{"id":22487,"date":"2018-01-18T09:00:08","date_gmt":"2018-01-18T11:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22487"},"modified":"2017-12-21T11:38:18","modified_gmt":"2017-12-21T13:38:18","slug":"a-america-latina-virou-o-terror-da-industria-de-comida-porcaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-america-latina-virou-o-terror-da-industria-de-comida-porcaria\/","title":{"rendered":"A Am\u00e9rica Latina virou o terror da ind\u00fastria de comida &#8220;porcaria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/blogs\/o-joio-e-o-trigo\/a-america-latina-virou-o-terror-da-industria-de-comida-porcaria2019\/ainda-comemos-comida-de-verdade-mas-temos-de-agir-cada-vez-mais-rapido-para-frear-a-obesidade\/@@images\/1d1f8f59-1977-4fd7-b9ec-156b96b4ddb8.jpeg\" \/><em>Ainda comemos comida de verdade, mas temos de agir cada vez mais r\u00e1pido para frear a obesidade. Cesar Ogata. Arquivo Prefeitura de S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p><strong>Alertas, impostos, restri\u00e7\u00f5es a ultraprocessados: a regi\u00e3o comanda uma agenda pol\u00edtica in\u00e9dita para frear a epidemia de obesidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 orgulho? Quando comecei a sair para falar foi que me dei conta do qu\u00e3o grande era o que est\u00e1vamos fazendo\u201d, diz Marcela Reyes, abrindo um sorriso largo ao final do en\u00e9simo debate de que participou desde que o Chile se colocou no mapa da maldi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de alimentos ultraprocessados.<\/p>\n<p>E n\u00e3o entrou sozinho: pelo menos Brasil, Peru, Uruguai e M\u00e9xico integram ou est\u00e3o perto de integrar o grupo, por ora selet\u00edssimo. Bons tempos em que a capa da revista\u00a0<em>Veja<\/em>\u00a0estampava o Chile como exemplo da Am\u00e9rica Latina. Agora, a publica\u00e7\u00e3o da Abril seria obrigada a colocar como modelo a Argentina, e a deixar os chilenos como n\u00f3s.\u00a0Usando o oct\u00f3gono que desde o ano passado decora a embalagem de ultraprocessados vendidos no Chile com altos teores de sal, gordura, a\u00e7\u00facar e calorias. Quanto pior a composi\u00e7\u00e3o do produto, mais selinhos. E menor a chance de venda.<\/p>\n<p>Durante o Congresso Internacional de Nutri\u00e7\u00e3o, realizado em outubro em Buenos Aires, Marcela Reyes, do Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o e Tecnologia de Alimentos da Universidade do Chile, comparou o caso de seu pa\u00eds a outros modelos existentes, todos volunt\u00e1rios e com um enfoque positivo. Ao final do debate, depois de ouvir sauda\u00e7\u00f5es dos compatriotas, come\u00e7aram as contesta\u00e7\u00f5es: por que o Chile est\u00e1 indo t\u00e3o r\u00e1pido? Por que n\u00e3o se adota uma postura mais positiva e conciliadora? Por que tratar a ind\u00fastria como inimiga?<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um conflito intr\u00ednseco entre a tentativa de aumentar os lucros e a necessidade de melhorar a sa\u00fade p\u00fablica. Estou de acordo com a ideia de que as empresas podem ser parte da solu\u00e7\u00e3o: sua maneira de ser parte da solu\u00e7\u00e3o \u00e9 cumprindo as leis\u201d, contestou Marcela.<\/p>\n<p>Essa foi a t\u00f4nica do congresso. Durante seis dias, os grandes pesquisadores da nutri\u00e7\u00e3o se revezaram entre beijos e murros \u00e0s iniciativas adotadas pela Am\u00e9rica Latina. \u201cVoc\u00eas t\u00eam uma grande popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o grandes pa\u00edses, e eles querem esses mercados. O Brasil, em particular\u201d, nos resumiu Barry Popkin, professor de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade da Carolina do Norte. Ele conhece de longa data a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Foi Popkin quem cunhou o conceito de \u201ctransi\u00e7\u00e3o nutricional\u201d para descrever a mudan\u00e7a de padr\u00e3o alimentar dos pa\u00edses em dire\u00e7\u00e3o a produtos menos e menos saud\u00e1veis. Nossa regi\u00e3o est\u00e1 justamente no meio desse caminho. Mas alguns dos pa\u00edses t\u00eam as mais altas taxas de obesidade do mundo e os maiores n\u00edveis de consumo de refrigerantes.<\/p>\n<p>O pesquisador entende que os governos t\u00eam cada vez mais clara a necessidade de adotar medidas regulat\u00f3rias para coibir o avan\u00e7o da obesidade. Para ele, a reformula\u00e7\u00e3o de produtos proposta como solu\u00e7\u00e3o pela ind\u00fastria tem um papel muito limitado.<\/p>\n<p>Popkin trabalha na avalia\u00e7\u00e3o do caso chileno. E entende que o pa\u00eds sul-americano pode ser o primeiro do mundo a conseguir frear o problema. \u201cTemos a necessidade de contar para os consumidores que a\u00a0<em>junk food<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. E o modelo chileno de alertas parece ter mudado uma conduta social no pa\u00eds. Est\u00e1 funcionando muito melhor que qualquer outro modelo.\u201d<\/p>\n<p>Marcela Reyes concorda. \u201cAinda comemos comida. Muitos dos discursos dos outros painelistas v\u00e3o no sentido de que n\u00e3o podemos voltar atr\u00e1s: n\u00e3o vamos voltar a cozinhar, n\u00e3o vamos voltar a comer em fam\u00edlia. Mas n\u00f3s ainda comemos comida.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil durante o congresso ver o quanto a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 incomodando. Duplamente. A ind\u00fastria de ultraprocessados, que n\u00e3o s\u00f3 estava presente, como sentava-se ao camarote, n\u00e3o escondeu o desagrado. E muitos pesquisadores tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Nossos pa\u00edses fizeram arrepiar os cabelos porque podem ser os primeiros a encontrar um freio para a epidemia de obesidade. Hoje, o carro anda sem rumo, a mil por hora, e ningu\u00e9m assume o comando.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m um fator de inc\u00f4modo que foi ficando vis\u00edvel \u00e0 medida em que os debates se desenrolavam no hotel Sheraton, no centro da capital portenha: a hierarquia. Normalmente, as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o transpostas ou impostas do Norte para o Sul. Dos ricos para os pobres. N\u00e3o foram poucas as mesas de debates em que homens brancos de pa\u00edses ricos apresentavam solu\u00e7\u00f5es para os negros e os ind\u00edgenas da \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina. Isso n\u00e3o \u00e9 ileg\u00edtimo, mas, quando o desequil\u00edbrio de representa\u00e7\u00e3o fica claro, d\u00e1 o que pensar.<\/p>\n<p>O que toda essa tend\u00eancia recente faz \u00e9 percorrer o caminho oposto, do Sul para o Norte.<\/p>\n<p>\u201cAgora os pa\u00edses latino-americanos t\u00eam a chance de estar \u00e0 frente das solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. A tend\u00eancia \u00e9 que as solu\u00e7\u00f5es para doen\u00e7as cr\u00f4nicas sejam solu\u00e7\u00f5es criativas, que demandam engenhosidade\u201d, diz Sim\u00f3n Barquera, do Instituto Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica do M\u00e9xico. Ele foi uma das figuras de destaque na cria\u00e7\u00e3o de um imposto sobre as bebidas a\u00e7ucaradas, outra iniciativa sob ataques durante o congresso.<\/p>\n<p>Juan Rivera, presidente da Sociedade Latino-americana de Nutri\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m integrante do instituto, saiu em defesa da decis\u00e3o mexicana. \u201cTodas as evid\u00eancias cient\u00edficas nos levavam ao modelo da taxa\u00e7\u00e3o\u201d, contou durante uma palestra. A proposta j\u00e1 estava pronta havia algum tempo, e a oportunidade pol\u00edtica se apresentou quando o governo tinha problemas de caixa. \u201cA taxa\u00e7\u00e3o est\u00e1 funcionando e \u00e9 algo que devemos usar contra as tentativas da ind\u00fastria de bani-la.\u201d O modelo j\u00e1 cruzou o Rio Grande e est\u00e1 sendo adotado em cidades dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil demarcar um come\u00e7o dessa trajet\u00f3ria regional. Mas poder\u00edamos escolher o final da d\u00e9cada passada, quando o professor Carlos Monteiro, da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, cunhou o termo \u201cultraprocessados\u201d. Ele prop\u00f4s uma nova divis\u00e3o, chamada NOVA, que separa os alimentos entre in natura ou minimamente processados, processados e ultraprocessados \u2013 al\u00e9m de ingredientes culin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Pode soar estranho, mas \u00e9 f\u00e1cil entender, se nos permitem uma apresenta\u00e7\u00e3o meio simplificada. In natura \u00e9 o que a gente sempre comeu: legumes, frutas, verduras. Processados s\u00e3o o que a gente sempre comeu, mas com alguma transforma\u00e7\u00e3o para aumentar a durabilidade e a seguran\u00e7a: arroz, feij\u00e3o, farinhas. E os ultraprocessados s\u00e3o aquilo que sua bisav\u00f3 n\u00e3o entenderia como alimento.<\/p>\n<p>O paradigma anterior era calcado na pir\u00e2mide alimentar, dividida em v\u00e1rios grupos: carnes, carboidratos, queijos, \u00f3leos. E por a\u00ed vai. Do ponto de vista de um leigo, era complicado entender quanto comer de cada grupo e o que exatamente fazia mal.<\/p>\n<p>Quando se pensa nos ultraprocessados, por\u00e9m, a coisa muda de figura. O fato \u00e9 que, do ponto de vista de orienta\u00e7\u00e3o, as evid\u00eancias s\u00e3o de que isso funciona. H\u00e1 cada vez mais documentos e pol\u00edticas p\u00fablicas falando em ultraprocessados. O PubMed, uma das principais bases de dados da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, registra 70 artigos com esse termo em 2017, contra 40 no ano passado e apenas seis em 2009. No Congresso de Nutri\u00e7\u00e3o, houve 15 simp\u00f3sios ou trabalhos com esse tema.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m houve trabalhos contra esse tema. Um debate promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Argentina de Tecn\u00f3logos Alimentares atacou diretamente a pesquisa de Monteiro. Os presentes exortaram as ag\u00eancias da ONU a encontrar um caminho para frear a agenda regulat\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cUma forte tend\u00eancia a regular a ingest\u00e3o de nutrientes atrav\u00e9s da rotulagem frontal est\u00e1 se expandindo pelos pa\u00edses latino-americanos\u201d, alertou Susana Socolovsky, presidente da entidade argentina, falando em uma \u201cdemoniza\u00e7\u00e3o injustificada\u201d dos alimentos industrializados. Ela tem rodado a regi\u00e3o na tentativa de evitar a ado\u00e7\u00e3o de medidas regulat\u00f3rias. \u201cAs autoridades sanit\u00e1rias dos pa\u00edses latino-americanos est\u00e3o usando o controverso sistema de classifica\u00e7\u00e3o de alimentos NOVA e o modelo de perfil de nutrientes da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas).\u201d<\/p>\n<p>O segmento da comunidade cient\u00edfica mais simp\u00e1tico ao setor privado n\u00e3o usa o termo ultraprocessados, salvo quando \u00e9 para atac\u00e1-lo. Segue-se a utilizar a pir\u00e2mide alimentar, que tamb\u00e9m continua como base para a atua\u00e7\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma forte oposi\u00e7\u00e3o de segmentos da academia brasileira ao termo ultraprocessados. \u00c9 uma oposi\u00e7\u00e3o articulada com grupos de outros pa\u00edses. O discurso \u00e9 bem afinado.<\/p>\n<p>E se tornou mais intenso em 2014, com a publica\u00e7\u00e3o do Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira. O documento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi elaborado pelo grupo de Monteiro e adotou a classifica\u00e7\u00e3o por grau de processamento, com uma recomenda\u00e7\u00e3o expressa de que se evite o consumo de ultraprocessados. \u201cA ind\u00fastria foi o \u00fanico setor de que n\u00e3o pudemos aproveitar as sugest\u00f5es na consulta p\u00fablica. Porque sugeriram coisas que eram incompat\u00edveis com os princ\u00edpios do Guia\u201d, disse o professor da USP.<\/p>\n<p>O conceito de ultraprocessados foi importante para que, no ano passado, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade (Opas) lan\u00e7asse um novo modelo de perfil nutricional, criado especialmente para embasar a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que busquem restringir e desestimular o consumo desses produtos. O documento define os crit\u00e9rios para excesso de a\u00e7\u00facares, sal e gorduras. E atua sobre produtos, e n\u00e3o sobre a dieta de um dia todo \u2013 afinal, quase ningu\u00e9m faz uma conta ao fim do dia para saber o quanto comeu.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o da Opas \u00e9 a base para um decreto que o Uruguai pode lan\u00e7ar nas pr\u00f3ximas semanas. O pa\u00eds caminha para adotar um padr\u00e3o de rotulagem semelhante ao chileno. Mas sofre intensa press\u00e3o da ind\u00fastria, como mostramos em\u00a0<em><a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O joio e o trigo<\/a><\/em>, com amea\u00e7as de acionar o pa\u00eds na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>Um dos debates mais interessantes do congresso em Buenos Aires reuniu os modelos de rotulagem frontal existentes. Todos, volunt\u00e1rios e baseados em mensagens positivas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do Chile, compuls\u00f3rio e de mensagem negativa.<\/p>\n<p>Os pesquisadores mostraram an\u00e1lises cient\u00edficas de cada caso. Na Nova Zel\u00e2ndia e nos pa\u00edses que adotaram o Choices, criado pela Unilever, o que a ind\u00fastria fez foi colocar o selo sobre os produtos com perfil nutricional melhor, o que acabou por direcionar as op\u00e7\u00f5es de compra a alguns desses itens.<\/p>\n<p>Cliona Ni Mhurchu, da Universidade de Auckland, disse que houve um impacto pequeno na reformula\u00e7\u00e3o de produtos, e limitado a alguns segmentos. \u201cVamos ver nos pr\u00f3ximos anos qual dos modelos tem o maior impacto no comportamento do consumidor. Mas tamb\u00e9m temos de olhar para o impacto no comportamento da ind\u00fastria, e \u00e9 certo que eles est\u00e3o reformulando.\u201d<\/p>\n<p>O caso mais antigo \u00e9 o do Reino Unido, que na d\u00e9cada passada adotou uma rotulagem frontal de ades\u00e3o volunt\u00e1ria que fornece informa\u00e7\u00f5es sobre calorias, sal, a\u00e7\u00facar e gordura. Michael Rayner, da Universidade de Oxford, afirmou que hoje est\u00e1 claro que esse n\u00e3o \u00e9 o melhor sistema. E complementou com a vis\u00e3o de que o modelo chileno \u00e9 o que tem maior impacto sobre o consumidor, mas que ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se \u00e9 o que tem maior influ\u00eancia sobre a sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cComo na Am\u00e9rica Latina estamos acostumados a copiar as coisas, olham para n\u00f3s um pouco feio. Por que sentem o direito a inovar?\u201d, me disse Marcela Reyes. \u201cEu, nesta experi\u00eancia, entendi bem o conceito de transnacionais. S\u00e3o maiores que as na\u00e7\u00f5es. Quando grandes corpora\u00e7\u00f5es se colocam a discutir com pa\u00edses latino-americanos se nota a diferen\u00e7a de poder. \u00c9 muito maior que um pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>No Peru, foi apresentado ao Congresso um projeto de lei que pode desfigurar a Lei de Alimenta\u00e7\u00e3o Saud\u00e1vel, sancionada em 2012. O texto prev\u00ea a edi\u00e7\u00e3o de um decreto para criar a rotulagem frontal de alimentos, tema que se estava discutindo no governo, com grande possibilidade de ado\u00e7\u00e3o do modelo chileno. O texto-base j\u00e1 estava pronto e prestes a ser publicado. Mas os parlamentares poderiam aprovar uma nova lei, criando um selo positivo, no formato desejado pela ind\u00fastria.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de novembro, alguns dos principais pesquisadores da \u00e1rea de nutri\u00e7\u00e3o enviaram ao governo e ao Legislativo peruanos uma carta exortando a frear a aprova\u00e7\u00e3o do projeto, atualmente na Comiss\u00e3o de Defesa do Consumidor. Eles afirmam que o sistema defendido pela ind\u00fastria comprovadamente incentiva o consumo de alimentos com maiores teores de sal, gordura, a\u00e7\u00facar e calorias.<\/p>\n<p>E que as evid\u00eancias existentes at\u00e9 aqui t\u00eam demonstrado um bom funcionamento do modelo chileno. \u201cComo acad\u00eamicos especialistas em obesidade e diabetes, queremos deixar claro que a ci\u00eancia \u00e9 conclusiva sobre o papel das comidas e bebidas porcaria, com alto conte\u00fado de calorias, a\u00e7\u00facar, s\u00f3dio e gorduras saturadas: um consumo crescente desses produtos \u00e9 causa de obesidade e doen\u00e7as associadas.\u201d<\/p>\n<p>No Brasil, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) fez quest\u00e3o de deixar claro que ainda n\u00e3o se decidiu por um modelo. Na vis\u00e3o da Ger\u00eancia Geral de Alimentos, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas de que um sistema funcione melhor que o outro. Mais ao norte, o Canad\u00e1 n\u00e3o teve d\u00favidas. A discuss\u00e3o sobre rotulagem frontal j\u00e1 partiu da premissa de que os sinais de advert\u00eancia como os chilenos s\u00e3o os melhores para proteger a sa\u00fade dos consumidores. Falta apenas definir um s\u00edmbolo, e pesquisas nesse sentido j\u00e1 foram conclu\u00eddas.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Alimenta\u00e7\u00e3o (Abia) e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Refrigerantes e Bebidas n\u00e3o Alco\u00f3licas (Abir) alegam que o sistema proposto pela Alian\u00e7a pela Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada e Saud\u00e1vel com base no modelo chileno provoca medo e terror na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela oposi\u00e7\u00e3o que o debate despertou, d\u00e1 para ver que quem tem medo n\u00e3o s\u00e3o os consumidores.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Jo\u00e3o Peres, O Joio e o trigo de 01 de dezembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda comemos comida de verdade, mas temos de agir cada vez mais r\u00e1pido para frear a obesidade. Cesar Ogata. 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