{"id":25293,"date":"2018-07-19T13:00:51","date_gmt":"2018-07-19T16:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=25293"},"modified":"2018-07-16T09:24:39","modified_gmt":"2018-07-16T12:24:39","slug":"ate-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ate-na-bahia\/","title":{"rendered":"At\u00e9 na Bahia\u2026"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.nossofuturoroubado.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/05230826\/cerrado-bahia-coreia-organicos.jpg\" alt=\"Cerrado Bahia Coreia Organicos\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">\u2018H\u00e1 algo de podre no reino da Dinamarca\u2019, diria Shakespeare. No Brasil, \u00e9 a expans\u00e3o dos pa\u00edses sobre as terras e a produ\u00e7\u00e3o limpa, para exporta\u00e7\u00e3o, e nem sabemos de nada.\u00a0<a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/07\/empresa-de-organicos-da-coreia-do-sul-cria-oasis-de-alimentos-na-bahia.shtml\">Cerrado baiano<\/a>.<\/span><\/p>\n<p>NOTA DO SITE: novamente a\u00a0Deutsch Welle, mostrando-nos o que n\u00e3o <span style=\"color: #ff6600;\">somos mais\u2026 donos da nossa pr\u00f3pria casa! Como com os venenos e a agricultura org\u00e2nica, neg\u00f3cio de brasileiro \u00e9 entregar tudo! Sem pestanejar! Afinal n\u00e3o somos e nem sabemos, nada!)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Ressalva dos argumentos, observados pelo site, nas palavras da mat\u00e9ria)<\/span> = \u201cDevido \u00e0 escassez de terras na Coreia do Sul, empresa de org\u00e2nicos Doalnara expandiu suas opera\u00e7\u00f5es para o Brasil. Maior projeto da companhia no exterior, comunidade no Nordeste mant\u00e9m costumes do pa\u00eds asi\u00e1tico vivos.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/44460898_303.jpg\" alt=\"Entrada da fazenda sul-coreana O\u00c3\u00a1sis, a 950 quil\u00c3\u00b4metros de Salvador\" \/><em>Entrada da fazenda sul-coreana O\u00e1sis, a 950 quil\u00f4metros de Salvador<\/em><\/p>\n<p>Na traseira de um carrinho de golfe novo em folha estacionado num posto de gasolina de Formosa do Rio Preto, na Bahia, uma folha de papel traz escrito \u201cPropriedade dos Coreanos\u201d. No munic\u00edpio sossegado no oeste do estado, a cerca de 950 quil\u00f4metros de Salvador, a cena inusitada causa entusiasmo entre os habitantes da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o dizendo que a fazenda deles parece at\u00e9 uma cidade nova\u201d, diz Abner Costa, abaixando a voz e apontando para o carrinho.<\/p>\n<p>Gis\u00e9lio Serpa, um dos l\u00edderes dos agricultores locais, acrescenta: \u201cA gente sabe que eles trouxeram muito material de constru\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0Questionado se s\u00e3o bons vizinhos, ele responde: \u201cEles s\u00e3o tranquilos.\u201d<\/p>\n<p>Perto do\u00a0posto de gasolina, uma estrada esburacada de terra vermelha leva da rodovia \u00e0 vasta savana de Cerrado que cerca os s\u00edtios dos pequenos agricultores. Depois de percorrer 40 quil\u00f4metros, depara-se\u00a0com um asfalto liso \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Palmeiras margeiam o caminho que leva a um port\u00e3o com os dizeres \u201cseja bem-vindo ao novo para\u00edso\u201d,\u00a0logo antes de uma ponte de concreto rec\u00e9m constru\u00edda. Em seguida, um carrinho de golfe cruza o caminho que leva ao pr\u00e9dio administrativo da fazenda de produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos, a O\u00e1sis.<\/p>\n<p>Segurando um guarda-sol de estilo coreano para se proteger do forte sol brasileiro, Ivone Shin, de 67 anos, espera na frente da casa. Ela \u00e9 a administradora da fazenda O\u00e1sis, propriedade da empresa sul-coreana Doalnara.<\/p>\n<p>Por interm\u00e9dio da sua subsidi\u00e1ria brasileira Bom Amigo, a marca de produtos org\u00e2nicos comprou uma parcela de vegeta\u00e7\u00e3o nativa de dez mil hectares em 2009. Seis anos depois, recebeu uma licen\u00e7a ambiental para produzir numa \u00e1rea de\u00a0mil hectares.<\/p>\n<p>A maioria das 500 pessoas que vivem na fazenda chegou ao local nos \u00faltimos dois anos para se estabelecer nas casas rec\u00e9m-constru\u00eddas. Todos t\u00eam ra\u00edzes sul-coreanas: alguns vieram diretamente da Coreia do Sul, enquanto outros vieram da R\u00fassia, dos Estados Unidos ou do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 expectativa de expandir a \u00e1rea cultivada, espera-se que mais sul-coreanos cheguem ao\u00a0Brasil. Outros 111 sul-coreanos vivem hoje em outras quatro fazendas no pa\u00eds: duas no estado de S\u00e3o Paulo e duas na Bahia.<\/p>\n<p>\u201cViemos realizar nosso sonho, criar nosso novo para\u00edso\u201d, diz Shin, em um portugu\u00eas dif\u00edcil de sair. Embora ela tenha emigrado para o Brasil com a fam\u00edlia nos anos 1970, o coreano \u00e9 a l\u00edngua oficial da comunidade.<\/p>\n<p>O isolamento do ambiente \u00e9 o motivo pelo qual a empresa se mudou para c\u00e1: um peda\u00e7o de terra onde produtos geneticamente modificados ou agrot\u00f3xicos nunca foram usados.<\/p>\n<p>\u201cAqui no Brasil, queremos come\u00e7ar do in\u00edcio, numa terra que n\u00e3o foi tocada antes\u201d, diz Lucas Miura. Ele chegou h\u00e1 sete anos vindo do Jap\u00e3o e aprendeu portugu\u00eas ouvindo grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/44461035_401.jpg\" alt=\"Membros da comunidade da fazenda O\u00c3\u00a1sis \" \/><em>Membros da comunidade precisam ser cat\u00f3licos, e dinheiro n\u00e3o circula na vila sul-coreana<\/em><\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a alimentar<\/strong><\/p>\n<p>A Coreia do Sul importa ou processa localmente 70% dos alimentos que s\u00e3o consumidos no pa\u00eds. Al\u00e9m da r\u00e1pida industrializa\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds do Leste Asi\u00e1tico tem pouca terra dispon\u00edvel para a agricultura. Por isso, o governo tem incentivado o desenvolvimento da agricultura no exterior.<\/p>\n<p>Em 2015, foi aprovada uma lei visando garantir a estabilidade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola fora do pa\u00eds. Segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura da Coreia do Sul, as empresas sul-coreanas acumularam 76 mil hectares de terra e produziram 426 mil toneladas de gr\u00e3os no exterior em 2016.<\/p>\n<p>O governo financia parte das opera\u00e7\u00f5es da Doalnara no Brasil e em outros pa\u00edses, incluindo as Filipinas, onde a empresa possui\u00a0225 hectares; os Estados Unidos, com 64 hectares; e o Qu\u00eania, com 15 hectares. A empresa tem 3.500 funcion\u00e1rios em todo o mundo.<\/p>\n<p>Com dez mil hectares, a O\u00e1sis \u00e9, de longe, o maior projeto da Doalnara, rendendo at\u00e9 260 toneladas de alimentos na \u00faltima colheita. A opera\u00e7\u00e3o da empresa no Brasil tamb\u00e9m \u00e9 bem maior do que a na pr\u00f3pria Coreia do Sul, onde a companhia administra dez fazendas, com uma \u00e1rea total de 256 hectares.<\/p>\n<p>A Doalnara tem especial preocupa\u00e7\u00e3o com o impacto de produtos transg\u00eanicos, que comp\u00f5em a maior parte das importa\u00e7\u00f5es de alimentos da Coreia do Sul. \u201c\u00c9 poss\u00edvel produzir mais alimentos quando se usa sementes geneticamente modificadas. Mas, \u00e0 medida que evoluem, as plantas ficam piores e contraem doen\u00e7as. Queremos impedir isso\u201d, explica Miura.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/44461074_401.jpg\" alt=\"Planta de arroz na fazenda O\u00c3\u00a1sis, na Bahia; ao fundo, agricultor sul-coreano\" \/><em>Cultivo de arroz na O\u00e1sis: governo sul-coreano financia parte das opera\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><strong>A comunidade<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a Doalnara \u00e9 uma empresa internacional de grande porte, o estilo de vida na fazenda brasileira se distancia da l\u00f3gica capitalista. Eles produzem quase tudo, de sab\u00e3o e xampu a comida. A produ\u00e7\u00e3o local inclui soja, milho, arroz, feij\u00e3o, gergelim, abacate, maracuj\u00e1 e banana. E os sul-coreanos criaram sua pr\u00f3pria vers\u00e3o de p\u00e3o de mandioca.<\/p>\n<p>Na comunidade, a comida \u00e9 distribu\u00edda entre os moradores da vila. N\u00e3o se usa dinheiro ali, j\u00e1 que os produtos s\u00e3o trocados ou divididos gratuitamente.<\/p>\n<p>Os membros da comunidade s\u00e3o cuidadosamente selecionados para fazer parte da empreitada. Ter conhecimentos em agricultura \u00e9 uma vantagem, mas n\u00e3o \u00e9 essencial. O mais importante \u00e9 que os membros sejam cat\u00f3licos e que sigam os princ\u00edpios do mestre Suk Sun, que transmite os valores da Doalnara, como honrar m\u00e3e e pai, respeitar os mais velhos, dividir os bens com a comunidade e trabalhar em conjunto. O mestre se mudou para a O\u00e1sis com seus seguidores, mas evita falar com jornalistas.<\/p>\n<p>Na fazenda, mant\u00eam-se os costumes sul-coreanos. Os moradores t\u00eam sua pr\u00f3pria escola, onde as crian\u00e7as estudam em coreano. O curr\u00edculo foi desenvolvido pela pr\u00f3pria comunidade.<\/p>\n<p>Cristina Wu, de 25 anos, cresceu em Los Angeles e se mudou para o Brasil em 2010, buscando um novo rumo. \u201cTem sido uma aventura observar o avan\u00e7o desse processo, ver um sonho pequeno se transformando num grande projeto como este\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Fontes &#8211; <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/sul-coreanos-criam-o%C3%A1sis-de-alimentos-org%C3%A2nicos-na-bahia\/a-44495090\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deutsche Welle<\/a> \/ Luiz Jacques, Nosso Futuro Roubado de 04 de julho de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2018H\u00e1 algo de podre no reino da Dinamarca\u2019, diria Shakespeare. No Brasil, \u00e9 a expans\u00e3o dos pa\u00edses sobre as terras e a produ\u00e7\u00e3o limpa, para exporta\u00e7\u00e3o, e nem sabemos de nada.\u00a0Cerrado baiano. 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