{"id":20411,"date":"2017-07-17T17:00:49","date_gmt":"2017-07-17T20:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20411"},"modified":"2017-07-04T16:25:45","modified_gmt":"2017-07-04T19:25:45","slug":"aquecimento-global-2007-2037-o-metano-entra-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/aquecimento-global-2007-2037-o-metano-entra-em-cena\/","title":{"rendered":"Aquecimento Global 2007\u20132037: o metano entra em cena"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_artigos_LM_interna_20170626.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<p>Ondas letais de calor j\u00e1 antes do ver\u00e3o: 51,1\u00ba C no Paquist\u00e3o em 27 de maio; 56\u00ba C no Ir\u00e3 em 4 de junho; em 16 de junho, 43\u00ba C em Portugal, favorecendo um dos mais mort\u00edferos inc\u00eandios florestais europeus dos registros hist\u00f3ricos. Em 19 de junho, 49\u00ba C em Oklahoma, nos EUA, impedindo avi\u00f5es de menor porte de voar. Temperaturas extremas tornam-se mais extremas, prov\u00e1veis, frequentes e adversas \u00e0 vida vegetal e animal em latitudes crescentes do planeta \u00e0 medida que se adensam as concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de gases de efeito estufa (GEE).<\/p>\n<p>Depois do di\u00f3xido de carbono (CO2), o metano (CH4) \u00e9 a personagem mais destacada na trama das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas antropog\u00eanicas em curso. Sua import\u00e2ncia vem despontando nos \u00faltimos dez anos e deve crescer ainda mais nos pr\u00f3ximos vinte. Uma pesquisa publicada em dezembro de 2016 na\u00a0<em>Geophysical Reseach Letters<\/em>\u00a0revisa para cima o impacto das emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de metano sobre o sistema clim\u00e1tico, em rela\u00e7\u00e3o aos valores adotados pelo IPCC<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#1\">[1]<\/a>. Segundo seus autores, considerado o per\u00edodo 1750-2011, a for\u00e7ante radiativa do metano (sua capacidade de absorver e reter na atmosfera a radia\u00e7\u00e3o infravermelha reemetida pela Terra, impedindo que o calor se disperse no espa\u00e7o) \u201c\u00e9 cerca de 25% mais alta (aumento de 0,48 W\/m2 para 0,61 W\/m2) que o valor adotado pela avalia\u00e7\u00e3o de 2013 do IPCC\u201d<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>A partir desses novos c\u00e1lculos, Gunnar Myhre, do\u00a0Center for International Climate and Environmental Research de Oslo, conclui que \u201cas\u00a0emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de metano j\u00e1 causaram um efeito de aquecimento correspondente a cerca de um ter\u00e7o do efeito devido \u00e0s emiss\u00f5es de CO2\u201d<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#3\">[3]<\/a>. Quando se afirma que, no \u00faltimo dec\u00eanio, o metano entrou definitivamente em cena no balan\u00e7o das causas maiores das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, esse \u00e9 o primeiro ponto a ser considerado.<\/p>\n<p>O segundo ponto diz respeito ao\u00a0<em>ritmo<\/em>\u00a0de aumento das concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de metano. Em 1750, essas concentra\u00e7\u00f5es eram de 700 partes por bilh\u00e3o (ppb). Em 2015, elas atingiram 1.834 ppb, como mostra a figura abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_artigos_LM_grafico01_20170626.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<p>Entre 2000 e 2005, houve desacelera\u00e7\u00e3o e tais concentra\u00e7\u00f5es aumentaram em m\u00e9dia apenas 5 partes por bilh\u00e3o (ppb) ao ano. Mas a partir de 2007, elas come\u00e7am a subir de novo muito rapidamente. Em 2015, elas aumentaram 9,9 ppb, praticamente o dobro da taxa m\u00e9dia de aumento do come\u00e7o do s\u00e9culo. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a curva das concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de metano est\u00e1 se aproximando do cen\u00e1rio de mais intensa emiss\u00e3o de GEE, isto \u00e9, o cen\u00e1rio RCP 8,5 W\/m2 proposto pelo IPCC, como mostra a figura abaixo<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_artigos_LM_grafico02_20170626.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<p>O terceiro ponto a considerar quando se fala na contribui\u00e7\u00e3o crescente do metano na composi\u00e7\u00e3o dos GEE no \u00faltimo dec\u00eanio \u00e9 o amplo leque de suas fontes emissoras,\u00a0<em>todas elas crescentes<\/em>. Antes de sua queima como g\u00e1s natural, o metano escapa para a atmosfera em todas as etapas da ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis: extra\u00e7\u00e3o por hidrofracionamento, distribui\u00e7\u00e3o, armazenagem, consumo e minas de carv\u00e3o ativas e abandonadas. Mas al\u00e9m das emiss\u00f5es ligadas \u00e0s energias f\u00f3sseis, quantidades ainda maiores de metano s\u00e3o lan\u00e7adas \u00e0 atmosfera por outros quatro fatores principais:<\/p>\n<p>1. Fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica dos rebanhos<\/p>\n<p>2. Agricultura e inc\u00eandios de turfeiras<\/p>\n<p>3. Libera\u00e7\u00e3o de metano nas hidrel\u00e9tricas<\/p>\n<p>4. Degelo dos pergelissolos e dos hidratos de metano<\/p>\n<p>Por enquanto, as emiss\u00f5es de metano s\u00e3o predominantemente biog\u00eanicas, cabendo \u00e0 ind\u00fastria f\u00f3ssil 30% a 45% dessas emiss\u00f5es e aos itens 1 e 2 (fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica dos rebanhos, agricultura e inc\u00eandios de turfeiras), 55% a 70% delas, conforme a figura abaixo<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_artigos_LM_grafico03_20170626.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<p>Outra fonte de metano \u2013 as hidrel\u00e9tricas \u2013 n\u00e3o \u00e9 ainda claramente contabilizada nos c\u00e1lculos das emiss\u00f5es de GEE, embora tenha sido quantificada, por exemplo, por\u00a0Philip Fearnside,\u00a0pesquisador titular do INPA. Ele mostra que \u201cem termos de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa a represa de Balbina no Brasil [\u00e9] pior que a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#6\">[6]<\/a>.\u00a0Al\u00e9m de seus brutais impactos socioambientais, as hidrel\u00e9tricas s\u00e3o, portanto, grandes emissoras de metano e, desmentindo um tenaz lugar-comum, n\u00e3o oferecem uma matriz energ\u00e9tica de baixo carbono.<\/p>\n<p>O quarto fator, decerto o mais potencialmente perigoso, a assegurar ao metano uma posi\u00e7\u00e3o cada vez mais central na cena clim\u00e1tica \u00e9 o fen\u00f4meno de amplifica\u00e7\u00e3o do aquecimento global no \u00c1rtico. Segundo o relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, de mar\u00e7o de 2017, muito do aquecimento m\u00e9dio global de 1,1\u00ba C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial atingido em 2016 deve-se ao aquecimento do \u00c1rtico, onde as temperaturas m\u00e9dias j\u00e1 atingiram, em algumas \u00e1reas, ao menos 3\u00ba C acima do per\u00edodo 1961-1990 e at\u00e9 6,5\u00ba C no aeroporto de Svalbard, na Noruega, um salto gigantesco de 1,6\u00ba C em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo recorde. Esse enorme aquecimento desencadeia uma din\u00e2mica de retroalimenta\u00e7\u00e3o, na qual o maior calor causa retra\u00e7\u00e3o do gelo mar\u00edtimo e degelo dos pergelissolos terrestres e mar\u00edtimos, diminuindo drasticamente o albedo (a fra\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar reemitida pela Terra de volta para o espa\u00e7o), o que aumenta, por sua vez, o aquecimento e assim sucessivamente.<\/p>\n<p>O mais iminente perigo de um aumento desenfreado da libera\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera prov\u00e9m da plataforma mar\u00edtima continental da Sib\u00e9ria oriental (ESAS), pois 75% de sua \u00e1rea de 2,5 milh\u00f5es de km2 est\u00e1 a menos de 40 metros de profundidade. Seu leito, outrora recoberto de gelo, est\u00e1 agora, dadas temperaturas estivais muito acima de zero, cada vez mais exposto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar. Ocorre que h\u00e1 quantidades imensas de metano, em grande parte sob a forma de hidratos de metano, armazenadas nos sedimentos dessa plataforma. E como essa plataforma \u00e9 muito rasa, o metano n\u00e3o mais aprisionado nesses hidratos, e liberado tamb\u00e9m pela a\u00e7\u00e3o bacteriana sobre o carbono a\u00ed represado, est\u00e1 subindo em colunas de bolhas de metano diretamente para a atmosfera. A taxa de acelera\u00e7\u00e3o desse processo \u00e9 ainda objeto de controv\u00e9rsia. Mas ele j\u00e1 est\u00e1 em curso. \u201cDevemos lembrar \u2013 e muitos cientistas infelizmente esquecem \u2013 que \u00e9 apenas desde 2005 que ocorre essa abertura estival do oceano nas plataformas mar\u00edtimas do \u00c1rtico. Assim, estamos numa situa\u00e7\u00e3o inteiramente nova, com a ocorr\u00eancia de um novo fen\u00f4meno de degelo\u201d, escreve Peter Wadhams, num livro recente e fundamental<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p id=\"1\">\u00c9 claro que o metano permanece na atmosfera apenas cerca de 12 anos, enquanto o CO2 permanece em m\u00e9dia de um a tr\u00eas s\u00e9culos (sendo seu efeito, assim sendo, essencialmente cumulativo<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#8\">[8]<\/a>). Mas a amea\u00e7a imediata do metano revela-se agora sempre maior, pois, em termos de potencial de aquecimento global (GWP), uma tonelada de metano na atmosfera equivale a 72 toneladas de CO2 num horizonte de 20 anos<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos 20 anos ser\u00e3o, de fato, cruciais. Segundo os cientistas de Cambridge, reunidos no Arctic Methane Emergency Group (AMEG), \u201co metano pode suplantar o di\u00f3xido de carbono e se tornar a maior for\u00e7ante radiativa nos pr\u00f3ximos 20 anos\u201d.\u00a0A\u00a0Declara\u00e7\u00e3o do AMEG afirma: \u201cas quantidades de metano na plataforma continental marinha s\u00e3o t\u00e3o vastas que a libera\u00e7\u00e3o de apenas 1% ou 2% desse metano pode levar \u00e0 libera\u00e7\u00e3o do metano restante em uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia irrefre\u00e1vel\u201d<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/2007-2037-o-metano-entra-em-cena#10\">[10]<\/a>. E na confer\u00eancia de imprensa na COP20 de Lima, em dezembro de 2014, John Nissen, diretor do AMEG, assim resumiu suas conclus\u00f5es: \u201co\u00a0degelo do \u00c1rtico \u00e9 uma amea\u00e7a catastr\u00f3fica para a civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n[1]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. M. Etminan, G. Myhre, E.J. Highwood, K.P. Shine, \u201cRadiative forcing of carbon dioxide, methane and nitrous oxide: a significant revision of the methane radiative forcing.\u201d\u00a0<\/span><em>Geophysical Research Letters, 27\/XII\/2016:<\/em>\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/2016GL071930\/full\">DOI:10.1002\/2016GL071930<\/a>. Para os valores da for\u00e7ante radiativa do metano e demais GEE, sempre em rela\u00e7\u00e3o ao potencial de aquecimento global (GWP) do CO2, adotados pelo IPCC\/AR4, baseando-se nos c\u00e1lculos de G. Myhre, veja-se \u201cClimate Change 2007: Working Group I: The Physical Science Basis\u201d, cap. 2.10.2: Direct Global Warming Potentials:<\/p>\n<p id=\"3\">&lt;<a href=\"http:\/\/www.ipcc.ch\/publications_and_data\/ar4\/wg1\/en\/ch2s2-10-2.html#table-2-14\">http:\/\/www.ipcc.ch\/publications_and_data\/ar4\/wg1\/en\/ch2s2-10-2.html#table-2-14<\/a>&gt;.<\/p>\n<p id=\"4\">[2]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">M. Etminan\u00a0<em>et al.\u00a0<\/em>(cit.):\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u201cThe 1750-2011 [methane] Radiative Forcing is about 25% higher (increasing from 0.48 W m-2 to 0.61 W m-2) compared to the value in the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) 2013 assessment\u201d.<\/span><\/p>\n<p id=\"5\">[3]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Gunnar Myhre, \u201cEffect of methane on climate change could be 25% greater than we thought\u201d.\u00a0<em>Cicero<\/em>, 12\/I\/2017.<\/span><\/p>\n<p id=\"6\">[4]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. M. Saunois, R. B. Jackson, P. Bousquet, B Poulter &amp; J. G. Canadell, \u201cThe growing role of methane in anthropogenic climate change\u201d.\u00a0<em>Environmental Research Letters<\/em>, 11, 12, 12\/XII\/2016: \u201catmospheric methane concentrations are rising faster than at any time in the past two decades and, since 2014, are now approaching the most greenhouse-gas-intensive scenarios\u201d.<\/span><\/p>\n<p id=\"7\">[5]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Adam Vaugham, \u201cFossil fuel industry&#8217;s methane emissions far higher than thought\u201d.\u00a0<em>The Guardian<\/em>,\u00a0 5\/X\/2016; M. Saunois\u00a0<em>et al.\u00a0<\/em>(cit.): \u201cNew analysis suggests that the recent rapid rise in global methane concentrations is predominantly biogenic &#8211; most likely from agriculture\u201d.<\/span><\/p>\n<p id=\"8\">[6]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Philip M. Fearnside, \u201cWhy Hydropower is not clean energy\u201d.\u00a0<em>Scitizen<\/em>, 9\/I\/2007;\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Fearnside,\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u201cGreenhouse Gas Emissions from a Hydroelectric Reservoir (Brazil\u2019s Tucuru\u00ed Dam) and the Energy Policy Implications\u201d.\u00a0<em>Water, Air, and Soil Pollution<\/em>, Janeiro, 2002, 133, 1-4, pp. 69-96<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">:\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u201cTucuru\u00ed\u2019s emission of greenhouse gases in 1990 is equivalent to 7.0\u201310.1 \u00d7 106 tons of CO2-equivalent carbon, an amount substantially greater than the fossil fuel emission of Brazil\u2019s biggest city, S\u00e3o Paulo\u201d<\/span><\/p>\n<p id=\"8\">[7]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Peter Wadhams,\u00a0<em>A Farewell to ice. A report from the Arctic<\/em>.\u00a0<\/span>Londres, 2016. Veja-se tamb\u00e9m o excelente\u00a0<em>A espiral da morte. Como a humanidade alterou a m\u00e1quina do clima.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo, 2016, de Claudio \u00c2ngelo.<\/p>\n<p id=\"9\">[8]Trata-se da m\u00e9dia proposta por T. J. Blasing, \u201cRecent Greenhouse Gas Concentrations\u201d. CDIAC, Abril de 2016 &lt;<a href=\"http:\/\/cdiac.ornl.gov\/pns\/current_ghg.html\">http:\/\/cdiac.ornl.gov\/pns\/current_ghg.html<\/a>&gt;. Entre 65% e 80% do CO2 lan\u00e7ado na atmosfera dissolve-se no oceano entre 20 e 200 anos, mas h\u00e1 uma \u201clonga cauda\u201d residual absorvida ao longo de mil\u00eanios, de modo que, se fossem cessadas hoje as emiss\u00f5es de CO2, suas concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas s\u00f3 retornariam aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais ap\u00f3s mais de dezenas ou centenas de mil\u00eanios.\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. D. Archer\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0\u201cAtmospheric Lifetime of Fossil Fuel Carbon Dioxide\u201d.\u00a0<em>Annu. Rev. Earth Planet. Sci.<\/em>\u00a02009. 37:117-34 &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/climatemodels.uchicago.edu\/geocarb\/archer.2009.ann_rev_tail.pdf\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">http:\/\/climatemodels.uchicago.edu\/geocarb\/archer.2009.ann_rev_tail.pdf<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p id=\"10\">[9]Cf. E isso apenas no que se refere aos efeitos diretos do metano. Mas \u00e9 preciso ainda levar em conta, no c\u00e1lculo de seu potencial de aquecimento global, as emiss\u00f5es indiretas, j\u00e1 que o metano tende a aumentar as concentra\u00e7\u00f5es de outros dois gases de efeito estufa: o oz\u00f4nio e o vapor de \u00e1gua. Veja-se o IPCC, cap\u00edtulo citado na nota 1.<\/p>\n[10]\u00a0Veja-se\u00a0&lt;<a href=\"http:\/\/ameg.me\/index.php\/about-ameg\/13-ameg-declaration-of-emergency\">http:\/\/ameg.me\/index.php\/about-ameg\/13-ameg-declaration-of-emergency<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>Luiz Marques\u00a0\u00e9 professor livre-docente do Departamento de Hist\u00f3ria do IFCH \/Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari,\u00a0Vida de Michelangelo\u00a0(1568), 2011 e\u00a0Capitalismo e Colapso ambiental, 2015, 2a edi\u00e7\u00e3o, 2016. Coordena a cole\u00e7\u00e3o Palavra da Arte, dedicada \u00e0s fontes da historiografia art\u00edstica, e participa com outros colegas do coletivo\u00a0Cris\u00e1lida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate &amp; Atualiza\u00e7\u00e3o\u00a0(crisalida.eco.br).<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Texto\u00a0Luiz Marques, Fotos\u00a0Reprodu\u00e7\u00e3o,\u00a0Edi\u00e7\u00e3o de imagem\u00a0Luis Paulo Silva, Jornal da UNICAMP de 26 de junho de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ondas letais de calor j\u00e1 antes do ver\u00e3o: 51,1\u00ba C no Paquist\u00e3o em 27 de maio; 56\u00ba C no Ir\u00e3 em 4 de junho; em 16 de junho, 43\u00ba C em Portugal, favorecendo um dos mais mort\u00edferos inc\u00eandios florestais europeus dos registros hist\u00f3ricos. 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