{"id":20742,"date":"2017-08-13T09:00:16","date_gmt":"2017-08-13T12:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=20742"},"modified":"2017-08-08T16:18:23","modified_gmt":"2017-08-08T19:18:23","slug":"o-supremo-e-a-farsa-do-amianto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/","title":{"rendered":"O Supremo e a farsa do amianto"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg\" alt=\"amea\u00e7a do amianto no Brasil\" \/><em><span class=\"foto-texto\">Cartaz do premiado document\u00e1rio &#8216;N\u00e3o respire \u2013 cont\u00e9m amianto&#8217;. DIVULGA\u00c7\u00c3O \/ REP\u00d3RTER BRASIL<\/span><\/em><\/p>\n<p>Em 10 de agosto, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/stf_supremo_tribunal_federal\/a\">Supremo Tribunal Federal<\/a>\u00a0dever\u00e1 julgar um conjunto de a\u00e7\u00f5es relacionadas ao amianto: elas questionam a proibi\u00e7\u00e3o do material nos estados de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\/a\/\">S\u00e3o Paulo<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\/a\">Rio de Janeiro<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_grande_do_sul\/a\">Rio Grande do Sul<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pernambuco\/a\">Pernambuco<\/a>, al\u00e9m da capital paulista. Ou seja, o objetivo \u00e9 voltar a liberar o amianto nestes locais onde leis estaduais e municipais o baniram. E outra a\u00e7\u00e3o, esta movida por quem luta pelo banimento da fibra cancer\u00edgena em todo o territ\u00f3rio brasileiro, questiona a constitucionalidade da lei federal que permite o \u201cuso seguro\u201d do amianto no pa\u00eds. Se essa lei for considerada inconstitucional pelo Supremo, ser\u00e1 o primeiro e mais importante passo para banir de vez o amianto no Brasil.<\/p>\n<p>Apesar da linguagem burocr\u00e1tica a\u00ed de cima, este \u00e9 mais um cap\u00edtulo de uma hist\u00f3ria s\u00f3rdida que um dia poder\u00e1 se tornar uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/series_tv\/a\">s\u00e9rie policial de TV<\/a>\u00a0ou um thriller de suspense no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cine\/a\">cinema<\/a>, daqueles cheios de vil\u00f5es de terno e sorrisos corrigidos em dentistas. E aqueles que o assistirem poder\u00e3o pensar, como acontece quando assistimos a filmes que narram atrocidades hist\u00f3ricas: como os cidad\u00e3os deste pa\u00eds permitiram que isso acontecesse? Mas \u00e9 isso, n\u00e3o s\u00f3 deixamos acontecer, no passado, como segue acontecendo, no presente.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do amianto \u2013 tamb\u00e9m conhecido como asbesto \u2013 \u00e9 marcada por falsifica\u00e7\u00f5es, chantagens, amea\u00e7as e mortes de trabalhadores e de familiares de trabalhadores. Uma farsa do s\u00e9culo 20 que no Brasil se estendeu para o s\u00e9culo 21 porque uns poucos ainda faturam com a morte de muitos. E estes poucos que faturam t\u00eam dinheiro para pagar grandes escrit\u00f3rios de advocacia, consultores influentes, cientistas de universidades importantes, que torturam primeiro a \u00e9tica, depois a ci\u00eancia, assim como financiar vereadores, prefeitos, deputados e senadores, lobistas e vendilh\u00f5es de todo o tipo.<\/p>\n<div id=\"sc-ftb2v\" data-smartplay-instance-id=\"0\">\n<div id=\"sc-ftb2v-backdrop\">O amianto j\u00e1 foi banido de mais de 70 pa\u00edses por ser uma amea\u00e7a \u00e0 vida. \u00c9 proibido na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ue_union_europea\/a\">Uni\u00e3o Europeia<\/a>\u00a0desde 2005. A ind\u00fastria do amianto conhece os riscos da fibra mineral para a sa\u00fade desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20, mas como ela dava muito lucro e alguns imp\u00e9rios familiares foram constru\u00eddos com o dinheiro do amianto, omitiu-se e seguiu produzindo. Quando o esc\u00e2ndalo de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/salud_publica\/a\">sa\u00fade p\u00fablica<\/a>\u00a0come\u00e7ou a se desenhar na Europa, a partir do final dos anos 70 do s\u00e9culo passado, os bar\u00f5es do amianto foram progressivamente recuando l\u00e1 e expandindo seus neg\u00f3cios em pa\u00edses como o Brasil. Afinal, havia ainda muito mundo onde se ganhar dinheiro antes de ter que recuar por completo. E ainda h\u00e1.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 o que acontece hoje. A Brasilit trocou o amianto por material n\u00e3o cancer\u00edgeno no in\u00edcio deste s\u00e9culo, ao calcular que estava na hora de disputar o mercado em outra posi\u00e7\u00e3o visando o futuro. Mas n\u00e3o resolveu o passivo dos trabalhadores doentes nem respondeu pelos mortos. A Eternit, dona da \u00fanica mina de amianto no Brasil, a Mina de Cana Brava, em Mina\u00e7u, no estado de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/goias\/a\">Goi\u00e1s<\/a>, tornou-se a principal defensora do \u201cuso seguro\u201d da fibra cancer\u00edgena.<\/p>\n<p><em>&#8220;Quando o amianto for banido, milhares de vidas j\u00e1 ter\u00e3o sido exterminadas e durante d\u00e9cadas outros milhares poder\u00e3o morrer&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se iluda, \u00e9 uma disputa de neg\u00f3cios. Neste momento, at\u00e9 as pedras sabem que o amianto terminar\u00e1 por ser banido no Brasil. Mas o xadrez segue sendo jogado, parte dele como encena\u00e7\u00e3o, para que a ind\u00fastria consiga as melhores condi\u00e7\u00f5es e perca o menos poss\u00edvel \u2013 e para que a ind\u00fastria se responsabilize o menos poss\u00edvel pelas v\u00edtimas humanas e pela corros\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/medio_ambiente\/a\">meio ambiente<\/a>. Entre 1980 e 2010, uma pesquisa mostrou que houve 3.718 casos de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.infoescola.com\/doencas\/mesotelioma\/\">mesotelioma, o c\u00e2ncer fatal do amianto<\/a>, no Brasil. Mas seu autor, o pesquisador\u00a0<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4785153T5\">Francisco Pedra<\/a>, da Fiocruz, chama a aten\u00e7\u00e3o para a extrema subnotifica\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/enfermedades\/a\">doen\u00e7a<\/a>. Muitos trabalhadores e familiares morrem sem ter o diagn\u00f3stico correto e sem que a informa\u00e7\u00e3o seja registrada.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental perceber que tanto o n\u00famero de doentes crescer\u00e1 quanto a contamina\u00e7\u00e3o ambiental persistir\u00e1 por d\u00e9cadas. O Brasil dever\u00e1 atingir o pico de mesoteliomas nos anos que ainda vir\u00e3o, j\u00e1 que a doen\u00e7a tem um longo per\u00edodo de lat\u00eancia. E n\u00e3o h\u00e1 nenhum plano para a descontamina\u00e7\u00e3o do amianto que est\u00e1 por todo canto, entranhado no pa\u00eds, possivelmente no pr\u00e9dio onde voc\u00ea l\u00ea esse texto. Ainda que a produ\u00e7\u00e3o esteja em queda, o Brasil segue sendo um dos maiores produtores e exportadores da fibra cancer\u00edgena. Mas, claro, quando essa hist\u00f3ria acabar, al\u00e9m das milhares de vidas perdidas, sobrar\u00e1 para a rede p\u00fablica de sa\u00fade e, portanto, para todos n\u00f3s, pagar o custo do crime perpetrado pela ind\u00fastria do amianto.<\/p>\n<p><em>&#8220;Os lobistas do amianto seguem o script da ind\u00fastria do tabaco&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Para compreender como esse enredo se desenrola, vale a pena olhar para o cigarro, uma hist\u00f3ria que todos conhecem bem. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/tabaco\/a\">ind\u00fastria do tabaco<\/a>sabia h\u00e1 muito tempo que o produto era cancer\u00edgeno. E silenciou. Quando se tornou imposs\u00edvel seguir em sil\u00eancio porque os males do cigarro se tornaram p\u00fablicos e os casos de c\u00e2ncer e outras doen\u00e7as dispararam, negou. Depois criou produtos que supostamente causavam menos danos \u00e0 sa\u00fade, como o famoso \u201cmenos nicotina e alcatr\u00e3o\u201d, assim como colocou \u201cfiltro\u201d nos cigarros. E mais recentemente os cigarros com sabores e o \u201ccigarro eletr\u00f4nico\u201d. E tudo isso financiando fartamente lobistas, cientistas, m\u00e9dicos, publicit\u00e1rios, marqueteiros, astros de cinema e da TV, advogados e agentes p\u00fablicos para adiar o desfecho o m\u00e1ximo poss\u00edvel. O c\u00e1lculo \u00e9 sempre \u201co quanto podemos ganhar antes de sermos supostamente vencidos\u201d.<\/p>\n<p>Os \u201cdefensores\u201d do amianto seguiram \u00e0 risca este \u201ccase\u201d bem sucedido que foi o cigarro. Afinal, ter feito de um produto cancer\u00edgeno um h\u00e1bito de massa, durante d\u00e9cadas at\u00e9 mesmo um elemento cultural, glamour entre os l\u00e1bios de divas de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hollywood\/a\">Hollywood<\/a>\u00a0e virilidade tragada por cowboys de olhos semicerrados, foi uma conquista criminosa e tanto. Hoje, na Europa, n\u00e3o se leva a s\u00e9rio uma pessoa que diga ser poss\u00edvel usar qualquer tipo de amianto de forma segura. \u00c9 t\u00e3o absurdo quanto algu\u00e9m afirmar que o cigarro n\u00e3o faz mal.<\/p>\n<p>Mas no Brasil estamos ainda na fase do \u201cnosso amianto \u00e9 menos perigoso\u201d e \u201c\u00e9 poss\u00edvel o uso controlado\u201d. Seguido pela import\u00e2ncia de \u201cgarantir os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/empleo\/a\">empregos<\/a>\u201d (mesmo que depois os empregados e seus familiares morram de doen\u00e7as causadas pelo amianto), \u201cmais ainda num momento de crise econ\u00f4mica do pa\u00eds\u201d. \u00c9 isso que dever\u00e1 ser repetido por um dos lados no pr\u00f3ximo dia 10. E, lamentavelmente, possivelmente no voto de alguns ministros. Neste \u00faltimo caso, s\u00f3 h\u00e1 duas possibilidades: ou estar\u00e3o mal informados, o que \u00e9 incompat\u00edvel com o cargo e com o sal\u00e1rio e com a responsabilidade de um ministro do STF, ou \u00e9 m\u00e1 f\u00e9. H\u00e1 vasta e consolidada literatura cient\u00edfica internacional mostrando que n\u00e3o h\u00e1 uso seguro do amianto \u2013 de qualquer tipo de amianto.<\/p>\n<p><em>&#8220;Nem mesmo o \u201cpr\u00edncipe do amianto\u201d defende hoje o material cancer\u00edgeno que fez a fortuna de sua fam\u00edlia&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Conhecido como \u201cpr\u00edncipe do amianto\u201d, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/01\/06\/opinion\/1389007120_928954.html\">bilion\u00e1rio su\u00ed\u00e7o Stephan Schmidheiny<\/a>, cuja fam\u00edlia era dona da Eternit, foi julgado na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/italia\/a\">It\u00e1lia<\/a>\u00a0por \u201cdesastre ambiental doloso permanente e omiss\u00e3o dolosa de medidas de seguran\u00e7a para os oper\u00e1rios\u201d. A a\u00e7\u00e3o havia sido movida pelas v\u00edtimas do amianto e familiares de mortos pelo amianto. Na It\u00e1lia, vale lembrar, o material cancer\u00edgeno est\u00e1 banido desde 1992. O bilion\u00e1rio foi condenado em duas inst\u00e2ncias, na segunda a 18 anos de pris\u00e3o. Mas, em novembro de 2014, a corte italiana anulou a senten\u00e7a na \u00faltima inst\u00e2ncia: n\u00e3o porque considerou Schmidheiny inocente, mas porque o crime teria prescrito. Como foi dito no tribunal, \u201cuma escolha pelo Direito \u2013 e n\u00e3o pela Justi\u00e7a\u201d. Schmidheiny escapou.<\/p>\n<p>Mas nem ele, que durante as \u00faltimas d\u00e9cadas tentou se transformar num filantropo e num ambientalista, tinha a ousadia de defender o amianto. Ao contr\u00e1rio. Ele sempre repetiu que desconhecia o potencial destrutivo do amianto e, t\u00e3o logo soube, deixou o setor. (Na verdade, sua fam\u00edlia vendeu o neg\u00f3cio, que seguiu produzindo e devastando e matando em outras m\u00e3os). O bilion\u00e1rio n\u00e3o explicou por que n\u00e3o come\u00e7ou sua carreira de ambientalista e benfeitor cuidando do passivo ambiental e humano deixado pelo produto que fez a fortuna da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Quando sua senten\u00e7a foi anulada pelo tribunal italiano, a Avina, funda\u00e7\u00e3o criada por ele, publicou um comunicado em seu site, declarando-se \u201ccontr\u00e1ria a que se continue empregando amianto em qualquer tipo de ind\u00fastria\u201d: \u201cAs autoridades p\u00fablicas de todas as na\u00e7\u00f5es devem normatizar e regulamentar a proibi\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e uso do amianto, al\u00e9m de desenvolver a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o da cidadania das v\u00edtimas por ele afetadas\u201d. Nem o homem que escapou da condena\u00e7\u00e3o por uma tecnicalidade defende o amianto. Mas, no Brasil, h\u00e1 muita gente que defende o produto cancer\u00edgeno. E vai defend\u00ea-lo nesta semana no STF.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso como neste momento em que as s\u00e9ries de TV se tornaram um dos produtos de entretenimento mais bem sucedidos do mundo, com a difus\u00e3o em plataformas mundiais como a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/netflix\/a\">Netflix<\/a>, o amianto seguidamente frequenta alguma delas como amea\u00e7a. Em\u00a0<em>Os Sopranos<\/em>, que marcou o in\u00edcio do per\u00edodo de excel\u00eancia das s\u00e9ries, a m\u00e1fia de New Jersey usa um dep\u00f3sito clandestino de asbesto num dos epis\u00f3dios. Em\u00a0<em>The Good Wife<\/em>, outra s\u00e9rie premiada, uma advogada \u00e9 obrigada a sair do seu escrit\u00f3rio porque descobriram que havia um resqu\u00edcio de amianto. Uma equipe que lembrava a de filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, com m\u00e1scaras e equipamentos sofisticados, interdita a \u00e1rea. Em\u00a0<em>Chicago Fire<\/em>, um personagem passa por uma s\u00e9rie de exames para descobrir se foi contaminado por amianto quando trabalhava como bombeiro. E h\u00e1 v\u00e1rios outros exemplos do g\u00eanero.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502124015_sumario_normal.jpg\" alt=\"Cena do document\u00e1rio 'N\u00e3o Respire- Cont\u00e9m Amianto' que mostra trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil cortando telhas feitas do produto cancer\u00edgeno sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o\" width=\"726\" height=\"420\" \/><em><span class=\"foto-texto\">Cena do document\u00e1rio &#8216;N\u00e3o Respire- Cont\u00e9m Amianto&#8217; que mostra trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil cortando telhas feitas do produto cancer\u00edgeno sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">DIVULGA\u00c7\u00c3O \/ REP\u00d3RTER BRASIL<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p>Os brasileiros assistem a esses epis\u00f3dios sem relacionar que possivelmente a sua caixa d\u2019\u00e1gua, quando n\u00e3o o telhado sobre suas cabe\u00e7as, s\u00e3o de amianto. Nas ruas e telhados do Brasil \u00e9 corriqueiro testemunhar trabalhadores sem nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o cortando e lidando com telhas e outros produtos de amianto. A poeira cancer\u00edgena levantando e entrando pelas suas narinas \u2013 e poucos se horrorizam. Ao contr\u00e1rio, h\u00e1 anos a discuss\u00e3o se arrasta no Supremo. No final do ano passado, o ministro Dias Toffoli teve o desplante de pedir vista, suspendendo e adiando um julgamento t\u00e3o crucial para a sa\u00fade p\u00fablica e para a sa\u00fade do trabalhador, sobre o qual todos j\u00e1 deveriam estar mais do que informados. Enquanto isso, na vida real, pessoas seguem se contaminando e morrendo.<\/p>\n<p><em>&#8220;No pa\u00eds em que se pode tudo, \u00e9 preciso tratar a farsa como farsa para que os perverso n\u00e3o nos pervertam|&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Neste pa\u00eds em que se pode tudo, at\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/michel_temer\/a\">Michel Temer<\/a>\u00a0seguir no poder, \u00e9 preciso tratar a farsa como farsa para que os perversos n\u00e3o nos pervertam. Quando a realidade vira pervers\u00e3o, o risco \u00e9 come\u00e7ar a acreditar que sanidade \u00e9 loucura. Tratar a afirma\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel o uso seguro do amianto como se fosse meramente \u201co outro lado\u201d \u00e9 irresponsabilidade. Esta \u00e9 uma mentira verific\u00e1vel. \u00c9 preciso denunci\u00e1-la, porque pessoas morrem por conta dela. Seria o equivalente a dar o mesmo peso a um fabricante de cigarros que ouse, nos dias de hoje, afirmar que o cigarro n\u00e3o faz mal. \u00c9 prov\u00e1vel que nem mesmo um porta-voz da ind\u00fastria de cigarro se arrisque a dizer isso atualmente. Ao contr\u00e1rio, a solu\u00e7\u00e3o encontrada para seguir vendendo cigarros \u00e9 defender o que se pode chamar de liberdade individual, que incluiria o direito de escolher fazer mal a si mesmo. Mas n\u00e3o a outros, argumento das leis que pro\u00edbem o fumo em lugares p\u00fablicos e fechados.<\/p>\n<p>No caso do amianto, os trabalhadores podem se contaminar j\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o e o produto fica nas casas das pessoas e no espa\u00e7o comum, onde \u00e9 manipulado por muitos. Trata-se de sa\u00fade p\u00fablica, com toda a responsabilidade que isso implica. Banir o amianto do territ\u00f3rio brasileiro seria s\u00f3 o come\u00e7o. H\u00e1 que se fazer um plano de descontamina\u00e7\u00e3o e garantir o tratamento das v\u00edtimas. \u00c9 preciso que aqueles que lucraram por d\u00e9cadas com a morte alheia sejam obrigados a se responsabilizar pela repara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A morte por mesotelioma e outras doen\u00e7as causadas por amianto \u00e9 terr\u00edvel. Na asbestose, conhecida como \u201cpulm\u00e3o de pedra\u201d, as pessoas v\u00e3o perdendo progressivamente a possibilidade de expirar e inspirar. \u00c9 um lento e demorado processo de asfixia. Come\u00e7am tendo dificuldades para andar e fazer qualquer esfor\u00e7o b\u00e1sico at\u00e9 terminarem numa cama amarradas a um tubo de oxig\u00eanio. Era neste momento que os prepostos da Brasilit e da Eternit costumavam aparecer nos hospitais no in\u00edcio dos anos 2000. Vinham para fazer acordos em que pagavam uma mis\u00e9ria pela morte que causavam, para evitar que a fam\u00edlia movesse um processo mais vultoso na justi\u00e7a depois do enterro. Fragilizada e com medo, a fam\u00edlia pressionava o oper\u00e1rio que, quase sem ar, assinava tr\u00eamulo a derradeira humilha\u00e7\u00e3o. Morria violentado uma \u00faltima vez.<\/p>\n<p>Quando os primeiros casos chegaram \u00e0 justi\u00e7a brasileira, os trabalhadores doentes seguidamente eram vencidos ou recebiam quantias irris\u00f3rias. Uma vez um oper\u00e1rio ouviu de um juiz que ele tinha perdido s\u00f3 um pulm\u00e3o por conta do amianto e era poss\u00edvel viver com o outro. S\u00f3 h\u00e1 poucos anos as indeniza\u00e7\u00f5es se tornaram significativas, com advogados melhores defendendo as v\u00edtimas e principalmente uma forte atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho. Alguns estados e cidades aprovaram leis de banimento em seus territ\u00f3rios, iniciando pelo debate um processo de conscientiza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Mas n\u00e3o haver\u00e1 justi\u00e7a de fato enquanto o amianto n\u00e3o for proibido em todo o Brasil e a ind\u00fastria do amianto responsabilizada pelo mal que causou e ainda causar\u00e1.<\/p>\n<p>Em 2001, fizemos uma reportagem na revista\u00a0<em>\u00c9poca<\/em>, contando sobre o esc\u00e2ndalo do amianto no Brasil. Na capa e nas p\u00e1ginas interiores, colocamos as fotos de 15 trabalhadores doentes. Era apenas uma mostra, j\u00e1 que n\u00e3o caberiam milhares nas p\u00e1ginas da revista. Hoje, dos 15, pelo menos 11 est\u00e3o mortos. E morreram sem justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Naquele momento, era uma luta quase marginal no Brasil, ao contr\u00e1rio do que acontecia na Europa. A principal protagonista era a engenheira Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Minist\u00e9rio do Trabalho, que em determinado momento se deparou com os trabalhadores morrendo e fez desta causa a sua vida. Foi pressionada, chantageada e amea\u00e7ada por anos, comprometendo sua sa\u00fade e o bem-estar da sua fam\u00edlia. Sua hist\u00f3ria tem muitos pontos em comum com a de Erin Brockovich, personagem real que inspirou o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0195685\/\">filme de mesmo nome<\/a>do diretor Steven Soderbergh. Pelo papel, a atriz Julia Roberts ganhou um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_oscar\/a\/\">Oscar<\/a>.<\/p>\n<p><em>&#8220;&#8216;Ent\u00e3o, por que eu n\u00e3o consigo respirar?&#8217;, perguntou um trabalhador ao escutar que produzir amianto era seguro&#8221;<\/em><\/p>\n<p>No in\u00edcio da luta no Brasil, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/salud\/a\">sa\u00fade<\/a>\u00a0dos oper\u00e1rios era tabelada pela ind\u00fastria com indeniza\u00e7\u00f5es de 5 mil reais, 10 mil reais e 15 mil reais, conforme o comprometimento de sua sa\u00fade. Era isso o que a vida valia. Mas naquele momento os trabalhadores tinham esperan\u00e7a de justi\u00e7a. E justi\u00e7a era ter o reconhecimento de que suas vidas importavam, j\u00e1 que n\u00e3o era mais poss\u00edvel impedir que morressem por doen\u00e7as causadas pelo amianto dentro de seus corpos. E justi\u00e7a era garantir o direito de morrer com dignidade, com a certeza de deixar suas fam\u00edlias amparadas. Nem isso lhes foi assegurado.<\/p>\n<p>Em junho deste ano, os poucos que ainda restavam vivos desse primeiro grupo de resist\u00eancia chegaram alquebrados, ofegantes, para assistir ao document\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2SL2uU5oWf4\"><em>N\u00e3o respire \u2013 cont\u00e9m amianto<\/em><\/a>, produzido pela <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/naorespire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a> e dirigido por Andr\u00e9 Campos, Carlos Juliano Barros e Caue Angeli, que ganharia o pr\u00eamio de melhor filme pelo j\u00fari popular na 6<sup>a<\/sup>\u00a0Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em S\u00e3o Paulo. Aqueles sobreviventes foram os pioneiros da pequena e corajosa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.abrea.com.br\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Expostos ao Amianto<\/a>\u00a0(Abrea), sempre lutando com a falta de recursos e com o descaso das pessoas pela luta de trabalhadores pobres. Na plateia, eles se manifestavam quando prepostos da ind\u00fastria falavam placidamente na tela do cinema que fabricar produtos com amianto e us\u00e1-los era seguro. \u201c\u00c9 mentira!\u201d, diziam. Ou: \u201cEnt\u00e3o por que eu n\u00e3o consigo respirar?\u201d. Era aterrador.<\/p>\n<p>Para compreender, \u00e9 preciso vestir a pele de algu\u00e9m que tem amianto dentro do seu corpo, amianto que lhe mata um pouco por dia, algu\u00e9m que viu seus colegas de trabalho morrerem porque a ind\u00fastria mentiu para eles que era seguro, algu\u00e9m que testemunhou esposas e filhas morrerem porque lavavam as roupas trazidas da f\u00e1brica, e, em 2017, precisam ainda escutar que o amianto \u00e9 seguro porque as autoridades brasileiras se omitem. A mesma farsa dever\u00e1 se repetir no dia 10 no Supremo pela boca de advogados. E mais uma vez trabalhadores que t\u00eam que fazer esfor\u00e7o para expirar e inspirar ser\u00e3o obrigados a ouvir que n\u00e3o h\u00e1 problema algum. Espera-se apenas que os ministros n\u00e3o ousem cometer essa barb\u00e1rie com os fatos e com a vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo me reuni com um editor de um dos mais importantes jornais do mundo em l\u00edngua inglesa para discutir as possibilidades de cobertura ambiental no Brasil e mencionei o amianto. Ele me olhou com os olhos arregalados: \u201cMas isso ainda existe?\u201d. Pois \u00e9. E como \u00e9 dif\u00edcil explicar como \u00e9 poss\u00edvel que ainda exista no Brasil.<\/p>\n<p>A pequena cidade italiana de Casale Monferrato, no Piemonte, tornou-se o s\u00edmbolo mundial da resist\u00eancia e da luta por justi\u00e7a. Estive l\u00e1 em 2012 e encontrei uma cidade onde a contamina\u00e7\u00e3o ambiental provocada por uma f\u00e1brica de produtos de amianto alcan\u00e7ou pessoas de todas as classes sociais, pessoas que nunca trabalharam na ind\u00fastria. Em Casale a produ\u00e7\u00e3o come\u00e7ou d\u00e9cadas antes do in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o no Brasil. E assim o que aconteceu e segue acontecendo l\u00e1 pode ser o que veremos no futuro em algumas localidades brasileiras. Primeiro foram os trabalhadores que tiveram contato direto com a fibra que adoeceram, mais tarde moradores que nunca haviam pisado no ch\u00e3o de f\u00e1brica come\u00e7aram a receber o diagn\u00f3stico fatal do mesotelioma. Casale \u00e9 hoje uma cidade marcada pela trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>A presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Familiares e V\u00edtimas do Amianto era uma mulher impressionante chamada Romana Blasotti Pavesi. Ela viu morrer primeiro seu marido, Mario, depois sua irm\u00e3, Libera, em seguida sua prima, Anna, o pr\u00f3ximo foi Giorgio, seu sobrinho, e por fim, embora nunca se saiba se acabou, Maria Rosa, a filha. Todos mortos pelo c\u00e2ncer do amianto. A certa altura de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/11\/24\/opinion\/1416832282_033103.html\">minha entrevista com ela<\/a>, Romana levantou-se e desapareceu no quarto. Voltou de l\u00e1 com uma caixa bonita. De dentro tirou um longo cabelo em tons de dourado e vermelho. \u201cBello, molto bello\u201d, disse. Era o que lhe restava da filha Maria Rosa, que nunca havia trabalhado na f\u00e1brica, mas mesmo assim foi morta pelo amianto.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia do julgamento do bilion\u00e1rio Stephan Schmidheiny, em novembro de 2014, Romana entrou na corte ereta. Quando anunciaram que os crimes do pr\u00edncipe do amianto tinham prescrito e a senten\u00e7a fora anulada, Romana saiu amparada pelo \u00fanico filho que lhe restou. Parecia que haviam se passado anos entre a mulher que entrou e a mulher que saiu. Daquele dia em diante, Romana come\u00e7ou a esquecer. Quando a injusti\u00e7a \u00e9 dessa ordem, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel lembrar. Ao anular a condena\u00e7\u00e3o, a corte italiana destruiu o direito \u00e0 mem\u00f3ria de Romana. E este \u00e9 o crime inomin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Que no Brasil os ministros do Supremo lembrem a import\u00e2ncia estrutural da justi\u00e7a para a sa\u00fade de uma na\u00e7\u00e3o e n\u00e3o transformem em farsa o que \u00e9 vida. E o que \u00e9 morte.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\">Eliane Brum \u00e9 escritora, rep\u00f3rter e documentarista. Autora dos livros de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o\u00a0Coluna Prestes &#8211; o Avesso da Lenda, A Vida Que Ningu\u00e9m v\u00ea, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos,\u00a0e do romance\u00a0Uma Duas.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\">Fonte &#8211; El Pa\u00eds de 07 de agosto de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartaz do premiado document\u00e1rio &#8216;N\u00e3o respire \u2013 cont\u00e9m amianto&#8217;. DIVULGA\u00c7\u00c3O \/ REP\u00d3RTER BRASIL Em 10 de agosto, o\u00a0Supremo Tribunal Federal\u00a0dever\u00e1 julgar um conjunto de a\u00e7\u00f5es relacionadas ao amianto: elas questionam a proibi\u00e7\u00e3o do material nos estados de\u00a0S\u00e3o Paulo,\u00a0Rio de Janeiro,\u00a0Rio Grande do Sul\u00a0e\u00a0Pernambuco, al\u00e9m da capital paulista. Ou seja, o objetivo \u00e9 voltar a liberar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-20742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O Supremo e a farsa do amianto - FUNVERDE<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Supremo e a farsa do amianto - FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Cartaz do premiado document\u00e1rio &#8216;N\u00e3o respire \u2013 cont\u00e9m amianto&#8217;. DIVULGA\u00c7\u00c3O \/ REP\u00d3RTER BRASIL Em 10 de agosto, o\u00a0Supremo Tribunal Federal\u00a0dever\u00e1 julgar um conjunto de a\u00e7\u00f5es relacionadas ao amianto: elas questionam a proibi\u00e7\u00e3o do material nos estados de\u00a0S\u00e3o Paulo,\u00a0Rio de Janeiro,\u00a0Rio Grande do Sul\u00a0e\u00a0Pernambuco, al\u00e9m da capital paulista. Ou seja, o objetivo \u00e9 voltar a liberar&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/funverde\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-08-13T12:00:16+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@funverde\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"funverde\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\"},\"author\":{\"name\":\"funverde\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277\"},\"headline\":\"O Supremo e a farsa do amianto\",\"datePublished\":\"2017-08-13T12:00:16+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\"},\"wordCount\":3564,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg\",\"articleSection\":[\"Geral\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\",\"name\":\"O Supremo e a farsa do amianto - FUNVERDE\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg\",\"datePublished\":\"2017-08-13T12:00:16+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O Supremo e a farsa do amianto\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\",\"name\":\"FUNVERDE\",\"description\":\"ONG criada em 1999, para melhorar o planeta, atrav\u00e9s da preserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization\",\"name\":\"FUNVERDE\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg\",\"width\":457,\"height\":499,\"caption\":\"FUNVERDE\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/funverde\",\"https:\/\/x.com\/funverde\",\"https:\/\/www.instagram.com\/funverde\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277\",\"name\":\"funverde\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"funverde\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Supremo e a farsa do amianto - FUNVERDE","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Supremo e a farsa do amianto - FUNVERDE","og_description":"Cartaz do premiado document\u00e1rio &#8216;N\u00e3o respire \u2013 cont\u00e9m amianto&#8217;. DIVULGA\u00c7\u00c3O \/ REP\u00d3RTER BRASIL Em 10 de agosto, o\u00a0Supremo Tribunal Federal\u00a0dever\u00e1 julgar um conjunto de a\u00e7\u00f5es relacionadas ao amianto: elas questionam a proibi\u00e7\u00e3o do material nos estados de\u00a0S\u00e3o Paulo,\u00a0Rio de Janeiro,\u00a0Rio Grande do Sul\u00a0e\u00a0Pernambuco, al\u00e9m da capital paulista. Ou seja, o objetivo \u00e9 voltar a liberar&hellip;","og_url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/","og_site_name":"FUNVERDE","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/funverde","article_published_time":"2017-08-13T12:00:16+00:00","og_image":[{"url":"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg","type":"","width":"","height":""}],"author":"funverde","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@funverde","twitter_site":"@funverde","twitter_misc":{"Escrito por":"funverde","Est. tempo de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/"},"author":{"name":"funverde","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277"},"headline":"O Supremo e a farsa do amianto","datePublished":"2017-08-13T12:00:16+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/"},"wordCount":3564,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg","articleSection":["Geral"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/","name":"O Supremo e a farsa do amianto - FUNVERDE","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg","datePublished":"2017-08-13T12:00:16+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#primaryimage","url":"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg","contentUrl":"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/opinion\/1502117913_051142_1502123266_noticia_normal.jpg"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-supremo-e-a-farsa-do-amianto\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O Supremo e a farsa do amianto"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/","name":"FUNVERDE","description":"ONG criada em 1999, para melhorar o planeta, atrav\u00e9s da preserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#organization","name":"FUNVERDE","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Logo_Funverde.jpg","width":457,"height":499,"caption":"FUNVERDE"},"image":{"@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/funverde","https:\/\/x.com\/funverde","https:\/\/www.instagram.com\/funverde\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/bec97e35994e1efd40b63cb533e44277","name":"funverde","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6dd413cb194962ed8eb124d2dce6f715?s=96&d=mm&r=g","caption":"funverde"}}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20742"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20742"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20744,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20742\/revisions\/20744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20742"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=20742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}