{"id":22722,"date":"2018-02-10T09:00:51","date_gmt":"2018-02-10T11:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=22722"},"modified":"2018-01-23T17:19:55","modified_gmt":"2018-01-23T19:19:55","slug":"estudos-analisam-as-queimadas-e-seu-impacto-no-clima-e-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/estudos-analisam-as-queimadas-e-seu-impacto-no-clima-e-na-saude\/","title":{"rendered":"Estudos analisam as queimadas e seu impacto no clima e na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/u34\/2_banner_p_serie-clima-saude.jpg\" width=\"992\" height=\"262\" \/><\/p>\n<p>O ano de 2004 ficou marcado pelos 270.295 focos de inc\u00eandio em todo o pa\u00eds \u2013 o \u00e1pice do n\u00famero de queimadas no s\u00e9culo 21. Na \u00e9poca, apenas no bioma Amaz\u00f4nia, que ocupa cerca de 40% do territ\u00f3rio nacional e onde est\u00e3o os estados do Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia e Roraima, e tamb\u00e9m partes do Maranh\u00e3o, Tocantins e Mato Grosso, foram 145.251 focos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/u34\/queimadas_brasil_e_amazonia.jpg\" \/><\/p>\n<p>Em 2017, foram 275.120 focos de inc\u00eandio em todo o territ\u00f3rio nacional, conforme\u00a0dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aumento de 1,78%. O bioma Amaz\u00f4nia, no entanto, teve uma pequena redu\u00e7\u00e3o, com 132.296 focos. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 muito o que comemorar \u2013 segundo reportagem do jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>, \u201co fogo aumentou em \u00e1reas de floresta natural, onde n\u00e3o chegava antes\u201d,\u00a0afirma Alberto Setzer, respons\u00e1vel pelo monitoramento de queimadas do Inpe. Ao lado, os dados das queimadas no Brasil e no bioma Amaz\u00f4nia, fornecidos pelo Inpe.<\/p>\n<p>Em Rond\u00f4nia, onde est\u00e1 situado o s\u00edtio sentinela do Observat\u00f3rio Nacional de Clima e Sa\u00fade, os focos de fogo apresentam tamb\u00e9m um n\u00famero elevado. No gr\u00e1fico abaixo, \u00e9 poss\u00edvel verificar o crescimento desses focos no per\u00edodo entre 2012 e 2017:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/u34\/queimadas_rondonia.jpg\" width=\"893\" height=\"445\" \/><\/p>\n<p><strong>Porto Velho<\/strong><\/p>\n<p>O s\u00edtio sentinela est\u00e1 localizado na capital rondonense, em Porto Velho, uma das \u00e1reas mais afetadas por conta das queimadas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Ele \u00e9 coordenado pela pesquisadora associada do Observat\u00f3rio, Sandra Hacon, da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica (Ensp\/Fiocruz) e o pesquisador Christovam Barcellos, do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informal\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz).<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Hacon, desde o Programa de Integra\u00e7\u00e3o Nacional, na d\u00e9cada de 1970, o desmatamento na regi\u00e3o amaz\u00f4nica come\u00e7ou a ocorrer com maior intensidade, com o processo de coloniza\u00e7\u00e3o e o incentivo de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pelo governo federal. \u201cEsse intenso processo de desmatamento dar\u00e1 lugar, mais tarde, a ind\u00fastria madereira e a pecu\u00e1ria na regi\u00e3o, que destr\u00f3i de forma intensa e extensa o solo da Amaz\u00f4nia, com o desmatamento, que leva \u00e0s queimadas\u201d, explica. Mas, como as queimadas podem prejudicar \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o? Hacon afirma que \u201ch\u00e1 a emiss\u00e3o de material particulado, microsc\u00f3pico, que em sua composi\u00e7\u00e3o tem v\u00e1rios compostos e elementos. Esse material particulado, principalmente, \u00e9 que vai prejudicar a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p>\n<p>Ela chama a aten\u00e7\u00e3o sobre a alta taxa de desmatamento de Rond\u00f4nia \u2013 cerca de 70% de seu territ\u00f3rio j\u00e1 havia sido desmatado para planta\u00e7\u00f5es e pastagens. Com isso, \u201caumentaram as taxas de doen\u00e7as respirat\u00f3rias, principalmente nos grupos vulner\u00e1veis \u2013 crian\u00e7as e idosos \u2013 e pessoas com doen\u00e7as pregressas, relacionadas tanto quanto \u00e0s doen\u00e7as respirat\u00f3rias, quanto \u00e0s doen\u00e7as cardiovasculares\u201d.<\/p>\n<p>Em um estudo de 2013, intitulado\u00a0<em>Distribui\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal das queimadas e interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as \u00a0respirat\u00f3rias em menores de cinco anos de idade em Rond\u00f4nia, 2001 a 2010<\/em>, das pesquisadoras Poliany Rodrigues (Ensp\/Fiocruz), Eliane Ignotti \u00a0(Unemat e UFMT, ambas do Mato Grosso) e Sandra Hacon, chama a aten\u00e7\u00e3o de que \u201cas \u00e1reas com maior n\u00famero de focos de queimadas diferiram daquelas com as taxas mais elevadas de interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as respirat\u00f3rias. Isso pode demonstrar a import\u00e2ncia do transporte deste material particulado em longas dist\u00e2ncias na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Sup\u00f5e-se que a exposi\u00e7\u00e3o aos poluentes provenientes das queimadas n\u00e3o necessariamente coincidiu com o local de ocorr\u00eancia do foco de queimada, raz\u00e3o pela qual os focos de calor devem ser utilizados como indicadores indiretos de exposi\u00e7\u00e3o\u201d. \u00a0Al\u00e9m disso, as pesquisadoras recomendam que haja um \u201cmonitoramento do material particulado proveniente das queimadas na microrregi\u00e3o de Porto Velho, apontada neste estudo como \u00e1rea cr\u00edtica por apresentar a maior concentra\u00e7\u00e3o de focos de queimadas da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 relevante acompanhar os indicadores de sa\u00fade sobre os impactos \u00e0 sa\u00fade humana provocados pelos poluentes gerados nas queimadas, com a implanta\u00e7\u00e3o de \u00e1reas sentinelas pelos programas de vigil\u00e2ncia \u00e0 sa\u00fade na Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do problema, as queimadas acorrem mais intensamente entre os meses de julho e outubro, sendo que em setembro, h\u00e1 o \u00e1pice. Imagens do sat\u00e9lite Modis Terra Acqua, da Nasa, entre os dias 9 e 26 de setembro de 2017, mostram a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/u34\/imagens_nasa_ok_2017_copy.png\" width=\"884\" height=\"292\" \/><\/p>\n<p>O site do Icict\/Fiocruz levantou alguns dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares do SUS (SIH\/SUS), do Datasus, sobre doen\u00e7as respirat\u00f3rias na regi\u00e3o de 2012 at\u00e9 novembro de 2017. Como no estudo das pesquisadoras, chama a aten\u00e7\u00e3o o n\u00famero de crian\u00e7as de at\u00e9 quatro anos, com interna\u00e7\u00f5es derivadas de doen\u00e7as respirat\u00f3rias:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/u34\/grafico_de_2012_a_2017nov.jpg\" width=\"878\" height=\"414\" \/><\/p>\n<p><strong>Respira\u00e7\u00e3o comprometida<\/strong><\/p>\n<p>Outro estudo, este de 2015, orientado por Hacon,\u00a0<em>Polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e seus efeitos na sa\u00fade infantil: um estudo sobre biomarcadores de estresse oxidativo em crian\u00e7as e adolescentes da Amaz\u00f4nia Brasileira<\/em>, da doutora pela Ensp\/Fiocruz\u00a0Beatriz F\u00e1tima Alves de Oliveira, reafirma a preocupa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores com os efeitos das queimadas. Seu estudo, que avaliou crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos, residentes na Amaz\u00f4nia Ocidental Brasileira, em especial a cidade de Porto Velho, teve como um de seus resultados o seguinte: \u201cque a polui\u00e7\u00e3o do ar est\u00e1 associada com diversos mecanismos, tais como inflama\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas, inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica e neuroinflama\u00e7\u00e3o, disfun\u00e7\u00e3o endotelial, coagula\u00e7\u00e3o, aterosclerose, altera\u00e7\u00e3o do sistema nervoso aut\u00f4nomo, danos de DNA e desbalan\u00e7o redox\u201d.<\/p>\n<p>No trecho do v\u00eddeo\u00a0<em>Queimadas na Amaz\u00f4nia \u2013 uma amea\u00e7a ao ambiente e a sa\u00fade<\/em>, do projeto hom\u00f4nimo da Ensp\/Fiocruz, CNPq, Rede Clima, INCT para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Inova \/ Ensp (al\u00e9m de outros parceiros) (de 2012), \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia dos efeitos da queimada na popula\u00e7\u00e3o, neste caso, de Rio Branco, no Acre:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QFre7aGhTcw\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Queimadas x c\u00e2ncer<\/strong><\/p>\n<p>Foram justamente os estudos do S\u00edtio Sentinela de Porto Velho, na regi\u00e3o, coordenados por Sandra Hacon, que ajudaram pesquisadores da USP, UFRN, Fiocruz e UFRJ, al\u00e9m da UFRO, que foi fundamental na log\u00edstica do estudo, a demonstrarem os impactos das queimadas na floresta Amaz\u00f4nica e que podem ser lidos no artigo \u201cBiomass burning in the Amazon region causes DNA damage and cell death in human lung cells\u201d, que tem entre seus co-autores, o pesquisador do Instituto de F\u00edsica da USP, Paulo Artaxo, considerado uma das maiores autoridades em an\u00e1lise do clima.<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores d\u00e3o evid\u00eancias de que \u201cas part\u00edculas das queimadas ao entrarem nos pulm\u00f5es aumentam a inflama\u00e7\u00e3o, o estresse oxidativo e causam danos gen\u00e9ticos nas c\u00e9lulas de pulm\u00e3o humano. O dano no DNA pode ser t\u00e3o grave que a c\u00e9lula perde a capacidade de sobreviver e morre. Ou esta c\u00e9lula perde o controle celular e come\u00e7a a se reproduzir desordenadamente, evoluindo para c\u00e2ncer de pulm\u00e3o\u201d, conforme relatado pela principal autora do estudo, a pesquisadora da USP, Nilmara de Oliveira Alves. Os pesquisadores coletaram amostras do material emitido na atmosfera pelas queimadas na regi\u00e3o pr\u00f3xima a Porto Velho, uma das \u00e1reas mais atingidas pelos inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O artigo traz evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a associa\u00e7\u00e3o entre queimadas e o risco de c\u00e2ncer. Considerando que as crian\u00e7as o grupo mais vulner\u00e1vel exposto \u00e0s fuma\u00e7as das queimadas, como explica a pesquisadora Nilmara Alves: \u201ca popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo exposta a esta fuma\u00e7a apresenta um maior risco para o desenvolvimento do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o e o agravamento de doen\u00e7as pr\u00e9-existentes como asma, bronquite e etc.\u201d, alerta. Para \u00a0ela, \u201csem d\u00favida, as crian\u00e7as est\u00e3o entre os grupos mais vulner\u00e1veis. Em concord\u00e2ncia, estudos recentes da OMS \u2013 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u2013\u00a0comprovaram que 1,7 milh\u00e3o de crian\u00e7as, com menos de 5 anos, morrem no mundo anualmente devido a polui\u00e7\u00e3o ambiental e os poluentes atmosf\u00e9ricos s\u00e3o um dos grandes respons\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora da USP, que atualmente trabalha na Fran\u00e7a em colabora\u00e7\u00e3o com a Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa ao C\u00e2ncer, com \u00eanfase nos estudos dos impactos ambientais, reitera o risco das queimadas para a popula\u00e7\u00e3o: \u201cO que explica estes efeitos negativos \u00e9 que nesta fuma\u00e7a existem part\u00edculas muito finas que s\u00e3o capazes de chegar ao sistema respirat\u00f3rio, atingir os alv\u00e9olos pulmonares e ter contato com a corrente sangu\u00ednea, sendo prejudicial para a sa\u00fade. Al\u00e9m disso, muitos compostos carcinog\u00eanicos est\u00e3o presentes nestas emiss\u00f5es e as pessoas, involuntariamente, inalam estes compostos t\u00f3xicos, contribuindo para os danos nas c\u00e9lulas pulmonares\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/sites\/agencia.fiocruz.br\/files\/u34\/m2_info-cientific_artigo2.jpg\" \/><\/p>\n<p>Os efeitos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o na maioria das vezes n\u00e3o s\u00e3o imediatos, como afirma a pesquisadora Sandra Hacon. Segundo ela, \u201cdepender\u00e1 da carga de emiss\u00e3o, qual \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o do material particulado na atmosfera. Essas pessoas que aparecem doentes, que apresentam o impacto das queimadas e da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, s\u00e3o pessoas que j\u00e1 tinham problemas de sa\u00fade, mais idosas ou s\u00e3o crian\u00e7as\u201d, explica. Para Hacon, Aqueles que j\u00e1 t\u00eam problemas respirat\u00f3rios e n\u00e3o usam os medicamentos, apresentar\u00e3o \u00a0os efeitos mais rapidamente. Se eles t\u00eam problemas respirat\u00f3rios e tomam medica\u00e7\u00e3o, possivelmente, eles v\u00e3o apresentar mais tarde e, \u00e0s vezes, nem apresentar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo abaixo, Paulo Artaxo fala sobre o trabalho que realiza e mostra o impacto das queimadas no meio ambiente e na sa\u00fade das pessoas. Suas palavras s\u00e3o refor\u00e7adas pelo atual diretor da Ensp\/Fiocruz, Hermano de Castro, pneumologista:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7zm-PwQWdUM\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a necess\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o n\u00e3o escolhe classe social, alerta Hacon, mas ela ressalta que popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis acabam sendo as maiores v\u00edtimas da polui\u00e7\u00e3o ambiental: \u201cporque se voc\u00ea tem uma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, uma doen\u00e7a infecciosa, como consequ\u00eancia de uma exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, esse quadro vai se agravar \u00e0 medida que, n\u00e3o h\u00e1 ventila\u00e7\u00e3o nessa casa, que v\u00e1rias pessoas dormem num mesmo c\u00f4modo, que essa pessoa n\u00e3o tenha acesso ao servi\u00e7o de sa\u00fade \u2013 n\u00e3o s\u00f3 porque mora longe, mas muitas vezes, por n\u00e3o ter recursos para chegar ao posto de sa\u00fade na capital, onde teria mais recursos para ela \u2013 e por conta das desigualdades sociais, que s\u00e3o \u2013 a cada dia \u2013 maiores\u201d.<\/p>\n<p>Christovam Barcellos concorda. Para ele, os dados e as an\u00e1lises sobre o que est\u00e1 ocorrendo em Porto Velho, s\u00f3 ressaltam a import\u00e2ncia de se estudar o clima e sua rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade: \u201cas pesquisas t\u00eam levantado diversas evid\u00eancias de que o clima est\u00e1 mudando devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana na Terra. Alguns dos efeitos est\u00e3o sendo j\u00e1 sentidos na \u00e1rea de sa\u00fade e existe uma mobiliza\u00e7\u00e3o crescente em torno deste tema. A m\u00eddia e a sociedade civil est\u00e3o cada vez mais atentos a este problema, que \u00e9 novo e amea\u00e7ador\u201d. Mas, popula\u00e7\u00e3o e pesquisadores \u00a0j\u00e1 est\u00e3o alertas e come\u00e7am a se mobilizar:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wc1XUBlZo8c\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Ao finalizarmos a mat\u00e9ria, recebemos a informa\u00e7\u00e3o que \u2013 segundo not\u00edcias publicadas na grande imprensa \u2013 na vers\u00e3o de um rascunho, enviado para coment\u00e1rios de revisores do relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC\/ONU), que aborda a estabiliza\u00e7\u00e3o do aquecimento global a 1,5\u00baC, \u201cser\u00e1 preciso implementar um n\u00edvel de transforma\u00e7\u00e3o sem precedentes na \u00e1rea produtiva (industrial e agr\u00edcola), caso a humanidade se proponha a evitar as transforma\u00e7\u00f5es radicais causadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d. Fato que s\u00f3 refor\u00e7a a necessidade de se ter instrumentos como o Observat\u00f3rio Nacional de Clma e Sa\u00fade, que permita compartilhar com a popula\u00e7\u00e3o, os gestores e outros pesquisadores informa\u00e7\u00f5es que possam mudar essa realidade.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a segunda mat\u00e9ria da s\u00e9rie\u00a0<em>Clima e Sa\u00fade<\/em>, sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus efeitos na sa\u00fade do brasileiro, a partir dos estudos realizados pelo Observat\u00f3rio Nacional de Clima e Sa\u00fade, do Icict\/Fiocruz. A\u00a0pr\u00f3xima mat\u00e9ria abordar\u00e1\u00a0o s\u00edtio sentinela Transfronteiri\u00e7o, entre a Guiana Francesa e o Brasil, que pesquisa as ocorr\u00eancias de mal\u00e1ria na regi\u00e3o e seus impactos na popula\u00e7\u00e3o local da fronteira entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Leia mais sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icict.fiocruz.br\/content\/entre-o-pulm%C3%A3o-verde-e-fuma%C3%A7a-das-queimadas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>s\u00e9rie\u00a0Clima e Sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0no site do Icict\/Fiocruz.<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0Gra\u00e7a Portela,\u00a0Icict\/Fiocruz \/\u00a0EcoDebate de 18 de janeiro de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2004 ficou marcado pelos 270.295 focos de inc\u00eandio em todo o pa\u00eds \u2013 o \u00e1pice do n\u00famero de queimadas no s\u00e9culo 21. 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