{"id":20252,"date":"2017-07-05T17:00:28","date_gmt":"2017-07-05T20:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20252"},"modified":"2017-06-16T11:52:30","modified_gmt":"2017-06-16T14:52:30","slug":"no-brasil-protecao-ambiental-ainda-e-vista-como-custo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/no-brasil-protecao-ambiental-ainda-e-vista-como-custo\/","title":{"rendered":"&#8220;No Brasil, prote\u00e7\u00e3o ambiental ainda \u00e9 vista como custo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/17220976_303.jpg\" alt=\"Bildergalerie Amazon Regenwald Rodung (Reuters)\" \/><em>Patrulha no Parque Nacional de Jamanxim, no oeste do Par\u00e1<\/em><\/p>\n<p>Para pesquisador, propostas que alteram limites de floresta e parque no Par\u00e1, a serem aprovadas por Temer, amea\u00e7am cumprimento de metas de controle de desmatamento assumidas perante a comunidade internacional.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos 15 dias, o presidente Michel Temer ter\u00e1 que decidir se as Medidas Provis\u00f3rias 756\/2016 e 758\/2016, ambas aprovadas pelo Congresso, viram lei. Elas alteram os limites da Floresta Nacional de Jamanxim e do Parque Nacional de Jamanxim, no oeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam) pedem o veto do presidente. Para a entidade, as propostas amea\u00e7am a integridade da floresta e o cumprimento de metas de controle de desmatamento assumidas perante a comunidade internacional.<\/p>\n<p>Segundo o Ipam, a Floresta Nacional do Jamaxim, principal unidade de conserva\u00e7\u00e3o afetada pela decis\u00e3o do Congresso, perder\u00e1 486 mil hectares. A desafeta\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea seria uma vit\u00f3ria da grilagem: o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade calcula que 67,7% dos ocupantes entraram pouco antes ou logo ap\u00f3s a unidade de conserva\u00e7\u00e3o ser criada.<\/p>\n<p>&#8220;Cortar esse peda\u00e7o da reserva para comport\u00e1-los \u00e9 legitimar a ilegalidade ou, melhor dizendo, a grilagem&#8221;, critica Paulo Moutinho, pesquisador do Ipam, em entrevista \u00e0 DW.<\/p>\n<p><strong>DW: Qual a mensagem o governo brasileiro transmite com essas medidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Moutinho:<\/strong> Falta de seriedade quanto aos compromissos assumidos perante aos brasileiros e a comunidade internacional. Um pa\u00eds que, de forma corajosa, assumiu redu\u00e7\u00f5es expressivas de emiss\u00f5es nacionais de gases de efeito estufa e, em especial, prometendo acabar com o desmatamento ilegal at\u00e9 2030, passa agora duas MPs que legalizam a grilagem e que podem resultar em um aumento expressivo do desmatamento nos pr\u00f3ximos anos. O Ipam estima que cerca de 160 milh\u00f5es de toneladas de CO2 ser\u00e3o emitidos por estas MPs at\u00e9 2030. Algo pr\u00f3ximo ao que o pa\u00eds emite em um ano inteiro pelo seu setor industrial.<\/p>\n<p><strong>\u00c1reas protegidas s\u00e3o criadas para cumprirem uma fun\u00e7\u00e3o &#8211; conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, conter avan\u00e7o do desmatamento, etc. Na vis\u00e3o do Ipam, o que leva o governo a abolir essas \u00e1reas nesse momento?<\/strong><\/p>\n<p>Podemos adicionar \u00e0s listas de fun\u00e7\u00f5es das \u00e1reas protegidas aquela de manter o regime de chuvas funcionando. Algo que \u00e9 fundamental inclusive para o agroneg\u00f3cio. Sem florestas, sem chuvas regulares, n\u00e3o h\u00e1 produtividade no campo. Mas o governo n\u00e3o parece atentar para este e outros benef\u00edcios de se manter florestas de p\u00e9. Parece ceder ao argumento, falacioso, de que o pa\u00eds precisa de mais \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no futuro e que manter florestas conservadas n\u00e3o resulta em crescimento econ\u00f4mico. Eles se esquecem que a regi\u00e3o j\u00e1 tem mais de 15 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas abertas e subutilizadas. \u00c1reas que serviriam para expandir a agricultura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, florestas protegidas s\u00e3o barreiras ao avan\u00e7o da infraestrutura e \u00e0 especula\u00e7\u00e3o com terras. Enquanto n\u00e3o houver uma vis\u00e3o mais ampla do que representa para o pa\u00eds e os brasileiros manter um clima saud\u00e1vel e um meio ambiente minimamente integro, continuaremos a ver vida sendo objeto de barganha pol\u00edtico e interesses setoriais e n\u00e3o nacionais.<\/p>\n<p><strong>As taxas de desmatamento aumentaram, inclusive na Floresta Atl\u00e2ntica. Voc\u00eas acreditam que esse fato se deve a falhas nas pol\u00edticas de combate ou a uma a\u00e7\u00e3o coordenada de quem tenta lucrar com o enfraquecimento da prote\u00e7\u00e3o ambiental?<\/strong><\/p>\n<p>Prote\u00e7\u00e3o ambiental, infelizmente \u00e9 visto ainda como custo para o pa\u00eds e para os chamados setores privados \u2013 e n\u00e3o como investimento ou, pelo menos, controle de risco. \u00c9 o que explica o movimento que quer flexibilizar os procedimentos do licenciamento ambiental. Parte-se do principio de que quanto mais &#8220;burocracia\u201d ambiental puder ser removida, melhor. Certamente h\u00e1 muita burocracia, mas h\u00e1 muitas salvaguardas importantes e procedimentos de prote\u00e7\u00e3o que precisam ser seguidos. No final do dia, o que se quer \u00e9 desmantelar o licenciamento ambiental em prol do &#8220;progresso\u201d. E de um modo totalmente esquizofr\u00eanico.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio de Meio Ambiente foi, aparentemente, tra\u00eddo em sua proposi\u00e7\u00e3o de um novo licenciamento, quando os ditos aliados do governo no Congresso mutilaram, sem aviso pr\u00e9vio, a proposta que o minist\u00e9rio vinha construindo com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios entes.<\/p>\n<p>\u00c9 temer\u00e1rio, num momento de fragilidade do governo, que v\u00e1rias conquistas da sociedade na prote\u00e7\u00e3o ambiental estejam sendo objeto de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como as medidas provis\u00f3rias votadas amea\u00e7am os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris e outros acordos internacionais?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o fizemos o c\u00e1lculo ainda. Mas, os preju\u00edzos ser\u00e3o expressivos. Especialmente porque essas MPs representam um caminho para a legaliza\u00e7\u00e3o futura de desmatamento ilegal. Elas d\u00e3o o sinal governamental de que a invas\u00e3o de \u00e1reas protegidas pode ser realizada que o poder publico depois vai dar um jeito na situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 a receita para uma nova onda de grilagem.<\/p>\n<p><strong>Com esse cen\u00e1rio, o Brasil deve perder a relev\u00e2ncia nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que ganhou nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 em risco de perder n\u00e3o apenas a relev\u00e2ncia, mas a legitimidade conseguida a duras penas nos \u00faltimos dez anos. O pa\u00eds demonstrou, por exemplo, que \u00e9 capaz de ter governan\u00e7a sobre o desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da floresta caiu 80% de 2005 para c\u00e1. Foi o pa\u00eds que mais contribuiu com redu\u00e7\u00f5es efetivas de emiss\u00f5es. Algo equivalente a todo o ETS europeu, o qual envolveu v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>O desmatamento agora aumentou em 30%. As MPs devem dar uma for\u00e7a nesta tend\u00eancia. Qual a explica\u00e7\u00e3o para os brasileiros e para o mundo que o Brasil dar\u00e1 eu ainda n\u00e3o sei, mas ser\u00e1 algo bem dif\u00edcil de engolir.<\/p>\n<p><strong>Dex a\u00e7\u00f5es contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas quartos dos gases estufa s\u00e3o produzidos pela combust\u00e3o de carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural; o resto, pela agricultura e desmatamento. Como se podem evitar gases poluentes? Veja dez dicas que qualquer um pode seguir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/17213410_303.jpg\" alt=\"Windr\u00e4der vor Kraftwerk Neurath\" \/>Usar menos carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s &#8211;\u00a0A maioria dos gases estufa prov\u00e9m das usinas de energia, ind\u00fastria e transportes. O aquecimento de edif\u00edcios \u00e9 respons\u00e1vel por 6% das emiss\u00f5es globais de gases poluentes. Quem utiliza a energia de forma eficiente e economiza carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s tamb\u00e9m protege o clima.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18513813_303.jpg\" alt=\"Mobisol Photovoltaik Technologie in Ruanda\" \/>Produzir a pr\u00f3pria energia limpa &#8211;\u00a0Hoje, energia n\u00e3o s\u00f3 vem de usinas termel\u00e9tricas a carv\u00e3o, \u00f3leo combust\u00edvel e g\u00e1s natural. H\u00e1 alternativas, que atualmente s\u00e3o at\u00e9 mesmo mais econ\u00f4micas. \u00c9 poss\u00edvel produzir a pr\u00f3pria energia e, muitas vezes, mais do que se consome. Os telhados oferecem bastante espa\u00e7o para pain\u00e9is solares, uma tecnologia que j\u00e1 est\u00e1 estabelecida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18043150_303.jpg\" alt=\"Energiekommunen \" \/>Apoiar boas ideias &#8211;\u00a0Cada vez mais munic\u00edpios, empresas e cooperativas investem em fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis e vendem energia limpa. Este parque solar est\u00e1 situado em Saerbeck, munic\u00edpio alem\u00e3o de 7,2 mil habitantes que produz mais energia do que consome. Na foto, a visita de uma delega\u00e7\u00e3o americana \u00e0 cidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18832166_303.jpg\" alt=\"Projekt Fossil Free M\u00fcnster\" \/>N\u00e3o apoiar empresas poluentes &#8211; Um n\u00famero cada vez maior de cidad\u00e3os, companhias de seguro, universidades e cidades evita aplicar seu dinheiro em companhias de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Na Alemanha, M\u00fcnster \u00e9 a primeira cidade a aderir ao chamado movimento de desinvestimento. Em n\u00edvel mundial, essa iniciativa abrange dezenas de cidades. Esse movimento global \u00e9 din\u00e2mico \u2013 todos podem participar.<\/p>\n<div class=\"teaserContentWrap\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18870530_303.jpg\" alt=\"Niederlande Fahrradfahrer in Amsterdam\" \/>Andar de bicicleta, \u00f4nibus e trem &#8211;\u00a0Bicicletas, \u00f4nibus e trem economizam bastante CO2. Em compara\u00e7\u00e3o com o carro, um \u00f4nibus \u00e9 cinco vezes mais ecol\u00f3gico, e um trem el\u00e9trico, at\u00e9 15 vezes mais. Em Amsterd\u00e3, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o usa a bicicleta. Por meio de largas ciclovias, a prefeitura da cidade garante o bom funcionamento desse sistema.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18476723_303.jpg\" alt=\"Symbolbild Ryanair Flugzeug hebt ab\" \/>Melhor n\u00e3o voar &#8211;\u00a0Viajar de avi\u00e3o \u00e9 extremamente prejudicial ao clima. Os fatos demonstram o dilema: para atender \u00e0s metas clim\u00e1ticas, cada habitante do planeta deveria produzir, em m\u00e9dia, no m\u00e1ximo 5,9 toneladas de CO2 anualmente. No entanto, uma viagem de ida e volta entre Berlim e Nova York ocasiona, por passageiro, j\u00e1 6,5 toneladas de CO2.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18678220_303.jpg\" alt=\"USA Burger mit einer extra Scheibe Fleisch\" width=\"815\" height=\"459\" \/>Comer menos carne &#8211;\u00a0Para o clima, tamb\u00e9m a agricultura \u00e9 um problema. No plantio do arroz ou nos est\u00f4magos de bois, vacas, cabras e ovelhas \u00e9 produzido o g\u00e1s metano, que \u00e9 muito prejudicial ao clima. A cria\u00e7\u00e3o de gado e o aumento mundial de consumo de carne s\u00e3o cr\u00edticos tamb\u00e9m devido \u00e0 crescente demanda de soja para ra\u00e7\u00e3o animal. Esse cultivo ocasiona o desmatamento de florestas tropicais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18462837_303.jpg\" alt=\"Bildergalerie Artenvielfalt Deutschland\" width=\"795\" height=\"448\" \/>Comprar alimentos org\u00e2nicos &#8211;\u00a0O \u00f3xido nitroso \u00e9 particularmente prejudicial ao clima. Sua contribui\u00e7\u00e3o para o efeito estufa global gira em torno de 6%. Ele \u00e9 produzido em usinas de energia e motores, mas principalmente tamb\u00e9m atrav\u00e9s do uso de fertilizantes artificiais no agroneg\u00f3cio. Esse tipo de fertilizante \u00e9 proibido na agricultura ecol\u00f3gica e, por isso, emite-se menos \u00f3xido nitroso, o que ajuda a proteger o clima.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/17523806_303.jpg\" alt=\"Kolumbianisch-deutsche Schule f\u00fcrs Leben\" width=\"749\" height=\"422\" \/>Sustentabilidade na constru\u00e7\u00e3o e no consumo &#8211;\u00a0Na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o e cimento emite-se muito CO2, em contrapartida, ele \u00e9 retirado da atmosfera no processo de crescimento das plantas. A escolha consciente de materiais de constru\u00e7\u00e3o ajuda o clima. O mesmo vale para o consumo em geral. Para uma massagem, n\u00e3o se precisa de combust\u00edvel f\u00f3ssil, mas para copos pl\u00e1sticos, que todo dia acabam no lixo, necessita-se uma grande quantidade dele.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/18046284_303.jpg\" alt=\"Energiekommunen \" \/>Assumir responsabilidades &#8211;\u00a0Como evitar gases estufa, para que, em todo mundo, as crian\u00e7as e os filhos que elas vir\u00e3o a ter possam viver bem sem uma cat\u00e1strofe do clima? Esses estudantes est\u00e3o fascinados com a energia mais limpa e veem uma chance para o seu futuro. Todos podem ajudar para que isso possa acontecer.<\/p>\n<p class=\"author\">Fonte &#8211; N\u00e1dia Pontes, DW de 31 de maio de 2017<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patrulha no Parque Nacional de Jamanxim, no oeste do Par\u00e1 Para pesquisador, propostas que alteram limites de floresta e parque no Par\u00e1, a serem aprovadas por Temer, amea\u00e7am cumprimento de metas de controle de desmatamento assumidas perante a comunidade internacional. 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