{"id":22540,"date":"2017-12-31T13:00:13","date_gmt":"2017-12-31T15:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22540"},"modified":"2025-12-07T12:02:56","modified_gmt":"2025-12-07T15:02:56","slug":"17-fatos-marcantes-para-o-clima-em-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/17-fatos-marcantes-para-o-clima-em-2017\/","title":{"rendered":"17 fatos marcantes para o clima em 2017"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/trumpo.jpg\" \/><em>Trump anuncia sa\u00edda do Acordo de Paris (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o de TV)<\/em><\/p>\n<p><strong>Relembre os extremos, as trag\u00e9dias e as vit\u00f3rias do combate ao aquecimento global no ano que se encerra<\/strong><\/p>\n<p>Mais um ano que n\u00e3o vai deixar saudades chega ao fim. O mundo assistiu em 2017 a uma intensifica\u00e7\u00e3o de extremos clim\u00e1ticos, que mataram milhares de pessoas e causaram preju\u00edzos de v\u00e1rias centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Ao mesmo tempo, viu o negacionismo triunfar com a decis\u00e3o do presidente dos Estados Unidos de abandonar o Acordo de Paris sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No Brasil, 2017 foi marcado por retrocessos em s\u00e9rie na pol\u00edtica ambiental, mas tamb\u00e9m por algumas (poucas) vit\u00f3rias da sociedade civil. Como governo e Congresso s\u00e3o os mesmos em 2018, \u00e9 melhor manter a aten\u00e7\u00e3o, porque pior do que est\u00e1 fica, sim.<\/p>\n<p>Relembre abaixo alguns dos fatos mais marcantes para o clima no ano que se encerra.<\/p>\n<p><strong>1 \u2013 O\u00a0<em>annus mirabilis<\/em>\u00a0de N\u00edlson Leit\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/temerNL-e1513803962527.jpeg\" alt=\"Prest\u00edgio: N\u00edlson Leit\u00e3o (dir.) com Michel Temer ap\u00f3s sua posse na FPA (Foto: Beto Barata\/PR)\" \/><em>Prest\u00edgio: N\u00edlson Leit\u00e3o (dir.) com Michel Temer ap\u00f3s sua posse na FPA (Foto: Beto Barata\/PR)<\/em><\/p>\n<p>Pense numa pessoa que termina 2017 plenamente realizada e n\u00f3s lhe daremos o deputado N\u00edlson Leit\u00e3o (PSDB-MT). O l\u00edder da bancada ruralista, a maior for\u00e7a no Congresso brasileiro, ganhou quase tudo o que quis neste ano em troca de seus 240 votos sempre que o governo precisava aprovar uma reforminha aqui ou salvar o mandato do presidente Temer ali. Quase todos os itens da agenda da bancada que dependessem do Executivo foram contemplados. Os ruralistas ganharam o desmonte da Funai, com a nomea\u00e7\u00e3o de um dos seus para o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a; a fixa\u00e7\u00e3o da tese do marco temporal para terras ind\u00edgenas pelo governo federal; a anistia \u00e0 grilagem de terras (que pode custar aos cofres p\u00fablicos R$ 19 bilh\u00f5es s\u00f3 na Amaz\u00f4nia e \u00e9 objeto de uma a\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade movida por Rodrigo Janot em sua \u00faltima semana no cargo); a redu\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o do Funrural, com ren\u00fancia fiscal de R$ 8 bilh\u00f5es; e o aval para a redu\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um conjunto de vit\u00f3rias impressionante num prazo recorde, que em tempos normais demandaria v\u00e1rios mandatos de presidentes da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria. Mas os tempos atuais da pol\u00edtica brasileira s\u00e3o tudo, menos normais.<\/p>\n<p><strong>2 \u2013 Trump cumpre a promessa\u2026<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Captura-de-Tela-2017-06-01-a%CC%80s-16.47.08.png\" \/><em>\u201cSo great\u201d: Trump d\u00e1 banana ao mundo ao anunciar a sa\u00edda de Paris (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o de TV)<\/em><\/p>\n<p>No dia 1<sup>o<\/sup>\u00a0de junho, no jardim da Casa Branca, Donald Trump anunciou para uma claque de negacionistas do clima que os Estados Unidos iriam se retirar do Acordo de Paris, \u201cmas come\u00e7ar negocia\u00e7\u00f5es para reentrar o Acordo de Paris ou uma transa\u00e7\u00e3o inteiramente nova em termos que sejam justos para os Estados Unidos\u201d. Num\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/os-fatos-alternativos-do-discurso-de-trump\/\">discurso recheado de mentiras<\/a>, o presidente tentou justificar o injustific\u00e1vel e dar um chap\u00e9u na comunidade internacional.<\/p>\n<p>O movimento era esperado \u2013 afinal, \u201ccancelar\u201d o tratado do clima era promessa de campanha do\u00a0maluco\u00a0republicano, que j\u00e1 havia dado em mar\u00e7o carta branca \u00e0 Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental para desmontar as pol\u00edticas de clima postas em marcha por Barack Obama, que facilitariam o cumprimento da meta do pa\u00eds. Mas o mundo se escandalizou mesmo assim: afinal, os EUA n\u00e3o ganham nada saindo de Paris, assim como n\u00e3o perdem nada ficando.<\/p>\n<p>Embora pelas regras do acordo uma sa\u00edda efetiva n\u00e3o possa ocorrer antes de novembro de 2020, \u00faltimo m\u00eas de mandato de Trump, o an\u00fancio bastou para envenenar o processo de negocia\u00e7\u00e3o do acordo, por tr\u00eas motivos: primeiro, toda a comunidade internacional ter\u00e1 de aumentar os esfor\u00e7os para compensar a falta de a\u00e7\u00e3o do segundo maior emissor do planeta; segundo, os EUA s\u00e3o um dos principais doadores do Fundo Verde do Clima, e outros pa\u00edses ricos n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aumentar suas contribui\u00e7\u00f5es, o que tem causado estresse com os pa\u00edses em desenvolvimento; terceiro, a desist\u00eancia impune dos EUA poderia estimular outras na\u00e7\u00f5es como a R\u00fassia a fazer o mesmo.<\/p>\n<p><strong>3 \u2013 \u2026e o mundo reage<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/macron.jpg\" alt=\"O presidente Emmanuel Macron durante o One Planet Summit\" \/><em>O presidente Emmanuel Macron durante o One Planet Summit<\/em><\/p>\n<p>Em grande medida, o tiro de Trump saiu pela culatra. At\u00e9 agora, o an\u00fancio do abandono do acordo do clima tem servido para unir for\u00e7as globais em torno de Paris. No mesmo dia em que Trump discursou, a chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, e o presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, chamaram a imprensa para dizer que o Acordo de Paris \u201cn\u00e3o \u00e9 renegoci\u00e1vel\u201d. Elon Musk, o dono da Tesla, saiu do conselho econ\u00f4mico presidencial. E uma coaliz\u00e3o de empresas e governos municipais e estaduais chamada \u201cWe\u2019re Still In\u201d (\u201cn\u00f3s ainda estamos dentro\u201d) se formou para levar adiante as metas do tratado, mesmo sem o governo federal. Na COP23, em Bonn, no fim do ano,\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/governo-dos-eua-tenta-promover-carvao-na-conferencia-do-clima-da-onu-e-jovens-fazem-protesto.ghtml\">representantes americanos foram humilhados<\/a>\u00a0ao tentar vender o carv\u00e3o mineral como solu\u00e7\u00e3o para o clima. E, em dezembro, Trump foi o assunto\u00a0<em>in absentia<\/em>\u00a0da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/no-planeta-macron\/\">c\u00fapula convocada por Macron<\/a>\u00a0para marcar os dois anos de ado\u00e7\u00e3o do pacto clim\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>4 \u2013 Bacalhau com molho de clim\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-23-at-07.29.302-e1498214713980.jpeg\" alt=\"Protesto contra pol\u00edtica ambiental de Michel Temer em Oslo (Foto: Fernando Mathias)\" \/><em>Protesto contra pol\u00edtica ambiental de Michel Temer em Oslo (Foto: Fernando Mathias)<\/em><\/p>\n<p>Jamais tente enganar um viking. Michel Temer deveria ter pensado nisso antes de partir em sua primeira viagem oficial \u00e0 Noruega. O presidente foi ao pa\u00eds escandinavo em pleno esc\u00e2ndalo da mala, em junho, para dar uma folga da crise pol\u00edtica e vender o Brasil a investidores. Saiu de l\u00e1 com\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@observatorioclima\/o-ragnar%C3%B6k-de-michel-temer-53bef57c3659\">um pux\u00e3o de orelha, um corte de doa\u00e7\u00e3o internacional, um protesto e uma gafe<\/a>.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da viagem, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/noruega-da-bronca-em-brasil-sobre-floresta-vesperas-de-visita-de-temer\/\">ministro do Meio Ambiente noruegu\u00eas mandou uma carta<\/a>\u00a0a seu colega Sarney Filho expressando preocupa\u00e7\u00e3o com a prote\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil e avisando que a alta no desmatamento nos dois anos anteriores levaria a um corte no Fundo Amaz\u00f4nia. Temer tentou disfar\u00e7ar, anunciando no dia da viagem o veto a duas Medidas Provis\u00f3rias que reduziam \u00e1reas protegidas na Amaz\u00f4nia. Mas n\u00e3o funcionou:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/noruega-corta-50-fundo-amazonia-e-sarney-entrega-desmate-deus\/\">os noruegueses confirmaram \u00e0 imprensa o corte de 50% do repasse do fundo<\/a>\u00a0(e o ministro Sarney Filho disse que \u201cs\u00f3 Deus\u201d podia garantir que o desmate cairia). Temer ainda levou um pito da premi\u00ea da Noruega, Erna Solberg, por causa da corrup\u00e7\u00e3o e do desmatamento. Ficou t\u00e3o nervoso que chamou Noruega de Su\u00e9cia em seu discurso conjunto com Solberg.<\/p>\n<p><strong>5 \u2013 Calor sem El Ni\u00f1o<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/t2m_anomaly_month_1_to_month_10_2017-e1509997750266.png\" alt=\"Mapa de temperaturas de 2017; regi\u00f5es do \u00c1rtico ficaram quase 10\u00baC mais quentes que a m\u00e9dia do fim do s\u00e9culo passado (Imagem: OMM)\" \/><em>Mapa de temperaturas de 2017; regi\u00f5es do \u00c1rtico ficaram quase 10\u00baC mais quentes que a m\u00e9dia do fim do s\u00e9culo passado (Imagem: OMM)<\/em><\/p>\n<p>Mais um ano, mais um recorde. 2017 ainda n\u00e3o acabou, mas j\u00e1 \u00e9 o terceiro ano mais quente desde o in\u00edcio das medi\u00e7\u00f5es com term\u00f4metros, em 1880. Perde s\u00f3 para 2016 e 2015, mas pode ser que termine em segundo lugar, abaixo apenas de 2016. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/clima-levara-50-anos-para-normalizar-diz-meteorologista-chefe-da-onu\/\">entre janeiro e setembro a temperatura da Terra ficou 1,1<sup>o<\/sup>C acima da m\u00e9dia pr\u00e9-industrial<\/a>. Estamos h\u00e1\u00a0<a href=\"http:\/\/www.climatecentral.org\/news\/628-months-since-the-world-had-cool-month-21365\">637 meses sem um m\u00eas de frio anormal no mundo \u2013 o \u00faltimo ocorreu em 1929<\/a>. O problema deste ano ser t\u00e3o quente \u00e9 que, diferentemente de 2015 e 2016, n\u00e3o h\u00e1 um El Ni\u00f1o para ajudar a jogar os term\u00f4metros para cima: o calor\u00e3o insuport\u00e1vel est\u00e1 todo na conta da tend\u00eancia de longo prazo de aquecimento global.<\/p>\n<p><strong>6 \u2013 Um pa\u00eds em chamas<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/22.09_foto_queimada.gif\" alt=\"A Amaz\u00f4nia \u00e9 o bioma que registra o maior n\u00famero de focos de calor (Foto: Greenpeace)\" \/><em>A Amaz\u00f4nia \u00e9 o bioma que registra o maior n\u00famero de focos de calor (Foto: Greenpeace)<\/em><\/p>\n<p>O Brasil pegou fogo. O ano de 2017 foi o que mais registrou queimadas em toda a hist\u00f3ria desde que o monitoramento com sat\u00e9lites come\u00e7ou, em 1988. Foram 273 mil focos de calor at\u00e9 o fechamento deste texto, dez dias antes do fim do ano. O recorde anterior pertencia a 2004, com 270 mil focos. A secura extrema do solo na Amaz\u00f4nia, no Nordeste e no Centro-Oeste, que n\u00e3o se recuperaram das estiagens at\u00edpicas dos \u00faltimos anos, tornaram o pa\u00eds inteiro uma esp\u00e9cie de bomba de Napalm, altamente inflam\u00e1vel. Os produtores rurais se encarregaram de acender a fagulha.<\/p>\n<p><strong>7 \u2013 Um mundo em chamas<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pedrogao.jpeg\" alt=\"Carro incendiado em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande, Portugal\" \/><em>Carro incendiado em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande, Portugal<\/em><\/p>\n<p>As altas temperaturas e a secura do ano n\u00e3o causaram inc\u00eandios s\u00f3 no Brasil A primavera e o ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio Norte foram particularmente cru\u00e9is, com inc\u00eandios florestais de grandes propor\u00e7\u00f5es na Calif\u00f3rnia, no Canad\u00e1 e na Europa. Uma onda de calor apelidada \u201cL\u00facifer\u201d se abateu sobre o Mediterr\u00e2neo, levando os term\u00f4metros a 43<sup>o<\/sup>C no sul da Fran\u00e7a, na It\u00e1lia, na Cro\u00e1cia e na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Em Portugal, mais de 60 pessoas morreram em decorr\u00eancia dos inc\u00eandios na regi\u00e3o de Pedr\u00f3g\u00e3o Grande. Nos Estados Unidos, a regi\u00e3o vin\u00edcola da Calif\u00f3rnia foi destru\u00edda, com preju\u00edzos bilion\u00e1rios. E, em pleno outono, o fogo voltou, atingindo os arredores de Los Angeles e for\u00e7ando est\u00fadios de Hollywood a fechar.<\/p>\n<p><strong>8 \u2013 Harvey, Irma, Maria (e Jos\u00e9, Katia, Nate, Ophelia\u2026)<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/hurricanes-irma-jose-katia-090817_noaa-nasa-goes.jpg\" alt=\"Furac\u00f5es Irma, Jos\u00e9 e K\u00e1tia flagrados por sat\u00e9lite (Imagem: Noaa)\" \/><em>Furac\u00f5es Irma, Jos\u00e9 e K\u00e1tia flagrados por sat\u00e9lite (Imagem: Noaa)<\/em><\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 sabe, mas n\u00e3o custa repetir: a temporada de furac\u00f5es de 2017 foi a mais _____________ (cole aqui seu adjetivo preferido) j\u00e1 registrada. H\u00e1 recordes para onde quer que se olhe: foram 17 tempestades fortes o bastante para merecer nome (de Arlene a Rina); um \u00edndice de energia de tempestades duas vezes maior que a m\u00e9dia de 1981 a 2010; dois furac\u00f5es de categoria 5 em r\u00e1pida sucess\u00e3o (Irma e Maria); o furac\u00e3o mais forte da hist\u00f3ria (Irma); tr\u00eas supertempestades tocando terra nos EUA e no Caribe (Harvey, Irma e Maria); um furac\u00e3o (Harvey) causando o maior ac\u00famulo de chuva j\u00e1 registrado nos EUA (1.500 mm); tr\u00eas furac\u00f5es atravessando o Atl\u00e2ntico simultaneamente (Irma, Jos\u00e9 e Katia); e o furac\u00e3o de categoria 5 mais demorado de todos os tempos (de novo Irma). No finalzinho da temporada, Ophelia tornou-se o furac\u00e3o mais intenso a atravessar o Atl\u00e2ntico rumo ao nordeste, como categoria 3, e foi causar estragos na Irlanda e na Espanha. No momento em que este texto \u00e9 escrito, grande parte da ilha de Porto Rico continua sem luz ap\u00f3s a passagem do Maria. Os preju\u00edzos estimados passam de US$ 230 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>9 \u2013 A \u00c1sia debaixo d\u2019\u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aditighatak.jpg\" alt=\"Enchente em Bengala Ocidental, \u00cdndia (Foto: Aditi Ghatak\/Climate Home)\" \/><em>Enchente em Bengala Ocidental, \u00cdndia (Foto: Aditi Ghatak\/Climate Home)<\/em><\/p>\n<p>Sobrou chuva tamb\u00e9m para o Sudeste asi\u00e1tico. As mon\u00e7\u00f5es deste ano foram especialmente intensas e mataram cerca de 1.200 pessoas na \u00cdndia e em Bangladesh. Mais de 40 milh\u00f5es de pessoas foram deslocadas ou atingidas pelas chuvas, segundo a OMM. Na \u00c1frica, Freetown, em Serra Leoa, registrou mais de 1.400 mil\u00edmetros de chuva em duas semanas em agosto, o que causou um deslizamento que matou 500 pessoas e exp\u00f4s a diferen\u00e7a de impacto da mudan\u00e7a do clima em pa\u00edses pobres e ricos (a chuva acumulada foi quase a mesma que o Harvey despejou no Texas, mas as perdas no pa\u00eds africano foram muito maiores).<\/p>\n<p><strong>10 \u2013 O Modelo 3<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/model-3-social-e1513805720290.jpg\" alt=\"O Modelo 3 (Foto: Tesla)\" \/><em>O Modelo 3 (Foto: Tesla)<\/em><\/p>\n<p>O dia 28 de julho de 2017 poder\u00e1 no futuro ser lembrado como a data em que o motor a explos\u00e3o foi ferido de morte. Naquele dia, a Tesla, que chegou a ser a empresa de autom\u00f3veis mais valiosa do planeta, lan\u00e7ou seu primeiro carro el\u00e9trico \u201cpopular\u201d (entre muitas aspas), o Modelo 3. \u00c9 um sed\u00e3 m\u00e9dio que vai de zero a cem em seis segundos e roda 346 km com uma carga de bateria. Custa \u201capenas\u201d (entre muitas aspas) US$ 35 mil e j\u00e1 tem 500 mil unidades encomendadas. Alguns analistas, n\u00e3o sem certo ufanismo, compararam o primeiro ve\u00edculo de massas produzido pelo sul-africano Elon Musk ao iPhone. \u00c9 cedo para dizer ainda. Mas os carros el\u00e9tricos est\u00e3o dominando o mercado mais r\u00e1pido do que se previa (neste ano, a Volvo anunciou que n\u00e3o produzir\u00e1 mais nenhum carro a combust\u00e3o interna a partir de 2019 e a Fran\u00e7a anunciou que ir\u00e1 banir esses ve\u00edculos em 2040) e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/graphics\/pessimists-guide-to-2018\/\">podem mexer de forma significativa na demanda por petr\u00f3leo<\/a>. Aguardem as cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p><strong>11 \u2013 A trapalhada do cobre<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/GP0STR1MJ_PressMedia-e1505513089681.jpg\" alt=\"Da esq. para a dir.: Arlete Salles, Alessandra Negrini, Rappin Hood, Susana Vieira, Maria Paula, Christiane Torloni, Lu\u00eds Fernando Guimar\u00e3es, Maria Gad\u00fa e Victor Fasano em ato contra o fim da Renca  (Foto: Cristiano Costa\/Greenpeace)\" \/><em>Da esq. para a dir.: Arlete Salles, Alessandra Negrini, Rappin Hood, Susana Vieira, Maria Paula, Christiane Torloni, Lu\u00eds Fernando Guimar\u00e3es, Maria Gad\u00fa e Victor Fasano em ato contra o fim da Renca (Foto: Cristiano Costa\/Greenpeace)<\/em><\/p>\n<p>S\u00f3 mesmo Michel Temer \u00e9 capaz de botar\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/artistas-vao-ao-congresso-pedir-respeito-com-amazonia\/\">ambientalistas e artistas<\/a>\u00a0na defesa do legado do general Jo\u00e3o Figueiredo. Foi o que ele e seu ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, fizeram ao extinguir \u2013 como de h\u00e1bito, sem consultar ningu\u00e9m a n\u00e3o ser empresas interessadas \u2013 a Reserva Nacional do Cobre e Associados, uma reserva mineral do tamanho do Esp\u00edrito Santo na calha norte do Amazonas.<\/p>\n<p>A Renca foi criada em 1984 com vistas a dar o monop\u00f3lio da explora\u00e7\u00e3o de cobre e ouro ao Estado. A ditadura jamais pensou nela como reserva ambiental, mas ela acabou funcionando como uma; sobrepostas a ela h\u00e1 nove unidades de conserva\u00e7\u00e3o e duas terras ind\u00edgenas. <a href=\"https:\/\/succeedaba.com\/buy-priligy-online-cheap-canada-2025\/\">succeedaba.com<\/a>  Ao decretar sua extin\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/meio-ambiente-foi-contra-extincao-de-reserva-mineral-na-amazonia\/\">passando por cima de uma avalia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/a>\u00a0e ainda dizendo que o lugar \u201cn\u00e3o \u00e9 um para\u00edso\u201d, Temer deu muni\u00e7\u00e3o aos ambientalistas que o acusavam (com raz\u00e3o) de estar \u201cvendendo a Amaz\u00f4nia\u201d. O desgaste de imagem para o governo foi t\u00e3o grande que at\u00e9 a bancada ruralista fez quest\u00e3o de ir a p\u00fablico dizer que n\u00e3o tinha nada a ver com aquele peixe. A press\u00e3o foi tanta que o governo foi obrigado a recuar e restituir a Renca.<\/p>\n<p><strong>12 \u2013 \u00c1rtico derrete, R\u00fassia comemora<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/69d925063980750a511a33f337aacefe-e15034990209661.jpg\" alt=\"O petroleiro Christophe de Margerie encara gelos de at\u00e9 2,1 metros de espessura. Foto: Sovcomflot,  empresa russa de transporte mar\u00edtimo\" \/><em>O petroleiro Christophe de Margerie encara gelos de at\u00e9 2,1 metros de espessura. Foto: Sovcomflot, empresa russa de transporte mar\u00edtimo<\/em><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tem poucos ganhadores e muitos perdedores, e em nenhum lugar os ganhadores ganham tanto quanto na R\u00fassia. Neste ano, enquanto o gelo marinho no oceano \u00c1rtico atingia sua quinta menor extens\u00e3o m\u00ednima j\u00e1 registrada, os russos brindavam a abertura de uma nova rota mar\u00edtima. No final de agosto, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/petroleiro-cruza-o-artico-sem-quebra-gelo-pela-primeira-vez\/\">petroleiro russo Christophe de Margerie cruzou sem ajuda de quebra-gelo a Rota Mar\u00edtima do Norte<\/a>, a passagem antes permanentemente congelada entre a Europa e \u00c1sia pelo litoral siberiano. A navega\u00e7\u00e3o foi feita em apenas seis dias \u2013 economizando 30% do tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rota do canal de Suez. Os russos querem investir no desenvolvimento da regi\u00e3o, apostando que em pouco tempo ela se tornar\u00e1 o caminho preferencial do tr\u00e1fego mar\u00edtimo entre os dois continentes.<\/p>\n<p><strong>13 \u2013 A guerra pelo Jamanxim<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/agro-protesta.jpg\" alt=\"\u00c1rea desmatada na Floresta Nacional do Jamanxim (Foto: Daniel Beltr\u00e0\/Greenpeace)\" \/><em>\u00c1rea desmatada na Floresta Nacional do Jamanxim (Foto: Daniel Beltr\u00e0 \/ Greenpeace)<\/em><\/p>\n<p>Neste ano, uma por\u00e7\u00e3o de terra esquecida no meio do Par\u00e1 virou \u201ctrending topic\u201d no Twitter. Agindo em tabelinha, o governo Temer e a bancada ruralista propuseram a redu\u00e7\u00e3o de quase 1 milh\u00e3o de hectares em \u00e1reas protegidas da Amaz\u00f4nia e na Mata Atl\u00e2ntica, sendo a principal delas a Floresta Nacional do Jamanxim, no Par\u00e1. A Flona \u00e9 a \u00e1rea protegida mais invadida e desmatada no Brasil, e a solu\u00e7\u00e3o encontrada pelo governo para acabar com o problema foi prosaica: entregar um naco da unidade aos invasores e desmatadores. A proposta, que teve oposi\u00e7\u00e3o forte da sociedade e motivou uma bronca do governo noruegu\u00eas ao Brasil, foi e voltou diversas vezes at\u00e9 ganhar sua forma final: um projeto de lei propondo o corte de 350 mil hectares do Jamanxim \u2013 uma das maiores redu\u00e7\u00f5es de uma \u00e1rea protegida federal j\u00e1 propostas na hist\u00f3ria. O texto tramita na C\u00e2mara, com v\u00e1rias emendas de ruralistas que buscam, adivinhe, ampliar a \u00e1rea a ser desprotegida e reduzir as salvaguardas ambientais.<\/p>\n<p><strong>14 \u2013 O Ibama contra-ataca (e vira alvo)<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/WhatsApp-Image-2017-07-07-at-10.07.16-e1513806335522.jpeg\" alt=\"Caminh\u00e3o incendiado em Cachoeira da Serra, no Par\u00e1\" \/><em>Caminh\u00e3o incendiado em Cachoeira da Serra, no Par\u00e1<\/em><\/p>\n<p>Depois de um ano funcionando em marcha lenta em 2016 por falta de recursos, o Ibama retomou as atividades de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, turbinado por verba do Fundo Amaz\u00f4nia. O resultado foi uma desacelera\u00e7\u00e3o na taxa de desmatamento, que caiu 16% em 2017 \u2013 uma das raras boas not\u00edcias do ano. Mas n\u00e3o parou por a\u00ed: a presidente do \u00f3rg\u00e3o, Suely Ara\u00fajo, costurou um projeto de lei de licenciamento ambiental que contorna a \u201clicen\u00e7a flex\u201d que a bancada ruralista tentou emplacar diversas vezes nos \u00faltimos dois anos, e ainda vetou a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na foz do Amazonas.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia passar impune. Dizem as m\u00e1s l\u00ednguas que muito deputado ao chegar ao gabinete de manh\u00e3 pede duas coisas: um caf\u00e9 e a cabe\u00e7a da presidente do Ibama. Na Amaz\u00f4nia a turma \u00e9 menos sutil: a gerente regional de Santar\u00e9m (PA) foi amea\u00e7ada de morte na regi\u00e3o da BR-163, que assistiu a uma s\u00e9rie de passeatas e protestos contra a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Em julho, dois caminh\u00f5es carregados com picapes do Ibama\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/ibama-bloqueia-serrarias-apos-ataque-caminhao-na-br-163\/\">foram emboscados e incendiados por madeireiros em Novo Progresso<\/a>\u00a0(PA), tamb\u00e9m em repres\u00e1lia. Em outubro, um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/nota-de-repudio-ao-atentado-terrorista-em-humaita\/\">novo atentado<\/a>, desta vez organizado por garimpeiros e com a participa\u00e7\u00e3o do prefeito, alvejou os pr\u00e9dios do Ibama e do Instituto Chico Mendes em Humait\u00e1 (AM). Ap\u00f3s o ataque, o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, deu licen\u00e7a aos criminosos para explorar ouro.<\/p>\n<p><strong>15 \u2013 Emiss\u00f5es em alta, economia em baixa<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21.09.2017_grafico_MUT.png\" alt=\"21.09.2017_grafico_MUT\" \/><\/p>\n<p>Em 2016, o Brasil se tornou a\u00a0<a href=\"http:\/\/seeg.eco.br\/2017\/11\/01\/emissoes-do-brasil-sobem-9-em-2016\/\">\u00fanica grande economia do mundo a ver suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa dispararem enquanto sua economia estava em queda livre<\/a>. A informa\u00e7\u00e3o foi revelada em outubro deste ano pelo SEEG, o Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa do Observat\u00f3rio do Clima. A eleva\u00e7\u00e3o de 9% se deveu ao pico de desmatamento na Amaz\u00f4nia \u2013 alta de 27% no ano passado. O setor de energia, que est\u00e1 mais diretamente vinculado \u00e0 economia real, viu uma queda de 7,3%. Com 2,278 bilh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub>\u00a0equivalente emitidas, o Brasil \u00e9 o s\u00e9timo maior poluidor do planeta.<\/p>\n<p><strong>16 \u2013 O Brasil \u00e9 f\u00f3ssil<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Fossil-of-the-Day.jpeg\" alt=\"O ativista Iago Hairon recene o F\u00f3ssil do Dia pelo Brasil \" \/><em>O ativista Iago Hairon recebe o F\u00f3ssil do Dia pelo Brasil<\/em><\/p>\n<p>Enquanto o ministro Sarney Filho botava banca de bom mo\u00e7o ao anunciar a redu\u00e7\u00e3o da taxa de desmatamento na COP23, na Alemanha, e se oferecia para sediar a COP25, tomava um 7\u00d71 do pr\u00f3prio governo, que fazia avan\u00e7ar no Congresso uma Medida Provis\u00f3ria que concedia subs\u00eddios multibilion\u00e1rios \u00e0s empresas de petr\u00f3leo para promover o sald\u00e3o do pr\u00e9-sal. A cifra final da ren\u00fancia fiscal depende da premissa adotada na conta, mas alguns estudos t\u00eam indicado que ela pode passar de R$ 1 trilh\u00e3o at\u00e9 2040 \u2013 da\u00ed o apelido do projeto, MP do Trilh\u00e3o. A proposta deu ao Brasil o antipr\u00eamio F\u00f3ssil do Dia na COP, e com raz\u00e3o: somente o \u00f3leo do pr\u00e9-sal, se for todo queimado, pode fazer o mundo perder a chance de estabilizar o aquecimento global em 1,5<sup>o<\/sup>C. Alheio ao clima e \u00e0 responsabilidade fiscal, o Congresso aprovou a proposta, que deve ser sancionada por Michel Temer nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p><strong>17 \u2013 Fiji vence, mas n\u00e3o convence<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/COP23_foto2.jpg\" alt=\"Em abertura da COP23, Patricia Espinosa, Secret\u00e1ria Executiva da UNFCCC, faz apelo aos delegados: \" \/><em>Em abertura da COP23, Patricia Espinosa, Secret\u00e1ria Executiva da UNFCCC, faz apelo aos delegados: \u201c\u00c9 a nossa \u00faltima chance\u201d<\/em><\/p>\n<p>A COP23, a confer\u00eancia de Fiji, terminou em 18 de novembro em Bonn, na Alemanha, com a mesma emo\u00e7\u00e3o com que havia come\u00e7ado: muito pouca. A primeira confer\u00eancia do clima ap\u00f3s o an\u00fancio-bomba da sa\u00edda dos EUA do Acordo de Paris tinha tudo para entornar. Havia uma ressurg\u00eancia da desconfian\u00e7a entre pa\u00edses ricos e pobres, principalmente em torno do financiamento clim\u00e1tico, e d\u00favidas sobre como seria estruturado o chamado Di\u00e1logo Talanoa, em 2018, a primeira conversa sobre aumento de ambi\u00e7\u00e3o das metas dos pa\u00edses no Acordo de Paris. As diverg\u00eancias foram contornadas, os elementos que compor\u00e3o o manual de instru\u00e7\u00f5es do acordo do clima foram definidos e o Di\u00e1logo Talanoa foi rascunhado. No entanto, os debates na COP23 passaram ao largo do que realmente importa: a necessidade de aumentar enormemente as metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e de financiamento clim\u00e1tico antes que a janela de oportunidade ainda aberta para limitar o aquecimento global a 1,5<sup>o<\/sup>C se feche. Segundo a ci\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o coletiva precisa ser turbinada at\u00e9 2020, mas os 195 membros da Conven\u00e7\u00e3o do Clima que permanecem fi\u00e9is ao Acordo de Paris at\u00e9 agora n\u00e3o se mostraram dispostos a botar as cartas na mesa.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Observat\u00f3rio do Clima de 20 de dezembro de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trump anuncia sa\u00edda do Acordo de Paris (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o de TV) Relembre os extremos, as trag\u00e9dias e as vit\u00f3rias do combate ao aquecimento global no ano que se encerra Mais um ano que n\u00e3o vai deixar saudades chega ao fim. 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