{"id":23910,"date":"2018-04-29T09:00:40","date_gmt":"2018-04-29T12:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=23910"},"modified":"2018-04-25T10:26:43","modified_gmt":"2018-04-25T13:26:43","slug":"nordeste-seca-historica-ja-dura-seis-anos-e-ameaca-tornar-se-regra-no-semiarido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/nordeste-seca-historica-ja-dura-seis-anos-e-ameaca-tornar-se-regra-no-semiarido\/","title":{"rendered":"Nordeste &#8211; Seca hist\u00f3rica j\u00e1 dura seis anos e amea\u00e7a tornar-se regra no semi\u00e1rido"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/23\/15245215035ade5a1fa401b_1524521503_3x2_rt.jpg\" \/><em>Paisagem des\u00e9rtica ao longo da rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte &#8211;\u00a0<span class=\"caption__credit caption__credit_white\">Avener Prado\/Folhapress<\/span><\/em><\/p>\n<section id=\"text1\" class=\"text\" data-anchor=\"seca-historica-ja-dura-seis-anos-e-ameaca-tornar-se-regra-no-semiarido\" data-idx=\"0\">\n<div class=\"text--container\">\n<div class=\"video js-video-player yt-video \" data-video=\"FQ1Q-9Uy8WQ\">\n<p><button class=\"vplay\" type=\"menu\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/img.youtube.com\/vi\/FQ1Q-9Uy8WQ\/maxresdefault.jpg\" alt=\"\" \/><\/button><\/p>\n<div class=\"play \"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flags\"><span class=\"origin\">PARA\u00cdBA E RIO GRANDE DO NORTE &#8211;\u00a0<\/span>Na estaca zero. \u00c9 como o agricultor In\u00e1cio Manuel da Silva, 73, se sente ap\u00f3s a seca ter dizimado o coqueiral no lote onde trabalha h\u00e1 44 anos. Morador de Sousa (440 km de Jo\u00e3o Pessoa), ele colhia 21 mil frutos a cada 45 dias, num espa\u00e7o de 4 hectares (o equivalente a cerca de cinco campos de futebol). \u201cHoje, se eu tivesse um coco bom aqui, voc\u00eas estariam tomando a \u00e1gua dele.\u201d<\/div>\n<div class=\"flags\"><\/div>\n<p>Na mem\u00f3ria de Silva e de outros sertanejos, a aridez atual, iniciada em 2012, \u00e9 a mais prolongada pela qual o Nordeste j\u00e1 passou. J\u00e1 nos discos r\u00edgidos de pesquisadores, simula\u00e7\u00f5es preveem que o d\u00e9ficit h\u00eddrico dos \u00faltimos tempos deve tornar-se o \u201cnovo normal\u201d da regi\u00e3o, a reboque das mudan\u00e7as no clima global.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es para o semi\u00e1rido do PBMC (Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas), uma iniciativa governamental, s\u00e3o sombrias. At\u00e9 2040, projeta-se a diminui\u00e7\u00e3o de 10% a 20% das chuvas e aumento da temperatura entre 0,5\u00b0C a 1\u00b0C. Para 2070, a eleva\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 1,5\u00b0C a 2,5\u00b0C, enquanto a precipita\u00e7\u00e3o encolher\u00e1 entre 25% e 35%.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio eleva o risco de aumento da desertifica\u00e7\u00e3o, desatada sobretudo pelo uso inadequado do solo, como o desmatamento da caatinga para a produ\u00e7\u00e3o de lenha.<\/p>\n<figure id=\"photo-1-2\" class=\"text--photo \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/18\/15240561465ad740524ed6b_1524056146_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" data-src=\"{&quot;img940&quot;:&quot;https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/18\/15240561465ad740524ed6b_1524056146_3x2_rt.jpg&quot;}\" \/><figcaption><em>Coqueiral seco na cidade de Sousa (440 km de Jo\u00e3o Pessoa), na Para\u00edba; estima-se que apenas 5% dos coqueirais de 82 propriedades da regi\u00e3o tenham sobrevivido \u00e0 estiagem &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m de mais seco, o semi\u00e1rido est\u00e1 se expandindo. Em novembro de 2017, a Sudene (Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste) incluiu 73 munic\u00edpios na regi\u00e3o, que passou a ter 1.130.446 km\u00b2 (13,3% do territ\u00f3rio brasileiro). Os 1.262 munic\u00edpios est\u00e3o espalhados pelos nove estados do Nordeste, al\u00e9m de parte de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Para o munic\u00edpio ser considerado parte do semi\u00e1rido \u2013o que assegura acesso a v\u00e1rios programas, como linhas de financiamento\u2013, \u00e9 preciso responder ao menos um de tr\u00eas crit\u00e9rios. O mais usado \u00e9 a precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica m\u00e9dia anual igual ou inferior a 800 mm. Para compara\u00e7\u00e3o, na cidade de S\u00e3o Paulo, chove 1.500 mm\/ano.<\/p>\n<p>A vincula\u00e7\u00e3o dos seis anos cont\u00ednuos de chuvas abaixo da m\u00e9dia no Nordeste \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas divide os pesquisadores. Uns j\u00e1 estabelecem a causalidade, enquanto outros consideram ser muito cedo para essa conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 praticamente consenso quando se trata das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Um exemplo \u00e9 o estudo recente da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas) sobre a bacia do rio Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u, nos sert\u00f5es da Para\u00edba e do Rio Grande do Norte, uma das regi\u00f5es mais \u00e1ridas do pa\u00eds.<\/p>\n<div id=\"info-1-1\" class=\"info\"><\/div>\n<p class=\"g-pstyle0\"><strong>O impacto da transposi\u00e7\u00e3o sobre a\u00a0bacia do rio Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u<\/strong><\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">A bacia Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u tem pouco mais de 1,4 milh\u00e3o de habitantes e est\u00e1 em uma das regi\u00f5es mais secas do semi\u00e1rido brasileiro. Abrange 102 munic\u00edpios na Para\u00edba e 45 no Rio Grande do Norte, num total de 147<\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">O curso do rio Piranhas vai at\u00e9 o Atl\u00e2ntico mas, com a seca, a \u00e1gua n\u00e3o chega at\u00e9 a foz. A transposi\u00e7\u00e3o ir\u00e1 perenizar o rio<\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">O Eixo Norte da\u00a0<span class=\"g-cstyle0\">transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco<\/span>ter\u00e1 260 km e deve ser inaugurado no segundo semestre de 2018<\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">Campina Grande (PB), de 410 mil habitantes, se encontrava \u00e0 beira do colapso e foi uma das dezenas de cidades beneficiadas pelo Eixo Leste da transposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Eixo Leste da\u00a0<span class=\"g-cstyle0\">transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco<\/span>\u00a0j\u00e1 est\u00e1 conclu\u00eddo desde mar\u00e7o\u00a0de 2017<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/arte.folha.uol.com.br\/ciencia\/2018\/crise-do-clima\/nordeste\/others\/mapa\/mapa-nordeste-1-desktop-xl.png\" \/><\/p>\n<div id=\"info-1-2\" class=\"info\"><\/div>\n<div id=\"info-1-1\" class=\"info\">At\u00e9 2065, o d\u00e9ficit h\u00eddrico acumulado na bacia de 43,6 mil km\u00b2, \u00e1rea do tamanho do estado do Rio de Janeiro, dever\u00e1 ser at\u00e9 133% maior em compara\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio que n\u00e3o considera mudan\u00e7a no clima.<\/div>\n<div class=\"info\"><\/div>\n<p>Para entender o semi\u00e1rido nordestino cada vez mais seco, a\u00a0<b>Folha\u00a0<\/b>percorreu, em janeiro, cerca de 500 km ao longo dessa bacia, que re\u00fane mais de 1,4 milh\u00e3o de habitantes e est\u00e1 localizada no Nordeste setentrional, bastante castigado pela seca atual.<\/p>\n<p>Nas cidades e na zona rural mapeadas pela pesquisa da FGV, a reportagem encontrou a\u00e7udes e torneiras quase vazios, caatinga acinzentada, agricultores acumulando preju\u00edzos, gado morto e uma grande ansiedade pela iminente chegada das \u00e1guas da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/1\/866\/26801694647_1b75f14c4a_o.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/1\/866\/26801694647_f73efd3d0c_b.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Reza a lenda que, durante viagem ao Brasil, a cantora norte-americana Madonna gostou tanto da \u00e1gua de coco do Per\u00edmetro Irrigado de S\u00e3o Gon\u00e7alo, em Sousa (PB), que passou a import\u00e1-la em grandes quantidades. Outros contam que a fama de ser a \u00e1gua de coco mais doce do pa\u00eds provocou uma onda de falsifica\u00e7\u00f5es do r\u00f3tulo de origem.<\/p>\n<p>Tudo isso ficou no passado. Antes abastecidos pelo a\u00e7ude S\u00e3o Gon\u00e7alo, que represa o rio Piranhas, os canais de irriga\u00e7\u00e3o est\u00e3o secos e inutilizados pela falta de manuten\u00e7\u00e3o. Constru\u00eddos nos anos 1970 pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), at\u00e9 o in\u00edcio da seca sustentavam a agricultura em uma \u00e1rea de 4.000 hectares.<\/p>\n<p>Hoje, os poucos coqueiros verdes \u2013que bebem, cada um, 200 litros de \u00e1gua\/dia\u2013 sobrevivem em torno dos poucos po\u00e7os artesianos ainda vi\u00e1veis. S\u00e3o o\u00e1sis em meio a campos abandonados, onde predominam fantasmag\u00f3ricos p\u00e9s secos ou troncos tombados no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas pessoas migraram pra Bras\u00edlia, outras pra S\u00e3o Paulo. Umas est\u00e3o em empregos tempor\u00e1rios e outras sobrevivem do apoio dos pais, que t\u00eam aposentadoria rural\u201d, afirma o presidente de uma cooperativa local, Isa\u00edas Raimundo, 33.<\/p>\n<p>Ele estima que s\u00f3 5% dos coqueirais dos 82 s\u00f3cios tenham sobrevivido. No lote de 3 hectares da fam\u00edlia, n\u00e3o sobrou nenhum dos 600 p\u00e9s. \u201cH\u00e1 pouco, plantei meio hectare de banana e tamb\u00e9m est\u00e1 quase a \u00f3bito\u201d, lamenta o l\u00edder comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo a FGV, em toda a bacia Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u os preju\u00edzos com a seca na bacia em cinco anos somam R$\u00a03 bilh\u00f5es, ou 3,1% do PIB da regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"mosaic\">\n<figure class=\"mosaic__figure2 \">\n<div class=\"mosaic__image-wrapper\">\n<div class=\"mosaic__image_main\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/10\/15207259745aa46fd64255f_1520725974_3x2_rt.jpg\" alt=\"Trechos da obra do Eixo Norte da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco perto de S\u00e3o Jos\u00e9 de Piranhas, Para\u00edba\" \/><\/div>\n<div class=\"mosaic__image_aside\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15238959775ad4cea93add3_1523895977_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"mosaic__figcaption\">\n<p class=\"mosaic__figcaption_legend\"><em>Trechos da obra do Eixo Norte da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco perto de S\u00e3o Jos\u00e9 de Piranhas, Para\u00edba &#8211;\u00a0&#8211; Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mais perto da foz, no Rio Grande do Norte, agricultores do assentamento Novo Pingos, em Assu (214 km de Natal), perderam todos os cajueiros em uma \u00e1rea de 500 hectares. O preju\u00edzo s\u00f3 n\u00e3o foi maior porque as \u00e1rvores foram cortadas e vendidas como lenha.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que, em breve, a seguran\u00e7a h\u00eddrica da regi\u00e3o deve melhorar. Ap\u00f3s seis anos de atraso, o Minist\u00e9rio da Intega\u00e7\u00e3o Nacional promete entregar, no segundo semestre de 2018, os 260 km do Eixo Norte da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco, que alimentar\u00e1 a bacia Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u. Em S\u00e3o Gon\u00e7alo, isso significa mais \u00e1gua para o a\u00e7ude e a pereniza\u00e7\u00e3o do rio Piranhas, que corta o per\u00edmetro.<\/p>\n<p>No Eixo Leste, inaugurado em mar\u00e7o de 2017, o refor\u00e7o do Velho Chico normalizou o abastecimento de dezenas de cidades de Pernambuco e Para\u00edba, incluindo Campina Grande (PB), que se encontrava \u00e0 beira do colapso.<\/p>\n<p>O estudo da FGV avalia, por\u00e9m, que a transposi\u00e7\u00e3o, or\u00e7ada em R$\u00a09,6 bilh\u00f5es, tampouco ser\u00e1 a panaceia para a bacia Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u: na vaz\u00e3o prevista, as \u00e1guas do S\u00e3o Francisco t\u00eam o potencial de reduzir, no m\u00e1ximo, 40% do seu d\u00e9ficit h\u00eddrico.<\/p>\n<p>\u201cEm car\u00e1ter emergencial, a transposi\u00e7\u00e3o pode ser uma boa alternativa se bem gerenciada. Mas, a longo prazo, n\u00e3o h\u00e1 medida que ofere\u00e7a a reden\u00e7\u00e3o. A redu\u00e7\u00e3o dos danos da seca s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel por meio de a\u00e7\u00f5es coordenadas que confiram resili\u00eancia aos sistemas h\u00eddricos locais\u201d, afirma a engenheira ambiental Layla Lambiasi, coautora do estudo.<\/p>\n<figure id=\"photo-1-1\" class=\"text--photo \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15239174925ad522b4dba5b_1523917492_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" data-src=\"{&quot;img940&quot;:&quot;https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15239174925ad522b4dba5b_1523917492_3x2_rt.jpg&quot;}\" \/><figcaption><em>Para iniciar um novo plantio, agricultor queima o que sobrou de coqueiral devastado pela seca em Sousa (PB) &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com mais de quatro d\u00e9cadas de experi\u00eancia no local, o agricultor aposentado In\u00e1cio da Silva acredita que, mesmo com mais \u00e1gua, os pordutores n\u00e3o ter\u00e3o dinheiro para investir no replantio de coco, que leva em m\u00e9dia 3,5 anos para produzir.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s voltamos \u00e0 estaca zero. Os terrenos est\u00e3o descobertos, ningu\u00e9m tem uma produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Silva. \u201cEmprego n\u00e3o tem. Os velhos s\u00e3o aposentados, e os filhos ficam encostados na gente, porque a panela tem de ferver pra todo mundo.\u201d<\/p>\n<p>Um dos sete filhos de Silva, Francisco, 49, passou 15 anos transportando o coco de Sousa para Recife e at\u00e9 Bras\u00edlia. Quebrado, vendeu o caminh\u00e3o e agora sonha migrar para o Guaruj\u00e1, no litoral paulista. \u201cEssa a\u00ed \u00e9 a minha profiss\u00e3o agora\u201d, diz, com um sorriso amargo, apontando para algumas galinhas no quintal.<\/p>\n<figure id=\"photo-1-5\" class=\"text--photo \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15239006825ad4e10aeb963_1523900682_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" data-src=\"{&quot;img940&quot;:&quot;https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15239006825ad4e10aeb963_1523900682_3x2_rt.jpg&quot;}\" \/><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"video js-video-player yt-video video-autoplay \" data-video=\"OJmnxzJSo2Y\">\n<div class=\"replay\"><\/div>\n<div class=\"hide-video hide-video-show\"><\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" id=\"playerOJmnxzJSo2Y\" class=\"\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OJmnxzJSo2Y?autoplay=0&amp;controls=0&amp;showinfo=0&amp;rel=0&amp;loop=1&amp;modestbranding=1&amp;enablejsapi=1&amp;playsinline=1&amp;html5=1&amp;playlist=OJmnxzJSo2Y&amp;cc_load_policy&amp;cc_lang_pref&amp;hl&amp;events=%5Bobject%20Object%5D&amp;origin=http%3A%2F%2Farte.folha.uol.com.br&amp;widgetid=2\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<figure id=\"photo-1-13\" class=\"text--photo \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15239211635ad5310b57970_1523921163_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" data-src=\"{&quot;img940&quot;:&quot;https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15239211635ad5310b57970_1523921163_3x2_rt.jpg&quot;}\" \/><figcaption><em>Acima, &#8220;carro\u00e7a-pipa&#8221; puxada por burro em Brejo do Cruz (PB); no meio, fila para obter \u00e1gua em S\u00e3o Jos\u00e9 de Piranhas; no alto, o motorista de caminh\u00e3o pipa Antonio Ferreira no reservat\u00f3rio Boa Vista &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A 140 km de Sousa, S\u00e3o Jos\u00e9 de Piranhas (480 km de Jo\u00e3o Pessoa) \u00e9 outra cidade sedenta \u00e0 espera do socorro do rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, as bombas de \u00e1gua vinham funcionando apenas tr\u00eas dias por semana. Em 12 de fevereiro, o a\u00e7ude municipal entrou em colapso pela segunda vez desde o in\u00edcio da seca, deixando seus 20 mil habitantes dependentes dos carros-pipa. O sistema s\u00f3 foi religado no in\u00edcio de mar\u00e7o, ap\u00f3s chover forte na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No futuro pr\u00f3ximo, a cidade deve ser abastecida pelo reservat\u00f3rio Boa Vista, a 14 km do centro, que receber\u00e1 \u00e1gua do S\u00e3o Francisco. Para isso acontecer, por\u00e9m, ainda ser\u00e1 preciso construir um aqueduto.<\/p>\n<p>Morador do Rabo da Gata, o bairro mais alto de Piranhas, o agricultor Jos\u00e9 Justino da Silva, 37, ficou sem \u00e1gua encanada desde setembro de 2017, quando a Cagepa (Companhia de \u00c1guas e Esgotos da Para\u00edba) suspendeu o racionamento por tr\u00eas dias para n\u00e3o prejudicar a Micaranhas, a micareta de S\u00e3o Jos\u00e9 de Piranhas.<\/p>\n<p>\u201cTinha \u00e1gua sobrando. S\u00e3o muitos anos que eu moro aqui, e eu nunca tinha tomado banho de chuveiro\u201d, lembra Silva, da porta da sua casa de teto baixo, ap\u00f3s ter buscado \u00e1gua de balde no carro-pipa.<\/p>\n<p>Terminada a folia, o racionamento voltou mais severo, e os canos secaram em definitivo no Rabo da Gata. A \u00e1gua agora s\u00f3 chega por meio de caminh\u00f5es-pipa da prefeitura e do Ex\u00e9rcito ou por vendedores particulares, que cobram R$\u00a030 por mil litros (um metro c\u00fabico).<\/p>\n<p>Mas, mesmo sem \u00e1gua, a conta continua chegando. Em janeiro, Silva teve de desembolsar R$\u00a040,84 em troca de vento encanado. Ele disse que prefere pagar a se arriscar ser cortado da rede \u2013o religamento custa cerca de R$\u00a090.<\/p>\n<p>No entorno do reservat\u00f3rio Boa Vista, a expectativa tamb\u00e9m \u00e9 grande. O agricultor piranhense Cicero Fernandes, 39, est\u00e1 com a vida paralisada h\u00e1 dois anos, desde que trocou o s\u00edtio, que ser\u00e1 submergido quando o a\u00e7ude receber \u00e1gua da transposi\u00e7\u00e3o, por uma das quatro vilas produtivas constru\u00eddas para os reassentados.<\/p>\n<p>Fernandes e outros agricultores t\u00eam direito a lotes de 7 hectares, dos quais apenas 1 hectare ser\u00e1 irrigado. Os demais s\u00e3o de \u201csequeiro\u201d, termo usado para \u00e1reas agr\u00edcolas que dependem da chuva.<\/p>\n<p>Enquanto o projeto de irriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 implementado, as fam\u00edlias reassentadas recebem uma ajuda mensal de 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo. Fernandes diz que o benef\u00edcio \u00e9 suficiente para se manter, mas v\u00ea as fam\u00edlias fora dos assentamentos em situa\u00e7\u00e3o pior.<\/p>\n<p>Muitos recorrem a temporadas de corte de cana em S\u00e3o Paulo ou \u00e0 \u201cfuradinha\u201d \u2013venda ambulante de roupas em cidades do Maranh\u00e3o e do Par\u00e1. O nome tem origem numa tabuleta de papel usada para fazer sorteio de produtos. Aos poucos, os vendedores trocaram a rifa pela confec\u00e7\u00e3o, mas o nome permaneceu.<\/p>\n<p>\u201cA dificuldade aumentou. A cada ano que passa, a gente v\u00ea sofrimento das pessoas para sobreviv\u00eancia humana e animal\u201d, diz Fernandes. \u201cMas o sertanejo \u00e9 forte, criativo, persistente. Tem sobressa\u00eddo nessa teimosia dele e vai dando certo.\u201d<\/p>\n<figure id=\"photo-1-10\" class=\"text--photo \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/18\/15240562465ad740b6e9487_1524056246_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" data-src=\"{&quot;img940&quot;:&quot;https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/18\/15240562465ad740b6e9487_1524056246_3x2_rt.jpg&quot;}\" \/><figcaption><em>Principal a\u00e7ude do munic\u00edpio de S\u00e3o Jos\u00e9 de Piranhas, seco; em fevereiro, local entrou em colapso por causa da estiagem &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Coordenador local da Cagepa, Rondynelli Dias diz que o a\u00e7ude municipal \u201csangrou\u201d (transbordou) pela \u00faltima vez em 2011. Desde ent\u00e3o, foi se esvaziando. No in\u00edcio de janeiro, quando a reportagem esteve na cidade, estava com apenas 1,6% da capacidade. No in\u00edcio de mar\u00e7o, com as chuvas, subiu para pouco acima de 20%.<\/p>\n<p>J\u00e1 acostumado a cobran\u00e7as quando circula pelas ruas, Dias afirma que a Cagepa far\u00e1 um levantamento sobre as contas indevidas de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A seca prolongada \u00e9 apenas um dos problemas do rio Piranhas, o principal da bacia. De t\u00e3o debilitado, n\u00e3o consegue mais chegar ao mar.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Bento (390 km de Jo\u00e3o Pessoa), parte do esgoto corre a c\u00e9u aberto em dire\u00e7\u00e3o ao leito fluvial. A cidade, a maior \u00e0s margens do rio, tem s\u00f3 57% de esgotos recolhidos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta [o rio] receber a \u00e1gua limpa do S\u00e3o Francisco e ela se contaminar com esgoto\u201d, afirma o ex-vereador Josu\u00e9 Diniz de Ara\u00fajo, 69, membro do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Pianc\u00f3-Piranhas-A\u00e7u.<\/p>\n<div class=\"video js-video-player yt-video video-autoplay \" data-video=\"dLpXIyq2TrU\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"playerdLpXIyq2TrU\" class=\"\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dLpXIyq2TrU?autoplay=0&amp;controls=0&amp;showinfo=0&amp;rel=0&amp;loop=1&amp;modestbranding=1&amp;enablejsapi=1&amp;playsinline=1&amp;html5=1&amp;playlist=dLpXIyq2TrU&amp;cc_load_policy&amp;cc_lang_pref&amp;hl&amp;events=%5Bobject%20Object%5D&amp;origin=http%3A%2F%2Farte.folha.uol.com.br&amp;widgetid=3\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<div class=\"mosaic\">\n<figure class=\"mosaic__figure3 mosaic__figure3_top\">\n<div class=\"mosaic__image-wrapper\">\n<div class=\"mosaic__image_main\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/18\/15240563565ad74124baca6_1524056356_3x2_rt.jpg\" alt=\"Cen\u00e1rios des\u00e9rticos na rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte; no meio e \u00e0 direita, cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o afetada pela seca na regi\u00e3o da foz do rio Piranhas\" \/><\/div>\n<div class=\"mosaic__image_aside\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/18\/15240567125ad74288cff61_1524056712_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15238995225ad4dc820d677_1523899522_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"mosaic__figcaption\">\n<p class=\"mosaic__figcaption_legend\"><em>Cen\u00e1rios des\u00e9rticos na rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte; no meio e \u00e0 direita, cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o afetada pela seca na regi\u00e3o da foz do rio Piranhas &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 ainda a disputa pela \u00e1gua. O caso mais not\u00f3rio est\u00e1 perto do litoral, na regi\u00e3o de Pend\u00eancias (194 km de Natal), envolvendo moradores e a cria\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Ex-pescadora do rio, Ana Lucia de Souza, 45, diz que h\u00e1 reclama\u00e7\u00e3o contra as empresas de camar\u00e3o, acusadas de sobreuso da \u00e1gua. Por outro lado, \u00e9 a principal fonte de emprego do munic\u00edpio. \u201cN\u00e3o fossem essas empresas, n\u00e3o sei nem como a gente viveria por aqui. \u00c9 uma coisa pela outra.\u201d<\/p>\n<p>Nascida na regi\u00e3o, ela diz que, antes, o rio era diferente, com \u00e1gua e peixe: \u201cUma coisa linda. D\u00e1 tristeza hoje, s\u00f3 v\u00ea mato\u201d.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da bacia por ela ser interestadual, a ANA (Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas) n\u00e3o pode interferir para resolver o problema do esgoto urbano. Carlos Perdig\u00e3o, coordenador da Superintend\u00eancia de Planejamento de Recursos H\u00eddricos, afirma que a prioridade da ag\u00eancia \u00e9 melhorar a distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no semi\u00e1rido.<\/p>\n<div id=\"g-ai0-9\" class=\"g-info g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle1\"><strong>Os limites do\u00a0semi\u00e1rido<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai0-10\" class=\"g-info g-aiAbs\">\n<p>Regi\u00e3o considerada como semi\u00e1rido pela Sudene compreende 1.262 munic\u00edpios cuja popula\u00e7\u00e3o, somada, \u00e9 de 27,9 milh\u00f5es de habitantes<\/p>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/arte.folha.uol.com.br\/ciencia\/2018\/crise-do-clima\/nordeste\/others\/semiarido\/semiarido-nordeste-1-desktop.png\" \/><\/p>\n<div id=\"info-1-3\" class=\"info\"><\/div>\n<p>Al\u00e9m da conclus\u00e3o da transposi\u00e7\u00e3o, ele aponta como obras essenciais o t\u00e9rmino da barragem de Oiticica, em Jucurutu (RN), e a constru\u00e7\u00e3o de um ramal para levar a \u00e1gua dali para a regi\u00e3o do Serid\u00f3 (PB\/RN), que enfrenta processo de desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em linha semelhante, a FGV avalia que \u00e9 preciso ir al\u00e9m da transposi\u00e7\u00e3o para evitar um preju\u00edzo econ\u00f4mico na bacia que, em 50 anos, pode alcan\u00e7ar R$\u00a07,8 bilh\u00f5es: \u201cQuanto mais diversificado for o conjunto de interven\u00e7\u00f5es, a regi\u00e3o estar\u00e1 menos exposta a eventos clim\u00e1ticos\u201d, afirma Lambiasi.<\/p>\n<p>O estudo defende a \u201cgest\u00e3o da incerteza\u201d como diretriz para minimizar os prov\u00e1veis impactos da mudan\u00e7a do clima. As medidas sugeridas incluem a redu\u00e7\u00e3o das perdas no tr\u00e2nsito da \u00e1gua entre reservat\u00f3rios e a busca de atividades econ\u00f4micas e pr\u00e1ticas mais alinhadas com o semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>Os pesquisadores calcularam que, caso o poder p\u00fablico adote o conjunto de medidas recomendadas, a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit h\u00eddrico poder\u00e1 chegar a 73%, e at\u00e9 93% das potenciais perdas econ\u00f4micas ser\u00e3o evitadas.<\/p>\n<p>Paraibano de Sousa e h\u00e1 pouco mais de dois anos \u00e0 frente do Insa (Instituto Nacional do Semi\u00e1rido), Salom\u00e3o Medeiros afirma que um dos grandes desafios \u00e9 levar a informa\u00e7\u00e3o gerada pelos estudos at\u00e9 os gestores municipais. Os obst\u00e1culos v\u00e3o desde a linguagem t\u00e9cnica dif\u00edcil at\u00e9 a necessidade das prefeituras de atender a demandas urgentes do curto prazo.<\/p>\n<p>\u201cExiste tamb\u00e9m uma quest\u00e3o cultural nossa: a esperan\u00e7a de que vai chover\u201d, diz o engenheiro agr\u00edcola.<\/p>\n<figure id=\"photo-1-6\" class=\"text--photo \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15238993105ad4dbaeaac35_1523899310_3x2_rt.jpg\" alt=\"\" data-src=\"{&quot;img940&quot;:&quot;https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/04\/16\/15238993105ad4dbaeaac35_1523899310_3x2_rt.jpg&quot;}\" \/><figcaption><em>Fam\u00edlia se protege da chuva na cidade de S\u00e3o Bento (390 km de Jo\u00e3o Pessoa), na Para\u00edba &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress<\/em><\/figcaption><figcaption>\n<div class=\"flags\"><\/div>\n<div class=\"flags\">Fonte &#8211; Fabiano Maisonnave,\u00a0Avener Prado, <a href=\"http:\/\/arte.folha.uol.com.br\/ciencia\/2018\/crise-do-clima\/nordeste\/seca-historica-ja-dura-seis-anos-e-ameaca-tornar-se-regra-no-semiarido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Folha de S. Paulo<\/a><\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paisagem des\u00e9rtica ao longo da rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte &#8211;\u00a0Avener Prado\/Folhapress PARA\u00cdBA E RIO GRANDE DO NORTE &#8211;\u00a0Na estaca zero. \u00c9 como o agricultor In\u00e1cio Manuel da Silva, 73, se sente ap\u00f3s a seca ter dizimado o coqueiral no lote onde trabalha h\u00e1 44 anos. 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