{"id":20210,"date":"2017-06-30T09:00:20","date_gmt":"2017-06-30T12:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20210"},"modified":"2017-06-14T11:55:58","modified_gmt":"2017-06-14T14:55:58","slug":"a-crise-global-da-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-crise-global-da-agua\/","title":{"rendered":"A crise global da \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.epochtimes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/FB_NYEET20161125A1.jpg?fit=900%2C600&amp;ssl=1\" alt=\"(Ilustra\u00e7\u00e3o de Benjamin Chasteen\/Epoch Times)\" width=\"704\" height=\"469\" \/><em>(Ilustra\u00e7\u00e3o de Benjamin Chasteen\/Epoch Times)<\/em><\/p>\n<p><strong>Em vez de sustentar a vida, a \u00e1gua est\u00e1 se tornando um s\u00edmbolo de escassez, polui\u00e7\u00e3o e conflito<\/strong><\/p>\n<p>\u00c1gua \u00e9 vida. A \u00e1gua \u00e9 o novo petr\u00f3leo. \u00c1gua \u00e9 poder.<\/p>\n<p>A \u00e1gua pot\u00e1vel que sustenta a vida est\u00e1 sumindo. Ela est\u00e1 se tornando um recurso cada vez mais escasso em todo o mundo devido ao uso excessivo e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que essas quest\u00f5es se intensificam, focos de tens\u00e3o que j\u00e1 existem ir\u00e3o crescer e isso afetar\u00e1 a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Alguns dizem que a \u00e1gua \u00e9 o novo petr\u00f3leo. Mas, ao contr\u00e1rio do petr\u00f3leo, a \u00e1gua \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o aprofundada na situa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do planeta revela que nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, todos os pa\u00edses, incluindo os Estados Unidos, ter\u00e3o que determinar como tratar a \u00e1gua como um bem econ\u00f4mico, um direito humano e um recurso esgot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um olhar atento sobre tr\u00eas \u00e1reas-chave \u2013 Estados Unidos, Oriente M\u00e9dio e China \u2013 mostra uma gama de desafios.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica \u00e9 simultaneamente rica em \u00e1gua e vive uma seca prolongada. Os casos de \u00e1gua pot\u00e1vel contaminada est\u00e3o aumentando, assim como as tens\u00f5es com seus vizinhos sobre os recursos h\u00eddricos compartilhados.<\/p>\n<p>Em 2025, estima-se que dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial viver\u00e3o em \u00e1reas estressadas pela \u00e1gua, concentradas no Oriente M\u00e9dio, Norte da \u00c1frica e \u00c1sia Ocidental, de acordo com o <em>World Resources Institute<\/em> (WRI). A escassez de \u00e1gua, agora reconhecida como um fator fundamental que contribui para a guerra na S\u00edria, quase certamente criar\u00e1 mais conflitos e mais refugiados.<\/p>\n<p>A China, a na\u00e7\u00e3o mais populosa do mundo, \u00e9 tamb\u00e9m a pior poluidora de \u00e1gua do mundo. Depois de d\u00e9cadas de pol\u00edticas comunistas de desenvolvimento baseadas no slogan mao\u00edsta de \u201cfazer a alta montanha curvar seu cume, fazer o rio gerar o caminho\u201d, a gigante na\u00e7\u00e3o est\u00e1 ficando sem \u00e1gua pot\u00e1vel e sem op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Reconhecendo que a \u00e1gua pot\u00e1vel n\u00e3o poderia mais ser considerada um recurso renov\u00e1vel, as Na\u00e7\u00f5es Unidas declararam em 2010 que o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao saneamento \u00e9 um direito humano. E foi inclu\u00eddo nos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU, aprovados por todos os 193 Estados-membros no ano passado, um compromisso para garantir o acesso universal \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel at\u00e9 2030. O Banco Mundial estima que isso exigir\u00e1 mais de 1,7 trilh\u00e3o de d\u00f3lares para alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Tentar pintar um quadro do estresse h\u00eddrico<\/strong> em toda a Am\u00e9rica do Norte \u00e9 complicado, enquanto a polui\u00e7\u00e3o, a seca e as disputas fronteiri\u00e7as desempenham um papel. As quest\u00f5es v\u00e3o desde a deteriora\u00e7\u00e3o da infraestrutura em Nova York at\u00e9 o esvaziamento de aqu\u00edferos no Centro-Oeste.<\/p>\n<p><strong>Tens\u00f5es nas fronteiras<\/strong><\/p>\n<p><strong>EUA-Canad\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o uma regi\u00e3o de \u201calto estresse\u201d segundo o WRI, enquanto o Canad\u00e1 \u00e9 uma regi\u00e3o de \u201cbaixo estresse\u201d.<\/p>\n<p>No Canad\u00e1, que tem <a href=\"http:\/\/watergovernance.ca\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/FS_Myth_of_Water_Abundance.pdf\">20% da \u00e1gua pot\u00e1vel do mundo<\/a>, \u00e9 um tabu para os pol\u00edticos sequer sugerirem o apoio a exporta\u00e7\u00f5es de grandes volumes de \u00e1gua.<\/p>\n<p>No entanto, restri\u00e7\u00f5es amb\u00edguas ao com\u00e9rcio de \u00e1gua do Canad\u00e1 podem exp\u00f4-lo a acusa\u00e7\u00f5es de violar as regras do Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA), que impede os pa\u00edses de tratar as empresas nacionais mais favoravelmente do que as empresas estrangeiras. O Canad\u00e1 pode assim ser for\u00e7ado a exportar em massa, \u00e0 medida que a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua global, e particularmente a estadunidense, se torna mais desesperadora.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/o.canada.com\/news\/water-wars-with-u-s-will-become-bigger-issue-than-keystone-canadian-ambassador-says\">Gary Doer<\/a>, ex-embaixador canadense nos Estados Unidos, previu em 2014 que nos pr\u00f3ximos dois anos as disputas EUA-Canad\u00e1 sobre a \u00e1gua se tornar\u00e3o t\u00e3o intensas que far\u00e1 com que os atritos a respeito do oleoduto Keystone XL \u201cpare\u00e7am rid\u00edculos\u201d.<\/p>\n<p><strong>EUA-M\u00e9xico<\/strong><\/p>\n<p>Dois grandes recursos h\u00eddricos, o Rio Colorado e o Rio Grande, s\u00e3o compartilhados pelos Estados Unidos e o M\u00e9xico. Os tratados definem a quantidade de \u00e1gua atribu\u00edda a cada pa\u00eds a partir dessas fontes. Mas a escassez do fornecimento do M\u00e9xico nos \u00faltimos anos tem irritado algumas partes interessadas estadunidenses, que afirmam que o M\u00e9xico prioriza seu pr\u00f3prio uso da \u00e1gua enquanto os EUA priorizam as entregas acordadas e destinadas ao M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Por outro lado, as partes interessadas mexicanas se mostraram irritadas no passado por entregas de \u00e1gua de baixa qualidade dos EUA que eram inadequadas para beber ou uso agr\u00edcola. A \u00e1gua \u00e9 \u201centregue\u201d, liberando-a em reservat\u00f3rios e limitando o quanto \u00e9 desviado para o uso em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Comunidade versus corpora\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Propostas de instala\u00e7\u00f5es de engarrafamento de \u00e1gua t\u00eam enfrentado resist\u00eancia da comunidade em toda a Am\u00e9rica do Norte. McCloud, na Calif\u00f3rnia, \u00e9 um exemplo de uma pequena cidade com uma fonte de \u00e1gua pura cobi\u00e7ada pela Nestl\u00e9, uma das maiores empresas de engarrafamento, que possui 56 marcas.<\/p>\n<p>A proposta inicial da Nestl\u00e9 em 2003 era construir a maior f\u00e1brica de engarrafamento do pa\u00eds (93 mil metros quadrados), que extrairia enormes volumes de \u00e1gua da bacia hidrogr\u00e1fica de McCloud durante 50 anos. Isso tamb\u00e9m resultaria em centenas de caminh\u00f5es circulando pela cidade diariamente para transportar a \u00e1gua enquanto criariam polui\u00e7\u00e3o do ar e sonora. Por fim, a empresa reduziu o seu plano e, em 2009, <a href=\"http:\/\/www.alternet.org\/story\/142645\/after_6-year_battle,_mccloud,_ca_defeats_water_bottling_giant_nestle\">finalmente desistiu<\/a> do projeto, ap\u00f3s seis anos de resist\u00eancia local.<\/p>\n<p>O porta-voz da Nestl\u00e9, Christopher Rieck, afirmou por e-mail que a \u00e1gua engarrafada \u00e9 uma fonte confi\u00e1vel de \u00e1gua pot\u00e1vel em caso de emerg\u00eancia. Al\u00e9m disso, ele disse que o uso da \u00e1gua para engarrafamento n\u00e3o \u00e9 diferente de \u201coutros na ind\u00fastria que usam a \u00e1gua para produzir alimentos, bebidas e manufaturados\u201d.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.bottledwater.org\/\">Associa\u00e7\u00e3o Internacional da \u00c1gua Engarrafada<\/a> observa que a \u00e1gua engarrafada representa apenas uma min\u00fascula parcela do uso da \u00e1gua nos Estados Unidos, ou, por exemplo, 0.02% de toda a \u00e1gua usada na Calif\u00f3rnia anualmente.<\/p>\n<p><strong>Polui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua n\u00e3o se limita a torneiras em Flint, Michigan, mas \u00e9 um problema nacional. Enquanto a \u00e1gua da torneira tem dominado as manchetes, um estudo do <a href=\"http:\/\/www.ewg.org\/news\/news-releases\/2009\/12\/09\/press-release-updated-tap-water-databases-and-drinking-water-quality\"><em>Environmental Working Group<\/em><\/a> com amostras de \u00e1gua coletadas ao longo de cinco anos encontrou mais de 300 poluentes, dois ter\u00e7os dos quais s\u00e3o \u201csubst\u00e2ncias qu\u00edmicas n\u00e3o regulamentadas\u201d, na \u00e1gua da torneira dos EUA. As vias fluviais s\u00e3o submetidas a produtos qu\u00edmicos provenientes de escorrimento agr\u00edcola e vazamentos de sistemas s\u00e9pticos, de tal forma que 40% dos rios e 46% dos lagos da Am\u00e9rica est\u00e3o muito polu\u00eddos para a pesca, a nata\u00e7\u00e3o ou a vida aqu\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Uso excessivo da irriga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A agricultura usa cerca de 80% da \u00e1gua consumida na Am\u00e9rica e mais de 90% nos estados do oeste americano.<\/p>\n<p>A irriga\u00e7\u00e3o suprida pelo Aqu\u00edfero Ogallala, que se estende por oito estados desde a Dakota do Sul at\u00e9 o Texas, alimenta mais de um quarto de toda a \u00e1rea irrigada nos Estados Unidos usada para gado, milho, algod\u00e3o e trigo. \u00c9 o que fez o Centro-Oeste do pa\u00eds ser chamado de \u201cceleiro da Am\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p>Mas o Ogallala \u00e9 um excelente exemplo de uma fonte de \u00e1gua, outrora considerada infinita, que agora mostra sinais de grande tens\u00e3o devido \u00e0 drenagem insustent\u00e1vel. Em 1960, ele estava esgotado em 3%; at\u00e9 2010, ele foi reduzido em 30%. Em outros 50 anos, 69% ter\u00e1 desaparecido, se as tend\u00eancias atuais continuarem, dizem pesquisadores da <a href=\"http:\/\/www.k-state.edu\/media\/newsreleases\/aug13\/groundwater82613.html\">Universidade Estadual do Kansas<\/a> (KSU).<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o come\u00e7ando, mas n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas. \u201cUma vez esgotado, o aqu\u00edfero levaria uma m\u00e9dia de 500 a 1300 anos para se reabastecer\u201d, segundo o modelo da KSU apresentado em seu relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Infraestrutura envelhecida<\/strong><\/p>\n<p>Infraestrutura deteriorada no abastecimento de \u00e1gua \u00e9 um problema em todo o pa\u00eds. De acordo com a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA, cerca de <a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/sciencematters\/epa-science-matters-newsletter-volume-1-number-1\">240 mil interrup\u00e7\u00f5es de \u00e1gua<\/a> ocorrem por ano no pa\u00eds. Existem cerca de <a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/sciencematters\/epa-science-matters-newsletter-volume-1-number-1\">75 mil esgotos sanit\u00e1rios<\/a> descarregando bilh\u00f5es de litros de \u00e1guas residuais n\u00e3o tratadas, contaminando as \u00e1guas recreativas e causando cerca de 5.500 casos de doen\u00e7as. A infraestrutura de \u00e1gua pot\u00e1vel exigir\u00e1 mais de <a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/sites\/production\/files\/2015-07\/documents\/epa816r13006.pdf\">384 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 20 anos<\/a> para continuar a fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Seca<\/strong><\/p>\n<p>A Calif\u00f3rnia est\u00e1 em seu sexto ano de seca severa. Juntamente com outras pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o, em abril de 2015, o governador Jerry Brown anunciou as primeiras restri\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias do estado sobre a \u00e1gua pot\u00e1vel, visando uma redu\u00e7\u00e3o de 25%.<\/p>\n<p>A seca tamb\u00e9m est\u00e1 afetando as regi\u00f5es Sudeste e Nordeste, na medida em que quase <a href=\"http:\/\/droughtmonitor.unl.edu\/Home\/TabularStatistics.aspx\">47%<\/a> da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora sendo afetada; e espera-se outro inverno seco.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><strong>Efici\u00eancia e conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Calif\u00f3rnia \u00e9 um dos estados mais atingidos pela seca, mas Los Angeles foi nomeada a segunda cidade mais eficiente do mundo (depois de Copenhague), de acordo com o \u00cdndice de Cidades Sustent\u00e1veis em \u00c1gua \u200b\u200bde 2016, da consultoria Arcadis. S\u00e3o Francisco tamb\u00e9m est\u00e1 bem posicionada. Ambas as cidades possuem altos n\u00edveis de reutiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o importante. Regulamentos de medi\u00e7\u00e3o na Calif\u00f3rnia e ferramentas para identificar o desperd\u00edcio de \u00e1gua tiveram um grande impacto nisso.<\/p>\n<p>A <strong>reciclagem de \u00e1guas residuais<\/strong> \u00e9 muitas vezes a solu\u00e7\u00e3o mais rent\u00e1vel para o estresse h\u00eddrico.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.awwa.org\/about-us\/leadership\/staff-leadership.aspx\">Cynthia Lane<\/a>, diretora de engenharia e servi\u00e7os t\u00e9cnicos da <em>American Water Works Association<\/em>, \u00e9 uma grande defensora da reciclagem de \u00e1guas residuais para \u00e1gua pot\u00e1vel, embora ela tenha notado que \u201co p\u00fablico em geral n\u00e3o est\u00e1 exatamente interessado em \u00e1guas residuais tratadas\u201d.<\/p>\n<p>A <strong>dessaliniza\u00e7\u00e3o<\/strong> enfrenta mais complica\u00e7\u00f5es devido a licen\u00e7as legais, disse Lane, porque ocorre na costa. O custo do descarte dos res\u00edduos da \u00e1gua salgada tamb\u00e9m pode ser elevado, explicou Schneider. As importa\u00e7\u00f5es em massa s\u00e3o outra solu\u00e7\u00e3o e cada regi\u00e3o tem que determinar por si mesma o que \u00e9 mais ben\u00e9fico em termos de custos econ\u00f4micos, sociais e ambientais, disse Lane.<\/p>\n<p><strong>Para quem n\u00e3o vive na regi\u00e3o, as quest\u00f5es do Oriente M\u00e9dio<\/strong> parecem girar em torno da guerra, do petr\u00f3leo e dos direitos humanos. Mas para quem vive na regi\u00e3o, \u00e9 conhecimento comum que a \u00e1gua \u00e9 t\u00e3o fundamental para a estabilidade como para a prosperidade. <a href=\"http:\/\/www.wri.org\/blog\/2015\/08\/ranking-world%E2%80%99s-most-water-stressed-countries-2040\">Oito dos dez pa\u00edses do mundo<\/a> mais \u201cestressados \u200b\u200bpor \u00e1gua\u201d est\u00e3o no Oriente M\u00e9dio. Eles est\u00e3o sujeitos \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, desaparecimento de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, secas de v\u00e1rios anos, disputas internacionais sobre direitos de \u00e1gua e pr\u00e1ticas deficientes de uso da \u00e1gua; tudo isso agrega volatilidade a uma regi\u00e3o j\u00e1 tensa.<\/p>\n<p><strong>\u00c1gua e pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>No Oriente M\u00e9dio, \u00e1gua e pol\u00edtica est\u00e3o intimamente ligadas. Os acordos transfronteiri\u00e7os t\u00edpicos tratam a \u00e1gua como um recurso divis\u00edvel. Mas <a href=\"http:\/\/foeme.org\/uploads\/Brooks_Trottier_Confronting%20Water_AISVersion_10Feb10.pdf\">de acordo com<\/a> o economista de recursos naturais David B. Brooks, embora os acordos possam ajudar a prevenir conflitos no curto prazo, eles n\u00e3o garantem a gest\u00e3o sustent\u00e1vel e equitativa da \u00e1gua no longo prazo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 o caso do conflito israelense-palestiniano. Durante o ver\u00e3o quente de 2016, quase 2,8 milh\u00f5es de residentes e l\u00edderes locais \u00e1rabes na Cisjord\u00e2nia reclamaram repetidamente de terem sido negados o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel. <a href=\"http:\/\/www.jpost.com\/Arab-Israeli-Conflict\/Israel-blames-Palestinians-for-West-Bank-water-shortage-457814\">Israel culpa os palestinos<\/a> por n\u00e3o se sentarem para negociar como atualizar a infraestrutura defasada. De acordo com os acordos de Oslo, Israel controla os recursos h\u00eddricos. Um comit\u00ea conjunto israelense-palestino destinado a trabalhar nestas quest\u00f5es n\u00e3o se re\u00fane h\u00e1 mais de cinco anos.<\/p>\n<p>Essa complexa sobreposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica e necessidades humanas b\u00e1sicas \u00e9 semelhante em grande parte do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>Bacia do Rio Jord\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O sistema do Rio Jord\u00e3o, que flui atrav\u00e9s do L\u00edbano, S\u00edria, Israel, Cisjord\u00e2nia e Jord\u00e2nia, \u00e9 um dos focos de constante conflito entre Estados locais a respeito da \u00e1gua. Ele tem sido uma fonte de tens\u00e3o entre Israel e os Estados \u00e1rabes h\u00e1 mais de 60 anos.<\/p>\n<p>Em 1953, Israel iniciou o projeto Transporte Nacional de \u00c1gua, uma rede de dutos de 130 quil\u00f4metros para transportar \u00e1gua do mar da Galileia, no norte, at\u00e9 o Deserto do Negev, no sul. Uma d\u00e9cada mais tarde, quando o megaprojeto estava completo, a S\u00edria tentou bloquear o acesso de Israel \u00e0s grandes reservas dessa \u00e1gua por meio do Plano de Desvio da Cabeceira. Israel atacou esses esfor\u00e7os de desvio, que provou ser um fator-chave que levou \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.foreignpolicyjournal.com\/2016\/09\/02\/water-scarcity-cooperation-or-conflict-in-the-middle-east-and-north-africa\/\">Guerra dos Seis Dias<\/a> em 1967.<\/p>\n<p><strong>Pobreza de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>A capacidade dos l\u00edderes \u200b\u200bde atender \u00e0s necessidades b\u00e1sicas de \u00e1gua pode ser frustrada por conflitos, o que aumenta a press\u00e3o sobre situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 dif\u00edceis.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.who.int\/water_sanitation_health\/emergencies\/qa\/emergencies_qa5\/en\/\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade<\/a> estabelece o acesso m\u00ednimo \u00e0 \u00e1gua di\u00e1ria por pessoa em cerca de 7,5 litros por dia. Muitos descrevem a exist\u00eancia humana abaixo deste limite como \u201cpobreza de \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>A demanda de volume de \u00e1gua mais que duplica numa emerg\u00eancia, como numa guerra. Para manter a higiene pessoal e lidar com alimentos corretamente, muito mais \u00e1gua \u00e9 necess\u00e1rio por indiv\u00edduo: cerca de 20 litros por dia. O n\u00famero sobe para lavar roupas e tomar banho.<\/p>\n<p><strong>I\u00eamen em perigo<\/strong><\/p>\n<p>Embora tecnicamente o Yemen n\u00e3o seja t\u00e3o estressado por falta d\u2019\u00e1gua quanto muitos de seus vizinhos, ele tem um problema especial: sua capital Sanaa e outras cidades est\u00e3o em perigo iminente de ficar sem \u00e1gua. As estimativas variam entre um ano e uma d\u00e9cada, se nada for feito.<\/p>\n<p>A maior parte da \u00e1gua no I\u00eamen vem de aqu\u00edferos subterr\u00e2neos. Os <a href=\"https:\/\/www.cigionline.org\/articles\/yemen-water-and-conflict\">m\u00e9todos tradicionais de irriga\u00e7\u00e3o<\/a> baseavam-se nessa \u00e1gua numa taxa sustent\u00e1vel, mas uma crescente popula\u00e7\u00e3o urbana e a prefer\u00eancia por culturas de cultivo mais intensivas em \u00e1gua (particularmente <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Khat\"><em>qat<\/em><\/a>, um narc\u00f3tico brando) est\u00e3o fazendo com que a \u00e1gua do pa\u00eds aprofunde-se cerca de <a href=\"http:\/\/geographical.co.uk\/places\/cities\/item\/753-will-yemen-run-out-of-water\">2 metros por ano<\/a>.<\/p>\n<p>Os problemas de \u00e1gua do pa\u00eds foram exacerbados pela guerra civil e pelo desastre humanit\u00e1rio em curso. Tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o, cerca de 20 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e\/ou saneamento adequado.<\/p>\n<p>O termo \u201crefugiados da \u00e1gua\u201d tem sido usado para descrever o que poderia ocorrer aos 2,9 milh\u00f5es de habitantes da capital se a situa\u00e7\u00e3o atual continuar.<\/p>\n<p><strong>S\u00edria: seca e guerra civil<\/strong><\/p>\n<p>O Oriente M\u00e9dio ainda n\u00e3o viu uma guerra explicitamente em fun\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, mas a escassez de \u00e1gua agravou outros fatores que geram conflitos.<\/p>\n<p>Enquanto a guerra devastadora na S\u00edria \u00e9 agora um problema global, a conex\u00e3o entre conflito e seca s\u00f3 recentemente entrou na consci\u00eancia geral.<\/p>\n<p>De 2006 a 2010, a S\u00edria foi atingida por uma seca \u00e9pica, <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2016\/nasa-finds-drought-in-eastern-mediterranean-worst-of-past-900-years\">a pior em 900 anos<\/a>. Ela <a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/ominous-story-of-syria-climate-refugees\/\">devastou<\/a> o gado, inflacionou os pre\u00e7os dos alimentos e empurrou cerca de 1,5 milh\u00e3o de agricultores de suas terras secas para as cidades. O afluxo de refugiados da \u00e1gua, bem como o elevado desemprego e outras tens\u00f5es, intensificaram a agita\u00e7\u00e3o civil que eventualmente levou \u00e0 guerra civil, de acordo com conclus\u00f5es recentes de especialistas.<\/p>\n<p>A crise foi em parte criada por uma pol\u00edtica mal concebida 30 anos antes. Na d\u00e9cada de 1970, o presidente Hafez al-Assad (pai do atual presidente Bashar al-Assad) decretou que a S\u00edria deveria ser autossuficiente em termos agr\u00edcolas. Os agricultores cavaram po\u00e7os mais e mais profundos para acessar os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos do pa\u00eds, at\u00e9 que eventualmente os po\u00e7os secaram.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gerenciamento da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Pobres pr\u00e1ticas de gest\u00e3o da \u00e1gua criaram pelo menos alguns dos problemas da \u00e1gua na regi\u00e3o, mas muitos especialistas concordam que abordagens mais inteligentes poderiam ajudar a reverter alguns desses efeitos. Por exemplo, estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para determinar o n\u00famero de animais que a terra pode suportar. A conserva\u00e7\u00e3o poderia ser incentivada por meio do emprego do conceito de custo da \u00e1gua. Na S\u00edria, um <a href=\"http:\/\/www.irinnews.org\/news\/2010\/06\/15\/act-now-stop-desertification-says-fao\">projeto experimental de irriga\u00e7\u00e3o<\/a> por gotejamento se popularizou rapidamente depois que os agricultores viram que poderiam usar 30% menos \u00e1gua para obter 60% mais produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Dessaliniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/large.stanford.edu\/courses\/2013\/ph240\/rajavi2\/\">dessaliniza\u00e7\u00e3o<\/a> faz parte da solu\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 50 anos no Oriente M\u00e9dio. Dado que 97% da \u00e1gua do planeta \u00e9 \u00e1gua salgada, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o atraente, mas tem suas desvantagens. Por um lado, \u00e9 altamente intensiva em energia, portanto, a maioria das f\u00e1bricas foi constru\u00edda em pa\u00edses ricos em petr\u00f3leo como a Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Por outro lado, o sal que fica para tr\u00e1s no processo, frequentemente \u00e9 despejado de volta no oceano, prejudicando a vida marinha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ensia.com\/features\/water-desalination-middle-east\/\">Pesquisadores israelenses<\/a> desenvolveram recentemente um sistema muito mais eficiente chamado dessaliniza\u00e7\u00e3o por osmose reversa, que usa membranas com poros microsc\u00f3picos que permitem a passagem da \u00e1gua mas n\u00e3o das mol\u00e9culas maiores de sal. O sistema foi revolucion\u00e1rio para Israel, e fornece agora 55% da \u00e1gua da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>De acordo com o budismo<\/strong>, os quatro elementos (\u00e1gua, fogo, ar e terra) comp\u00f5em tudo no cosmos. No entanto, um dos quatro elementos tem sido t\u00e3o maltratado na China que atualmente um quarto da popula\u00e7\u00e3o do Reino do Meio n\u00e3o tem acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Polui\u00e7\u00e3o generalizada<\/strong><\/p>\n<p>Relat\u00f3rios oficiais na China geralmente tentam evitar que o regime crie uma m\u00e1 impress\u00e3o. Mas quando se trata do estado terr\u00edvel dos recursos h\u00eddricos da China, pouco pode ser dito de positivo.<\/p>\n<p>As autoridades estimam que cerca de <a href=\"http:\/\/www.theepochtimes.com\/n3\/2031587-more-than-80-percent-of-chinas-groundwater-polluted\/\">80%<\/a> das \u00e1guas subterr\u00e2neas da China n\u00e3o s\u00e3o aptas para beber, e <a href=\"http:\/\/www.danwei.com\/the-groundwater-of-90-of-chinese-cities-is-polluted\/\">90%<\/a> das \u00e1guas subterr\u00e2neas nas \u00e1reas urbanas est\u00e3o contaminadas. Eles classificam quase dois quintos dos rios da China como sendo inadequados para o uso agr\u00edcola ou industrial.<\/p>\n<p>Mais de <a href=\"http:\/\/politics.people.com.cn\/GB\/1026\/3299359.html\">360 \u200b\u200bmilh\u00f5es de pessoas<\/a>, ou cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua limpa.<\/p>\n<p>Desde 1997, disputas de \u00e1gua resultaram em dezenas de milhares de protestos a cada ano.<\/p>\n<p>As principais fontes de polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua na China v\u00eam da fabrica\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos, fertilizantes, papel e vestu\u00e1rio.<\/p>\n<p>De acordo com um <a href=\"http:\/\/www.h2o-china.com\/news\/36095.html\">relat\u00f3rio oficial<\/a>, 70% dos rios e lagos da China est\u00e3o t\u00e3o polu\u00eddos que n\u00e3o conseguem sustentar a vida marinha. A polui\u00e7\u00e3o no Yangtz\u00e9, o rio mais longo da China, causou a <a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/news\/2006\/12\/061214-dolphin-extinct.html\">extin\u00e7\u00e3o do golfinho baiji<\/a>, um mam\u00edfero nativo apenas do Yangtz\u00e9.<\/p>\n<p>O segundo maior rio, o Rio Amarelo, \u00e9 conhecido como o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa. Ele tamb\u00e9m \u00e9 chamado de \u201cRio das Afli\u00e7\u00f5es\u201d por causa de sua hist\u00f3ria de inunda\u00e7\u00f5es devastadoras. Hoje, essa tristeza se refere a um tipo diferente. As 4 mil f\u00e1bricas petroqu\u00edmicas em suas margens polu\u00edram suas \u00e1guas al\u00e9m da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Escassez de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>A China \u00e9 um dos pa\u00edses \u200b\u200bdo mundo mais estressados por \u00e1gua. <a href=\"http:\/\/www.un.org\/waterforlifedecade\/pdf\/01_2014_sustainability_eng.pdf\">A China tem<\/a> um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas menos de 7% da \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>A maior parte dessa \u00e1gua, cerca de 80%, \u00e9 encontrada no sul do pa\u00eds. No entanto, o norte da China concentra a maior parte da agricultura e manufatura do pa\u00eds, al\u00e9m de grandes centros populacionais como a capital Pequim.<\/p>\n<p>Enquanto um mapa pode mostrar centenas de rios e riachos fluindo para Pequim, no solo real praticamente todos secaram. Nos anos 80, as \u00e1guas subterr\u00e2neas de Pequim eram consideradas inesgot\u00e1veis, mas sendo bombeadas mais rapidamente do que podem ser repostas, elas j\u00e1 retrocederam mais de 305 metros de profundidade nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n<p>Em 2005, Wang Shucheng, um ex-ministro de recursos h\u00eddricos, previu que Pequim ficaria sem \u00e1gua em 15 anos.<\/p>\n<p><strong>Projeto de Transfer\u00eancia de \u00c1gua Sul-Norte<\/strong><\/p>\n<p>A tentativa do regime de corrigir a escassez de \u00e1gua no norte \u00e9 o Projeto de Transfer\u00eancia de \u00c1gua Sul-Norte, um sistema de canaliza\u00e7\u00e3o que percorre cerca de 4345 quil\u00f4metros, ou o equivalente a transportar \u00e1gua <a href=\"https:\/\/journal.probeinternational.org\/2016\/04\/27\/a-warning-for-parched-china-a-city-runs-out-of-water\/\">de Nova York at\u00e9 Los Angeles<\/a>.<\/p>\n<p>O projeto, considerado pelo regime como uma proeza de engenharia e fonte de prest\u00edgio, tem sido amplamente criticado por seu alto custo (81 bilh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 agora) e pela desloca\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de centenas de milhares de pessoas que vivem no caminho da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2010, <a href=\"http:\/\/www.epochtimes.com\/gb\/10\/11\/28\/n3097993.htm\">milhares protestaram<\/a> na prov\u00edncia de Hubei, quando as autoridades os removeram \u00e0 for\u00e7a de suas casas sem praticamente qualquer aviso. Aqueles que resistiram foram presos.<\/p>\n<p>Ambientalistas dizem que o transporte de <a href=\"http:\/\/www.theatlantic.com\/international\/archive\/2014\/03\/china-has-launched-the-largest-water-pipeline-project-in-history\/284300\/\">\u00e1gua polu\u00edda do sul<\/a> n\u00e3o resolver\u00e1 as quest\u00f5es do norte de forma alguma. Um <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/blog\/6737-South-North-water-transfer-project-not-sustainable-says-Chinese-official\/en\">funcion\u00e1rio chin\u00eas<\/a> chegou a notar que o projeto criar\u00e1 novos problemas ambientais e \u201cn\u00e3o tem nada de sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><strong>Origens dos problemas de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos problemas de \u00e1gua da China \u00e9 visto como um legado das pol\u00edticas do Partido Comunista.<\/p>\n<p>\u201cFazer a alta montanha curvar seu cume, fazer o rio gerar o caminho\u201d soou como um slogan popular de propaganda comunista durante o reinado de Mao Ts\u00e9-tung (1949-1976). Para isso, foram constru\u00eddos diques no Rio Amarelo para melhorar o transporte mar\u00edtimo e reservat\u00f3rios de desvio de \u00e1gua foram constru\u00eddos a montante. O n\u00famero de barragens na China subiu de 22 em 1949 para mais de 87 mil hoje.<\/p>\n<p>O regime mao\u00edsta procurou \u201cespremer cada \u00faltima gota de \u00e1gua da Plan\u00edcie Norte da China\u201d, escreveu David Pietz, professor de hist\u00f3ria chinesa e catedr\u00e1tico UNESCO de hist\u00f3ria ambiental da Universidade do Arizona.<\/p>\n<p>As tentativas chinesas de industrializa\u00e7\u00e3o em massa durante a pol\u00edtica de Mao do Grande Salto para Frente (1957-1962) produziram enormes quantidades de esgoto e res\u00edduos, e esses poluentes foram descarregados sem tratamento nos rios.<\/p>\n<p>Por exemplo, no Rio Hai, que conecta a prov\u00edncia de Tianjin a Pequim, 674 sistemas de esgoto descarregam 4400 litros de \u00e1gua polu\u00edda por segundo, o que tornou o Rio Hai turvo, salgado e f\u00e9tido.<\/p>\n<p><strong>Economia p\u00f3s-Mao<\/strong><\/p>\n<p>As tentativas de reforma da economia e do setor agr\u00edcola na era p\u00f3s-Mao pioraram os problemas de \u00e1gua na China.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que ind\u00fastrias surgiam em todo o pa\u00eds, mais e mais \u00e1gua foi sendo consumida. Devido \u00e0 falta de regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental, os res\u00edduos industriais eram comumente despejados sem tratamento nos rios e em outros corpos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Uma popula\u00e7\u00e3o crescente e o aumento dos padr\u00f5es de vida na China tamb\u00e9m pressionaram os agricultores chineses a cultivarem mais alimentos. Os alde\u00f5es competiam pelo acesso aos canais de irriga\u00e7\u00e3o e as tens\u00f5es provocaram <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/books\/8134-The-Yellow-River-a-history-of-China-s-water-crisis\/en\">atos de sabotagem<\/a>.<\/p>\n<p>Em 1997, o Rio Amarelo finalmente se rendeu, ele secou desde a foz do rio no Mar de Bohai at\u00e9 cerca de 643 quil\u00f4metros terra adentro.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio de 2008 da Universidade Sun Yat-sen observa que 13 mil das 21 mil f\u00e1bricas petroqu\u00edmicas nos rios Yangtz\u00e9 e Amarelo descarregam bilh\u00f5es de toneladas de \u00e1guas residuais por ano.<\/p>\n<p><strong>Multiplica\u00e7\u00e3o das vilas de c\u00e2ncer<\/strong><\/p>\n<p>A quantidade de fertilizantes qu\u00edmicos, esgotos n\u00e3o tratados, metais pesados \u200b\u200be outros carcin\u00f3genos descarregados nos corpos d\u2019\u00e1gua da China deram origem ao fen\u00f4meno de \u201cvilas de c\u00e2ncer\u201d, ou comunidades com taxas de c\u00e2ncer acima da m\u00e9dia. Uma <a href=\"http:\/\/news.china.com\/zh_cn\/domestic\/945\/20050301\/12139378_1.html\">reportagem investigativa<\/a> de 2005 descobriu que a incid\u00eancia de c\u00e2ncer em algumas dessas vilas \u00e9 19 a 30 vezes maior do que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Embora not\u00edcias sobre vilas de c\u00e2ncer <a href=\"http:\/\/thediplomat.com\/2014\/05\/chinas-water-pollution-mire\/\">tenham surgido pela primeira vez na d\u00e9cada de 1990<\/a>, o regime chin\u00eas s\u00f3 reconheceu a sua exist\u00eancia em <a href=\"http:\/\/english.caijing.com.cn\/2013-02-21\/112520130.html\">2013<\/a>. A Xinhua, a m\u00eddia estatal porta-voz do regime, informou que haveria mais de 400 vilas de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a vila de Yantou, na prov\u00edncia de Zhejiang, onde as taxas de mortalidade por c\u00e2ncer aumentaram de forma alarmante: de 20% entre 1991 e 1995; para 34% de 1996 a 2000; para 55,6% de 2001 a 2002. O momento do aumento da incid\u00eancia de c\u00e2ncer coincidiu com a instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica farmac\u00eautica perto da vila.<\/p>\n<p><strong>Problemas no Mekong<\/strong><\/p>\n<p>O Rio Mekong \u00e9 vital para o Sudeste Asi\u00e1tico, ele flui do planalto tibetano e atravessa o Camboja, Birm\u00e2nia, Laos, Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Por meio de projetos expansivos de represamento, particularmente os constru\u00eddos no Rio Mekong, a China tem estrangulado a \u00e1gua da regi\u00e3o e, n\u00e3o sem raz\u00e3o, tem sido culpada por agravar os efeitos das secas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es em torno da \u00e1gua continuam elevadas na regi\u00e3o, com uma variedade de fatores contribuindo: total falta de transpar\u00eancia (a China n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica na\u00e7\u00e3o a construir barragens); uma abordagem ego\u00edsta de gest\u00e3o e uso da \u00e1gua; e a falta de um mecanismo eficaz de coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Falar de solu\u00e7\u00f5es no que diz respeito \u00e0 China \u00e9 um exerc\u00edcio intermin\u00e1vel, dado o alcance dos problemas e o fato de que a vontade pol\u00edtica \u00e9 o ponto de partida para qualquer a\u00e7\u00e3o significativa.<\/p>\n<p>No entanto, um <a href=\"http:\/\/water.nature.org\/waterblueprint\/#\/intro=true\">estudo recente<\/a> da <em>The Nature Conservancy<\/em> v\u00ea uma oportunidade no fato de que menos de 6% da massa terrestre da China fornece 69% da \u00e1gua do pa\u00eds. Por conseguinte, o texto sugere que os esfor\u00e7os sejam concentrados nas pequenas bacias hidrogr\u00e1ficas que abastecem as zonas urbanas. As solu\u00e7\u00f5es para melhorar a qualidade da \u00e1gua nessas bacias hidrogr\u00e1ficas incluem restaura\u00e7\u00e3o florestal, pr\u00e1ticas agr\u00edcolas mais eficientes e outras boas pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0Por <span class=\"fn author-link\">Genevieve Belmaker, Cindy Drukier, Tara MacIsaac &amp; Larry Ong, Epoch Times<\/span>\u00a0de 03 de abril de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Ilustra\u00e7\u00e3o de Benjamin Chasteen\/Epoch Times) Em vez de sustentar a vida, a \u00e1gua est\u00e1 se tornando um s\u00edmbolo de escassez, polui\u00e7\u00e3o e conflito \u00c1gua \u00e9 vida. A \u00e1gua \u00e9 o novo petr\u00f3leo. \u00c1gua \u00e9 poder. A \u00e1gua pot\u00e1vel que sustenta a vida est\u00e1 sumindo. 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