{"id":22708,"date":"2018-01-24T17:00:23","date_gmt":"2018-01-24T19:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22708"},"modified":"2018-01-23T16:58:31","modified_gmt":"2018-01-23T18:58:31","slug":"manual-de-producao-de-agua-potavel-segura-por-reuso-do-esgoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/manual-de-producao-de-agua-potavel-segura-por-reuso-do-esgoto\/","title":{"rendered":"Manual de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel segura por re\u00faso do esgoto"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"center\"><b>Manual de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel segura por re\u00faso do esgoto<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"center\"><b>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u2013 2017<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">T\u00edtulo original:\u00a0<b>Potable Reuse: Guidance for Producing Safe Drinking-water<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Tradutor livre:\u00a0<b>Paulo Afonso da Mata Machado<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c<span lang=\"en-US\">This translation was not created by the World Health Organization (WHO). WHO is not responsible for the content or accuracy of this translation. The original English edition shall be the binding and authentic edition\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/10665\/258715\/1\/9789241512770-eng.pdf?ua=1\"><span lang=\"en-US\">http:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/10665\/258715\/1\/9789241512770-eng.pdf?ua=1<\/span><\/a><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 permitida a c\u00f3pia, a redistribui\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o desta tradu\u00e7\u00e3o para prop\u00f3sitos n\u00e3o comerciais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c<b>\u00c1gua deve ser julgada por sua qualidade, n\u00e3o por sua hist\u00f3ria.\u201d (Lukas van Vuuren)<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>*<\/b>\u00a0Para acessar \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o do manual, no formato PDF, clique no link:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180122-180122-manual-de-producao-de-agua-potavel-segura-por-reuso-do-esgoto.pdf\">180122 Manual de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel segura por re\u00faso do esgoto<\/a><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"center\"><b>Pref\u00e1cio do tradutor<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b><\/b>Em 2014, S\u00e3o Paulo enfrentou a maior crise h\u00eddrica dos \u00faltimos tempos. O Rio Tiet\u00ea provocou grandes inunda\u00e7\u00f5es nas partes baixas da cidade, causando transtornos imensur\u00e1veis no tr\u00e1fego, por si s\u00f3 j\u00e1 t\u00e3o complicado. Por outro lado, o Sistema Cantareira, respons\u00e1vel por grande parte do abastecimento da cidade, entrou em seu volume morto, provocando um racionamento de \u00e1gua sem precedentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Essa situa\u00e7\u00e3o ressuscitou o antigo projeto de transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas da bacia do Rio Para\u00edba do Sul. Desse modo, S\u00e3o Paulo passaria a receber \u00e1gua de duas bacias externas: a bacia do Piracicaba, que abastece o Sistema Cantareira, e a bacia do Rio Para\u00edba do Sul, que j\u00e1 abastece a cidade do Rio de Janeiro. Sobre isso, assim se manifestou Hespanhol (2014):<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><i>A pol\u00edtica de importar \u00e1gua de bacias cada vez mais distantes para satisfazer o crescimento da demanda come\u00e7ou h\u00e1 mais de dois mil anos com os romanos, dando origem aos seus famosos aquedutos. A pr\u00e1tica ainda persiste, resolvendo, precariamente, o problema de abastecimento de \u00e1gua de uma regi\u00e3o, em detrimento daquela que a fornece. As solu\u00e7\u00f5es mais modernas em termos de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos consistem em tratar e reusar os esgotos j\u00e1 dispon\u00edveis nas pr\u00f3prias \u00e1reas urbanas para complementar o abastecimento p\u00fablico.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Hespanhol (2012) j\u00e1 havia dito:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><i>A sistem\u00e1tica atual \u00e9 pr\u00e9-hist\u00f3rica e irracional, resolvendo precariamente o problema de abastecimento de \u00e1gua em uma regi\u00e3o, em detrimento daquela que a fornece. H\u00e1, portanto, necessidade de adotar um novo paradigma que substitua a vers\u00e3o romana de transportar sistematicamente grandes volumes de \u00e1gua de bacias cada vez mais long\u00ednquas e de dispor os esgotos, com pouco ou nenhum tratamento, em corpos de \u00e1gua adjacentes, tornando-os cada vez mais polu\u00eddos.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A not\u00edcia do colapso h\u00eddrico na capital paulista passou a ser tema di\u00e1rio dos telejornais e ultrapassou as fronteiras do pa\u00eds. A pesquisadora da Universidade Stanford, na Calif\u00f3rnia, Newsha Ajami, comentou a crise h\u00eddrica com espanto ao se dar conta que o problema n\u00e3o \u00e9 de falta de \u00e1gua: \u2013 Tem um rio passando na cidade e voc\u00eas est\u00e3o sem \u00e1gua? N\u00f3s (na Calif\u00f3rnia) realmente n\u00e3o temos \u00e1gua, pois n\u00e3o est\u00e1 chovendo e os nossos rios est\u00e3o secos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Hespanhol (2014) faz a seguinte previs\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><i>\u00c9 inexor\u00e1vel que, dentro de no m\u00e1ximo uma d\u00e9cada, a pr\u00e1tica do re\u00faso pot\u00e1vel direto, utilizando tecnologias modernas de tratamento e sistemas avan\u00e7ados de gest\u00e3o de riscos e de controle operacional, ser\u00e1, apesar das rea\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e institucionais que a constrangem, a alternativa mais plaus\u00edvel para fornecer \u00e1gua realmente pot\u00e1vel. Al\u00e9m de resolver o problema de qualidade, o re\u00faso pot\u00e1vel direto estaria fortemente associado \u00e0 seguran\u00e7a do abastecimento, pois utilizaria fontes de suprimento dispon\u00edveis nos pontos de consumo, eliminando, por exemplo, a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de longas e custosas adutoras, que, geralmente, transferem \u00e1gua para grandes centros urbanos, coletada de \u00e1reas afetadas por estresse h\u00eddrico.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 poss\u00edvel que a incoer\u00eancia verificada em S\u00e3o Paulo tenha estimulado a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade a dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes h\u00eddricas, especialmente \u00e0quelas originadas pelas \u00e1guas usadas. O certo \u00e9 que, em 2017, surgiu o manual \u201cPotable Reuse \u2013 Guidance for Producing Safe Drinking-water\u201d, cuja tradu\u00e7\u00e3o livre est\u00e1 sendo entregue ao p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Nessa obra, os profissionais da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) deixam claro que o re\u00faso pot\u00e1vel, ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o de \u00e1guas usadas em \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 algo que j\u00e1 ocorre em v\u00e1rios pa\u00edses e n\u00e3o apresenta nenhuma tecnologia nova, pois todos os processos de tratamento utilizados s\u00e3o do conhecimento dos profissionais da Engenharia Sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Por outro lado, para a OMS (ou WHO, conforme a sigla em ingl\u00eas), a principal dificuldade para implanta\u00e7\u00e3o do re\u00faso pot\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnica, mas psicol\u00f3gica. Os usu\u00e1rios precisam entender como funciona o ciclo hidrol\u00f3gico que atua constantemente na natureza. Tanto a \u00e1gua do mar como as \u00e1guas mais contaminadas, ao se evaporarem, transformam-se em vapor de \u00e1gua, isento de sais e de qualquer tipo de polui\u00e7\u00e3o. A chuva que alimenta as nascentes dos rios, das quais bebemos sem nenhum tratamento pr\u00e9vio, pode ter sido resultado da evapora\u00e7\u00e3o de p\u00e2ntanos, atoleiros, efluentes hospitalares etc. A transforma\u00e7\u00e3o das \u00e1guas usadas em \u00e1gua pot\u00e1vel nada mais \u00e9 que o homem participando ativamente do ciclo hidrol\u00f3gico.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Por isso, todo o cap\u00edtulo 7 do manual, intitulado \u201cThe art of public engagement\u201d (traduzido por \u201cA arte do engajamento p\u00fablico\u201d) \u00e9 dedicado a explicar aos profissionais hidrossanit\u00e1rios como convencer o p\u00fablico de que o re\u00faso pot\u00e1vel representa uma fonte segura de abastecimento de \u00e1gua e que, mais que isso, \u00e9 uma fonte que n\u00e3o sofre influ\u00eancia do clima e n\u00e3o passa por crises de abastecimento decorrentes de longos per\u00edodos de estiagem.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Est\u00e3o certos os profissionais da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade. No Brasil, a resist\u00eancia ao re\u00faso pot\u00e1vel tem contesta\u00e7\u00f5es as mais diversas. Tomamos a liberdade de acrescentar a este pref\u00e1cio algumas das contesta\u00e7\u00f5es feitas, muitas delas por pessoas diretamente ligadas ao abastecimento p\u00fablico de \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"center\"><b>Perguntas e respostas<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>1. O re\u00faso pot\u00e1vel do esgoto \u00e9 insuficiente para abastecer a popula\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b><\/b>\u00c9 verdade. Os comp\u00eandios de Engenharia Sanit\u00e1ria indicam que, mesmo as \u00e1guas usadas em uma dada localidade forem completamente captadas, a vaz\u00e3o fica em torno de 80% da vaz\u00e3o de \u00e1gua que \u00e9 distribu\u00edda. Por isso, o re\u00faso pot\u00e1vel precisa ser complementado por uma vaz\u00e3o adicional. Entretanto, como esse complemento vai passar pelos mesmos tratamentos do re\u00faso pot\u00e1vel, seus crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito menos restritivos que aqueles que norteiam a sele\u00e7\u00e3o da \u00e1gua bruta para ETAs convencionais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 preciso destacar que, se hoje o re\u00faso pot\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio como fonte de \u00e1gua, no futuro poder\u00e1 vir a ser. \u00c0 medida que a vaz\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel aumenta, maiores s\u00e3o as necessidades de \u00e1gua bruta e poder\u00e1 haver necessidade de outras fontes de \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As \u00e1guas usadas s\u00e3o uma fonte permanente de \u00e1gua, pois um aumento no consumo de \u00e1gua pot\u00e1vel implica aumento em sua gera\u00e7\u00e3o. Sua vaz\u00e3o n\u00e3o sofre varia\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com o clima como ocorre com a varia\u00e7\u00e3o de fontes superficiais e subterr\u00e2neas de \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Finalmente, \u00e9 preciso destacar que a varia\u00e7\u00e3o na qualidade da \u00e1gua das fontes superficiais e subterr\u00e2neas afeta a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel em esta\u00e7\u00f5es convencionais, enquanto a varia\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas usadas n\u00e3o afeta a produ\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel, cujo tratamento biol\u00f3gico \u00e9 muito superior ao das ETAS convencionais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>2. O re\u00faso pot\u00e1vel \u00e9 mais caro que o tratamento de \u00e1guas superficiais.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 verdade. A transforma\u00e7\u00e3o de \u00e1gua usada em \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 mais cara que a potabiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de rios, lagos ou len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Acontece que a compara\u00e7\u00e3o est\u00e1 incompleta. Ao se fazer o re\u00faso pot\u00e1vel, est\u00e1-se praticando duas atividades: o tratamento das \u00e1guas usadas e a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Sem d\u00favida alguma, o re\u00faso pot\u00e1vel \u00e9 mais barato que a soma dos custos de ambos os tratamentos devido \u00e0 economia de escala. Ressalte-se que essa diferen\u00e7a de custos \u00e9 ainda mais marcante nos per\u00edodos de escassez h\u00eddrica em que, muitas vezes, \u00e9 necess\u00e1rio buscar \u00e1gua a longa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>3. Uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel n\u00e3o conseguir\u00e1 tratar o esgoto de forma adequada.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No Brasil, essa contesta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita at\u00e9 mesmo por engenheiros sanitaristas, que desconhecem o processo que \u00e9 utilizado desde 1968, quando foi introduzido em Windhoek, na Nam\u00edbia (Se\u00e7\u00e3o 8.2). A esta\u00e7\u00e3o pioneira do pa\u00eds africano est\u00e1 at\u00e9 hoje em funcionamento.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Na realidade, o re\u00faso pot\u00e1vel produz \u00e1gua de melhor qualidade que muitas esta\u00e7\u00f5es de tratamento convencionais, pois tem tratamento f\u00edsico (reten\u00e7\u00e3o em grades, decanta\u00e7\u00e3o, filtra\u00e7\u00e3o por membranas, adsor\u00e7\u00e3o em carv\u00e3o ativado), qu\u00edmico (adi\u00e7\u00e3o de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio e clora\u00e7\u00e3o) e biol\u00f3gico (ocorre em praticamente toda a esta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As esta\u00e7\u00f5es de tratamento convencionais trabalham, muitas vezes, com coagula\u00e7\u00e3o, flocula\u00e7\u00e3o, decanta\u00e7\u00e3o, filtra\u00e7\u00e3o e clora\u00e7\u00e3o, o que nem sempre consegue eliminar todos os poluentes da \u00e1gua bruta.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>4. O povo rejeitar\u00e1 a \u00e1gua que foi esgoto.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esta \u00e9, sem d\u00favida, uma quest\u00e3o que deve ser abordada com o m\u00e1ximo cuidado. O problema do re\u00faso pot\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico, mas de comunica\u00e7\u00e3o. Reproduzimos o texto original do item 7.4 do manual para que o leitor aprecie, antes de iniciar a leitura de sua tradu\u00e7\u00e3o, como esse assunto tem preocupado os profissionais da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span lang=\"en-US\"><i>In some instances, officials have called off plans to implement potable reuse after they faced public opposition and outcry. Although these projects were well designed with sound engineering principles, supported by extensive laboratory tests to ensure water quality, the lack of a well thought out public communications programme combining science\/technology and art\/social science considerations to garner public support dealt them a huge blow. Headlines like \u201ctoilet to tap,\u201d that play on the psychological and emotional aspects of the human mind, were shown to cloud logical reasoning. The result was public resistance to potable reuse. But slowly, things are changing. In recent years, more cities are implementing schemes, fuelled in part by prolonged dry spells and droughts.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A tradu\u00e7\u00e3o livre \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em algumas vezes, autoridades t\u00eam cancelado planos para utilizar o re\u00faso pot\u00e1vel depois de terem faceado oposi\u00e7\u00e3o e clamor p\u00fablico. Embora esses projetos fossem bem feitos, de acordo com os princ\u00edpios de Engenharia e sustentados por testes de laborat\u00f3rio extensivos para assegurar a qualidade da \u00e1gua, a falta de um bem desenvolvido programa de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica combinando ci\u00eancia\/tecnologia e arte\/considera\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia social para colher apoio p\u00fablico levaram a um grande fracasso. Frases feitas como \u201cdo toalete \u00e0 torneira\u201d que provocam aspectos psicol\u00f3gicos e emocionais na mente humana, encobriram o racioc\u00ednio l\u00f3gico. O resultado foi resist\u00eancia p\u00fablica ao re\u00faso pot\u00e1vel. Mas, devagar, as coisas v\u00e3o mudando. Nos \u00faltimos anos, mais cidades t\u00eam desenvolvido projetos, levadas, em parte, por per\u00edodos de seca e estiagens.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 importante destacar que, na esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel de Orange County, Calif\u00f3rnia, os visitantes s\u00e3o convidados a tomar um copo de \u00e1gua de re\u00faso pot\u00e1vel. Muitos s\u00e3o aqueles que se recusam a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Portanto, a rejei\u00e7\u00e3o ao consumo de \u00e1gua obtida pelo re\u00faso pot\u00e1vel \u00e9 seu maior obst\u00e1culo, mas pode ser contornada por uma boa campanha publicit\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>5. O rejeito da filtra\u00e7\u00e3o por membrana ser\u00e1 altamente poluente.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No caso do re\u00faso pot\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 esse problema, pois antes de chegar \u00e0s membranas de ultrafiltra\u00e7\u00e3o, o l\u00edquido passa por wetlands constru\u00eddos, reator aer\u00f3bio e decantador secund\u00e1rio. O rejeito da ultrafiltra\u00e7\u00e3o \u00e9 encaminhado a um wetland constru\u00eddo, destinado a receber o efluente do decantador secund\u00e1rio. Uma pequena parcela do rejeito da ultrafiltra\u00e7\u00e3o \u00e9 lan\u00e7ada em valas de filtra\u00e7\u00e3o para evitar que eventuais part\u00edculas inertes possam circular indefinidamente entre o wetland e os ultrafiltros. Essa parcela, depois de filtrada, \u00e9 devolvida \u00e0s membranas de ultrafiltra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1, portanto, risco de contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente por parte do rejeito da ultrafiltra\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 lan\u00e7ado para fora da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Destaque-se que um dos grandes problemas de uma ETA convencional \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o do lodo contido na \u00e1gua de lavagem de filtros, problema que n\u00e3o existe um uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>6. Como as primeiras unidades de re\u00faso pot\u00e1vel diferem do projeto de uma ETE, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transformar as ETEs existentes em esta\u00e7\u00f5es de re\u00faso pot\u00e1vel.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As primeiras etapas do re\u00faso pot\u00e1vel repetem, com algumas modifica\u00e7\u00f5es, os processos convencionais de uma ETE. Em muitos casos, o re\u00faso pot\u00e1vel aproveita ETEs existentes, pois substitu\u00ed-las pode aumentar o custo do investimento e apresentar dificuldades durante a constru\u00e7\u00e3o. Se uma ETE n\u00e3o estiver bem operada, pode haver problemas na qualidade do produto final e, portanto, essa ETE deve ser corrigida antes de ser transformada em esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel.\u00a0Se a ETE est\u00e1 com funcionamento adequado, bastar\u00e1 adapt\u00e1-la para que seu efluente venha a se tornar \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Exemplo t\u00edpico \u00e9 a ETE de Ibirit\u00e9-MG, que produz \u00e1gua de re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel. Suas unidades s\u00e3o:<\/p>\n<ol type=\"a\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Grade m\u00e9dia mecanizada<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Desarenador<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Peneiramento<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Desodoriza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Decantadores prim\u00e1rios circulares<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Reatores biol\u00f3gicos<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Decantadores secund\u00e1rios<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Mistura r\u00e1pida<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Mistura lenta<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Sedimenta\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Filtra\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Biodiscos<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Desinfec\u00e7\u00e3o por UV<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O tratamento s\u00f3lido se comp\u00f5e de:<\/p>\n<ol type=\"a\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Adensamento do lodo prim\u00e1rio por gravidade;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Adensamento dos lodos secund\u00e1rio e terci\u00e1rio por flota\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Estabiliza\u00e7\u00e3o anaer\u00f3bia dos lodos;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Desaguamento dos lodos por centrifuga\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Cogera\u00e7\u00e3o com secagem t\u00e9rmica dos lodos para combust\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As modifica\u00e7\u00f5es na ETE para transform\u00e1-la em esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel seriam t\u00e3o somente:<\/p>\n<ol type=\"i\">\n<li>\n<p align=\"justify\">A jusante dos biodiscos: oxida\u00e7\u00e3o; wetland constru\u00eddo horizontal; e membranas filtrantes de ultrafiltra\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">A jusante da desinfec\u00e7\u00e3o por UV: carv\u00e3o ativado granulado; clora\u00e7\u00e3o, fluoreta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o do pH.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Como existe tratamento s\u00f3lido na esta\u00e7\u00e3o, a parcela do rejeito da ultrafiltra\u00e7\u00e3o que iria para as valas de filtra\u00e7\u00e3o (cerca de 10%) deve ser encaminhada ao adensamento por flota\u00e7\u00e3o, enquanto o restante deve retornar ao wetland horizontal. O efluente da clora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 \u00e1gua pr\u00f3pria para consumo humano.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>7. Empresas que trabalham com produtos qu\u00edmicos podem lan\u00e7ar metais pesados na rede de esgoto.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Tal pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 permitida pela legisla\u00e7\u00e3o e, em Minas Gerais, nos munic\u00edpios em que a COPASA tem concess\u00e3o para coleta e tratamento das \u00e1guas usadas, h\u00e1 o programa PRECEND, que impede o lan\u00e7amento de efluentes de caracter\u00edsticas n\u00e3o dom\u00e9sticas na rede p\u00fablica coletora. Outros estados devem ter programas semelhantes.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Entretanto, n\u00e3o se pode descartar a possibilidade de descarga de res\u00edduos t\u00f3xicos, que, para passarem despercebidos pelas autoridades sanit\u00e1rias, devem estar em quantidade pequena em rela\u00e7\u00e3o ao volume de \u00e1guas usadas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel possui barreiras sanit\u00e1rias em maior n\u00famero que uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua. Se uma ETA, com o conjunto coagula\u00e7\u00e3o-flocula\u00e7\u00e3o-decanta\u00e7\u00e3o-filtra\u00e7\u00e3o elimina os metais pesados, desde que n\u00e3o estejam em concentra\u00e7\u00f5es elevadas, uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel tem barreiras em maior n\u00famero, incluindo wetlands constru\u00eddos e membranas de ultrafiltra\u00e7\u00e3o, que fazem essa remo\u00e7\u00e3o com maior efici\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>8. Um derrame de material t\u00f3xico poder\u00e1 contaminar a rede de esgoto.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As tubula\u00e7\u00f5es de \u00e1guas usadas s\u00e3o dotadas de an\u00e9is de veda\u00e7\u00e3o para dificultar tanto a entrada como a sa\u00edda de l\u00edquido, embora possa ocorrer infiltra\u00e7\u00e3o quando o n\u00edvel do len\u00e7ol fre\u00e1tico estiver acima da geratriz superior da tubula\u00e7\u00e3o. Na eventualidade de um derramamento t\u00f3xico na superf\u00edcie, a contamina\u00e7\u00e3o somente atingir\u00e1 a rede coletora de forma indireta, pois ter\u00e1 de passar pelas barreiras naturais do solo, diluindo-se na \u00e1gua do len\u00e7ol fre\u00e1tico. Al\u00e9m disso, admitindo-se uma eventual inser\u00e7\u00e3o de material t\u00f3xico em uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel, seus efeitos ser\u00e3o atenuados pelas muitas barreiras sanit\u00e1rias da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>9. Seria melhor o uso do esgoto tratado para fins n\u00e3o pot\u00e1veis, servindo para economizar \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para a concession\u00e1ria vender ao p\u00fablico \u00e1gua de re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel, pois o tratamento deficiente pode acarretar s\u00e9rio problema sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A SABESP tem comercializado \u00e1gua de re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel, recomendando que n\u00e3o seja usada para consumo humano. Entretanto, trata-se de um risco muito grande. Ao vender qualquer tipo de \u00e1gua, a companhia n\u00e3o tem mais controle sobre ele. Se o usu\u00e1rio quiser utiliz\u00e1-la para regar uma horta ou para encher uma piscina, n\u00e3o h\u00e1 como impedi-lo. Da\u00ed \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica \u00e9 um passo curto. Chernicaro (2015) chama aten\u00e7\u00e3o para o risco de se utilizar \u00e1guas tratadas de forma deficiente:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><i>Os ovos de helmintos mant\u00eam-se vi\u00e1veis no solo durante longos per\u00edodos, embora vari\u00e1veis de esp\u00e9cie para esp\u00e9cie. Sabe-se, por exemplo, que os ovos de A. lumbricoides e de T. saginata podem sobreviver no solo por per\u00edodos superiores \u00e0quele necess\u00e1rio para o nascimento das plantas. As culturas vegetais irrigadas com \u00e1guas residuais provenientes de regi\u00f5es onde a ascar\u00edase e a ten\u00edase s\u00e3o end\u00eamicas constituem um risco potencial da transmiss\u00e3o da doen\u00e7a.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Al\u00e9m do crit\u00e9rio sanit\u00e1rio, o re\u00faso pot\u00e1vel tem sobre o re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel vantagens para a empresa de saneamento. O faturamento com a entrega do re\u00faso pot\u00e1vel \u00e9 muito maior que com a entrega do re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel, de vez que, para conseguir vender \u00e1gua de segunda categoria, a empresa precisa vend\u00ea-la mais barata. Por outro lado, h\u00e1 toda uma log\u00edstica de entrega, empregando caminh\u00f5es pipa, com o gasto inevit\u00e1vel de combust\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Se o volume a ser entregue ultrapassar a capacidade dos caminh\u00f5es pipa, o re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel necessita de um sistema de distribui\u00e7\u00e3o, com reservat\u00f3rio e rede pr\u00f3pria. Tudo isso, al\u00e9m do custo, envolve uma log\u00edstica muito grande, com projeto, compra de materiais, escava\u00e7\u00e3o etc.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Do ponto de vista do consumidor, este precisa ter um reservat\u00f3rio pr\u00f3prio al\u00e9m de cuidados especiais para manipula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de qualidade inferior.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A reciclagem de \u00e1gua usada \u00e9 comum no meio rural para se aproveitar os nutrientes que ela cont\u00e9m. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 fornecimento no meio rural de \u00e1gua de re\u00faso pot\u00e1vel ou n\u00e3o pot\u00e1vel por parte de uma empresa de saneamento. Em geral, as propriedades fazem seu pr\u00f3prio sistema de re\u00faso, usando tratamento pr\u00f3prio.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O fornecimento de \u00e1gua de re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel se justifica para o setor industrial, onde h\u00e1 maior controle e, por conseguinte, s\u00e3o menores os riscos de contamina\u00e7\u00e3o. Entretanto, a maioria das ind\u00fastrias vem reutilizando sua pr\u00f3pria \u00e1gua, diminuindo a demanda. Fazem exce\u00e7\u00e3o os polos petroqu\u00edmicos, onde a demanda por \u00e1gua n\u00e3o pot\u00e1vel \u00e9 muito grande, estimulando as empresas de saneamento a fornecer o re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>10. No Brasil, n\u00e3o existem leis que disciplinem o re\u00faso pot\u00e1vel direto.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b><\/b>Essa contesta\u00e7\u00e3o tem, inquestionavelmente, origem na pregui\u00e7a. Com receio de que processos de re\u00faso pot\u00e1vel possam n\u00e3o dar certo, h\u00e1 quem se escude numa poss\u00edvel falta de ordenamento legal.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">De fato, n\u00e3o h\u00e1 leis que disciplinem o re\u00faso pot\u00e1vel direto, como n\u00e3o h\u00e1 leis que disciplinem qualquer tipo de tratamento que fa\u00e7a com que a \u00e1gua se torne pot\u00e1vel. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade assim se refere a esse assunto (Se\u00e7\u00e3o 8.1):<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span lang=\"en-US\"><i>The content of regulations should be consistent with those developed for other types of drinking-water supply. Development of a single set of regulations for drinking-water including potable reuse should be considered.\u00a0<\/i><\/span>Tradu\u00e7\u00e3o livre: O conte\u00fado das regulamenta\u00e7\u00f5es deve ser consistente com aquelas desenvolvidas para outros tipos de fonte para \u00e1gua pot\u00e1vel. O desenvolvimento de um \u00fanico conjunto de regulamenta\u00e7\u00f5es para \u00e1gua pot\u00e1vel, incluindo o re\u00faso pot\u00e1vel, deve ser considerado.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No Brasil, a determina\u00e7\u00e3o de que determinada \u00e1gua tenha qualidade para ser considerada pot\u00e1vel est\u00e1 a cargo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que emite, periodicamente, uma portaria estabelecendo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que a \u00e1gua possa ser considerada pot\u00e1vel e possa ser usada por consumo humano. Atualmente, a Portaria em vigor \u00e9 a de n\u00famero 2.914, de 12 de dezembro de 2011 (doravante denominada apenas Portaria), que estabelece, no inciso II de seu art. 5\u00ba, que \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 aquela que atende ao padr\u00e3o de potabilidade por ela estabelecido e que n\u00e3o oferece riscos \u00e0 sa\u00fade. No inciso I do mesmo artigo, define \u00e1gua para consumo humano como a \u00e1gua pot\u00e1vel destinada \u00e0 ingest\u00e3o, prepara\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de alimentos e \u00e0 higiene pessoal, independentemente da sua origem.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Portanto, para que determinada \u00e1gua seja considerada pot\u00e1vel e possa ser usada para consumo humano, \u00e9 suficiente atender ao padr\u00e3o de potabilidade definido pela Portaria e n\u00e3o oferecer riscos \u00e0 sa\u00fade, n\u00e3o importando sua origem.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c<span lang=\"en-US\">Water should be judged by its quality, not by its history.\u201d\u00a0<\/span>(Lukas van Vuuren) Tradu\u00e7\u00e3o livre: \u00c1gua deve ser julgada por sua qualidade, n\u00e3o por sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>11. Os agrot\u00f3xicos e demais subst\u00e2ncias org\u00e2nicas presentes no esgoto trar\u00e3o danos \u00e0 sa\u00fade dos consumidores.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A Portaria seleciona os tipos de subst\u00e2ncias org\u00e2nicas e de agrot\u00f3xicos que representam risco \u00e0 sa\u00fade, cuja concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima permitida \u00e9 indicada em microgramas por litro.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A presen\u00e7a desses poluentes org\u00e2nicos \u00e9 muito mais prov\u00e1vel nas \u00e1guas superficiais e, se a \u00e1gua bruta contiver pesticidas organoclorados, nem sempre as ETAS conseguir\u00e3o coloc\u00e1-la no padr\u00e3o exigido pela Portaria (LIB\u00c2NIO, M.).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Por dispor de unidades que oxidam a mat\u00e9ria org\u00e2nica, inclusive de oxida\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, mesmo que tais subst\u00e2ncias estivessem presentes em concentra\u00e7\u00f5es elevadas, o que n\u00e3o ocorre no meio urbano, elas n\u00e3o chegariam ao efluente final, pois seriam degradadas nas diversas etapas do tratamento biol\u00f3gico.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>12. N\u00e3o h\u00e1 como impedir a presen\u00e7a de enterov\u00edrus, de cistos de Gi\u00e1rdia e de oocistos de Cryptosporidium no esgoto potabilizado.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Quanto aos v\u00edrus, sua resist\u00eancia fora do hospedeiro \u00e9 muito baixa. A Portaria (art. 31\u00ba) sugere que, quando a concentra\u00e7\u00e3o de<b>Cryptosporidium<\/b>\u00a0na \u00e1gua da fonte for maior ou igual a 3,0 oocistos\/L, a turbidez do efluente da \u00e1gua que passar por filtra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida n\u00e3o ultrapasse 0,3 uT em pelo menos 95% das amostras e 1,0 uT de turbidez m\u00e1xima nas demais amostras. Isso significa que uma boa filtra\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de reter enterov\u00edrus, oocistos de Cryptosporidium e, tamb\u00e9m, cistos de Gi\u00e1rdia, que s\u00e3o maiores que os oocistos de Cryptosporidium.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Como a filtra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida \u00e9 capaz de reter tais microrganismos, em uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel, a ultrafiltra\u00e7\u00e3o, muito mais eficiente que a filtra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, ret\u00e9m v\u00edrus ent\u00e9ricos e cistos e oocistos de protozo\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Acrescente-se que, se houver microrganismos patog\u00eanicos que ultrapassem a barreira da ultrafiltra\u00e7\u00e3o, passar\u00e3o radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, onde ficar\u00e3o esterilizados. Sem poder se reproduzir, os v\u00edrus ficam in\u00f3cuos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>13. O esgoto hospitalar ser\u00e1 um foco transmissor de doen\u00e7as.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite que empreendimentos hospitalares, laborat\u00f3rios de an\u00e1lises, consult\u00f3rios e demais servi\u00e7os de atendimento \u00e0 sa\u00fade, inclusive veterin\u00e1rios, lancem seus res\u00edduos na rede de \u00e1guas usadas. Por outro lado, os microrganismos presentes no efluente de hospitais n\u00e3o s\u00e3o mais resistentes que a Escherichia coli. A Portaria considera que, sempre que n\u00e3o se constatar a presen\u00e7a de tais coliformes fecais, a \u00e1gua est\u00e1 pr\u00f3pria para o consumo e, portanto, isenta de microrganismos patog\u00eanicos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A presen\u00e7a de tais subst\u00e2ncias \u00e9 muito mais prov\u00e1vel em uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel que em uma ETA, onde n\u00e3o existe aera\u00e7\u00e3o prolongada nem oxida\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>14. O lodo gerado na esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel ser\u00e1 causa de prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O lodo \u00e9 gerado no reator aer\u00f3bio. Contudo, numa esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel, \u00e9 usado o processo de aera\u00e7\u00e3o prolongada, que gera lodo j\u00e1 digerido, o qual \u00e9 encaminhado de volta ao reator, sendo o excesso enviado ao wetland para lodo. N\u00e3o h\u00e1 descarte de lodo para o meio ambiente.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>15. O Brasil tem muita \u00e1gua. Por enquanto, n\u00e3o precisa utilizar o esgoto tratado.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Essa obje\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo cada vez menos frequente ap\u00f3s a crise h\u00eddrica que assolou o sudeste do Brasil desde 2014 e vem atingindo a regi\u00e3o semi\u00e1rida do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Al\u00e9m da ocorr\u00eancia da crise h\u00eddrica, nossos mananciais est\u00e3o ficando cada vez mais polu\u00eddos. At\u00e9 o aqu\u00edfero Guarani, o terceiro maior reservat\u00f3rio de \u00e1gua subterr\u00e2nea do mundo, j\u00e1 mostra sinais de contamina\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios locais. A prevalecer o descaso com um tratamento eficiente para as \u00e1guas usadas, em breve teremos todos os nossos corpos de \u00e1gua contaminados.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Com o re\u00faso pot\u00e1vel, as \u00e1guas usadas deixar\u00e3o de ser um problema e se tornar\u00e3o mat\u00e9ria prima para obten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>16. Ser\u00e1 melhor usar \u00e1gua de chuva que esgoto tratado.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A quest\u00e3o da \u00e1gua de chuva ganhou destaque ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o dos piscin\u00f5es em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro. De fato, a intercepta\u00e7\u00e3o da drenagem pluvial e sua posterior libera\u00e7\u00e3o sem lixo e sem areia traz benef\u00edcio para os corpos de \u00e1gua receptores.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Entretanto, n\u00e3o se pode fazer um abastecimento de \u00e1gua contando unicamente com a \u00e1gua de chuva, pois para isso seriam necess\u00e1rios grandes reservat\u00f3rios. No semi\u00e1rido brasileiro, em que o per\u00edodo de estiagem \u00e9 muito longo, utilizam-se a\u00e7udes para acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva, mas estes t\u00eam dimens\u00f5es gigantescas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Destaque-se que, como a rela\u00e7\u00e3o entre a coleta de \u00e1guas usadas e a \u00e1gua distribu\u00edda, em geral, n\u00e3o ultrapassa 80%, sempre que o re\u00faso pot\u00e1vel for a \u00fanica fonte de \u00e1gua pot\u00e1vel, torna-se necess\u00e1ria uma vaz\u00e3o complementar, o que pode ser feito com capta\u00e7\u00e3o e armazenamento de \u00e1gua de chuva.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>17. O esgoto pode ser foco de esquistossomose.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Na transmiss\u00e3o da esquistossomose, as fezes do doente liberam os ovos do esquistossomo, que se rompem ao atingir rios, lagos, lagoas, canais de irriga\u00e7\u00e3o etc. Dos ovos, saem os mirac\u00eddios, que vivem na \u00e1gua n\u00e3o mais que 24 horas. Ap\u00f3s esse intervalo, os vermes somente sobreviver\u00e3o se tiverem encontrado o caramujo, no qual se desenvolver\u00e3o at\u00e9 atingir o est\u00e1gio de vida em que s\u00e3o conhecidos como cerc\u00e1rias. Deixar\u00e3o, ent\u00e3o, o hospedeiro e retornar\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 procura do hospedeiro definitivo, o homem ou animais superiores. Contudo, se n\u00e3o encontrarem esse hospedeiro em 72 horas, n\u00e3o sobreviver\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Como o caramujo, que \u00e9 o hospedeiro do esquistossomo, n\u00e3o sobrevive nas \u00e1guas usadas, n\u00e3o h\u00e1 risco de transmiss\u00e3o de esquistossomose por re\u00faso pot\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>18. A clora\u00e7\u00e3o do esgoto, ainda que tratado, poder\u00e1 resultar na forma\u00e7\u00e3o de trihalometanos, que s\u00e3o compostos cancer\u00edgenos.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Para a forma\u00e7\u00e3o de trihalometanos, h\u00e1 a necessidade de seus precursores, os \u00e1cidos h\u00famicos ou f\u00falvicos. Mesmo que ocorra a presen\u00e7a de tais \u00e1cidos na entrada da esta\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o oxidados juntamente com as demais subst\u00e2ncias org\u00e2nicas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A clora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita ap\u00f3s o l\u00edquido haver passado por tratamento por radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, o que restringe a forma\u00e7\u00e3o de trihalometanos. Portanto, a incid\u00eancia de trihalometanos \u00e9 muito maior nas ETAs convencionais que nas esta\u00e7\u00f5es de re\u00faso pot\u00e1vel. Prova disso \u00e9 o limite m\u00e1ximo permitido na concentra\u00e7\u00e3o de trihalometanos na esta\u00e7\u00e3o de Windhoek (Nam\u00edbia): 40\u00a0\u00b5g\/L (Tabela 8.1, Se\u00e7\u00e3o 8.2.6.1) ou 0,04 mg\/L. A Portaria tolera concentra\u00e7\u00e3o de trihalometanos em at\u00e9 0,1 mg\/L.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>19. Eventual falha no tratamento pode fazer com que o p\u00fablico consuma \u00e1gua contaminada.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b><\/b>Uma falha no tratamento deve ser considerada tanto nas esta\u00e7\u00f5es de re\u00faso pot\u00e1vel como nas esta\u00e7\u00f5es convencionais de tratamento de \u00e1gua. Nestas, o problema maior \u00e9 a mudan\u00e7a na qualidade da \u00e1gua bruta. No caso de uma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel, mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o de entrada dificilmente trazem maiores consequ\u00eancias. No entanto, \u00e9 preciso estar atento a eventuais falhas nas unidades de tratamento.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No Brasil, as esta\u00e7\u00f5es de re\u00faso pot\u00e1vel devem ter gerador pr\u00f3prio para fazer frente a eventuais quedas no fornecimento de energia. Contudo, nunca se deve descartar a possibilidade de um aerador funcionar inadequadamente ou de haver falha no motor da bomba de recircula\u00e7\u00e3o de lodo, o que pode, de certa forma, afetar o produto final.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Se a falha for respons\u00e1vel pela presen\u00e7a de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas acima da concentra\u00e7\u00e3o permitida, isso n\u00e3o acarretar\u00e1 maiores consequ\u00eancias, pois as an\u00e1lises do efluente acusar\u00e3o a falha para ser providenciada a corre\u00e7\u00e3o. O problema maior se d\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos, pois a frequ\u00eancia das an\u00e1lises de cloro residual prevista na Portaria \u00e9 de duas vezes por semana. No intervalo entre duas an\u00e1lises pode ocorrer contamina\u00e7\u00e3o, com consequ\u00eancias para a sa\u00fade humana. Desse modo, recomenda-se que a an\u00e1lise do cloro residual ocorra com intervalo nunca superior ao tempo de reten\u00e7\u00e3o nos reservat\u00f3rios e, pelo menos, a cada 12 horas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Havendo concentra\u00e7\u00e3o nula de cloro residual no efluente, a remessa da \u00e1gua para a rede de distribui\u00e7\u00e3o deve ser imediatamente interrompida e interrompida tamb\u00e9m a entrada da vaz\u00e3o complementar. O restante das opera\u00e7\u00f5es deve continuar funcionando da forma mais rotineira poss\u00edvel, descartando-se o efluente para o corpo de \u00e1gua receptor. Essa situa\u00e7\u00e3o deve permanecer at\u00e9 que a falha seja corrigida e o efluente volte a conter cloro residual.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esse cuidado deveria ser tomado tamb\u00e9m nas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua convencionais, que s\u00e3o muito mais sens\u00edveis a mudan\u00e7as na qualidade da \u00e1gua bruta.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>20. A recircula\u00e7\u00e3o permanente das \u00e1guas usadas far\u00e1 com que aumente progressivamente a concentra\u00e7\u00e3o de sais que n\u00e3o se precipitam.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 preciso lembrar que nem toda a \u00e1gua fornecida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o retorna como \u00e1gua usada: uma parte \u00e9 usada em lavagem de carros e de cal\u00e7adas, na rega de jardins ou em outra atividade e n\u00e3o \u00e9 conduzida \u00e0 rede de coleta, sendo compensada pela \u00e1gua complementar, com menor quantidade de sais. Al\u00e9m disso, parte dos sais \u00e9 retida na esta\u00e7\u00e3o, principalmente no carv\u00e3o ativado. Desse modo, sua concentra\u00e7\u00e3o tender\u00e1 a um valor de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Fato semelhante se d\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fluoreta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. A \u00e1gua retorna \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel contendo sais de fl\u00faor, reduzindo-se a quantidade necess\u00e1ria \u00e0 fluoreta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>21. Por que ainda n\u00e3o existe uma \u00fanica esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel em toda Am\u00e9rica Latina?<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b><\/b>Ainda n\u00e3o existe re\u00faso pot\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina, mas existem esta\u00e7\u00f5es de re\u00faso pot\u00e1vel na Am\u00e9rica do Norte, na Europa, na \u00c1sia, na \u00c1frica e na Oceania.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">N\u00e3o existir nenhuma esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel ao sul do Rio Grande, na fronteira entre o M\u00e9xico e os Estados Unidos, \u00e9 um incentivo para n\u00f3s. Onde ser\u00e1 constru\u00edda a primeira esta\u00e7\u00e3o de re\u00faso pot\u00e1vel entre o M\u00e9xico e a Patag\u00f4nia? Ser\u00e1 aqui no Brasil?<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">H\u00e1 outros questionamentos de menor import\u00e2ncia que n\u00e3o foram mencionados. O importante \u00e9 observar-se que est\u00e1 comprovado ser o re\u00faso pot\u00e1vel uma forma segura e eficiente de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel, como consta no item 7.1.2 do manual:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"en-US\">Potable reuse is a safe, reliable and sustainable source of drinking-water.\u00a0<\/span>(Tradu\u00e7\u00e3o livre: O re\u00faso pot\u00e1vel \u00e9 seguro, confi\u00e1vel e uma fonte sustent\u00e1vel de \u00e1gua pot\u00e1vel.)<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"en-US\">Using recycled water is good for the environment.\u00a0<\/span>(Tradu\u00e7\u00e3o livre: O uso de \u00e1gua reciclada \u00e9 bom para o meio ambiente.)<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"en-US\">Potable reuse is a valuable and drought-proof water supply source capable of strengthening water supply resilience, especially against weather extremities like dry spells and droughts.\u00a0<\/span>(Tradu\u00e7\u00e3o livre: O re\u00faso pot\u00e1vel \u00e9 uma valiosa fonte de \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e0 prova de estiagem, capaz de fortalecer a resili\u00eancia do suprimento de \u00e1gua especialmente contra as extremidades clim\u00e1ticas como per\u00edodos secos e estiagens.)<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A publica\u00e7\u00e3o deste manual pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade e sua tradu\u00e7\u00e3o livre para a l\u00edngua portuguesa ser\u00e1 um importante passo para a aceita\u00e7\u00e3o do re\u00faso pot\u00e1vel no Brasil, contribuindo para o fim de problemas de escassez h\u00eddrica em um pa\u00eds, que \u00e9, entre todos, o mais aquinhoado com \u00e1gua doce.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Para acessar \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o do manual, no formato PDF, clique no link:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180122-180122-manual-de-producao-de-agua-potavel-segura-por-reuso-do-esgoto.pdf\">180122 Manual de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel segura por re\u00faso do esgoto<\/a><\/p>\n<p>Fonte &#8211; EcoDebate de 22 de janeiro de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manual de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel segura por re\u00faso do esgoto Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u2013 2017 T\u00edtulo original:\u00a0Potable Reuse: Guidance for Producing Safe Drinking-water Tradutor livre:\u00a0Paulo Afonso da Mata Machado \u201cThis translation was not created by the World Health Organization (WHO). 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