{"id":21764,"date":"2017-11-03T13:00:14","date_gmt":"2017-11-03T15:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=21764"},"modified":"2017-10-31T12:02:22","modified_gmt":"2017-10-31T14:02:22","slug":"o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos\/","title":{"rendered":"O agroneg\u00f3cio e o decl\u00ednio dos insetos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/4\/3824\/9573437200_30c44903ee_b.jpg\" \/><em><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/teamcapitoldc\/\">Team Capitol dc<\/a><\/em><\/p>\n<p>Vinte anos atr\u00e1s, um artigo da\u00a0<em>Science<\/em>, intitulado \u201cHuman Domination of Earth\u2019s Ecosystems\u201d, assim conclu\u00eda sua avalia\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias dos impactos antropog\u00eanicos sobre os ecossistemas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#1\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">[I]<\/span><\/a>:<\/p>\n<p>\u201cAs consequ\u00eancias globais da atividade humana n\u00e3o s\u00e3o algo a ser enfrentado no futuro. Elas est\u00e3o conosco agora. Todas essas mudan\u00e7as est\u00e3o em curso e em muitos casos, em acelera\u00e7\u00e3o. Muitas delas foram desencadeadas bem antes de que sua import\u00e2ncia fosse reconhecida. (&#8230;) C\u00e1lculos recentes sugerem que as taxas de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e3o agora 100 a 1.000 vezes maiores que antes do dom\u00ednio humano sobre a Terra\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho mostrava a envergadura da cat\u00e1strofe ambiental desencadeada no s\u00e9culo XX e agravada na segunda metade desse s\u00e9culo. Mas est\u00e1vamos em 1997 e tudo ainda parecia poss\u00edvel. Afinal, desde os anos 1960, o mundo parecia haver tomado consci\u00eancia do perigo. Em 1962, o alerta de Rachel Carson sobre os efeitos do DDT havia despertado pela primeira vez a aten\u00e7\u00e3o do grande p\u00fablico. Se o \u201csocialismo real\u201d, sobretudo ap\u00f3s a den\u00fancia dos crimes de Stalin em 1956 e as revoltas de Berlim (1953), da Hungria (1956) e de Praga (1968), mostrara-se desalentador, outros movimentos sociais, sobretudo juvenis, vinham criando uma vis\u00e3o de mundo alternativa ao consumismo grassante e \u00e0 ideologia do \u201chomem unidimensional\u201d, para ressuscitar um termo ent\u00e3o cunhado por Herbert Marcuse. A a\u00e7\u00e3o das ONGs ambientalistas, de intelectuais e de cientistas mobilizados nos EUA pela Union of Concerned Scientists (1968) havia ganhado escala, revigorando a pol\u00edtica e o pensamento cr\u00edtico. Mesmo os progn\u00f3sticos de Paul e Anne Ehrlich sobre a imin\u00eancia de uma crise maior de inseguran\u00e7a alimentar mundial pareciam ter sido afastados (ou, melhor, protelados) pela chamada Revolu\u00e7\u00e3o verde, capitaneada por Norman Borlaug, detentor de m\u00faltiplas honrarias, al\u00e9m do Pr\u00eamio Nobel da Paz\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#2\">[II]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil entender, nesse contexto, o impacto da ECO-92. A resson\u00e2ncia imensa desse encontro internacional coroava todo um processo de tomada de consci\u00eancia da inviabilidade ambiental da l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista, e seu\u00a0<em>\u00e9lan<\/em>\u00a0foi ent\u00e3o tal, que teve o poder de fazer acreditar at\u00e9 mesmo que o capitalismo podia-se tornar ambientalmente \u201csustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>De fato, por ocasi\u00e3o da ECO-92, os chefes de Estado de 194 na\u00e7\u00f5es, ou seus representantes, assinaram a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Diversidade Biol\u00f3gica, (CBD), a mais emblem\u00e1tica formula\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da biodiversidade e da necessidade de estancar sua destrui\u00e7\u00e3o. Vale a pena, antes de tudo para saborear o estado de esp\u00edrito prevalecente naqueles dias, recordar seu in\u00edcio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#3\">[III]<\/a>:<\/p>\n<p><em>\u201cAs Partes Contratantes:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cConscientes do valor intr\u00ednseco da diversidade biol\u00f3gica e dos valores ecol\u00f3gicos, gen\u00e9ticos, sociais, econ\u00f4micos, cient\u00edficos, educacionais, culturais, recreacionais e est\u00e9ticos da diversidade biol\u00f3gica e de seus componentes.<\/em><\/p>\n<p><em>Conscientes tamb\u00e9m da import\u00e2ncia da diversidade biol\u00f3gica para a evolu\u00e7\u00e3o e para a manuten\u00e7\u00e3o dos sistemas de sustenta\u00e7\u00e3o da vida da biosfera.<\/em><\/p>\n<p><em>Afirmando que a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o comum da humanidade (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Reafirmando que os Estados s\u00e3o respons\u00e1veis por conservar sua pr\u00f3pria diversidade biol\u00f3gica e por usar seus recursos biol\u00f3gicos de modo sustent\u00e1vel<\/em><\/p>\n<p><em>Preocupados pelo fato de que a diversidade biol\u00f3gica est\u00e1 sendo significativamente reduzida por certas atividades humanas\u00a0<\/em>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>Determinados em conservar e usar sustentavelmente a diversidade biol\u00f3gica para o benef\u00edcio das gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras<\/em><\/p>\n<p><em>Concordam o que segue&#8230;\u00a0<\/em>(e a ler o que se seguia, tem-se a impress\u00e3o que a comunidade das na\u00e7\u00f5es disputava com o Greenpeace e demais ONGs ambientalistas a palma da consci\u00eancia ecol\u00f3gica).<\/p>\n<p><strong>A distopia atual<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, passados 25 anos, vemos quanto as palavras dessa bela declara\u00e7\u00e3o, que tinha, de resto, o estatuto de tratado para os pa\u00edses que a ratificaram, foram sistematicamente contraditas pela a\u00e7\u00e3o ecocida de seus signat\u00e1rios. A globaliza\u00e7\u00e3o triunfante, que ganha \u00edmpeto nos anos Reagan-Thatcher, favoreceu o processo pelo qual a agricultura metamorfoseou-se em agroneg\u00f3cio, controlado por uma min\u00fascula elite corporativa e globalizada. O\u00a0<em>Big Food<\/em>\u00a0tornou-se o irm\u00e3o siam\u00eas da ind\u00fastria qu\u00edmica e do\u00a0<em>Big Oil<\/em>, e isso a tal ponto que, em nossos dias, cerca de 95% da produ\u00e7\u00e3o de sementes, pesticidas, aditivos e fertilizantes qu\u00edmicos est\u00e3o nas m\u00e3os de cinco megacorpora\u00e7\u00f5es agroqu\u00edmicas, um oligop\u00f3lio que domina quase por completo o sistema alimentar mundial, como mostra a Figura 1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico01_20171023.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 1\u00a0\u2013 O novo mundo qu\u00edmico-agropecu\u00e1rio\u00a0 |\u00a0Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/labiotech.eu\/bayer-monsanto-gmo-acquisition-protest\/\">Bloomberg Intelligence, Dow\/DuPont, Sumitomo<\/a><\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 17\u00a0<em>trades\u00a0<\/em>\u2013 Dangote, Cargill, Bunge, Glencore etc \u2013 controlam o com\u00e9rcio internacional dos alimentos, transformados em\u00a0<em>soft<\/em>\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0(gado bovino, gado su\u00edno, cacau, caf\u00e9, leite, milho, trigo, soja etc),\u00a0negociadas\u00a0na Chicago Mercantile Exchange (CME)\u00a0como derivativos na forma de op\u00e7\u00f5es e contratos futuros.<\/p>\n<p>Se a tal sequestro dos alimentos pela rede estatal-corporativa acrescentarmos\u00a0a bomba global do carnivorismo dos \u00faltimos dec\u00eanios, detonada ela tamb\u00e9m pelo agroneg\u00f3cio, come\u00e7aremos a perceber mais claramente as causas e as din\u00e2micas fundamentais da fulminante aniquila\u00e7\u00e3o em curso da vida no planeta.\u00a0 Desde 2001, esse complexo corporativo \u2013 agroneg\u00f3cio, ind\u00fastria qu\u00edmica, petr\u00f3leo,\u00a0<em>trades<\/em>\u00a0e os mercados financeiros de\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0\u2013 \u00e9 o maior culpado pela perda de mais de 2,5 milh\u00f5es de km2 de floresta, habitat de \u201cmais de 80% de todas as esp\u00e9cies de animais, plantas e insetos\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#4\">[IV]<\/a>. Ele \u00e9 tamb\u00e9m o principal respons\u00e1vel pela crescente escassez h\u00eddrica, pelo avan\u00e7o da fronteira agropecu\u00e1ria, pelo uso sempre mais intensivo do solo, com consequente perda de sua riqueza biol\u00f3gica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#5\">[V]<\/a>, pela prolifera\u00e7\u00e3o de zonas mortas no meio aqu\u00e1tico causado pelos fertilizantes nitrogenados e pela morte ou intoxica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos organismos, decorrente do uso crescente de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><strong>A sexta extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Esses impactos somados e combinados est\u00e3o na raiz do que se tem chamado a sexta, e potencialmente a mais exterminadora, extin\u00e7\u00e3o em massa das esp\u00e9cies de nosso planeta.\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cinco grandes extin\u00e7\u00f5es em massa ocorridas no Fanerozoico (a \u00faltima delas h\u00e1 cerca de 65 milh\u00f5es de anos), a sexta extin\u00e7\u00e3o possui quatro caracter\u00edsticas pr\u00f3prias:<\/p>\n<p>(1) Causa. A sexta extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desencadeada por\u00a0um\u00a0<em>evento<\/em>\u00a0excepcional e externo, mas por um\u00a0<em>processo cont\u00ednuo e interno<\/em>\u00a0\u00e0 biosfera, a interfer\u00eancia antr\u00f3pica sobre a biosfera, processo consciente, anunciado e em inequ\u00edvoca acelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(2) Din\u00e2mica. Diversamente das cinco extin\u00e7\u00f5es anteriores, a din\u00e2mica da sexta extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a da irradia\u00e7\u00e3o de ondas a partir de um ponto de impacto (meteoros ou vulc\u00f5es), tal como ocorre quando da queda de uma pedra num espelho d\u2019\u00e1gua, cuja perturba\u00e7\u00e3o tende a arrefecer \u00e0 medida que seu raio de a\u00e7\u00e3o se amplia no espa\u00e7o e se prolonga no tempo. A din\u00e2mica da sexta extin\u00e7\u00e3o \u00e9 determinada por um processo que, ao contr\u00e1rio, se intensifica no espa\u00e7o e no tempo e, al\u00e9m disso, amplifica-se mais na periferia do sistema econ\u00f4mico (os tr\u00f3picos, mais ricos em biodiversidade) que em seu centro (os pa\u00edses industrializados).<\/p>\n<p>(3) Rapidez. A terceira caracter\u00edstica da sexta extin\u00e7\u00e3o, talvez a mais crucial, \u00e9 sua rapidez fulminante. Ela n\u00e3o \u00e9, como as anteriores, mensur\u00e1vel numa escala geol\u00f3gica, mas numa escala hist\u00f3rica, e a unidade de tempo em que se mede essa escala est\u00e1 se abreviando. Em 1900, ela ocorria na escala de s\u00e9culos. Cinquenta anos atr\u00e1s, a escala de observa\u00e7\u00e3o mais adequada seria talvez a d\u00e9cada. Hoje, a unidade de mensura\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o da sexta extin\u00e7\u00e3o \u00e9 o ano ou mesmo o dia. Segundo Rodolfo Dirzo e coautores de uma revis\u00e3o de 2014\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#6\">[VI]<\/a>, \u201cestamos perdendo entre cerca de 11 mil e 58 mil esp\u00e9cies anualmente\u201d, o que significa algo entre 30 e 159 esp\u00e9cies em m\u00e9dia por dia. J\u00e1 em 2005, o Millenium Ecosystem Assessment afirmava: \u201cAs taxas de extin\u00e7\u00f5es conhecidas de esp\u00e9cies no s\u00e9culo XX foram de 50 a 500 vezes maiores que a taxa de extin\u00e7\u00e3o calculada a partir dos registros f\u00f3sseis, que \u00e9 de 0,1 a 1 extin\u00e7\u00e3o por 1.000 esp\u00e9cies por 1.000 anos. A taxa atual \u00e9 at\u00e9 1.000 vezes maior que as taxas de extin\u00e7\u00e3o de base, se incluirmos as esp\u00e9cies possivelmente j\u00e1 extintas\u201d. E o mesmo documento projeta que em 2050 a taxa de extin\u00e7\u00e3o ser\u00e1 uma ordem de grandeza maior que as taxas atuais, isto \u00e9, uma taxa 10.000 vezes maior que a taxa de base\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#7\">[VII]<\/a>.<\/p>\n<p>(4) Consequ\u00eancias. A quarta singularidade da sexta extin\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de se tratar de um processo sem vencedores. Longe de resultar no dom\u00ednio de nossa esp\u00e9cie sobre outras, a sexta extin\u00e7\u00e3o vulnerabiliza tamb\u00e9m a esp\u00e9cie humana pelo desfazimento da teia de sustenta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que lhe permitiu prosperar e, por um instante, cultivar a ilus\u00e3o de domin\u00e1-la. Em 2012, Julia Marton-Lef\u00e8vre, diretora geral da IUCN, em uma declara\u00e7\u00e3o \u00e0s delega\u00e7\u00f5es reunidas na Rio+20, advertiu\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#8\">[VIII]<\/a>: \u201cSustentabilidade \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou morte para a humanidade. Um futuro sustent\u00e1vel n\u00e3o pode ser atingido sem que se conserve a diversidade biol\u00f3gica \u2013 esp\u00e9cies animais, seus habitats e seus genes \u2013 n\u00e3o apenas para a natureza mesma, mas tamb\u00e9m para os 7 bilh\u00f5es de seres humanos que dependem dela\u201d.<\/p>\n<p>A Figura 2 mostra como a sexta extin\u00e7\u00e3o amea\u00e7a uma ampla gama de t\u00e1xons<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico02_20171023.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 2 &#8211; Lista Vermelha das esp\u00e9cies Criticamente Amea\u00e7adas, Amea\u00e7adas e Vulner\u00e1veis num universo de 46.337 esp\u00e9cies avaliadas. Fonte: IUCN, 2009<\/em><\/p>\n<p>Baseado nessa avalia\u00e7\u00e3o, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente divulgou um documento intitulado\u00a0<em>Extinction crisis shows urgent need for action to protect biodiversity<\/em>. Nesse ano, o quadro da sexta extin\u00e7\u00e3o afigurava-se assim<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#9\">\u00a0[IX]<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cUm ter\u00e7o dos anf\u00edbios do mundo, um quinto dos mam\u00edferos e 70% de todas as plantas est\u00e3o amea\u00e7ados. (&#8230;) Das 47.677 esp\u00e9cies avaliadas, 17.291 est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Mais de 1.000 peixes de \u00e1gua doce est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o; 12% de todos os p\u00e1ssaros conhecidos, 28% dos r\u00e9pteis e 35% dos invertebrados est\u00e3o amea\u00e7ados. (&#8230;) Cerca de 114 plantas est\u00e3o nas categorias \u201cExtintas\u201d ou \u201cExtintas na natureza\u201d.<\/p>\n<p>Em 2016, data da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Lista Vermelha das esp\u00e9cies amea\u00e7adas,\u00a0 da IUCN, das 85.604 esp\u00e9cies avaliadas, nada menos que 24.307 esp\u00e9cies (28,4%) s\u00e3o consideradas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 defauna\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#10\">[X]<\/a>\u00a0do subfilo dos vertebrados, as estimativas do Global Living Planet Index (GLPI), adotando por \u00cdndice 100 o ano de 1970, mostram um decl\u00ednio populacional m\u00e9dio global da ordem de 52% em 2010 e de 58% em 2012. Mais recentemente, o GLPI projeta para 2020, sempre em rela\u00e7\u00e3o a 1970, um decl\u00ednio de 67%, como mostra a Figura 3.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico03_20171023.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 3 \u2013 Estimativa (cor mais clara) e extrapola\u00e7\u00e3o (cor mais escura) da defauna\u00e7\u00e3o de vertebrados. Entre 1970 e 2020, o decl\u00ednio populacional m\u00e9dio dos vertebrados \u00e9 estimado globalmente em 67%. Fonte: Global Living Planet Index (GLPI)<\/em><\/p>\n<p><strong>Invertebrados<\/strong><\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es do decl\u00ednio populacional dos invertebrados s\u00e3o muito menos precisas, sobretudo em escala global, antes de mais nada porque estes constituem a esmagadora maioria dos animais terrestres. Segundo Robert M. May, o n\u00famero de esp\u00e9cies aumenta na propor\u00e7\u00e3o inversa de seu tamanho\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#11\">[XI]<\/a>, e os invertebrados comp\u00f5em, segundo esse autor, 97% de todas as esp\u00e9cies animais, sendo que apenas os Artr\u00f3podes, o maior filo existente, abrangem 84% das esp\u00e9cies de animais conhecidas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#12\">[XII]<\/a>.<\/p>\n<p>Dado seu impacto sobre a agricultura, o atual colapso das abelhas tem sido muito estudado e publicitado, sendo h\u00e1 anos objeto de uma renhida luta pol\u00edtica entre, de um lado, a sociedade civil e, de outro, as megacorpora\u00e7\u00f5es, produtoras de agrot\u00f3xicos da classe dos neonicotinoides, um dos produtos identificados como respons\u00e1veis pela mortandade dos polinizadores. Na Europa, essa luta est\u00e1 sendo mais uma vez vencida pelas corpora\u00e7\u00f5es. Malgrado o ac\u00famulo de evid\u00eancias cient\u00edficas, as corpora\u00e7\u00f5es, que influenciam as ag\u00eancias reguladoras, obtiveram em julho passado autoriza\u00e7\u00e3o para a comercializa\u00e7\u00e3o do sulfoxaflor, produzido pela Dow AgroSciences, um agrot\u00f3xico similar aos neonicotinoides, j\u00e1 proibido nos EUA, e que age igualmente sobre os receptores do sistema nervoso central dos insetos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#13\">[XIII]<\/a>.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe populacional das abelhas, conhecida como Colony Collapse Disorder (CCD, ou Dist\u00farbio do Colapso das Col\u00f4nias) atinge hoje abelhas silvestres e api\u00e1rios nos EUA, Europa, China, Taiwan, Jap\u00e3o, Oriente M\u00e9dio e Brasil. Esse colapso das abelhas e de outros insetos polinizadores s\u00e3o a parte mais vis\u00edvel de um fen\u00f4meno muito mais amplo, que a\u00a0Task Force on Systemic Pesticides, um coletivo de cientistas constitu\u00eddo em 2009,\u00a0est\u00e1 caracterizando como \u201cum decl\u00ednio acelerado de todas as esp\u00e9cies de insetos desde os anos 1990\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#14\">[XIV]<\/a>. Pode-se estend\u00ea-lo aos invertebrados em geral, tal como afirmava em 2014\u00a0a j\u00e1 citada revis\u00e3o proposta por Rodolfo Dirzo e colegas a partir dos poucos dados abrangentes ent\u00e3o dispon\u00edveis\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#15\">[XV]<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cGlobalmente, dados de um monitoramento de longo termo de uma amostra de 452 esp\u00e9cies de invertebrados indicam um decl\u00ednio generalizado em abund\u00e2ncia de indiv\u00edduos desde 1970. Apenas no que se refere aos\u00a0<em>Lepidoptera<\/em>\u00a0(borboletas e mariposas), para os quais h\u00e1 melhores dados, h\u00e1 forte evid\u00eancia de decl\u00ednios globais em abund\u00e2ncia (35% em 40 anos)\u201d.<\/p>\n<p>Os autores chamavam ent\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o decl\u00ednio dos invertebrados, em tais amostras, era de 45%. Al\u00e9m disso, das 3.623 esp\u00e9cies de invertebrados avaliadas pela IUCN em 2014, 42% eram classificadas como amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma nova quantifica\u00e7\u00e3o do decl\u00ednio dos insetos<\/strong><\/p>\n<p>Na semana passada, um estudo publicado na\u00a0<em>PLOS One<\/em>\u00a0por Caspar A. Hallmann e colegas lan\u00e7a nova luz sobre a escala da cat\u00e1strofe em curso na Europa, valendo-se n\u00e3o j\u00e1 de indicadores de abund\u00e2ncia populacional de esp\u00e9cies espec\u00edficas ou de grupos taxon\u00f4micos, mas de \u201cmudan\u00e7as na biomassa de insetos, as quais s\u00e3o mais relevantes para o funcionamento ecol\u00f3gico\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#16\">[XVI]<\/a>. A partir de observa\u00e7\u00f5es conduzidas em 63 reservas naturais na Alemanha, seus autores estimam \u201cum decl\u00ednio sazonal de 76% e um decl\u00ednio no meio do ver\u00e3o de 82% da biomassa dos insetos voadores ao longo de 27 anos de estudo\u201d. A Figura 4, criada por Michael McCarthy a partir desse estudo, fornece uma imagem imediata da extens\u00e3o desse decl\u00ednio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico04_20171023.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em><strong>Figura 4<\/strong>\u00a0\u2013 Perda de biomassa da entomofauna voadora entre 1989 e 2016, de 8 gramas para 2 gramas por dia | Cf. Michael McCarthy, \u201cA giant insect ecosystem is collapsing due to humans. It&#8217;s a catastrophe\u201d.\u00a0The Guardian, 21\/X\/2017, a partir de dados de Halmaan\u00a0et al., 18\/X\/2017 (cit.)<\/em><\/p>\n<p><strong>A vida em nosso planeta depende em larga medida dos insetos<\/strong><\/p>\n<p>Embora n\u00e3o se possam extrapolar esses mesmos dados para os tr\u00f3picos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#17\">[XVII]<\/a>, a premissa de que os insetos s\u00e3o um pilar estrutural de sustenta\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 v\u00e1lida para todo o planeta. De fato, como afirmam Hallmann e colegas:<\/p>\n<p id=\"1\">\u201cA perda de insetos ter\u00e1 certamente efeitos adversos sobre a funcionalidade dos ecossistemas, pois os insetos desempenham um papel fundamental em uma variedade de processos, incluindo poliniza\u00e7\u00e3o, herbivoria, detritivoria, ciclos de nutrientes e fontes de alimentos para os n\u00edveis tr\u00f3ficos mais altos como os p\u00e1ssaros, os mam\u00edferos e os anf\u00edbios. Por exemplo, 80% das plantas silvestres dependem de insetos para a poliniza\u00e7\u00e3o e 60% dos p\u00e1ssaros t\u00eam nos insetos uma fonte de alimenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p id=\"2\">Os reinos animal e vegetal n\u00e3o se sustentariam sem os insetos e notadamente sem os polinizadores invertebrados. Abelhas, moscas, vespas, besouros, borboletas, mariposas etc s\u00e3o fundamentais n\u00e3o apenas para a funcionalidade dos ecossistemas, mas tamb\u00e9m, e n\u00e3o menos, para os homens. Como demonstra o grupo Living with Environmental Change (LWEC), globalmente, os polinizadores melhoram ou estabilizam as colheitas de tr\u00eas quartos das culturas agr\u00edcolas, o que significa um ter\u00e7o das colheitas por volume. Al\u00e9m disso, 90% da vitamina C de que necessitamos prov\u00e9m de frutas, verduras, \u00f3leos e sementes polinizados por insetos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-agronegocio-e-o-declinio-dos-insetos#18\">[XVIII]<\/a>.<\/p>\n<p id=\"4\">A ilus\u00e3o de que podemos viver sem os insetos e sem a preserva\u00e7\u00e3o de seus habitats revela, hoje, mais de meio s\u00e9culo ap\u00f3s\u00a0<em>Primavera silenciosa\u00a0<\/em>de Rachel Carson, a cegueira, a arrog\u00e2ncia, a gan\u00e2ncia e a criminosa irresponsabilidade do agroneg\u00f3cio e do complexo corporativo que o controla e que lucra a curto prazo com a mortandade dos insetos.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p id=\"5\">[I]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Peter M. Vitousek, Harold A. Mooney, Jane Lubchenco &amp; Jerry M. Melillo, \u201cHuman Domination of Earth\u2019s Ecosystems\u201d.\u00a0<em>Science<\/em>, 277, 5325, 25\/VII\/1997, pp. 494-499: \u201cThe global consequences of human activity are not something to face in the future. They are with us now. All of these changes are ongoing, and in many cases accelerating; many of them were entrained long before their importance was recognized\u201d<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n<p id=\"7\">[II]\u00a0O pr\u00f3prio Borlaug advertia em 1970 que \u201ca revolu\u00e7\u00e3o verde obteve um sucesso\u00a0<em>tempor\u00e1rio<\/em>\u00a0na guerra do homem contra a fome e a priva\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Citado por Anthony D. Barnosky &amp; Elizabeth A. Hadly,\u00a0<em>End Game: Tipping Point for Planet Earth?<\/em>\u00a0<\/span>Londres, 2015.<\/p>\n<p id=\"8\">[III]\u00a0Veja-se &lt;<a href=\"http:\/\/www.cbd.int\/doc\/legal\/cbd-en.pdf\">http:\/\/www.cbd.int\/doc\/legal\/cbd-en.pdf<\/a>&gt;.<\/p>\n<p id=\"9\">[IV]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0United Nations, 2015:\u00a0<em>Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development<\/em>:\u00a0 \u201cForests are home to more than 80% of all terrestrial species of animals, plants and insects\u201d. Sobre essa extens\u00e3o de perda de florestas, mensurada pelo Global Forest Watch, cf. Matthew C. Hansen\u00a0<em>et al.<\/em>, \u201cHigh-Resolution Global Maps of 21st-Century Forest Cover Change\u201d.\u00a0<em>Science<\/em>, 342, 6160, 15\/XI\/2013<strong>,\u00a0<\/strong>pp. 850-853<\/span><\/p>\n<p id=\"10\">[V]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Martin M. Gossner\u00a0<em>et al.<\/em>, \u201cLand-use intensification causes multitrophic homogenization of grassland communities\u201d.\u00a0<\/span><em>Nature<\/em>, 540, 8\/XII\/2016, pp. 266-269. Agrade\u00e7o ao Prof. Thomas M. Lewinsohn, co-autor deste trabalho, por sua indica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p id=\"11\">[VI]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. R. Dirzo, Hillary S. Young, M. Galetti, G. Ceballos, N. J. B. Isaac &amp; Ben Collen, \u201cDefaunation in the Anthropocene\u201d.\u00a0<em>Science<\/em>, 345, 6195, 25\/VII\/2014,\u00a0pp. 401-406<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n<p id=\"12\">[VII]\u00a0Cf. Ecosystems and human well-being. Synthesis, 2005, p. 38 (em rede).<\/p>\n<p id=\"13\">[VIII]\u00a0Veja-se &lt;<a href=\"http:\/\/www.ouramazingplanet.com\/3060-updated-list-threatened-species.html\">http:\/\/www.ouramazingplanet.com\/3060-updated-list-threatened-species.html<\/a>&gt;.<\/p>\n<p id=\"14\">[IX]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/www.unep.org\/Documents.Multilingual\/Default.asp?DocumentID=602&amp;ArticleID=6360&amp;l=en\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">http:\/\/www.unep.org\/Documents.Multilingual\/Default.asp?DocumentID=602&amp;ArticleID=6360&amp;l=en<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p id=\"15\">[X]\u00a0A defauna\u00e7\u00e3o inclui n\u00e3o apenas a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, mas seu decl\u00ednio em abund\u00e2ncia populacional.<\/p>\n<p id=\"16\">[XI]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. R. M. May, \u201cHow Many Species are there on Earth?\u201d\u00a0<em>Science<\/em>, 241, 4872, 16\/IX\/1988, pp. 1441-1449.<\/span><\/p>\n<p id=\"17\">[XII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. R. Leakey &amp; R. Lewin,\u00a0<em>The Sixth Extinction<\/em>.\u00a0<em>Biodiversity and its Survival.\u00a0<\/em>Londres, 1996, pp. 38-39.<\/span><\/p>\n[XIII]\u00a0<span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">Cf. St\u00e9phane Foucart, \u201cLes apiculteurs d\u00e9noncent l\u2019autorisation d\u2019un nouveau ne\u00f3nicotino\u00efde en France<\/span>\u201d.\u00a0<em>Le Monde<\/em>, 19\/X\/2017.<\/p>\n[XIV]<span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">\u00a0Cf.<strong>\u00a0St\u00e9phane Foucart, \u201cLe d\u00e9clin massif des insects menace l\u2019agriculture\u201d.\u00a0<em>Le Monde<\/em>, 25\/VI\/2014.<\/strong><\/span><\/p>\n[XV]<span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">\u00a0Cf. R. Dirzo\u00a0<em>et al.\u00a0<\/em><\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">(cit.)<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n[XVI]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Caspar A. Hallmann\u00a0<em>et al.<\/em>, \u201cMore than 75 percent decline over 27 years in total flying insect biomass in protected areas\u201d.\u00a0<\/span><em>Plos One<\/em>, 18\/X\/2017\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pone.0185809\">https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pone.0185809<\/a>.<\/p>\n[XVII]\u00a0Agrade\u00e7o ao Prof. Thomas M. Lewinsohn, do Instituto de Biologia da Unicamp, pelos esclarecimentos relativos \u00e0 impossibilidade de paralelismos entre a situa\u00e7\u00e3o europeia e tropical.<\/p>\n[XVIII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0\u201cWhat is causing the decline in pollinating insects?\u201d LWEC (em rede).<\/span><\/p>\n<p>Luiz Marques\u00a0\u00e9 professor livre-docente do Departamento de Hist\u00f3ria do IFCH \/Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari,\u00a0<i>Vida de Michelangelo\u00a0<\/i>(1568), 2011 e\u00a0<i>Capitalismo e Colapso ambiental<\/i>, 2015, 2<sup>a<\/sup>edi\u00e7\u00e3o, 2016. Coordena a cole\u00e7\u00e3o Palavra da Arte, dedicada \u00e0s fontes da historiografia art\u00edstica, e participa com outros colegas do coletivo\u00a0<i>Cris\u00e1lida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate &amp; Atualiza\u00e7\u00e3o<\/i>.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Jornal da UNICAMP de 23 de outubro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Team Capitol dc Vinte anos atr\u00e1s, um artigo da\u00a0Science, intitulado \u201cHuman Domination of Earth\u2019s Ecosystems\u201d, assim conclu\u00eda sua avalia\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias dos impactos antropog\u00eanicos sobre os ecossistemas\u00a0[I]: \u201cAs consequ\u00eancias globais da atividade humana n\u00e3o s\u00e3o algo a ser enfrentado no futuro. Elas est\u00e3o conosco agora. 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