{"id":20042,"date":"2017-06-15T17:00:14","date_gmt":"2017-06-15T20:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20042"},"modified":"2017-06-06T17:09:36","modified_gmt":"2017-06-06T20:09:36","slug":"le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/","title":{"rendered":"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433\" alt=\"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 fomos atacados no passado, j\u00e1 sofremos campanhas de difama\u00e7\u00e3o, mas somos desta vez o alvo de uma campanha orquestrada, de amplitude e dura\u00e7\u00e3o in\u00e9ditas.\u201d Essas foram as palavras iniciais de Christopher Wild\u00a0 diretor do Centro Internacional de Pesquisas sobre o C\u00e2ncer (CIRC).<\/p>\n<p>Christopher Wild pesou cada palavra com uma gravidade \u00e0 altura da situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 dois anos, in\u00fameros ataques foram feitos \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que ele dirige: a credibilidade e a integridade de seu trabalho s\u00e3o desafiadas, seus especialistas difamados, pressionados por meio de advogados, seus financiamentos fragilizados. Encarregada h\u00e1 cerca de meio s\u00e9culo, sob os ausp\u00edcios da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), de fazer o invent\u00e1rio das subst\u00e2ncias cancer\u00edgenas, a vener\u00e1vel ag\u00eancia come\u00e7a a vacilar sob o assalto.<\/p>\n<p>As hostilidades foram iniciadas numa data bem precisa: 20 de mar\u00e7o de 2015. Naquele dia, o CIRC anunciou as conclus\u00f5es de sua pesquisa que deixou o mundo todo chocado. Ao contr\u00e1rio da maioria das ag\u00eancias regulamentares, o CIRC julga genot\u00f3xico \u2013 pois prejudica o DNA \u2013, cancer\u00edgeno para o animal e\u00a0 \u201cprovavelmente cancer\u00edgeno\u201d para o homem, o pesticida mais utilizado do planeta. Este pesticida \u00e9 o glifosato, principal componente do Roundup, o produto farol de uma das empresas mais c\u00e9lebres do mundo: a Monsanto.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m o Leviat\u00e3 da ind\u00fastria agroqu\u00edmica. Utilizado h\u00e1 mais de quarenta anos, o glifosato entra na composi\u00e7\u00e3o de nada menos de 750 produtos comercializados por uma centena de empresas, em mais de 130 pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>O glifosato, pedra angular da Monsanto<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1974, data em que foi posto no mercado, e 2014, seu uso passou de 3.200 toneladas por ano a 825.000 toneladas. Um aumento espetacular, devido \u00e0 ado\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de sementes geneticamente modificadas para toler\u00e1-lo. De todas as empresas agroqu\u00edmicas que poderiam ser atingidas por medidas de restri\u00e7\u00e3o ou de proibi\u00e7\u00e3o do produto, h\u00e1 uma que arrisca sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Monsanto, que o criou, fez do glifosato a pedra angular de seu modelo econ\u00f4mico. Ela fez sua fortuna vendendo o Roundup e as sementes que o suportam.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando o CIRC anuncia que o glifosato \u00e9 \u201cprovavelmente cancer\u00edgeno\u201d, a empresa americana reage com uma brutalidade inacredit\u00e1vel. Em um comunicado, ela vilipendia a \u201cjunk science\u201d (a \u201cci\u00eancia podre\u201d) do CIRC: uma \u201csele\u00e7\u00e3o viesada\u201d de \u201cdados limitados\u201d, estabelecida em fun\u00e7\u00e3o de \u201cmotiva\u00e7\u00f5es ocultas\u201d, levando a uma decis\u00e3o tomada depois de apenas \u201calgumas horas de discuss\u00e3o no decorrer de uma reuni\u00e3o de uma semana\u201d. Jamais uma empresa questionara em termos t\u00e3o crus a integridade de uma ag\u00eancia situada sob a responsabilidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A ofensiva estava lan\u00e7ada. Pelo menos aquela que se desenvolve a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p><strong>Um ano de trabalho para avaliar o pesticida<\/strong><\/p>\n<p>Internamente, a Monsanto toca uma m\u00fasica totalmente diferente. Esta avalia\u00e7\u00e3o do glifosato, como ela sabe muito bem, foi realizada por um grupo de especialistas que, depois de um ano de trabalho, reuniu-se durante v\u00e1rios dias em Lyon para deliberar. Os procedimentos do CIRC requerem que os industriais afetados pelo produto examinado tenham o direito de comparecer a esta reuni\u00e3o final.<\/p>\n<p>Para a avalia\u00e7\u00e3o do glifosato, a Monsanto tinha, portanto, enviado um \u201cobservador\u201d, o epidemiologista Tom Sorahan, professor da Universidade de Birmingham (Reino Unido) que ela utiliza em miss\u00f5es de consultoria. O informe que ele dirigiu, em 14 de mar\u00e7o de 2015, a seu comandit\u00e1rios, confirma isso: tudo se passou de acordo com as regras. \u201cAchei o presidente [do grupo de trabalho], os copresidentes e os especialistas convidados muito amig\u00e1veis e dispostos a responder a todos os coment\u00e1rios que eu fiz\u201d, escreve Sorahan, em uma carta dirigida a um quadro da Monsanto e que integra os \u201cMonsanto papers\u201d \u2013 um conjunto de documentos internos da empresa que a justi\u00e7a americana come\u00e7ou a tornar p\u00fablicos no in\u00edcio de 2017, no contexto do processo em curso.<\/p>\n<p>\u201cA reuni\u00e3o realizou-se de acordo com os procedimentos do CIRC, acrescenta o observador da empresa americana. O Dr. Kurt Straif, diretor das monografias, tem um conhecimento \u00edntimo das regras em vigor e insistiu em que elas fossem respeitadas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Contra-ataque<\/strong><\/p>\n<p>O cientista \u2013 que n\u00e3o respondeu \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do Le Monde\u2013 parece, ali\u00e1s, muito constrangido com a ideia de que seu nome seja associado ao ataque da Monsanto: \u201cN\u00e3o desejo aparecer em nenhum dos documentos de seus comunicadores\u201d, escreve ele, ao mesmo tempo em que oferece sua \u201cajuda para formular elementos de linguagem\u201d do contra-ataque, inevit\u00e1vel, que o grupo est\u00e1 preparando.<\/p>\n<p>Alguns meses mais tarde, os cientistas n\u00e3o americanos que eram membros do grupo de especialistas do CIRC sobre o glifosato recebem todos a mesma carta. Enviada por Hollingsworth, o escrit\u00f3rio de advogados da Monsanto, esta os intima a liberar a totalidade dos arquivos relacionados a seu trabalho sobre a pesquisa batizada de \u201cmonografia 112\u201d. Rascunhos, coment\u00e1rios, planilhas de dados\u2026 tudo que tenha passado pelo sistema de inform\u00e1tica do CIRC. \u201cCaso o senhor recuse, advertem os advogados, solicitamos expressamente que tomem imediatamente todas as medidas razo\u00e1veis de que disp\u00f5em para preservar esses arquivos intactos, aguardando uma demanda formal formulada por um tribunal americano.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSua carta \u00e9 intimidat\u00f3ria e delet\u00e9ria, insurge-se um dos cientistas em sua resposta, datada de 4 de novembro de 2016. Considero sua iniciativa repreens\u00edvel e carente da cortesia habitual, mesmo segundo os par\u00e2metros contempor\u00e2neos.\u201d O patologista Consolato Maria Sergi, professor na universidade de Alberta (Canad\u00e1), prossegue: \u201cSua carta \u00e9 perniciosa, pois busca instilar, com maldade, ansiedade e apreens\u00e3o no seio de um grupo independente de especialistas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Manobras de intimida\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As press\u00f5es exercidas sobre os membros americanos do grupo do CIRC deram-se por outros meios, ainda mais intimidat\u00f3rios. Nos Estados Unidos, as leis sobre a liberdade de informa\u00e7\u00e3o (Freedom of Information Act, ou FOIA) permitem a todo cidad\u00e3o, sob certas condi\u00e7\u00f5es, solicitar acesso aos documentos produzidos pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e seus funcion\u00e1rios: memorandos, cartas, relat\u00f3rios internos etc.<\/p>\n<p>Segundo nossas informa\u00e7\u00f5es, o escrit\u00f3rio Hollingsworth e Sidley Austin entrou com cinco demandas, a primeira j\u00e1 em novembro de 2015, s\u00f3 junto aos National Institutes of Health (NIH), aos quais est\u00e3o vinculados dois dos especialistas. No que se refere aos outros cientistas, as demandas destinam-se \u00e0 Ag\u00eancia Californiana de Prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente (CalEPA), \u00e0 Texas A &amp; M University ou ainda \u00e0 Universidade do Estado do Mississipi. Algumas dessas institui\u00e7\u00f5es foram mesmo designadas pelos advogados da Monsanto no contexto de procedimentos judiciais em curso, envolvendo o glifosato, sendo assim obrigadas a fornecer alguns de seus documentos internos.<\/p>\n<p>Seria o objetivo dessas manobras de intimida\u00e7\u00e3o fazer calar a cr\u00edtica? Cientistas de renome mundial, em geral abertos \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o responderam \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do Monde, mesmo quanto a conversas informais. Ou, em alguns casos, com a condi\u00e7\u00e3o de falar por uma linha privada, fora do hor\u00e1rio de trabalho.<\/p>\n<p>Os parlamentares americanos, por sua vez, n\u00e3o precisam lan\u00e7ar m\u00e3o do FOIA para pedir contas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas federais. Membro da C\u00e2mara de representantes, onde preside a comiss\u00e3o de controle e reforma do Estado, o republicano Jason Chaffetz escreve ao diretor dos NIH, Francis Collins, em 26 de setembro de 2016.<\/p>\n<p>As escolhas do CIRC \u201csuscitaram numerosas controv\u00e9rsias\u201d, escreve ele. E, apesar de seu \u201chist\u00f3rico de pol\u00eamicas, de retrata\u00e7\u00f5es e de incoer\u00eancias\u201d, o CIRC recebe \u201cfinanciamentos significativos dos contribuintes\u201d americanos por meio das subven\u00e7\u00f5es dadas pelos NIH. De fato, 1,2 milh\u00f5es de euros sobre os 40 milh\u00f5es do or\u00e7amento anual do CIRC prov\u00eam de uma subven\u00e7\u00e3o dos NIH. A seu diretor, pois, Jason Chaffetz, solicita detalhes e justificativa de toda a despesa dos NIH relacionada ao CIRC.<\/p>\n<p><strong>Personagens quase sa\u00eddos de um romance policial<\/strong><\/p>\n<p>Esta iniciativa foi aplaudida no mesmo dia pelo American Chemistry Council (ACC). A poderosa organiza\u00e7\u00e3o de lobby da ind\u00fastria qu\u00edmica americana, de que a Monsanto \u00e9 membro, \u201cespera que a luz ser\u00e1 feita sobre a rela\u00e7\u00e3o estreita e um tanto opaca\u201d entre o CIRC e as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas americanas.<\/p>\n<p>O lobby da ind\u00fastria qu\u00edmica encontrou no Sr. Chaffetz um aliado precioso. J\u00e1 um mar\u00e7o, o eleito republicano escrevia \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de um outro \u00f3rg\u00e3o de pesquisa federal \u2013 o National Institute of Environmental Health Sciences \u2013, para pedir-lhe contas sobre as pesquisas que financia sobre os efeitos nocivos do bisfenol A, um composto muito difundido em certos pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Que melhor meio de neutralizar uma institui\u00e7\u00e3o do que cortar seus v\u00edveres? Nos meses que se seguiram \u00e0 publica\u00e7\u00e3o da \u00abmonografia 112 \u00ab, Croplife International, a organiza\u00e7\u00e3o que defende os interesses dos industriais dos pesticidas e das sementes em n\u00edvel mundial procura os representantes de alguns dos 25 Estados membros do conselho de governan\u00e7a do CIRC para queixar-se da qualidade do trabalho da ag\u00eancia. Ora, estes \u201cEstados participantes\u201d contribuem com cerca de 70% para o or\u00e7amento total do CIRC. Pelo menos tr\u00eas deles \u2013 Canad\u00e1, Pa\u00edses Baixos e Austr\u00e1lia \u2013 foram procurados, segundo o CIRC.\u00a0 Nenhum dos representantes desses Estados respondeu ao Monde.<\/p>\n<p>No decorrer de 2016, personagens quase sa\u00eddos de um romance apareceram na saga do glifosato. Em junho, um homem que se apresenta como jornalista mas n\u00e3o se anuncia nem se inscreve como tal, participa do encontro que o CIRC organiza em Lyon por ocasi\u00e3o de seu 50\u00ba anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O estranho Sr. Watts<\/strong><\/p>\n<p>Transitando de cientista a funcion\u00e1rio internacional, o indiv\u00edduo interroga uns e outros sobre o funcionamento do CIRC, seu financiamento, seu programa de monografias, etc. \u201cEle me fez pensar nessas pessoas d\u00fabias que a gente cruza nos meios humanit\u00e1rios \u2013 nunca se sabe quem s\u00e3o, mas a gente adivinha que buscam informa\u00e7\u00f5es\u201d, testemunha uma participante do encontro, que deseja guardar o anonimato.<\/p>\n<p>Alguns meses mais tarde, no fim de outubro de 2016, o homem reaparece. Desta vez no encontro anual organizado pelo Instituto Ramazzini, um c\u00e9lebre \u00f3rg\u00e3o de pesquisa independente e respeitado sobre o c\u00e2ncer, instalado perto de Bolonha, na It\u00e1lia. Mas por que, diabo, o Ramazzini? Um relat\u00f3rio, talvez, com o an\u00fancio, feito alguns meses antes pelo instituto italiano, de que ia levar adiante seu pr\u00f3prio estudo sobre cancerogeneticidade do glifosato?<\/p>\n<p>Christopher Watts \u2013 \u00e9 seu nome \u2013 faz perguntas sobre a independ\u00eancia do instituto, suas fontes de financiamento. Como utilizou um endere\u00e7o de email que terminava por \u201c@economist.com\u201d, seus interlocutores n\u00e3o duvidaram de seu v\u00ednculo com o prestigiado hebdomad\u00e1rio brit\u00e2nico The Economist. Aos cientistas que lhe pedem detalhes, diz trabalhar para a Economist Intelligence Unit (EIU), uma empresa de consultoria filial do grupo de imprensa brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Na EIU, confirmam que o Sr. Watts de fato produziu v\u00e1rios relat\u00f3rios, mas disseram \u201cn\u00e3o poder dizer porque ele participara\u201d dos dois encontros. \u201cN\u00e3o foi publicado\u201d, acrescentam. Surpreendente, pois na reda\u00e7\u00e3o do jornal, declaram n\u00e3o ter \u201cnenhum jornalista com esse nome\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 a denomina\u00e7\u00e3o de uma empresa cuja cria\u00e7\u00e3o o Sr. Watts mencionou, no final de 2014, parece clara: Corporate Intelligence Advisory Company (companhia de consultoria em informa\u00e7\u00e3o para as empresas). O Sr.Watts, cujo endere\u00e7o pessoal fica, segundo os documentos administrativos, na Alb\u00e2nia, n\u00e3o quis responder \u00e0s perguntas do Monde.<\/p>\n<p><strong>Guerrilha burocr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Em alguns meses, foram pelo menos cinco indiv\u00edduos que se apresentaram como jornalista, pesquisador independente ou assistente de escrit\u00f3rios de advocacia procurando cientistas do CIRC e pesquisadores associados a seus trabalhos. Todos buscando informa\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas sobre os procedimentos e os financiamentos da ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Um deles, Miguel Santos-Neves, que trabalha para a Ergo, uma empresa de intelig\u00eancia econ\u00f4mica sediada em Nova York, foi pin\u00e7ado pela justi\u00e7a americana por usurpa\u00e7\u00e3o de identidade. Como relatou o New York Times em julho de 2016, o Sr. Santos-Neves pesquisava em nome da empresa Uber sobre uma personalidade em lit\u00edgio com a empresa, e tinha interrogado seu entorno profisssional sob falsos pretextos. A Ergo n\u00e3o deu sequ\u00eancia \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do Monde. Como Christopher Watts, duas organiza\u00e7\u00f5es g\u00eameas, de reputa\u00e7\u00e3o sulfurosa se interessam n\u00e3o s\u00f3 pelo CIRC, mas tamb\u00e9m pelo Instituto Ramazzini. Energy And Environmental Legal Institute (E &amp;E Legal) se apresenta como uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, sendo uma de suas miss\u00f5es \u2018pedir contas \u00e0queles que desejam uma regulamenta\u00e7\u00e3o governamental excessiva e destruidora, baseada em decis\u00f5es pol\u00edticas de inten\u00e7\u00f5es ocultas, na ci\u00eancia podre e na histeria\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Free Market Environmental Law Clinic, \u201cbusca ser um contrapeso ao movimento em defesa do meio ambiente, que promove um regime regulamentar economicamente destruidor nos Estados Unidos\u201d. Segundo os elementos de que disp\u00f5e Le Monde, elas iniciaram n\u00e3o menos de dezessete demandas de acesso aos documentos junto aos NIH e \u00e0 Ag\u00eancia americana de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Engajadas em uma guerrilha jur\u00eddica, burocr\u00e1tica, intrusiva, exigem as correspond\u00eancias de v\u00e1rios funcion\u00e1rios americanos \u201ccontendo os termos \u201cCIRC\u201d, \u201cglifosato\u201d, \u201cGuyton\u201d\u201d (como Kathryn Guyton, a cientista do CIRC respons\u00e1vel pela \u00abmonografia 112\u00bb). Solicitam os m\u00ednimos detalhes sobre bolsas, subven\u00e7\u00f5es e outras rela\u00e7\u00f5es, financeiras ou n\u00e3o, entre esses \u00f3rg\u00e3os americanos, o CIRC, certos cientistas e o Instituto Ramazzini.<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o deixe nada passar\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As duas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o dirigidas por David Schnare, um c\u00e9tico declarado em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global, conhecido por ter pressionado climat\u00f3logos. Em novembro de 2016, o Schnare deixou temporariamente a E &amp; E Legal para unir-se \u00e0 equipe de transi\u00e7\u00e3o de Donald Trump. Encontra-se tamb\u00e9m, entre os dirigentes da organiza\u00e7\u00e3o, Steve Milloy, uma figura c\u00e9lebre da propaganda financiada pela ind\u00fastria do fumo. \u00c0s perguntas sobre suas motiva\u00e7\u00f5es e fontes de financiamento, o presidente da E &amp; E Legal respondeu por email: \u201cSauda\u00e7\u00f5es, n\u00e3o estamos interessados.\u201d<\/p>\n<p>O eco dessas demandas de acesso aos documentos \u00e9 amplificado pelas mat\u00e9rias publicadas em certos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Especialmente The Hill, um site pol\u00edtico de leitura obrigat\u00f3ria para todo ator da vida parlamentar em Washington. Seus autores: um esquadr\u00e3o de propagandistas, cuja associa\u00e7\u00e3o US Right to Know (USRTK) documentou os la\u00e7os de longa data com os industriais da agroqu\u00edmica ou dos think tanks conservadores, como o Heartland Institute ou o George C. Marshall Institute, conhecidos pelo papel preponderante na maquin\u00e1ria \u201cclimatoc\u00e9tica\u201d. Os mesmos argumentos aparecem em v\u00e1rios textos. E \u00e0s vezes, os mesmos sintagmas de um autor a outro: fustiga-se a\u00abci\u00eancia feita nas coxas\u00bb de um CIRC que, corro\u00eddo pelos conflitos de interesses, seria \u201camplamente criticado\u201d \u2013 sem que jamais seja dito por quem.<\/p>\n<p>Os advogados implicados nos procedimentos jur\u00eddicos americanos revelaram que a Monsanto empregava tamb\u00e9m meios mais discretos. Respondendo sob juramento \u00e0s quest\u00f5es dos advogados de pessoas enfermas que atribuem seu c\u00e2ncer ao Roundup, respons\u00e1veis pela firma relataram a implanta\u00e7\u00e3o de um programa confidencial batizado de \u201cLet Nothing Go\u201d (N\u00e3o deixe nada passar\u00bb, destinado a responder a todas as cr\u00edticas.<\/p>\n<p>As transcri\u00e7\u00f5es dessas audi\u00e7\u00f5es permanecem confidenciais. Mas, memorandos transmitidos pelos escrit\u00f3rios de advogados implicados nas persegui\u00e7\u00f5es permitem saber um pouco mais. Segundo eles, a Monsanto recorre a empresas terceirizadas, que \u201cempregam indiv\u00edduos, aparentemente sem conex\u00f5es com a ind\u00fastria, para fazer coment\u00e1rios positivos \u00e0 margem dos artigos publicados, e posts no Facebook, a fim de defender a Monsanto, seus produtos qu\u00edmicos e os OGM\u201d.<\/p>\n<p><strong>A m\u00e1quina parece acelerar-se com a chegada do Sr. Trump<\/strong><\/p>\n<p>No decorrer dos \u00faltimos meses, a coaliz\u00e3o contra o CIRC ampliou-se. No final de janeiro de 2017, alguns dias apenas depois da entroniza\u00e7\u00e3o de Donald Trump na Casa Branca, o American Chemistry Council somou-se a suas fileiras.<\/p>\n<p>O lobby americano da qu\u00edmica abriu uma frente sobre as redes sociais na forma de uma campanha pela exatid\u00e3o na pesquisa em sa\u00fade p\u00fablica. Objetivo anunciado: obter uma \u201creformula\u00e7\u00e3o\u201d do programa das monografias do CIRC. Em um site e pelo Twitter, a poderosa organiza\u00e7\u00e3o de lobby aperta o cerco: \u201cUm peda\u00e7o de bacon ou um peda\u00e7o de plut\u00f4nio? \u00c9 a mesma coisa, segundo o CIRC\u201d O texto \u00e9 acompanhado de uma fotomontagem mostrando duas barras verdes fluorescentes que mergulham em ovos fritos. O CIRC de fato classificou, em outubro de 2015, os embutidos \u201ccancer\u00edgenos\u201d com certeza e a carne vermelha como \u201cprovavelmente cancer\u00edgena\u201d, como o glifosato.<\/p>\n<p>Talvez seu acesso direto ao c\u00edrculo mais pr\u00f3ximo ao presidente Trump d\u00ea a esses industriais da qu\u00edmica e da agroqu\u00edmica um sentimento de grande poder? A mais alta respons\u00e1vel pelo lobby do American Chemistry Council, Nancy Beck, n\u00e3o acaba de assumir suas fun\u00e7\u00f5es como diretora adjunta do servi\u00e7o encarregado da regulamenta\u00e7\u00e3o dos produtos qu\u00edmicos e dos pesticidas na Ag\u00eancia americana de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, o servi\u00e7o que, precisamente, completa o reexame do dossier glifosato? E Donald Trump em pessoa n\u00e3o confiou a Andrew Liveris, dono da Dow Chemical, empresa membro do American Chemistry Council, a dire\u00e7\u00e3o de sua Manufacturing Jobs Initiative (Iniciativa para o emprego industrial)?<\/p>\n<p>A m\u00e1quina parece acelerar-se com a chegada da era Trump. No final de mar\u00e7o, o republican texano Lamar Smith, presidente da comiss\u00e3o da C\u00e2mara dos representantes sobre a ci\u00eancia, o espa\u00e7o e a tecnologia, interpela o novo ministro da sa\u00fade, Tom Price. Ele concentra suas quest\u00f5es nos la\u00e7os financeiros entre o National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS) e o Instituto Ramazzini a fim, escreve ele, de \u201cassegurar-se que os benefici\u00e1rios das subven\u00e7\u00f5es aderem aos mais altos par\u00e2metros de integridade cient\u00edfica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ignor\u00e2ncia e mentira<\/strong><\/p>\n<p>Publicada pouco depois na National Review, a tribuna ataca pessoalmente Linda Birnbaum, a diretora do NIEHS, acusada de promover um programa \u201cquimiof\u00f3bico\u201d, e Christopher Portier, seu antigo diretor adjunto, que acompanhou os trabalhos do CIRC como especialista convidado,aqui qualificado como \u201cmilitante anti-glifosato bem conhecido\u201d, e ambos membros do Ramazzini. \u00a0Eis, segundo eles, \u201cum exemplo mais sobre a maneira como a ci\u00eancia foi politizada\u201d. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 igualmente, e entre outras, retomada pelo Breitbart News, o site de extrema direita fundado por Steve Bannon, o conselheiro estrat\u00e9gico do presidente Trump.<\/p>\n<p>Qualificar o instituto ou o collegium Ramazzini (os dois s\u00e3o confundidos) \u201cde obscura organiza\u00e7\u00e3o\u201d aqui, ou de \u201cesp\u00e9cie de Rotary Club para cientistas militantes\u201d em outros locais, \u00e9 na melhor das hip\u00f3teses, ignor\u00e2ncia e, na pior, mentira. Fundado em 1982 por Irving Selikoff e Cesare Maltoni, duas grandes figuras da sa\u00fade p\u00fablica, o Collegium Ramazzini \u00e9 uma academia de 180 cientistas especializados em sa\u00fade profissional e relacionada ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Linda Birnbaum e Christopher Portier s\u00e3o fellows (membros). \u00c9 tamb\u00e9m o caso do diretor do programa das monografias do CIRC, Kurt Straif, e de quatro especialistas do grupo de trabalho da monografia 112. Cada um em sua especialidade, cientistas de alto n\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o temos medo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O lan\u00e7amento, pelo Instituto Ramazzini, em maio de 2016, de um estudo de toxicologia a longo prazo sobre o glifosato concentrou os tiros sobre o \u00f3rg\u00e3o, reputado por sua compet\u00eancia em mat\u00e9ria de c\u00e2ncer. A diretora de pesquisa do instituto, Fiorella Belpoggi, foi uma das raras cientistas que aceitou falar com o Monde: \u201cN\u00f3s n\u00e3o somos muitos, temos pouco dinheiro, mas somos bons cientistas e n\u00e3o temos medo\u201d.<\/p>\n<p>Os ataques contra o Ramazzini e o CIRC certamente n\u00e3o v\u00e3o parar t\u00e3o cedo. Pois, depois do glifosato, outros produtos qu\u00edmicos estrat\u00e9gicos figuram na lista das prioridades do CIRC para o per\u00edodo 2014-2019. Pesticidas, ainda, mas tamb\u00e9m o biofenol A (BPA) e o aspartame. Ora, \u00e9 justamente o NIEHS um dos principais financiadores no mundo da pesquisa sobre a toxicidade do BPA. Quanto ao aspartame, o estudo que alertou sobre as propriedades cancer\u00edgenas do edulcorante foi realizada h\u00e1 v\u00e1rios anos\u2026 pelo Instituto Ramazzini.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha consci\u00eancia, antes de tudo isso, murmura Fiorella Belpoggi, mas, se se livrarem do CIRC, do NIEHS e do Instituto Ramazzini, livrar-se-\u00e3o de tr\u00eas s\u00edmbolos da independ\u00eancia da ci\u00eancia\u201d. De uma ci\u00eancia que se tornou uma amea\u00e7a para interesses econ\u00f4micos calculados em centenas de bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; St\u00e9phane Foucart e St\u00e9phane Horel\/ Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Corbusier, Desacato de 06 de junho de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 fomos atacados no passado, j\u00e1 sofremos campanhas de difama\u00e7\u00e3o, mas somos desta vez o alvo de uma campanha orquestrada, de amplitude e dura\u00e7\u00e3o in\u00e9ditas.\u201d Essas foram as palavras iniciais de Christopher Wild\u00a0 diretor do Centro Internacional de Pesquisas sobre o C\u00e2ncer (CIRC). Christopher Wild pesou cada palavra com uma gravidade \u00e0 altura da situa\u00e7\u00e3o.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[102,72,73],"post_series":[],"class_list":["post-20042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-agrotoxico","tag-transgenico-ogmgmo","tag-veneno","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto - FUNVERDE<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto - FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"J\u00e1 fomos atacados no passado, j\u00e1 sofremos campanhas de difama\u00e7\u00e3o, mas somos desta vez o alvo de uma campanha orquestrada, de amplitude e dura\u00e7\u00e3o in\u00e9ditas.\u201d Essas foram as palavras iniciais de Christopher Wild\u00a0 diretor do Centro Internacional de Pesquisas sobre o C\u00e2ncer (CIRC). Christopher Wild pesou cada palavra com uma gravidade \u00e0 altura da situa\u00e7\u00e3o.&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/funverde\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-06-15T20:00:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"funverde\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\"},\"author\":{\"name\":\"funverde\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277\"},\"headline\":\"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto\",\"datePublished\":\"2017-06-15T20:00:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\"},\"wordCount\":3480,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433\",\"keywords\":[\"Agrot\u00f3xico\",\"Transg\u00eanico\",\"Veneno\"],\"articleSection\":[\"Geral\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\",\"name\":\"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto - FUNVERDE\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433\",\"datePublished\":\"2017-06-15T20:00:14+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage\",\"url\":\"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433\",\"contentUrl\":\"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\",\"name\":\"FUNVERDE\",\"description\":\"ONG criada em 1999, para melhorar o planeta, atrav\u00e9s da preserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\",\"name\":\"FUNVERDE\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg\",\"width\":457,\"height\":499,\"caption\":\"FUNVERDE\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/funverde\",\"https:\/\/x.com\/funverde\",\"https:\/\/www.instagram.com\/funverde\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277\",\"name\":\"funverde\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"funverde\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto - FUNVERDE","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto - FUNVERDE","og_description":"J\u00e1 fomos atacados no passado, j\u00e1 sofremos campanhas de difama\u00e7\u00e3o, mas somos desta vez o alvo de uma campanha orquestrada, de amplitude e dura\u00e7\u00e3o in\u00e9ditas.\u201d Essas foram as palavras iniciais de Christopher Wild\u00a0 diretor do Centro Internacional de Pesquisas sobre o C\u00e2ncer (CIRC). Christopher Wild pesou cada palavra com uma gravidade \u00e0 altura da situa\u00e7\u00e3o.&hellip;","og_url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/","og_site_name":"FUNVERDE","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/funverde","article_published_time":"2017-06-15T20:00:14+00:00","og_image":[{"url":"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433","type":"","width":"","height":""}],"author":"funverde","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@funverde","twitter_site":"@funverde","twitter_misc":{"Escrito por":"funverde","Est. tempo de leitura":"17 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/"},"author":{"name":"funverde","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277"},"headline":"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto","datePublished":"2017-06-15T20:00:14+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/"},"wordCount":3480,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433","keywords":["Agrot\u00f3xico","Transg\u00eanico","Veneno"],"articleSection":["Geral"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/","name":"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto - FUNVERDE","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433","datePublished":"2017-06-15T20:00:14+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#primaryimage","url":"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433","contentUrl":"http:\/\/i0.wp.com\/desacato.info\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/35120361395_e2eb3163e9_b-e1496756025717.jpg?fit=701%2C433"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/le-monde-as-praticas-irregulares-da-monsanto\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Le Monde: as pr\u00e1ticas irregulares da Monsanto"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/","name":"FUNVERDE","description":"ONG criada em 1999, para melhorar o planeta, atrav\u00e9s da preserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization","name":"FUNVERDE","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg","width":457,"height":499,"caption":"FUNVERDE"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/funverde","https:\/\/x.com\/funverde","https:\/\/www.instagram.com\/funverde\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277","name":"funverde","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g","caption":"funverde"}}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20042"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20042"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20042\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20044,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20042\/revisions\/20044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20042"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=20042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}