{"id":25421,"date":"2018-08-06T16:00:17","date_gmt":"2018-08-06T19:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=25421"},"modified":"2018-08-06T13:47:44","modified_gmt":"2018-08-06T16:47:44","slug":"sombreamento-natural-desenvolve-abelhas-mais-rapido-e-melhora-qualidade-do-mel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/sombreamento-natural-desenvolve-abelhas-mais-rapido-e-melhora-qualidade-do-mel\/","title":{"rendered":"Sombreamento natural desenvolve abelhas mais r\u00e1pido e melhora qualidade do mel"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Jos\u00e9 Maria Vieira Neto<\/em><\/p>\n<p>Abelhas precisam de sombra e \u00e1gua fresca. Estudo conduzido pela pesquisadora Maria Teresa R\u00eago, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/meio-norte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Embrapa Meio-Norte<\/a>\u00a0(PI), revelou que o sombreamento das colmeias e a presen\u00e7a de \u00e1gua nas proximidades favorecem o desenvolvimento das col\u00f4nias e a qualidade do mel. Um dos resultados mais expressivos dessa pesquisa mostrou que o sombreamento natural, com \u00e1rvores, ajudou na amplia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da \u00e1rea de cria. Essa \u00e1rea corresponde ao favo, no qual as crias se desenvolvem. A melhor faixa de temperatura para o desenvolvimento delas \u00e9 entre 30 e 35 graus Celsius.<\/p>\n<p>\u201cEm uma col\u00f4nia, as oper\u00e1rias trabalham para manter essa faixa de temperatura ideal \u00e0s crias, seja aquecendo o ninho, quando ocorrem temperaturas baixas, seja resfriando, no caso de temperaturas elevadas\u201d, explica a cientista. Segundo ela, quanto mais a col\u00f4nia de abelhas estiver exposta a temperaturas que se distanciam dessa faixa, maior ser\u00e1 o trabalho das oper\u00e1rias para manter um clima ideal e estabelecer a termorregula\u00e7\u00e3o. O trabalho das oper\u00e1rias no aquecimento ou resfriamento do ninho afeta o desenvolvimento das col\u00f4nias.<\/p>\n<p><strong>\u00c1rvores favorecem o conforto t\u00e9rmico<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=35598945&amp;t=1530816203560\" \/><em>Foto: Jos\u00e9 Maria Vieira Neto<\/em><\/p>\n<p>No experimento, essa \u00e1rea foi mensurada periodicamente por meio de mapeamento dos favos, em col\u00f4nias expostas a diferentes condi\u00e7\u00f5es: totalmente ao sol, sob coberturas constru\u00eddas com palha de baba\u00e7u, coberturas de tela sombrite e com a sombra de \u00e1rvores. O mapeamento registrava as \u00e1reas dos favos contendo alimento, mel e p\u00f3len, e as crias. As temperaturas internas e externas \u00e0s colmeias eram registradas semanalmente. Com isso, ficou constatado que o microclima sob a copa das \u00e1rvores foi beneficiado por uma melhor ventila\u00e7\u00e3o, favorecendo o conforto t\u00e9rmico.<\/p>\n<p>Outro resultado importante do trabalho veio da an\u00e1lise da qualidade do mel coletado das colmeias submetidas a essas diferentes condi\u00e7\u00f5es. Foram feitas an\u00e1lises f\u00edsico-qu\u00edmicas quanto ao teor de Hidroximetilfurfural (HMF), atividade diast\u00e1sica e acidez. Todas as an\u00e1lises foram feitas no Laborat\u00f3rio de Controle da Qualidade de produtos Ap\u00edcolas da Embrapa Meio-Norte, em Teresina.<\/p>\n<p>A pesquisa revelou tamb\u00e9m outro dado animador. As coberturas constru\u00eddas com palhas e o sombreamento de \u00e1rvores favorecem a manuten\u00e7\u00e3o de n\u00edveis mais baixos de HMF no mel. O HMF \u00e9 uma mol\u00e9cula que nasce da transforma\u00e7\u00e3o dos monossacar\u00eddeos frutose e glicose. Quanto mais calor, segundo os testes, \u00e9 mais r\u00e1pida a convers\u00e3o dela. Por causa dessa caracter\u00edstica, a mol\u00e9cula passou a ser usada como indicador de aquecimento, processamento inadequado e at\u00e9 de adultera\u00e7\u00f5es no mel.<\/p>\n<p>A cientista diz que, em mel produzido recentemente, a quantidade de HMF \u00e9 m\u00ednima. Mas com o aquecimento e o tempo de armazenamento do produto, a quantidade da mol\u00e9cula tende a aumentar, comprometendo a qualidade e a aceita\u00e7\u00e3o do mel no mercado. Pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira estabelecida na\u00a0<a href=\"http:\/\/extranet.agricultura.gov.br\/sislegis-consulta\/consultarLegislacao.do?operacao=visualizar&amp;id=7797\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00famero 11, de 2000<\/a>, do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (<a href=\"http:\/\/www.agricultura.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mapa<\/a>), a presen\u00e7a do HMF no mel n\u00e3o pode ser superior a 60 miligramas por quilo.<\/p>\n<p><strong>Calor \u00e9 desafio para o apicultor<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=35598946&amp;t=1530816203589\" \/><em>Foto: Jos\u00e9 Maria Vieira Neto<\/em><\/p>\n<p>No Nordeste brasileiro, regi\u00e3o de clima quente durante quase todo o ano, as altas temperaturas s\u00e3o as grandes advers\u00e1rias dos apicultores. O intenso calor, no per\u00edodo mais seco, entre os meses de setembro a dezembro, chega a provocar a perda de col\u00f4nias. As condi\u00e7\u00f5es ambientais na estiagem n\u00e3o oferecem floradas e empurram as abelhas para um lugar incerto. \u201cEsse \u00e9 um dos fatores que contribui para a perda das col\u00f4nias\u201d, aponta a cientista.<\/p>\n<p>Ela recomenda que a instala\u00e7\u00e3o das colmeias deve ser sempre \u00e0 sombra, de forma a evitar o efeito negativo das altas temperaturas sobre o desenvolvimento das col\u00f4nias e sobre a qualidade do mel, al\u00e9m de proporcionar maior conforto ao apicultor durante o manejo. Outro estudo da cientista aponta para a escolha de \u00e1rvores que d\u00e3o um bom n\u00edvel de sombreamento e que n\u00e3o perdem muitas folhas durante todo o ano. Um exemplo \u00e9 o cajueiro (<em>Annacardium occidentale).<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00c1gua limpa at\u00e9 500 m de dist\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=35598947&amp;t=1530816203702\" \/><\/p>\n<p>\u00c1gua limpa e dispon\u00edvel durante todo o ano, segundo a pesquisadora, tamb\u00e9m \u00e9 essencial para o bom desempenho das col\u00f4nias. \u201cAs abelhas precisam de \u00e1gua para o seu metabolismo e para regular a temperatura dentro da colmeia, especialmente em regi\u00f5es de clima quente\u201d, diz a especialista. Quando a temperatura do ninho ultrapassa os 36 graus, as abelhas oper\u00e1rias entram em a\u00e7\u00e3o abanando freneticamente as asas e evaporando a \u00e1gua sobre os alv\u00e9olos ou pela exposi\u00e7\u00e3o do l\u00edquido na l\u00edngua.<\/p>\n<p>Pela import\u00e2ncia desse recurso natural, Maria Teresa R\u00eago recomenda que a dist\u00e2ncia da fonte de \u00e1gua ao api\u00e1rio n\u00e3o deve ser superior a 500 metros. \u201cAssim, evita-se gasto energ\u00e9tico das abelhas na coleta de \u00e1gua\u201d, esclarece. Ela recomenda tamb\u00e9m a instala\u00e7\u00e3o de bebedouros permanentes, limpos e abastecidos, caso o local n\u00e3o tenha uma fonte de \u00e1gua natural. \u201c\u00c9 importante que a \u00e1gua seja de boa qualidade, limpa e isenta de contamina\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias, fungos ou protozo\u00e1rios\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>A pesquisa foi desenvolvida no munic\u00edpio de Castelo do Piau\u00ed, a 184 quil\u00f4metros ao norte de Teresina, durante as esta\u00e7\u00f5es chuvosa e seca. L\u00e1, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 de transi\u00e7\u00e3o entre Cerrado e Caatinga. O clima \u00e9 sub\u00famido seco, com d\u00e9ficit h\u00eddrico moderado e precipita\u00e7\u00e3o anual aproximada de 1.035 mil\u00edmetros. Vinte e quatro col\u00f4nias de abelhas Apis mellifera africanizadas foram instaladas em colmeias modelo Langstroth. Rainhas novas, produzidas no api\u00e1rio experimental da Embrapa, em Teresina, foram introduzidas no experimento. A Financiadora de Estudos e Projetos (<a href=\"http:\/\/www.finep.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Finep<\/a>) custeou o trabalho.<\/p>\n<p>Nessa mesma linha de pesquisa, o professor Laurielson Chaves Alencar, da Universidade Federal do Piau\u00ed (<a href=\"http:\/\/www.ufpi.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">UFPI<\/a>), tamb\u00e9m observou o efeito de temperaturas elevadas na qualidade do mel. Em um experimento conduzido no munic\u00edpio de Simpl\u00edcio Mendes, no cora\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido piauiense, ele avaliou colmeias instaladas a c\u00e9u aberto e outras protegidas por sombreamentos naturais e artificiais, como o sombrite, com telas. \u201cOs teores de HMF mais elevados podem ser explicados, em parte, pelo fato de as colmeias desse experimento estarem expostas por um maior per\u00edodo do dia \u00e0 incid\u00eancia direta do sol\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong>Calor pode provocar abandono da colmeia<\/strong><\/p>\n<p>A busca por um cen\u00e1rio ideal \u00e0 vida das abelhas em regi\u00f5es quentes levou tamb\u00e9m a Universidade Estadual do Piau\u00ed (<a href=\"http:\/\/www.uespi.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Uespi<\/a>) a monitorar o comportamento delas nas colmeias de acordo com o clima e a \u00e9poca do ano. Entre 2013 e 2014, um equipamento permitiu que cientistas da Embrapa, professores e estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o monitorassem as condi\u00e7\u00f5es de temperatura que os insetos enfrentam e que influem no comportamento deles e na produ\u00e7\u00e3o de mel.<\/p>\n<p>Os resultados, apresentados pelo professor da Uespi Carlos Giovanni Nunes de Carvalho, mostraram que as altas temperaturas, associadas \u00e0 baixa umidade do ar, realmente comprometem a produtividade de mel, matam e contribuem para a m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o das crias. Em alguns casos, levam as abelhas a abandonar as colmeias.<\/p>\n<p>Foram registradas fora do equipamento temperaturas m\u00e1ximas que variavam de 32 a 41 graus Celsius. Quando as temperaturas atingiam at\u00e9 36 graus, as abelhas conseguiam regular a temperatura interna da colmeia. Contudo, acima de 39 graus, segundo os cientistas, facilmente as abelhas desistem da homeostase, que \u00e9 o processo pelo qual um organismo mant\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es internas necess\u00e1rias \u00e0 vida. Entre tr\u00eas e quatro dias sob forte e calor, os animais abandonam a colmeia.<\/p>\n<p>Os experimentos, conduzidos sempre em per\u00edodos de 40 dias, comprovaram que a temperatura ideal interna em uma colmeia em regi\u00f5es quentes deve variar de 33 a 36 graus Celsius. O equipamento, com o alerta de aquecimento, foi instalado em um api\u00e1rio em mata fechada, a 210 metros de dist\u00e2ncia da sede da Embrapa Meio-Norte, na zona norte de Teresina, e monitorou cerca de 30 mil abelhas.<\/p>\n<p><strong>Um medidor foi desenvolvido para a pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Esse equipamento, ainda sem nome, \u00e9 um dispositivo de monitoramento formado por sensores de temperatura, baterias, r\u00e1dio de comunica\u00e7\u00e3o, um cart\u00e3o de mem\u00f3ria e um fio conectado \u00e0 colmeia. O tr\u00e1fego de informa\u00e7\u00f5es obedece a um rito simples: os dados s\u00e3o coletados na colmeia, em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o; em seguida, repassados via r\u00e1dio para uma central instalada na Embrapa Meio-Norte e conectada \u00e0 internet. De l\u00e1, as informa\u00e7\u00f5es ficaram armazenadas em um site que funcionou como um banco de dados.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do dispositivo, estruturado numa caixa pl\u00e1stica, que mede 11 cent\u00edmetros de largura por 16 cent\u00edmetros de comprimento, teve um custo estimado de apenas R$ 200,00. A ideia do professor Carvalho, que coordenou o projeto, era substituir o manejo executado pelos pesquisadores, como a instala\u00e7\u00e3o manual de term\u00f4metros nas colmeias, para que eles pudessem acompanhar o n\u00edvel de estresse das abelhas sem riscos de acidente.<\/p>\n<p><strong>Abelhas est\u00e3o sumindo<\/strong><\/p>\n<p>Ma\u00e7\u00e3, mel\u00e3o, manga e hortali\u00e7as como berinjela, cenoura, couve e pepino, consumidos em larga escala de norte a sul do Brasil, podem um dia at\u00e9 sumir das feiras livres e supermercados, caso a perda de abelhas continue em ritmo acelerado. O grito de alerta \u00e9 da pesquisadora Marcia Motta Mau\u00e9s, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/amazonia-oriental\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental<\/a>\u00a0(PA). Segundo ela, sem a a\u00e7\u00e3o efetiva das abelhas como agentes polinizadores, cerca de 52% dos produtos vendidos nos supermercados desaparecem.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno, registrado em todo o mundo, vem preocupando cientistas, apicultores e agricultores. As abelhas s\u00e3o os polinizadores mais eficientes da natureza e respons\u00e1veis diretamente pela reprodu\u00e7\u00e3o e perpetua\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies vegetais. Ela ressalta que mais de 75% das principais plantas cultivadas no mundo dependem, pelo menos em parte, da poliniza\u00e7\u00e3o feita por esses insetos.<\/p>\n<p>Mau\u00e9s disse que cerca de 250 esp\u00e9cies de animais polinizam as plantas agr\u00edcolas no Brasil. Desses, 87% s\u00e3o abelhas. \u201cPolinizadoras por excel\u00eancia, elas dependem dos recursos florais para sua alimenta\u00e7\u00e3o e de suas crias\u201d, detalha a cientista. A pesquisadora destaca tamb\u00e9m que as abelhas africanizadas s\u00e3o as polinizadoras mais efetivas das culturas agr\u00edcolas do Brasil, que s\u00e3o fontes de vitaminas e sais minerais, indispens\u00e1veis \u00e0 sa\u00fade do homem.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a \u00e0 vida das abelhas em todo o planeta vem de todo lado. No entender da cientista brasileira, as principais causas do desaparecimento desses insetos s\u00e3o mudan\u00e7as no uso da terra, manejo agr\u00edcola intensivo, pesticidas, cultivos geneticamente modificados, fungos, v\u00edrus, pragas (formigas e \u00e1caros) e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ela aponta a remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa tanto para projetos urbanos e de infraestrutura, quanto para transforma\u00e7\u00e3o em \u00e1reas agr\u00edcolas, como uma a\u00e7\u00e3o que reduz a alimenta\u00e7\u00e3o e o local onde as abelhas possam criar ninhos, al\u00e9m de dificultar a mobilidade dos insetos. \u201cEm todo o mundo, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas alteram a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das abelhas e plantas e seus ciclos reprodutivos\u201d, destacou Mau\u00e9s.<\/p>\n<p><strong>Cientistas tentam salvar as abelhas<\/strong><\/p>\n<p>Furac\u00f5es, enchentes, inc\u00eandios e a seca est\u00e3o no pelot\u00e3o de frente dos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos que, acreditam os cientistas, comprometem a vida das colmeias. Uma rede de 35 pesquisadores de dez pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, entre os quais o Brasil, est\u00e1 avaliando a perda de abelhas, al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as e fatores que causam a mortalidade das colmeias.<\/p>\n<p>No Brasil, foi criada a Rede Brasileira de Intera\u00e7\u00f5es Planta-Polinizador (<a href=\"http:\/\/www.rebipp.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rebipp<\/a>), um coletivo de cientistas especializados em biologia de poliniza\u00e7\u00e3o que estudam as intera\u00e7\u00f5es planta-polinizador em suas v\u00e1rias dimens\u00f5es. O objetivo do trabalho colaborativo \u00e9 incentivar o desenvolvimento de atividades cient\u00edficas e did\u00e1ticas na \u00e1rea, identificando a falta de conhecimento e estimulando a constru\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisa.<\/p>\n<p>Fundamental \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio dos ecossistemas, o trabalho desses insetos vai al\u00e9m dos alimentos, eles tamb\u00e9m est\u00e3o ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, fibras usadas na ind\u00fastria, biocombust\u00edveis e materiais de constru\u00e7\u00e3o. E a rela\u00e7\u00e3o desses pequenos animais com o homem veio antes mesmo da era crist\u00e3, remonta ao Egito Antigo, h\u00e1 2.400 anos antes de Cristo.<\/p>\n<p>No Brasil, as abelhas chegaram pelas m\u00e3os dos jesu\u00edtas, no s\u00e9culo 18, nas \u00e1reas que hoje s\u00e3o o noroeste do Rio Grande do Sul. Hoje, o Sul e o Nordeste s\u00e3o as principais regi\u00f5es produtoras de mel e tamb\u00e9m produzem p\u00f3len, pr\u00f3polis, cera e apitoxina, um composto ativo presente no veneno das abelhas, cujos efeitos s\u00e3o ben\u00e9ficos \u00e0 sa\u00fade em tratamentos odontol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Mesmo diante dos problemas enfrentados por toda a cadeia produtiva, o Brasil exportou mais de 27 milh\u00f5es de toneladas de mel em 2017. O Pa\u00eds faturou quase 122 milh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo o Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os. Os Estados Unidos foram os maiores compradores. Rio Grande do Sul, Paran\u00e1, Minas Gerais, Santa Catarina, S\u00e3o Paulo, Bahia e Piau\u00ed, respectivamente, s\u00e3o os sete Estados que mais produzem mel no Pa\u00eds, segundo a Pesquisa Pecu\u00e1ria Municipal feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"http:\/\/www.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IBGE<\/a>).<\/p>\n<div class=\"unidade\">\n<p class=\"autor\"><span class=\"autor negrito\">Fonte &#8211; Fernando Sinimbu\u00a0<\/span><span class=\"codigo negrito\">(MTb 654 \/PI),\u00a0<\/span><span class=\"unidade\">Embrapa Meio-Norte<\/span>\u00a0de 13 de julho de 2018<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Jos\u00e9 Maria Vieira Neto Abelhas precisam de sombra e \u00e1gua fresca. 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