{"id":20331,"date":"2017-07-04T13:00:25","date_gmt":"2017-07-04T16:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20331"},"modified":"2017-06-27T16:57:09","modified_gmt":"2017-06-27T19:57:09","slug":"o-que-sao-a-floresta-com-araucaria-e-os-campos-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-que-sao-a-floresta-com-araucaria-e-os-campos-naturais\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o a floresta com arauc\u00e1ria e os campos naturais?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/D-FR0060-Floresta-com-Arauc%C3%A1ria-Turvo-PR-Zig-Koch.jpg\" alt=\"Floresta com Arauc\u00e1ria em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o. Foto: Zig Koch.\" \/><em>Floresta com Arauc\u00e1ria em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p>A Floresta com Arauc\u00e1ria \u2013 ou Floresta Ombr\u00f3fila Mista (FOM), na defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u2013 e os Campos Naturais \u2013 integram o bioma Mata Atl\u00e2ntica. As duas forma\u00e7\u00f5es de vegeta\u00e7\u00e3o nativa se manifestam no Brasil com maior intensidade no sul do pa\u00eds, em regi\u00f5es do Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Em algumas localidades de Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e at\u00e9 na Argentina, mesmo que com predomin\u00e2ncia bem menos significativa, elas tamb\u00e9m se fazem presentes.<\/p>\n<p><strong>Floresta com Arauc\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentraram originalmente 95% da Floresta com Arauc\u00e1ria de todo o Brasil. A forma\u00e7\u00e3o florestal ocupava o equivalente a 19 milh\u00f5es de hectares, ou 200 mil quil\u00f4metros quadrados. Uma \u00e1rea equivalente a \u201ccinco Su\u00ed\u00e7as\u201d. Os demais estados e a Argentina somavam juntos os outros 5% \u2013 ou um milh\u00e3o de hectares. Ela se manifestava em 40% do territ\u00f3rio do Paran\u00e1, 32% de Santa Catarina e 20% do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, a cobertura do territ\u00f3rio estadual representava o equivalente a quase oito milh\u00f5es de hectares. Entretanto, estudos conduzidos pela Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisas Florestais do Paran\u00e1 (FUPEF), em parceria com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), indicam uma porcentagem atual inferior a 0,8% da \u00e1rea original em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o em todo estado \u2013 ou menos de 70 mil hectares. Inferior, porque a \u00faltima an\u00e1lise oficial da floresta data de 2001.<\/p>\n<p>A <em>Araucaria angustifolia \u2013\u00a0<\/em>conhecida tamb\u00e9m como pinheiro-brasileiro, ou pinheiro-do-Paran\u00e1, s\u00edmbolo desse estado \u2013 \u00e9 t\u00e3o antiga quanto os dinossauros, mas hoje sofre com a amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o. Estudos indicam que d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais reduziram em mais de 50% a variabilidade gen\u00e9tica da esp\u00e9cie. Os melhores e mais ricos exemplares da \u00e1rvore foram eleitos antes para o corte em fun\u00e7\u00e3o da qualidade da madeira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da arauc\u00e1ria, milhares de outros animais e vegetais cuja sobreviv\u00eancia est\u00e1 diretamente associada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da floresta, continuam a sofrer a\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o constantes, mesmo diante de um cen\u00e1rio mais que alarmante. Logo abaixo das arauc\u00e1rias, ou no sub-bosque da Floresta com Arauc\u00e1ria, ocorre uma grande e complexa variedade de esp\u00e9cies, como a canela sassafr\u00e1s, a imbuia, a erva-mate, o xaxim, a pitanga e o ara\u00e7\u00e1. Algumas s\u00e3o end\u00eamicas, isto \u00e9, quando se manifestam e sobrevivem somente naquele ambiente.<\/p>\n<p>Entre as esp\u00e9cies da fauna que se manifestam na floresta est\u00e3o a on\u00e7a-pintada, o bugio-ruivo, o papagaio-de-peito-roxo, o papagaio char\u00e3o e a gralha azul. A condi\u00e7\u00e3o da primeira, por sinal, \u00e9 extremamente problem\u00e1tica. De acordo com um dos mais completos levantamentos j\u00e1 feitos sobre a popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7as-pintadas na Mata Atl\u00e2ntica e divulgado em novembro de 2016 na revista <em>Scientific Reports<\/em>, restam menos de 300 exemplares da esp\u00e9cie em todo o bioma, espalhados e isolados em pequenas popula\u00e7\u00f5es pelo Brasil, Argentina e Paraguai.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/148A2908-ON%C3%87A-PINTADA-Panthera-onca-1200x800.jpg\" alt=\"On\u00e7a-pintada. Restam menos de 300 delas em toda Mata Atl\u00e2ntica. A esp\u00e9cie j\u00e1 est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Foto: Zig Koch.\" \/><em>On\u00e7a-pintada. Restam menos de 300 delas em toda Mata Atl\u00e2ntica. A esp\u00e9cie j\u00e1 est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 2001, na \u00e9poca do levantamento feito pela FUPEF e pelo MMA, foi indicada a ocorr\u00eancia de outros 14% de Floresta com Arauc\u00e1ria em est\u00e1gio m\u00e9dio de conserva\u00e7\u00e3o e de 14% em est\u00e1gio inicial no Paran\u00e1. Somadas, as estat\u00edsticas sugerem que, h\u00e1 16 anos, menos de 29% do ecossistema em diferentes est\u00e1gios de conserva\u00e7\u00e3o ainda sobreviviam no estado, mas, em grande parte, com parcelas j\u00e1 bastante alteradas.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, a degrada\u00e7\u00e3o cont\u00ednua comprovada nos \u00faltimos anos e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e favor\u00e1veis \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o indicam, com seguran\u00e7a, que um decr\u00e9scimo ainda maior de remanescentes ocorreu.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel do setor madeireiro \u2013 incentivada pelo est\u00edmulo a pr\u00e1ticas de manejo florestal em \u00e1reas dos remanescentes e at\u00e9 por planos de governo que estimularam a planta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, como pinus e eucalipto, \u2013 afetaram expressivamente a condi\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade da FOM. A agricultura, a ocorr\u00eancia de inc\u00eandios, a minera\u00e7\u00e3o, o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o, a instala\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas e a expans\u00e3o acelerada da pecu\u00e1ria tamb\u00e9m contribu\u00edram fortemente com a piora do cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A qualidade da madeira, leve e sem falhas, fez com que a arauc\u00e1ria figurasse no topo da lista de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1960. Calcula-se que s\u00f3 entre 1930 e 1990, pelo menos 100 milh\u00f5es de exemplares da esp\u00e9cie tenham sido derrubados no pa\u00eds.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/003A320-Toras-de-arauc%C3%A1rias-Prudent%C3%B3polis-PR-1200x815.jpg\" alt=\"Toras de arauc\u00e1rias derrubadas em Prudent\u00f3polis (PR).Foto: Zig Koch.\" \/><em>Toras de arauc\u00e1rias derrubadas em Prudent\u00f3polis (PR)_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p><strong>O que restou da Floresta com Arauc\u00e1ria no Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>A por\u00e7\u00e3o em azul, quase impercept\u00edvel no mapa abaixo, revela o \u00edndice de 0,8%. Essas s\u00e3o as \u00e1reas de Floresta com Arauc\u00e1ria em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o que restaram no Paran\u00e1. Considerando que o levantamento \u00e9 de 2001, a situa\u00e7\u00e3o certamente \u00e9 ainda mais dram\u00e1tica hoje em dia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapa.jpg\" alt=\"mapa\" \/><\/p>\n<p><strong>Campos Naturais<\/strong><\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o dos Campos Naturais consegue ser ainda mais cr\u00edtica. Geralmente desconsiderados por agendas de conserva\u00e7\u00e3o e v\u00edtimas do desconhecimento sobre a biodiversidade que acumulam, eles tamb\u00e9m foram alvo de press\u00f5es violentas nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Permeados por cap\u00f5es de Floresta com Arauc\u00e1ria, nos campos predominam gram\u00edneas nativas que, apesar da aparente simplicidade, abrigam uma riqu\u00edssima biodiversidade de plantas. Estudos realizados nesse ambiente chegaram a identificar mais de quatro mil diferentes esp\u00e9cies vegetais. A vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para a garantia da variabilidade de exemplares da fauna e da flora, que dependem de suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias para sobreviver.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o sul do pa\u00eds, a forma\u00e7\u00e3o se manifesta em ambientes com altitudes que variam de 600 a dois mil metros em regi\u00f5es montanhosas. Em pontos mais altos, como na Serra da Mantiqueira, por exemplo \u2013 que se estende pelos estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais \u2013 ela chega a ocupar locais em alturas de quase tr\u00eas mil metros.<\/p>\n<p>Entre os exemplos da fauna destacam-se o pica-pau do campo, o veado-campeiro, a seriema,a cobra-cascavel, o guaxinim e o tamandu\u00e1-bandeira, por exemplo. S\u00e3o conhecidas 92 esp\u00e9cies de mam\u00edferos que habitam o ecossistema, 158 r\u00e9pteis e 84 anf\u00edbios, sem contar as outras 28 ordens de artr\u00f3podes conhecidas, que re\u00fane esp\u00e9cies de percevejos, formigas, abelhas, besouros, aranhas, gafanhotos e borboletas. Entre os exemplares da flora est\u00e3o orqu\u00eddeas, cactos e plantas como carqueja, vassoura e amar\u00edlis, entre outras. Juntos, esses organismos integram uma teia complexa de rela\u00e7\u00f5es que asseguram a integridade das paisagens campestres e a oferta de incont\u00e1veis servi\u00e7os ambientais \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/D031A1814-PICA-PAU-DO-CAMPO-Colaptes-campestris-Floresta-com-Arauc%C3%A1ria-General-Carneiro-PR-1200x797.jpg\" alt=\"Pica-pau do campo, natural dos Campos de Altitude. Foto: Zig Koch.\" \/><em>Pica-pau do campo, natural dos Campos Naturais_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p>Em sua distribui\u00e7\u00e3o original, os Campos Naturais\u00a0j\u00e1 ocuparam 13% de todo o territ\u00f3rio paranaense, caracterizando fortemente as paisagens de maior altitude do planalto estadual. Hoje, entidades conservacionistas sugerem que possam restar nada mais que 0,1% de \u00e1reas da vegeta\u00e7\u00e3o em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o em todo estado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/D263A2399-Campo-natural-e-cap%C3%A3o-com-arauc%C3%A1rias-Cambar%C3%A1-do-Sul-RS-1200x800.jpg\" alt=\"Uni\u00e3o entre Campos de Altitude e Floresta com Arauc\u00e1ria \u2013 Foto: Zig Koch.\" \/><em>Uni\u00e3o entre Campos Naturais\u00a0e Floresta com Arauc\u00e1ria_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p>A expans\u00e3o intensa da agricultura e de t\u00e9cnicas de manejo em remanescentes florestais tamb\u00e9m contribu\u00edram com a destrui\u00e7\u00e3o ampla e irrespons\u00e1vel desse ecossistema, riqu\u00edssimo em biodiversidade e intimamente associado \u00e0 Floresta com Arauc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por ser uma vegeta\u00e7\u00e3o relictual, ou seja, que se estabeleceu h\u00e1 muito tempo, os remanescentes que sobrevivem hoje em dia enfrentaram altera\u00e7\u00f5es extremas resultantes de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que ocorreram em centenas de anos. Por essa raz\u00e3o, os Campos de Altitude s\u00e3o hoje os \u00fanicos locais onde sobrevivem popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies que j\u00e1 foram drasticamente afetadas pelas altera\u00e7\u00f5es do clima no passado como, por exemplo,\u00a0a arnica da serra \u2013 end\u00eamica no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina \u2013 e o cravo do campo. Quanto mais danificado fica o ecossistema, maior o dano vivido por esses exemplares.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/125A5916-Arauc%C3%A1ria-remanescente-Munic%C3%ADpio-de-Arauc%C3%A1ria-PR-1200x800.jpg\" alt=\"\u00c1rea de Campo de Altitude desertificada em Arauc\u00e1ria (PR). Foto: Zig Koch.\" \/><em>\u00c1rea de Campo Natural desertificada em Arauc\u00e1ria (PR)_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/003A4210-Eros%C3%A3o-provocada-por-desmatamento-Pira%C3%AD-do-Sul-PR-800x1200.jpg\" alt=\"Eros\u00e3o por desmatamento em Pira\u00ed do Sul (PR). Foto: Zig Koch.\" \/><em>Eros\u00e3o por desmatamento em Pira\u00ed do Sul (PR)_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p>Entre os locais de maior express\u00e3o tur\u00edstica compostos por essa forma\u00e7\u00e3o vegetal est\u00e3o o Buraco do Padre, Vila Velha e o Canyon do Guartel\u00e1, por exemplo, todos no Paran\u00e1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/D061A0069-C%C3%A2nion-do-Guartel%C3%A1-entre-Tibagi-e-Castro-PR-1200x797.jpg\" alt=\"Canyon do Guartel\u00e1, na divisa entre os munic\u00edpios de Tibaji e Castro, no Paran\u00e1. Foto: Zig Koch.\" \/><em>Canyon do Guartel\u00e1, na divisa entre os munic\u00edpios de Tibaji e Castro, no Paran\u00e1_Zig Koch<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Buraco-do-Padre_Gilson-Burigo.jpg\" alt=\"Buraco do Padre, no Paran\u00e1. Foto: Gilson Burigo.\" \/><em>Buraco do Padre, no Paran\u00e1_Gilson Burigo (UEPG)<\/em><\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzos \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p>Tantas a\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o contribuem diretamente com a piora da conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica de modo geral. Tanto a Floresta com Arauc\u00e1ria quanto os Campos Naturais\u00a0contribuem com a riqueza e a diversidade do bioma.<\/p>\n<p>Dados da ONG SOS Mata Atl\u00e2ntica indicam que, em todo o Brasil, restam 12,5% de fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica com mais de tr\u00eas hectares. Acima de 100 hectares conservados, sobraram apenas 8,5%. No Paran\u00e1, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais grave: restam 3% de remanescentes em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o, localizados, principalmente, na Serra do Mar e no Parque Nacional do Igua\u00e7u.<\/p>\n<p>Mesmo diante dos alarmantes \u00edndices, a perman\u00eancia de pr\u00e1ticas abusivas contra a conserva\u00e7\u00e3o continuou e, recentemente, fez do Paran\u00e1 campe\u00e3o em desmatamento de \u00e1reas naturais. Entre 2013 e 2014, por exemplo, o estado degradou 116% a mais. No per\u00edodo, de 921 hectares de \u00e1reas desmatadas, o estado elevou a m\u00e9dia de degrada\u00e7\u00e3o para 1.988 hectares.<\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o e falta de conex\u00e3o entre os remanescentes das vegeta\u00e7\u00f5es contribuiu para outro problema: a <a href=\"http:\/\/www.justicaeco.com.br\/opiniao\/a-araucaria-e-a-erosao-genetica-que-destroi-a-mata-atlantica\/\">perda da variabilidade gen\u00e9tica<\/a> das popula\u00e7\u00f5es. A tend\u00eancia dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que algumas popula\u00e7\u00f5es, desprovidas de certos atributos gen\u00e9ticos, enfrentem s\u00e9rias dificuldades para se adaptar mesmo em seus ambientes naturais, podendo at\u00e9 ser extintas.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 hora de estacar a degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A falta de transpar\u00eancia e publicidade de dados p\u00fablicos que permitam conhecer a condi\u00e7\u00e3o atual da Floresta com Arauc\u00e1ria e dos Campos Naturais\u00a0no Brasil \u00e9 bastante problem\u00e1tica. Cria um cen\u00e1rio favor\u00e1vel a todo tipo de procedimento ilegal e processos de corrup\u00e7\u00e3o, o que prejudica diretamente toda a sociedade.<\/p>\n<p>Muitos dos abusos cometidos contra a Floresta com Arauc\u00e1ria e os Campos Naturais\u00a0n\u00e3o chegam ao dom\u00ednio p\u00fablico com a frequ\u00eancia e os esclarecimentos necess\u00e1rios, mesmo sendo a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e democr\u00e1tica nas decis\u00f5es de car\u00e1ter ambiental um direito previsto em recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), na Carta Mundial da Natureza e na Conven\u00e7\u00e3o sobre a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu artigo 37, tamb\u00e9m trata do princ\u00edpio da publicidade e transpar\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Destaca que os atos administrativos devem ser de livre acesso ao p\u00fablico em geral e n\u00e3o podem ficar restritos a um grupo seleto, salvo raras exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A hora de estancar a devasta\u00e7\u00e3o e exigir mais transpar\u00eancia do poder p\u00fablico \u00e9 agora.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais tempo para esperar, nem possibilidade de comprometer ainda mais a sa\u00fade de ambientes naturais que, com algum incentivo, podem recuperar a condi\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Justi\u00e7a e Conserva\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Floresta com Arauc\u00e1ria em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o_Zig Koch A Floresta com Arauc\u00e1ria \u2013 ou Floresta Ombr\u00f3fila Mista (FOM), na defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u2013 e os Campos Naturais \u2013 integram o bioma Mata Atl\u00e2ntica. 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