{"id":22267,"date":"2017-12-26T13:00:15","date_gmt":"2017-12-26T15:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22267"},"modified":"2017-12-07T10:50:53","modified_gmt":"2017-12-07T12:50:53","slug":"por-que-este-e-o-momento-mais-perigoso-para-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/por-que-este-e-o-momento-mais-perigoso-para-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Por que este \u00e9 o momento mais perigoso para a humanidade?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/11\/06\/ciencia\/1509924058_409061_1509924298_noticia_normal.jpg\" alt=\"Imagem do filme 'Mad Max: F\u00faria na estrada'.\" \/><em><span class=\"foto-texto\">Imagem do filme &#8216;Mad Max: F\u00faria na estrada&#8217;.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">WARNER BROS<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a guerra nuclear s\u00e3o as maiores amea\u00e7as a serem enfrentadas em meados do s\u00e9culo<\/strong><\/p>\n<p>A humanidade j\u00e1 esteve a ponto de desaparecer. Foi depois da terr\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/erupciones_volcanes\/a\">erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica<\/a>\u00a0de Toba, na Indon\u00e9sia, h\u00e1 75.000 anos. Esta enorme erup\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou tal quantidade de materiais na atmosfera que causou &#8220;efeitos compar\u00e1veis aos cen\u00e1rios de inverno nuclear&#8221;. &#8220;A popula\u00e7\u00e3o humana parece ter passado pelo gargalo da garrafa neste momento; de acordo com algumas estimativas, caiu para cerca de quinhentas f\u00eameas reprodutoras em uma popula\u00e7\u00e3o mundial de aproximadamente 4.000 indiv\u00edduos&#8221;, explica Michael Rampino no livro\u00a0<em>Global Catastrophic Risks<\/em>\u00a0(Riscos Catastr\u00f3ficos Globais). &#8220;Talvez este tenha sido o pior desastre que j\u00e1 recaiu sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/evolucion_humana\/a\">esp\u00e9cie humana<\/a>, pelo menos se a gravidade for medida por qu\u00e3o pr\u00f3ximo o resultado esteve do terminal&#8221;, destaca.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\"><em>&#8220;\u00c9 mais prov\u00e1vel que morramos no fim do mundo que em um ataque terrorista ou em um acidente de avi\u00e3o&#8221;<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Segundo a teoria da cat\u00e1strofe de Toba, a cinza da erup\u00e7\u00e3o bloqueou a entrada de luz solar e as temperaturas ca\u00edram rapidamente, tornando as condi\u00e7\u00f5es de vida extremamente dif\u00edceis, o que levou os seres humanos \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o. Uma esp\u00e9cie hoje decisiva na hist\u00f3ria da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/la_tierra\/a\">Terra<\/a>, capaz de deixar marca na escala geol\u00f3gica, e que agora corre o risco de passar pelo gargalo da garrafa de maneira semelhante, j\u00e1 que estamos a apenas dois minutos e meio do apocalipse.<\/p>\n<p>De acordo com o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/01\/22\/ciencia\/1421953015_359918.html\">rel\u00f3gio simb\u00f3lico do fim do mundo<\/a>, criado pelo Boletim dos Cientistas At\u00f4micos, chegar \u00e0 meia-noite significa o abismo, e as condi\u00e7\u00f5es atuais da humanidade nos levaram \u00e0s 23h57 e 30 segundos. \u00c9 o ponto mais pr\u00f3ximo do cataclismo final, desde que a ex-URSS e os EUA exibiram seu poderio termonuclear em 1953. A inst\u00e1vel e atrevida gest\u00e3o do poder at\u00f4mico mostrada por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/donald_trump\/a\">Donald Trump<\/a>, juntamente com as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cambio_climatico\/a\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>, levou este painel de cientistas, que conta com 15 pr\u00eamios Nobel, a adiantar o rel\u00f3gio \u2014 que em 1991 estava a 17 minutos do ju\u00edzo final. Antes do rel\u00f3gio ser criado, h\u00e1 70 anos, ningu\u00e9m poderia imaginar a humanidade se autodestruindo, e a ideia de que a ra\u00e7a humana poderia desaparecer era t\u00e3o remota quanto um supervulc\u00e3o ou um gigantesco meteorito.<\/p>\n<p>Mas vivemos em tempos vol\u00e1teis, embora n\u00e3o vejamos isso. \u00c9 mais prov\u00e1vel que morramos no fim do mundo, durante o hipot\u00e9tico evento que acaba com a humanidade, do que em um ataque terrorista ou em um acidente de avi\u00e3o. Estamos bem perto, segundo alguns dos acad\u00eamicos dedicados a estudar os riscos existenciais, aqueles que comprometem nossa viabilidade como esp\u00e9cie. Como chegaremos em 2050?<\/p>\n<p><em>&#8220;Poucos se d\u00e3o conta de que a amea\u00e7a de um holocausto nuclear \u00e9 muito maior hoje do que foi durante a maior parte da Guerra Fria&#8221;<\/em><\/p>\n<p>\u201cA maioria das pessoas n\u00e3o est\u00e1 ciente do perigo\u201d, afirma Phil Torres, autor do rec\u00e9m-publicado\u00a0<em>Moral Bioenhancement and Agential Risks: Good and Bad Outcomes,<\/em>\u00a0da Pitchstone (numa tradu\u00e7\u00e3o livre, Moralidade, Previs\u00e3o e Prosperidade Humana: Riscos Existenciais). \u201cPoucos se d\u00e3o conta de que a amea\u00e7a de um holocausto nuclear \u00e9 muito maior hoje do que foi durante a maior parte da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_fria\/a\">Guerra Fria<\/a>. E o negacionismo clim\u00e1tico continua sendo inaceitavelmente generalizado, em especial entre os republicanos nos Estados Unidos\u201d, acrescenta Torres. Para este especialista, um dos maiores desafios \u00e9 encontrar a maneira de n\u00e3o paralisar a popula\u00e7\u00e3o ao difundir o que disse recentemente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/stephen_w_hawking\/a\">Stephen Hawkings<\/a>: que este \u00e9 o momento mais perigoso da hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>De conscientizar sobre os riscos Teresa Ribera entende bastante. \u00c9 considerada uma das art\u00edfices do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/acuerdo_paris_2015\/a\">Acordo de Paris<\/a>, especialista nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sem d\u00favida um dos maiores perigos que teremos de combater em 2050. \u201c\u00c9 particularmente delicada a situa\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis em pa\u00edses em desenvolvimento nos quais a falta de solidariedade internacional e as dificuldades intr\u00ednsecas para fazer frente a cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas severas causam deslocamentos e sofrimento e, com isso, instabilidade local e mundial\u201d, observa Ribera, diretora do Instituto para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e as Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p><strong>Deter as mudan\u00e7as globais do clima<\/strong><\/p>\n<p>Ribera projeta dois cen\u00e1rios bem diferentes para 2050. Por um lado, um de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas intensas, sem mais redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es que a da in\u00e9rcia, com mudan\u00e7as de uso de solo aceleradas e sem estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o: \u201cEstar\u00edamos nos aproximando de um cen\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/05\/15\/cultura\/1431691731_013800.html\"><em>Mad Max<\/em><\/a>: um mundo cheio de conflitos por acesso a recursos b\u00e1sicos, com injusti\u00e7as e fragilidades que alimentariam populismos e rea\u00e7\u00f5es violentas. Um mundo no qual a fragilidade dos ecossistemas e a virul\u00eancia dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dificultariam a seguran\u00e7a alimentar, inundariam zonas baixas densamente povoadas, deixariam fora de servi\u00e7o a infraestrutura b\u00e1sica de mobilidade, energ\u00e9tica ou de fornecimento de \u00e1gua, al\u00e9m de provocar ver\u00f5es de cinco meses, muito mais dias acima de 40\u00baC e com m\u00ednimas n\u00e3o inferiores a 25\u00baC e inc\u00eandios cada vez maiores e virulentos em climas mediterr\u00e2neos como o espanhol\u201d.<\/p>\n<p><em>&#8220;Stephen Hawking acredita que este \u00e9 o momento mais perigoso da hist\u00f3ria da humanidade&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Por outro lado, um cen\u00e1rio no qual adotar\u00edamos todas as medidas para conseguir uma economia baixa em carbono: \u201cN\u00e3o poder\u00edamos escapar de muitos dos efeitos que a in\u00e9rcia do sistema clim\u00e1tico nos imp\u00f5e, mas, sim, evitar os mais graves, as enormes consequ\u00eancias da falta de preparo e uma normaliza\u00e7\u00e3o progressiva para o futuro de nossos netos\u201d. Ribera acredita que nos movemos perto desse segundo cen\u00e1rio, se bem que \u201c\u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o obtenhamos o melhor em redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es nem com a aplica\u00e7\u00e3o das medidas que nos ajudem a estar preparados para os impactos\u201d.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o a maior amea\u00e7a para a sa\u00fade do s\u00e9culo XXI, segundo um relat\u00f3rio da\u00a0<em>The Lancet<\/em>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/onu_organizacion_naciones_unidas\/a\">Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>. Nas grandes cidades do planeta, as inunda\u00e7\u00f5es severas se duplicar\u00e3o em 2050 enquanto 4 bilh\u00f5es de pessoas sofrer\u00e3o com problemas de acesso a \u00e1gua. Nessa data, dobrar\u00e1 o n\u00famero de mortes decorrentes do ar polu\u00eddo em boa parte dos pa\u00edses em desenvolvimento. As popula\u00e7\u00f5es urbanas expostas aos furac\u00f5es chegar\u00e3o a 680 milh\u00f5es de pessoas. Mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas padecer\u00e1 com as ondas de calor (em 2015 foram 175 milh\u00f5es), sendo particularmente letais para crian\u00e7as pequenas e idosos, que constituir\u00e3o grande parte da popula\u00e7\u00e3o em alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Se as tend\u00eancias atuais persistirem, em 2050\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/16\/ciencia\/1494929590_560086.html\">haver\u00e1 mais quilos de pl\u00e1stico que de peixes<\/a>\u00a0no mar. Nesse ano, milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo n\u00e3o poder\u00e3o ter acesso aos peixes como fonte b\u00e1sica de prote\u00ednas; pode ser que em 2048 j\u00e1 n\u00e3o contemos com outros alimentos de origem marinha selvagem, segundo um estudo publicado na\u00a0<em>Science<\/em>. No entanto, ser\u00e1 preciso aumentar em 70% a disponibilidade de alimentos para satisfazer as demandas dos mais de 9 bilh\u00f5es de humanos povoando o planeta. A \u00c1frica ter\u00e1 que triplicar sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para poder atender \u00e0s necessidades de uma popula\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 duplicado, enquanto os rendimentos agr\u00edcolas cair\u00e3o 20% em raz\u00e3o dos efeitos do aquecimento. \u201cNos pr\u00f3ximos 50 anos ser\u00e1 necess\u00e1rio produzir mais alimentos no planeta que os produzidos nos \u00faltimos 400 anos, com a restri\u00e7\u00e3o adicional de garantir que os limites planet\u00e1rios cruciais para o meio ambiente n\u00e3o sejam sobrepujados no processo\u201d, resumia\u00a0<em>The Lancet<\/em>.<\/p>\n<p><em>&#8220;Se n\u00e3o houver interven\u00e7\u00e3o contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nos aproximar\u00edamos de um cen\u00e1rio\u00a0Mad Max: um mundo cheio de conflitos por acesso a recursos b\u00e1sicos, com injusti\u00e7as e fragilidades que alimentariam rea\u00e7\u00f5es violentas&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Embora Torres considere que hoje os riscos mais preocupantes sejam decorrentes das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e um conflito nuclear, acredita que h\u00e1 \u201cuma s\u00e9rie de perigos ainda mais sinistros no horizonte\u201d, associados com tecnologias emergentes que poderiam permitir aos terroristas criar novos tipos de pat\u00f3genos ou construir grandes arsenais de armas, inclusive os derivados de uma superintelig\u00eancia artificial. Para 2050, este especialista fala do risco de uma pandemia, do aumento de conflitos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/16\/ciencia\/1481903192_602045.html\">perda de biodiversidade mundial<\/a>\u00a0\u2013\u201cestamos nas primeiras etapas do sexto evento de extin\u00e7\u00e3o maci\u00e7a em 3,8 bilh\u00f5es de anos, e a causa \u00e9 a atividade humana\u201d. \u201cMas o risco existencial mais preocupante antes de 2050 envolve um ator maligno que usa biologia sint\u00e9tica ou nanotecnologia avan\u00e7ada para infligir dano global \u00e0 humanidade\u201d, afirma. E acrescenta: \u201c\u00c9 bastante inquietante imaginar pessoas como Ted Kaczynski [o\u00a0<em>Unabomber<\/em>] ou algum combatente apocal\u00edptico do Estado isl\u00e2mico tendo acesso \u00e0s tecnologias de amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Os te\u00f3ricos dos riscos existenciais da humanidade falam dos perigos que representam atores decisivos: desde o l\u00edder carism\u00e1tico de uma pot\u00eancia at\u00f4mica a um terrorista global, passando por um erro humano que provoque um desastre inesperado. Sabendo que as decis\u00f5es dos pr\u00f3ximos 50 anos marcar\u00e3o os pr\u00f3ximos 10.000, h\u00e1 um ator que aparece como determinante; Donald Trump. \u201cAs pol\u00edticas clim\u00e1ticas imprudentes de Trump, sua ret\u00f3rica incendi\u00e1ria sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/corea_del_norte\/a\">Coreia do Norte<\/a>\u00a0e o terrorismo isl\u00e2mico est\u00e3o contribuindo para uma situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a global mais prec\u00e1ria\u201d, afirma Torres, diretor do Projeto para a Futura Prosperidade Humana. \u201cNunca estivemos em uma situa\u00e7\u00e3o como esta. Agora mais que nunca necessitamos de sabedoria e vis\u00e3o de futuro. No entanto, temos Trump no Sal\u00e3o Oval, respaldado por um poderoso partido pol\u00edtico que continua ignorando as terr\u00edveis advert\u00eancias dos cientistas\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Javier Salas, El Pa\u00eds de 06 de novembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem do filme &#8216;Mad Max: F\u00faria na estrada&#8217;.\u00a0WARNER BROS As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a guerra nuclear s\u00e3o as maiores amea\u00e7as a serem enfrentadas em meados do s\u00e9culo A humanidade j\u00e1 esteve a ponto de desaparecer. Foi depois da terr\u00edvel\u00a0erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica\u00a0de Toba, na Indon\u00e9sia, h\u00e1 75.000 anos. 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