{"id":24960,"date":"2018-07-06T11:00:54","date_gmt":"2018-07-06T14:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=24960"},"modified":"2018-07-04T10:20:18","modified_gmt":"2018-07-04T13:20:18","slug":"acoes-para-cuidar-de-um-planeta-asfixiado-pelo-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/acoes-para-cuidar-de-um-planeta-asfixiado-pelo-plastico\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es para cuidar de um planeta asfixiado pelo pl\u00e1stico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/15\/ciencia\/1529079702_285280_1529081816_noticia_normal.jpg\" alt=\"A\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es para cuidar de um planeta asfixiado pelo pl\u00c3\u00a1stico\" \/><em>DIEGO QUIJANO<\/em><\/p>\n<p><strong>Reduzir o uso desse material se tornou o principal desafio ambiental ao lado mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Consumidores, institui\u00e7\u00f5es e empresas come\u00e7am a tomar medidas<\/strong><\/p>\n<p>O cachalote achado em uma praia em M\u00farcia (sudeste da Espanha) em fevereiro estava morto havia 15 dias. Foi no cabo de Palos, perto do farol. Nas fotos feitas pelas equipes de resgate, o animal aparece na beira do mar, sozinho, enorme, deslocado. Um trator rebocou-o para terra. Foi medido e pesado. Seus 6.520 quilos foram levados a um armaz\u00e9m. Dez metros de mam\u00edfero inerte ficaram no ch\u00e3o. Uma equipe do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.murcianatural.carm.es\/web\/guest\/fauna1\/-\/journal_content\/56_INSTANCE_0MbI\/14\/3963542\">Centro El Valle de Recupera\u00e7\u00e3o da Fauna Silvestre<\/a>\u00a0realizou a necropsia. Colocaram-no de lado e come\u00e7aram a cortar. Usaram serras, facas e machados. Naquele estado de decomposi\u00e7\u00e3o, explica Fernando Escribano, um dos veterin\u00e1rios que participaram da opera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o esperavam averiguar grande coisa. A ideia era obter amostras de seus \u00f3rg\u00e3os para analis\u00e1-las. Mas enquanto avan\u00e7avam atrav\u00e9s da carne e da gordura, posicionados praticamente dentro do animal, descobriram que todo o aparelho digestivo, dos est\u00f4magos ao reto,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/04\/album\/1528103039_448432.html\">estava cheio de pl\u00e1stico.<\/a>\u00a0Tiraram de seu interior 29 quilos de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/11\/19\/ciencia\/1416399074_761145.html\">sacos pl\u00e1sticos<\/a>\u00a0e de r\u00e1fia, cordas, um peda\u00e7o de rede, uma bolsa de praia e uma lata. Limparam e classificaram o material. Ao terminar, tinham uma\u00a0<em>causa mortis<\/em>\u00a0clara, a roupa empesteada com o cheiro de gordura ran\u00e7osa e uma persistente sensa\u00e7\u00e3o de tristeza.<\/p>\n<p>\u201cEngasgou-se com pl\u00e1stico, e al\u00e9m disso teve a m\u00e1 sorte de comer uma lata. N\u00e3o foi capaz de expeli-la e isso provocou um tamponamento que paralisou o seu sistema digestivo\u201d, relata Escribano. Pode ter morrido pela obstru\u00e7\u00e3o ou porque esses materiais perfuraram-lhe o intestino. Um cachalote dessa idade deveria pesar o dobro. Passava fome com a tripa cheia de pl\u00e1stico. Os veterin\u00e1rios calcularam que era um adolescente, que devia ter 15 anos, dos 70 que essa esp\u00e9cie pode alcan\u00e7ar. Os cachalotes costumam mergulhar a grande profundidade para pescar lulas. \u201cEle tentava se alimentar, em um dos est\u00f4magos tinha uns bicos de lula, mas muito poucos. \u00c9 a pior morte que h\u00e1\u201d, comenta o especialista. Dos 2.500 animais vivos que passam a cada ano pelo centro de recupera\u00e7\u00e3o, os mais afetados pelo pl\u00e1stico s\u00e3o as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/05\/ciencia\/1515172862_322540.html\">tartarugas-amarelas<\/a>. \u201c\u00c9 a principal causa de interna\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie, seja por ingest\u00e3o, ou porque as aletas ficam enredadas em estruturas pl\u00e1sticas. Algumas chegam amputadas\u201d, conta. \u201cAntes o problema era a pesca, agora \u00e9 o pl\u00e1stico.\u201d<\/p>\n<p>Longe da praia, o gesto cotidiano de voltar do supermercado para casa e colocar a compra em seu lugar come\u00e7a a ter algo de perturbador para cada vez mais cidad\u00e3os. Ambos os cen\u00e1rios est\u00e3o conectados pelo mesmo desastre, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/19\/ciencia\/1500451864_107312.html\">dos 150 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico<\/a>\u00a0que, segundo estimativas, est\u00e3o dentro dos oceanos, e cuja massa at\u00e9 2050 ser\u00e1 maior que a dos peixes, de acordo com uma conhecida proje\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ellenmacarthurfoundation.org\/assets\/downloads\/publications\/NPEC-Hybrid_English_22-11-17_Digital.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Funda\u00e7\u00e3o Ellen McArthur,<\/a>\u00a0dedicada a promover uma economia circular que rompa a cadeia de usar e jogar fora.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/04\/26\/internacional\/1493243502_138078.html\">Esse exerc\u00edcio de contemplar a quantidade de embalagens, sacolas e potes colocados sobre a mesa da cozinha<\/a>\u00a0d\u00e1 uma ideia da assombrosa capacidade que um s\u00f3 lar tem de gerar refugos pl\u00e1sticos. O problema se agrava quando se leva em conta que, em escala mundial, s\u00f3 9% de todo o material produzido acaba sendo reciclado. Uma das principais raz\u00f5es \u00e9 que \u00e9 mais f\u00e1cil e barato fabricar do que reciclar.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o pl\u00e1stico entrou totalmente na agenda pol\u00edtica internacional e das multinacionais, que come\u00e7am a notar a press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica para minimizar ou eliminar o uso do pl\u00e1stico descart\u00e1vel. A Comiss\u00e3o Europeia apresentou no fim de maio sua estrat\u00e9gia para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/01\/ciencia\/1525169199_449233.html\">reduzir a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico<\/a>, que dever\u00e1 ser aprovada pelos pa\u00edses do bloco. Os cotonetes e os pratos e talheres desse material ser\u00e3o proibidos e substitu\u00eddos por alternativas sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Essas medidas, que tamb\u00e9m preveem que a ind\u00fastria se responsabilize em parte pela limpeza e reciclagem do lixo pl\u00e1stico que gera, s\u00e3o s\u00f3 o princ\u00edpio de uma solu\u00e7\u00e3o para um problema complexo e global. A migra\u00e7\u00e3o para uma economia circular, na qual se reutiliza ou se recicla quase todo o material, ainda est\u00e1 acontecendo, assim como o estabelecimento de sistemas de reciclagem eficazes em pa\u00edses que encabe\u00e7am a lista dos que mais despejam pl\u00e1stico no mar, como a China, a Indon\u00e9sia e as Filipinas.<\/p>\n<p>No Brasil, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\/a\">Rio de Janeiro<\/a>\u00a0se tornou a primeira cidade brasileira a aprovar um projeto de lei que pro\u00edbe a utiliza\u00e7\u00e3o do canudo de pl\u00e1stico, um dos vil\u00f5es da natureza, j\u00e1 que demora cerca de cem anos para se decompor. Casa a medida seja sancionada pelo prefeito Marcelo Crivella, os estabelecimentos comerciais ter\u00e3o que usar canudos de papel biodegrad\u00e1vel. Preocupados com o danos que os aparentemente inofensivos canudos\u00a0 podem causar a natureza, artistas como S\u00e9rgio Marone<strong>,<\/strong>\u00a0Fernanda Paes Leme, Mateus Solano e Sheron Menezes, resolveram se unir ao movimento\u00a0<a href=\"https:\/\/www.paredechupar.com\/\">#paredechupar<\/a>. O movimento \u00e9 inspirado no\u00a0<a class=\"link-stop\" href=\"https:\/\/stopsucking.strawlessocean.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">#stopsucking<\/a>\u00a0e tem por objetivo sensibilizar e mobilizar a sociedade, empresas e governos a repensarem seus consumos, e caminhar para o banimento e substitui\u00e7\u00e3o desses materiais.<\/p>\n<p>A atitude dos consumidores, enquanto isso, come\u00e7a a mudar as coisas. O caso das sacolas \u00e9 uma prova clara. A partir de 1\u00ba. de julho se cobrar\u00e1 por elas nos com\u00e9rcios do continente, e algumas empresas j\u00e1 percebem que \u00e9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m, como a rede alem\u00e3 de supermercados Lidl, que as suprimir\u00e1 de todos os seus estabelecimentos antes do final do ano. Segundo uma pesquisa feita em 2017 pelo Eurobar\u00f4metro, 87% dos europeus se preocupam com o impacto ambiental do pl\u00e1stico. Mas isso ainda n\u00e3o se traduz de forma maci\u00e7a em uma mudan\u00e7a de comportamento no cotidiano. A montanha de embalagens sobre a mesa da cozinha continua a\u00ed, e depois, na melhor das hip\u00f3teses, \u00e9 atirada em uma lixeira espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Mas podemos viver sem pl\u00e1stico? A resposta curta \u00e9 n\u00e3o. Desde que seu uso come\u00e7ou a se generalizar, na d\u00e9cada de 1950, este material est\u00e1 por toda parte: de autope\u00e7as a brinquedos, m\u00f3veis de escrit\u00f3rio, m\u00e1quinas de diagn\u00f3stico m\u00e9dico, frascos de detergente e sacos de batatas fritas. Mas \u00e9 poss\u00edvel evitar sua utiliza\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria e reduzir ao m\u00e1ximo o uso de embalagens descart\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em 2015, Patricia Reina e Fernando G\u00f3mez, autores do\u00a0<a href=\"http:\/\/vivirsinplastico.com\/\">blog Vivir Sin Pl\u00e1stico<\/a>, decidiram prescindir ao m\u00e1ximo desse material. \u201cChegava do supermercado e tinha uma sacola praticamente cheia de embalagens. Eu me sentia mal. E jogar isso no cont\u00eainer amarelo para reciclar n\u00e3o representava uma lavagem de consci\u00eancia para mim\u201d, diz Reina. Come\u00e7aram a questionar h\u00e1bitos que at\u00e9 ent\u00e3o eram normais para o casal, como \u201cvoltar do trabalho cansado e passar no supermercado para comprar sei l\u00e1 o qu\u00ea, e, como n\u00e3o tinha levado sacola, pegava uma de l\u00e1\u201d, diz G\u00f3mez. Come\u00e7aram o blog para documentar o processo de ir se desfazendo desse material ub\u00edquo: \u201cGuard\u00e1vamos todos os pl\u00e1sticos que t\u00ednhamos acumulado de segunda-feira a domingo, o coloc\u00e1vamos sobre uma mesa e tir\u00e1vamos uma foto para publicar junto com a lista de tudo o que era. \u00c9 importante ver tudo junto\u201d, conta Reina. Depois analisaram a proced\u00eancia, e logo descobriram que sua principal fonte de pl\u00e1stico era a comida. N\u00e3o se tratava de produtos processados: \u201cEram sobretudo legumes, sacos de salada, espinafres, vagens, arroz, frutos secos\u201d, enumera.<\/p>\n<p>Nos supermercados \u00e9 f\u00e1cil ver um abacate solit\u00e1rio envolto em pl\u00e1stico transparente, ou bananas num saco, ou que na peixaria coloquem os fil\u00e9s rec\u00e9m-cortados em bandejas de poliestireno. Mesmo quando se compra a granel, na maioria dos estabelecimentos \u00e9 preciso colocar cada grupo de produtos em um saco diferente, e em alguns, al\u00e9m disso, usar luvas do mesmo material para manuse\u00e1-los. \u201cO mais complicado foi mudar de h\u00e1bitos\u201d, afirma Reina. \u201cAntes eu descia ao supermercado quando tinha fome e comprava o que me ocorria. Se voc\u00ea quer viver sem pl\u00e1stico n\u00e3o pode fazer isso, precisa de planejamento. Tamb\u00e9m nos custou encontrar o lugar onde comprar cada coisa. Mas voc\u00ea se acostuma e torna isso rotineiro.\u201d<\/p>\n<p>Conseguiram colocar todo o pl\u00e1stico gerado por cada um deles ao longo de dois anos em um pote de um litro; algo que por enquanto \u00e9 bastante ins\u00f3lito. Entretanto, cada vez mais gente parece interessada em seu modelo. \u201cMuitos nos escrevem dizendo que j\u00e1 tomaram a decis\u00e3o. O importante \u00e9 reduzir, h\u00e1 muit\u00edssimo que se pode evitar. N\u00e3o \u00e9 preciso que voc\u00ea v\u00e1 viver numa montanha. Continuamos usando o celular e o computador, que tamb\u00e9m t\u00eam pl\u00e1stico. A ind\u00fastria e os Governos t\u00eam sua parcela de responsabilidade. Mas tamb\u00e9m os consumidores\u201d, diz Reina. Um exemplo desse poder \u00e9 a campanha\u00a0<a href=\"https:\/\/elcomidista.elpais.com\/elcomidista\/2018\/03\/08\/articulo\/1520528285_919071.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Desnude a Fruta<\/a>, que eles impulsionaram com outras organiza\u00e7\u00f5es e que funcionou em v\u00e1rios pa\u00edses. Consiste em fotografar um exemplo de embalagem desnecess\u00e1ria \u2013 uma \u00fanica cebola sobre uma bandeja de pl\u00e1stico e coberta de mais pl\u00e1stico, por exemplo \u2013, public\u00e1-la nas redes sociais e mencionar o estabelecimento que as vende. Seu blog est\u00e1 cheio de conselhos sobre como fazer desodorante caseiro ou sobre alternativas em termos de cosm\u00e9ticos e produtos de limpeza dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Sua luta cotidiana \u00e9 parte daquele que j\u00e1 virou o principal desafio ambiental do mundo ao lado da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cambio_climatico\">mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/a>\u00a0A ci\u00eancia vem apontando a magnitude do problema. Sabe-se, por exemplo, que h\u00e1 pelo menos 700 esp\u00e9cies afetadas pelo pl\u00e1stico, segundo um estudo da Universidade de Plymouth, e que, delas, 17% est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como a foca-monge-do-hava\u00ed e a tartaruga-amarela. Est\u00e1 demonstrado que o pl\u00e1stico que chega ao mar se fragmenta em muitos pequenos peda\u00e7os, que se distribuem em altas concentra\u00e7\u00f5es ao redor dos cinco giros subtropicais, enormes massas de \u00e1gua que os transportam a grande velocidade por todos os oceanos. Esses micropl\u00e1sticos infestam mares semifechados, como o Mediterr\u00e2neo, e alcan\u00e7am os lugares mais remotos, praticamente sem popula\u00e7\u00e3o que seja capaz de ger\u00e1-los, como o \u00c1rtico. Est\u00e1 provado que penetraram na cadeia alimentar dos oceanos e que h\u00e1 pl\u00e1stico at\u00e9 no sal de mesa e na \u00e1gua engarrafada.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe, entretanto, qual \u00e9 o efeito da sua ingest\u00e3o sobre a sa\u00fade humana. Sua inquietante onipresen\u00e7a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/30\/ciencia\/1509318827_022744.html\">atravessa os animais maiores, como baleias e cachalotes, e se infiltra nos seres microsc\u00f3picos<\/a>. Um estudo publicado h\u00e1 um m\u00eas na\u00a0<em>Nature Communications<\/em>\u00a0constata que est\u00e1 afetando inclusive as bact\u00e9rias. Como explica sua autora principal, Cristina Romera-Castillo, pesquisadora do Instituto de Ci\u00eancias do Mar, em Barcelona, o pl\u00e1stico libera carbono org\u00e2nico dissolvido que se soma ao que se encontra de maneira natural no oceano, e as bact\u00e9rias se alimentam dele e crescem mais r\u00e1pido. Ainda n\u00e3o se conhecem as implica\u00e7\u00f5es dessa conclus\u00e3o, mas ela mostra at\u00e9 que ponto o lixo pl\u00e1stico \u00e9 capaz de alterar o ecossistema mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>Se est\u00e1 t\u00e3o claro que o uso que se faz do pl\u00e1stico \u00e9 um problema, o que impede que mais gente se una ao movimento para reduzi-lo? \u201cEm parte \u00e9 por desconhecimento\u201d, diz Reina. \u201cPregui\u00e7a\u201d, decreta Fernando G\u00f3mez. \u201cAcham que coisas como levar sempre sua pr\u00f3pria sacola \u00e9 um esfor\u00e7o extra. \u00c9 dif\u00edcil mudar a forma de comprar.\u201d Al\u00e9m disso, os produtos alternativos geram certo recha\u00e7o. \u201cH\u00e1 muita resist\u00eancia em deixar o creme dental ou o desodorante.\u201d<\/p>\n<p>Apesar dessas retic\u00eancias, a batalha contra o pl\u00e1stico avan\u00e7a com grande rapidez em compara\u00e7\u00e3o, por exemplo, com a luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cTodo mundo entende o problema, \u00e9 mais tang\u00edvel. Basta ir ao supermercado, \u00e0 praia\u2026\u201d, diz Ferran Rosa, da ONG Zero Waste Europe, que tem sede em Bruxelas e agrupa 30 entidades de 25 pa\u00edses europeus, dedicadas a reduzir a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. A proposta da Comiss\u00e3o Europeia \u00e9 um sintoma desse avan\u00e7o. \u201c\u00c9 um passo adiante, embora se centre muito na reciclagem e menos na redu\u00e7\u00e3o de embalagens. Mas h\u00e1 um ano e meio essa legisla\u00e7\u00e3o era impens\u00e1vel\u201d, comenta. \u201cApostamos na redu\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico na origem e achamos que o de um s\u00f3 uso, como talheres e canudinhos, \u00e9 dispens\u00e1vel. Trata-se de achar solu\u00e7\u00f5es mais inteligentes. Por exemplo, nas festas populares, onde h\u00e1 milhares de copos de pl\u00e1stico descart\u00e1veis, pode-se instituir um dep\u00f3sito [de cinco reais, por exemplo] pelos copos reutiliz\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m trabalham para \u201cdessocializar\u201d o pl\u00e1stico de um s\u00f3 uso, transform\u00e1-lo em algo que gere rejei\u00e7\u00e3o. \u201cAssim como o cigarro antes era visto como algo atrativo e agora se sabe que \u00e9 prejudicial e \u00e9 mal visto, acredito que em alguns anos o que agora nos parece normal com o pl\u00e1stico, como beber coquet\u00e9is com canudinho, comprar sacolas cada vez que se vai ao supermercado\u2026 Ser\u00e1 visto como algo marciano.\u201d<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Silvia Blanco, El Pa\u00eds de 27 de junho de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIEGO QUIJANO Reduzir o uso desse material se tornou o principal desafio ambiental ao lado mudan\u00e7a clim\u00e1tica. 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