 2010. O aumento do uso de materiais globais (input) acelerou rapidamente nos anos 2000. O crescimento na extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais passou de 7 toneladas per capita em 1970 para 10 toneladas per capita em 2010. A polui\u00e7\u00e3o, o lixo e os res\u00edduos s\u00f3lidos (output) aumentou na mesma propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, o mundo perdeu 3,3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, ou quase 10%, das suas \u00e1reas de natureza n\u00e3o domesticada, isto \u00e9, regi\u00f5es praticamente intocadas pela a\u00e7\u00e3o humana, segundo c\u00e1lculo do peri\u00f3dico cient\u00edfico \u201cCurrent Biology\u201d. Trata-se de uma perda catastr\u00f3fica da vida selvagem. Em artigo publicado na revista Science, o bi\u00f3logo americano Samuel Wasser mostra que cerca de 50 mil elefantes africanos s\u00e3o ca\u00e7ados por criminosos a cada ano, para uma popula\u00e7\u00e3o de 500 000 indiv\u00edduos. Uma taxa de 10% ao ano pode levar rapidamente \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Artigo publicado no blog #SavetheTrees mostra que o mundo planta 5 bilh\u00f5es de \u00e1rvores por ano e desmata 15 bilh\u00f5es de \u00e1rvores. S\u00e3o duas \u00e1rvores derrubadas para cada habitante da Terra. \u00c9 um verdadeiro holocausto biol\u00f3gico debaixo dos nossos olhos!<\/p>\n<p>O crescimento das atividades antr\u00f3picas se acelerou nas \u00faltimas d\u00e9cadas at\u00e9 o ponto de mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no Planeta, aumentando a propor\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a humana (\u00e1reas ec\u00famenas) e diminuindo as \u00e1reas anec\u00famenas, a propor\u00e7\u00e3o das demais esp\u00e9cies e a biocapacidade. Herman Daly (2014) mostra que quando se passa do planeta antropicamente vazio para o planeta cheio as externalidades negativas tendem a superar os benef\u00edcios da produ\u00e7\u00e3o. Ele diz: \u201cTeremos, ent\u00e3o, o que denomino crescimento desecon\u00f4mico, produzindo \u2018males\u2019 mais rapidamente do que bens \u2013 tornando-nos mais pobres, e n\u00e3o mais ricos\u201d.<\/p>\n<p>Na mesma linha de pensamento, o soci\u00f3logo alem\u00e3o Ulrich Beck, no livro \u201cSociedade de Risco\u201d, considera que na modernidade desenvolvida (ou modernidade tardia) prevalece a l\u00f3gica do perigo: \u201cN\u00e3o \u00e9 a falha que produz a cat\u00e1strofe, mas os sistemas que transformam a humanidade do erro em inconceb\u00edveis for\u00e7as destrutivas\u201d (Beck, 2010, p. 8). Para Beck, a natureza n\u00e3o pode mais ser concebida sem a sociedade e a sociedade (e a popula\u00e7\u00e3o) n\u00e3o mais sem a natureza. A destrui\u00e7\u00e3o da natureza passa \u201ca ser elemento constitutivo da din\u00e2mica social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica. O imprevisto efeito colateral da socializa\u00e7\u00e3o da natureza \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o das destrui\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as incidentes sobre a natureza\u201d (p. 98). Da mesma forma que Herman Daly distingue mundo cheio e vazio, Beck distingue dois momentos da modernidade: \u201cO que estava em jogo no velho conflito industrial do trabalho contra o capital eram positividades: lucros, prosperidade, bens de consumo. No novo conflito ecol\u00f3gico, por outro lado, o que est\u00e1 em jogo s\u00e3o negatividades: perdas, devasta\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as\u201d. (p.3).<\/p>\n<p>Ou seja, tanto na perspectiva de Daly (2014) quanto de Beck (2010), a humanidade j\u00e1 ultrapassou a capacidade de carga e est\u00e1 explorando o meio ambiente a uma taxa mais alta do que a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o natural dos ecossistemas. Neste cen\u00e1rio que necessita ser redirecionado, n\u00e3o custa lembrar as ideias do livro \u201cO Decl\u00ednio Pr\u00f3spero\u201d de Howard e Elisabeth Odum (2013), que defendem o decl\u00ednio das atividades antr\u00f3picas com prosperidade humana e ambiental. N\u00e3o faz sentido aumentar o estoque de pessoas no mundo para correr riscos e agravar a crise ambiental. Neste quadro, seria irresponsabilidade as pol\u00edticas p\u00fablicas continuarem apoiando o crescimento demoecon\u00f4mico e a ideologia antropoc\u00eantrica em detrimento da perspectiva ecoc\u00eantrica e da sobreviv\u00eancia da comunidade bi\u00f3tica.<\/p>\n<p>Por isto, o livro Enough is Enough (2010) mostra que uma economia em constante crescimento est\u00e1 destinada ao fracasso. Os autores consideram que a economia \u00e9 um subsistema da ecologia e o transumo (throughput) funciona a partir da extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias e energias da natureza e o descarte de lixo, polui\u00e7\u00e3o e res\u00edduos s\u00f3lidos no meio ambiente. Uma vez que vivemos num planeta finito, com espa\u00e7o e recursos limitados, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a economia e a popula\u00e7\u00e3o cres\u00e7am para sempre. O livro defende uma economia de Estado Estacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas se a economia e a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 ultrapassaram a capacidade de carga do Planeta, ent\u00e3o deve haver decrescimento at\u00e9 o ponto que o Estado Estacion\u00e1rio mantenha um equil\u00edbrio sustent\u00e1vel. Como escrevi em um outro artigo (Alves, 20\/07\/2016): \u201cA natureza n\u00e3o depende da sociedade, a sociedade depende da natureza. O lema do debate sobre popula\u00e7\u00e3o e desenvolvimento no s\u00e9culo XXI deveria ser: menos gente, menos consumo, menor desigualdade social e maior qualidade de vida humana e ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Os direitos humanos devem estar em sintonia dial\u00e9tica com os direitos ambientais e o bem-estar das esp\u00e9cies n\u00e3o humanas. Friedrich Engels dizia que a dial\u00e9tica significa mudan\u00e7a e contradi\u00e7\u00e3o. Ele falava tamb\u00e9m da transforma\u00e7\u00e3o da quantidade em qualidade. Por exemplo, a \u00e1gua ao esquentar muda de estado do gelo para o l\u00edquido e do l\u00edquido para o gasoso. Fazendo um paralelo, a humanidade aumentou tanto a quantidade de interven\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas no Planeta que houve uma mudan\u00e7a qualitativa do super\u00e1vit para o d\u00e9ficit ambiental. A partir de um certo grau de desenvolvimento econ\u00f4mico houve um ponto de muta\u00e7\u00e3o (state shift) e os danos ficaram maiores do que os ganhos. O abuso suplantou o uso no modelo de crescimento ilimitado e de progresso unidimensional.<\/p>\n<p>Desta forma, \u00e9 preciso um novo ponto de muta\u00e7\u00e3o em sentido reverso. Do crescimento demoecon\u00f4mico para o decrescimento demoecon\u00f4mico. A humanidade precisa sair do d\u00e9ficit ecol\u00f3gico e voltar ao super\u00e1vit ambiental, resgatando as reservas naturais, para o bem de todos os seres vivos da Terra, pois o ecoc\u00eddio significar\u00e1 tamb\u00e9m um suic\u00eddio para a humanidade. A atual escala da presen\u00e7a humana na Terra \u00e9 insustent\u00e1vel. Aumentar ainda mais esta escala \u00e9 irracional e arriscado. Assim, o racioc\u00ednio auto-evidente indica que \u00e9 invi\u00e1vel manter o crescimento da popula\u00e7\u00e3o humana com base na redu\u00e7\u00e3o populacional das demais esp\u00e9cies e no definhamento dos ecossistemas e da biodiversidade. \u00c9 imposs\u00edvel uma esp\u00e9cie ser feliz sozinha!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ALVES, JED. <a href=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/2016\/07\/20\/os-riscos-ambientais-e-a-queda-da-natalidade-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\/\" target=\"_blank\">Os riscos ambientais e a queda da natalidade<\/a>, Ecodebate, RJ, 20\/07\/2016<\/p>\n<p>ALVES, JED. <a href=\"http:\/\/www.ecodebate.com.br\/2015\/02\/06\/fronteiras-planetarias-2-0-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\/\" target=\"_blank\">Fronteiras Planet\u00e1rias 2.0<\/a>, Ecodebate, RJ, 06\/02\/2015<\/p>\n<p>Herman Daly, <a href=\"http:\/\/1962.dartmouth.org\/s\/1353\/images\/gid315\/editor_documents\/herman_daly_gti_revision.pdf\" target=\"_blank\">Economics for a full world<\/a>, 2014<\/p>\n<p>BECK, Ulrich. Sociedade de Risco. Rumo a uma Outra Modernidade. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2010.<\/p>\n<p>ODUM, Howard T; ODUM, Elisabeth C. O Decl\u00ednio Pr\u00f3spero. Vozes, 2013<\/p>\n<p>PRB. <a href=\"http:\/\/www.prb.org\/Publications\/Datasheets\/2016\/2016-world-population-data-sheet.aspx\" target=\"_blank\">2016 World Population Data Sheet<\/a>, agosto 2016<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.eco2greetings.com\/News\/saving-rainforest.html\" target=\"_blank\">The Alarming Truth Behind Deforestation #SavetheTrees<\/a>, April 28, 2015<\/p>\n<p>O\u2019Neill, D.W., Dietz, R., Jones, N. (Editors), <a href=\"http:\/\/steadystate.org\/wp-content\/uploads\/EnoughIsEnough_FullReport.pdf\" target=\"_blank\">Enough is Enough: Ideas for a sustainable economy in a world of finite resources<\/a>. The report of the Steady State Economy Conference. Center for the Advancement of the Steady State Economy and Economic Justice for All, UK, 2010.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, \u00e9 Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em Popula\u00e7\u00e3o, Territ\u00f3rio e Estat\u00edsticas P\u00fablicas da Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas \u2013 ENCE\/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em car\u00e1ter pessoal.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; EcoDebate de 28 de setembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe a economia crescente do descarte e do desperd\u00edcio imediato dos bens continuar,\u00a0iremos entregar a Terra ainda banhada em sol apenas \u00e0 vida bacteriana\u201d Nicholas Georgescu-Roegen (1969) O mundo alcan\u00e7ou 1 bilh\u00e3o de habitantes, aproximadamente, no ano de 1800. Duplicou para 2 bilh\u00f5es em 1927. 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