{"id":23682,"date":"2018-04-30T09:00:45","date_gmt":"2018-04-30T12:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=23682"},"modified":"2018-04-09T15:14:19","modified_gmt":"2018-04-09T18:14:19","slug":"entre-agua-e-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/entre-agua-e-terra\/","title":{"rendered":"Entre \u00e1gua e terra"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/066_pantanal_265.jpg\" alt=\"Resultado de imagem\" \/><em>O planalto e a plan\u00edcie est\u00e3o conectados pelos rios que nascem no alto e descem os morros.\u00a0Jos\u00e9 Sabino \/ UNIDERP<\/em><\/p>\n<div class=\"wp-caption size-medium wp-image-253995\">\n<p class=\"wp_author\"><strong>A tend\u00eancia a chuvas mais torrenciais pode alterar o curso dos rios e \u00e1reas alagadas do Pantanal<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>Chuvas e enchentes n\u00e3o parecem causar problemas no Pantanal, com extensas \u00e1reas alagadas repletas de plantas e animais adaptados \u00e0 \u00e1gua, como jacar\u00e9s, tuiui\u00fas, lontras, martins-pescadores, piranhas, cambar\u00e1s, aguap\u00e9s, sem falar no gado e nos cavalos. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim, de acordo com o bi\u00f3logo Ivan Bergier, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) Pantanal. \u201cAs chuvas de ver\u00e3o est\u00e3o ficando concentradas em menos dias\u201d, afirma. Isso pode afetar o curso dos rios da plan\u00edcie \u2013 que ele qualifica como rebeldes que se espalham quando os diques marginais se rompem. O efeito dessa din\u00e2mica sobre os animais da plan\u00edcie pantaneira ainda est\u00e1 por ser estudado, mas pesquisas j\u00e1 apontam poss\u00edveis consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Bergier fez um levantamento das chuvas registradas entre 1925 e 2016 e verificou que a quantidade n\u00e3o mostra uma tend\u00eancia de aumento ou diminui\u00e7\u00e3o, conforme artigo publicado neste ano na revista\u00a0<em>Science of the Total Environment<\/em>. Apesar da varia\u00e7\u00e3o de um ano para outro e entre d\u00e9cadas, a m\u00e9dia de volume de chuva no ver\u00e3o se mant\u00e9m um pouco acima de 600 mil\u00edmetros (mm) ao ano. O problema \u00e9 que o n\u00famero m\u00e9dio de dias chuvosos vem diminuindo: cerca de 43 dias, em 1925, para 32, em 2016. A taxa m\u00e9dia de precipita\u00e7\u00e3o nesses dias, em consequ\u00eancia, passou de 14 mm por dia no in\u00edcio do per\u00edodo estudado para 19 mm por dia ao fim. Isso significa que chuvas cada vez mais torrenciais est\u00e3o se tornando frequentes e podem arrastar um volume maior de sedimento do planalto (onde est\u00e3o as cabeceiras dos rios) para a plan\u00edcie e soterrar os cursos d\u2019\u00e1gua que correm em valas rasas formadas por barreiras de sedimento constru\u00eddas pelos pr\u00f3prios rios. Esses diques marginais naturais correm maior risco de rompimento diante da combina\u00e7\u00e3o de sedimentos acumulados e chuvas torrenciais, alagando por longos per\u00edodos \u00e1reas antes \u00famidas apenas na esta\u00e7\u00e3o de cheia. Um exemplo desse processo vem do trabalho do grupo liderado pelo ge\u00f3logo Mario Assine, do\u00a0<em>campus<\/em>\u00a0de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostrando que o curso do rio Taquari forma leques fluviais que mudam ao longo do tempo (<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2015\/01\/19\/rios-com-vontade-propria\/?cat=ciencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>ver\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 227<\/em><\/a>).<\/p>\n<p>Entre dezembro e mar\u00e7o, quando as chuvas enchem a plan\u00edcie de \u00e1gua, o risco de maiores alagamentos pode inviabilizar a pecu\u00e1ria de corte na regi\u00e3o. A quantidade de sedimento carregada pelos rios aumenta com o mau uso do solo nos planaltos, de acordo com ele. O investimento em sistemas agroflorestais, que reinserem as \u00e1rvores no ambiente do gado, poderia ajudar a mitigar as consequ\u00eancias das grandes chuvas (<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2012\/02\/26\/a-carne-da-floresta\/?cat=tecnologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>ver\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 192<\/em><\/a>). Bergier avisa que as estiagens de inverno podem ficar mais longas, entrecortadas por p\u00e9s d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/066_pantanal03_265.jpg\" alt=\"Resultado de imagem\" \/><em>O curimbat\u00e1 \u00e9 uma das esp\u00e9cies que formam cardumes para subir os rios na piracema. Jos\u00e9 Sabino \/ UNIDERP<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00c1gua que vem de longe<\/strong><\/p>\n<p>No estudo publicado este ano, Bergier percebeu uma correla\u00e7\u00e3o forte entre os aumentos de temperatura e as maiores taxas de precipita\u00e7\u00e3o em dias chuvosos. E a tend\u00eancia \u00e9 que fique cada vez mais quente, conforme aponta estudo do grupo do climatologista Jos\u00e9 Marengo, do Centro de Estudos de Desastres Naturais, publicado em 2016 como cap\u00edtulo do livro\u00a0<em>Dynamics of the Pantanal wetland in South America<\/em>, editado por Bergier e Assine. A estimativa, baseada em modelos clim\u00e1ticos globais do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) de 2014, indica que as temperaturas m\u00e9dias do Pantanal podem aumentar entre 2 graus Celsius (\u00b0C) e 3 \u00b0C at\u00e9 2040, e 6 \u00b0C at\u00e9 o fim do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>\u201cEm 2016 ainda n\u00e3o havia sido estabelecida a conex\u00e3o entre as chuvas do Pantanal e a Amaz\u00f4nia\u201d, alerta Bergier. Ele explica que, longe de ser um fen\u00f4meno local, o aumento das chuvas torrenciais \u2013 como foi observado nos anos 1970 e 1980 \u2013 est\u00e1 associado a mudan\u00e7as de circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, em parte induzidas pelo aumento da temperatura m\u00e9dia do planeta. Os resultados indicam que boa parte da \u00e1gua que cai no Pantanal vem da Amaz\u00f4nia e est\u00e1, portanto, sujeita \u00e0s mudan\u00e7as que acontecem na grande floresta. \u201cO \u2018lago voador\u2019 que decola da Amaz\u00f4nia cai com mais vigor no Pantanal quando os ventos s\u00e3o mais lentos\u201d, explica. \u201cQuando a velocidade de transporte de umidade pela atmosfera \u00e9 maior, as chuvas tendem a acontecer mais ao sul do continente sul-americano.\u201d As observa\u00e7\u00f5es e estudos refor\u00e7am, assim, que o desmatamento e as secas na Amaz\u00f4nia diminuem o volume de \u00e1gua precipit\u00e1vel exportada para outras regi\u00f5es (<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/12\/29\/danca-da-chuva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>ver\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 226<\/em><\/a>).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/ecoa.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/banhado_grande.png\" alt=\"Resultado de imagem\" width=\"726\" height=\"454\" \/><em>Banhado do Formoso: mata ciliar ajuda a reter o solo. Jos\u00e9 Sabino \/ UNIDERP<\/em><\/p>\n<p><strong>Os rios n\u00e3o est\u00e3o para peixe<\/strong><\/p>\n<p>As consequ\u00eancias dessa mudan\u00e7a sobre a vida no Pantanal, o bioma brasileiro considerado mais preservado, com cerca de 80% da vegeta\u00e7\u00e3o original na plan\u00edcie, ainda n\u00e3o est\u00e3o medidas. O bi\u00f3logo Jos\u00e9 Sabino, da Universidade Uniderp, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, tem observado os peixes. \u201cNo ano passado presenciei duas vezes, no rio Miranda, manchas ao longo de 1 quil\u00f4metro [km] em que o rio parecia ferver\u201d, conta. \u201cEram milhares de peixes parados, sem conseguir avan\u00e7ar, como em um grande congestionamento.\u201d<\/p>\n<p>Um temporal fora de hora tinha dado o sinal equivocado para a piracema, como s\u00e3o chamadas as migra\u00e7\u00f5es reprodutivas nas quais os peixes podem percorrer 300 km at\u00e9 as cabeceiras dos rios, onde desovam. Estimulados pelas chuvas fortes, todos os anos dourados, piraputangas, curimbat\u00e1s, piaus e outros peixes migradores iniciam essa viagem. Com chuvas regulares, encontram rios cheios que permitem o trajeto. Uma vez no planalto acontece a reprodu\u00e7\u00e3o, em seguida os peixes voltam a descer os rios. \u201cA plan\u00edcie e a cabeceira t\u00eam que estar conectadas\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Acontece que, com o assoreamento dos rios causado pelo transporte excessivo de sedimento nas chuvas torrenciais, isso n\u00e3o \u00e9 garantido. E os problemas n\u00e3o acabam a\u00ed. \u201cO sedimento fino \u00e9 devastador, permeia rios e ocupa espa\u00e7os onde pequenos invertebrados, larvas de insetos e camar\u00f5ezinhos est\u00e3o\u201d, explica Sabino. Sem esses invertebrados, muitos peixes ficam sem o seu card\u00e1pio habitual. \u201c\u00c9 como cimentar o quintal: gera um ambiente adverso para a biota.\u201d De acordo com o pesquisador, n\u00e3o existem registros de eventos clim\u00e1ticos extremos do passado associados \u00e0s migra\u00e7\u00f5es nem dados sistem\u00e1ticos que mostrem como isso pode influenciar a periodicidade da piracema.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/066_pantanal04_265.jpg\" alt=\"Resultado de imagem\" \/><em>O tuiui\u00fa, ave emblem\u00e1tica do Pantanal, depende de \u00e1reas alagadas para viver. Jo\u00e3o Alexandrino \/ UNIFESP<\/em><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, flutua\u00e7\u00f5es naturais se somam a fen\u00f4menos acelerados por modifica\u00e7\u00f5es humanas e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nos \u00faltimos 30 anos, o bi\u00f3logo Guilherme Mour\u00e3o, da Embrapa Pantanal, tem monitorado a fauna pantaneira, principalmente na regi\u00e3o repleta de lagoas conhecida como Nhecol\u00e2ndia, pr\u00f3ximo ao munic\u00edpio de Corumb\u00e1 (<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2017\/11\/24\/lagoas-moldadas-pelo-tempo\/?cat=ciencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>ver\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 261<\/em><\/a>). Ele come\u00e7ou com peixes, mas verificou que altera\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas inundadas afetam um leque amplo de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 das mais emblem\u00e1ticas, o tuiui\u00fa (<em>Jabiru mycteria<\/em>). Mour\u00e3o e colaboradores usaram contagens de seus ninhos, feitas durante levantamentos a\u00e9reos entre 1991 e 2004, para desenvolver um modelo matem\u00e1tico relacionando o n\u00famero de ninhos e a extens\u00e3o das inunda\u00e7\u00f5es. Os resultados, publicados em 2010 na revista\u00a0<em>Zoologia,<\/em>\u00a0indicaram que em per\u00edodos secos, como a estiagem entre 1960 e 1974 no Pantanal, a popula\u00e7\u00e3o dessas aves sofreu uma queda dram\u00e1tica, com cerca de 220 ninhos por ano estimados para a regi\u00e3o, comparado aos 12.400, em m\u00e9dia, dos per\u00edodos de enchentes medianas. Ele tamb\u00e9m relata o quase sumi\u00e7o dos jacar\u00e9s e capivaras das lagoas da fazenda Nhumirim, na Nhecol\u00e2ndia, durante esta \u00faltima d\u00e9cada, mais seca. Ao mesmo tempo, surgiram animais terrestres que n\u00e3o eram comuns ali, como o veado-campeiro. De dois anos para c\u00e1 os rios tempor\u00e1rios \u2013 ou corixos \u2013 tornaram a receber \u00e1gua e as lagoas a encher. \u201cVamos ver se os animais mais ligados \u00e0s \u00e1reas alagadas v\u00e3o voltar\u201d, diz Mour\u00e3o. Este ano tem se mostrado especialmente chuvoso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/066_pantanal06_265.jpg\" alt=\"Resultado de imagem\" \/><em>No ver\u00e3o, \u00e9poca das chuvas, os campos ficam inundados por alguns meses. Jos\u00e9 Sabino \/ UNIDERP<\/em><\/p>\n<p><strong>Vida em terra<\/strong><\/p>\n<p>Na interface entre ambiente aqu\u00e1tico e terrestre \u00e9 grande a import\u00e2ncia das matas ciliares, ao longo dos rios, que ajudam a fixar o sedimento e fornecem parte do alimento consumido por peixes, como frutos derrubados por macacos. Em uma \u00e1rea em que turismo ligado \u00e0 natureza e agropecu\u00e1ria est\u00e3o lado a lado na atividade econ\u00f4mica, n\u00e3o se deve descuidar de boas pr\u00e1ticas de uso do solo.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o, no entanto, vem sendo perdida, segundo aponta artigo publicado este ano pela engenheira ambiental Ciomara Miranda, do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, em Aquidauana. Ela examinou imagens de sat\u00e9lite obtidas em 2000, 2008 e 2015, sempre em agosto, durante a esta\u00e7\u00e3o seca, abarcando todos os quase 140 mil km<sup>2<\/sup>\u00a0do Pantanal brasileiro. Ao longo desses anos, a cobertura rasteira aumentou de 58% para 72% da \u00e1rea do Pantanal, enquanto a vegeta\u00e7\u00e3o densa encolheu de 37% para 21%. Essa mudan\u00e7a reflete o desmatamento e a substitui\u00e7\u00e3o da floresta por pastos, que ampliam a pr\u00e1tica da pecu\u00e1ria j\u00e1 tradicional na regi\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos. Se a tend\u00eancia se mantiver, a previs\u00e3o \u00e9 de que em 2030 cerca de 78% do Pantanal seja coberto por plantas rasteiras e a floresta densa resista em apenas 14% da extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as como essas s\u00e3o problem\u00e1ticas para algumas esp\u00e9cies nativas dali, como os tatus. A bi\u00f3loga Nina Attias, durante o doutorado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em parceria com a Embrapa Pantanal, examinou o uso do espa\u00e7o por duas esp\u00e9cies \u2013 o tatu-peba (<em>Euphractus sexcintus<\/em>) e o tatu-bola (<em>Tolypeutes matacus<\/em>) \u2013 em tr\u00eas \u00e1reas do Pantanal. O primeiro pesa cerca de 4 quilogramas (kg) e regula a atividade conforme a temperatura. Seja noite ou dia, ele se entoca quando a temperatura sobe e espera algum frescor para sair. O segundo, com seu singelo 1 kg protegido pelo recurso de transformar-se em uma bola como de futebol de sal\u00e3o, prefere a noite para se mover discretamente e se recolhe quando est\u00e1 muito frio, saindo da toca mais cedo quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/066_pantanal05_265.jpg\" alt=\"Resultado de imagem\" \/><em>Habitante frequente da plan\u00edcie, o tatu-peba evita sair quando est\u00e1 muito calor. Nina Attias \/ Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres<\/em><\/p>\n<p>Nina mostrou que as duas esp\u00e9cies t\u00eam algo em comum: a necessidade de transitar entre vegeta\u00e7\u00e3o aberta e fechada, j\u00e1 que os tatus t\u00eam uma capacidade limitada de regular a temperatura do corpo. O ambiente contribui, ent\u00e3o, para a necessidade de se manter em temperaturas adequadas. \u201cSe os animais n\u00e3o conseguem escolher o h\u00e1bitat, t\u00eam que ajustar o hor\u00e1rio de atividade\u201d, explica. E se a extens\u00e3o de tempo em que \u00e9 poss\u00edvel permanecer ativo for muito reduzida, fica dif\u00edcil conseguir alimento suficiente e at\u00e9 dedicar-se \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. \u201cIsso p\u00f5e a popula\u00e7\u00e3o em risco\u201d, alerta Nina, prestes a publicar esses resultados de sua tese na revista\u00a0<em>Animal Behaviour<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de precisar da floresta, o tatu-bola, que n\u00e3o sabe nadar, tamb\u00e9m \u00e9 sens\u00edvel a mudan\u00e7as no padr\u00e3o de inunda\u00e7\u00e3o e de largura dos rios. De acordo com Nina, essa esp\u00e9cie pode ter desaparecido da Nhecol\u00e2ndia durante as grandes cheias depois de 1974 e na d\u00e9cada seguinte. \u201cO que estamos vendo para os tatus dever\u00e1 ser verdade para outros mam\u00edferos quando houver eventos mais extremos do clima\u201d, prev\u00ea. \u201cOs animais precisam de todos os microclimas para garantir a mobilidade e a atividade.\u201d<\/p>\n<p><strong>Projeto<\/strong><\/p>\n<p>Mudan\u00e7as paleo-hidrol\u00f3gicas, cronologia de eventos e din\u00e2mica sedimentar no quatern\u00e1rio da bacia do Pantanal (<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/87027\/mudancas-paleo-hidrologicas-cronologia-de-eventos-e-dinamica-sedimentar-no-quaternario-da-bacia-do\/?q=14\/06889-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00ba 14\/06889-2<\/a>);\u00a0<strong>Modalidade<\/strong>\u00a0Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular;\u00a0<strong>Pesquisador respons\u00e1vel<\/strong>\u00a0Mario Luis Assine (Unesp);\u00a0<strong>Investimento<\/strong>\u00a0R$ 253.715,39.<\/p>\n<p><strong>Artigos cient\u00edficos<\/strong><\/p>\n<p>ALHO, C. J. R. e SABINO, J.\u00a0<a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/oa\/article\/view\/8249\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Seasonal pantanal flood pulse: implications for biodiversity conservation \u2013 a review.<\/a>\u00a0<strong>Oecologia Australis<\/strong>. v. 16, n. 4, p. 958-78. 2012.<br \/>\nATTIAS, N.<em>\u00a0et al.<\/em>\u00a0Effects of air temperature on habitat selection and activity patterns of two tropical imperfect homeotherms.\u00a0<strong>Animal Behaviour<\/strong>. No prelo.<br \/>\nBERGIER, I.<em>\u00a0et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0048969717332229\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Amazon rainforest modulation of water security in the Pantanal wetland<\/a>.\u00a0<strong>Science of the Total Environment<\/strong>. v. 619-620, p. 1116-25. 1 abr. 2018.<br \/>\nMARENGO, J. A.<em>\u00a0et al<\/em>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.springer.com\/br\/book\/9783319187341\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Climate Change Scenarios in the Pantanal. Dynamics of the Pantanal Wetland in South America (Bergier, I. e Assine, M. L., eds.)<\/a>.\u00a0<strong>Springer<\/strong>. p. 227-38. 2016.<br \/>\nMIRANDA, C. de S.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S1676-06032018000100202&amp;script=sci_arttext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Changes in vegetation cover of the Pantanal wetland detected by Vegetation Index: a strategy for conservation<\/a>.\u00a0<strong>Biota Neotropica<\/strong>. v. 18, n. 1, e20160297. 8 jan. 2018.<br \/>\nMOUR\u00c3O, G.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1984-46702010000500012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">How much can the number of jabiru stork (Ciconiidae) nests vary due to change of flood extension in a large Neotropical floodplain?<\/a>\u00a0<strong>Zoologia<\/strong>. v. 27, n. 5, p. 751-6. out. 2010.<\/p>\n<p class=\"wp_author\">Fonte &#8211; Maria Guimar\u00e3es, FAPESP de mar\u00e7o de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O planalto e a plan\u00edcie est\u00e3o conectados pelos rios que nascem no alto e descem os morros.\u00a0Jos\u00e9 Sabino \/ UNIDERP A tend\u00eancia a chuvas mais torrenciais pode alterar o curso dos rios e \u00e1reas alagadas do Pantanal Chuvas e enchentes n\u00e3o parecem causar problemas no Pantanal, com extensas \u00e1reas alagadas repletas de plantas e animais&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-23682","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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