{"id":23599,"date":"2018-04-17T17:00:01","date_gmt":"2018-04-17T20:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=23599"},"modified":"2018-04-03T15:37:37","modified_gmt":"2018-04-03T18:37:37","slug":"o-umami-e-um-embromami","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-umami-e-um-embromami\/","title":{"rendered":"O umami \u00e9 um embromami?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ajinomoto.jpg\" \/><em>A narrativa sobre o quinto gosto b\u00e1sico \u00e9 sedutora. Por tr\u00e1s, os interesses de uma grande corpora\u00e7\u00e3o em dar poderes m\u00e1gicos para um pozinho branco.\u00a0Foto: Live it Beautiful<\/em><\/p>\n<p>Quando ouvi pela primeira vez falar em umami, tive aquela repetida sensa\u00e7\u00e3o de \u201cCaramba, como os ocidentais somos burros e pedantes\u201d. Foi h\u00e1 uns quatro ou cinco anos, num desses programas televisivos com chefs badalados. Aquilo parecia incr\u00edvel, de cair o queixo: o quinto gosto b\u00e1sico, catalogado pelos japoneses, fazia mis\u00e9ria dos outros quatro (salgado, doce, amargo e azedo).<\/p>\n<p>Era uma promessa de explos\u00e3o bucal. Um orgasmo gastron\u00f4mico. Era como se todos os Ursinhos Carinhosos juntassem seus cora\u00e7\u00f5ezinhos fofos no c\u00e9u para criar uma chuva generosa de sabores sobre nossas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>Eu mal podia esperar para testar na pr\u00e1tica. Bastava combinar os ingredientes certos. Parmes\u00e3o e tomates maduros s\u00e3o duas belas fontes de umami, \u00e0 falta da milagrosa alga kombu, umamista por natureza. Misturados, e \u00e0 temperatura certa, uma del\u00edcia. Mas, bom, continuam sendo apenas tomate e parmes\u00e3o. Eu talvez devesse me esfor\u00e7ar mais para chegar l\u00e1. Afinal, os japoneses levaram mil\u00eanios nessa pesquisa.<\/p>\n<p>Outubro de 2017. Hotel Sheraton, centro de Buenos Aires. A palestra \u201cEss\u00eancia do washoku. Umami \u00e9 o gosto b\u00e1sico para uma melhor nutri\u00e7\u00e3o?\u201d era uma promessa de dar uma turbinada nos conhecimentos. Os pesquisadores vindos do Jap\u00e3o e da Europa especialmente para o Congresso Internacional de Nutri\u00e7\u00e3o poderiam oferecer uma boa perspectiva. E o t\u00edtulo do encontro, em forma de pergunta, dava ainda a entender que contrapontos seriam elencados.<\/p>\n<p>O evento promovido oficialmente pela Jumonji University naquela manh\u00e3 passou a uma trilha repetida, que eu j\u00e1 havia visto algumas outras vezes durante palestras no Brasil. Mas foi um bocado al\u00e9m na extrapola\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio. O washoku \u00e9 um bra\u00e7o lindo da culin\u00e1ria japonesa: ingredientes frescos e variados, muita \u00eanfase em vegetais e peixes, cores vibrantes, pratos a serem degustados calmamente e em companhia.<\/p>\n<p>A obesidade no Jap\u00e3o \u00e9 de apenas 3,4%, segundo os pesquisadores, uma das mais baixas num mundo cada vez mais assustado com os problemas associados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. A expectativa de vida \u00e9 alta. A hipertens\u00e3o \u00e9 baixa. Por que isso acontece? Por que os japoneses n\u00e3o se renderam a produtos com altos teores de sal, gordura e a\u00e7\u00facar? A hip\u00f3tese dos pesquisadores ali reunidos, sem discord\u00e2ncias, \u00e9 de que o umami os levou ao sucesso.<\/p>\n<p>N\u00e3o exatamente o umami, mas um disfarcinho de umami. L\u00e1 pelas tantas, um dos palestrantes agradeceu a Ajinomoto pelo convite para a palestra. Como dissemos antes, o encontro fora oficialmente organizado por uma universidade, condi\u00e7\u00e3o para que pudesse constar da programa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Congresso Internacional.<\/p>\n<p>Mas, \u00e0quela altura, j\u00e1 estava claro que se tratava de uma a\u00e7\u00e3o publicit\u00e1rio-cient\u00edfica da corpora\u00e7\u00e3o japonesa, que domina de bra\u00e7ada o mercado de glutamato monoss\u00f3dico, estimado em 2015 em US$ 9 bilh\u00f5es apenas em vendas no varejo, sem contabilizar o uso por fabricantes. A revela\u00e7\u00e3o feita pelo palestrante n\u00e3o era de causar espanto, tamb\u00e9m, porque\u00a0<a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/2018\/01\/quem-da-as-cartas-nos-eventos-de-saude-nem-sempre-e-saude\/\">essa mistura entre ci\u00eancia e marketing \u00e9 bem comum em eventos da \u00e1rea de sa\u00fade<\/a>.<\/p>\n<p>Ao todo, o umami foi assunto para cinco debates durante o congresso na Argentina, muitos deles ocultos sob outros nomes, em um peso claramente desproporcional diante dos enormes problemas que assolam o mundo da nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No simp\u00f3sio sobre washoku, o umami foi apresentado como a panaceia. Ou melhor, o glutamato monoss\u00f3dico, vulgo Ajinomoto. Sim, h\u00e1 uma trilha r\u00e1pida se voc\u00ea \u00e9 ocidental e n\u00e3o pode esperar centenas de anos para chegar ao nirvana do rango: coloca um pouquinho de Ajinomoto na comida e, supostamente, tudo vir\u00e1 \u00e0 luz. Segundo os pesquisadores, um consumo adequado desse amino\u00e1cido melhora a digest\u00e3o e a microbiota intestinal, evita a desnutri\u00e7\u00e3o, faz idosos sa\u00edrem caminhando como jovens. E, claro, melhora a saciedade, evitando que as pessoas engordem. Bingo! Por isso os japoneses est\u00e3o t\u00e3o bem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/tomate-1-1024x682.jpg\" \/><em>O tomate \u00e9 uma das promessas de se obter um sabor umami. Mas, afinal, \u00e9 apenas tomate.\u00a0Foto: T\u00e2nia R\u00eago. Arquivo Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Se n\u00f3s olharmos um pouco mais nessa hora para as estrat\u00e9gias de marketing, ficar\u00e1 f\u00e1cil entender o que ocorreu. O que \u00e9 o Ajinomoto? Um pozinho branco. Um sal aditivado (embora tecnicamente n\u00e3o seja bem um sal). Enfim, algo sem gra\u00e7a. Mas, oras, n\u00e3o existem hist\u00f3rias sem gra\u00e7a em nosso admir\u00e1vel s\u00e9culo. Uma marca n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um produto. \u00c9 um estilo de vida, uma narrativa, uma inspira\u00e7\u00e3o, um convite ao amor entre os humanos.<\/p>\n<p>E foi assim que a Ajinomoto decidiu fazer do umami n\u00e3o um elemento a mais dessa hist\u00f3ria, mas o centro. O umami n\u00e3o nasceu com a Ajinomoto, mas foi sendo ressignificado por ela. Hoje, as duas coisas se confundem, e a Ajinomoto anuncia ter come\u00e7ado a vender o umami no come\u00e7o do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>\u201cO conceito foi desenvolvido na empresa realmente cedo porque sab\u00edamos que o umami existia, mas n\u00e3o acreditavam nisso. O \u00fanico jeito de provar foi financiar pesquisas que impulsionaram conhecimento\u201d, nos disse Ana San Gabriel, gerente geral de Comunica\u00e7\u00e3o do Grupo Cient\u00edfico da Ajinomoto.<\/p>\n<p>\u00c9 mais ou menos isso. Ou mais pra menos. Uma parte dessa hist\u00f3ria voc\u00ea pode encontrar nas pr\u00f3prias publica\u00e7\u00f5es da Ajinomoto, ent\u00e3o, vamos falar rapidinho. Em 1908 um cientista japon\u00eas conseguiu sintetizar o umami a partir de algas com altos teores de glutamato. No ano seguinte a empresa j\u00e1 estava aberta, e logo em seguida j\u00e1 exportava o produto, que logo come\u00e7ou a ser enviado aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Tudo tranquilo, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, quando um pesquisador escreveu um artigo descrevendo como se sentia ap\u00f3s ir a restaurantes chineses: fraqueza, suor, dor de cabe\u00e7a, tontura. Ele associou os sintomas ao uso abundante de glutamato nessa culin\u00e1ria. O caso se alastrou, outras pessoas relataram os mesmos efeitos, e logo o fen\u00f4meno ganhou o apelido de S\u00edndrome do Restaurante Chin\u00eas.<\/p>\n<p>O glutamato n\u00e3o era um grande conhecido do p\u00fablico em geral, mas j\u00e1 era um aditivo largamente utilizado pela ind\u00fastria de alimentos, em especial no emergente mercado de ultraprocessados, justamente para restaurar o sabor perdido na fabrica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um par\u00eantese. Lembra da associa\u00e7\u00e3o entre glutamato e magreza? Uma das acusa\u00e7\u00f5es contra o glutamato \u00e9 de que se trata de um componente fundamental para criar alimentos hiperpalat\u00e1veis, ou seja, que criam uma sensa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia que torna dif\u00edcil parar de consumi-lo. O contr\u00e1rio da magreza.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 d\u00e9cada de 1960, a S\u00edndrome do Restaurante Chin\u00eas poderia fazer a Ajinomoto perder o boom dos ultraprocessados. Em 1970, o Codex Alimentarius, que regulamenta o uso de ingredientes alimentares em n\u00edvel global, proibiu o uso em produtos para menores de doze meses e limitou a ingest\u00e3o di\u00e1ria aceit\u00e1vel a 120 mg por quilo de peso corp\u00f3reo para todos os demais.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o foi imediata. A corpora\u00e7\u00e3o japonesa criou o Comit\u00ea T\u00e9cnico Internacional do Glutamato, um centro para financiar pesquisas cient\u00edficas sobre o ingrediente na Europa, nos Estados Unidos e na \u00c1sia. Tr\u00eas anos depois, parte das restri\u00e7\u00f5es j\u00e1 havia ca\u00eddo por terra. Em 1978 foi feito um grande simp\u00f3sio na It\u00e1lia do qual resultou um livro. Em 1987 n\u00e3o havia mais restri\u00e7\u00f5es de uso, situa\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m.<\/p>\n<p>Foi na d\u00e9cada de 1980 que se delineou a estrat\u00e9gia para fazer o umami ser reconhecido como gosto b\u00e1sico. Os louros da vit\u00f3ria vieram logo ap\u00f3s mais um simp\u00f3sio na It\u00e1lia, com a publica\u00e7\u00e3o de um artigo por um grupo da Universidade da Calif\u00f3rnia. O respons\u00e1vel foi Charles Zuker, que curiosamente poucos meses antes criou a Senomyx, uma empresa voltada \u00e0 melhoria do sabor dos ultraprocessados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/parmesao.jpg\" \/><em>Parmes\u00e3o \u00e9 gostoso em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Saber que ele \u00e9 \u201calto em umami\u201d n\u00e3o tem muita serventia.\u00a0Foto: Pexels.com<\/em><\/p>\n<p>O foco da Senomyx \u00e9 justamente garantir a substitui\u00e7\u00e3o de ingredientes considerados problem\u00e1ticos. \u00c9 claro que a Ajinomoto est\u00e1 entre os clientes. Curioso \u00e9 que, segundo a p\u00e1gina da pr\u00f3pria empresa, uma das miss\u00f5es no momento \u00e9 encontrar uma alternativa vi\u00e1vel ao glutamato. Nestl\u00e9, Sopas Campbell e Coca-Cola completam a lista.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2017, a Senomyx registrou receitas de US$ 5,5 milh\u00f5es. Como se v\u00ea, n\u00e3o \u00e9 uma acionista majorit\u00e1ria do\u00a0<em>umami business<\/em>, mas tem sua fatia.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que o glutamato \u00e9 uma subst\u00e2ncia altamente estudada. O n\u00famero de artigos foi do nada na d\u00e9cada de 1960 para 50 ao ano na d\u00e9cada de 1990 e 150 ao ano nesse s\u00e9culo. Os n\u00fameros continuam em alta.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos fazer mais do que fizemos. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 verdade, mas existe um problema de reputa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o infundada sendo difundida. Provavelmente temos de fazer um esfor\u00e7o maior para nos comunicarmos com as pessoas de maneira a assegurar que o glutamato \u00e9 seguro\u201d, admite Ana San Gabriel.<\/p>\n<p>A subst\u00e2ncia continua envolta em controv\u00e9rsias. H\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o com problemas respirat\u00f3rios e do sistema nervoso. Os defensores do glutamato alegam que qualquer dano s\u00f3 seria provocado em caso de um consumo absurdamente grande ou em um corpo fragilizado. H\u00e1 os que admitam \u201ccasos sens\u00edveis\u201d especialmente em rec\u00e9m-nascidos porque o glutamato poderia provocar danos ao sistema nervoso caso ultrapassasse uma barreira no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>O livro\u00a0<em>Umami e Glutamato. Aspectos qu\u00edmicos, biol\u00f3gicos e tecnol\u00f3gicos<\/em>, que voc\u00ea pode encontrar em sebos, ajuda a refor\u00e7ar essa narrativa complexa. O trabalho foi financiado pelo Instituto para a Ci\u00eancia do Glutamato na Am\u00e9rica Latina, por sua vez ligado ao comit\u00ea internacional, por sua vez ligado \u00e0 Ajinomoto. A ideia clara foi tentar reunir evid\u00eancias cient\u00edficas favor\u00e1veis ao Ajinomoto para convencer pesquisadores da regi\u00e3o sobre a inocuidade do amino\u00e1cido.<\/p>\n<p>A obra foi coordenada por Felix Guillermo Reyes, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. Ele foi recrutado justamente numa reuni\u00e3o do Codex em que se discutia a seguran\u00e7a do glutamato. \u201cO glutamato era um simples real\u00e7ador desse sabor at\u00e9 o in\u00edcio desse s\u00e9culo. Hoje \u00e9 uma das mol\u00e9culas respons\u00e1veis pelo quinto gosto b\u00e1sico. Esse conhecimento foi gerado gra\u00e7as a muitas das pesquisas financiadas pela ind\u00fastria\u201d, enfatizou, quando conversamos pessoalmente.<\/p>\n<p>Reyes compara o comit\u00ea sobre o glutamato ao International Life Sciences Institute (ILSI), criado na d\u00e9cada de 1970 nos Estados Unidos pela Coca. O professor foi um dos criadores do bra\u00e7o brasileiro do ILSI, que hoje amealha quase 40 empresas de ultraprocessados e biotecnologia. J\u00e1 mostramos\u00a0<a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/2017\/11\/industria-de-alimentos-ocupa-espacos-da-universidade-na-anvisa\/\">aqui no\u00a0<em><strong>Joio<\/strong><\/em><\/a>\u00a0como o grupo hoje busca influenciar a agenda regulat\u00f3ria em favor dos patrocinadores, inclusive na Anvisa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos professores, a Ajinomoto financia pesquisas de mestrado e doutorado, e entrega pr\u00eamios cient\u00edficos. A plataforma Lattes registra mais de dois mil curr\u00edculos com men\u00e7\u00f5es ao glutamato; Ajinomoto, em 150.<\/p>\n<p>Uma das prioridades claras do momento \u00e9 impulsionar o glutamato como substituto do sal. Afinal, os problemas com hipertens\u00e3o ocupam um espa\u00e7o central na agenda de sa\u00fade p\u00fablica, e o cloreto de s\u00f3dio est\u00e1 sob os holofotes.<\/p>\n<p>Tudo isso ganha uma dimens\u00e3o bem lucrativa quando cruza o mundo da alta gastronomia, t\u00e3o de moda em v\u00e1rios pa\u00edses. No Brasil, p\u00e1ginas mantidas pela Ajinomoto (sem men\u00e7\u00f5es claras \u00e0 empresa) promovem receitas abundantes em umami. Muitas vezes o material valoriza ingredientes naturalmente ricos em umami, mas em outras apela ao formato sint\u00e9tico. No ano passado, essas p\u00e1ginas convidaram chefs badalados para criar receitas porretas em umami. No aeroporto de Congonhas voc\u00ea pode comer a tapioca Saigon Umami, que o chef Guga Rocha fez sob encomenda.<\/p>\n<p>Na Inglaterra, em 2014, o\u00a0<em>Daily Mail<\/em>\u00a0registrava uma febre por umami gra\u00e7as ao endosso de Jamie Oliver e Nigel Slater. A demanda por formas sint\u00e9ticas em tubinhos e p\u00f3s havia subido 25% em um ano.<\/p>\n<p>\u201cEu entendo que voc\u00ea pode ver um conflito \u00e9tico (no financiamento de pesquisas), mas a \u00fanica coisa em que interferimos \u00e9 na escolha dos t\u00f3picos\u201d, defende Ana San Gabriel. \u201cTemos nossas prioridades, que agora s\u00e3o amino\u00e1cidos e temperos, mas, uma vez que o pesquisador recebe o dinheiro, ele pode conduzir a pesquisa como quiser e publicar os resultados.\u201d<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2015\/10\/1695307-ajinomoto-quer-reforcar-valor-na-guerra-contra-o-acucar.shtml\"><em>Financial Times<\/em><\/a>\u00a0informava em 2015 que a Ajinomoto esperava crescer 4% ao ano na base dessa troca com o sal. Pouco antes, Felix Reyes deu uma\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/saude\/pesquisador-sugere-glutamato-monossodico-para-substituir-sal-de-cozinha-17178348\">entrevista de p\u00e1gina inteira<\/a>\u00a0no jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0na qual tamb\u00e9m defendia a substitui\u00e7\u00e3o. E dizia que os efeitos nocivos em torno da subst\u00e2ncia s\u00e3o apenas mitos infundados.<\/p>\n<p>No ano passado, ele e parceiras de pesquisa publicaram um artigo cient\u00edfico no qual elencam as principais oportunidades para engenheiros de alimentos aplicarem o glutamato em substitui\u00e7\u00e3o ao cloreto de s\u00f3dio.<\/p>\n<p>Na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, Elizabeth Torres \u00e9 uma das pessoas que orientaram teses financiadas pela Ajinomoto, at\u00e9 que a unidade proibisse esse tipo de rela\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privado. \u201cN\u00e3o vejo como um problema. H\u00e1 colegas que t\u00eam problemas s\u00e9rios de relacionamento com a ind\u00fastria\u201d, queixou-se. Ela atribuiu as melhores condi\u00e7\u00f5es materiais da vizinha Faculdade de Medicina a um bom ambiente para as empresas, inclusive a ind\u00fastria farmac\u00eautica. \u201c\u00c9 uma bobagem. \u00c9 uma tonteria. A gente precisa da ind\u00fastria de alimentos. N\u00e3o tem como alimentar 7,5 bilh\u00f5es de pessoas fazendo comida em casa, comida de verdade.\u201d<\/p>\n<p>Mas, afinal, para que serve saber sobre o umami? Foi algo que eu me perguntei e perguntei a outras pessoas durante meses. Se formos olhar de maneira geral, o umami serve como narrativa publicit\u00e1ria. Mas h\u00e1 casos pontuais. Tanto conhecimento acumulado sobre subst\u00e2ncias com elevado potencial de sabor pode ser importante para desenvolver combina\u00e7\u00f5es para alimentar idosos e pessoas com o paladar reduzido por tratamento contra o c\u00e2ncer, por exemplo. Para isso, por\u00e9m, voc\u00ea n\u00e3o precisa de um p\u00f3 m\u00e1gico.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Jo\u00e3o Peres, O Joio e o Trigo de 26 de fevereiro de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A narrativa sobre o quinto gosto b\u00e1sico \u00e9 sedutora. Por tr\u00e1s, os interesses de uma grande corpora\u00e7\u00e3o em dar poderes m\u00e1gicos para um pozinho branco.\u00a0Foto: Live it Beautiful Quando ouvi pela primeira vez falar em umami, tive aquela repetida sensa\u00e7\u00e3o de \u201cCaramba, como os ocidentais somos burros e pedantes\u201d. 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