{"id":24377,"date":"2018-06-15T17:00:08","date_gmt":"2018-06-15T20:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=24377"},"modified":"2018-05-28T13:44:47","modified_gmt":"2018-05-28T16:44:47","slug":"transposicao-do-rio-sao-francisco-e-um-elefante-branco-construido-a-partir-de-um-argumento-falacioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/transposicao-do-rio-sao-francisco-e-um-elefante-branco-construido-a-partir-de-um-argumento-falacioso\/","title":{"rendered":"Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco \u00e9 um \u201celefante branco\u201d constru\u00eddo a partir de um argumento falacioso"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-WhEwr8WkCG4\/U8yMKXihVPI\/AAAAAAAAOoY\/PBmP_WsSMAY\/s1600\/NOVO+RIO.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para rio sao francisco seca\" \/><em><a class=\"o5rIVb irc_hol i3724 irc_lth\" tabindex=\"0\" href=\"http:\/\/xiquesampa.blogspot.com\/2014\/07\/seca-do-rio-sao-francisco-atinge.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-noload=\"\" data-ved=\"2ahUKEwiIwemO6qjbAhWJGpAKHVqvC8wQjB16BAgBEAQ\"><span class=\"irc_ho\" dir=\"ltr\">Xiquesampa<\/span><\/a><\/em><\/p>\n<p>Apesar de o projeto de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/569122-a-falta-de-integracao-do-sistema-de-distribuicao-de-agua-explica-a-crise-de-abastecimento-urbano-no-nordeste-entrevista-especial-com-joao-abner-guimaraes-junior\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0ter sido justificado por \u201cuma situa\u00e7\u00e3o de\u00a0exaust\u00e3o dos recursos h\u00eddricos\u00a0nas bacias receptoras, os quais j\u00e1 n\u00e3o seriam mais suficientes para o atendimento das demandas humanas, urbanas e rurais\u201d, esse argumento foi uma \u201cfal\u00e1cia\u201d, diz o ge\u00f3logo\u00a0Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail,\u00a0Patroc\u00ednio\u00a0explica que os sistemas de abastecimento das cidades da regi\u00e3o semi\u00e1rida nordestina \u201centram em colapso por uma ou pelo conjunto das raz\u00f5es seguintes: inexist\u00eancia de capacidade de regulariza\u00e7\u00e3o plurianual, 100% garantida, dos\u00a0reservat\u00f3rios\u00a0utilizados como fonte de abastecimento por sua baixa capacidade de acumula\u00e7\u00e3o (&#8230;); falta de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/572737-gestao-compartilhada-dos-recursos-hidricos-e-fundamental-para-enfrentar-crise-hidrica-do-rio-sao-francisco-entrevista-especial-com-anivaldo-miranda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">gerenciamento destes reservat\u00f3rios<\/a>, usando-os al\u00e9m de suas capacidades de regulariza\u00e7\u00e3o 100% garantida ou, ainda, obsolesc\u00eancia do sistema de abastecimento\u201d. A raz\u00e3o da\u00a0crise de abastecimento, insiste, \u201cnunca\u201d ocorreu \u201cpor falta de \u00e1gua nas respectivas bacias hidrogr\u00e1ficas locais\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, isso pode ser comprovado nas \u201crespostas das\u00a0Secretarias Estaduais de Recursos H\u00eddricos, respostas estas contidas no Of\u00edcio N\u00ba 373\/MI, datado de 16\/09\/2005, do\u00a0Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional\u00a0dirigido \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas &#8211; ANA, no qual estas Secretarias informam as vaz\u00f5es 100% garantidas de reservat\u00f3rios localizados nas bacias receptoras que poderiam suprir as demandas estimadas para o ano de 2025, com a seguran\u00e7a requerida, dos 12 milh\u00f5es de habitantes urbanos de cidades inseridas na regi\u00e3o semi\u00e1rida, inclusive\u00a0Fortaleza\/Cear\u00e1\u00a0e\u00a0Campina Grande, na\u00a0Para\u00edba\u201d.<\/p>\n<p>Cr\u00edtico \u00e0 obra de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/570767-funcionamento-do-eixo-leste-da-transposicao-do-rio-sao-francisco-demonstra-erros-e-fragilidade-do-projeto-entrevista-especial-com-joao-abner-guimaraes-junior\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco<\/a>,\u00a0Patroc\u00ednio\u00a0avalia que o melhor para a regi\u00e3o seria investir em projetos de distribui\u00e7\u00e3o e abastecimento a partir da\u00a0adu\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do S\u00e3o Francisco. Essa proposta, diz, seria suficiente para atender a demanda das grandes metr\u00f3poles nordestinas e alguns dos estados da regi\u00e3o\u00a0Nordeste Oriental.<\/p>\n<p>Patroc\u00ednio frisa ainda que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/560183-revitalizacao-do-sao-francisco-precisa-de-r-30-bilhoes-diz-comite-da-bacia-hidrografica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">revitaliza\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0e de sua bacia s\u00e3o necess\u00e1rias, mas n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para garantir que o rio recupere sua antiga vaz\u00e3o m\u00e9dia natural. \u201cEmbora importantes e necess\u00e1rias, estas medidas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reverter a situa\u00e7\u00e3o atual de disponibilidade h\u00eddrica do rio e de seus afluentes e reservat\u00f3rios superficiais. A raz\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a dr\u00e1stica do\u00a0regime hidrol\u00f3gico\u00a0de seus cursos d\u2019\u00e1gua e da vaz\u00e3o de suas fontes pela explora\u00e7\u00e3o incontrolada do fluxo de base, alteradas de perenes para intermitentes e, mesmo, ef\u00eameras\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o total da obra de\u00a0transposi\u00e7\u00e3o, afirma, ela \u201cpoder\u00e1 se transformar no que foi denominado de \u2018<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/551677-transposicao-do-sao-francisco-o-elefante-branco-nordestino-entrevista-especial-com-joao-suassuna\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">elefante branco<\/a>\u2019, na medida em que, com a ocorr\u00eancia de futuras secas, t\u00e3o prolongadas e agudas como foi esta \u00faltima, pode acontecer o esvaziamento total dos reservat\u00f3rios fundamentais, j\u00e1 que a vaz\u00e3o de base n\u00e3o mais ter\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, tornando-se insignificante ou nula\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/572215-estudo-revela-que-leito-do-rio-sao-francisco-recebe-23-milhoes-de-toneladas-de-sedimentos-por-ano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque<\/a>\u00a0\u00e9 graduado em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco \u2013 UFPE e mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Para\u00edba &#8211; UFPB. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Geoci\u00eancias, com \u00eanfase em Hidrogeologia. \u00c9 professor aposentado da Universidade Federal de Campina Grande \u2013 UFCG.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual seu diagn\u00f3stico sobre a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Inicialmente, foi vendida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de todo o\u00a0Brasil\u00a0e, n\u00e3o apenas do\u00a0Nordeste, uma situa\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/572737-gestao-compartilhada-dos-recursos-hidricos-e-fundamental-para-enfrentar-crise-hidrica-do-rio-sao-francisco-entrevista-especial-com-anivaldo-miranda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">exaust\u00e3o dos recursos h\u00eddricos<\/a>\u00a0nas bacias receptoras, os quais j\u00e1 n\u00e3o seriam mais suficientes para o atendimento das demandas humanas, urbanas e rurais. Com base em dados usados no pr\u00f3prio Projeto, elaborei um diagn\u00f3stico, ainda em junho de 2007 (portanto, quase 11 anos atr\u00e1s) em que mostrava a fal\u00e1cia deste argumento, como se pode ver no quadro a seguir, integrante daquele diagn\u00f3stico:<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela1_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/><em>Obs.: *- Demandas referidas ao ano 2003;\u00a0**- Demandas referidas ao ano 2023;\u00a0***- A parcela do Potencial est\u00e1 acrescida das Reservas Explor\u00e1veis do Sistema Aqu\u00edfero Aluvial.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Esclare\u00e7o que o que se denomina de\u00a0Potencial\u00a0\u00e9 a vaz\u00e3o m\u00e9dia de longo per\u00edodo, e\u00a0Disponibilidades, a vaz\u00e3o que se pode, com seguran\u00e7a (100% garantida, qualquer que seja o evento hidrometeorol\u00f3gico posterior), dispor anualmente em\u00a0reservat\u00f3rios superficiais\u00a0(maior parte) e pela explora\u00e7\u00e3o, por po\u00e7os, das \u00e1guas armazenadas e em circula\u00e7\u00e3o nos rios intermitentes de cada bacia.<\/p>\n<p><strong>Vulnerabilidade do abastecimento urbano com os recursos h\u00eddricos locais<\/strong><\/p>\n<p>Esta vulnerabilidade existiria manifestada pelo colapso dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531551-o-sistema-cantareira-risco-ou-oportunidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sistemas de abastecimento de cidades<\/a>\u00a0inseridas na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">regi\u00e3o semi\u00e1rida<\/a>\u00a0nordestina. \u00c9 uma verdade parcial. Na realidade, os sistemas de abastecimento destas cidades entram em colapso por uma ou pelo conjunto das raz\u00f5es seguintes: inexist\u00eancia de capacidade de regulariza\u00e7\u00e3o plurianual, 100% garantida, dos\u00a0reservat\u00f3rios\u00a0utilizados como fonte de abastecimento por sua baixa capacidade de acumula\u00e7\u00e3o que, para isso e, dependendo das demandas, devem ter capacidade de armazenamento de no m\u00ednimo 20 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de\u00a0\u00e1gua\u00a0(h\u00e1 cidades supridas com\u00a0a\u00e7udes\u00a0com capacidade de acumula\u00e7\u00e3o m\u00e1xima em torno de 3 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos, vulner\u00e1veis a secas de apenas um ano de dura\u00e7\u00e3o); falta de\u00a0gerenciamento destes reservat\u00f3rios, usando-os al\u00e9m de suas capacidades de regulariza\u00e7\u00e3o 100% garantida ou, ainda, obsolesc\u00eancia do sistema de abastecimento. Nunca, por\u00e9m, por falta de \u00e1gua nas respectivas\u00a0bacias hidrogr\u00e1ficas\u00a0locais. \u00c9 o que demonstram as respostas das\u00a0Secretarias Estaduais de Recursos H\u00eddricos, respostas estas contidas no Of\u00edcio N\u00ba 373\/MI, datado de 16\/09\/2005, do\u00a0Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional\u00a0dirigido \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas &#8211; ANA, no qual estas Secretarias informam as vaz\u00f5es 100% garantidas de reservat\u00f3rios localizados nas bacias receptoras que poderiam suprir as demandas estimadas para o ano de 2025, com a seguran\u00e7a requerida, dos 12 milh\u00f5es de habitantes urbanos de cidades inseridas na regi\u00e3o semi\u00e1rida, inclusive\u00a0Fortaleza\/Cear\u00e1\u00a0e\u00a0Campina Grande, na\u00a0Para\u00edba. O quadro abaixo sintetiza as informa\u00e7\u00f5es, contidas no referido Of\u00edcio.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela2_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/><em>Fonte: Estudos de Inser\u00e7\u00e3o Regional, Relat\u00f3rio Geral, Tomo I, Mar\u00e7o-2000 e Of. 373\/2005-MI.\u00a0<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/?id=560243\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cear\u00e1<\/a>\u00a0\u00e9 o estado mais useiro e vezeiro em usar vaz\u00f5es de seus reservat\u00f3rios superficiais superiores \u00e0quelas 100% garantidas, conforme se pode verificar em seu denominado\u00a0Atlas de Recursos H\u00eddricos. Usam descargas com 90% de garantia e o que eles chamam de volumes de alerta que ocorrem, exatamente, nos per\u00edodos de\u00a0secas plurianuais, quando os a\u00e7udes atingem seus volumes m\u00ednimos ou, mesmo, entram em estado de exaust\u00e3o total, o que ocorreu na recente seca, at\u00e9 com o maior deles, o\u00a0Castanh\u00e3o. O quadro a seguir mostra isso:<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela3_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>O uso, evidentemente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o\u00a0abastecimento humano, mas tamb\u00e9m, principalmente, a\u00a0irriga\u00e7\u00e3o\u00a0de seus per\u00edmetros.<\/p>\n<p>Fica evidente o porqu\u00ea de o\u00a0Cear\u00e1\u00a0ser o principal protagonista e defensor do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/558009-transposicao-do-rio-sao-francisco-ma-gestao-dos-recursos-hidricos-leva-nordeste-brasileiro-a-exaustao-entrevista-especial-com-joao-suassuna\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">projeto da transposi\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0que, de in\u00edcio, somente previa a constru\u00e7\u00e3o do\u00a0Eixo Norte. Foi preciso outro ministro, n\u00e3o por acaso, um paraibano, assumir a pasta da Integra\u00e7\u00e3o para que se acrescentasse o\u00a0Eixo Leste, que beneficiaria, justamente, a regi\u00e3o menos pluviosa do\u00a0Nordeste, a chamada\u00a0Regi\u00e3o dos Cariris Velhos da Para\u00edba, onde ficam os Alto e M\u00e9dio Cursos do\u00a0Rio Para\u00edba\u00a0e o a\u00e7ude denominado\u00a0Epit\u00e1cio Pessoa, popularmente conhecido como\u00a0Boqueir\u00e3o, que abastece a maior cidade do interior nordestino e mais 18 outras pequenas urbes no seu entorno. Mesmo nos Alto e M\u00e9dio Cursos do\u00a0Rio Para\u00edba, conforme se pode ver no primeiro quadro acima exposto, o confronto disponibilidades versus demandas mostrava um saldo positivo que exigiria, para isso, uma gest\u00e3o correta destas bacias hidrogr\u00e1ficas, com a opera\u00e7\u00e3o conjunta de a\u00e7udes existentes, refor\u00e7ada pelo\u00a0reservat\u00f3rio Acau\u00e3, ent\u00e3o conclu\u00eddo, com o objetivo de suplementar o Abastecimento de\u00a0Campina Grande. Seriam as disponibilidades aumentadas em 1,9 m3\/s, juntamente com os regularizados e 100% garantidos por\u00a0Boqueir\u00e3o, usando, por quest\u00e3o de seguran\u00e7a, a menor vaz\u00e3o de regulariza\u00e7\u00e3o das avaliadas em diversos estudos, conforme consta do quadro a seguir:<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela4_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Perfazia exatos 3,12 m3\/s superior \u00e0 demanda de\u00a0Campina Grande\u00a0e das 18 cidades vizinhas, da ordem de 1,5 m3\/s, ficando o resto para abastecer mais 11 cidades localizadas no\u00a0M\u00e9dio Para\u00edba, comprometendo, no total, 0,95 m3\/s da vaz\u00e3o firme garantida por\u00a0Acau\u00e3. Mas nada disso foi colocado em pr\u00e1tica, exatamente porque todos os governos voltaram suas vistas para o projeto da transposi\u00e7\u00e3o. Em consequ\u00eancia, continuaram a pr\u00e1tica delet\u00e9ria de uso excessivo das \u00e1guas em irriga\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o de ser implantada em per\u00edodo, com m\u00e9todos e cultivos ex\u00f3ticos, estranhos \u00e0s\u00a0condi\u00e7\u00f5es hidrometeorol\u00f3gicas\u00a0da regi\u00e3o, do que resulta a exacerba\u00e7\u00e3o do consumo de seus\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/571127-desperdicio-falhas-de-planejamento-e-ausencia-de-integracao-ameacam-os-recursos-hidricos-do-pais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">recursos h\u00eddricos<\/a>, inviabilizando os demais usos, mormente quando da ocorr\u00eancia de secas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Do ponto de vista dos recursos h\u00eddricos, por que o projeto da transposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria vi\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Bem, espero que esteja se referindo \u00e0 parte doadora, ou seja, \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/572438-crise-hidrica-rio-sao-francisco-esta-passando-pela-mais-severa-crise-hidrica-contemporanea-da-historia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bacia do S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0e seus reservat\u00f3rios fundamentais,\u00a0Tr\u00eas Marias\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/549172-maior-reservatorio-do-nordeste-sobradinho-tem-seca-historica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sobradinho<\/a>, que controlam a oferta de todos os demais. Na \u00e9poca, j\u00e1 havia, no trecho entre o alto e o m\u00e9dio\u00a0S\u00e3o Francisco, justamente onde se situam os citados reservat\u00f3rios fundamentais, conflitos de uso de suas vaz\u00f5es regularizadas com 100% de garantia. Embora a gera\u00e7\u00e3o de energia n\u00e3o seja um uso consuntivo, ele restringe o seu uso, na medida em que a vaz\u00e3o no trecho \u00e9 usada para gerar\u00a0energia hidrel\u00e9trica. Foi esta a causa do apag\u00e3o que o Complexo da CHESF [Companhia Hidrel\u00e9trica do S\u00e3o Francisco] sofreu nos idos de 2001, j\u00e1 que usavam, para gera\u00e7\u00e3o de energia, a vaz\u00e3o com 95% de garantia (2060 m3\/s, em vez dos 2044, calculados com base na s\u00e9rie hidrol\u00f3gica 1931-1960 (\u201cQue venha a Seca\u201d, Freitas, M. A. de Sousa, Rio de Janeiro, 2010). N\u00e3o havia saldo para os demais consumos, humanos, do gado e irriga\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existiam e foram aumentando com o tempo. Al\u00e9m disso, segundo o mesmo autor acima citado, nesta vaz\u00e3o de 2060 m3\/s havia a contribui\u00e7\u00e3o da deflu\u00eancia de\u00a0Tr\u00eas Marias\u00a0que era, \u00e0 \u00e9poca, 513 m3\/s. Hoje praticam muito menos pelas mesmas e \u00f3bvias raz\u00f5es de\u00a0uso acima da vaz\u00e3o\u00a0de regulariza\u00e7\u00e3o destes reservat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Mas a raz\u00e3o maior desta\u00a0redu\u00e7\u00e3o de vaz\u00e3o\u00a0nos dias atuais, escancaradas com seca de seis anos (2012-2017) rec\u00e9m-finda, n\u00e3o foi somente a dos fatores citados. Isto eu abordei como debatedor do tema \u201cSeguran\u00e7a H\u00eddrica para o Abastecimento Humano no Nordeste\u201d, por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o do\u00a0XII Simp\u00f3sio de Recursos h\u00eddricos do Nordeste, sediado em Natal\/RN, em nov.\/2014. A minha palestra teve o t\u00edtulo \u201c<em>Seguran\u00e7a H\u00eddrica para o Abastecimento Humano no Nordeste e \u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/em>\u201d. Al\u00e9m das considera\u00e7\u00f5es sobre a\u00a0composi\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o de um rio perene, ilustradas com figuras, apresentei o caso de\u00a0Sobradinho\u00a0como forma de comprovar as minhas considera\u00e7\u00f5es. Resumo o que disse sobre as vaz\u00f5es, afluente m\u00e9dia e m\u00ednima dos m\u00ednimos registrada no trabalho \u201c<em>Aloca\u00e7\u00e3o de \u00c1gua baseada nas Ofertas e Demanda H\u00eddricas<\/em>\u201d (Freitas, M. A. de Sousa &amp; Gondim Filho, J. G. C., in: Anais do VII Simp\u00f3sio de Recursos H\u00eddricos do Nordeste, 2004, S\u00e3o Lu\u00eds\/MA). Para isso, estes autores usaram uma s\u00e9rie hidrol\u00f3gica de dados muito maior, a de vaz\u00f5es medidas no per\u00edodo 1931-2001. Entretanto, eles nada abordaram sobre a composi\u00e7\u00e3o destas vaz\u00f5es, o que fiz na minha palestra.<\/p>\n<p>A vaz\u00e3o m\u00e9dia de um rio de\u00a0regime hidrol\u00f3gico perene\u00a0\u00e9 composta de duas parcelas: o escoamento superficial direto, viabilizado, imediatamente, com as chuvas ca\u00eddas na bacia hidrogr\u00e1fica; e o escoamento denominado de base, que prov\u00e9m do processo da recarga, escoamento e descarga de \u00e1gua subterr\u00e2nea que comp\u00f5em um sistema de aqu\u00edfero. Esta segunda parcela constitui a vaz\u00e3o m\u00ednima de um rio perene, respons\u00e1vel, mesmo na esta\u00e7\u00e3o de estiagem, prolongada (secas) ou n\u00e3o por esse regime hidrol\u00f3gico. No caso do\u00a0rio S\u00e3o Francisco, na bacia controlada por\u00a0Sobradinho, dois s\u00e3o os sistemas aqu\u00edferos que suprem a vaz\u00e3o de base ou vaz\u00f5es m\u00ednimas: o\u00a0Sistema S\u00e3o Francisco\u00a0contido na bacia sedimentar hom\u00f4nima, situada a montante do mesmo, com seus\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/536664-a-complexa-teia-hidrica-que-brota-do-cerrado-esta-ameacada-entrevista-especial-com-altair-sales-barbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqu\u00edferos<\/a>, dos quais o\u00a0Urucuia, o\u00a0Areado\u00a0e o\u00a0Bambu\u00ed\u00a0s\u00e3o os principais e o\u00a0Sistema Aluvial, armazenado e em circula\u00e7\u00e3o nos aluvi\u00f5es do rio e de seus afluentes. A figura a seguir mostra isso, embora, por problemas de escala, n\u00e3o seja poss\u00edvel mapear o Sistema Aluvial.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das bacias hidrogr\u00e1ficas nordestinas e dos aqu\u00edferos em torno do S\u00e3o Francisco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Na\u00a0bacia hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco, alimentando-a, existem cinco sistemas. O principal deles e o maior do\u00a0Nordeste, por mais armazenar \u00e1gua, produzir escoamento, \u00e9 o\u00a0sistema S\u00e3o Francisco, contido na bacia sedimentar hom\u00f4nima, de idade Fanerozoica, tendo como principais aqu\u00edferos as\u00a0Forma\u00e7\u00f5es Urucuia e Areado\u00a0e o\u00a0Grupo de Forma\u00e7\u00f5es denominado Bambu\u00ed. Os demais sistemas s\u00e3o, na dire\u00e7\u00e3o da jusante do Rio, o\u00a0Araripe, representado pelos\u00a0aqu\u00edferos Exu e Tacaratu\u00a0(pouco produtivos porque fracionados em sua extens\u00e3o, situados nos afluentes que nascem nos limites com o Estado do Cear\u00e1); o\u00a0sistema Rec\u00f4ncavo-Tucano-Jatob\u00e1, representado pelos\u00a0aqu\u00edferos Marizal,\u00a0S\u00e3o Sebasti\u00e3o\u00a0e\u00a0Inaj\u00e1, sendo as fra\u00e7\u00f5es\u00a0Tucano\u00a0e\u00a0Jatob\u00e1\u00a0as que afloram na bacia sanfranciscana; o Sistema Alagoas-Sergipe, ocorrente na foz do rio e adentrando o\u00a0Oceano Atl\u00e2ntico; e, finalmente, o sistema Aluvial, ocorrendo em manchas descont\u00ednuas e de litologias variadas de dep\u00f3sitos aluviais que atapetam os vales do rio e de seus afluentes, sendo mais significativa a sua ocorr\u00eancia dentro dos cursos do\u00a0Alto e M\u00e9dio S\u00e3o Francisco. Todos estes sistemas s\u00e3o embasados por rochas do\u00a0Cristalino, regionalmente imperme\u00e1veis.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela5_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/><em>Fonte: Programa de A\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas para o Gerenciamento Integrado da Bacia do Rio S\u00e3o Francisco e da sua Zona Costeira, Relat\u00f3rio Final, ANA\/GEF\/PNUMA\/OEA, Bras\u00edlia, 2004.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Toda esta \u00e1gua subterr\u00e2nea contribu\u00eda, em termos de vaz\u00e3o m\u00e9dia anual, com 47,34% da vaz\u00e3o total do rio que aflui \u00e0 barragem\u00a0Sobradinho. A figura a seguir comprova esta afirma\u00e7\u00e3o. Nesta s\u00e9rie de dados, verifica-se que a vaz\u00e3o m\u00e9dia anual \u00e9 de 2706 m3\/s e a m\u00e9dia anual dos m\u00ednimos escoamentos mensais verificados \u00e9 de 1281 m3\/s, com um m\u00ednimo dos m\u00ednimos registrado em outubro\/1999. Duas outras observa\u00e7\u00f5es: as menores vaz\u00f5es m\u00ednimas ocorreram na \u00faltima d\u00e9cada, sempre quando a vaz\u00e3o m\u00e9dia do ano respectivo foi inferior \u00e0 descarga de 2706 m3\/s, o que indica uma influ\u00eancia da seca na redu\u00e7\u00e3o do escoamento de base, mas sem nunca atingir os valores m\u00ednimos dos m\u00ednimos que ocorreram nos meses posteriores a 2001, na esta\u00e7\u00e3o de estiagem.<\/p>\n<p>Outra observa\u00e7\u00e3o que deve ser feita \u00e9 que a vaz\u00e3o m\u00e9dia anual da s\u00e9rie 1931-1960 foi reduzida. Era de 2850 m3\/s, tendo havido um decr\u00e9scimo de 144 m3\/s, provavelmente devido \u00e0 crescente explora\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o de base, induzida para po\u00e7os tubulares profundos que s\u00e3o perfurados de forma descontrolada e sem outorga de uso pelo \u00f3rg\u00e3o competente, a\u00a0ANA. Os dados que se transcreve aqui sobre uso de \u00e1gua subterr\u00e2nea, objeto de outorgas por po\u00e7os, est\u00e3o contidos no seguinte trabalho: Usos M\u00faltiplos na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/559408-revitalizar-o-rio-sao-francisco-passa-por-mudar-as-atividades-produtivas-apontam-pesquisadores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco<\/a>, Pol\u00edticas e Prioridades, de autoria do engenheiro h\u00eddrico\u00a0Pedro Ant\u00f4nio Molinas, para o\u00a0Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco &#8211; CBHSF \u2013 AGB Peixe Vivo, em junho\/2013. O quadro a seguir mostra, entre outras outorgas, a de\u00a0\u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela7_fonte_jose_patrocinio_300.png\" alt=\"\" width=\"754\" height=\"515\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela, como se pode ver, \u00e9 de apenas 22 m3\/s. Longe da realidade praticada, como se ver\u00e1 adiante.<\/p>\n<p>J\u00e1 no trabalho seguinte, denominado \u201c<em>Concep\u00e7\u00e3o de uma Estrat\u00e9gia Robusta para a Gest\u00e3o dos usos M\u00faltiplos das \u00c1guas na Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco \u2013 Cen\u00e1rios<\/em>\u201d, realizado pelo Dr.\u00a0Rodolpho H. Ramina, em dezembro de 2014, para o mesmo CBHSF &#8211; AGB Peixe Vivo, no cap\u00edtulo 4.2 \u2013 Expans\u00e3o da Agroind\u00fastria nas Bacias hidrogr\u00e1ficas Afluentes, est\u00e1 escrito o seguinte: \u201cAtualmente est\u00e3o em elabora\u00e7\u00e3o os\u00a0Planos de Recursos H\u00eddricos das Bacias dos rios Grande e Corrente, situados no\u00a0cerrado baiano\u00a0e principalmente sobre o\u00a0aqu\u00edfero Urucuia. Segundo os estudos destes Planos, ainda com resultados preliminares, o total de demanda outorgado para o setor da agricultura, pecu\u00e1ria, misto e agroind\u00fastria somam 201.108 L\/s em 2013\u201d. Os\u00a0rios Grande e Corrente\u00a0s\u00e3o apenas dois dos mais de 10 afluentes que s\u00e3o (ou eram) perenes, antes da explora\u00e7\u00e3o destes aqu\u00edferos para irriga\u00e7\u00e3o. Isto j\u00e1 mostra um conflito de uso dos recursos h\u00eddricos que afluem a\u00a0Sobradinho, com maior participa\u00e7\u00e3o, como n\u00e3o poderia deixar de ser, da\u00a0agroind\u00fastria.<\/p>\n<p>Posteriormente, o mesmo\u00a0Rodolpho Ramina\u00a0fez nova incurs\u00e3o de estudos sobre o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/382\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cerrado<\/a>, compreendendo as \u00e1reas lim\u00edtrofes aos Estados de\u00a0Minas Gerais,\u00a0Goi\u00e1s,\u00a0Bahia\u00a0e\u00a0Tocantins, onde a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 extensiva e intensivamente praticada. A fotografia a\u00e9rea, mostrada a seguir, d\u00e1 uma ideia da magnitude da \u00e1rea irrigada citada. Ela foi tirada pelo engenheiro Dr.\u00a0Rodolpho Ramina, no final do ano de 2014, postada por ele no site de debates da\u00a0ABRH\u00a0\u2013\u00a0Gest\u00e3o, juntamente com um relato sobre a sua incurs\u00e3o sobre o assunto, do qual destaco o seguinte coment\u00e1rio: \u201cL\u00e1 em cima dos chapad\u00f5es,\u00a0piv\u00f4s de irriga\u00e7\u00e3o. Medimos. Com um di\u00e2metro em torno de 1.250 m, eles chegam a ter 125 hectares cada. H\u00e1 centenas deles. Talvez mais de mil. As imagens de sat\u00e9lite de 2012 mostram uns 320 mil hectares com eles em todo o oeste baiano\u201d.<\/p>\n<p>Isto significa um consumo de, pelo menos, uns 300 m3\/s na\u00a0irriga\u00e7\u00e3o. Como h\u00e1 outros po\u00e7os destinados a outros tipos de usos, pode-se conjecturar uma vaz\u00e3o ainda maior retirada do\u00a0Sistema Aqu\u00edfero S\u00e3o Francisco. Os reflexos disto se traduzem n\u00e3o somente nas vaz\u00f5es afluentes e defluentes de Sobradinho, como na mudan\u00e7a do regime dos rios da margem esquerda do\u00a0S\u00e3o Francisco. \u00c9 o caso do\u00a0rio Verde Grande, antes perene e, hoje, ef\u00eamero, conforme se pode comprovar na figura a seguir:<\/p>\n<p>Esta observa\u00e7\u00e3o de que, at\u00e9 o ano de 2003, o\u00a0Verde Grande\u00a0n\u00e3o havia ficado completamente seco \u00e9 a prova definitiva de que outros eventos de estiagem prolongada n\u00e3o haviam alterado o regime do rio, mesmo quando da ocorr\u00eancia da menor vaz\u00e3o m\u00e9dia anual registrada em 1999 na\u00a0bacia do rio S\u00e3o Francisco, controlada por\u00a0Sobradinho. E a grande e inusitada seca somente viria a ocorrer nove anos depois, a partir de novembro de 2012. Com a explora\u00e7\u00e3o desenfreada do\u00a0Sistema Aqu\u00edfero S\u00e3o Francisco, j\u00e1 no m\u00eas de outubro de 2015, \u00faltimo do per\u00edodo chuvoso da bacia hidrogr\u00e1fica sanfranciscana, a deflu\u00eancia de\u00a0Tr\u00eas Marias\u00a0iguala a aflu\u00eancia de Sobradinho, do que se pode inferir que o fluxo de base j\u00e1 estava zerado em 16\/10\/15 e que a deflu\u00eancia de Sobradinho \u00e9 toda ela suprida pelo volume \u00fatil, ainda acumulado em seu reservat\u00f3rio (cerca de 2,25 bilh\u00f5es de m3), conforme estimado da figura a seguir, postada pelo\u00a0ONS\u00a0[Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico].<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela8_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Esta previs\u00e3o de n\u00edvel zero nos dois reservat\u00f3rios considerados no quadro acima, n\u00e3o se concretizou porque reduziram as deflu\u00eancias, progressivamente, at\u00e9 atingir os n\u00edveis de descarga para os 665 m3\/s e 158 m3\/s atuais, praticados em\u00a0Sobradinho\u00a0e\u00a0Tr\u00eas Marias, respectivamente, conforme dados do\u00a0Boletim da Sala de Situa\u00e7\u00e3o\u00a0do dia 23\/05\/2018, apresentado a seguir:<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela9_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se deveu \u00e0\u00a0libera\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es superiores\u00a0\u00e0 de regulariza\u00e7\u00e3o e, mesmo, \u00e0 vaz\u00e3o m\u00ednima que deveria ser praticada quando da ocorr\u00eancia de secas. A figura a seguir evidencia esta opera\u00e7\u00e3o esdr\u00faxula no\u00a0reservat\u00f3rio Sobradinho, inclusive j\u00e1 no primeiro ano seco de 2012, estendendo-se at\u00e9 o m\u00eas de maio\/2014.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela10_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Esta \u00e1gua fez falta nos anos seguintes, chegando a reduzir o volume \u00fatil de\u00a0Sobradinho\u00a0a um percentual m\u00ednimo de 1%. E n\u00e3o secou porque reduziram, antes e drasticamente, a vaz\u00e3o defluente para abaixo do m\u00ednimo avaliado (1300 m3\/s, representado pela reta verde na figura acima). A figura a seguir mostra a situa\u00e7\u00e3o ocorrida e verificada em novembro de 2016 e quase repetida em novembro de 2017.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela11_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Os efeitos adversos desta opera\u00e7\u00e3o colocada em pr\u00e1tica pela\u00a0ANA, se evitam o pior (esvaziamento dos reservat\u00f3rios fundamentais e, consequentemente, de todas as demandas, consuntivas ou n\u00e3o), resultam em situa\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis a estas demandas e, tamb\u00e9m, ao meio ambiente, na medida em que inviabilizam navega\u00e7\u00e3o, causam a interioriza\u00e7\u00e3o da interface \u00e1gua doce dos rios e aqu\u00edferos\/\u00e1gua salgada da costa marinha, prejudicando o abastecimento humano, das comunidades ribeirinhas, rurais e urbanas, inclusive a da capital sergipana,\u00a0Aracaju, j\u00e1 que estas \u00e1guas se tornaram impot\u00e1veis para o consumo humano, entre outros efeitos delet\u00e9rios \u00e0s\u00a0vidas animal e vegetalsupridas pelo\u00a0Rio S\u00e3o Francisco\u00a0e seus afluentes.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por que o semi\u00e1rido n\u00e3o tem \u00e1gua subterr\u00e2nea para grandes consumos? E qual \u00e9 a import\u00e2ncia da \u00e1gua subterr\u00e2nea no contexto da bacia hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Esta regi\u00e3o \u00e9 pobre em\u00a0\u00e1guas subterr\u00e2neas\u00a0por duas raz\u00f5es complementares. A primeira \u00e9 que, regionalmente, ela \u00e9, predominantemente, constitu\u00edda por rochas \u00edgneas e metam\u00f3rficas (o chamado\u00a0Cristalino) que s\u00e3o, por suas origens, imperme\u00e1veis, n\u00e3o havendo condi\u00e7\u00f5es de porosidade eficaz e permeabilidade, indicadores de armazenamento e circula\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/527810-as-aguas-subterraneas-sao-um-recurso-pouco-entendido-e-ainda-pouco-apreciado-entrevista-especial-com-ricardo-hirata\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e1gua subterr\u00e2nea<\/a>\u00a0em seu interior, em quantidades significativas. Quem tem estas propriedades s\u00e3o as rochas sedimentares detr\u00edticas de granulometria compat\u00edvel (as argilas s\u00e3o porosas, mas n\u00e3o s\u00e3o perme\u00e1veis) \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos. Localmente, o\u00a0Cristalino\u00a0pode se apresentar com fraturas, desde que sejam formados por a\u00e7\u00e3o de for\u00e7as tect\u00f4nicas distensivas, que permitem uma acumula\u00e7\u00e3o modesta das \u00e1guas nele infiltradas que s\u00e3o poucas, j\u00e1 que estes fraturamentos s\u00e3o dimensionalmente pequenos e descont\u00ednuos, dificultando a sua recarga que somente \u00e9 feita nos per\u00edodos chuvosos, atrav\u00e9s de trechos da\u00a0rede hidrogr\u00e1fica\u00a0neles encaixados.<\/p>\n<p>A segunda raz\u00e3o \u00e9 de natureza meteorol\u00f3gica: as precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas s\u00e3o irregulares, de m\u00f3dulos pequenos, do que resultam os fen\u00f4menos das secas e a ocorr\u00eancia dos chamados \u201cveranicos\u201d, eventos que limitam o escoamento da rede hidrogr\u00e1fica, tiram a umidade do solo e minimizam ou anulam a infiltra\u00e7\u00e3o efetiva, aquela que deveria alimentar o que eu denomino de \u201czona aqu\u00edfera cristalina!\u201d. Os po\u00e7os nela perfurados, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, t\u00eam vaz\u00e3o baixa e n\u00e3o suportam bombeamentos constantes e por longo per\u00edodo de tempo. J\u00e1 as rochas sedimentares embasam as bacias hidrogr\u00e1ficas situadas, em sua maioria, na regi\u00e3o costeira do\u00a0Nordeste, cujos rios s\u00e3o perenes devido \u00e0 aludida contribui\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o de base proveniente de seus respectivos\u00a0sistemas aqu\u00edferos.<\/p>\n<p><strong>Sistemas aqu\u00edferos<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\"><em>Mesmo os maiores\u00a0sistemas aqu\u00edferos, aqui e em todo o\u00a0Planeta Terra, t\u00eam que ter uma\u00a0explora\u00e7\u00e3o limitada\u00a0pelas demandas ambientais de seus ecossistemas vegetais e animais, que s\u00e3o associados e n\u00e3o isolados e dependentes apenas das \u00e1guas da\u00a0esta\u00e7\u00e3o chuvosa &#8211; Jos\u00e9 Albuquerque<\/em><\/p>\n<p>Mesmo os maiores\u00a0sistemas aqu\u00edferos, aqui e em todo o\u00a0Planeta Terra, t\u00eam que ter uma\u00a0explora\u00e7\u00e3o limitada\u00a0pelas demandas ambientais de seus ecossistemas vegetais e animais, que s\u00e3o associados e n\u00e3o isolados e dependentes apenas das \u00e1guas da\u00a0esta\u00e7\u00e3o chuvosa. \u00c9 a\u00a0\u00e1gua subterr\u00e2nea\u00a0que assegura a continuidade da vida destes ecossistemas no per\u00edodo entre eventos de chuvas. A Natureza usa de fen\u00f4menos como o xerofitismo nos\u00a0climas semi\u00e1ridos e \u00e1ridos\u00a0e a hiberna\u00e7\u00e3o nos\u00a0climas temperados\u00a0para manter estes ecossistemas, inclusive a vida humana. Transcrevo aqui, trechos de um trabalho, com sua ilustra\u00e7\u00e3o, sobre a superexplora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea em v\u00e1rias partes do mundo resultante de uma nova pesquisa desenvolvida pelaUniversidade de Utrecht, na\u00a0Holanda, e a\u00a0Escola de Minas do Colorado, nos\u00a0EUA, e apresentada durante a\u00a0Reuni\u00e3o de C\u00fapula da Uni\u00e3o Geof\u00edsica Americana de 2016: \u201c<em>Maiores fontes de \u00e1gua doce acess\u00edvel em todo o mundo, os recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos s\u00e3o de import\u00e2ncia cr\u00edtica para a irriga\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a alimentar global. Nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas, por\u00e9m, a superexplora\u00e7\u00e3o para atender a ind\u00fastria e a agricultura poder\u00e1 levar \u00e0 exaust\u00e3o esses recursos em partes da \u00cdndia, do sul da Europa e nos Estados Unidos. E quando isso acontecer, cerca de 1,8 bilh\u00e3o de pessoas no mundo poder\u00e3o viver em \u00e1reas onde os n\u00edveis de \u00e1gua subterr\u00e2neos estar\u00e3o totalmente esgotados ou pr\u00f3ximos disso<\/em>\u201d.<\/div>\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\"><\/div>\n<\/div>\n<p>As reservas de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/552593-mau-uso-da-agua-subterranea-agrava-a-crise-hidrica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e1gua subterr\u00e2nea<\/a>\u00a0s\u00e3o permanentes ou n\u00e3o? A sua explora\u00e7\u00e3o causa algum tipo de implica\u00e7\u00e3o em outros recursos h\u00eddricos? Em\u00a0hidrogeologia, a vaz\u00e3o de base \u00e9 um dos componentes da denominada\u00a0Reserva Renov\u00e1vel de Sistemas Aqu\u00edferos, que fica logo acima das chamadas Reservas permanentes as quais, inadvertidamente, alguns autores acham que tamb\u00e9m devem ser objeto de bombeamento. O outro componente \u00e9 o escoamento sub-superficial que sai no Oceano, se o Sistema tem liga\u00e7\u00e3o com o estu\u00e1rio marinho. N\u00e3o \u00e9 este o caso dos sistemas controlados por\u00a0Sobradinho, totalmente interiorano. Mas, pelo que se pode inferir do texto at\u00e9 aqui escrito, as reservas de\u00a0\u00e1gua subterr\u00e2neas\u00a0n\u00e3o s\u00e3o, em sua totalidade, permanentes. Existem, como vimos, uma parte anualmente renov\u00e1vel pelo ciclo hidrol\u00f3gico natural das \u00e1guas, relacionadas com a precipita\u00e7\u00e3o e sua reparti\u00e7\u00e3o com os demais componentes do ciclo, do que se destacam as trocas entre os escoamentos superficiais e subterr\u00e2neos. A figura a seguir esclarece como se processam estas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/28_05_tabela12_fonte_jose_patrocinio.png\" alt=\"\" \/><em>Fonte: \u00c1gua Subterr\u00e2nea no Planeta \u00c1gua (Albuquerque, J. do P. T. in Estudos Geol\u00f3gicos, volume 17 (1), p. 23 a 39, DG\/CTG\/UFPE, Recife\/PE, 2007).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>A parcela dita permanente \u00e9 a que, no\u00a0Subsistema Livre, ocorre abaixo do talvegue dos\u00a0cursos d\u2019\u00e1gua superficiais. Ao atingi-la, os rios perdem a sua vaz\u00e3o de base e, na parte costeira, provoca a interioriza\u00e7\u00e3o da cunha salina das \u00e1guas marinhas. No caso do Subsistema sob press\u00e3o (semiconfinado), a reserva \u00e9 aquela que se estende para al\u00e9m do limite superior do aqu\u00edfero que o representa e que tem como limite superior a linha piezom\u00e9trica situada abaixo da linha hidrost\u00e1tica regional (resultante da troca entre os dois subsistemas). Esta press\u00e3o \u00e9 exercida pelo peso do contexto s\u00f3lido\/\u00e1gua sobrejacente ao\u00a0aqu\u00edfero\u00a0que reage por suas propriedades el\u00e1stico-compressivas, permitindo o ac\u00famulo de mais \u00e1gua, al\u00e9m daquela que armazena em fun\u00e7\u00e3o de sua porosidade eficaz. A press\u00e3o do peso do pacote sobrejacente (press\u00e3o efetiva) \u00e9 anulada pela press\u00e3o da \u00e1gua (press\u00e3o neutra), exercida no dom\u00ednio do espa\u00e7o poroso. Ao ser retirada \u00e1gua por po\u00e7os perfurados neste aqu\u00edfero, a press\u00e3o neutra \u00e9 anulada totalmente, provocando o fen\u00f4meno da subsid\u00eancia dos terrenos superficiais (solos), causando danos \u00e0s edifica\u00e7\u00f5es civis neles constru\u00eddas. Portanto, nem a parcela renov\u00e1vel, nem a sob press\u00e3o podem ser exploradas totalmente, n\u00e3o existindo, consequentemente, reservas de\u00a0\u00e1guas subterr\u00e2neas permanentes. Se estas forem assim exploradas, elas entrar\u00e3o em est\u00e1gio definitivo de exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Conclui-se, de tudo o que foi exposto at\u00e9 aqui, respondendo \u00e0 sua pergunta sobre\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/567907-a-transposicao-do-rio-sao-francisco-e-um-ralo-de-dinheiro-publico-entrevista-especial-com-ruben-siqueira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diagn\u00f3stico da transposi\u00e7\u00e3o<\/a>, em que abordei os problemas de oferta e de demanda h\u00eddricas das\u00a0bacias hidrogr\u00e1ficas\u00a0receptoras e doadora, que a transposi\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo de vaz\u00e3o projetada, os 26,4 m3\/s, n\u00e3o teriam um impacto t\u00e3o negativo se a\u00a0bacia do Rio S\u00e3o Francisco, com seus reservat\u00f3rios fundamentais e os sistemas aqu\u00edferos por eles controlados, estivessem sendo corretamente geridos e operados, embora essa transfer\u00eancia n\u00e3o fosse, absolutamente, necess\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Recentemente um relat\u00f3rio da Controladoria Geral da Uni\u00e3o \u2013 CGU concluiu que a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco apresenta problemas de planejamento capazes de impedir a opera\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da transposi\u00e7\u00e3o. Esse diagn\u00f3stico j\u00e1 era previsto? Se sim, como se explica, na sua avalia\u00e7\u00e3o, o fato de a obra ter ido adiante at\u00e9 sua conclus\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\"><em>A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel [para a transposi\u00e7\u00e3o]\u00a0\u00e9 que o\u00a0interesse pol\u00edtico-eleitoreiro\u00a0prevaleceu sobre os estudos t\u00e9cnicos que deveriam ter sido aprofundados pelos que planejaram e executaram o Projeto &#8211; Jos\u00e9 Albuquerque<\/em><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel, embora muitos destes problemas tenham sido abordados superficialmente nos estudos contidos no relat\u00f3rio do\u00a0EIA\/RIMA, \u00e9 que o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/579002-falhas-na-transposicao-do-rio-sao-francisco-revelam-a-finalidade-da-obra-patrocinar-latifundios-e-coroneis-da-politica-regional-entrevista-especial-com-altair-sales-barbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">interesse pol\u00edtico-eleitoreiro<\/a>\u00a0prevaleceu sobre os estudos t\u00e9cnicos que deveriam ter sido aprofundados pelos que planejaram e executaram o Projeto.<\/div>\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Do ponto de vista t\u00e9cnico, quais s\u00e3o os problemas com a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Aqui vou me referir ao problema de dimensionamento dos canais que conduzem as \u00e1guas dos pontos de capta\u00e7\u00e3o dos\u00a0Eixos Norte e Leste\u00a0e \u00e0 op\u00e7\u00e3o por este tipo de obra. Em termos dimensionais, os dois eixos foram planejados e constru\u00eddos para transportarem suas vaz\u00f5es m\u00e1ximas, respectivamente, 99 m3\/s e 28 m3\/s, perfazendo uma retirada total de 127 m3\/s da vaz\u00e3o defluente, o que seria poss\u00edvel quando\u00a0Sobradinho\u00a0sangrasse ou atingisse o seu \u201cvolume de espera\u201d, o qual deveria ser esvaziado para evitar problemas como, por exemplo, o decorrente da ocorr\u00eancia de cheias catastr\u00f3ficas a jusante do mesmo. Como eventos desses tipos t\u00eam um tempo de retorno ou ocorr\u00eancia grande (e ficou muito maior devido \u00e0s secas, cada vez mais severas, influenciadas pelo aquecimento global, e pela explora\u00e7\u00e3o descontrolada dos\u00a0sistemas aqu\u00edferos, conforme aqui exposto), esse foi um erro crasso do projeto, na medida em que n\u00e3o obedeceram ao que mandam os comp\u00eandios de planejamento de canais. Eles s\u00e3o planejados para conduzir uma vaz\u00e3o constante e n\u00e3o vari\u00e1vel no tempo. Para isso, s\u00e3o dimensionados em fun\u00e7\u00e3o do que se denomina de \u201cper\u00edmetro molhado do canal\u201d, que com suas \u00e1guas deve saturar algo da ordem de 75% do volume conduzido pelo mesmo.<\/p>\n<p>Ora, planejado para conduzir o m\u00e1ximo, como foi constru\u00eddo, e n\u00e3o preenchendo o espa\u00e7o vazio do per\u00edmetro molhado, o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que as abas e fundo dos canais ficam muito mais sujeitos a fraturamentos resultantes da contra\u00e7\u00e3o e da dilata\u00e7\u00e3o t\u00e9rmicas, que ocorrem durante as horas, esta\u00e7\u00f5es, dias e anos frios e quentes por onde os canais passam. Al\u00e9m de sofrerem outras intemp\u00e9ries, inclusive qualitativas, causadas pelo lan\u00e7amento de esgotos dom\u00e9sticos, urbanos, principalmente. O\u00a0Eixo Leste\u00a0\u00e9 uma exterioriza\u00e7\u00e3o precoce destes problemas. Ali\u00e1s, fraturamentos j\u00e1 ocorreram em outros trechos de canais, antes da conclus\u00e3o do Projeto. O caso do\u00a0Eixo Leste\u00a0em\u00a0Monteiro\/PB\u00a0\u00e9 emblem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0s respostas de suas outras perguntas, n\u00e3o relacionadas diretamente com a quest\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/558009-transposicao-do-rio-sao-francisco-ma-gestao-dos-recursos-hidricos-leva-nordeste-brasileiro-a-exaustao-entrevista-especial-com-joao-suassuna\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">transposi\u00e7\u00e3o<\/a>, mas que, de alguma forma, subsidia as observa\u00e7\u00f5es e esclarecimentos adicionais ao diagn\u00f3stico at\u00e9 aqui realizado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que constitui o Invent\u00e1rio Hidrogeol\u00f3gico B\u00e1sico do Nordeste, editado pela antiga Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste &#8211; Sudene no fim dos anos 60 e in\u00edcio dos anos 70, do qual o senhor participou? Que mapeamento hidrol\u00f3gico foi feito pelo invent\u00e1rio \u00e0 \u00e9poca e o que esse mapeamento j\u00e1 demonstrava sobre a situa\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0O\u00a0Invent\u00e1rio Hidrogeol\u00f3gico B\u00e1sico do Nordeste\u00a0foi o primeiro trabalho t\u00e9cnico, espec\u00edfico e sistem\u00e1tico sobre as\u00a0\u00e1guas subterr\u00e2neas\u00a0do\u00a0Nordeste\u00a0sudeniano. Foi uma iniciativa do meu ilustre colega\u00a0Aldo da Cunha Rebou\u00e7as, infelizmente j\u00e1 falecido. O invent\u00e1rio, al\u00e9m de um levantamento dos diversos tipos de po\u00e7os perfurados nesta \u00e1rea, reunidos em um Cadastro, devidamente padronizado, teve a constitu\u00ed-lo uma caracteriza\u00e7\u00e3o hidrogeol\u00f3gica de todos os\u00a0aqu\u00edferos\u00a0que ocorrem na Regi\u00e3o. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o compreendeu a parte geol\u00f3gica, devidamente mapeada, sobre a qual se descreveram as condi\u00e7\u00f5es de armazenamento das \u00e1guas subterr\u00e2neas em termos quantitativos e qualitativos. Foram levantados dados de fichas de po\u00e7os e, a partir da\u00ed, visitas de campo com o fim de serem locados no mapa. A caracteriza\u00e7\u00e3o consistiu numa estimativa do volume armazenado em cada aqu\u00edfero, usando-se, para isso, os fatores que o determinam, a porosidade eficaz ou o coeficiente de armazenamento, este para o caso de aqu\u00edferos confinados. Devo dizer que, \u00e0 \u00e9poca, as \u00e1guas subterr\u00e2neas eram vistas (e ainda hoje s\u00e3o, tanto por alguns hidroge\u00f3logos como por hidr\u00f3logos) como um compartimento isolado dos demais recursos h\u00eddricos acumulados e em circula\u00e7\u00e3o em superf\u00edcie, como rios e reservat\u00f3rios naturais e artificiais erigidos sobre o solo. Alguns autores do Invent\u00e1rio, sem que isso fosse regra a ser seguida, tamb\u00e9m descreveram algumas caracter\u00edsticas de bacias hidrogr\u00e1ficas. Todos trataram de outros aspectos importantes no contexto dos aspectos hidrogeol\u00f3gicos, tais como as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, sua distribui\u00e7\u00e3o espacial e temporal, a influ\u00eancia do relevo etc.<\/p>\n<p>Na parte qualitativa foi realizada uma caracteriza\u00e7\u00e3o f\u00edsico-qu\u00edmica de suas \u00e1guas, com \u00eanfase a uma determina\u00e7\u00e3o de sua salinidade total, inclusive com determina\u00e7\u00e3o, em campo, do chamado Res\u00edduo Seco, devidamente registrado no respectivo mapa hidrogeol\u00f3gico. No caso da \u00e1rea sanfranciscana, composta de v\u00e1rias Folhas mapeadas (eram assim chamadas as \u00e1reas divididas e responsabilizadas a cada hidroge\u00f3logo), com base na cartografia elaborada pelo\u00a0IBGE\u00a0na escala 1:500.000, foram apresentadas poucas informa\u00e7\u00f5es, talvez porque, naquele tempo, havia pouco uso das \u00e1guas subterr\u00e2neas. Em algumas destas folhas constam mapas piezom\u00e9tricos de \u00e1guas subterr\u00e2neas, mas sem maiores informa\u00e7\u00f5es sobre como elas (as \u00e1guas subterr\u00e2neas) se relacionavam, em termos quantitativos com as \u00e1guas fluviais adjacentes.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A partir desse invent\u00e1rio, como foi feito o planejamento h\u00eddrico do Nordeste?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Houve, ainda na d\u00e9cada de 1970, um trabalho com estudos mais detalhados das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/558555-a-tradicional-industria-da-seca-permite-que-o-sertanejo-morra-de-sede-com-agua-no-joelho-entrevista-especial-com-joao-abner-guimaraes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e1guas subterr\u00e2neas<\/a>\u00a0em \u00e1reas mais promissoras que resultaram da elabora\u00e7\u00e3o do Invent\u00e1rio, denominado \u201c<em>Estudos de Reconhecimento e Estudos Hidrogeol\u00f3gicos para Aproveitamento Integrado da Regi\u00e3o Centro-leste da Bacia Potiguar e Bacias Costeiras da Para\u00edba e Pernambuco<\/em>\u201d, realizado, por contrato, pela empresa\u00a0OESA, com relat\u00f3rios encaminhados em 1976. Depois, j\u00e1 nos idos de 1977, e, tamb\u00e9m em consequ\u00eancia de tais estudos, a\u00a0Sudene, atrav\u00e9s do cons\u00f3rcio\u00a0Geotecnica\/BRGM\u00a0da\u00a0Fran\u00e7a, elaborou o primeiro\u00a0plano regional de recursos h\u00eddricos\u00a0elaborado no\u00a0Brasil, o denominado \u201c<em>Plano de Aproveitamento Integrado dos Recursos H\u00eddricos do Nordeste &#8211; PLIRHINE<\/em>\u201d, do qual constam textos e mapas ilustrativos na escala 1:2.500.000, entre eles um mapa com o t\u00edtulo de \u201c<em>Rede Fluviom\u00e9trica Utilizada no Estudo das Potencialidades<\/em>\u201d \u2014 esclare\u00e7o que s\u00e3o as potencialidades h\u00eddricas, fluviais e subterr\u00e2neas, estas dadas pelo escoamento de base participante da vaz\u00e3o m\u00e9dia anual de curso d\u2019\u00e1gua. Participei, como consultor do Cons\u00f3rcio, da elabora\u00e7\u00e3o deste plano, em sua parte de\u00a0recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos. Foi esta a primeira vez em que se considerou a contribui\u00e7\u00e3o do fluxo de base no potencial h\u00eddrico de bacias hidrogr\u00e1ficas de\u00a0rios perenes e intermitentes\u00a0do\u00a0Brasil. As da bacia do Rio S\u00e3o Francisco est\u00e3o l\u00e1. Devo dizer que o conceito e a defini\u00e7\u00e3o de \u201cfluxo de base\u201d havia sido, h\u00e1 pouco tempo, criado e divulgado no trabalho \u201c<em>The varying source area of streamflow from upland basins<\/em>\u201d (In: Proceedings of the Symposium on Interdisciplinary Aspects of Watershed Management. American Society of Civil Engineers: New York; 65\u201383, Hewlet, J. D &amp; Nutter, W. L. (1970), ASCE, New York, EUA).<\/p>\n<p>Este trabalho mudou a minha vis\u00e3o sobre a\u00a0hidrogeologia das \u00e1guas subterr\u00e2neas, at\u00e9 ent\u00e3o voltada para as condi\u00e7\u00f5es de armazenamento e sem conex\u00f5es hidr\u00e1ulicas com as \u00e1guas fluviais. Vi que o armazenamento continua importante, mas na medida em que ele cria o escoamento que sai no leito de rede da potamogr\u00e1fica superficial (rios, lagos, lagoas etc.) e nos oceanos. Se rebaixarmos os n\u00edveis dos\u00a0aqu\u00edferos, rios secam e a \u00e1gua n\u00e3o chega ao oceano, mantendo a interface \u00e1gua doce\/\u00e1gua salgada em suas posi\u00e7\u00f5es naturais, normais e hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Existe um invent\u00e1rio hidrogeol\u00f3gico b\u00e1sico para todo o Brasil? Como esse tipo de invent\u00e1rio contribui para fazer a gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Existe o denominado\u00a0Siagas\u00a0(Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de \u00c1guas Subterr\u00e2neas) pertencente ao\u00a0Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, e alguns estados como\u00a0S\u00e3o Paulo,\u00a0Rio Grande do\u00a0Norte,\u00a0Cear\u00e1,\u00a0Para\u00edba, e talvez outros, t\u00eam, em suas ag\u00eancias estaduais de \u00e1guas, um cadastro de po\u00e7os, outorgados ou n\u00e3o. Mas peca pela n\u00e3o atualiza\u00e7\u00e3o de todas as perfura\u00e7\u00f5es encetadas clandestinamente em seus territ\u00f3rios, carentes que s\u00e3o de pessoal t\u00e9cnico qualificado e de recursos financeiros. Al\u00e9m disso, estes cadastros n\u00e3o s\u00e3o completos, nem uniformes. Alguns nem localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (coordenadas) t\u00eam. Nem mesmo mencionam em que bacia hidrogr\u00e1fica se situa.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Pode nos explicar em que consiste sua proposta de adu\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do S\u00e3o Francisco para atender a demanda das grandes metr\u00f3poles nordestinas? Quais os ganhos em termos de abastecimento e efici\u00eancia h\u00eddrica desse modelo que prop\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Bem, esta proposta eu a fiz em um relat\u00f3rio elaborado para a\u00a0Assembleia Legislativa do Estado da Para\u00edba, por ocasi\u00e3o da ocorr\u00eancia da seca que atingiu os reservat\u00f3rios paraibanos do seu\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/565062-seca-no-semiarido-do-nordeste-do-pais-que-ja-dura-seis-anos-podera-se-agravar-ate-abril\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Semi\u00e1rido<\/a>(todos dependentes de chuvas, j\u00e1 que os rios s\u00e3o ef\u00eameros) e os da zona litor\u00e2nea que abastecem a grande\u00a0Jo\u00e3o Pessoa, formada pela capital e as cidades vizinhas de\u00a0Bayeux,\u00a0Santa Rita\u00a0e\u00a0Cabedelo. Esta regi\u00e3o entrou em forte racionamento de seu abastecimento e a disponibilidade de \u00e1gua subterr\u00e2nea, usada para abastecer outras cidades menores e a popula\u00e7\u00e3o rural, j\u00e1 se afigurava insuficiente para o atendimento n\u00e3o s\u00f3 das demandas socioecon\u00f4micas, mas, e principalmente, das ecol\u00f3gicas, uma vez que alteraria o regime hidrol\u00f3gico do baixo curso dos rios litor\u00e2neos, entre eles o\u00a0Gramame\/Mamuaba\u00a0e o\u00a0rio Para\u00edba, onde se localizam os reservat\u00f3rios que abastecem esta \u00e1rea metropolitana.<\/p>\n<p>Estendi a proposta para outras\u00a0capitais nordestinas, principalmente\u00a0Recife, que j\u00e1 apresentava rebaixamento excessivo do n\u00edvel potenciom\u00e9trico de seus\u00a0aqu\u00edferos, permitindo a interioriza\u00e7\u00e3o da cunha salina marinha e, at\u00e9, a ocorr\u00eancia de alguma subsid\u00eancia de solos urbanos. Mas a capta\u00e7\u00e3o proposta seria localizada ap\u00f3s oreservat\u00f3rio Xing\u00f3, depois de satisfeitas todas as demandas socioecon\u00f4micas do baixo curso do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/569133-caravana-agroecologica-denuncia-projetos-de-destruicao-do-rio-sao-francisco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rio S\u00e3o Francisco<\/a>. Naquela \u00e9poca, a deflu\u00eancia de\u00a0Xing\u00f3\u00a0situava-se em torno dos 1850 m3\/s, sendo acrescida pela contribui\u00e7\u00e3o da chamada vaz\u00e3o incremental, processada pelas chuvas e pelo escoamento de base dos sistemas Aluvial e\u00a0Alagoas-Sergipe, podendo chegar aos 2000 m3\/s ou mais. Descontada a vaz\u00e3o m\u00ednima ou de base (1.300 m3\/s), haveria um saldo que atenderia as demandas do baixo curso e ainda havia sobras que permitiriam abastecer as grandes metr\u00f3poles nordestinas em suas diversas atividades, com uma demanda total, projetada para 2020, de 176,53 m3\/s (Projeto \u00c1RIDAS, SEPLAN, 1994, Bras\u00edlia\/DF\/Brasil). N\u00e3o se precisaria aduzir toda esta vaz\u00e3o, mas apenas aquela necess\u00e1ria \u00e0 complementa\u00e7\u00e3o do abastecimento j\u00e1 existente, realizado com as \u00e1guas dos reservat\u00f3rios locais. Esta\u00a0transposi\u00e7\u00e3o\u00a0seria feita por meio de adutoras espec\u00edficas, projetadas para conduzir as vaz\u00f5es necess\u00e1rias ao atendimento seguro das demandas socioecon\u00f4micas, mesmo em tempos de secas inusitadas como foi a daquele per\u00edodo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me detive em detalhes, mesmo porque era preciso fazer estudos adicionais a esta proposta. Mas pensava em algo como um total de 150 m3\/s, distribu\u00eddo entre as adutoras espec\u00edficas. Esta proposta inclu\u00eda o atendimento do abastecimento das maiores cidades interioranas de alguns dos Estados componentes da regi\u00e3o\u00a0Nordeste Oriental, como\u00a0Campina Grande\/PB,\u00a0Caruaru\/PE,\u00a0Mossor\u00f3\/RN e\u00a0Crate\u00fas\/CE, uma vez que os reservat\u00f3rios que as abastecia situavam-se nas \u00e1reas mais vulner\u00e1veis aos eventos hidroclim\u00e1ticos adversos (seca) do\u00a0Semi\u00e1rido nordestino.<\/p>\n<p>Os ganhos deste modelo acima e outrora proposto foram e s\u00e3o a minimiza\u00e7\u00e3o das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/565843-perdas-de-agua-potavel-na-distribuicao-artigo-de-roberto-naime\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">perdas h\u00eddricas<\/a>\u00a0por condu\u00e7\u00e3o e evapora\u00e7\u00e3o e os menores custos de opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de sistemas adutores, muito inferiores \u00e0queles relacionados com a\u00a0transposi\u00e7\u00e3o\u00a0por canais, embora o investimento inicial fosse um pouco maior.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor j\u00e1 afirmou que a transposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolveria os problemas de abastecimento h\u00eddrico no meio rural. Que tipo de medida garantiria esse abastecimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Claro, as demandas do meio rural, humanas, do gado e de agricultura de subsist\u00eancia, s\u00e3o dispersas, pontuais e invi\u00e1veis para um atendimento por um projeto de transposi\u00e7\u00e3o, pelos custos muito altos, maiores que os benef\u00edcios. Para isto, existe outra solu\u00e7\u00e3o que se fundamenta do uso das\u00a0\u00e1guas subterr\u00e2neas\u00a0contidas em manchas do\u00a0Sistema Aluvial\u00a0e das \u00e1guas de pequenos e m\u00e9dios a\u00e7udes existentes em todas as\u00a0bacias hidrogr\u00e1ficas do Semi\u00e1rido, em n\u00famero superior ao suportado por cada bacia.<\/p>\n<p>Confrontadas as suas ofertas com as demandas, se estas n\u00e3o pudessem ser atendidas com seguran\u00e7a, essas ofertas poderiam ser complementadas pela \u00e1gua armazenada em reservat\u00f3rios superficiais com capacidade de\u00a0regulariza\u00e7\u00e3o plurianual\u00a0100% garantida, situados pr\u00f3ximos das demandas deficit\u00e1rias. Estes a\u00e7udes existem e muitos s\u00e3o subutilizados ou mal utilizados, pelo consumo excessivo de suas \u00e1guas em projetos de irriga\u00e7\u00e3o consumista pelas raz\u00f5es j\u00e1 descritas nesta entrevista. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/514801-projeto-do-perimetro-irrigado-um-contrassenso-na-chapada-do-apodi-entrevista-especial-com-antonio-nilton-bezerra-junior\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">irriga\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0que deveria ser praticada \u00e9 a que usaria as \u00e1guas de reservat\u00f3rios pequenos e m\u00e9dios e a\u00a0\u00e1gua subterr\u00e2nea de aqu\u00edferos\u00a0aluviais para corrigir as irregularidades pluviais (os chamados veranicos) que ocorrem em anos considerados normais, de chuvas situadas dentro da m\u00e9dia hist\u00f3rica, mas que afetam a produtividade dos cultivos de subsist\u00eancia, reduzindo-a. Ainda assim, estes cultivos, impropriamente denominados de sequeiros, s\u00e3o respons\u00e1veis, em m\u00e9dia, pelo abastecimento de 70% ou mais dos alimentos comercializados nas tais centrais de abastecimento.<\/p>\n<p>Acrescento uma informa\u00e7\u00e3o que mostra que a\u00a0irriga\u00e7\u00e3o\u00a0praticada em per\u00edmetros, pelo modelo atual, n\u00e3o resolve o problema e n\u00e3o atinge o fim que propaga, pelo menos em toda a\u00a0regi\u00e3o Semi\u00e1rida\u00a0do\u00a0Nordeste, incluindo a inserida na\u00a0Bacia Hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco, o de aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o dos estados com a exporta\u00e7\u00e3o de sua fruticultura. O exemplo vem do\u00a0Cear\u00e1, onde j\u00e1 no primeiro ano (2012) da seca rec\u00e9m-finda, verificou-se a seguinte situa\u00e7\u00e3o: dos 539.531 hectares (ha) irrigados no Nordeste Oriental, 327.067 ha ficam no Cear\u00e1 (60,6%). Segundo not\u00edcias ent\u00e3o veiculadas, a safra de gr\u00e3os no Cear\u00e1 teve uma proje\u00e7\u00e3o de agravamento das perdas, confirmando que o estado teria, j\u00e1 em 2012, a pior colheita dos \u00faltimos 17 anos. \u00c9 o que aponta o \u00faltimo\u00a0Levantamento Sistem\u00e1tico da Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola &#8211; LSPA, realizado no per\u00edodo de 16 de agosto a 15 de setembro daquele ano. Conforme o relat\u00f3rio houve uma queda de 83,41% na previs\u00e3o da colheita de gr\u00e3os, que despencou de 1,43 milh\u00e3o de toneladas (expectativa em janeiro de 2012) para 238,6 mil toneladas. A produ\u00e7\u00e3o por irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 de somente 235.807 toneladas, contra 1.200.000 toneladas de cultivos de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>O modelo n\u00e3o funciona: levantamento mostra que 160.000 ha dos per\u00edmetros est\u00e3o sem produzir nada, abandonados por motivos diversos, tais como\u00a0saliniza\u00e7\u00e3o, sodifica\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o prec\u00e1rias etc. V\u00e1rios per\u00edmetros nem existem mais e outros funcionam parcial e precariamente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais ser\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es da transposi\u00e7\u00e3o a partir de agora? A obra pode se transformar num \u201celefante branco\u201d?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\"><em>Mesmo com as medidas advogadas com o objetivo de\u00a0revitaliza\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco\u00a0e de sua bacia, como reflorestamento, prote\u00e7\u00e3o de fontes, replantio da vegeta\u00e7\u00e3o ciliar, o\u00a0Rio S\u00e3o Francisco\u00a0n\u00e3o recuperar\u00e1 a sua antiga vaz\u00e3o m\u00e9dia natural &#8211; Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque<\/em><\/p>\n<p class=\"tweet-quote\"><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Mesmo com as medidas advogadas com o objetivo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/559408-revitalizar-o-rio-sao-francisco-passa-por-mudar-as-atividades-produtivas-apontam-pesquisadores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">revitaliza\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco<\/a>\u00a0e de sua bacia, como reflorestamento, prote\u00e7\u00e3o de fontes, replantio da vegeta\u00e7\u00e3o ciliar, o\u00a0Rio S\u00e3o Francisco\u00a0n\u00e3o recuperar\u00e1 a sua antiga vaz\u00e3o m\u00e9dia natural. Embora importantes e necess\u00e1rias, estas medidas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reverter a situa\u00e7\u00e3o atual de disponibilidade h\u00eddrica do rio e de seus afluentes e reservat\u00f3rios superficiais. A raz\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a dr\u00e1stica do\u00a0regime hidrol\u00f3gico\u00a0de seus cursos d\u2019\u00e1gua e da vaz\u00e3o de suas fontes pela explora\u00e7\u00e3o incontrolada do fluxo de base, alteradas de perenes para intermitentes e, mesmo, ef\u00eameras. As fontes s\u00e3o \u00e1reas naturais de descarga de \u00e1gua subterr\u00e2nea em todo ano hidrol\u00f3gico. A explora\u00e7\u00e3o destas \u00e1guas em po\u00e7os situados a montante das mesmas inviabiliza e seca este escoamento verificado, inclusive, nas veredas, denomina\u00e7\u00e3o aplicada a trechos de rios, consagrada no livro do grande escritor mineiro\u00a0Guimar\u00e3es Rosa, \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/2187-susana-kampff-lages\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grande Sert\u00e3o, Veredas<\/a>\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Neste caso, a obra da\u00a0transposi\u00e7\u00e3o, quando totalmente completa, poder\u00e1 se transformar no que foi denominado de \u201celefante branco\u201d, na medida em que, com a ocorr\u00eancia de futuras secas, t\u00e3o prolongadas e agudas como foi esta \u00faltima, pode acontecer o esvaziamento total dos reservat\u00f3rios fundamentais, j\u00e1 que a vaz\u00e3o de base n\u00e3o mais ter\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, tornando-se insignificante ou nula. As demandas priorit\u00e1rias (abastecimento humano, urbano e rural e do gado, al\u00e9m do\u00a0PISF\u00a0[Projeto de Integra\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco]) poder\u00e3o, pelo menos, sofrer solu\u00e7\u00e3o de continuidade, provocando problemas agudos de ofertas que n\u00e3o mais ser\u00e3o suficientes ao atendimento destas demandas da pr\u00f3pria\u00a0bacia do S\u00e3o Francisco, que dir\u00e1 as de fora dela. Ser\u00e1 um conflito de uso que se tornar\u00e1 de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>H\u00e1, no meu modesto entender, que se controlar o\u00a0uso das \u00e1guas em irriga\u00e7\u00e3o, a atividade de maior consumo h\u00eddrico, nesta bacia e em todos os lugares do Planeta Terra. Isto, sem falar no problema de aumento de perdas por evapora\u00e7\u00e3o, causado pelo aquecimento global (a \u00e9poca geol\u00f3gica que estamos vivendo, denominada de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/185-noticias\/noticias-2016\/559744-acao-humana-pos-fim-ao-holoceno-vivemos-uma-nova-epoca-geologica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Holoceno<\/a>, \u00e9 um tempo de aquecimento natural, componente do per\u00edodo Quatern\u00e1rio da\u00a0Era Cenozoica) que, ainda, n\u00e3o atingiu o seu paroxismo t\u00e9rmico. Este aquecimento est\u00e1 sendo exacerbado pelas atividades antr\u00f3picas como o\u00a0desmatamento\u00a0e a\u00a0queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Para mim, o\u00a0desmatamento\u00a0exerce uma a\u00e7\u00e3o mais significativa neste aquecimento, na medida em que isto reduz o fen\u00f4meno \u00e0 fotoss\u00edntese, deixando de retirar da atmosfera os seus principais componentes dos gases quentes, o CO2 e o H2O, na mesma propor\u00e7\u00e3o em que se retirava antes. Ficando na atmosfera, eles absorvem o calor irradiado pelo Sol e refletido pelo solo e sua umidade por evapora\u00e7\u00e3o (albedo), deixando o ar e o clima mais quentes.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque &#8211;<\/strong>\u00a0Apenas, para encerrar, abordo a proposta do senador do Cear\u00e1\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/568474-quem-e-o-empresario-milionario-que-fez-a-reforma-trabalhista-passar-irretocada-em-comissao-do-senado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tasso Jereissati<\/a>, de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/571449-a-usurpacao-da-classe-politica-e-o-golpe-fatal-da-privatizacao-entrevista-especial-com-ildo-sauer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">privatizar a Eletrobras<\/a>, da qual faz parte a\u00a0CHESF. Em um quadro de insufici\u00eancia energ\u00e9tica por que passa o\u00a0Brasil\u00a0e a regi\u00e3o\u00a0Nordeste, o pre\u00e7o que se pagar\u00e1 pelo consumo desta energia ser\u00e1, inexoravelmente, ditado pela lei da oferta e da procura. Adivinhe quem vai pagar a conta? Claro, os consumidores dom\u00e9sticos, a parte fraca do contexto!<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Patricia Fachin, IHU de 28 de maio de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Xiquesampa Apesar de o projeto de\u00a0transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco\u00a0ter sido justificado por \u201cuma situa\u00e7\u00e3o de\u00a0exaust\u00e3o dos recursos h\u00eddricos\u00a0nas bacias receptoras, os quais j\u00e1 n\u00e3o seriam mais suficientes para o atendimento das demandas humanas, urbanas e rurais\u201d, esse argumento foi uma \u201cfal\u00e1cia\u201d, diz o ge\u00f3logo\u00a0Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Tomaz Albuquerque\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line. 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