{"id":21952,"date":"2017-11-18T09:00:58","date_gmt":"2017-11-18T11:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=21952"},"modified":"2017-11-17T11:30:15","modified_gmt":"2017-11-17T13:30:15","slug":"acao-inedita-no-pais-rio-doce-entra-na-justica-contra-desastre-de-mariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/acao-inedita-no-pais-rio-doce-entra-na-justica-contra-desastre-de-mariana\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o in\u00e9dita no pa\u00eds, Rio Doce entra na Justi\u00e7a contra desastre de Mariana"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/BP2aqxGMYVB6fWEBGlqHxD93GCE=\/620x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/01\/31\/rio-doce-2.jpg\" \/><\/p>\n<p>Em a\u00e7\u00e3o in\u00e9dita a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/557747-rio-doce-a-negligencia-com-a-bacia-hidrografica-e-historica-entrevista-especial-com-fabiano-de-melo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bacia do Rio Doce<\/a>\u00a0entrou com uma a\u00e7\u00e3o contra \u00e0\u00a0<strong>Uni\u00e3o<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Estado de Minas Gerais<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Veja a peti\u00e7\u00e3o na \u00edntegra<\/strong><\/p>\n<p>EXCELENT\u00cdSSIMO JUIZ FEDERAL DA SE\u00c7\u00c3O JUDICI\u00c1RIA DE MINAS GERAIS \u2013 BELO HORIZONTE\/MG<\/p>\n<p><em><strong>A \u00daLTIMA GOTA<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Nasci no fundo do tempo\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Tudo que palpita vida&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Nasceu de mim&#8230;\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Compade\u00e7o da alegria excessiva\u00a0<\/em><br \/>\n<em>At\u00e9 a tristeza profunda\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Sou t\u00eanue como A gota do orvalho\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Tamb\u00e9m sou muito forte\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Como o jorro da cachoeira\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Participo em tudo que se movimenta\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Do sangue at\u00e9 as nuvens\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Por isso fa\u00e7o nas veias da terra\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Minha principal manifesta\u00e7\u00e3o, os rios.\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Onde buscam em mim\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Energia, comida, bebida, lazer&#8230;\u00a0<\/em><br \/>\n<em>E devolvem&#8230;\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Parte minha deteriorada e maltratada&#8230;\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Estou pensando&#8230;\u00a0<\/em><br \/>\n<em>De onde sair\u00e1 minha \u00faltima gota&#8230;\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Espero que n\u00e3o seja dos seus olhos,\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Lamentando a minha morte!<\/em><\/p>\n<p><strong>MILTON GUAPO<\/strong><br \/>\nM\u00fasico e Escritor<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>BACIA HIDROGR\u00c1FICA DO RIO DOCE<\/strong>, neste ato representada pela\u00a0<strong>ASSOCIA\u00c7\u00c3O PACHAMAMA<\/strong>, pessoa jur\u00eddica de direito privado, sem fins lucrativos, CNPJ 08.080.387\/0001-45, sediada na Ponte dos Silveiras, Col\u00f4nia Cascata, 5\u00ba Distrito de Pelotas\/RS, por meio do advogado\u00a0<strong>Lafayette Garcia Novaes Sobrinho<\/strong>, aju\u00edza a\u00e7\u00e3o em face da<strong>\u00a0UNI\u00c3O FEDERAL<\/strong>, pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico, e do\u00a0<strong>ESTADO DE MINAS GERAIS<\/strong>, pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico, para a institui\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>CADASTRO NACIONAL DE MUNIC\u00cdPIOS SUSCET\u00cdVEIS A DESASTRES e<\/strong>para a elabora\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>PLANO DE PROTE\u00c7\u00c3O E DEFESA CIVIL DO ESTADO DE MINAS GERAIS<\/strong>, com a participa\u00e7\u00e3o de representantes de institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e dos povos ribeirinhos (ind\u00edgenas ou n\u00e3o).<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00f3s somos \u00e1gua; e talvez a gente esteja perdendo tanto da nossa integridade como humanos, da nossa mem\u00f3ria ancestral, a ponto de n\u00e3o mais nos reconhecermos como \u00e1gua, olhando para ela como uma coisa fora de n\u00f3s.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573427-um-grito-na-paisagem-entrevista-com-ailton-krenak\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">AILTON KRENAK<\/a><br \/>\nL\u00edder Ind\u00edgena e Artista Visual<\/p>\n<p><strong>1. Quem sou eu?<\/strong><\/p>\n<p>Sou uma bacia hidrogr\u00e1fica federal (86% em MG e 14% no ES), onde est\u00e1 o maior complexo sider\u00fargico da\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>\u00a0e v\u00e1rias mineradoras, e forne\u00e7o \u00e1gua para 3,5 milh\u00f5es de pessoas em 230 munic\u00edpios (PIRH Doce Volume I).<\/p>\n<p>Sou intera\u00e7\u00f5es mutuamente ben\u00e9ficas entre luz solar, ar, \u00e1gua, terra, animais e vegetais (PIRH Doce Volume I \u2013 p\u00e1g. 46), ou seja, sou rela\u00e7\u00f5es de vida, sou um\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>.<\/p>\n<p>Minha exist\u00eancia depende de processos ecol\u00f3gicos essenciais, como o ciclo da \u00e1gua. O Sol aquece as \u00e1guas dos oceanos; a \u00e1gua evaporada forma nuvens; as nuvens formam chuvas; a \u00e1gua das chuvas infiltra-se na terra; a \u00e1gua infiltrada brota como nascentes; as nascentes formam os riachos, que formam os rios; e os rios desaguam nos oceanos, que continuam sendo evaporados pela luz solar. Um ciclo sem fim que gera a vida no planeta. Os oceanos s\u00e3o nuvens, que s\u00e3o chuva, que s\u00e3o rios, que s\u00e3o oceanos. Todas as \u00e1guas s\u00e3o UMA s\u00f3 \u00e1gua em eterno MOVIMENTO e TRANSFORMA\u00c7\u00c3O. Sou RIO e sou MAR.<\/p>\n<p>Sou, tamb\u00e9m, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/544688-o-desafio-de-refazer-a-biodiversidade-da-mata-atlantica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">biodiversidade de animais e vegetais<\/a>\u00a0que vivem nas minhas \u00e1guas e nas minhas margens. Sem as matas ciliares, que fixa o solo com suas ra\u00edzes e faz sombra com suas copas, eu seria polu\u00eddo, quente e assoreado, ou seja, sem animais em minhas \u00e1guas. Sem as algas, que se alimentam de poluentes, minhas \u00e1guas n\u00e3o seriam boas para beber, ou seja, n\u00e3o seriam fonte de sa\u00fade para animais e humanos. Assim como n\u00e3o posso ser separado do mar de onde venho, n\u00e3o posso ser separado da biodiversidade que me mant\u00e9m limpo e gerador de vida.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>\u00a0purificadora das \u00e1guas foi pesquisada pelo cientista\u00a0<strong>Bradley Cardinale<\/strong>\u00a0da<strong>\u00a0Universidade de Michigan<\/strong>. Ap\u00f3s criar miniaturas de 150 rios norte-americanos, ele comprovou que o aumento da diversidade de algas aumenta a velocidade de limpeza dos poluentes da \u00e1gua. Dou vida \u00e0s algas e estas limpam os poluentes de minhas \u00e1guas. Vivemos uma intera\u00e7\u00e3o mutuamente ben\u00e9fica. Sou uma coletividade viva e inteligente.<\/p>\n<p>O efeito da biodiversidade \u00e9 surpreendente. A introdu\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie num\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>\u00a0pode alterar at\u00e9 os rios. Isto aconteceu em 1995, quando os lobos foram reintroduzidos no\u00a0<strong>parque Yellowstone<\/strong>\u00a0nos\u00a0<strong>EUA<\/strong>. Eles mudaram o comportamento dos cervos e isto mudou a vegeta\u00e7\u00e3o do parque. Os cervos deixaram de pastar nos vales e desfiladeiros, onde eram facilmente ca\u00e7ados pelos lobos, e isto regenerou a vegeta\u00e7\u00e3o destes locais, que cresceu e se transformou em \u00e1rvores. O aumento das \u00e1rvores diminuiu a eros\u00e3o e isto mudou o rio, que deixou de se desviar do seu leito e estreitou o seu canal, o que aumentou as piscinas naturais e as cachoeiras. Concluindo: lobos mudam rios.<\/p>\n<p>Sou inspira\u00e7\u00e3o art\u00edstica de muitas pessoas. Entre tantas, cito o poeta\u00a0<strong>Roberto Drummond<\/strong>\u00a0(O cheiro de Deus), o poeta\u00a0<strong>Carlos Drummond de Andrade<\/strong>\u00a0(Lira itabirana), o poeta\u00a0<strong>Frei Santa Rita Dur\u00e3o<\/strong>\u00a0(Caramuru), o cronista\u00a0<strong>Rubem Braga<\/strong>(Barra do Rio Doce e O lavrador), o escritor\u00a0<strong>Ziraldo<\/strong>\u00a0(O menino do Rio Doce) e o cantor\u00a0<strong>Bete Guedes<\/strong>\u00a0(Rio Doce).<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/552140-e-crime-uma-pa-de-lama-no-rio-doce-diz-indio-sobre-desastre-em-mariana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">povo Krenak<\/a>, que vive em minhas margens, diz que sou\u00a0<strong>Uatu<\/strong>, entidade viva, respeitado e querido av\u00f4. N\u00e3o sou recurso natural, uma mercadoria que pode ser comprada e descartada. Sou parente dos Krenak que me respeita. N\u00e3o sou um simples meio de produ\u00e7\u00e3o de riqueza econ\u00f4mica. N\u00e3o existo apenas para servir aos interesses industriais e comerciais. Como entidade viva, tenho o direito \u00e0 exist\u00eancia livre da servid\u00e3o econ\u00f4mica que transforma tudo em objeto, em coisas sem dignidade. Sou digno de RESPEITO.<\/p>\n<p>Afinal, sou\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>\u00a0(rela\u00e7\u00f5es de vida), sou\u00a0<strong>oceano<\/strong>\u00a0(ciclo da \u00e1gua), sou\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>\u00a0(processos ecol\u00f3gicos), sou\u00a0<strong>inspira\u00e7\u00e3o art\u00edstica<\/strong>\u00a0(poesias, cr\u00f4nicas, romances e can\u00e7\u00f5es) e sou\u00a0<strong>ancestralidade<\/strong>\u00a0(origem de povos). Sendo tudo isto, sou sujeito de direitos? O\u00a0<strong>Novo Constitucionalismo Latino-americano<\/strong>, que reconhece os direitos da natureza, diz que sim.<\/p>\n<p>Em 2008, a\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0(art. 71) estabeleceu que tenho direito \u00e0 exist\u00eancia, manuten\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de meus ciclos vitais (processos ecol\u00f3gicos essenciais), portanto, garantiu que sou sujeito de direitos. Direitos que podem ser defendidos por qualquer pessoa, comunidade ou povoado. Todos t\u00eam ampla legitimidade para defender os direitos da natureza, o que me garante mais prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Em 2009, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/34303-o-ideal-da-suma-qamana-os-indigenas-e-a-nova-constituicao-da-bolivia-entrevista-especial-com-xavier-albo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Constitui\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia<\/a>\u00a0(art. 34) tamb\u00e9m me garantiu a mais ampla prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, quando admitiu que qualquer pessoa individual ou coletiva pode defender os meus direitos perante o Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa ampla prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica tamb\u00e9m foi garantida pela\u00a0<strong>Corte Constitucional da Col\u00f4mbia<\/strong>, que, em 2016, considerou o\u00a0<strong>Rio Atrato<\/strong>\u00a0um<strong>\u00a0sujeito de direito biocultural<\/strong>. Ela entendeu que a profunda unidade entre o rio e os\u00a0<strong>povos ribeirinhos<\/strong>(ind\u00edgenas ou n\u00e3o) exige que ambos sejam tratados como uma \u00fanica entidade. Afinal de contas, as pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis das culturas ribeirinhas contribuem ativamente para a minha conserva\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a indiscut\u00edvel interdepend\u00eancia entre a diversidade biol\u00f3gica (rio) e a diversidade cultural (comunidades), que me confere o status de sujeito de direito biocultural, ou seja, o status de pessoa jur\u00eddica ecossist\u00eamica.<\/p>\n<p>A perspectiva biocultural da\u00a0<strong>Corte colombiana<\/strong>\u00a0fundamentou-se no Direito Ambiental e Cultural Internacional:\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT sobre Povos Ind\u00edgenas e Tribais<\/strong>(1989),\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre a Diversidade Biol\u00f3gica<\/strong>\u00a0(1992),\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0(2007),\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o da OEA sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0(2016) e\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o da UNESCO sobre a Prote\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial<\/strong>\u00a0(2003). Al\u00e9m dessas normas internacionais, a Corte tamb\u00e9m se fundamentou nas normas constitucionais colombianas sobre direitos humanos, culturais e ambientais, para justificar a prote\u00e7\u00e3o integrada da<strong>\u00a0diversidade biocultural<\/strong>. Fundamentou-se, por fim, nas decis\u00f5es da<strong>Corte Interamericana de Direitos Humanos<\/strong>\u00a0(casos:\u00a0<strong>Comunidad Yakye Axa<\/strong>, 2005;\u00a0<strong>Comunidad Sawhoyamaxa<\/strong>, 2006; e\u00a0<strong>Comunidad X\u00e1kmok K\u00e1sek<\/strong>, 2010), que vincularam o direito \u00e0 \u00e1gua com o direito \u00e0 vida. Decidiu que a\u00a0<strong>contamina\u00e7\u00e3o do Rio Atrato por empresas de minera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0violava os direitos \u00e0 \u00e1gua, seguran\u00e7a alimentar, sobreviv\u00eancia f\u00edsica, cultural e espiritual das comunidades das ribeirinhas.<\/p>\n<p>Com base nessas normas e jurisprud\u00eancias (internacionais e nacionais), a<strong>\u00a0Corte colombiana<\/strong>\u00a0declarou a personalidade jur\u00eddica da bacia hidrogr\u00e1fica (rio e afluentes) do\u00a0<strong>Rio Atrato<\/strong>\u00a0e determinou a sua prote\u00e7\u00e3o por uma<strong>\u00a0Comiss\u00e3o de Guardi\u00e3es<\/strong>, com representantes das comunidades e do Estado, assessorada por um painel de especialistas. O Poder P\u00fablico colombiano foi condenado a elaborar e executar, com a participa\u00e7\u00e3o das comunidades ribeirinhas, planos de:<\/p>\n<p>(a) descontamina\u00e7\u00e3o da bacia hidrogr\u00e1fica e de recupera\u00e7\u00e3o dos seus ecossistemas;<\/p>\n<p>(b) neutraliza\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o ilegal; e<\/p>\n<p>(c) recupera\u00e7\u00e3o das formas tradicionais de subsist\u00eancia e alimenta\u00e7\u00e3o. Determinou-se, ainda, que se realizassem estudos toxicol\u00f3gico e epidemiol\u00f3gico da bacia hidrogr\u00e1fica, bem como relat\u00f3rios semestrais com indicadores do cumprimento da decis\u00e3o:<\/p>\n<p><strong><em>V. DECISI\u00d3N<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>En m\u00e9rito de lo expuesto, la Sala Sexta de Revisi\u00f3n de la Corte Constitucional, administrando justicia en nombre del pueblo y por mandato de la Constituci\u00f3n,<\/em><\/p>\n<p><em>RESUELVE:<\/em><\/p>\n<p><em><strong>PRIMERO.- LEVANTAR<\/strong>\u00a0la suspensi\u00f3n de t\u00e9rminos decretada para decidir el presente asunto.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>SEGUNDO.- REVOCAR<\/strong>\u00a0el fallo proferido el veintiuno (21) de abril de 2015 por el Consejo de Estado -Secci\u00f3n Segunda, Subsecci\u00f3n A-, que neg\u00f3 el amparo en la acci\u00f3n de tutela instaurada por el Centro de Estudios para la Justicia Social \u201cTierra Digna\u201d en representaci\u00f3n de varias comunidades \u00e9tnicas contra el Ministerio de Ambiente y otros, que a su vez confirm\u00f3 la decisi\u00f3n del once (11) de febrero de 2015 del Tribunal Administrativo de Cundinamarca -Secci\u00f3n Cuarta, Subsecci\u00f3n B-. En su lugar, CONCEDER a los actores el amparo de sus derechos fundamentales a la vida, a la salud, al agua, a la seguridad alimentaria, al medio ambiente sano, a la cultura y al territorio.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>TERCERO.- DECLARAR<\/strong>\u00a0la existencia de una grave vulneraci\u00f3n de los derechos fundamentales a la vida, a la salud, al agua, a la seguridad alimentaria, al medio ambiente sano, a la cultura y al territorio de las comunidades \u00e9tnicas que habitan la cuenca del r\u00edo Atrato y sus afluentes, imputable a las entidades del Estado colombiano accionadas (Presidencia de la Rep\u00fablica, Ministerio de Interior, Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible, Ministerio de Minas y Energ\u00eda, Ministerio de Defensa Nacional, Ministerio de Salud y Protecci\u00f3n Social, Ministerio de Agricultura, Departamento para la Prosperidad Social, Departamento Nacional de Planeaci\u00f3n, Agencia Nacional de Miner\u00eda, Agencia Nacional de Licencias Ambientales, Instituto Nacional de Salud, Departamentos de Choc\u00f3 y Antioquia, Corporaci\u00f3n Aut\u00f3noma Regional para el Desarrollo Sostenible del Choc\u00f3 -Codechoc\u00f3-, Corporaci\u00f3n para el Desarrollo Sostenible del Urab\u00e1 &#8211; Corpourab\u00e1-, Polic\u00eda Nacional \u2013 Unidad contra la Miner\u00eda Ilegal, y los municipios de Acand\u00ed, Bojay\u00e1, Llor\u00f3, Medio Atrato, Riosucio, Quibd\u00f3, R\u00edo Quito, Ungu\u00eda, Carmen del Dari\u00e9n, Bagad\u00f3, Carmen de Atrato y Yuto -Choc\u00f3-, y Murind\u00f3, Vig\u00eda del Fuerte y Turbo -Antioquia-), por su conducta omisiva al no proveer una respuesta institucional id\u00f3nea, articulada, coordinada y efectiva para enfrentar los m\u00faltiples problemas hist\u00f3ricos, socioculturales, ambientales y humanitarios que aquejan a la regi\u00f3n y que en los \u00faltimos a\u00f1os se han visto agravados por la realizaci\u00f3n de actividades intensivas de miner\u00eda ilegal.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>CUARTO.- RECONOCER<\/strong>\u00a0al r\u00edo Atrato, su cuenca y afluentes como una entidad sujeto de derechos a la protecci\u00f3n, conservaci\u00f3n, mantenimiento y restauraci\u00f3n a cargo del Estado y las comunidades \u00e9tnicas, conforme a lo se\u00f1alado en la parte motiva de este prove\u00eddo en los fundamentos 9.27 a 9.32.<\/em><\/p>\n<p><em>En consecuencia, la Corte ordenar\u00e1 al Gobierno nacional que ejerza la tutor\u00eda y representaci\u00f3n legal de los derechos del r\u00edo (a trav\u00e9s de la instituci\u00f3n que el Presidente de la Rep\u00fablica designe, que bien podr\u00eda ser el Ministerio de Ambiente) en conjunto con las comunidades \u00e9tnicas que habitan en la cuenca del r\u00edo Atrato en Choc\u00f3; de esta forma, el r\u00edo Atrato y su cuenca -en adelanteestar\u00e1n representados por un miembro de las comunidades accionantes y un delegado del Gobierno colombiano, quienes ser\u00e1n los guardianes del r\u00edo. Con este prop\u00f3sito, el Gobierno, en cabeza del Presidente de la Rep\u00fablica, deber\u00e1 realizar la designaci\u00f3n de su representante dentro del mes siguiente a la notificaci\u00f3n de esta sentencia. En ese mismo per\u00edodo de tiempo las comunidades accionantes deber\u00e1n escoger a su representante.<\/em><\/p>\n<p><em>Adicionalmente y con el prop\u00f3sito de asegurar la protecci\u00f3n, recuperaci\u00f3n y debida conservaci\u00f3n del r\u00edo, los representantes legales del mismo deber\u00e1n dise\u00f1ar y conformar, dentro de los tres (3) meses siguientes a la notificaci\u00f3n de esta providencia una comisi\u00f3n de guardianes del r\u00edo Atrato, integrada por los dos guardianes designados y un equipo asesor al que deber\u00e1 invitarse al Instituto Humboldt y WWF Colombia, quienes han desarrollado el proyecto de protecci\u00f3n del r\u00edo Bita en Vichada[343] y por tanto, cuentan con la experiencia necesaria para orientar las acciones a tomar. Dicho equipo asesor podr\u00e1 estar conformado y recibir acompa\u00f1amiento de todas las entidades p\u00fablicas y privadas, universidades (regionales y nacionales), centros acad\u00e9micos y de investigaci\u00f3n en recursos naturales y organizaciones ambientales (nacionales e internacionales), comunitarias y de la sociedad civil que deseen vincularse al proyecto de protecci\u00f3n del r\u00edo Atrato y su cuenca.<\/em><\/p>\n<p><em>Sin perjuicio de lo anterior, el panel de expertos que se encargar\u00e1 de verificar el cumplimiento de las \u00f3rdenes de la presente providencia (orden d\u00e9cima) tambi\u00e9n podr\u00e1 supervisar, acompa\u00f1ar y asesorar las labores de los guardianes del r\u00edo Atrato.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>QUINTO.- ORDENAR<\/strong>\u00a0al Ministerio de Ambiente, al Ministerio de Hacienda, al Ministerio de Defensa, a Codechoc\u00f3 y Corpourab\u00e1, a las Gobernaciones de Choc\u00f3 y Antioquia, y a los municipios demandados[344] -con el apoyo del Instituto Humboldt, las Universidades de Antioquia y Cartagena, el Instituto de Investigaciones Ambientales del Pac\u00edfico, WWF Colombia y las dem\u00e1s organizaciones nacionales e internacionales que determine la Procuradur\u00eda General de la Naci\u00f3ny en conjunto con las comunidades \u00e9tnicas accionantes, que dentro del a\u00f1o siguiente a la notificaci\u00f3n de la sentencia, se dise\u00f1e y ponga en marcha un plan para descontaminar la cuenca del r\u00edo Atrato y sus afluentes, los territorios ribere\u00f1os, recuperar sus ecosistemas y evitar da\u00f1os adicionales al ambiente en la regi\u00f3n. Este plan incluir\u00e1 medidas como: (i) el restablecimiento del cauce del r\u00edo Atrato, (ii) la eliminaci\u00f3n de los bancos de \u00e1rea formados por las actividades mineras y (iii) la reforestaci\u00f3n de zonas afectadas por miner\u00eda legal e ilegal.<\/em><\/p>\n<p><em>Adicionalmente, este plan incluir\u00e1 una serie de indicadores claros que permitan medir su eficacia y deber\u00e1 dise\u00f1arse y ejecutarse de manera concertada con los pobladores de la zona, as\u00ed como garantizar la participaci\u00f3n de las comunidades \u00e9tnicas que all\u00ed se asientan en el marco del Convenio 169 de la OIT.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>SEXTO.- ORDENAR<\/strong>\u00a0al Ministerio de Defensa, a la Polic\u00eda Nacional &#8211; Unidad contra la Miner\u00eda Ilegal, al Ej\u00e9rcito Nacional de Colombia, a la Fiscal\u00eda General de la Naci\u00f3n, a las gobernaciones de Choc\u00f3 y Antioquia y a los municipios demandados[345], en conjunto con las comunidades \u00e9tnicas accionantes y con el acompa\u00f1amiento del Ministerio de Relaciones Exteriores, que dise\u00f1en e implementen dentro de los seis (6) meses siguientes a la notificaci\u00f3n de esta providencia, un plan de acci\u00f3n conjunto para neutralizar y erradicar definitivamente las actividades de miner\u00eda ilegal que se realicen no solo en el r\u00edo Atrato y sus afluentes, sino tambi\u00e9n en el departamento de Choc\u00f3. En este sentido, la Corte reitera que es obligaci\u00f3n del Estado colombiano judicializar y erradicar definitivamente toda actividad minera ilegal que se realice en el pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Las acciones antes referidas deber\u00e1n incluir la incautaci\u00f3n y neutralizaci\u00f3n de las dragas -y en general de la maquinaria utilizada en estas labores-, la restricci\u00f3n y prohibici\u00f3n del tr\u00e1nsito de insumos como combustible y sustancias qu\u00edmicas asociadas (mercurio, cianuro) y la judicializaci\u00f3n de las personas y organizaciones responsables. Asimismo, este proceso estar\u00e1 acompa\u00f1ado por el Ministerio de Relaciones Exteriores en lo que tenga que ver con la situaci\u00f3n de extranjeros que realicen actividades de miner\u00eda ilegal.<\/em><\/p>\n<p><em>Por \u00faltimo, estas medidas deber\u00e1n incluir indicadores claros y precisos que permitan realizar una evaluaci\u00f3n y seguimiento eficaz a las medidas adoptadas.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>S\u00c9PTIMO.- ORDENAR<\/strong>\u00a0al Ministerio de Agricultura, al Ministerio de Interior, al Ministerio de Hacienda, al Departamento de Planeaci\u00f3n Nacional, al Departamento para la Prosperidad Social, a las Gobernaciones de Choc\u00f3 y Antioquia y a los municipios accionados[346] que de manera concertada con las comunidades \u00e9tnicas accionantes, dise\u00f1en e implementen dentro de los seis (6) meses siguientes a la notificaci\u00f3n de esta providencia un plan de acci\u00f3n integral[347] que permita recuperar las formas tradicionales de subsistencia y alimentaci\u00f3n en el marco del concepto de etnodesarrollo que aseguren m\u00ednimos de seguridad alimentaria en la zona, que han dejado de realizarse por la contaminaci\u00f3n de las aguas del r\u00edo Atrato y por el desarrollo intensivo de la actividad minera ilegal.<\/em><\/p>\n<p><em>Este plan tambi\u00e9n deber\u00e1 estar dirigido a restablecer los derechos de las comunidades \u00e9tnicas que habitan la cuenca del r\u00edo Atrato, especialmente en lo que tiene que ver con la recuperaci\u00f3n de su cultura, participaci\u00f3n, territorio, identidad, modo de vida y actividades productivas, incluida la pesca, la caza, la agricultura, la recolecci\u00f3n de frutos y la miner\u00eda artesanal. En este sentido, las medidas que se tomen deber\u00e1n ir enfocadas a garantizar: (i) la soberan\u00eda alimentaria de las comunidades y (ii) prevenir su desplazamiento involuntario de la zona por actividades mineras ilegales y da\u00f1os ambientales.<\/em><\/p>\n<p><em>Estas medidas deber\u00e1n incluir indicadores claros y precisos que permitan realizar una evaluaci\u00f3n y seguimiento eficaz a las medidas adoptadas.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>OCTAVO.- ORDENAR<\/strong>\u00a0al Ministerio de Ambiente, al Ministerio de Salud y al Instituto Nacional de Salud, a Codechoc\u00f3 y a Corpourab\u00e1 -con el apoyo y la supervisi\u00f3n del Instituto Humboldt, las Universidades de Antioquia y Cartagena, el Instituto de Investigaciones Ambientales del Pac\u00edfico y WWF Colombia- que realicen estudios toxicol\u00f3gicos y epidemiol\u00f3gicos del r\u00edo Atrato, sus afluentes y comunidades, los cuales no puede tardar m\u00e1s de tres (3) meses en dar inicio ni exceder de nueve (9) meses para su culminaci\u00f3n, a partir de la notificaci\u00f3n de la presente providencia, en los que se determine el grado de contaminaci\u00f3n por mercurio y otras sustancias t\u00f3xicas, y la afectaci\u00f3n en la salud humana de las poblaciones, consecuencia de las actividades de miner\u00eda que usan estas sustancias.<\/em><\/p>\n<p><em>Adicionalmente, estas entidades deber\u00e1n estructurar una l\u00ednea base de indicadores ambientales con el fin de contar con un instrumento de medida que permita afirmar la mejora o desmejora de las condiciones de la cuenca del r\u00edo Atrato en el futuro.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>NOVENO.- ORDENAR<\/strong>\u00a0a la Procuradur\u00eda General de la Naci\u00f3n, a la Defensor\u00eda del Pueblo y a la Contralor\u00eda General de la Rep\u00fablica que conforme a sus competencias legales y constitucionales realicen un proceso de acompa\u00f1amiento y seguimiento al cumplimiento y ejecuci\u00f3n de todas las \u00f3rdenes pronunciadas en los numerales anteriores, en el corto, mediano y largo plazo, a partir de la notificaci\u00f3n de la presente sentencia. Dicho proceso ser\u00e1 liderado y coordinado por la Procuradur\u00eda General de la Naci\u00f3n quien rendir\u00e1 informes y estar\u00e1 bajo la supervisi\u00f3n general del Tribunal Administrativo de Cundinamarca (juez de primera instancia en el tr\u00e1mite de tutela) y la Corte Constitucional, quien en todo caso, se reserva la competencia para verificar el cumplimiento de las \u00f3rdenes proferidas en esta providencia.<\/em><\/p>\n<p><em>Para este efecto, la Procuradur\u00eda General de la Naci\u00f3n tendr\u00e1 que convocar dentro de los tres (3) meses siguientes a la notificaci\u00f3n de esta sentencia un panel de expertos[348] que asesore el proceso de seguimiento y ejecuci\u00f3n -de acuerdo con su experiencia en los temas espec\u00edficos-, siempre con la participaci\u00f3n de las comunidades accionantes, con el objeto de establecer cronogramas, metas e indicadores de cumplimiento necesarios para la efectiva implementaci\u00f3n de las \u00f3rdenes aqu\u00ed proferidas, conforme a lo estipulado en el fundamento 10.2 numeral 8.<\/em><\/p>\n<p><em>Adicionalmente, la Procuradur\u00eda General de la Naci\u00f3n, en conjunto con la Defensor\u00eda del Pueblo y la Contralor\u00eda General de la Rep\u00fablica, deber\u00e1 entregar reportes semestrales de su gesti\u00f3n con indicadores de cumplimiento de las \u00f3rdenes proferidas, tanto al Tribunal Administrativo de Cundinamarca como a la Corte Constitucional para lo de su competencia.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>D\u00c9CIMO.- EXHORTAR<\/strong>\u00a0al Gobierno nacional, en cabeza del Presidente de la Rep\u00fablica, para que d\u00e9 efectivo cumplimiento a las recomendaciones contenidas en la resoluci\u00f3n 64 de 2014 y proceda a conformar en un per\u00edodo no superior a un (1) mes a partir de la notificaci\u00f3n de esta providencia, la \u201cComisi\u00f3n Interinstitucional para el Choc\u00f3\u201d que es la instancia dise\u00f1ada por la resoluci\u00f3n en comento, cuyo prop\u00f3sito es lograr una verificaci\u00f3n y seguimiento a la ejecuci\u00f3n de las recomendaciones all\u00ed contenidas para atender y dar soluci\u00f3n a la grave crisis humanitaria, social y ambiental que enfrenta el departamento de Choc\u00f3.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>D\u00c9CIMO PRIMERO.-<\/strong>\u00a0El Gobierno nacional, a trav\u00e9s del Presidente de la Rep\u00fablica, el Ministerio de Hacienda y el Departamento Nacional de Planeaci\u00f3n deber\u00e1 ADOPTAR las medidas adecuadas y necesarias para asegurar los recursos suficientes y oportunos, que permitan la sostenibilidad y progresividad de todas las medidas a implementar para dar cumplimiento a lo ordenado en esta sentencia. Para tal efecto, deber\u00e1n preverse anualmente las partidas presupuestales del caso, con arreglo a la alta complejidad y el car\u00e1cter estructural de las medidas ordenadas.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>D\u00c9CIMO SEGUNDO.- OTORGAR<\/strong>\u00a0efectos inter comunis a la presente decisi\u00f3n para aquellas comunidades \u00e9tnicas del Choc\u00f3 que se encuentren en igual situaci\u00f3n f\u00e1ctica y jur\u00eddica que las accionantes.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>D\u00c9CIMO TERCERO.- L\u00cdBRESE<\/strong>\u00a0por Secretar\u00eda General la comunicaci\u00f3n prevista en el art\u00edculo 36 del Decreto 2591 de 1991.<\/em><\/p>\n<p><em>Notif\u00edquese, comun\u00edquese, publ\u00edquese y c\u00famplase.<\/em><\/p>\n<p><strong>JORGE IV\u00c1N PALACIO PALACIO<\/strong><br \/>\nMagistrado<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o \u00e9 revolucion\u00e1ria, pois,\u00a0<strong>reconheceu um rio e as suas comunidades ribeirinhas como uma \u00fanica entidade<\/strong>. Ela rompeu com a falsa separa\u00e7\u00e3o entre natureza e cultura e reconheceu a exist\u00eancia de um\u00a0<strong>sujeito de direito biocultural<\/strong>. Reconheceu a uni\u00e3o entre a diversidade biol\u00f3gica e a diversidade cultural, ou seja, que s\u00f3 existe conserva\u00e7\u00e3o ambiental se existirem usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, ou seja, se existirem pr\u00e1ticas culturais em harmonia com a natureza. Em suma, reconheceu uma realidade h\u00e1 muitas d\u00e9cadas negada:\u00a0<strong>o ambiental \u00e9 cultural<\/strong>\u00a0(bioculturalidade).<\/p>\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o do direito constitucional ambiental colombiano pode ser aplicada ao direito constitucional ambiental brasileiro? Em outros termos, posso, na qualidade de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/549577-morte-do-rio-doce-um-crime-com-muitos-autores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bacia hidrogr\u00e1fica<\/a>, ser declarada sujeito de direito biocultural?<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0ratificou as mesmas normas internacionais ratificadas pela Col\u00f4mbia:\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT sobre Povos Ind\u00edgenas e Tribais<\/strong>\u00a0(1989),\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre a Diversidade Biol\u00f3gica<\/strong>\u00a0(1992),\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0(2007),\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o da OEA sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0(2016) e\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o da UNESCO sobre a Prote\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial<\/strong>\u00a0(2003). Assim, as comunidades ribeirinhas brasileiras t\u00eam os mesmos direitos culturais que foram garantidos \u00e0s comunidades do\u00a0<strong>rio Atrato<\/strong>.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT<\/strong>\u00a0(art. 13) obriga o Estado a respeitar a import\u00e2ncia espiritual que a terra tem para os povos ind\u00edgenas e tribais. Assim, a\u00a0<strong>cosmovis\u00e3o\u00a0<\/strong>do<strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/549068-indios-fecham-ferrovia-da-vale-em-mg-em-protesto-contra-morte-de-rio-sagrado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Povo Krenak<\/a><\/strong>, que me reconhece como um ancestral (av\u00f4), deve ser respeitada pelo Estado brasileiro. Tenho o direito de n\u00e3o ser tratado como um objeto, pois, isto viola a dignidade do Povo Krenak, j\u00e1 que esta comunidade e eu somos uma \u00fanica entidade biocultural. N\u00e3o me reconhecer como um sujeito de direito equivale a negar a cultura Krenak, o que \u00e9 proibido pela Conven\u00e7\u00e3o 169.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre a Diversidade Biol\u00f3gica<\/strong>\u00a0(art. 8\u00ba, j) obriga o Estado a respeitar, preservar e manter o conhecimento, inova\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis das comunidades tradicionais (ind\u00edgenas ou n\u00e3o). O Estado tamb\u00e9m \u00e9 obrigado a incentivar a mais ampla aplica\u00e7\u00e3o destas culturas sustent\u00e1veis, com a aprova\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o das comunidades, e encorajar a reparti\u00e7\u00e3o equitativa dos benef\u00edcios oriundos da utiliza\u00e7\u00e3o desse conhecimento, inova\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas. Assim, as comunidades ribeirinhas, que convivem em harmonia comigo, tem o direito de manter o seu conhecimento e pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, pois, somos uma \u00fanica entidade biocultural. Se minha biodiversidade desaparecer, o conhecimento dessas comunidades se perde. Se o conhecimento delas se perder, minha biodiversidade corre o risco de desaparecer.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0(art. 25) e a\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o da OEA sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas\u00a0<\/strong>(art. 25) obrigam o Estado a n\u00e3o enfraquecer a rela\u00e7\u00e3o espiritual dos ind\u00edgenas com as \u00e1guas. Deste modo, tenho o direito de ser tratado como entidade, av\u00f4, esp\u00edrito, ou seja, de ser sujeito, n\u00e3o objeto. Tenho o direito de viver uma rela\u00e7\u00e3o espiritual com os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A C<strong>onven\u00e7\u00e3o da UNESCO sobre a Prote\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial<\/strong>(art. 14, c e 15) obriga o Estado a proteger os espa\u00e7os naturais e lugares de mem\u00f3ria, cuja exist\u00eancia \u00e9 indispens\u00e1vel para express\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural imaterial de um povo, com a participa\u00e7\u00e3o mais ampla poss\u00edvel das comunidades que criam, mant\u00eam e transmitem este patrim\u00f4nio. Assim, como espa\u00e7o natural de express\u00e3o da cultura das comunidades ribeirinhas, tenho o direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o com a ampla participa\u00e7\u00e3o destas comunidades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sujeito \u00e0s mesmas normas internacionais mencionadas pela\u00a0<strong>Corte Constitucional da Col\u00f4mbia<\/strong>, o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m se rege pelos mesmos direitos constitucionais invocados para proteger o<strong>\u00a0rio Atrato<\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong>\u00a0instituiu um\u00a0<strong>Estado Democr\u00e1tico de Direito<\/strong>\u00a0para assegurar o bem-estar como valor supremo de uma sociedade pluralista (Pre\u00e2mbulo), que buscar\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o cultural dos povos da Am\u00e9rica Latina (art. 4\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico). O Estado brasileiro deve proteger: a vida (art. 5\u00ba, caput); os modos ancestrais de criar, fazer e viver (art. 215, \u00a7 1\u00ba e 216, II); os espa\u00e7os de manifesta\u00e7\u00f5es culturais ancestrais (art. 216, IV), os processos ecol\u00f3gicos essenciais (art. 225, \u00a7 1\u00ba, I); a biodiversidade (art. 225, \u00a7 1\u00ba, II); e os recursos ambientais necess\u00e1rios \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural dos povos ancestrais, segundo os seus usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es (art. 231, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>direito ao pluralismo cultural<\/strong>\u00a0exige que o Estado respeite a diversidade cultural, portanto, os\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573331-apos-dois-anos-impacto-ambiental-do-desastre-em-mariana-ainda-nao-e-totalmente-conhecido\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">povos ribeirinhos<\/a>\u00a0t\u00eam o direito de serem diferentes, ou seja, o direito de manter uma rela\u00e7\u00e3o espiritual comigo.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 integra\u00e7\u00e3o cultural com outros povos latino-americanos exige que o\u00a0<strong>Estado<\/strong>garanta uma<strong>\u00a0prote\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong>\u00a0t\u00e3o ampla quanto a de outros Estados da\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>. Nunca menos que as na\u00e7\u00f5es irm\u00e3s, para efetivamente colaborar para a cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade latino-americana de na\u00e7\u00f5es. Assim, a ampla legitimidade de defesa dos direitos da natureza assegurada pela<strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/561954-equador-ainda-esta-distante-de-cumprir-sua-constituicao-diz-representante-da-onu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Constitui\u00e7\u00e3o do Equador<\/a><\/strong>\u00a0e pela\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia<\/strong>\u00a0deve ser estendida \u00e0s pessoas naturais e jur\u00eddicas do Brasil, para garantir o mesmo n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o ambiental daqueles Estados. Sempre com vistas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o cultural latinoamericana. Neste sentido, entendo que devo ser reconhecido como sujeito de direito, para receber, do Brasil, a mesma prote\u00e7\u00e3o que os meus irm\u00e3os rios est\u00e3o recebendo do\u00a0<strong>Equador<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>Bol\u00edvia<\/strong>. At\u00e9 porque somos o ciclo da \u00e1gua, ou seja, somos a mesma \u00e1gua do oceano, que se evaporou e se infiltrou nas entranhas da mesma Am\u00e9rica Latina, para depois brotar das nascentes cristalinas ou descer das cordilheiras nevadas dos Andes.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>direito \u00e0 vida<\/strong>\u00a0deve ser interpretado amplamente para ser entendido tamb\u00e9m como o direito \u00e0 exist\u00eancia da natureza ou ecossistema, que gera e sustenta a vida de todos os seres vivos. Direito \u00e0 minha exist\u00eancia ecossist\u00eamica, ou seja, \u00e0 exist\u00eancia em comunh\u00e3o com os povos ribeirinhos como sujeito biocultural de direito.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>direito \u00e0 cultura<\/strong>, aos espa\u00e7os culturais e aos recursos ambientais culturais exige que o Estado respeite os locais de express\u00e3o dos modos de criar, fazer e viver ancestrais. Assim, tenho o direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o contra usos ou desastres que impossibilitem a continuidade da express\u00e3o cultural ribeirinha (ind\u00edgena ou n\u00e3o).<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>direito aos processos ecol\u00f3gicos essenciais<\/strong>\u00a0<strong>e \u00e0 biodiversidade<\/strong>\u00a0exigem que o Estado preserve o ciclo da \u00e1gua e as intera\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas que garantem a continuidade do meu fluir limpo e sadio para o mar. Isso para que eu leve vida a todos os seres animais e vegetais que margeiam ou vivem em meu leito.<\/p>\n<p>Todos esses\u00a0<strong>direitos constitucionais<\/strong>\u00a0do Brasil, que tamb\u00e9m fundamentaram a decis\u00e3o da\u00a0<strong>Col\u00f4mbia<\/strong>, amparam o meu reconhecimento como\u00a0<strong>sujeito de direito biocultural<\/strong>. Apesar disto e de todas as conven\u00e7\u00f5es internacionais invocadas, o fato de n\u00e3o ser uma pessoa humana me impede de ser sujeito de direito? De modo algum!<\/p>\n<p>O direito brasileiro reconhece como sujeito de direito coletividades de bens e direitos, sem personalidade jur\u00eddica. Exemplos: o esp\u00f3lio, a massa falida, a heran\u00e7a jacente ou vacante e outros entes sem personalidade jur\u00eddica. Todos podem defender os seus direitos perante o Judici\u00e1rio (CPC, art. 75, V, VI, VII e IX).<\/p>\n<p>Se coletividades de bens podem ser sujeitos de direito, um ecossistema gerador e mantenedor de vida, com muito mais raz\u00e3o, tamb\u00e9m pode ser sujeito de direito e se defender perante o Judici\u00e1rio, por meio da atua\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa (natural ou jur\u00eddica). Seria absurdo imaginarmos que bens materiais sem vida org\u00e2nica sejam juridicamente mais relevantes do que um ecossistema, que \u00e9 composto pela intera\u00e7\u00e3o entre seres vivos (humanos, animais e vegetais) e o bem material mais valioso para a vida no planeta: a \u00e1gua.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse isso, no dia 6 de junho deste ano, foi promulgada a Emenda n\u00ba 96, que incluiu o \u00a7 7\u00ba no art. 225 da Constitui\u00e7\u00e3o e reconheceu os\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532717-o-sofrimento-animal-hoje-e-um-sofrimento-impune-entrevista-com-reha-hutin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">animais como sujeitos de direito ao bem-estar<\/a>.\u00a0Vejam bem! N\u00e3o se estabeleceu a proibi\u00e7\u00e3o de maus tratos, mas a garantia de bem-estar dos animais, que participam de pr\u00e1ticas desportivas registradas como patrim\u00f4nio cultural brasileiro. Isto tornou os animais sujeitos de direito. Esta mesma condi\u00e7\u00e3o que deve ser estendida a mim, que sou um ecossistema fundamental para a vida no planeta, composto de humanos (sujeitos de direito), animais (sujeitos de direito) e vegetais.<\/p>\n<p>Antes dessa constitucionaliza\u00e7\u00e3o, os animais j\u00e1 eram considerados sujeitos de direito pela\u00a0<strong>Lei de Biosseguran\u00e7a<\/strong>\u00a0(Lei 11.105\/2005, art. 1\u00ba), que assegura a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade dos animais e vegetais. Com isto, garantiu-se a seres vivos n\u00e3o humanos (animais e vegetais) a mesma prote\u00e7\u00e3o garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o aos seres vivos humanos.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0invoca\u00e7\u00e3o de direitos dos animais<\/strong>\u00a0para prote\u00e7\u00e3o de n\u00e3o animais nos lembra um importante fato da hist\u00f3ria jur\u00eddico-pol\u00edtica do Brasil, ocorrido com o advogado mineiro\u00a0<strong>Her\u00e1clito Fontoura Sobral Pinto<\/strong>. Tido como o mais ferrenho Defensor dos Direitos Humanos da hist\u00f3ria da advocacia brasileira, Sobral Pinto, nascido em Barbacena (1893) na data de hoje (05\/11), invocou a lei de prote\u00e7\u00e3o aos animais para pedir, ao<strong>\u00a0Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional<\/strong>, o fim da tortura do seu cliente, o alem\u00e3o\u00a0<strong>Harry Berger<\/strong>, pela pol\u00edcia da\u00a0<strong>Ditadura Vargas<\/strong>:<\/p>\n<p><em>Metido no socav\u00e3o do lance inferior de uma das escadas da Pol\u00edcia Especial, a\u00ed passa Harry Berger os dias e as noites, sem ar convenientemente renovado, sem luz direta do sol, e sem o menor espa\u00e7o para se locomover. Nem cama, nem cadeira, nem banco. Apenas um colch\u00e3o sobre o lagedo. De alfaias nenhuma not\u00edcia. Absolutamente segregado de todo e qualquer conv\u00edvio humano, a ouvir, de momento a momento, as passadas dos soldados em tr\u00e2nsito pela escada, \u2013 sobre a sua cabe\u00e7a \u2013 n\u00e3o pode usufruir nem os benef\u00edcios do repouso, nem os do sil\u00eancio. Nenhuma visita, nem de amigos, nem de parentes. Proibi\u00e7\u00e3o de toda e qualquer leitura, quer de jornais, quer de livros.<\/em><\/p>\n<p><em>Aus\u00eancia total de correspond\u00eancia: se a ningu\u00e9m escreve, ningu\u00e9m, tamb\u00e9m, lhe escreve. E como poderia ele, ainda, escrever, se lhe sonegam tudo: papel, l\u00e1pis e caneta. Assim, entram os dias e as noites, vencem-se semanas, sobrep\u00f5em-se os meses uns aos outros, e Harry Berger, num isolamento alucinante, se v\u00ea invariavelmente entregue ao seu s\u00f3 pensamento, na imobilidade tr\u00e1gica de sua agonia sem fim, e do seu abandono at\u00e9 hoje sem rem\u00e9dio, apesar dos clamores estridentes do seu defensor impotente. Tal \u00e9, Sr. Juiz, a pris\u00e3o que destinaram para Harry Berger.<\/em><\/p>\n<p><em>Tal \u00e9, eminente Magistrado, o tratamento que lhe vem sendo dispensado.<\/em><\/p>\n<p><em>Semelhante desumanidade precisa de cessar, e de cessar imediatamente, sob pena de deslustre para o prest\u00edgio deste Tribunal de Seguran\u00e7a, que, para bem cumprir a sua \u00e1rdua tarefa necessita de pautar a sua a\u00e7\u00e3o pelas normas inflex\u00edveis da serenidade e da justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Tanto mais obrigatoriamente inadi\u00e1vel se torna a interven\u00e7\u00e3o urgent\u00edssima de V. Exa., Sr. Juiz, quanto somos um povo que n\u00e3o tolera a crueldade, nem mesmo para com os irracionais, como o demonstra o decreto n\u00ba 24.645, de 10 de julho de 1934, cujo artigo 1\u00ba disp\u00f5e: \u201cTodos os animais existentes no pa\u00eds s\u00e3o tutelados do Estado\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Baseado nesta legisla\u00e7\u00e3o um dos ju\u00edzes de Curitiba, Estado do Paran\u00e1, Dr. Ant\u00f4nio Leopoldo dos Santos, condenou Jo\u00e3o Mansur Karan \u00e0 pena de 17 dias de pris\u00e3o celular, e \u00e0 multa de 520$000, por ter morto a pancadas um cavalo de sua propriedade (doc. junto).<\/em><\/p>\n<p><em>Ora, num pa\u00eds que se rege por uma tal legisla\u00e7\u00e3o, que os Magistrados timbram em aplicar, para, deste modo, resguardarem os pr\u00f3prios animais irracionais dos maus tratos at\u00e9 de seus donos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que Harry Berger permane\u00e7a, como at\u00e9 agora, meses e meses a fio, com a anu\u00eancia do Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional, dentro de um socav\u00e3o de escada, privado de ar, de luz e de espa\u00e7o, envolto, al\u00e9m do mais, em andrajos, que, pela sua imund\u00edcie, os pr\u00f3prios mendigos recusariam a vestir.<\/em><\/p>\n<p>Ora, se o\u00a0<strong>direito dos animais<\/strong>\u00a0p\u00f4de justificar o pedido de reconhecimento de um<strong>preso pol\u00edtico<\/strong>\u00a0como\u00a0<strong>sujeito de direitos humanos<\/strong>, em tempos sombrios de\u00a0<strong>ditadura militar<\/strong>, tamb\u00e9m pode justificar o meu reconhecimento como\u00a0<strong>sujeito de direito biocultural<\/strong>. Afinal de contas, sou muito mais do que um animal. Sou um ecossistema de \u00e1gua, terra, ar, animais, vegetais e humanos. Tamanha coletividade de seres, que leva vida por onde passa, deve merecer o reconhecimento que foi dado a um cavalo morto em Curitiba em janeiro de 1937:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Invoco, ainda, a\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/laudato-si\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Enc\u00edclica Papal Laudato Si&#8217;, sobre o Cuidado da Casa Comum<\/a>, que alerta: os\u00a0<strong>maus tratos dos animais<\/strong>\u00a0(como o cavalo de Curitiba) atingem as pessoas, pois, tudo est\u00e1 relacionado. Eu, o irm\u00e3o rio, caminho junto com os seres humanos, assim como o irm\u00e3o sol, a irm\u00e3 lua e a m\u00e3e terra. Paz, justi\u00e7a e conserva\u00e7\u00e3o da natureza s\u00e3o insepar\u00e1veis, pois, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 UM S\u00d3. Quem n\u00e3o cuida da natureza n\u00e3o cuida de outros seres humanos. Quem n\u00e3o vive em paz com o rio n\u00e3o vive em paz com ningu\u00e9m:<\/p>\n<p><em>92. Al\u00e9m disso, quando o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 verdadeiramente aberto a uma comunh\u00e3o universal, nada e ningu\u00e9m fica exclu\u00eddo desta fraternidade. Portanto, \u00e9 verdade tamb\u00e9m que a indiferen\u00e7a ou a crueldade com as outras criaturas deste mundo sempre acabam de alguma forma por repercutir-se no tratamento que reservamos aos outros seres humanos. O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um s\u00f3, e a pr\u00f3pria mis\u00e9ria que leva a maltratar um animal n\u00e3o tarda a manifestar-se na rela\u00e7\u00e3o com as outras pessoas. Todo o encarni\u00e7amento contra qualquer criatura \u00ab\u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 dignidade humana\u00bb.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o podemos considerar-nos grandes amantes da realidade, se exclu\u00edmos dos nossos interesses alguma parte dela: \u00abPaz, justi\u00e7a e conserva\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas quest\u00f5es absolutamente ligadas, que n\u00e3o se poder\u00e3o separar, tratando-as individualmente sob pena de cair novamente no reducionismo\u00bb. Tudo est\u00e1 relacionado, e todos n\u00f3s, seres humanos, caminhamos juntos como irm\u00e3os e irm\u00e3s numa peregrina\u00e7\u00e3o maravilhosa, entrela\u00e7ados pelo amor que Deus tem a cada uma das suas criaturas e que nos une tamb\u00e9m, com terna afei\u00e7\u00e3o, ao irm\u00e3o sol, \u00e0 irm\u00e3 lua, ao irm\u00e3o rio e \u00e0 m\u00e3e terra.<\/em><\/p>\n<p>Invoco, enfim, o\u00a0<strong>direito \u00e0 comunh\u00e3o universal<\/strong>\u00a0com todos os seres e elementos da natureza para justificar a unidade insepar\u00e1vel entre mim e as culturas sustent\u00e1veis, sejam ancestrais ou n\u00e3o, que me torna um\u00a0<strong>sujeito de direito biocultural<\/strong>, digno de respeito e defesa por todas as pessoas (individuais ou coletivas) interessadas no nosso bem-estar.<\/p>\n<p>Sou intera\u00e7\u00f5es de vida entre ar, terra, \u00e1gua, vegetais e animais; sou o ciclo da \u00e1gua que a evapora do mar, cai na terra, brota de nascentes e escoa de volta para o mar; sou o processo ecol\u00f3gico que sustenta a diversidade de vidas humanas e n\u00e3o humanas, sou poesias, sou cr\u00f4nicas, sou romances, sou can\u00e7\u00f5es, sou origem de povos, sou vida (bio) e sou modos de vida (cultura). Sendo tudo isto, como n\u00e3o ser um sujeito de direitos? Sou menos importante que a heran\u00e7a de algu\u00e9m (esp\u00f3lio), que \u00e9 um sujeito de direito? Eu, que dou vida a todas as plantas e animais, sou menos importante que as d\u00edvidas de uma empresa (massa falida) que sequer possui vida? Eu, que sacio a sede de todas as cidades e comunidades ribeirinhas por onde passo, valho menos que uma empresa de minera\u00e7\u00e3o, que gerou sede e fome com o maior desastre ambiental da hist\u00f3ria do Brasil?<\/p>\n<p><strong>2. O que fizeram comigo?<\/strong><\/p>\n<p>Em 5 de novembro de 2015, ou seja, h\u00e1 exatos dois anos, sofri o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/562199-maior-desastre-ambiental-do-brasil-deixa-duras-licoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">maior desastre socioambiental do Brasil<\/a>: o<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/561879-negligencia-e-corrupcao-explicam-o-desastre-de-mariana-entrevista-especial-com-apolo-lisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco<\/a>no munic\u00edpio de<strong>\u00a0Mariana\/MG<\/strong>.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>desastre da Samarco<\/strong>\u00a0despejou em mim 62 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de lama de min\u00e9rio de ferro; matou 19 pessoas; desabrigou 1.265 pessoas; impactou 2 distritos de\u00a0<strong>Mariana<\/strong>\u00a0(<strong>Bento Rodrigues<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Paracatu de Baixo<\/strong>) e 1 distrito de\u00a0<strong>Barra Longa<\/strong>(<strong>Gesteira<\/strong>); inundou de lama o distrito de Bento Rodrigues, onde viviam 236 fam\u00edlias; atingiu 38 munic\u00edpios (35 em MG e 3 no ES); prejudicou a vida de 6 milh\u00f5es de pessoas; matou 98 esp\u00e9cies de peixes que existiam em mim (29 mil carca\u00e7as de peixes foram recolhidas); causou fome a 1 esp\u00e9cie de ave (andorinha-do-mar), que ficou sem alimento; destruiu 1.176 hectares ao longo de minhas margens (46% de pastagens e 43% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa).<\/p>\n<p>Como uma imagem fala melhor que mil palavras, vejamos algumas fotos para percebermos a real dimens\u00e3o desse\u00a0<strong>desastre ambiental<\/strong>, que matou a biodiversidade que vivia em mim, impactou a vida de 6 milh\u00f5es de pessoas e causou uma polui\u00e7\u00e3o marinha, que dura at\u00e9 hoje:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce2.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce3.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce4.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce5.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce6.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce7.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce8.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce9.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce10.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce11.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce12.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/11\/17_11_rio_doce13.jpg\" \/><em>Cr\u00e9ditos das Imagens: ONG\u00a0Pachamama.<\/em><\/p>\n<p>Esta Justi\u00e7a Federal conhece a grandiosidade dos danos que sofri, que constam na\u00a0<strong>a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal<\/strong>, que pede repara\u00e7\u00e3o socioambiental no valor de R$ 155.052.000.000,00 (cento e cinquenta e cinco bilh\u00f5es e cinquenta e dois milh\u00f5es de reais).<\/p>\n<p><strong>Relat\u00f3rio do N\u00facleo de Estudo, Pesquisa e Extens\u00e3o em Mobiliza\u00e7\u00f5es Sociais da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/strong>\u00a0(<strong>ORGANON<\/strong>), com o t\u00edtulo \u201c<strong>Sem-Terra, Sem-\u00c1gua e Sem-Peixe<\/strong>\u201d, aponta os graves impactos socioambientais sofridos pelos ribeirinhos. Eles ficaram sem \u00e1gua, sem peixe, sem lavouras, sem esportes aqu\u00e1ticos, sem turismo e sem lazer. Ficaram, tamb\u00e9m, com baixa renda, com neg\u00f3cios falidos, com abalo emocional, com morte de animais (aqu\u00e1ticos e terrestres), com contamina\u00e7\u00e3o de solo e po\u00e7os, com medo da contamina\u00e7\u00e3o, com desinforma\u00e7\u00e3o e com a comunidade fragmentada. Eles perderam o seu modo de vida. Estamos diante da<strong>\u00a0morte de culturas ribeirinhas<\/strong>.<\/p>\n<p>Passados dois anos, a minha foz no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/550612-rompimento-da-barragem-da-samarco-mancha-de-lama-no-litoral-capixaba-triplica-de-tamanho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Esp\u00edrito Santo<\/a>\u00a0(Reg\u00eancia) ainda sofre com a\u00a0<strong>lama da Samarco<\/strong>, que segue contaminando o mar com metais pesados. Isso foi constatado por 30 pesquisadores da<strong>\u00a0Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/strong>. A pesca ainda est\u00e1 proibida na minha foz e a contamina\u00e7\u00e3o do mar pelos rejeitos se estende por 600 quil\u00f4metros do litoral, atingindo recifes, a fauna marinha e o sustento de pescadores e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Pesquisa do\u00a0<strong>Programa de Biof\u00edsica Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/strong>, publicada em abril deste ano, aponta a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573409-tragedia-de-mariana-livrar-a-agua-do-composto-a-base-de-minerio-de-ferro-fica-ainda-mais-dificil-no-periodo-chuvoso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua<\/a>\u00a0consumida pelas comunidades ribeirinhas do Rio Doce em Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. Foram encontradas altas concentra\u00e7\u00f5es de ferro e mangan\u00eas muito acima do permitido pela legisla\u00e7\u00e3o ambiental (ferro: 3 vezes acima do limite e mangan\u00eas: 5 vezes acima do limite). A contamina\u00e7\u00e3o ocorreu na \u00e1gua do rio e de po\u00e7os da regi\u00e3o, portanto, atingiu o len\u00e7ol fre\u00e1tico. A\u00a0<strong>intoxica\u00e7\u00e3o por ferro<\/strong>\u00a0pode causar n\u00e1useas, diarreias, doen\u00e7as renais e hep\u00e1ticas. A intoxica\u00e7\u00e3o por mangan\u00eas pode causar doen\u00e7as respirat\u00f3rias (embolia pulmonar) e neurol\u00f3gicas (doen\u00e7a de Parkinson).<\/p>\n<p>A catastr\u00f3fica dimens\u00e3o dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573331-apos-dois-anos-impacto-ambiental-do-desastre-em-mariana-ainda-nao-e-totalmente-conhecido\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">efeitos do desastre<\/a>, que j\u00e1 duram dois anos, revela que a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e9 lenta e incerta. Por conta disso, a prote\u00e7\u00e3o contra novos desastres \u00e9 fundamental para a minha sobreviv\u00eancia. Prote\u00e7\u00e3o que, se existisse, poderia ter evitado tanta dor e sofrimento, para mim (<strong>Rio Doce<\/strong>), para os\u00a0<strong>ribeirinhos<\/strong>\u00a0(ind\u00edgenas ou n\u00e3o) e para os demais seres que dependiam de mim para sobreviver e que jamais ser\u00e3o integralmente reparados. Prote\u00e7\u00e3o que, de acordo com o direito internacional e nacional, era devida antes do desastre.<\/p>\n<p><strong>3. O que deveriam ter feito?<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar<\/strong>\u00a0(art. 207) obriga o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0a prevenir a polui\u00e7\u00e3o do mar proveniente de rios, por meio de regras e pr\u00e1ticas internacionalmente recomendadas, planos de emerg\u00eancia e outras medidas necess\u00e1rias, bem como a comunicar quem possa ser afetado pela polui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 198\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Notifica\u00e7\u00e3o de danos iminentes ou reais<\/strong><\/p>\n<p><em>Quando um Estado tiver conhecimento de casos em que o meio marinho se encontre em perigo iminente de sofrer danos por polui\u00e7\u00e3o, ou j\u00e1 os tenha sofrido, deve notific\u00e1-lo imediatamente a outros Estados que julgue possam vir a ser afetados por esses danos, bem como \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es internacionais competentes.<\/em><\/p>\n<p><strong>ARTIGO 199\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Planos de emerg\u00eancia contra a polui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Nos casos mencionados no artigo 198, os Estados da zona afetada, na medida das suas possibilidades, e as organiza\u00e7\u00f5es internacionais competentes devem cooperar tanto quanto poss\u00edvel para eliminar os efeitos da polui\u00e7\u00e3o e prevenir ou reduzir ao m\u00ednimo os danos. Para tal fim, os Estados devem elaborar e promover em conjunto planos de emerg\u00eancia para enfrentar incidentes de polui\u00e7\u00e3o no meio marinho.<\/em><\/p>\n<p><strong>ARTIGO 207<\/strong><br \/>\n<strong>Polui\u00e7\u00e3o de origem terrestre<\/strong><\/p>\n<p><em>1. Os Estados devem adotar leis e regulamentos para prevenir, reduzir e controlar a polui\u00e7\u00e3o do meio marinho proveniente de fontes terrestres, incluindo rios, estu\u00e1rios, dutos e instala\u00e7\u00f5es de descarga, tendo em conta regras e normas, bem como pr\u00e1ticas e procedimentos recomendados e internacionalmente acordados.<\/em><\/p>\n<p><em>2. Os Estados devem tomar outras medidas que possam ser necess\u00e1rias para prevenir, reduzir e controlar tal polui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>ARTIGO 213\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Execu\u00e7\u00e3o referente \u00e0 polui\u00e7\u00e3o de origem terrestre<\/strong><\/p>\n<p><em>Os Estados devem assegurar a execu\u00e7\u00e3o das suas leis e regulamentos adotados de conformidade com o artigo 207 e adotar leis e regulamentos e tomar outras medidas necess\u00e1rias para p\u00f4r em pr\u00e1tica as regras e normas internacionais aplicav\u00e9is estabelecidas por interm\u00e9dio das organiza\u00e7\u00f5es internacionais competentes ou de uma confer\u00eancia diplom\u00e1tica para prevenir, reduzir e controlar a polui\u00e7\u00e3o do meio marinho de origem terrestre.<\/em><\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o cumpriu a\u00a0<strong>Pol\u00edtica Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima<\/strong>\u00a0(Lei 12.187\/2009) e a\u00a0<strong>Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil<\/strong>\u00a0(Lei 12.608\/2012), o que colaborou ativamente para o\u00a0<strong>desastre socioambiental da Samarco<\/strong>.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0Lei 12.608<\/strong>, de 10 de abril de 2012 (art. 2\u00ba, 3\u00ba e 4\u00ba) obriga a Uni\u00e3o, os Estados, o Distrito Federal e os Munic\u00edpios a adotarem as medidas necess\u00e1rias \u00e0\u00a0<strong>redu\u00e7\u00e3o dos riscos de desastre<\/strong>, independentemente da incerteza quanto ao risco, com a colabora\u00e7\u00e3o de entidades p\u00fablicas ou privadas e da sociedade em geral. As medidas de preven\u00e7\u00e3o de desastres s\u00e3o obrigat\u00f3rias na gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos e devem abranger toda a bacia hidrogr\u00e1fica, com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Lei 12.187<\/strong>, de 29 de dezembro de 2009 (art. 4\u00ba, I e 5\u00ba, V e 6\u00ba, I), obriga a Uni\u00e3o a compatibilizar o desenvolvimento econ\u00f4mico-social com a prote\u00e7\u00e3o do sistema clim\u00e1tico, por meio do\u00a0<strong>Plano Nacional sobre a Mudan\u00e7a do Clima<\/strong>, que deve ser desenvolvido e executado com a participa\u00e7\u00e3o do meio acad\u00eamico e da sociedade civil.<\/p>\n<p>Em 10 de maio de 2016, a<strong>\u00a0Uni\u00e3o<\/strong>\u00a0instituiu o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/561620-adaptacao-as-mudancas-climaticas-dependera-de-gestoes-locais-entrevista-especial-com-manyu-chang\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima<\/a>\u00a0(<strong>PNA<\/strong>) para gest\u00e3o do risco clim\u00e1tico. O\u00a0<strong>PNA<\/strong>\u00a0identificou que a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o integral da<strong>\u00a0Lei 12.187\/2009<\/strong>\u00a0\u00e9 uma vulnerabilidade (ponto fraco) do setor. Especialmente porque est\u00e1 impedindo a institui\u00e7\u00e3o do cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de desastres, considerada uma importante ferramenta para o planejamento municipal da\u00a0<strong>Prote\u00e7\u00e3o e Defesa civil<\/strong>. O PNA tamb\u00e9m identificou outra vulnerabilidade: a falta de elabora\u00e7\u00e3o do Plano Nacional e dos<strong>Planos Estaduais de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil<\/strong>.<\/p>\n<p>Identificadas essas vulnerabilidades, o\u00a0<strong>PCA<\/strong>\u00a0estabeleceu que, em curto prazo, deveriam ser institu\u00eddos o cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de desastres e os\u00a0<strong>Planos Estaduais de Preven\u00e7\u00e3o a Desastres<\/strong>. Estas medidas, que est\u00e3o a cargo da Uni\u00e3o (cadastro nacional) e dos Estados (Planos Estaduais), s\u00e3o fundamentais para orientar o planejamento municipal da\u00a0<strong>Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil<\/strong>. A in\u00e9rcia do Poder P\u00fablico federal e estadual, neste ponto, \u00e9 uma grave omiss\u00e3o nociva \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de milhares de munic\u00edpios, j\u00e1 que a gest\u00e3o da Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil deve ser articulada entre todas as esferas de governo, de acordo com uma abordagem sist\u00eamica. Da\u00ed a import\u00e2ncia da fixa\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o destas medidas como diretriz nacional de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima:<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>1\u00ba Primeiro Relat\u00f3rio de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o do PNA 2016-2017<\/strong>identificou que a\u00a0<strong>Lei 12.608\/2012<\/strong>\u00a0ainda n\u00e3o foi regulamentada, portanto, ainda n\u00e3o foi criado o cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de desastres<\/p>\n<p>O site do\u00a0<strong>Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong>, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela Defesa Civil do pa\u00eds, n\u00e3o cita qualquer legisla\u00e7\u00e3o sobre o cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de desastres.<\/p>\n<p>O site da<strong>\u00a0Defesa Civil de Minas Gerais<\/strong>\u00a0n\u00e3o cita a exist\u00eancia do Plano Estadual de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil.<\/p>\n<p>Qual a import\u00e2ncia desse cadastro nacional e desse plano estadual para minha sobreviv\u00eancia?<\/p>\n<p>O cadastro nacional de munic\u00edpios suscet\u00edveis a desastres garante a prote\u00e7\u00e3o da bacia hidrogr\u00e1fica, pois, os munic\u00edpios nele inclu\u00eddo s\u00e3o obrigados a compatibilizar os seus\u00a0<strong>Planos Diretores<\/strong>\u00a0com o<strong>\u00a0Plano de Recursos H\u00eddricos<\/strong>:<\/p>\n<p><strong>LEI 12.340\/2010<\/strong><\/p>\n<p><em>ALTERADA PELA LEI 12.608\/2012 Art. 3\u00ba-A. O Governo Federal instituir\u00e1 cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de deslizamentos de grande impacto, inunda\u00e7\u00f5es bruscas ou processos geol\u00f3gicos ou hidrol\u00f3gicos correlatos, conforme regulamento. (&#8230;) \u00a7 1\u00ba A inscri\u00e7\u00e3o no cadastro previsto no caput dar-se-\u00e1 por iniciativa do Munic\u00edpio ou mediante indica\u00e7\u00e3o dos demais entes federados, observados os crit\u00e9rios e procedimentos previstos em regulamento.<\/em><\/p>\n<p><strong>LEI 10.257\/2001<\/strong><\/p>\n<p><em>ALTERADA PELA LEI 12.608\/2012 Art. 42-A. Al\u00e9m do conte\u00fado previsto no art. 42, o plano diretor dos Munic\u00edpios inclu\u00eddos no cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de deslizamentos de grande impacto, inunda\u00e7\u00f5es bruscas ou processos geol\u00f3gicos ou hidrol\u00f3gicos correlatos dever\u00e1 conter: (&#8230;) 2\u00ba O conte\u00fado do plano diretor dever\u00e1 ser compat\u00edvel com as disposi\u00e7\u00f5es insertas nos planos de recursos h\u00eddricos, formulados consoante a Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997<\/em>.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco, obtidas atrav\u00e9s do cadastro nacional de munic\u00edpios suscet\u00edveis a desastres, devem ser encaminhadas ao Executivo, Legislativo e Minist\u00e9rio P\u00fablico dos respectivos Estados e Munic\u00edpios. Este compartilhamento obrigat\u00f3rio de informa\u00e7\u00f5es garante a responsabiliza\u00e7\u00e3o compartilhada do Poder P\u00fablico, o que garante maior prote\u00e7\u00e3o \u00e0 bacia hidrogr\u00e1fica, j\u00e1 que nenhuma autoridade poder\u00e1 alegar desconhecimento do risco para justificar sua omiss\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>LEI 12.340\/2010<\/strong><\/p>\n<p><em>ALTERADA PELA LEI 12.608\/2012 Art. 3\u00ba-A (&#8230;) \u00a7 4\u00ba Sem preju\u00edzo das a\u00e7\u00f5es de monitoramento desenvolvidas pelos Estados e Munic\u00edpios, o Governo Federal publicar\u00e1, periodicamente, informa\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de deslizamentos de grande impacto, inunda\u00e7\u00f5es bruscas ou processos geol\u00f3gicos ou hidrol\u00f3gicos correlatos nos Munic\u00edpios constantes do cadastro. \u00a7 5\u00ba As informa\u00e7\u00f5es de que trata o \u00a7 4\u00ba ser\u00e3o encaminhadas, para conhecimento e provid\u00eancias, aos Poderes Executivo e Legislativo dos respectivos Estados e Munic\u00edpios e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/em><\/p>\n<p><em>A elabora\u00e7\u00e3o do Plano Estadual de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil obriga o Estado a identificar e monitorar as bacias hidrogr\u00e1ficas com risco de desastre, o que assegura maior prote\u00e7\u00e3o aos rios e aos ribeirinhos: LEI 12.608\/2012 Art. 7\u00ba Compete aos Estados: (&#8230;) Par\u00e1grafo \u00fanico. O Plano Estadual de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil conter\u00e1, no m\u00ednimo: I &#8211; a identifica\u00e7\u00e3o das bacias hidrogr\u00e1ficas com risco de ocorr\u00eancia de desastres; e II &#8211; as diretrizes de a\u00e7\u00e3o governamental de prote\u00e7\u00e3o e defesa civil no \u00e2mbito estadual, em especial no que se refere \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da rede de monitoramento meteorol\u00f3gico, hidrol\u00f3gico e geol\u00f3gico das bacias com risco de desastre.<\/em><\/p>\n<p>Diante do Direito do Mar, do Direito do Clima e do Direito dos Desastres, as\u00a0<strong>omiss\u00f5es da Uni\u00e3o e do Estado de Minas Gerais<\/strong>\u00a0no cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o preventiva de desastres colaborou para o maior desastre ambiental da hist\u00f3ria do Brasil, que ainda est\u00e1 impactando nocivamente a todas as cidades e comunidades ribeirinhas, que dependiam de minhas \u00e1guas, como tamb\u00e9m ao mar, fonte primeira de todos os rios, de todas as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as entidades p\u00fablicas omissas (<strong>Uni\u00e3o e Minas Gerais<\/strong>) devem ser coagidas pelo\u00a0<strong>Judici\u00e1rio<\/strong>, \u00faltima fronteira da defesa do meu direito \u00e0 exist\u00eancia sadia, a cumprirem com as suas obriga\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o de desastres, para que eu possa ter o direito de me regenerar, sem o risco de sofrer outra agress\u00e3o t\u00e3o brutal.<\/p>\n<p><strong>4. Pedidos<\/strong><\/p>\n<p>Ante o exposto, venho requerer:<\/p>\n<p>a) o conhecimento e a proced\u00eancia desta a\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b) LIMINARMENTE: a. o reconhecimento da\u00a0<strong>Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Doce<\/strong>\u00a0como sujeito de direito; b. o reconhecimento da ampla legitimidade a todas as pessoas para defenderem o direito de exist\u00eancia sadia da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Doce;<\/p>\n<p>c. a condena\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Uni\u00e3o e do Estado de Minas Gerais<\/strong>\u00a0ao imediato cumprimento das seguintes diretrizes do\u00a0<strong>Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima<\/strong>:<\/p>\n<p>i. a institui\u00e7\u00e3o do cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de desastres, previsto no artigo 3\u00ba-A da Lei 12.340\/2010, no prazo m\u00e1ximo de 6 (seis) meses ou em outro que este Ju\u00edzo entenda razo\u00e1vel, em raz\u00e3o da urg\u00eancia das medidas de preven\u00e7\u00e3o a desastres;<\/p>\n<p>ii. a elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Preven\u00e7\u00e3o a Desastres de Minas Gerais, previsto no par\u00e1grafo \u00fanico, art. 7\u00ba, da Lei 12.608\/2012, no prazo de 6 (seis) meses ou em outro que este Ju\u00edzo entenda razo\u00e1vel, em raz\u00e3o da urg\u00eancia das medidas de preven\u00e7\u00e3o a desastres, com a obrigat\u00f3ria participa\u00e7\u00e3o de representantes de institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e dos povos ribeirinhos (ind\u00edgenas ou n\u00e3o);<\/p>\n<p>d. NO M\u00c9RITO, a confirma\u00e7\u00e3o da liminar deferida e a condena\u00e7\u00e3o definitiva da Uni\u00e3o e do Estado de Minas Gerais ao cumprimento das seguintes diretrizes do Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima:<\/p>\n<p>i. a institui\u00e7\u00e3o do cadastro nacional de munic\u00edpios com \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 ocorr\u00eancia de desastres, previsto no artigo 3\u00ba-A da Lei 12.340\/2010, no prazo m\u00e1ximo de 6 (seis) meses ou em outro que este Ju\u00edzo entenda razo\u00e1vel, em raz\u00e3o da urg\u00eancia das medidas de preven\u00e7\u00e3o a desastres;<\/p>\n<p>ii. a elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Preven\u00e7\u00e3o a Desastres de Minas Gerais, previsto no par\u00e1grafo \u00fanico, art. 7\u00ba, da Lei 12.608\/2012, no prazo de 6 (seis) meses ou em outro que este Ju\u00edzo entenda razo\u00e1vel, em raz\u00e3o da urg\u00eancia das medidas de preven\u00e7\u00e3o a desastres, com a obrigat\u00f3ria participa\u00e7\u00e3o de representantes de institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e dos povos ribeirinhos (ind\u00edgenas ou n\u00e3o).<\/p>\n<p>Venho, requerer, ainda:<\/p>\n<p>a) a cita\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Federal e do Estado de Minas Gerais;<br \/>\nb) o deferimento de todos os meios de prova;<br \/>\nc) os benef\u00edcios da justi\u00e7a gratuita.<\/p>\n<p>Neste dia\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/573532-dois-anos-do-desastre-de-mariana-uma-catastrofe-lenta-e-dolorosa-entrevista-especial-com-fabiano-de-melo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">5 de novembro<\/a>, comemora-se o\u00a0<strong>Dia Nacional da Cultura<\/strong>, em homenagem ao nascimento do grande jurista\u00a0<strong>Rui Barbosa<\/strong>. Neste dia, sinto vergonha de mim. Vergonha de ter demorado tanto para levantar a minha voz. Demorado para dar voz ao rio, que me viu nascer. Ao rio que me embalou em suas \u00e1guas. Ao rio que refrescou o meu corpo e minha alma. Que alimentou os meus sonhos e despertou o meu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o o\u00a0<strong>Rio Doce<\/strong>, a quem dei voz e sofre em\u00a0<strong>Minas Gerais<\/strong>. Mas sim \u00e0quele rio que brota de todas as nascentes. Filho da M\u00e3e Terra. Filho do Mar. Falo do riacho que conheci na fazenda onde nasci e que me ensinou o caminho das \u00e1guas: ser UM S\u00d3. A este riacho, dedico esta a\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 quem fala por mim. Quisera eu poder pedir ao Judici\u00e1rio o reconhecimento de todos n\u00f3s, seres humanos, como filhos da Terra, filhos da \u00c1gua. Separados apenas por nossas cren\u00e7as e opini\u00f5es, mas unidos na ess\u00eancia que brota de nossos cora\u00e7\u00f5es. Esta fonte inesgot\u00e1vel de sentimento que d\u00e1 sentido ao nosso viver. Queria ter tido a coragem de gritar a todo o mundo: viemos do mesmo mar e para ele retornaremos. Somos um rio a caminho de si mesmo. Mas me faltaram for\u00e7as para bradar esta verdade que agora brado. Ent\u00e3o, por isto, sinto vergonha de mim.<\/p>\n<p>Belo Horizonte, 5 de novembro de 2017.<\/p>\n<p>Lafayette Garcia Novaes Sobrinho<br \/>\nAdvogado e Professor<\/p>\n<p>Fontes &#8211; ONG Pachamama \/ IHU de 17 de novembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em a\u00e7\u00e3o in\u00e9dita a\u00a0Bacia do Rio Doce\u00a0entrou com uma a\u00e7\u00e3o contra \u00e0\u00a0Uni\u00e3o\u00a0e o\u00a0Estado de Minas Gerais. 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