{"id":19781,"date":"2017-05-16T15:00:33","date_gmt":"2017-05-16T18:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=19781"},"modified":"2025-11-17T10:30:30","modified_gmt":"2025-11-17T13:30:30","slug":"as-cidades-e-o-desequilibrio-hidrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/as-cidades-e-o-desequilibrio-hidrico\/","title":{"rendered":"As cidades e o desequil\u00edbrio h\u00eddrico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/3\/2849\/9226683623_f22dd8ea3c_b.jpg\" \/><em><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/60060337@N02\/\">Steve Dorman<\/a><\/em><\/p>\n<p>Frequentemente se imaginava que a imagem de popula\u00e7\u00f5es imersas em res\u00edduos s\u00f3lidos pudessem representar cen\u00e1rios cujo impacto catastr\u00f3fico pudesse trazer modifica\u00e7\u00f5es paradigm\u00e1ticas na conserva\u00e7\u00e3o ambiental. No entanto, \u00e9 a escassez de \u00e1gua, e secundariamente as dificuldades nas disponibilidades energ\u00e9ticas, em parte decorrente das dificuldades h\u00eddricas, que vem alterando estes padr\u00f5es. A natureza parece ser ir\u00f4nica para reagir as agress\u00f5es antr\u00f3picas.<\/p>\n<p>O caminho que est\u00e1 sendo percorrido, se aproxima de uma antiga previs\u00e3o, que registrava que a civiliza\u00e7\u00e3o humana corria o risco de afogar cidades sob a \u00e1gua salgada dos mares em regime de transgress\u00e3o, em cen\u00e1rio de car\u00eancia de \u00e1gua doce potabilizada. Esta realidade se contextualiza com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que geram o aquecimento global, com o consequente derretimento de geleiras e eleva\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis dos mares. \u00c9 como o n\u00e1ufrago que se observa cercado de \u00e1gua salobra e sem disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel para sua dessedenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas registram o diagn\u00f3stico de que mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas n\u00e3o tem acesso a quantidades m\u00ednimas aceit\u00e1veis de \u00e1gua pot\u00e1vel, que gere situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a h\u00eddrica. O recente epis\u00f3dio de baixa pluviosidade na regi\u00e3o sudeste, a mais rica do pa\u00eds, come\u00e7a a fazer perceber que n\u00e3o \u00e9 o volume ou a natureza das obras que pode solucionar a situa\u00e7\u00e3o, e sim uma radical mudan\u00e7a de atitude na compatibiliza\u00e7\u00e3o e harmoniza\u00e7\u00e3o com os meios f\u00edsico e biol\u00f3gico do planeta, entendido como a \u201cnave\u201d que todos compartilhamos no decurso de nossa vida em comum.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas prev\u00ea que se nada mudar nos padr\u00f5es de consumo e na forma geral dos indiv\u00edduos se relacionarem com o planeta, num horizonte pr\u00f3ximo cerca de 5,5 bilh\u00f5es de pessoas poder\u00e3o n\u00e3o ter acesso aos recursos h\u00eddricos, t\u00e3o fundamentais para a vida, correspondendo a 2\/3 do total da popula\u00e7\u00e3o. E num horizonte maior, se diagnostica que menos de \u00bc da humanidade vai dispor de \u00e1gua pot\u00e1vel para satisfazer suas necessidades b\u00e1sicas de vida.<\/p>\n<p>A escassez de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 problem\u00e1tica apenas para dessedenta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m gera dificuldades na manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e facilita a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, como a diarreia e a mal\u00e1ria, que s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 2 milh\u00f5es de \u00f3bitos em indiv\u00edduos humanos a todo ano, nas regi\u00f5es mais vulnerabilizadas da terra.<\/p>\n<p>A \u00e1gua doce, que pode ser potabilizada \u00e9 um bem raro. J\u00e1 se produz \u00e1gua potabilizada a partir de \u00e1gua dessanilizada, mas a um custo energ\u00e9tico ainda bastante elevado. Cerca de 97% das \u00e1guas que cobrem a superf\u00edcie da terra s\u00e3o salinizadas. Dos restantes 3%, a maior parte est\u00e1 em geleiras ou calotas polares. Menos de 1% est\u00e1 disponibilizada, predominando as \u00e1guas subterr\u00e2neas, armazenadas em aqu\u00edferos. A \u00e1gua dispon\u00edvel em rios, lagos e len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos totaliza menos de 0,25% da \u00e1gua total do planeta.<\/p>\n<p>Como se observa s\u00e3o muito ex\u00edguas as disponibilidades de \u00e1gua doce no planeta, e ainda devem ser divididas com os demais membros da fauna e com todo reino vegetal. \u00c9 claro que as fontes n\u00e3o deveriam se esgotar pela manuten\u00e7\u00e3o permanente dos ciclos hidrol\u00f3gicos. Mas a velocidade de recomposi\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos superficiais tem mostrado harmoniza\u00e7\u00e3o em ritmo descompassado com a explora\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos pelas atividades antr\u00f3picas. Em particular, quando se agregam as modifica\u00e7\u00f5es geradas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Evidentemente se apropriar das realidades exibidas por este conjunto multifatorial, \u00e9 tarefa que demanda certa complexidade sist\u00eamica e n\u00e3o \u00e9 realizada de forma intuitiva. Mas as consequ\u00eancias s\u00e3o as mesmas e geram conscientiza\u00e7\u00e3o em toda sociedade. \u00c9 preciso mudar a rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua e os demais bens naturais buscando reestabelecer as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Especialistas assinalam que a crise h\u00eddrica que atinge o estado de S\u00e3o Paulo, decorre de desequil\u00edbrio j\u00e1 de alguns anos na pluviosidade m\u00e9dia, n\u00e3o acompanhando a demanda crescente de uso, e at\u00e9 de desperd\u00edcio. No entanto, esta anomalia clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator. Tamb\u00e9m contribuem fatores de infraestrutura, que n\u00e3o significam necessariamente aus\u00eancia de planejamento, e sim dificuldades impostas pela burocratiza\u00e7\u00e3o e estanqueidade dos mecanismos estatais de opera\u00e7\u00e3o. Onde as crescentes complexidades n\u00e3o s\u00e3o acompanhadas por n\u00edveis equivalentes de evolu\u00e7\u00e3o nos est\u00e1gios de gest\u00e3o, governan\u00e7a e conformidade.<\/p>\n<p>Ou seja, legisla\u00e7\u00e3o ambiental, cada vez mais complexa e abrangente, convive com \u00f3rg\u00e3os aplicadores desaparelhados e ineficientes que n\u00e3o conseguem se coordenar ou se comunicar eficientemente entre si. Evidentemente, as dificuldades de execu\u00e7\u00e3o se tornam manifestas e os resultados sociais extremamente ineficientes, retratando as dificuldades das opera\u00e7\u00f5es, que se perdem em objetivos sist\u00eamicos parciais, n\u00e3o conseguindo estabelecer metas de consecu\u00e7\u00e3o conjuntas.<\/p>\n<p>Se o sistema social padecesse da mesma mol\u00e9stia, as empresas estariam comprometidas e os n\u00edveis de empregabilidade que garantem o funcionamento virtuoso da sociedade, com incrementos na gera\u00e7\u00e3o de impostos e a garantia da manuten\u00e7\u00e3o de um estado com condi\u00e7\u00f5es de intervir na sociedade de maneira eficiente, atendendo \u00e0s demandas sociais, estaria comprometido. Quando eventos naturais se associam a dificuldades de articula\u00e7\u00e3o para a consecu\u00e7\u00e3o de objetivos mais amplos, n\u00e3o deixa de ser em parte, algo an\u00e1logo, o que est\u00e1 ocorrendo. Com consequ\u00eancias sociais e coletivas de resultados inestim\u00e1veis.<\/p>\n<p>A cultura de vincular a import\u00e2ncia do bem ao valor desembolsado na sua aquisi\u00e7\u00e3o, dificulta a valora\u00e7\u00e3o adequada do bem \u00e1gua. N\u00e3o se est\u00e1 defendendo o aumento desmesurado dos pre\u00e7os da \u00e1gua. Mas se a cultura popular associa pre\u00e7o ao valor do bem e n\u00e3o \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o social e ecossist\u00eamica, ent\u00e3o est\u00e1 estabelecida uma situa\u00e7\u00e3o de extrema dificuldade e complexidade. Se a preciosidade da \u00e1gua for repassada aos custos de sua disponibiliza\u00e7\u00e3o e forem criadas dificuldades para os h\u00e1bitos necess\u00e1rios de natureza sanit\u00e1ria de todos os indiv\u00edduos, ent\u00e3o os resultados podem ser mais desastrosos e medidos nas portas dos carentes servi\u00e7os de sa\u00fade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas o maior erro, talvez, seja permitir que a situa\u00e7\u00e3o atinja n\u00edveis pr\u00f3ximos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe para que as medidas reguladoras sejam tomadas. Em quest\u00f5es ambientais e naturais em geral, \u00e9 consensual a aprecia\u00e7\u00e3o de que \u00e9 prefer\u00edvel prevenir do que remediar. Tanto pelos custos gerados quanto pelo p\u00e2nico produzido. A preven\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo, gera melhores condi\u00e7\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o geral das perspectivas e proje\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos, em caldeir\u00f5es de interesses e necessidades, que s\u00e3o de dif\u00edcil avalia\u00e7\u00e3o, ainda mais em cen\u00e1rios pol\u00edticos ou meramente econ\u00f4micos, que na maioria das vezes s\u00e3o absolutamente intang\u00edveis.<\/p>\n<p>Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, \u00e9 Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale. (<a href=\"https:\/\/www.academircharterschools.com\/nitrazepam-online\/\">academircharterschools.com<\/a>) <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0EcoDebate de 16 de maio de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Steve Dorman Frequentemente se imaginava que a imagem de popula\u00e7\u00f5es imersas em res\u00edduos s\u00f3lidos pudessem representar cen\u00e1rios cujo impacto catastr\u00f3fico pudesse trazer modifica\u00e7\u00f5es paradigm\u00e1ticas na conserva\u00e7\u00e3o ambiental. No entanto, \u00e9 a escassez de \u00e1gua, e secundariamente as dificuldades nas disponibilidades energ\u00e9ticas, em parte decorrente das dificuldades h\u00eddricas, que vem alterando estes padr\u00f5es. 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