{"id":20450,"date":"2017-07-18T13:00:30","date_gmt":"2017-07-18T16:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20450"},"modified":"2025-12-18T05:22:00","modified_gmt":"2025-12-18T08:22:00","slug":"as-cinco-maiores-ameacas-humanas-aos-oceanos-e-seus-antidotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/as-cinco-maiores-ameacas-humanas-aos-oceanos-e-seus-antidotos\/","title":{"rendered":"As cinco maiores amea\u00e7as humanas aos oceanos \u2013 e seus ant\u00eddotos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/38963751_303.jpg\" alt=\"Internationaler Tag des Meeres (Imago\/OceanPhoto)\" \/><\/p>\n<p>Comida, transporte, mat\u00e9rias-primas, lixo: h\u00e1 s\u00e9culos a humanidade trata os mares como se fossem inesgot\u00e1veis e invulner\u00e1veis. A consci\u00eancia sobre a necessidade de proteg\u00ea-los aumenta, mas ainda h\u00e1 muito o que fazer.<\/p>\n<p>Surfar, velejar, nadar, passear pelas praias: claro, os seres humanos adoram os mares \u2013 al\u00e9m de precisarem deles para sobreviver. Apesar disso, tratam da pior forma poss\u00edvel essas extens\u00f5es de \u00e1gua que cobrem mais da metade do planeta.<\/p>\n<p>A DW d\u00e1 uma olhada de perto nas cinco maiores amea\u00e7as de fabrica\u00e7\u00e3o humana para os oceanos, e por que se deveria tentar salv\u00e1-los o mais breve poss\u00edvel \u2013 enquanto ainda se tem chance.<\/p>\n<p><strong>1. Sobrepesca exterminadora<\/strong><\/p>\n<p>Peixes e frutos do mar s\u00e3o alimento saud\u00e1vel. Mais ainda: em todo o mundo, sobretudo em na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, muitos dependem dessas fontes proteicas marinhas para sobreviver. Antigamente a humanidade s\u00f3 pescava tanto quanto a natureza podia repor. Mas esse equil\u00edbrio foi destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), no ano 2015 foram pescadas mais de 81\u00a0milh\u00f5es de toneladas de peixes e frutos do mar \u2013 1,7% a mais do que no ano anterior. Quase um ter\u00e7o dos estoques pesqueiros do mundo j\u00e1 foi esgotado, mais da metade est\u00e1 no limite m\u00e1ximo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/39170386_401.png\" alt=\"Pesca descontrolada est\u00e1 esgotando as reservas de alimento humano nos oceanos\" width=\"831\" height=\"468\" \/><em>Pesca descontrolada est\u00e1 esgotando as reservas de alimento humano nos oceanos<\/em><\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es de maior atividade pesqueira em 2015 foram a China, Indon\u00e9sia e os Estados Unidos, com 23 pa\u00edses, a maioria industrializados, respondendo por 80% das pescas em todo o mundo. Durante muito tempo considerou-se que a solu\u00e7\u00e3o seria criar peixes em culturas aqu\u00e1ticas. Na realidade, por\u00e9m, elas at\u00e9 pioram a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ironicamente, a cria\u00e7\u00e3o industrial em massa, por exemplo em grandes gaiolas ao longo dos litorais, exige enormes quantidades de peixes e frutos do mar \u2013 afinal, os animais nos viveiros tamb\u00e9m precisam ser alimentados. Al\u00e9m disso, os excrementos e medicamentos das fazendas pesqueiras poluem as \u00e1guas vizinhas e propiciam a dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Para corrigir a situa\u00e7\u00e3o, seriam necess\u00e1rias quotas de pesca rigorosas e, no geral, uma melhor gest\u00e3o das reservas pesqueiras. As popula\u00e7\u00f5es t\u00eam melhores chances de recuperar se forem deixadas em paz por um per\u00edodo. Mas para que isso funcione, \u00e9 preciso agir a tempo.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do consumidor, o conselho seria s\u00f3 comer peixes e frutos do mar em quantidades moderadas, atentando para que tipo de animal vem de que parte do mundo.<\/p>\n<p><strong>2. Quando o mar fica azedo<\/strong><\/p>\n<p>Embora as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono tenham se multiplicado desde o in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s poluidor na atmosfera s\u00f3 aumentou 40%. O motivo \u00e9 que os oceanos assimilam CO2, que \u00e9 sol\u00favel em \u00e1gua, e assim desaceleram a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. S\u00f3 que o pre\u00e7o ecol\u00f3gico tamb\u00e9m \u00e9 alto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/36149709_404.jpg\" alt=\"Ostras s\u00e3o particularmente sens\u00edveis a oscila\u00e7\u00f5es de pH\" width=\"913\" height=\"513\" \/><em>Ostras s\u00e3o particularmente sens\u00edveis a oscila\u00e7\u00f5es de pH<\/em><\/p>\n<p>Quando o CO2 se dissolve na \u00e1gua, gera-se \u00e1cido carb\u00f4nico. Em 1870, o pH (coeficiente de acidez) m\u00e9dio do mar era 8,2. Atualmente est\u00e1 em 8,1, devendo, segundo certos progn\u00f3sticos, chegar a 7,7 at\u00e9 o ano 2100.<\/p>\n<p>Essa varia\u00e7\u00e3o parece m\u00ednima, mas significa que os oceanos conter\u00e3o 150% mais acidez, tornando invi\u00e1vel a vida para muitas esp\u00e9cies. Sobretudo certos moluscos deixar\u00e3o de se reproduzir, acabando por extinguir-se. Tamb\u00e9m extremamente sens\u00edvel \u00e0 acidifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o pl\u00e2ncton, fonte microsc\u00f3pica de alimento para numerosos peixes e mam\u00edferos marinhos.<\/p>\n<p>Em 2005, o decl\u00ednio das fazendas de ostras no litoral da Calif\u00f3rnia, EUA, ilustrou de forma dram\u00e1tica as consequ\u00eancias desse processo: a \u00e1gua do mar tornou-se \u00e1cida demais para as larvas das ostras, que foram exterminadas \u2013 e com elas, todo esse setor industrial na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para conter a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 preciso reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>3. Mar morno e p\u00e1lido<\/strong><\/p>\n<p>Os mares n\u00e3o absorvem apenas CO2, mas tamb\u00e9m cerca de 93% do calor produzido pelas emiss\u00f5es de gases-estufa. A consequ\u00eancia inevit\u00e1vel, contudo, s\u00e3o \u00e1guas oce\u00e2nicas mais quentes.<\/p>\n<p>Entre 1900 e 2008, a temperatura superficial dos oceanos subiu, em m\u00e9dia, 0,62\u00ba C; em certas zonas, como o Mar da China, at\u00e9 2,1\u00ba C. Para muitos organismos submarinos, como os corais, isso representa um grande problema.<\/p>\n<p>Corais s\u00e3o animais que desenvolvem carapa\u00e7as r\u00edgidas de calc\u00e1rio e mant\u00eam simbiose com algas coloridas e ativamente fotossint\u00e9ticas, as quais vivem em seu interior. No entanto, quando a \u00e1gua fica quente demais, os corais deixam de prover as subst\u00e2ncias necess\u00e1rias \u00e0s algas, as expelem e acabam por morrer por falta de alimento. (<a href=\"https:\/\/www.goodwins.co.nz\/guide-to-tapentadol-and-safe-us2us-pharmacy\/\">goodwins.co.nz<\/a>)  Esse processo, denominado branqueamento dos corais, j\u00e1 matou um ter\u00e7o da Grande Barreira, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2 poderia evitar o aumento continuado das temperaturas mar\u00edtimas. Paralelamente, cientistas tentam desenvolver variedades de coral mais resistentes a temperaturas mais elevadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/19349417_401.jpg\" alt=\"Grande parte do lixo pl\u00e1stico volta \u00e0s costas, como nessa praia de Gana\" width=\"707\" height=\"398\" \/><em>Grande parte do lixo pl\u00e1stico volta \u00e0s costas, como nessa praia de Gana<\/em><\/p>\n<p><strong>4. Sujeira que mata<\/strong><\/p>\n<p>Durante muito tempo os oceanos constitu\u00edram um gigantesco lix\u00e3o para navegadores, navios de cruzeiro e cidades costeiras. Atualmente, embora a atitude tenha se modificado profundamente, continua se acumulando uma enorme quantidade de res\u00edduos nas \u00e1guas internacionais.<\/p>\n<p>Nos oceanos formaram-se cinco grandes v\u00f3rtices de lixo, em que as correntes concentram trilh\u00f5es de fragmentos de pl\u00e1stico e outros res\u00edduos. Calcula-se sua superf\u00edcie total entre 700\u00a0mil e 15\u00a0milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>No entanto, 99% do lixo nunca chega a esses redemoinhos gigantes, sendo lan\u00e7ado de volta nos litorais, onde amea\u00e7am aves, tartarugas e outros animais marinhos. Al\u00e9m disso, grande parte se decomp\u00f5e em part\u00edculas min\u00fasculas. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/micropl%C3%A1stico-polui%C3%A7%C3%A3o-invis%C3%ADvel-que-amea%C3%A7a-oceanos\/a-37710330\">micropl\u00e1stico<\/a>\u00a0resultante se deposita ent\u00e3o no fundo do mar ou no gelo dos polos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/19166259_404.jpg\" alt=\"Branqueamento j\u00e1 dizima parte dos recifes de coral do planeta\" width=\"748\" height=\"420\" \/><em>Branqueamento j\u00e1 dizima parte dos recifes de coral do planeta<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os nitratos e fosfatos da agropecu\u00e1ria industrial desaguam nos oceanos, levados pelos rios. Eles estimulam o crescimento de algas que, ao morrerem, s\u00e3o decompostas por bact\u00e9rias. O processo reduz o oxig\u00eanio contido na \u00e1gua, a ponto de criar &#8220;zonas da morte&#8221; em que nada mais cresce.<\/p>\n<p>As \u00e1guas residuais da ind\u00fastria continuam sendo lan\u00e7adas nos mares, levando consigo subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e metais perigosos como chumbo, merc\u00fario e elementos t\u00f3xicos org\u00e2nicos de dif\u00edcil decomposi\u00e7\u00e3o. Estes se concentram na gordura de baleias, tubar\u00f5es e outros animais, no fim da cadeia alimentar.<\/p>\n<p>Entre as iniciativas para debelar as montanhas de lixo oce\u00e2nico est\u00e1 a funda\u00e7\u00e3o holandesa The Ocean Cleanup, que em 2018 come\u00e7ar\u00e1 a retirar o lixo pl\u00e1stico do grande redemoinho do Oceano Pac\u00edfico, usando um dispositivo flutuante desenvolvido especialmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 crucial reduzir o despejo de pl\u00e1stico na natureza e adotar leis mais rigorosas sobre o tratamento das \u00e1guas residuais.<\/p>\n<p><strong>5. Ca\u00e7a aos tesouros marinhos<\/strong><\/p>\n<p>A grande corrida aos mares provavelmente ainda est\u00e1 por vir. Pois, nas profundezas dos oceanos, incont\u00e1veis riquezas esperam para ser extra\u00eddas, a fim de satisfazer a cobi\u00e7a e a sede de progresso humanas. Um exemplo s\u00e3o os n\u00f3dulos de mangan\u00eas, elemento empregado na produ\u00e7\u00e3o de ligas met\u00e1licas, sobretudo de a\u00e7o inoxid\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.dw.com\/image\/36824013_404.jpg\" alt=\"N\u00f3dulos de mangan\u00eas s\u00e3o cobi\u00e7ados para produ\u00e7\u00e3o de ligas met\u00e1licas\" width=\"769\" height=\"432\" \/><em>N\u00f3dulos de mangan\u00eas s\u00e3o cobi\u00e7ados para produ\u00e7\u00e3o de ligas met\u00e1licas<\/em><\/p>\n<p>Calcula-se que haja mais de 7\u00a0bilh\u00f5es de toneladas de mangan\u00eas no fundo dos mares \u2013 mais do que em terra. Diversos pa\u00edses j\u00e1 reivindicaram com sucesso o uso do solo marinho, para poder come\u00e7ar com a extra\u00e7\u00e3o num futuro pr\u00f3ximo. Outros metais valiosos, como n\u00edquel, t\u00e1lio e terras raras, s\u00e3o encontrados nas profundezas.<\/p>\n<p>No entanto, as \u00e1reas contendo as rochas compostas de ferro e hidr\u00f3xido de mangan\u00eas s\u00e3o tamb\u00e9m focos de biodiversidade. Em 2016 mesmo, descobriu-se num desses campos uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/polvo-visto-no-pac%C3%ADfico-pode-pertencer-a-esp%C3%A9cie-in%C3%A9dita\/a-19096990\">esp\u00e9cie in\u00e9dita de polvo<\/a>, de apar\u00eancia fantasmag\u00f3rica, que os cientistas apelidaram &#8220;Casper&#8221; (o &#8220;Gasparzinho, o Fantasminha Camarada&#8221; das hist\u00f3rias em quadrinhos).<\/p>\n<p>Atividades mineradoras nessas \u00e1reas amea\u00e7ariam os ricos, por\u00e9m sens\u00edveis ecossistemas. Somente a proibi\u00e7\u00e3o total ou, no m\u00ednimo, regras rigorosas para a minera\u00e7\u00e3o mar\u00edtima de profundeza podem evitar o pior.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Brigitte Osterath, DW de 09 de junho de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comida, transporte, mat\u00e9rias-primas, lixo: h\u00e1 s\u00e9culos a humanidade trata os mares como se fossem inesgot\u00e1veis e invulner\u00e1veis. A consci\u00eancia sobre a necessidade de proteg\u00ea-los aumenta, mas ainda h\u00e1 muito o que fazer. Surfar, velejar, nadar, passear pelas praias: claro, os seres humanos adoram os mares \u2013 al\u00e9m de precisarem deles para sobreviver. 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