{"id":22199,"date":"2017-12-15T17:00:15","date_gmt":"2017-12-15T19:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22199"},"modified":"2017-12-04T13:06:53","modified_gmt":"2017-12-04T15:06:53","slug":"tarde-demais-para-3o-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/tarde-demais-para-3o-c\/","title":{"rendered":"Tarde demais para 3\u00ba C?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/9\/8291\/7686603030_0a134d5b26_b.jpg\" \/><em><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/lepista\/\">lepista<\/a><\/em><\/p>\n<p>As diversas proje\u00e7\u00f5es de aumento das temperaturas m\u00e9dias superficiais terrestres e mar\u00edtimas combinadas at\u00e9 2100 (em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial) confluem, com pequenas discrep\u00e2ncias, para quatro cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>(1) Cen\u00e1rio de base, segundo o IPCC AR5 Working Group III (2014). Mantido o n\u00edvel atual das emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>-eq (53,4 bilh\u00f5es de toneladas ou Gt em 2016), atingiremos em 2100 um aquecimento m\u00e9dio global superficial entre 4,1\u00ba C e 4,8\u00ba C. Um cen\u00e1rio de aquecimento m\u00e9dio de 4\u00ba C leva o planeta \u00e0 maior temperatura em trinta milh\u00f5es de anos, aumentos de 6\u00ba C ou mais nas m\u00e9dias mensais no ver\u00e3o em algumas regi\u00f5es do planeta, ondas de calor extremo em quase todos os ver\u00f5es em muitas regi\u00f5es, secas em 40% da superf\u00edcie habitada da Terra e extin\u00e7\u00e3o de metade das esp\u00e9cies conhecidas. Trata-se de um aquecimento considerado \u201cal\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o\u201d, com indubit\u00e1veis amea\u00e7as existenciais \u00e0 esp\u00e9cie humana\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>(2) Cen\u00e1rio resultante das pol\u00edticas atuais de redu\u00e7\u00e3o dessas emiss\u00f5es, ainda muito aqu\u00e9m do que foi prometido pelos signat\u00e1rios do Acordo de Paris. Este cen\u00e1rio conduz a um aquecimento m\u00e9dio global de 3,4\u00ba C (3,1\u00ba C a 3,7\u00ba C).<\/p>\n<p>(3) Cen\u00e1rio resultante do cumprimento das promessas nacionais de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es (NDCs) firmadas em Paris. Se cumpridas nos termos atuais, essas promessas implicam um aquecimento m\u00e9dio global de 2,6\u00ba C a 3,2\u00ba C.<\/p>\n<p>Os cen\u00e1rios 2 e 3 situam o aquecimento m\u00e9dio superficial do planeta entre 2,6\u00ba C e 3,7\u00ba C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial. Um aquecimento maior que 3o C \u00e9 em geral definido como \u201ccatastr\u00f3fico\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#2\">[2]<\/a>. Segundo o que se depreende da paleoclimatologia do Plioceno (5 a 2 milh\u00f5es de anos AP) e em conformidade com os modelos clim\u00e1ticos, um aquecimento global m\u00e9dio em torno de 3o C implica uma eleva\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 25 a 35 metros do n\u00edvel do mar e, possivelmente, um estado de permanente El Ni\u00f1o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#3\">[3]<\/a>. Implica ainda o desaparecimento das florestas tropicais e a convers\u00e3o em savana do que resta da floresta amaz\u00f4nica, pela a\u00e7\u00e3o conjugada de secas e inc\u00eandios, com libera\u00e7\u00e3o suplementar de CO<sub>2<\/sub>\u00a0na atmosfera. Al\u00e9m disso, +3\u00ba C\u00a0<em>circa<\/em>\u00a0nos leva, provavelmente, segundo as palavras de James Hansen em 2007, ao \u201cprecip\u00edcio de um grande ponto cr\u00edtico\u201d, al\u00e9m do qual h\u00e1 alta probabilidade de uma transi\u00e7\u00e3o para temperaturas m\u00e9dias ainda mais elevadas, por for\u00e7a de mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o independentes da a\u00e7\u00e3o humana\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>(4) Finalmente, o cen\u00e1rio consistente com aumentos inferiores a 2o C sup\u00f5e n\u00e3o apenas sucessivos aumentos das ambi\u00e7\u00f5es do Acordo de Paris, mas tamb\u00e9m emiss\u00f5es negativas gra\u00e7as a alguma forma (ainda n\u00e3o testada em escala e com efeitos colaterais imponder\u00e1veis) de engenharia de sequestro de carbono da atmosfera.<\/p>\n<p>A figura 1 sintetiza esses quatro cen\u00e1rios de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) e de seus respectivos impactos na evolu\u00e7\u00e3o do aquecimento m\u00e9dio global at\u00e9 2100.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico04_20171121_0.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 1 \u2013 Hist\u00f3rico e proje\u00e7\u00f5es de aquecimento m\u00e9dio global superficial at\u00e9 2100 |\u00a0Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/climateactiontracker.org\/global.html\">Climate Action Tracker<\/a><\/em><\/p>\n<p>Deixo de fora o primeiro cen\u00e1rio, diante do qual nada restaria a fazer. Excluo tamb\u00e9m o segundo, na esperan\u00e7a de que as pr\u00f3ximas COPs, e sobretudo a press\u00e3o popular, conseguir\u00e3o obter avan\u00e7os, por insuficientes que sejam, no cumprimento das promessas feitas em Paris. Trataremos aqui apenas do terceiro e do quarto cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Comecemos por indagar se o terceiro cen\u00e1rio \u2013 um aquecimento m\u00e9dio planet\u00e1rio entre 2,6\u00ba C e 3,2\u00ba C \u2013 pode ser ainda considerado como realista. Uma resposta positiva pressup\u00f5e duas condi\u00e7\u00f5es, ambas n\u00e3o satisfeitas: (1) a colabora\u00e7\u00e3o ativa dos EUA, o segundo maior poluidor do planeta (14,4% das emiss\u00f5es mundiais em 2016), no Acordo de Paris; (2) o cumprimento das redu\u00e7\u00f5es prometidas pelas demais 9 Partes mais poluidoras, respons\u00e1veis por quase 75% das emiss\u00f5es mundiais: China (27%), Uni\u00e3o Europeia (9,7%), \u00cdndia (6,6%), R\u00fassia (5%), Jap\u00e3o (3,1%), Brasil (2,3%), Indon\u00e9sia (1,7%), Canad\u00e1 (1,7%) e M\u00e9xico (1,7%)\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Se os EUA n\u00e3o retornarem ao Acordo de Paris em 2020 e se a R\u00fassia e demais grandes pa\u00edses petroleiros, como o Iraque, o Ir\u00e3 e o Kuwait, n\u00e3o o ratificarem, manter o aquecimento m\u00e9dio global abaixo de 3o C tornar-se-\u00e1, com toda a probabilidade, uma meta inating\u00edvel nos prazos draconianos impostos pelas din\u00e2micas em acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento global. Mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 ainda o caso de avan\u00e7ar uma resposta definitivamente negativa para essa quest\u00e3o. Tudo\u00a0<em>ainda<\/em>\u00a0depende do volume de gases de efeito estufa lan\u00e7ados na atmosfera nos pr\u00f3ximos anos. Em outras palavras, a resposta a essa quest\u00e3o depende do comportamento futuro, sempre imprevis\u00edvel, das sociedades.<\/p>\n<p>Passemos ao quarto cen\u00e1rio, que implica um aquecimento m\u00e9dio global inferior a 2\u00ba C. Se \u00e9 ainda imposs\u00edvel avan\u00e7ar uma resposta segura sobre a plausibilidade do terceiro cen\u00e1rio (+3\u00ba C), \u00e9 poss\u00edvel j\u00e1 excluir um aquecimento m\u00e9dio global inferior a 2\u00ba C. Em primeiro lugar porque j\u00e1 estamos condenados a esse n\u00edvel de aquecimento. Mesmo que n\u00e3o emit\u00edssemos mais nenhum grama de gases de efeito estufa a partir de hoje, as emiss\u00f5es passadas j\u00e1 desencadearam um aquecimento inercial futuro, capaz por si s\u00f3 de nos conduzir ao limiar dos 2o C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#6\">[6]<\/a>. Al\u00e9m disso, a figura abaixo, j\u00e1 por mim reportada num artigo do\u00a0<strong><em>Jornal da Unicamp<\/em>\u00a0<\/strong>de\u00a025 de setembro passado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#7\">[7]<\/a>,\u00a0mostra qu\u00e3o radical deve ser doravante a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de GEE para se manter um aquecimento m\u00e9dio global inferior a 2o C at\u00e9 2100.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico03_20171121_0.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 2 \u2013 Datas iniciais e finais de redu\u00e7\u00e3o a zero das emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas de CO2\u00a0| Fonte: Christiana Figueres, Hans Joachim Schellnhuber, Gail Whiteman, Johan Rockstr\u00f6m, Anthony Hobley &amp; Stefan Rahmstorf,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/news\/three-years-to-safeguard-our-climate-1.22201\">\u201cThree years to safeguard our climate\u201d,\u00a0Nature, 28\/VI\/2017<\/a>, a partir de dados do The Global Carbon Project.<\/em><\/p>\n<p>Um aquecimento abaixo de 2\u00ba C suporia, dependendo da probabilidade escolhida, emiss\u00f5es futuras limitadas a uma faixa entre 150 e 1.050 GtCO<sub>2<\/sub>. Os autores desse gr\u00e1fico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#8\">[8]<\/a>\u00a0trabalham com a m\u00e9dia aritm\u00e9tica desses dois valores (600 GtCO<sub>2<\/sub>). Como se v\u00ea, atingido esse teto, as emiss\u00f5es sucessivas deveriam estar e permanecer zeradas. Assim, se tiv\u00e9ssemos iniciado a curva de redu\u00e7\u00e3o em 2016, ter\u00edamos at\u00e9 2045 para zer\u00e1-las definitivamente. Se iniciarmos o lado declinante dessa curva em 2020, nosso prazo se encurta para 2040. E se iniciarmos a queda em 2025, a data limite torna-se 2035.<br \/>\n<strong>Uma impossibilidade sociof\u00edsica<\/strong><\/p>\n<p>Segundo um trabalho recente, manter o aquecimento planet\u00e1rio abaixo de 2\u00ba C n\u00e3o seria ainda uma \u201cimpossibilidade geof\u00edsica\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#9\">[9]<\/a>. Se essa tese estiver correta, ela significa que, na din\u00e2mica do aquecimento global, os mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o positiva n\u00e3o se tornaram ainda decisivos, o que significa que a a\u00e7\u00e3o mitigat\u00f3ria humana \u00e9 ainda mestra do jogo. Essa \u00e9 a boa not\u00edcia.<\/p>\n<p>A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que, dado o poder atual das corpora\u00e7\u00f5es de impor \u00e0 humanidade seus paradigmas, vis\u00e3o do mundo e planos de neg\u00f3cios, um aquecimento m\u00e9dio global inferior a 2\u00ba C \u00e9 uma impossibilidade\u00a0<em>sociof\u00edsica<\/em>. Uma convers\u00e3o \u00e0 sustentabilidade na escala e rapidez necess\u00e1ria requereria a desmontagem imediata dos paradigmas fundamentais de energia, mobilidade e alimenta\u00e7\u00e3o sobre os quais se assenta nossa civiliza\u00e7\u00e3o termo-f\u00f3ssil. Concretamente, isso suporia: cessar toda explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, descontinuar a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos n\u00e3o el\u00e9tricos, devolver aos rios seu fluxo natural, atingir o desmatamento zero, restaurar em grande escala as florestas com esp\u00e9cies nativas, descontinuar a produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico, inclusive como parte de uma estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies mar\u00edtimas, diminuir de modo radical o carnivorismo (mantido apenas nas comunidades tradicionais que dependem do gado para a subsist\u00eancia), descontinuar o uso de agrot\u00f3xicos e de fertilizantes qu\u00edmicos, protegendo da crescente intoxica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos organismos os solos, a \u00e1gua e a biosfera em geral, diminuir ao m\u00e1ximo o com\u00e9rcio global, em particular diminuir a dist\u00e2ncia entre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de produtos agr\u00edcolas. E tudo isso no intervalo\u00a0<em>m\u00e1ximo<\/em>\u00a0de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Esse conjunto de medidas, malgrado parecerem inexequ\u00edveis e absurdas \u00e0 ideologia suicida que governa o mundo, trariam benef\u00edcios duradouros para a humanidade e para a biosfera em geral. E embora impliquem diminuir drasticamente os padr\u00f5es atuais de consumo das classes com maior acesso ao mercado global, evitariam ou amenizariam males incomparavelmente maiores, inclusive para essas classes.<\/p>\n<p>Mas na aus\u00eancia de for\u00e7as sociais e pol\u00edticas capazes de criar consenso sobre a necessidade imperiosa e impreter\u00edvel de uma tal ruptura civilizacional, as tend\u00eancias observadas apontam para outra dire\u00e7\u00e3o num futuro previs\u00edvel. Segundo estimativas do\u00a0<em>The Global Carbon Project\u00a0<\/em>(GCP), em 2017 as emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas exclusivamente de CO<sub>2<\/sub>\u00a0(sem contabilizar os demais GEE) devem ainda aumentar em 2% (+0,8% a +3%) em rela\u00e7\u00e3o a 2016<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#_edn10\">[10]<\/a>. A figura 3 mostra que esse aumento se integra perfeitamente na linha ascendente quase ininterrupta das emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>\u00a0a partir da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis desde 1959.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico02_20171121_0.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 3 \u2013 Emiss\u00f5es globais de CO2 a partir apenas da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis (1959-2017), segundo dados do Global Carbon Budget\u00a0| Fonte: Gr\u00e1fico de Damian Carrington, \u201cFossil fuel burning set to hit record high in 2017, scientists warn\u201d.\u00a0The Guardian, 13\/XI\/2017<\/em><\/p>\n<p>Outro par\u00e2metro que permite avaliar qu\u00e3o distantes estamos das metas clim\u00e1ticas \u00e9 o aumento requerido do fornecimento de energia el\u00e9trica por fontes renov\u00e1veis. Para atingi-las, os pa\u00edses ricos deveriam doravante acrescentar 300 kWh\/ano\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0todos os anos em energias renov\u00e1veis. A Su\u00e9cia e Dinamarca est\u00e3o acrescentando pouco mais de 50%, os demais pa\u00edses ricos, apenas entre 40% (Portugal, Espanha e Alemanha) e 20% (Reino Unido, EUA, Fran\u00e7a e Jap\u00e3o) desse montante, como mostra a figura 4.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico01_20171121_0.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 4 \u2013 Aumento m\u00e9dio anual da gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica (kWh\/ano\u00a0per capita) por fontes renov\u00e1veis\u00a0| Fonte: Michael Le Page, \u201cThe Green revolution is stalling\u201d.\u00a0New Scientist, 5\/VIII\/2017, pp. 22-23.<\/em><\/p>\n<p><strong>A contribui\u00e7\u00e3o do Brasil para a acelera\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria de colapso<\/strong><\/p>\n<p>O presente ano\u00a0ser\u00e1, provavelmente, o ano sem o efeito El Ni\u00f1o mais quente dos registros hist\u00f3ricos e est\u00e1 entre os tr\u00eas mais quentes no que se refere \u00e0s temperaturas oce\u00e2nicas superficiais. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial informa tamb\u00e9m que em 2017 partes da Europa meridional, incluindo a It\u00e1lia, a \u00c1frica do Norte e por\u00e7\u00f5es ao leste e ao sul deste continente, bem como a parte asi\u00e1tica da R\u00fassia atingiram as temperaturas mais elevadas at\u00e9 hoje registradas. Al\u00e9m disso, o gelo do Oceano \u00c1rtico atingiu o recorde hist\u00f3rico de encolhimento nos primeiros quatro meses do presente ano.<\/p>\n<p>\u00c9 claro, o fato mais espetacular de 2017 no \u00e2mbito socioambiental ocorreu em 1\u00ba de junho, quando os EUA declararam sua inten\u00e7\u00e3o de se retirar do Acordo de Paris, inviabilizando a plena implementa\u00e7\u00e3o de suas metas. Os demais grandes poluidores n\u00e3o parecem capazes de compensar a defec\u00e7\u00e3o dos EUA. A China, por exemplo, aumentou suas emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>\u00a0em 3,5% em 2017 em rela\u00e7\u00e3o a 2016. A Alemanha, anfitri\u00e3 da COP23 e maior emissora da Europa, continua a abrir novas minas de carv\u00e3o e j\u00e1 \u00e9 praticamente certo que\u00a0<em>n\u00e3o atingir\u00e1<\/em>\u00a0suas metas de 2020 de redu\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es de GEE, o que a distanciar\u00e1 ainda mais de suas metas de 2030 e de 2050. Emitiu 902 Mt de CO<sub>2<\/sub>\u00a0em 2015, 906 Mt em 2016 (+0,4%) e em 2017 suas emiss\u00f5es devem crescer mais de 1% em rela\u00e7\u00e3o a 2016\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o Brasil faz figura de campe\u00e3o do retrocesso. Dados do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observat\u00f3rio do Clima, mostram que em 2016 as emiss\u00f5es do pa\u00eds aumentaram 8,9%, atingindo 2,278 GtCO<sub>2<\/sub>-eq contra 2,091 GtCO<sub>2<\/sub>-eq em 2015, conforme mostra a figura 5.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_grafico05_20171121.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><em>Figura 5 \u2013 Emiss\u00f5es totais de GEE do Brasil entre 1990 e 2016\u00a0| Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/total_emission\">Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), Observat\u00f3rio do Clima<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Como afirma o SEEG, \u201cem\u00a02015 e 2016, a eleva\u00e7\u00e3o acumulada das emiss\u00f5es foi de 12,3%, contra um tombo acumulado de 7,4 pontos no PIB, que recuou 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. O Brasil se torna, assim, a \u00fanica grande economia do mundo a aumentar a polui\u00e7\u00e3o sem gerar riqueza para sua sociedade\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#12\">[12]<\/a>.\u00a0O desmatamento e a pecu\u00e1ria, dois processos indissoci\u00e1veis do agroneg\u00f3cio, forneceram 74% dessas emiss\u00f5es em 2016. Tendo lan\u00e7ado na atmosfera mais de 2 GtCO<sub>2<\/sub>-eq, o Brasil ocupa, como visto acima, o s\u00e9timo lugar entre os pa\u00edses mais emissores de GEE no mundo.\u00a0\u201cSe fosse um pa\u00eds\u201d, continua o comunicado do SEEG, \u201co agroneg\u00f3cio brasileiro seria o oitavo maior poluidor do planeta, com emiss\u00f5es brutas de 1,6 bilh\u00e3o de toneladas (acima do Jap\u00e3o, com 1,3 bilh\u00e3o). Entre 1990 e 2016, o setor de uso da terra no Brasil emitiu mais de 50 bilh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub>e, o equivalente a um ano de emiss\u00f5es mundiais\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, para jogar mais petr\u00f3leo na fornalha do aquecimento global, o governo de Michel Temer, pelo decreto\u00a09.128\/2017 (18 de agosto de 2017), prorrogou at\u00e9 2040 o Repetro, o regime de isen\u00e7\u00f5es fiscais para a importa\u00e7\u00e3o de equipamentos destinados \u00e0 ind\u00fastria do petr\u00f3leo, criado em 1999 (e com prazo para acabar em 2019). Com a renova\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m os insumos para essa ind\u00fastria fabricados no Brasil ficar\u00e3o doravante isentos de tributos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#13\">[13]<\/a>. Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s da MP 795\/2017, aprovada em comiss\u00e3o mista especial em outubro passado, o governo prop\u00f4s a isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda e da Contibui\u00e7\u00e3o Social sobre o\u00a0Lucro L\u00edquido (CSLL) para as empresas internacionais envolvidas nas atividades de explora\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Os quase 800 mil km<sup>2<\/sup>\u00a0da floresta amaz\u00f4nica brasileira completamente eliminados desde 1970, sobretudo pelo agroneg\u00f3cio, os 100 mil km<sup>2<\/sup>\u00a0de pastos degradados que se substitu\u00edram a essa floresta (INPE) e todo o mal causado ao sistema clim\u00e1tico do planeta n\u00e3o trouxeram nenhum benef\u00edcio \u00e0 sociedade brasileira do ponto de vista do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH). E nem mesmo um aumento do PIB. Segundo um estudo coordenado por Paulo Barreto, do IMAZON, apresentado na COP23 em Bonn, \u201co aumento da \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia acrescentou, em m\u00e9dia, apenas 0,013% por ano ao PIB brasileiro na \u00faltima d\u00e9cada\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>A cat\u00e1strofe clim\u00e1tica e a descren\u00e7a na ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Seria f\u00e1cil acrescentar muitos outros dados convergentes, no Brasil e no mundo, a demonstrar que o Acordo de Paris e as pol\u00edticas atuais e previstas de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es dos GEE est\u00e3o conduzindo o planeta a um aquecimento m\u00e9dio global superior a 2\u00ba C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial, \u00a0limite considerado muito perigoso e que ser\u00e1 provavelmente ultrapassado j\u00e1 na primeira metade deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Mas a essa altura surge, inevit\u00e1vel, a pergunta:\u00a0por que, malgrado a avalanche de dados, observa\u00e7\u00f5es, proje\u00e7\u00f5es e advert\u00eancias de parte da comunidade cient\u00edfica nos \u00faltimos dec\u00eanios, continuamos a nos enganar? Por que, quando atravessamos uma ponte ou quando tomamos um avi\u00e3o, confiamos no saber da ci\u00eancia sobre as leis fundamentais da f\u00edsica, mas secretamente duvidamos dele ou, em todo o caso, agimos como se dele duvid\u00e1ssemos, quando esse saber mede e projeta, com probabilidades al\u00e9m da d\u00favida razo\u00e1vel, a cat\u00e1strofe ambiental? Por que, malgrado as evid\u00eancias em contr\u00e1rio, s\u00f3 temos ouvidos para a\u00a0<em>berceuse<\/em>\u00a0de que estamos na trilha de um aquecimento m\u00e9dio superficial n\u00e3o superior a 2\u00ba C em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial?<\/p>\n<p id=\"1\">Essa quest\u00e3o n\u00e3o admite respostas simples. Elas pertencem, obviamente, ao \u00e2mbito da pol\u00edtica e da capacidade das corpora\u00e7\u00f5es de control\u00e1-la, em detrimento dos interesses vitais da sociedade. Mas seria imprudente n\u00e3o procurar respostas tamb\u00e9m no \u00e2mbito da ideologia e da denega\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Uma dessas respostas pode-se encontrar no fato de que \u00e9 extremamente dif\u00edcil (e tanto mais, paradoxalmente, para os que t\u00eam ou poderiam ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o abalizada) admitir a evid\u00eancia de que toda civiliza\u00e7\u00e3o que reduz a natureza a um insumo, toda civiliza\u00e7\u00e3o incapaz de se entender e se sentir como parte da natureza, incapaz de respeit\u00e1-la e admir\u00e1-la como um valor intr\u00ednseco, est\u00e1 fadada \u00e0 insustentabilidade. Tal \u00e9 o caso do capitalismo e das sociedades igualmente expansivas que passaram, no s\u00e9culo XX, pela experi\u00eancia do \u201csocialismo real\u201d.<\/p>\n<p id=\"2\">Quaisquer que sejam as respostas a serem avan\u00e7adas a essa quest\u00e3o, uma certeza persiste: um plano de a\u00e7\u00e3o consequente sobre como agir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0deve partir de duas premissas: (1) levar (de fato) a s\u00e9rio o saber cient\u00edfico acerca de nossa trajet\u00f3ria de cat\u00e1strofe ambiental; (2) abandonar a ilus\u00e3o de que as elites do poder pol\u00edtico e financeiro renunciar\u00e3o a seus interesses econ\u00f4micos imediatos em prol do interesse geral. Pois essa ilus\u00e3o age como um poderoso narc\u00f3tico. Ela diminui o n\u00edvel de adrenalina imprescind\u00edvel em situa\u00e7\u00f5es de amea\u00e7a existencial iminente, tal como a que agora nos confronta.<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p id=\"4\">[1]\u00a0Cf. Potsdam Institute for Climate Impact Research and Climate Analytics,\u00a0<em>Turn down the Heat: Why a 4\u00b0C Warmer World Must be Avoided. A Report for the World Bank<\/em>\u00a0Novembro, 2012 (em rede)<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n<p id=\"5\">[2]\u00a0Veja-se, por exemplo, Yangyang Xu &amp; Veerabhadran Ramanathan, \u201cWell below 2\u00b0 C: Mitigation strategies for avoiding dangerous to catastrophic climate changes\u201d.\u00a0<em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em>, 14\/IX\/2017: \u201c&gt;1.5\u00b0 C as dangerous; &gt;3\u00b0 C as catastrophic; and &gt;5\u00b0 C as unknown, implying beyond catastrophic, including existential threats\u201d.<\/p>\n<p id=\"6\">[3]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. James Hansen\u00a0<em>et al.\u00a0<\/em>\u201cGlobal Temperature Change\u201d.\u00a0<em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em>, 26\/IX\/2006, 103, 39, 14288-14293: \u201cSea level was 25\u201335 m higher the last time that the Earth was 2\u20133\u00b0C warmer than today, i.e., during the Middle Pliocene about three million years ago\u201d.<\/span><\/p>\n<p id=\"7\">[4]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. J. Hansen,\u00a0<em>Wild<\/em>,<em>\u00a0<\/em>2007:\u00a0\u201cThis warming has brought us to the precipice of a great \u2018tipping point.\u2019 If we go over the edge, it will be a transition to \u2018a different planet,\u2019 an environment far outside the range that has been experienced by humanity. There will be no return within the lifetime of any generation that can be imagined, and the trip will exterminate a large fraction of species on the planet\u201d (em rede).<\/span><\/p>\n<p id=\"8\">[5]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Johannes Friedrich, Mengpin Ge &amp; Andrew Pickens, \u201cThis Interactive Chart Explains World\u2019s Top 10 Emitters, and How They\u2019ve Changed\u201d.\u00a0<\/span><em>World Resources Institute<\/em>, 11\/IV\/2017 (em rede).<\/p>\n<p id=\"9\"><a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/tarde-demais-para-3o-c#_ednref6\">[6]<\/a>\u00a0Conforme afirma James Hansen:<a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/james_hansen_why_i_must_speak_out_about_climate_change#t-384684\">\u00a0\u201cH\u00e1 um tempor\u00e1rio desbalan\u00e7o energ\u00e9tico. Mais energia est\u00e1 chegando que saindo da Terra, at\u00e9 que esta se aque\u00e7a o suficiente novamente, irradiando de volta para o espa\u00e7o tanta energia quanto recebe do Sol. Mais aquecimento est\u00e1 vindo pelo cano.\u00a0<strong>Ele ocorrer\u00e1 mesmo sem emiss\u00f5es de mais gases de efeito estufa\u00a0<\/strong>[&#8230;] O desequil\u00edbrio total agora \u00e9 de cerca de 6\/10 Watts\/m2. [&#8230;] \u00c9 enorme. \u00c9 cerca de 20 vezes maior que a taxa de energia usada por toda a humanidade. \u00c9 o equivalente a explodir 400 mil bombas at\u00f4micas de Hiroshima todos os dias durante os 365 dias do ano. Isso \u00e9 o que a Terra est\u00e1 ganhando em energia todos os dias\u201d (negrito acrescido)<\/a>.<\/p>\n<p id=\"10\">[7]\u00a0Veja-se, para esta refer\u00eancia e a pr\u00f3xima,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/esperancas-cientificas-e-fatos-politicos-basicos-sobre-o-acordo-de-paris\">\u201c<\/a><a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/esperancas-cientificas-e-fatos-politicos-basicos-sobre-o-acordo-de-paris\">Esperan\u00e7as cient\u00edficas e fatos pol\u00edticos b\u00e1sicos sobre o Acordo de Paris\u201d,\u00a0<em>Jornal da Unicamp<\/em>, 25\/IX\/2017<\/a>.<\/p>\n<p id=\"11\">[8]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf.\u00a0Christiana Figueres, Hans Joachim Schellnhuber, Gail Whiteman, Johan Rockstr\u00f6m, Anthony Hobley &amp; Stefan Rahmstorf, \u201cThree years to safeguard our climate\u201d.\u00a0<em>Nature<\/em>, 28\/VI\/2017 (em rede).<\/span><\/p>\n<p id=\"12\">[9]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Richard J. Millar\u00a0<em>et al.<\/em>, \u201c<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Emission budgets and pathways consistent with limiting warming to 1.5\u2009\u00b0C\u201d.\u00a0<em>Nature Geoscience<\/em>,\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">18\/IX\/2017.<\/span><\/p>\n<p id=\"13\">[10]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\"><a href=\"http:\/\/www.globalcarbonproject.org\/carbonbudget\/17\/files\/GCP_CarbonBudget_2017.pdf\">Cf. Global Carbon Budget 2017. 13\/XI\/2017<\/a>.<\/span><\/p>\n<p id=\"14\">[11]<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Paulo Hockenos, \u201cGermany is a Coal-Burning, Gas-Guzzling Climate Change Hypocrite\u201d,\u00a0<em>Foreign Policy<\/em>, 13\/XI\/2017; S\u00f6ren Amelang, Benjamin Wehrmann, Julian Wettegel, \u201cGermany\u2019s energy use and emissions likely to rise yet again in 2017\u201d.\u00a0<\/span><em>Clean Energy Wire<\/em>, 13\/XI\/2017.<\/p>\n<p id=\"15\">[12]\u00a0<a href=\"http:\/\/seeg.eco.br\/2017\/11\/01\/emissoes-do-brasil-sobem-9-em-2016\/\">\u201cEmiss\u00f5es do Brasil sobem 9% em 2016\u201d. SEEG, 25\/X\/2017<\/a>.<\/p>\n[13]\u00a0Cf. Nicola Pamplona, \u201cGoverno amplia at\u00e9 2040 regime de isen\u00e7\u00e3o fiscal no setor de petr\u00f3leo\u201d.\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, 18\/VIII\/2017.<\/p>\n[14]\u00a0Cf. Carlos Zarattini, \u201cGigantes do petr\u00f3leo livres de impostos?\u201d.\u00a0<em>CartaCapital<\/em>, 26\/X\/2017.<\/p>\n[15]\u00a0Cf. Fabiano Maisonnave, \u201cDesmatamento agrega ao PIB apenas 0,013% ao ano, diz estudo\u201d.\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, 13\/XI\/2017. Segundo Paulo Barreto, citado por Maisonnave:\u00a0&#8220;Num primeiro momento, o acesso f\u00e1cil aos recursos naturais produz uma explos\u00e3o de riqueza no munic\u00edpio. Essa riqueza, contudo, fica concentrada nas m\u00e3os de poucos e vai se esgotando em poucos anos. O resultado final s\u00e3o cidades inchadas, com infraestrutura deficiente, sem empregos de qualidade e com concentra\u00e7\u00e3o de renda&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\">Luiz Marques<\/a>\u00a0\u00e9 professor livre-docente do Departamento de Hist\u00f3ria do IFCH \/Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari,\u00a0<i>Vida de Michelangelo\u00a0<\/i>(1568), 2011 e\u00a0<i>Capitalismo e Colapso ambiental<\/i>, 2015, 2<sup>a<\/sup>edi\u00e7\u00e3o, 2016. Coordena a cole\u00e7\u00e3o Palavra da Arte, dedicada \u00e0s fontes da historiografia art\u00edstica, e participa com outros colegas do coletivo\u00a0<i>Cris\u00e1lida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate &amp; Atualiza\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0(<a href=\"http:\/\/crisalida.eco.br\/\">crisalida.eco.br<\/a>).<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Texto <a href=\"mailto:kassab@reitoria.unicamp.br\">Luiz Marques<\/a>, fotos <a href=\"mailto:kassab@reitoria.unicamp.br\">Reprodu\u00e7\u00e3o | Marco Vancini | TBGLOBALIST.COM<\/a>, edi\u00e7\u00e3o de imagem\u00a0<a href=\"mailto:lcarlos@reitoria.unicamp.br\">Luis Paulo Silva<\/a>,\u00a0Jornal da UNICAMP de 21 de novembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>lepista As diversas proje\u00e7\u00f5es de aumento das temperaturas m\u00e9dias superficiais terrestres e mar\u00edtimas combinadas at\u00e9 2100 (em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial) confluem, com pequenas discrep\u00e2ncias, para quatro cen\u00e1rios. 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