{"id":22518,"date":"2018-01-02T13:00:16","date_gmt":"2018-01-02T15:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22518"},"modified":"2017-12-27T10:16:23","modified_gmt":"2017-12-27T12:16:23","slug":"o-pico-dos-nascimentos-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-pico-dos-nascimentos-no-mundo\/","title":{"rendered":"O pico dos nascimentos no mundo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/20171222-171222a.png\" alt=\"n\u00famero de nascimentos no mundo: 1950-2100\" \/><\/p>\n<p>Dezembro \u00e9 considerado o m\u00eas da natalidade tanto na est\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9, como na est\u00f3ria de H\u00f3rus, no Egito (1.400 anos antes de Cristo). Na maior parte da hist\u00f3ria humana a alta natalidade era muito valorizada para se contrapor \u00e0s taxas de mortalidade infantil.<\/p>\n<p>O n\u00famero de nascimentos no mundo veio crescendo ao longo da hist\u00f3ria, estava em torno de 100 milh\u00f5es de beb\u00eas por ano em 1950 e chegou a 140 milh\u00f5es por ano no quinqu\u00eanio 2010-15. O pico dos nascimentos (m\u00e1ximo de beb\u00eas nascidos por ano) deve atingir 143 milh\u00f5es por ano, no quinqu\u00eanio 2045-50 e deve declinar ligeiramente para abaixo de 140 milh\u00f5es no final do s\u00e9culo XXI, segundo a Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o da ONU (Revis\u00e3o 2017).<\/p>\n<p>Se o n\u00famero de nascimentos permanecer aproximadamente em torno de 140 milh\u00f5es por ano, o tamanho da popula\u00e7\u00e3o vai depender do n\u00edvel da esperan\u00e7a de vida ao nascer (Eo). Para uma Eo de 75 anos a popula\u00e7\u00e3o chegaria a 10,5 bilh\u00f5es de habitantes (140 milh\u00f5es vezes 75). Se a Eo for 80 anos a popula\u00e7\u00e3o mundial chegaria a 11,2 bilh\u00f5es de habitantes no final do s\u00e9culo. Se a Eo alcan\u00e7ar 90 anos ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o mundial poderia chegar a 12,6 bilh\u00f5es de pessoas em 2100 (140 milh\u00f5es vezes 90).<\/p>\n<p>Embora deva haver uma certa estabilidade no n\u00famero global de nascimentos ao longo do s\u00e9culo XXI, o quadro varia segundo os diferentes grupos de pa\u00edses. O n\u00famero de nascimentos nos pa\u00edses desenvolvidos (os mais ricos e com maior IDH) est\u00e1 em 13,7 milh\u00f5es por ano, no quinqu\u00eanio 2015-2020 e deve cair para pouco abaixo de 13 milh\u00f5es no quinqu\u00eanio 2095-2100. O n\u00famero de nascimentos nos pa\u00edses em desenvolvidos (os pa\u00edses de renda m\u00e9dia) est\u00e1 em 95 milh\u00f5es por ano, no quinqu\u00eanio 2015-2020 e deve cair fortemente at\u00e9 ficar pr\u00f3ximo de 70 milh\u00f5es no quinqu\u00eanio 2095-2100. J\u00e1 o n\u00famero de nascimentos nos pa\u00edses muito menos desenvolvidos (os pa\u00edses de baixa renda) est\u00e1 em 32,1 milh\u00f5es por ano, no quinqu\u00eanio 2015-2020 e deve subir para quase 50 milh\u00f5es no final do s\u00e9culo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/20171222-171222b.png\" alt=\"n\u00famero de nascimentos no mundo, por grupo de pa\u00edses: 1950-2100\" \/><\/p>\n<p>Portanto, os dados da Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o da ONU mostram que o nascimento de beb\u00eas do mundo n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo. Nos pa\u00edses de renda m\u00e9dia e alta, o n\u00famero de nascimentos j\u00e1 est\u00e1 em decl\u00ednio. Mas este decl\u00ednio \u00e9 compensado pelo aumento dos nascimentos nos pa\u00edses mais pobres e com menores n\u00edveis de cidadania.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio Situa\u00e7\u00e3o da Popula\u00e7\u00e3o Mundial 2017, do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), alerta para o aumento das desigualdades e falhas na prote\u00e7\u00e3o dos direitos reprodutivos das mulheres, em especial as mais pobres. O relat\u00f3rio diz: \u201cA menos que as desigualdades recebam aten\u00e7\u00e3o urgente e que as mulheres, em especial as mais pobres, sejam empoderadas para tomar decis\u00f5es sobre suas pr\u00f3prias vidas, os pa\u00edses podem ter que enfrentar amea\u00e7as \u00e0 paz e ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS)\u201d.<\/p>\n<p>A falta de garantia dos direitos sexuais e reprodutivos pode se estender a todos os objetivos globais, ressalta o relat\u00f3rio intitulado \u201cMundos Distantes: Sa\u00fade e direitos reprodutivos em uma era de desigualdade\u201d. A demanda n\u00e3o atendida por servi\u00e7os de sa\u00fade, incluindo o planejamento reprodutivo, pode enfraquecer as economias e sabotar o progresso j\u00e1 alcan\u00e7ado em dire\u00e7\u00e3o ao cumprimento do primeiro ODS, de elimina\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>Na maioria dos pa\u00edses pobres e muito menos desenvolvimentos, as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o social t\u00eam menos op\u00e7\u00e3o de planejamento reprodutivo, menos acesso a atendimento pr\u00e9-natal e s\u00e3o mais propensas a terem partos sem a assist\u00eancia de um profissional de sa\u00fade. Isto aumenta a gravidez indesejada e prejudica a sa\u00fade das mulheres e dos beb\u00eas. A falta de acesso a servi\u00e7os como creches tamb\u00e9m limitam as mulheres na busca por empregos. Para as mulheres que est\u00e3o no mercado de trabalho, a aus\u00eancia de licen\u00e7a maternidade remunerada e a discrimina\u00e7\u00e3o que muitas enfrentam no trabalho quando engravidam acabam sendo uma \u201cpenalidade pela maternidade\u201d. O alto n\u00famero de gravidez indesejada e n\u00e3o planejada na adolesc\u00eancia \u00e9 um problema particularmente grave para as meninas pobres que tendem a reproduzir o ciclo de pobreza e de falta de alternativa de mobilidade social ascendente.<\/p>\n<p>A cidadania \u00e9 o melhor contraceptivo. Sem d\u00favida, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de nascimentos nos pa\u00edses muito menos desenvolvidos (os mais pobres) ajudaria a criar um b\u00f4nus demogr\u00e1fico que seria bom para o avan\u00e7o das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o e para a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente. O importante n\u00e3o \u00e9 a quantidade de nascimentos, mas sim a qualidade de vida que se quer dar aos beb\u00eas e jovens de todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ALVES, J. E. D. CORREA, S. Demografia e ideologia: trajetos hist\u00f3ricos e os desafios do Cairo + 10. R. bras. Est. Pop., Campinas, v. 20, n. 2, p. 129-156, jul.\/dez. 2003.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.abep.nepo.unicamp.br\/docs\/rev_inf\/vol20_n2_2003\/vol20_n2_2003_3artigo_p129a156.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.abep.nepo.unicamp.br\/docs\/rev_inf\/vol20_n2_2003\/vol20_n2_2003_3artigo_p129a156.pdf<\/a><\/p>\n<p>ALVES, J. E. D. Pol\u00edticas populacionais e direitos reprodutivos: o Choque de civiliza\u00e7\u00f5es versus progressos civilizat\u00f3rios. In: CAETANO, Andre J., ALVES, Jose. E. D., CORR\u00caA, Sonia. (Org.). Dez anos do Cairo: tend\u00eancias da fecundidade e direitos reprodutivos no Brasil. 1 ed. Campinas: ABEP\/UNFPA, 2004, v. 1, p. 21-47.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.abep.nepo.unicamp.br\/docs\/outraspub\/cario10\/cairo10alves21a48.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.abep.nepo.unicamp.br\/docs\/outraspub\/cario10\/cairo10alves21a48.pdf<\/a><\/p>\n<p>ALVES, J. E. D. As pol\u00edticas populacionais e o planejamento familiar na Am\u00e9rica Latina e no Brasil. Textos para Discuss\u00e3o. Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas, v. 21, p. 1-50, 2006.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ence.ibge.gov.br\/publicacoes\/textos_para_discussao\/textos\/texto_21.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.ence.ibge.gov.br\/publicacoes\/textos_para_discussao\/textos\/texto_21.pdf<\/a><\/p>\n<p>ALVES, J. E. D. O Planejamento familiar no Brasil. Ecodebate, Rio de Janeiro, 01\/06\/2010<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ecodebate.com.br\/2010\/06\/01\/o-planejamento-familiar-no-brasil-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.ecodebate.com.br\/2010\/06\/01\/o-planejamento-familiar-no-brasil-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\/<\/a><\/p>\n<p>UN Population Division (2017). World Population Prospects: The 2017 Revision<br \/>\n<a href=\"https:\/\/esa.un.org\/unpd\/wpp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/esa.un.org\/unpd\/wpp\/<\/a><\/p>\n<p>UNFPA. Mundos Distantes: Sa\u00fade e direitos reprodutivos em uma era de desigualdade, 2017<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.unfpa.org.br\/novo\/index.php\/situacao-da-populacao-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.unfpa.org.br\/novo\/index.php\/situacao-da-populacao-mundial<\/a><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, \u00e9 Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em Popula\u00e7\u00e3o, Territ\u00f3rio e Estat\u00edsticas P\u00fablicas da Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas \u2013 ENCE\/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em car\u00e1ter pessoal.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; EcoDebate de 22 de dezembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dezembro \u00e9 considerado o m\u00eas da natalidade tanto na est\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9, como na est\u00f3ria de H\u00f3rus, no Egito (1.400 anos antes de Cristo). 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