{"id":22194,"date":"2017-12-18T17:00:53","date_gmt":"2017-12-18T19:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22194"},"modified":"2017-12-04T13:07:19","modified_gmt":"2017-12-04T15:07:19","slug":"tostados-assados-e-grelhados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/tostados-assados-e-grelhados\/","title":{"rendered":"\u201cTostados, assados e grelhados\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_interna_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Volunt\u00e1rios posam nus, na geleira de Aletsch, nos Alpes su\u00ed\u00e7os, durante campanha ambiental sobre o aquecimento global, em 2007 | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o | Greenpeace<\/em><\/p>\n<p>\u201cComo disse antes, se n\u00e3o fizermos nada a respeito da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, seremos tostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos. (&#8230;) Se n\u00e3o encararmos essas duas quest\u00f5es \u2013 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e desigualdade crescente \u2013 avan\u00e7aremos a partir de agora em dire\u00e7\u00e3o a sombrios 50 anos\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#1\">[I]<\/a>. Quem fala \u00e9 Christine Lagarde, diretora do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, durante um painel da Future Investment Initiative, ocorrido em 25 de outubro em Riad, na Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>\u00c9 positivo que o FMI funcione como uma caixa de resson\u00e2ncia da ci\u00eancia e que junte sua voz ao coro dos alertas sobre a situa\u00e7\u00e3o-limite em que a humanidade e a biosfera se encontram. Mas o FMI \u00e9 o primog\u00eanito e um dos principais gendarmes da ordem econ\u00f4mica internacional que est\u00e1 condenando os homens e a biosfera a serem \u201ctostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos\u201d. N\u00e3o tem, portanto, autoridade moral para emitir alertas desse g\u00eanero. \u201cComo disse antes\u201d, afirma acima Lagarde&#8230; De fato, j\u00e1 em 2012, \u00e0s v\u00e9speras da Rio+20, ela havia declarado num encontro do Center for Global Development, em Washington, que \u201ca mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 claramente um dos grandes desafios de nosso tempo, um dos grandes testes de nossa gera\u00e7\u00e3o. Para os mais pobres e mais vulner\u00e1veis do mundo, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 uma possibilidade distante. \u00c9 uma realidade presente\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#2\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">[II]<\/span><\/a>. E anunciava ent\u00e3o que o FMI desenvolveria pesquisas e daria suporte anal\u00edtico aos pa\u00edses com pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE), em particular atrav\u00e9s de instrumentos fiscais, como precifica\u00e7\u00e3o do carbono e elimina\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios. Passados cinco anos, eis o que aconteceu:<\/p>\n<p>1. Os subs\u00eddios \u00e0 ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis continuam a crescer. Em 2013, eles montavam a US$ 4,9 trilh\u00f5es e em 2015 atingiram US$ 5,3 trilh\u00f5es, ou 6,5% do PIB mundial, segundo um estudo recente. \u201cA elimina\u00e7\u00e3o desses subs\u00eddios\u201d, afirmam seus autores, \u201cteria reduzido as emiss\u00f5es de carbono, em 2013, em 21%, e em 55%, as mortes por polui\u00e7\u00e3o causada pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, ao mesmo tempo em que teria elevado a renda em 4% do PIB global e o bem-estar social em 2,2%\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#3\">[III]<\/a>. Se entendidos\u00a0<em>stricto sensu<\/em>, ou seja, como privil\u00e9gio fiscal ou transfer\u00eancia de recursos estatais para essa ind\u00fastria, os subs\u00eddios dos governos do G20 \u2013 os mesmos que prometeram seu fim em 2009 \u2013 montavam em 2015 a US$ 444 bilh\u00f5es\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#4\">[IV]<\/a>.<\/p>\n<p>2. Imposto sobre a emiss\u00e3o de carbono (<em>carbon tax<\/em>). A segunda medida apoiada por Lagarde era a precifica\u00e7\u00e3o adequada do carbono: \u201ccorrigir seus pre\u00e7os significa usar uma pol\u00edtica fiscal capaz de garantir que o malef\u00edcio que causamos reflita-se nos pre\u00e7os que pagamos\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#5\">[V]<\/a>. Tal imposto foi sugerido j\u00e1 em 1973 por David Gordon Wilson\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#6\">[VI]<\/a>, do MIT, e reproposto agora, pela en\u00e9sima vez, por 13 economistas, no \u00e2mbito de uma iniciativa presidida por Joseph Stiglitz e Sir Nicholas Stern\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#7\">[VII]<\/a>. O estudo sugere que este seja em 2020 de 40 a 80 d\u00f3lares por tonelada de CO2 emitido e, em 2030, de 50 a 100 d\u00f3lares. N\u00e3o se sabe em quanto esse imposto, se adotado, contribuiria para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de GEE. Mas se sabe que o FMI em nada tem contribu\u00eddo para viabiliz\u00e1-lo. De resto, em mar\u00e7o \u00faltimo, Trump descartou-o e sem o apoio dos EUA, um dos maiores produtores mundiais de petr\u00f3leo, ele parece hoje mais irrealista que nunca.<\/p>\n<p>Leonardo Martinez-Diaz, do World Resources Institute, percebe bem a hipocrisia do FMI: \u201cUma das fun\u00e7\u00f5es centrais do FMI \u00e9 a vigil\u00e2ncia macroecon\u00f4mica. (&#8230;) O Fundo deveria colocar o risco clim\u00e1tico no di\u00e1logo com os Estados, como um item formal de suas consultas\u201d. E, sobretudo, \u201cconsiderar as despesas em resili\u00eancia como investimentos dos Estados devedores\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#8\">[VIII]<\/a>. Mas isso Christine Lagarde n\u00e3o fez, e n\u00e3o far\u00e1, porque prejudicaria os interesses dos credores.<\/p>\n<p><strong>Quatro d\u00e9cadas de alertas cient\u00edficos<\/strong><\/p>\n<p>Se \u00e9 nula a credibilidade do FMI no que se refere \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o para mitigar essa situa\u00e7\u00e3o extremamente grave, isso n\u00e3o altera o fato de que o diagn\u00f3stico de Lagarde baseia-se no mais consolidado consenso cient\u00edfico. H\u00e1 d\u00e9cadas a ci\u00eancia adverte que o aquecimento continuado da atmosfera e dos oceanos \u2013 causado sobretudo pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, pelo desmatamento e pelo surto global de carnivorismo \u2013 lan\u00e7aria o s\u00e9culo XXI numa s\u00e9rie de crescentes desastres sociais e ambientais. Quase quatro d\u00e9cadas atr\u00e1s, em 1981, quando o aquecimento global era ainda de apenas 0,4o C acima dos anos 1880, James Hansen e colegas afirmavam num trabalho da\u00a0<em>Science\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#9\">[IX]<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cEfeitos potenciais sobre o clima no s\u00e9culo XXI incluem a cria\u00e7\u00e3o de zonas propensas a secas na Am\u00e9rica do Norte e \u00c1sia Central como parte de uma mudan\u00e7a nas zonas clim\u00e1ticas, eros\u00e3o das camadas de gelo da Ant\u00e1rtica com consequente eleva\u00e7\u00e3o global do n\u00edvel do mar e a abertura da famosa passagem do Noroeste [no \u00c1rtico]. (&#8230;) O aquecimento global projetado para o pr\u00f3ximo s\u00e9culo \u00e9 de uma magnitude quase sem precedentes. Baseados nos c\u00e1lculos de nosso modelo, estimamos que ele ser\u00e1 de ~2,5o C para um cen\u00e1rio com lento crescimento de energia e um misto de combust\u00edveis f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis. Esse aquecimento excederia a temperatura durante o per\u00edodo antitermal (6.000 anos atr\u00e1s) e o per\u00edodo interglacial anterior (Eemiano) e se aproximaria da temperatura do Mesozoico, a idade dos dinossauros\u201d.<\/p>\n<p>Entre 1984 e 1988, James Hansen dep\u00f4s tr\u00eas vezes no Senado dos Estados Unidos. Na \u00faltima vez, diante de 15 c\u00e2maras de televis\u00e3o, projetou cen\u00e1rios de aquecimento global de at\u00e9 1,5o C em 2019 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia do per\u00edodo 1951-1980, como mostra a Figura 1, reproduzida a partir desse hist\u00f3rico documento de 1988.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico_001_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 1\u00a0\u2013 Proje\u00e7\u00e3o de aquecimento m\u00e9dio superficial global at\u00e9 2019, segundo tr\u00eas cen\u00e1rios<\/em><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\"><figcaption>O Cen\u00e1rio A sup\u00f5e uma taxa de aumento das emiss\u00f5es de CO2 t\u00edpica dos 20 anos anteriores a 1987, isto \u00e9, um crescimento a uma taxa de 1,5% ao ano. O Cen\u00e1rio B assume taxas de emiss\u00e3o que estacionam aproximadamente no n\u00edvel de 1988. O Cen\u00e1rio C \u00e9 de dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o dessas emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas no per\u00edodo 1990 \u2013 2000. A linha cont\u00ednua descreve o aquecimento observado at\u00e9 1987. A faixa cinza recobre o n\u00edvel pico de aquecimento durante os per\u00edodos Antitermal (6.000 anos AP) e Eemiano (120.000 anos AP). O ponto zero das observa\u00e7\u00f5es \u00e9 a m\u00e9dia do per\u00edodo 1951-1980.<\/figcaption><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Greenhouse Effect: Impacts on Current Global Temperature and Regional Heat Waves\u201d, figura 3.\u00a0<\/span>Documento apresentado ao Senado por James Hansen em 1988. Veja-se:\u00a0<a href=\"https:\/\/climatechange.procon.org\/sourcefiles\/1988_Hansen_Senate_Testimony.pdf\">https:\/\/climatechange.procon.org\/sourcefiles\/1988_Hansen_Senate_Testimony.pdf<\/a><\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es de Hansen s\u00e3o uma das mais espetaculares demonstra\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia do sistema Terra na hist\u00f3ria recente da ci\u00eancia, que s\u00f3 hoje podemos aquilatar em sua real dimens\u00e3o. Seus Cen\u00e1rios A e B anteciparam a uma dist\u00e2ncia de 30 anos um aquecimento m\u00e9dio global entre ~1,1o C e 1,5o C. Foi exatamente o que aconteceu, como mostra a Figura 2<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico_002_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 2\u00a0\u2013 Temperaturas superficiais globais em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo de base 1880-1920 |\u00a0Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.columbia.edu\/~mhs119\/Temperature\/\">Earth Institute. Columbia University<\/a><\/em><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\"><figcaption>Como se v\u00ea, desde 1970 as temperaturas m\u00e9dias globais t\u00eam se elevado 0,18o C por d\u00e9cada e em 2016 elas atingiram +1,24o C em rela\u00e7\u00e3o a 1880-1920. Mantida a acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento m\u00e9dio global observada no tri\u00eanio 2015-2017 (~0,2o C), deveremos atingir ou estar muito pr\u00f3ximos, em 2019, do n\u00edvel de aquecimento previsto no pior cen\u00e1rio assumido por James Hansen e colegas.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Energias f\u00f3sseis x energias renov\u00e1veis e de baixo carbono<\/strong><\/p>\n<p>Naturalmente, quem est\u00e1 no controle do mundo n\u00e3o se interessa por acur\u00e1cia cient\u00edfica, quando esta interfere em seus planos de neg\u00f3cios. Os alertas de toda uma legi\u00e3o de cientistas no mundo todo continuam a se espatifar contra o muro inexpugn\u00e1vel das corpora\u00e7\u00f5es, que impuseram e continuam a impor \u00e0 humanidade e \u00e0 biosfera o \u201cCen\u00e1rio A\u201d previsto por James Hansen. Os n\u00fameros, melhor que quaisquer argumentos, revelam a extens\u00e3o do crime: desde 1988, data do\u00a0<em>testimony\u00a0<\/em>de Hansen no Senado dos EUA, mais CO2 foi lan\u00e7ado na atmosfera do que entre 1750 e 1987, como mostra a Figura 3<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico_003_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 3 \u2013\u00a0Emiss\u00f5es industriais de CO2 entre 1751 e 2014. De 1751 a 1987 foram emitidas 737 Gt (bilh\u00f5es de toneladas). Entre 1988 e 2014 foram emitidas 743 Gt.\u00a0 |\u00a0Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/cdiac.ornl.gov\/pns\/current_ghg.html\">T. J. Blasing, \u201cRecent Greenhouse Gas Concentrations\u201d.\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/cdiac.ornl.gov\/pns\/current_ghg.html\">Carbon Dioxide Information Analysis Center (CDIAC), Abril, 2016<\/a>, baseado em Le Qu\u00e9r\u00e9\u00a0et al.\u00a0(2014) e Boden, Marland e Andres (2013).<\/em><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\"><figcaption>Em 2017 teremos j\u00e1 ultrapassado 800 Gt de CO2 emitidos na atmosfera em quarenta anos. As corpora\u00e7\u00f5es que lucram com essas emiss\u00f5es e com a destrui\u00e7\u00e3o das florestas \u2013 em especial os xif\u00f3pagos\u00a0<em>Big Oil<\/em>\u00a0&amp;\u00a0<em>Big Food<\/em>\u00a0\u2013 venceram e continuam vencendo. Em Riad, na semana passada, Christine Lagarde acrescentou que \u201cas decis\u00f5es devem ser imediatas, o que provavelmente significar\u00e1 que nos pr\u00f3ximos 50 anos o petr\u00f3leo se tornar\u00e1 uma\u00a0<em>commodity\u00a0<\/em>secund\u00e1ria\u201d. Foi contradita por Amin Nasser, presidente da estatal Saudi Arabian Oil Company (Aramco): \u201cAlternativas, carros el\u00e9tricos e renov\u00e1veis est\u00e3o definitivamente ganhando participa\u00e7\u00e3o no mercado e estamos vendo isso. Mas d\u00e9cadas ser\u00e3o ainda necess\u00e1rias antes que assumam uma participa\u00e7\u00e3o maior na oferta de energia global\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#10\">[X]<\/a>.<\/figcaption><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mantido o paradigma expansivo do capitalismo (obviamente dependente das reservas restantes de petr\u00f3leo, algo incerto), o progn\u00f3stico de Amin Nasser afigura-se mais cred\u00edvel que o de Christine Lagarde. Ele ecoa a convic\u00e7\u00e3o de seus pares de que a hegemonia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o ser\u00e1 sequer amea\u00e7ada, quanto menos superada, por energias de baixo carbono pelos pr\u00f3ximos dois ou tr\u00eas dec\u00eanios. Barry K. Worthington, diretor da toda poderosa United States Energy Association, afirma, e \u00e9 fato, que \u201cnenhuma proje\u00e7\u00e3o cred\u00edvel\u201d mostra uma participa\u00e7\u00e3o menor que 40% dos combust\u00edveis f\u00f3sseis em 2050\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#11\">[XI]<\/a>. Mesmo o carv\u00e3o, cujo decl\u00ednio iniciado nos dois \u00faltimos anos parecia a muitos ser irrevers\u00edvel, resiste. Nos EUA, sua produ\u00e7\u00e3o em 2017 ser\u00e1 8% maior que em 2016\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#12\">[XII]<\/a>. No mundo todo havia, em outubro de 2017, 154 unidades termel\u00e9tricas movidas a carv\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o e 113 em expans\u00e3o, um n\u00famero ainda superior ao das unidades que est\u00e3o sendo desativadas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#13\">[XIII]<\/a>.<\/p>\n<p>Um argumento em favor da ideia de uma ainda longa hegemonia futura dos combust\u00edveis f\u00f3sseis prov\u00e9m de um trabalho de tr\u00eas pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#14\">[XIV]<\/a>. Os autores partem da constata\u00e7\u00e3o de que em 2015 o consumo energ\u00e9tico global foi de 17 Terawatts (TW), dos quais apenas 3,9% (0,663 TW) provieram de energias e\u00f3lica (0,433 TW) e fotovoltaica (0,230 TW). Assumem em seguida a proje\u00e7\u00e3o de que esse consumo quase dobre em 2050, atingindo 30 TW. Detectam ent\u00e3o ind\u00edcios de que a taxa de crescimento das energias e\u00f3lica e fotovoltaica comece a declinar j\u00e1 ao longo da pr\u00f3xima d\u00e9cada, saturando sua capacidade instalada n\u00e3o acima de 1,8 TW em 2030, o que as levaria a assumir a forma da curva de uma fun\u00e7\u00e3o log\u00edstica ou sigm\u00f3ide (em \u201cS\u201d), como mostra a Figura 4.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico_004_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 4 \u2013\u00a0Capacidade instalada global total de energia e\u00f3lica e fotovoltaica (pontos verdes).\u00a0A linha cont\u00ednua \u00e9 a do modelo log\u00edstico (curva sigm\u00f3ide), semelhante \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o das energias hidrel\u00e9trica e nuclear. As linhas pontilhadas indicam um intervalo de confian\u00e7a de 95%. O ponto vermelho indica os progn\u00f3sticos das associo\u00e7\u00f5es de acionistas. O quadro inserido mostra o decl\u00ednio previsto das taxas de crescimento dessas energias. |\u00a0Fonte:\u00a0J.P. Hansen, P.A. Narbel, D.L. Aksnes, \u201cLimits to growth in the renewable energy sector\u201d.\u00a0Renewable and Sustainable Energy Reviews, 70, IV\/2017, pp. 769-774.<\/em><\/p>\n<p><strong>A COP 23 e a \u201ccatastr\u00f3fica brecha clim\u00e1tica\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Como se sabe, abre-se hoje, 6 de novembro de 2017, em Bonn, mais uma reuni\u00e3o anual da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC), a 23\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP23). Sua agenda central ser\u00e1 fazer avan\u00e7ar as diretrizes (<em>rule-book<\/em>) de implementa\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris, preparadas por um grupo de trabalho \u2013 o Ad-hoc Working Group on the Paris Agreement (APA) \u2013, coordenado pela Nova Zel\u00e2ndia e pela&#8230; Ar\u00e1bia Saudita. Por improv\u00e1vel que seja a proje\u00e7\u00e3o de Christine Lagarde de que \u201cnos pr\u00f3ximos 50 anos o petr\u00f3leo se tornar\u00e1 uma\u00a0<em>commodity\u00a0<\/em>secund\u00e1ria\u201d, suas declara\u00e7\u00f5es na capital mundial do petr\u00f3leo t\u00eam o m\u00e9rito de refor\u00e7ar o senso de urg\u00eancia requerido para mais essa rodada de negocia\u00e7\u00f5es. \u00a0Esse senso de urg\u00eancia \u00e9 mais que nunca necess\u00e1rio, pois o contexto pol\u00edtico e ambiental em que se abre a COP23 n\u00e3o poderia ser mais adverso, como bem indica o quadro atual de bloqueio do Acordo, em contraste com a angustiante acelera\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental nos \u00faltimos meses:<\/p>\n<p>1. Quase dois anos ap\u00f3s sua assinatura, o Acordo de Paris n\u00e3o foi ainda ratificado (i.e., n\u00e3o est\u00e1 em vigor) por 13 pa\u00edses produtores e detentores das maiores reservas mundiais de petr\u00f3leo, conforme mostra a tabela abaixo<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_tabela_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_tabela_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Fontes:\u00a0<a href=\"http:\/\/unfccc.int\/paris_agreement\/items\/9444.php\">Paris Agreement &#8211; Status of Ratification<\/a>\u00a0U.S. | EIA Production of Crude Oil including Lease Condensate 2016<\/em><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\"><figcaption>A esses 13 pa\u00edses que n\u00e3o ratificaram o Acordo, acrescentam-se os EUA, em vias de deix\u00e1-lo. De modo que mais de um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial de petr\u00f3leo encontra-se em na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o reconhecem oficialmente o Acordo de Paris, e n\u00e3o o reconhecem, declaradamente ou n\u00e3o, porque n\u00e3o t\u00eam inten\u00e7\u00e3o de diminuir sua produ\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>(2) Em julho, reunido na China, o G20 deu uma demonstra\u00e7\u00e3o de fraqueza ou de oportunismo ao ceder \u00e0s press\u00f5es dos EUA e da Ar\u00e1bia Saudita para eliminar de sua declara\u00e7\u00e3o conjunta final qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de financiar a adapta\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pobres \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, condi\u00e7\u00e3o de possibilidade do Acordo de Paris\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#15\">[XV]<\/a>.<\/p>\n<p>(3) Em 18 de outubro passado, o Global Forest Watch revelou que em 2016 foram destru\u00eddos globalmente 297 mil km2 de florestas pelo avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria, da minera\u00e7\u00e3o, da ind\u00fastria madeireira e de inc\u00eandios mais devastadores, criminosos e\/ou exacerbados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#16\">[XVI]<\/a>. Trata-se de um recorde absoluto em \u00e1rea destru\u00edda e de um recorde no salto de 51% em rela\u00e7\u00e3o a 2015, como mostra a Figura 5.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico_005_20171106.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 5 \u2013\u00a0Perdas de cobertura florestal global de 2011 a 2016 |\u00a0Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/blog.globalforestwatch.org\/data\/global-tree-cover-loss-rose-51-percent-in-2016.html\">Global Forest Watch<\/a><\/em><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\"><figcaption>(4) Em 30 de outubro, a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) reconheceu um avan\u00e7o de 3,3 ppm (partes por milh\u00e3o) nas concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de CO2 no intervalo de apenas 12 meses. Essas concentra\u00e7\u00f5es \u201cderam em 2016 um salto, numa velocidade recorde, atingindo seu mais alto n\u00edvel em 800 mil anos\u201d. Desde 1990, afirma o boletim da OMM, houve um aumento de 40% na for\u00e7ante radiativa total (o balan\u00e7o entre a energia incidente e a energia refletida de volta para o espa\u00e7o pelo sistema clim\u00e1tico da Terra) causada pelas emiss\u00f5es de GEE, e um aumento de 2,5% apenas em 2016 em rela\u00e7\u00e3o a 2015\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#17\">[XVII]<\/a>.<\/figcaption><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"2\">(5) Enfim, o oitavo\u00a0<em>Emissions Gap Report<\/em>, de 2017, publicado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), adverte que as redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es de GEE acordadas em Paris est\u00e3o muito aqu\u00e9m do requerido para conter o aquecimento m\u00e9dio global abaixo de 2o C ao longo deste s\u00e9culo. Como faz notar Erik Solheim, diretor do (PNUMA), \u201cas promessas atuais dos Estados cobrem n\u00e3o mais que um ter\u00e7o das redu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. (&#8230;) Os governos, o setor privado e a sociedade civil devem superar essa catastr\u00f3fica brecha clim\u00e1tica\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#18\">[XVIII]<\/a>. E reafirma que, se os compromissos nacionais (NDCs) forem implementados, chegaremos ao final deste s\u00e9culo com um aquecimento m\u00e9dio global de cerca de 3,2o C (2,9o C a 3,4o C). Mas os governos est\u00e3o descumprindo at\u00e9 mesmo esse ter\u00e7o por eles prometido em 2015. Segundo Jean Jouzel, ex-vice-presidente do IPCC, \u201cos primeiros balan\u00e7os das pol\u00edticas nacionais mostram que, globalmente, estamos abaixo dos engajamentos assumidos em Paris. E sem os EUA, ser\u00e1 muito dif\u00edcil pedir aos outros pa\u00edses que aumentem suas ambi\u00e7\u00f5es. (&#8230;) Para manter alguma chance de permanecer abaixo dos 2o C \u00e9 necess\u00e1rio que o pico das emiss\u00f5es seja atingido no mais tardar em 2020\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tostados-assados-e-grelhados#19\">[XIX]<\/a>.<\/p>\n<p id=\"3\">N\u00e3o h\u00e1 que se preocupar. Faltam ainda mais de dois anos&#8230;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p id=\"4\">[I]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Citado em Anmar Frangoul, \u201cIMF\u2019s Lagarde: If nothing is done about climate change, we will be \u2018toasted, roasted and grilled\u2019.\u201d\u00a0<em>CNBC<\/em>, 25\/X\/2017:\u00a0&#8220;As I&#8217;ve said before, if we don&#8217;t do anything about climate change now, in 50 years&#8217; time we will be toasted, roasted and grilled. (\u2026) If we don&#8217;t address those two issues \u2014 of climate change and growing inequalities \u2014 we will be moving towards a dark 50 years from now&#8221;.<\/span><\/p>\n<p id=\"5\">[II]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Lawrence MacDonald, \u201cIMF Chief Warns of Triple Crisis \u2013 Economic, Environment, Social \u2013 Details IMF Actions to Help on Climate\u201d. Center for Global Development, 12\/VI\/2012.<\/span><\/p>\n<p id=\"6\">[III]\u00a0Cf. David Coady, Ian Parry, Louis Sears, Baoping Shang, \u201cHow Large Are Global Fossil Fuel Subsidies?\u201d.\u00a0<em>World Development<\/em>, 91, 17\/III\/2017. Para os autores, subs\u00eddios ocorrem: \u201cwhen consumer prices are below supply costs plus environmental costs and general consumption taxes\u201d.<\/p>\n<p id=\"7\">[IV]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Elizabeth Bast, Alex Doukas, Sam Pickard, Laurie van der Burg &amp; Shelagh Whitley,\u00a0<em>Empty Promises. G20 Subsidies to Oil, Gas and Coal Production\u201d<\/em>, Novembro de 2015, p. 9 (em rede).<\/span><\/p>\n<p id=\"8\">[V]\u00a0Citado por Lawrence MacDonald (cit.).<\/p>\n<p id=\"9\">[VI]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Chris Berdik, \u201cThe unsung inventor of the carbon tax\u201d.\u00a0<em>The Boston Globe<\/em>, 10\/VIII\/2014.<\/span><\/p>\n<p id=\"10\">[VII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Carbon Price Leadership Coalition (World Bank),\u00a0<em>Report of The High-Level Commission on Carbon Prices<\/em>. 29\/V\/2017 (em rede).<\/span><\/p>\n<p id=\"11\">[VIII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Leonardo Martinez-Diaz, \u201cThe IMF and Climate Change: Three Things Christine Lagarde Can Do to Cement Her Legacy on Climate\u201d.\u00a0<em>World Resources Institute<\/em>, 10\/X\/2017.<\/span><\/p>\n<p id=\"12\">[IX]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. J. Hansen\u00a0<em>et al.,\u00a0<\/em>\u201cClimate Impact of Increasing Atmospheric Carbon Dioxide\u201d.\u00a0<em>Science<\/em>, 213, 4511, 28\/VIII\/1981.<\/span><\/p>\n<p id=\"13\">[X]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Citado por A. Frangoul (cit.).<\/span><\/p>\n<p id=\"14\">[XI]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Citado por Lisa Friedman, \u201cTrump Team to Promote Fossil Fuels and Nuclear Power at Bonn Climate Talks\u201d.\u00a0<em>The Washington Post<\/em>, 2\/XI\/2017.<\/span><\/p>\n<p id=\"15\">[XII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. U.S. Energy Information Administration, Short-Term Energy Outlook, Coal, 11\/X\/2017 (em rede).<\/span><\/p>\n<p id=\"16\">[XIII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Adam, Morton, \u201cThe world is going slow on coal, but misinformation is distorting the facts\u201d.\u00a0<em>The Guardian<\/em>, 16\/X\/2017: \u201cMore coal-fired capacity is still being built than closed each year, though the gap has narrowed significantly\u201d.<\/span><\/p>\n<p id=\"17\">[XIV]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf.\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">J.P. Hansen, P.A. Narbel, D.L. Aksnes, \u201cLimits to growth in the renewable energy sector\u201d.\u00a0<em>Renewable and Sustainable Energy Reviews<\/em>, 70, IV\/2017, pp. 769-774<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n<p id=\"18\">[XV]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. John Sharman, \u201cUS \u2018forces G20 to drop any mention of climate change\u2019 in joint statement\u201d.\u00a0<em>The Independent<\/em>,<em>\u00a0<\/em>18\/III\/2017.<\/span><\/p>\n<p id=\"19\">[XVI]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Mikaela Weisse &amp; Liz Goldman, \u201cGlobal Tree Cover Loss Rose 51% in 2016\u201d, GFW, 18\/X\/2016.<\/span><\/p>\n[XVII] \u201cGreenhouse gas concentrations surge to new record\u201d. World Meteorological Organisation, 30\/X\/2017.<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n[XVIII]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Erik Solheim, The Emissions Gap Report 2017.\u00a0<\/span><span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">A UN Environment Synthesis Report, p. XIII.<\/span><\/p>\n[XIX]<span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">\u00a0Cf. Pierre Le Hir, \u201cR\u00e9chauffement climatique: la bataille des 2o C est presque perdue\u201d.\u00a0<em>Le Monde<\/em>, 31\/XII\/2017.<\/span><\/p>\n<p>Fonte &#8211; Texto\u00a0<a href=\"mailto:kassab@reitoria.unicamp.br\">Luiz Marques MARQUES<\/a>, fotos <a href=\"mailto:kassab@reitoria.unicamp.br\">Reprodu\u00e7\u00e3o | Greenpeace<\/a>, edi\u00e7\u00e3o de imagem\u00a0<a href=\"mailto:lcarlos@reitoria.unicamp.br\">Luis Paulo Silva<\/a>, Jornal da UNICAMP de 06 de novembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volunt\u00e1rios posam nus, na geleira de Aletsch, nos Alpes su\u00ed\u00e7os, durante campanha ambiental sobre o aquecimento global, em 2007 | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o | Greenpeace \u201cComo disse antes, se n\u00e3o fizermos nada a respeito da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, seremos tostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos. 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