{"id":22265,"date":"2017-12-28T09:00:51","date_gmt":"2017-12-28T11:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22265"},"modified":"2017-12-07T10:49:50","modified_gmt":"2017-12-07T12:49:50","slug":"acucar-um-alimento-com-o-futuro-sob-suspeita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/acucar-um-alimento-com-o-futuro-sob-suspeita\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00facar, um alimento com o futuro sob suspeita"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/economia\/1503057146_487008_1503266776_noticia_normal.jpg\" alt=\"Azucar\" \/><em><span class=\"foto-texto\">A\u00e7\u00facar produzido em uma refinaria na R\u00fassia.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>Setor responde com novos produtos \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o dos consumidores<\/strong><\/p>\n<p>Ele \u00e9 um dos primeiros motores do com\u00e9rcio global e origem de um sangrento legado de explora\u00e7\u00e3o. Durante d\u00e9cadas apreciado e vilipendiado em partes iguais, seu car\u00e1ter viciante preocupa as autoridades de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/salud_publica\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sa\u00fade p\u00fablica<\/a>\u00a0por seus efeitos na qualidade e na expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o. Uma ind\u00fastria gigantesca edificada sobre um produto cada vez mais questionado pelos consumidores e os Governos por seus efeitos \u00e0 sa\u00fade. Poder\u00edamos estar falando do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/tabaco\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tabaco<\/a>, mas n\u00e3o. Os especialistas avisam que o a\u00e7\u00facar, uma ind\u00fastria que em 2015 realizou exporta\u00e7\u00f5es no valor de 20 bilh\u00f5es de euros (74 bilh\u00f5es de reais), segue o mesmo caminho.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/azucar\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a\u00e7\u00facar<\/a>\u00a0\u00e9 o tabaco do s\u00e9culo XXI\u201d, afirma Henk Grootveld, chefe de tend\u00eancias de investimento do Robeco e gestor de contas. \u201cA situa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de alimentos e bebidas a\u00e7ucaradas \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 ind\u00fastria tabagista no ano 2000, na medida que os consumidores se tornam mais e mais conscientes dos efeitos de seu excesso na sa\u00fade\u201d. \u201cO distanciamento dos consumidores j\u00e1 \u00e9 uma tend\u00eancia global\u201d, diz Nick Fereday, analista do Rabobank. \u201c\u00c9 algo muito s\u00e9rio para ind\u00fastria e n\u00e3o se pode desejar que desapare\u00e7a ou menosprez\u00e1-lo como uma moda passageira\u201d.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CPnXwfvp99cCFRhmwQodlswLtw\"><\/div>\n<p dir=\"ltr\">Porque nosso corpo precisa de um a\u00e7\u00facar, mas n\u00e3o da sacarose (o nome cient\u00edfico do a\u00e7\u00facar refinado), mas da glicose. \u201c\u00c9 um dos combust\u00edveis fundamentais ao nosso organismo. Nossos m\u00fasculos, nosso c\u00e9rebro e outros \u00f3rg\u00e3os precisam de glicose para funcionar\u201d, afirma um estudo do banco de investimentos Robeco sobre o setor a\u00e7ucareiro publicado recentemente. \u201cComer alimentos que cont\u00eam muito a\u00e7\u00facar e coloc\u00e1-lo na comida \u00e9 como lan\u00e7ar combust\u00edvel ao fogo. Mas nosso corpo, gra\u00e7as a todas as bact\u00e9rias em nosso aparelho digestivo, est\u00e1 mais do que equipado para extrair glicose de quase tudo o que comemos\u201d. E dispara: \u201cEst\u00e1 claro que, hoje, os legisladores n\u00e3o est\u00e3o preparados para ver o a\u00e7\u00facar como um ingrediente viciante e t\u00f3xico, como o \u00e1lcool pode ser. Talvez o grito de alerta dos pol\u00edticos ocorra quando chegar a conta da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/obesidad\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">epidemia de obesidade<\/a>\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Porque \u00e9 uma epidemia, declarada como tal pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/oms_organizacion_mundial_salud\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a>\u00a0em 2003. Em 2014, 1,9 bilh\u00e3o de adultos tinham sobrepeso; 600 milh\u00f5es estavam obesos. Desde 1980, a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o mundial com a doen\u00e7a duplicou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um relat\u00f3rio da Morgan Stanley de mar\u00e7o de 2015 chamado\u00a0<em>O Amargo Retrogosto do A\u00e7\u00facar<\/em>\u00a0alerta sobre as consequ\u00eancias econ\u00f4micas da epidemia e afirma que, se medidas n\u00e3o forem tomadas, os pa\u00edses da\u00a0<span class=\"st\">Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico<\/span>\u00a0(OCDE) perder\u00e3o entre 15% e 20% de sua produtividade at\u00e9 2035. \u201cOs pa\u00edses que enfrentam as maiores perdas econ\u00f4micas s\u00e3o aqueles onde a predomin\u00e2ncia de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 obesidade e o consumo de a\u00e7\u00facar j\u00e1 \u00e9 alta\u201d, diz o relat\u00f3rio, que coloca o Chile e o M\u00e9xico entre os pa\u00edses em maior risco.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNossas simula\u00e7\u00f5es mostram que uma for\u00e7a de trabalho reduzida e menos produtiva, seja por mortes prematuras, inatividade for\u00e7ada e pior rendimento no trabalho, pode afetar de maneira significativa o crescimento econ\u00f4mico, particularmente em setores intensivos em m\u00e3o de obra como o dos servi\u00e7os\u201d, diz o documento. \u201cNosso modelo tamb\u00e9m sugere que pequenas mudan\u00e7as na dieta podem trazer benef\u00edcios significativos a longo prazo; o progresso sustent\u00e1vel, entretanto, s\u00f3 ser\u00e1 obtido por uma melhor compreens\u00e3o por parte da popula\u00e7\u00e3o dos dois lados do desequil\u00edbrio cal\u00f3rico: consumo e gasto\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>A ind\u00fastria se defende<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A ind\u00fastria, por sua vez, continua mantendo a mesma posi\u00e7\u00e3o que tem h\u00e1 d\u00e9cadas. \u201cO problema n\u00e3o \u00e9 o a\u00e7\u00facar, s\u00e3o os excessos\u201d, afirma Rafael Urrialde, chefe de Sa\u00fade da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/coca_cola\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Coca-Cola<\/a>\u00a0Espanha. \u201cO a\u00e7\u00facar \u00e9 um alimento como outro qualquer e in\u00fameros alimentos o cont\u00eam. Se o consumo n\u00e3o \u00e9 equilibrado, pode fazer muito mal\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Desde os anos sessenta, os estudos cient\u00edficos insistiram na redu\u00e7\u00e3o do consumo de gorduras para se evitar problemas de sa\u00fade. Mas isso mudou. \u201cA tradi\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de comer ovos no caf\u00e9 da manh\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma ideia t\u00e3o ruim afinal de contas\u201d, diz o relat\u00f3rio do Robeco. \u201cEnche o est\u00f4mago, diminui o apetite por mais tempo e aumenta nossa glicose no sangue a um prazo mais longo\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/imagenes\/2017\/08\/18\/actualidad\/1503057146_487008_1503061954_sumario_grande.jpg\" \/><em>Luis Tinoco<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">O verdadeiro problema do a\u00e7\u00facar na dieta n\u00e3o vem em colheradas. Aproximadamente 80% do a\u00e7\u00facar consumido nos mercados desenvolvidos \u00e9 destinado a diferentes alimentos industrializados, n\u00e3o s\u00f3 por sua capacidade de melhorar o sabor da comida, mas porque \u00e9 um conservante que aumenta a quantidade de tempo que um produto pode ficar nas prateleiras.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A press\u00e3o dos consumidores est\u00e1 obrigando as empresas a buscarem alternativas. \u201cTirando os exageros dos que colocam as m\u00e3os na cabe\u00e7a, o que temos agora \u00e9 talvez um p\u00fablico mais maduro\u201d, reconhece um especialista ligado \u00e0 ind\u00fastria a\u00e7ucareira. \u201cVeremos uma demanda muito forte por produtos org\u00e2nicos e inovadores\u201d, diz Grootveld.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em alguns casos, essas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o tecnol\u00f3gicas. A startup israelense DouxMatox, fundada em 2014, desenvolveu uma forma de recristalizar o a\u00e7\u00facar de forma que tenha o mesmo efeito ado\u00e7ante utilizando uma quantidade menor, e promete coloc\u00e1-la \u00e0 venda na segunda metade de 2018. Em novembro, a Nestl\u00e9 anunciou o desenvolvimento de um produto semelhante.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas, a curto prazo, a alternativa \u00e9 reduzir as quantidades de a\u00e7\u00facar, seja incorporando menos aos alimentos, seja reduzindo as por\u00e7\u00f5es e, principalmente, diversificando os cat\u00e1logos para incorporar elementos menos doces e sem o edulcorante. \u201cEu acho que as grandes empresas prestaram muita aten\u00e7\u00e3o na rea\u00e7\u00e3o das empresas tabagistas\u201d, afirma Grootveld. \u201cMudaram para outros ado\u00e7antes. \u00c9 algo parecido ao que ocorreu nos anos oitenta quando as pessoas reagiram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gordura\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Pelo menos publicamente, os esfor\u00e7os existem. \u201c\u00c9 \u00f3bvio que o a\u00e7\u00facar \u00e9 um ingrediente importante na composi\u00e7\u00e3o de nossos produtos\u201d, afirma um comunicado da Associa\u00e7\u00e3o Espanhola do Doce. \u201cMas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico e nem o mais importante de acordo com a categoria de produtos examinada\u201d. A pr\u00f3pria\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nestle\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nestl\u00e9<\/a>adotou em 2007 uma pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar que, segundo a empresa, permitiu a economia de 36.000 toneladas do produto desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas o setor com mais interesse em se reorientar \u00e9 o das bebidas a\u00e7ucaradas, especialmente depois de em 2016 a OMS pedir publicamente que fossem taxadas com um imposto. \u201cOs Governos (&#8230;) podem reduzir o sofrimento e salvar vidas\u201d, afirmou \u00e0 \u00e9poca Douglas Bettcher, diretor do \u00f3rg\u00e3o para doen\u00e7as n\u00e3o contagiosas. V\u00e1rios pa\u00edses, dentre os quais o M\u00e9xico e Portugal, decidiram aplicar uma taxa. Na Catalunha, desde maio existe um imposto de 8 a 12 centavos de euro por cada 100 mililitros.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Tudo isso sob os protestos da ind\u00fastria, que menciona suas pr\u00f3prias medidas tomadas. \u201cH\u00e1 anos reduzimos o a\u00e7\u00facar em todos os nossos produtos\u201d, diz Urrialde. \u201cO conte\u00fado caiu em 38%, e em alguns casos chega a ser de 80% do total. Nossa ideia \u00e9 reduzi-lo \u00e0 metade; em alguns produtos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel oferecer uma alternativa, em outros \u00e9 poss\u00edvel perder mais de 60%. 41% de nossas vendas j\u00e1 s\u00e3o de produtos sem a\u00e7\u00facar e com a\u00e7\u00facar reduzido; em alguns anos, ser\u00e3o a metade\u201d. \u201cUm dos nossos objetivos para 2025 \u00e9 fazer com que dois ter\u00e7os de nossa gama global de bebidas tenham 100 calorias ou menos a\u00e7\u00facares acrescentados por cada lata de um ter\u00e7o de litro\u201d, afirma um porta-voz da Pepsico.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Reeduca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estados Unidos<\/a>, os consumidores tendem a migrar das bebidas gaseificadas aos sucos de frutas e ao ch\u00e1 gelado, mas o relat\u00f3rio da Robeco alerta: \u201cSe isso ocorreu pela consci\u00eancia dos consumidores com rela\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar, provavelmente seja necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a na educa\u00e7\u00e3o, pois os sucos e o ch\u00e1 gelado podem conter tanto a\u00e7\u00facar quanto um refrigerante normal.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As tend\u00eancias est\u00e3o mudando, mas \u00e9 dif\u00edcil quantificar seu impacto na ind\u00fastria porque n\u00e3o se sabe realmente quanto a\u00e7\u00facar \u00e9 ingerido. Como explica o relat\u00f3rio Sweetness and Lite, publicado no in\u00edcio do m\u00eas pelo banco holand\u00eas Rabobank, \u201cn\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que me\u00e7a realmente o consumo de a\u00e7\u00facar. O consumo \u00e9 o que fica quando se aplicam ao balan\u00e7o global outros elementos mais f\u00e1ceis de medir, como a produ\u00e7\u00e3o, as exporta\u00e7\u00f5es, as importa\u00e7\u00f5es e os estoques. De fato, o termo \u2018desaparecimento\u2019, utilizado por alguns analistas, \u00e9 o mais preciso\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A previs\u00e3o \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o mundial de a\u00e7\u00facar para as colheitas de 2017-2018 seja de cerca de 180 milh\u00f5es de toneladas, um recorde hist\u00f3rico, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura dos EUA. Um potente motor dessa marca foi uma mudan\u00e7a radical na pol\u00edtica agr\u00edcola da Uni\u00e3o Europeia: pela primeira vez, a produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira do bloco (majoritariamente de beterraba) n\u00e3o est\u00e1 sujeita a nenhuma restri\u00e7\u00e3o ou cota, o que faz com que as exporta\u00e7\u00f5es europeias de a\u00e7\u00facar possam aumentar de 1,5 milh\u00e3o de toneladas para mais de 2 milh\u00f5es. O objetivo da supress\u00e3o de cotas, segundo a Comiss\u00e3o Europeia, \u00e9 conseguir \u201cum setor mais competitivo\u201d dentro de uma \u201cpol\u00edtica agr\u00edcola comum mais orientada \u00e0s necessidades do mercado\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas o mercado, neste momento, n\u00e3o precisa de mais a\u00e7\u00facar. No in\u00edcio da d\u00e9cada, os pre\u00e7os ca\u00edram por causa do excesso na oferta: o chamado contrato n\u00famero 11 , a refer\u00eancia do mercado de futuros, passou de 35 centavos de d\u00f3lar a libra (454 gramas) em 2011 para pouco mais de 10 em 2015. Um breve aumento em 2016 deu esperan\u00e7a aos mercados, mas eles voltaram a cair, girando em torno de 13 centavos por libra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Incerteza<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Isso tem a ver com a mudan\u00e7a dos perfis de demanda? \u201c\u00c9 dif\u00edcil encontrar dados, mas parece que o consumo de a\u00e7\u00facar chegou ao m\u00e1ximo nos mercados ocidentais\u201d, afirma a Robeco. \u201cNa Am\u00e9rica do Norte, caiu sete quilos entre 2001 e 2011.\u201d Questionadas sobre a potencial evolu\u00e7\u00e3o, fontes do setor afirmam: \u201cN\u00e3o est\u00e1 claro se a demanda cair\u00e1. Inclusive pode ser que haja um pouco de escassez se os pre\u00e7os do petr\u00f3leo continuarem em alta.\u201d Os 38 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7\u00facar armazenados em todo o planeta tamb\u00e9m s\u00e3o um fator que ajuda a manter os pre\u00e7os baixos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A chave do otimismo do setor est\u00e1 nos pa\u00edses emergentes, em especial na \u00c1sia: culturas onde o a\u00e7\u00facar nunca foi uma parte importante do consumo di\u00e1ria at\u00e9 agora. \u201cAo que parece, a dieta ocidental continua sendo uma aspira\u00e7\u00e3o para as novas classes m\u00e9dias nos mercados emergentes\u201d, diz o Morgan Stanley. \u201cAs diferen\u00e7as no consumo por pessoa entre o mundo desenvolvido e o emergente continuar\u00e3o diminuindo, sem chegar a convergir.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De fato, todas as regi\u00f5es do mundo, com exce\u00e7\u00e3o da \u00c1sia Oriental e da \u00c1frica Ocidental, superam a recomenda\u00e7\u00e3o da OMS de que os a\u00e7\u00facares adicionados n\u00e3o representem mais de 10% das calorias di\u00e1rias consumidas. Ainda assim, segundo um estudo da OCDE sobre as consequ\u00eancias no mercado da queda da demanda a\u00e7ucareira, se esse limite fosse aplicado durante cinco anos, a demanda global cairia 12% e os pre\u00e7os, 25%. Esse mesmo documento afirma que pa\u00edses como o Brasil e os EUA seriam os que mais teriam de reduzir a produ\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o relat\u00f3rio informa que isso n\u00e3o afetaria o equil\u00edbrio dos demais produtos agroalimentares. \u201cEm alguns pa\u00edses, os produtos finais seriam substitu\u00eddos por outros mais rent\u00e1veis, como o bioetanol no Brasil, ou por outros cultivos, como as oleaginosas.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por isso, os analistas consideram que, aconte\u00e7a o que acontecer, por enquanto o consumo de a\u00e7\u00facar n\u00e3o vai diminuir. \u201c\u00c9 improv\u00e1vel que estejamos falando de uma tend\u00eancia de queda no longo prazo. O mercado continuar\u00e1 crescendo, mas devagar do que antes, mas crescendo de todo jeito\u201d, afirma o relat\u00f3rio do Rabobank.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/08\/18\/media\/1503070536_241572_1503070562_noticia_normal.png\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Fonte &#8211; Thiago Ferrer Morini, El Pa\u00eds de 20 de agosto de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00facar produzido em uma refinaria na R\u00fassia.\u00a0GETTY Setor responde com novos produtos \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o dos consumidores Ele \u00e9 um dos primeiros motores do com\u00e9rcio global e origem de um sangrento legado de explora\u00e7\u00e3o. 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