{"id":23849,"date":"2018-04-20T12:00:49","date_gmt":"2018-04-20T15:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=23849"},"modified":"2018-04-20T09:32:57","modified_gmt":"2018-04-20T12:32:57","slug":"onde-a-anvisa-quer-chegar-com-a-rotulagem-de-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/onde-a-anvisa-quer-chegar-com-a-rotulagem-de-alimentos\/","title":{"rendered":"Onde a Anvisa quer chegar com a rotulagem de alimentos?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/TR_Supermercado_Vitoria_Foto_Tania_Rego_00209022017.jpg\" \/><em>Imagem: T\u00e2nia R\u00eago. Arquivo Ag\u00eancia Brasil.<\/em><\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia n\u00e3o deixa claro se pretende garantir uma compara\u00e7\u00e3o entre produtos com excesso de sal, gordura e a\u00e7\u00facar, ou um desest\u00edmulo ao consumo<\/strong><\/p>\n<p>Onde a Anvisa pretende chegar com a defini\u00e7\u00e3o de um novo modelo de rotulagem frontal de alimentos? A elementar pergunta ainda n\u00e3o tem resposta, ao menos publicamente. Existe uma diferen\u00e7a grande entre as duas assertivas poss\u00edveis: promover um ranqueamento de ultraprocessados ou desestimular o consumo desses produtos. Em outras palavras, a ideia \u00e9 que as pessoas escolham entre o Nescau e o Toddy, ou que reduzam drasticamente a ingest\u00e3o desses itens?<\/p>\n<p>Essa resposta teria abreviado bastante o debate travado a portas fechadas em Bras\u00edlia. Foi o que fez o Canad\u00e1, onde metade da ingest\u00e3o cal\u00f3rica m\u00e9dia prov\u00e9m dos ultraprocessados e onde um em cada quatro adultos est\u00e1 acima do peso. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade decidiu que quer frear o consumo de produtos com excesso de sal, gordura e a\u00e7\u00facar. E, assim, come\u00e7ou o debate dando como certa a ado\u00e7\u00e3o de um modelo de advert\u00eancias inspirado no sistema do Chile.<\/p>\n<p>\u201cO NutriScore e o sistema de advert\u00eancias n\u00e3o respondem ao mesmo objetivo\u201d, disse ao\u00a0<em><strong>Joio<\/strong><\/em>\u00a0a epidemiologista Chantal Julia, uma das criadoras do NutriScore, sistema adotado de forma volunt\u00e1ria na Fran\u00e7a em outubro do ano passado. \u201cEnquanto o NutriScore visa a oferecer uma base para comparar produtos, entre categorias e dentro dessas categorias (para ajudar em substitui\u00e7\u00f5es), o sistema de alertas objetiva identificar os alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/nutriscore.jpg\" width=\"882\" height=\"589\" \/><\/p>\n<p>Na Anvisa, quem defende o NutriScore \u00e9 a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutrologia (Abran). J\u00e1 as advert\u00eancias chilenas foram a inspira\u00e7\u00e3o para um sistema apresentado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), com o apoio da Alian\u00e7a pela Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada e Saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>O outro sistema em jogo, apresentado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Alimenta\u00e7\u00e3o (Abia), \u00e9 um sem\u00e1foro com as cores verde, amarelo e vermelho para os principais nutrientes. A ideia desse modelo \u00e9\u2026 Bem, a maior parte das evid\u00eancias cient\u00edficas mostram que \u00e9 um sistema que pouco funciona, a ponto de um dos criadores, Mike Rayner, ter aderido a\u00a0<a href=\"http:\/\/alimentacaosaudavel.org.br\/cartaabertaespecialistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um abaixo-assinado<\/a>\u00a0que pede que a Anvisa adote os tri\u00e2ngulos de advert\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/rotulagem_idec.png\" width=\"703\" height=\"562\" \/><\/p>\n<p>\u201cNo sem\u00e1foro \u00e9 dif\u00edcil se definir por um produto. Se h\u00e1 uma cor verde e uma vermelha, isso confunde as pessoas. O que \u00e9 mais importante: a\u00e7\u00facar ou gordura?\u201d, diz Gast\u00f3n Ares, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o B\u00e1sica em Psicologia da Universidade da Rep\u00fablica, no Uruguai. Ele \u00e9 uma das refer\u00eancias no estudo desses sistemas. E n\u00e3o tem d\u00favidas de que o sem\u00e1foro apresentado no Brasil consegue piorar um modelo que n\u00e3o deu certo no Reino Unido.<\/p>\n<p>A Anvisa tem dado sinais pouco claros sobre os rumos que pretende seguir. E dificulta ainda mais a situa\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o responde a perguntas b\u00e1sicas: um pedido de entrevista do\u00a0<em><strong>Joio<\/strong><\/em>est\u00e1 parado nos e-mails da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia desde agosto de 2017.<\/p>\n<p>A reiterada alega\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia de que as evid\u00eancias cient\u00edficas n\u00e3o permitem concluir pela melhor efic\u00e1cia de qualquer dos modelos irrita os representantes da sociedade civil. A declara\u00e7\u00e3o de que o sistema a ser adotado n\u00e3o deve induzir o consumidor a ter \u201cmedo\u201d dos produtos pode ser entendida como um dos alinhamentos dos agentes p\u00fablicos ao discurso dos fabricantes de ultraprocessados, que alegam que os sinais de advert\u00eancia causam repulsa.<\/p>\n<p>Para Gast\u00f3n, esse \u00e9 um falso argumento. \u201cPrecisamos ter claro qual o objetivo de sa\u00fade p\u00fablica que estamos buscando. O objetivo \u00e9 diminuir o consumo excessivo de sal, gordura e a\u00e7\u00facar. Portanto, o que dever\u00edamos pensar \u00e9 qual sistema modifica a inten\u00e7\u00e3o de compra do consumidor. N\u00e3o \u00e9 se as pessoas gostam mais do sem\u00e1foro porque tem cores ou se gostam mais do sistema chileno. \u00c9 se o sistema cumpre o objetivo de sa\u00fade p\u00fablica.\u201d<\/p>\n<p>A equipe de Gast\u00f3n \u00e9 a \u00fanica com resultados j\u00e1 publicados de compara\u00e7\u00e3o entre o NutriScore e as advert\u00eancias. Os dois modelos representam justamente a diferen\u00e7a-chave de que falamos no come\u00e7o do texto. Como o tema \u00e9 novo, as evid\u00eancias cient\u00edficas sobre o funcionamento no mundo real ainda est\u00e3o se acumulando. E algumas novas propostas t\u00eam surgido no desenrolar do debate.<\/p>\n<p>No Uruguai, o resultado da pesquisa ficou dentro do esperado: o NutriScore garantiu a melhor compara\u00e7\u00e3o entre produtos, ao passo que os alertas deram maior facilidade \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis. De todo modo, essa pesquisa \u00e9 apenas a primeira e n\u00e3o permite fechar posi\u00e7\u00e3o. Em parte porque estamos comparando l\u00f3gicas diferentes.<\/p>\n<p>O NutriScore cruza os principais dados nutricionais do produto e define uma nota de A a E. \u00c9 um resumo.<\/p>\n<p>Os tri\u00e2ngulos alertam sobre o excesso de nutrientes espec\u00edficos.<\/p>\n<p>\u201cOuvir o setor que ser\u00e1 regulado faz parte, mas esse momento tem que ser aberto quando voc\u00ea est\u00e1 preparado para ouvir e discutir. Quando voc\u00ea tem clareza do que quer\u201d,\u00a0<a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/ojoioeotrigo\/2018\/04\/assessor-da-opas-diz-que-anvisa-errou-em-debate-sobre-rotulagem-de-alimentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">critica Fabio Gomes, assessor regional em Nutri\u00e7\u00e3o e Atividade F\u00edsica da Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de Sa\u00fade (Opas)<\/a>. \u201cSe meu interesse prim\u00e1rio \u00e9 a sa\u00fade p\u00fablica, minha proposta tem que estar preparada nesse sentido. Eu preciso ouvir os outros setores sobre o impacto, mas com clareza sobre o que vou fazer.\u201d<\/p>\n<p>O processo que est\u00e1 em curso na Anvisa \u00e9 o desdobramento das conclus\u00f5es de um grupo de trabalho que funcionou entre dezembro de 2014 e abril de 2016. L\u00e1, a ind\u00fastria de ultraprocessados j\u00e1 estava presente, tanto em assentos diretos como em representa\u00e7\u00f5es de institutos de pesquisa ligados aos fabricantes. Como bem assinala o relat\u00f3rio final, \u00e9 dif\u00edcil chegar a um acordo frente a interesses t\u00e3o conflitantes. Mas, se a ag\u00eancia tem como miss\u00e3o defender a sa\u00fade p\u00fablica, como outros interesses foram parar ali dentro?<\/p>\n<p>A Anvisa chegou ao fim desse processo com algumas diretrizes que s\u00e3o gen\u00e9ricas. O modelo de rotulagem deve \u201catrair a aten\u00e7\u00e3o do consumidor\u201d, \u201cter um design gr\u00e1fico atrativo\u201d, \u201cfocar nos ingredientes negativos\u201d.<\/p>\n<p>Espera-se ainda que o novo modelo de rotulagem esteja alinhado ao Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira. Eis a mensagem-chave do documento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade: fa\u00e7a de alimentos in natura ou minimamente processados a base de sua alimenta\u00e7\u00e3o e evite alimentos ultraprocessados. As evid\u00eancias acumuladas at\u00e9 aqui mostram que o sistema chileno \u00e9 o mais eficaz nesse sentido.<\/p>\n<p>Podemos tamb\u00e9m analisar a quest\u00e3o de um ponto de vista mais geogr\u00e1fico. O NutriScore foi desenvolvido na Europa. As advert\u00eancias, na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do Norte s\u00e3o a morada dos grandes fabricantes, como Nestl\u00e9 e Danone, que de l\u00e1 pautaram a ideia de que os ultraprocessados davam resposta a todas as necessidades alimentares. Hoje, em algumas na\u00e7\u00f5es esses produtos correspondem a mais da metade da ingest\u00e3o cal\u00f3rica di\u00e1ria, acompanhados por altos \u00edndices de obesidade. Mesmo a Fran\u00e7a, que um dia foi modelo, n\u00e3o \u00e9 mais.<\/p>\n<p>\u201cO ultraprocessado \u00e9 a maior conquista que a ind\u00fastria teve. Nesse momento, n\u00e3o consigo fazer uma pessoa que vive num ambiente em que 60% do que ela come s\u00e3o ultraprocessados n\u00e3o enxergar aquilo como alimento\u201d, acrescenta Fabio Gomes.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o boom dos ultraprocessados veio mais tarde. Mas veio com tudo. O N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens) da USP constatou que esses produtos representavam 28% da ingest\u00e3o cal\u00f3rica dos brasileiros na virada da d\u00e9cada. O crescimento \u00e9 r\u00e1pido e a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupante.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda h\u00e1 uma cultura culin\u00e1ria forte que pode ser valorizada e estimulada, ou seja, \u00e9 poss\u00edvel se alimentar sem lan\u00e7ar m\u00e3o de produtos altos em sal, gordura e a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas querem dizer que esses produtos \u00e9 que s\u00e3o a comida. Que isso est\u00e1 dado. Que ningu\u00e9m mais vai cozinhar\u201d, diz Marcela Reyes, do Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o e Tecnologia de Alimentos da Universidade do Chile e uma das respons\u00e1veis pela defini\u00e7\u00e3o dos sinais de advert\u00eancia. \u201cEnt\u00e3o, dizem que n\u00f3s \u00e9 que estamos contra a comida e queremos que o pa\u00eds volte a um cen\u00e1rio de desnutri\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores do Nupens, respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o do Guia Alimentar, t\u00eam chamado aten\u00e7\u00e3o para a correla\u00e7\u00e3o entre ultraprocessados e obesidade. Ao analisar os dados da Europa, encontraram que para cada aumento de um ponto na taxa de ingest\u00e3o m\u00e9dia cal\u00f3rica de ultraprocessados, o \u00edndice de obesidade avan\u00e7a 0,25%. Ent\u00e3o, aquilo que consiga frear o consumo tem uma chance de ajudar a conter o crescimento dos n\u00edveis de sobrepeso.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) protocolou na Anvisa uma an\u00e1lise do cen\u00e1rio chileno pela Euromonitor, uma das principais consultorias de mercado do mundo. O documento n\u00e3o \u00e9 conclusivo nem para um lado, nem para o outro. \u201c\u00c9 ing\u00eanuo pensar que a coloca\u00e7\u00e3o em pr\u00e1tica de uma lei vai criar mudan\u00e7as imediatas em n\u00edvel de h\u00e1bitos saud\u00e1veis, que por sua vez dependem de muitos outros fatores. No entanto, h\u00e1 que come\u00e7ar por alguma parte. Ent\u00e3o, nesses termos se poderia dizer que a lei foi exitosa porque foi capaz de impulsionar o tema nas empresas e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que influir\u00e3o lentamente no consumidor\u201d, relata a empresa.<\/p>\n<p>Na verdade, as pesquisas de opini\u00e3o mostram que a maioria das pessoas promoveu mudan\u00e7as de h\u00e1bitos alimentares. Falta entender o quanto essas mudan\u00e7as ter\u00e3o impacto. E se elas se manter\u00e3o a salvo de capturas por outros interesses que n\u00e3o a sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que qualquer dos modelos demanda aten\u00e7\u00e3o. Se h\u00e1 um consenso entre Anvisa, ind\u00fastria e sociedade \u00e9 o de que a rotulagem, sozinha, n\u00e3o resolver\u00e1 o problema.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma divis\u00e3o sobre o que deveria ser o prop\u00f3sito central da rotulagem: desestimular o consumo ou estimular a reformula\u00e7\u00e3o. Essa reformula\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento que j\u00e1 come\u00e7ou no mundo todo, com diferentes graus de intensidade, e que d\u00e1 sinais de ser acelerado quando se adota um sistema de rotulagem. Carlos Monteiro, coordenador do Nupens e professor da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, e Gyorgy Scrinis, professor da Universidade de Melbourne, entendem que a reformula\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento limitado e com potencial perigoso. Com o olhar da popula\u00e7\u00e3o muito voltado a sal, gordura e a\u00e7\u00facar, as empresas podem acabar trocando esses ingredientes por outros cujo grau de nocividade sequer est\u00e1 devidamente mapeado. A mera troca de a\u00e7\u00facar por ado\u00e7antes, por exemplo, n\u00e3o seria uma boa.<\/p>\n<p>Outro fator que os preocupa \u00e9 o fato de que pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem a reformula\u00e7\u00e3o poderiam acabar por legitimar produtos ruins \u00e0 sa\u00fade. Por isso, apontam, o melhor \u00e9 apostar no est\u00edmulo \u00e0 troca de ultraprocessados por alimentos com um grau m\u00ednimo de processamento.<\/p>\n<p>Os resultados da lei chilena ainda n\u00e3o s\u00e3o claros quanto a isso. Houve aumento no consumo de produtos light, ou seja, troca de a\u00e7\u00facar por ado\u00e7ante. Mas tamb\u00e9m houve queda no consumo de chocolates e margarina. H\u00e1 que esperar mais tempo para ver se as pessoas migraram para fora do reino dos ultraprocessados ou se simplesmente trocaram um produto por outro.<\/p>\n<p>Nesse sentido, qual dos modelos \u00e9 mais f\u00e1cil de tapear? Complicado dar uma resposta categ\u00f3rica. O perfil nutricional escolhido \u00e9 muito importante. Trata-se dos indicadores que definir\u00e3o se um alimento tem excesso desse ou daquele nutriente, no caso das advert\u00eancias, e que s\u00e3o usados para dar a nota do produto, no caso do NutriScore.<\/p>\n<p>O modelo de nutrientes da Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de Sa\u00fade (Opas), usado no sistema de advert\u00eancias, \u00e9 mais rigoroso. E foi criado pensando em evidenciar os excessos dos ultraprocessados. Em tese, seria mais dif\u00edcil por meio da reformula\u00e7\u00e3o conseguir eliminar tri\u00e2ngulos de alerta. A grande maioria dos produtos hoje nas g\u00f4ndolas receberia ao menos um tri\u00e2ngulo. A ind\u00fastria argumenta que esse alerta generalizado poderia criar uma situa\u00e7\u00e3o de indiferen\u00e7a: se \u00e9 tudo ruim, vou seguir comendo qualquer um.<\/p>\n<p>Para evitar a substitui\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar por ado\u00e7ante, o modelo do Idec defende que se adote um tri\u00e2ngulo alertando para a presen\u00e7a dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>O NutriScore, como dissemos, \u00e9 um sistema de resumo. \u201cOs esquemas foram desenvolvidos considerando a oferta geral de alimentos [na Fran\u00e7a], e portanto podem n\u00e3o ser transpon\u00edveis de uma cultura para outra\u201d, adverte Chantal Julia.<\/p>\n<p>Nesse sistema, os ingredientes negativos (calorias, a\u00e7\u00facar, gordura saturada, gordura e sal) somam pontos. Quanto maior a pontua\u00e7\u00e3o, pior o produto. E h\u00e1 ingredientes positivos que subtraem pontos (vegetais, fibras, prote\u00ednas, entre outros), melhorando a pontua\u00e7\u00e3o. Embora esses tenham um peso menor na nota final, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma adi\u00e7\u00e3o de elementos positivos meramente para subir de ranking, sem uma transforma\u00e7\u00e3o profunda do perfil nutricional. Um iogurtinho com mais frutas, mas ainda com excesso de gordura e a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Ainda falta aprofundar as compara\u00e7\u00f5es entre o NutriScore e o sistema de advert\u00eancias. Mas, antes, a Anvisa precisa dizer onde quer chegar.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Jo\u00e3o Peres, O Joio e o Trigo de 18 de abril de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem: T\u00e2nia R\u00eago. Arquivo Ag\u00eancia Brasil. Ag\u00eancia n\u00e3o deixa claro se pretende garantir uma compara\u00e7\u00e3o entre produtos com excesso de sal, gordura e a\u00e7\u00facar, ou um desest\u00edmulo ao consumo Onde a Anvisa pretende chegar com a defini\u00e7\u00e3o de um novo modelo de rotulagem frontal de alimentos? 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