{"id":25465,"date":"2018-08-24T13:00:35","date_gmt":"2018-08-24T16:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=25465"},"modified":"2018-08-06T16:23:08","modified_gmt":"2018-08-06T19:23:08","slug":"aviacao-agricola-perigo-no-ceu-e-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/aviacao-agricola-perigo-no-ceu-e-na-terra\/","title":{"rendered":"Avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola: perigo no c\u00e9u e na terra"},"content":{"rendered":"<p>No ar ou no ch\u00e3o, ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo quando avi\u00f5es agr\u00edcolas rasgam o c\u00e9u a mais de 200km\/h \u2013 e tr\u00eas metros apenas acima do solo. Num vaiv\u00e9m intercalado por acrobacias audazes, essas m\u00e1quinas despejam em todas as regi\u00f5es brasileiras uma quantidade incalcul\u00e1vel de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o consegue se sustentar ou desviar de fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e \u00e1rvores, o invento de Santos Dumont ceifa a vida de pilotos em uma fra\u00e7\u00e3o de segundo. Ao superarem essas barreiras e cumprirem seu prop\u00f3sito, as aeronaves envenenam rios, solo, planta\u00e7\u00f5es, animais e pessoas. Fazem escorrer l\u00e1grimas de comunidades inteiras, cujas casas s\u00e3o invadidas pelos produtos pulverizados.<\/p>\n<p>Trata-se de atividade de risco no Brasil. Um perigo t\u00e3o elevado que motivou uma das principais organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais do mundo a recomendar a suspens\u00e3o da pr\u00e1tica no pa\u00eds. Em 20 de julho deste ano, a Human Rights Watch, refer\u00eancia internacional na defesa dos direitos humanos, divulgou relat\u00f3rio no qual alerta para os riscos da pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico e do abrandamento das leis nacionais sobre o tema.<\/p>\n<p>O BRASIL TEM A SEGUNDA MAIOR FROTA DE AEROAGR\u00cdCOLAS E \u00c9 UM DOS PRINCIPAIS CONSUMIDORES DE AGROT\u00d3XICOS DO MUNDO: CONFORME A HUMAN RIGHTS WATCH, AS VENDAS ANUAIS NO PA\u00cdS GIRAM EM TORNO DE US$ 10 BILH\u00d5ES, OU R$ 37,4 BILH\u00d5ES EM VALORES ATUAIS. DE ACORDO COM O INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOV\u00c1VEIS (IBAMA), A COMERCIALIZA\u00c7\u00c3O DO PRODUTO EM TERRIT\u00d3RIO NACIONAL SUBIU 239,3% EM 17 ANOS: DE 162.461 TONELADAS, EM 2000, PASSOU PARA 551.313 TONELADAS, EM 2016.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/general\/Frota-EUA.gif\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/general\/Frota-BRA.gif\" \/><\/p>\n<p>Esses n\u00fameros expressivos decorrem da expans\u00e3o de monocultura em grande escala. Ainda segundo a ONG, cerca de 80% desses produtos s\u00e3o usados em planta\u00e7\u00f5es de soja, milho, algod\u00e3o e cana-de-a\u00e7\u00facar. Dos 10 agrot\u00f3xicos mais utilizados no Brasil em 2016, quatro n\u00e3o s\u00e3o permitidos na Europa.<\/p>\n<p>Ao recomendar a proibi\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos, a entidade internacional desafia o poderio econ\u00f4mico do agroneg\u00f3cio no Brasil. Alheio \u00e0 crise econ\u00f4mica que assola o pa\u00eds nos \u00faltimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu em volume 7,6% em 2017. O dado consta em pesquisa divulgada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e encampada pela Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP). O salto contribuiu para o aumento de 1% do PIB nacional no ano passado e teve papel de destaque no controle da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na outra ponta, contudo, entidades defensoras da elimina\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos \u2013 ou \u201cdefensivos agr\u00edcolas\u201d, como prefere o agroneg\u00f3cio \u2013 alertam que tal crescimento representa tamb\u00e9m mais pessoas intoxicadas pelos produtos qu\u00edmicos lan\u00e7ados sobre as lavouras brasileiras.<\/p>\n<p>Faltam dados confi\u00e1veis do governo federal sobre quantos cidad\u00e3os sofrem esse tipo de envenenamento, pois h\u00e1 subnotifica\u00e7\u00e3o de casos e dificuldade em atestar mortes decorrentes de contato com as subst\u00e2ncias. Mas os n\u00fameros do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade d\u00e3o uma pista.<\/p>\n<p>O SISTEMA DE INFORMA\u00c7\u00d5ES DE AGRAVOS E NOTIFICA\u00c7\u00d5ES (SINAN) DA PASTA REGISTROU, EM 2017, 13.982 INTOXICA\u00c7\u00d5ES POR AGROT\u00d3XICOS NO PA\u00cdS. O N\u00daMERO REPRESENTA M\u00c9DIA DE 38 CASOS POR DIA E AUMENTO DE 12% EM COMPARA\u00c7\u00c3O AO ANO ANTERIOR. J\u00c1 O SISTEMA DE INFORMA\u00c7\u00c3O SOBRE MORTALIDADE (SIM), TAMB\u00c9M DO MINIST\u00c9RIO, CONTABILIZOU 492 \u00d3BITOS POR ENVENENAMENTO EM 2016 \u2013 OS DADOS DO ANO PASSADO AINDA N\u00c3O EST\u00c3O CONSOLIDADOS.<\/p>\n<p>A quantidade de desastres na avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola acompanhou a curva de crescimento do agroneg\u00f3cio e a alta no total de intoxicados. At\u00e9 junho deste ano, o Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes Aeron\u00e1uticos (Cenipa) computou 22 incidentes, com uma morte. O \u00f3rg\u00e3o \u00e9 ligado \u00e0 For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) e registrou, na \u00faltima d\u00e9cada, 240 ocorr\u00eancias no Brasil \u2013 a maioria grave, sendo 54 fatais.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, os casos de 2018 representam \u201capenas\u201d 13% do total de acidentes com aeronaves. Por\u00e9m, em estados onde esse tipo de avia\u00e7\u00e3o \u00e9 mais forte, incidentes aeroagr\u00edcolas significam mais de 50% de todas as ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>Os dados n\u00e3o deixam d\u00favidas: a atividade \u00e9 uma das mais perigosas na avia\u00e7\u00e3o brasileira. Para pulverizar uma planta\u00e7\u00e3o inteira, os pilotos precisam voar em baixa altitude e executar manobras semi-acrob\u00e1ticas. Profissionais experientes no setor s\u00e3o minoria: a maior parte chega ao mercado, em m\u00e9dia, com idades entre 23 e 28 anos, e poucas horas de voo na bagagem.<\/p>\n<p>O Metr\u00f3poles visitou tr\u00eas estados onde a aeroagr\u00edcola \u00e9 mais comum \u2013 Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Goi\u00e1s \u2013, com o objetivo de revelar os riscos da atividade para quem a tem por profiss\u00e3o e seu impacto em comunidades pr\u00f3ximas \u00e0s \u00e1reas pulverizadas. A reportagem percorreu cerca de 8,5 mil quil\u00f4metros (vencidos de avi\u00e3o e carro) e entrevistou mais de 30 pessoas, entre profissionais, representantes de entidades atuantes no setor e moradores de regi\u00f5es atingidas.<\/p>\n<p>A seguir, relatos de pilotos, fazendeiros e empres\u00e1rios para os quais a atividade ainda \u00e9 uma aposta, mesmo ap\u00f3s eles terem sobrevivido a acidentes graves decorrentes do uso e manejo de agrot\u00f3xicos. E o drama de comunidades no interior do pa\u00eds, onde a contamina\u00e7\u00e3o faz parte do cotidiano e transforma os moradores em ref\u00e9ns do veneno que cai do c\u00e9u.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3V0mKWJiSos\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Abre_120718-RF-Aviacao-Agricola-043.jpg\" \/><em>Avi\u00e3o pulveriza \u00e1rea em Goian\u00e9sia (GO): voo baixo, desviando de postes de energia, a 200km\/h<\/em><\/p>\n<p><strong>Adrenalina, velocidade e risco de morte: o dia a dia dos pilotos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO meu menino gostava de aventura. Seguiu voando por a\u00ed, achando que nada poderia acontecer com ele. Mas, um dia, aconteceu\u201d. O lamento \u00e9 do m\u00e9dico Ari Gon\u00e7alves Lima, 64 anos. H\u00e1 nove meses, o obstetra perdeu o filho ca\u00e7ula, Armando Soares de Lima, em um acidente de avi\u00e3o agr\u00edcola. Hoje, doutor Ari tenta transformar a dor em alerta, para evitar que outras fam\u00edlias passem pela mesma trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Armando morreu aos 35 anos. Tinha esposa e um menino de apenas 4 anos. Natural da cidade de Rio Grande (RS), ainda crian\u00e7a o filho de m\u00e9dico decidiu que queria voar. Tentou fazer tudo certinho. Frequentou faculdade de ci\u00eancias aeron\u00e1uticas, foi instrutor de voo e at\u00e9 piloto de avi\u00e3o comercial. Mas, em mar\u00e7o de 2017, resolveu mudar o foco da carreira e fez um curso para comandar aeronaves agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Esses avi\u00f5es s\u00e3o usados em grande escala nas fazendas do interior do Brasil para espalhar agrot\u00f3xicos e outros produtos nas planta\u00e7\u00f5es. Em 24 de outubro do ano passado, em Altamira (PA), Armando entrou em um Cessna Aircraft, modelo A188B, sem ter no\u00e7\u00e3o do risco que corria.<\/p>\n<p>SEGUNDO O CENIPA, A AERONAVE N\u00c3O TINHA AUTORIZA\u00c7\u00c3O PARA OPERAR DESDE JANEIRO DE 2013 E ESTAVA COM A INSPE\u00c7\u00c3O ANUAL DE MANUTEN\u00c7\u00c3O VENCIDA HAVIA SEIS ANOS. AL\u00c9M DISSO, O CERTIFICADO DE AERONAVEGABILIDADE FOI CANCELADO EM AGOSTO DE 2015. A EMPRESA AEROAGR\u00cdCOLA TAMPOUCO APRESENTOU QUALQUER TIPO DE DOCUMENTA\u00c7\u00c3O DO AVI\u00c3O DE SUA PROPRIEDADE AOS \u00d3RG\u00c3OS DE CONTROLE A\u00c9REO.<\/p>\n<p>Armando n\u00e3o possu\u00eda v\u00ednculo empregat\u00edcio com a firma que lhe encomendou o voo, mas mantinha todas as licen\u00e7as exigidas pela Anac em dia. O acidente fatal ocorreu ap\u00f3s o piloto executar uma curva. A aeronave tentou retomar seu curso, mas, ainda de acordo com o Cenipa, \u201cperdeu sustenta\u00e7\u00e3o e caiu verticalmente, girando de forma descontrolada\u201d. O avi\u00e3o pegou fogo, ficou totalmente destru\u00eddo e Armando Lima morreu antes de qualquer socorro chegar ao local do desastre.<\/p>\n<p>\u201cA sorte n\u00e3o est\u00e1 sempre do lado da gente, uma hora ela vira\u201d, resigna-se o pai do piloto. Infelizmente, a triste hist\u00f3ria de Armando e sua fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica nas mais de sete d\u00e9cadas da avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em territ\u00f3rio brasileiro. Pelo contr\u00e1rio. Em estados onde o segmento \u00e9 mais forte, trag\u00e9dias assim chegam a representar mais da metade do total de acidentes a\u00e9reos registrados (confira infogr\u00e1fico).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Info_numero-de-acidentes.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Info_Sindag.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Info_numerode-acidentes.jpg\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cO piloto agr\u00edcola gosta de aventura, voar o dia inteiro e fazer manobra. \u00c9 uma profiss\u00e3o arriscada, dif\u00edcil e exige muita t\u00e9cnica. Esse estilo de vida estimulante desperta, naturalmente, interesse nos jovens.\u201d\u00a0Eduardo Goer, ex-piloto e empreendedor<\/em><\/p>\n<p>Dados do Sindicato Nacional das Empresas de Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Sindag) mostram que 27% dos acidentes na avia\u00e7\u00e3o a\u00e9rea nacional s\u00e3o causados por perda de controle em voo; em torno de 20%, por colis\u00e3o com obst\u00e1culo \u2013 como rede el\u00e9trica e \u00e1rvores \u2013; e quase 20%, por falha mec\u00e2nica. As demais ocorr\u00eancias se devem \u00e0 perda de controle no solo (problemas na decolagem ou aterrissagem).<\/p>\n<p>O ex-piloto de aeronaves agr\u00edcolas Eduardo Goer j\u00e1 sofreu um acidente. Hoje, desenvolve um drone para tornar a antiga profiss\u00e3o mais segura. Enquanto a novidade n\u00e3o toma conta dos campos do pa\u00eds, hist\u00f3rias de pequenos e grandes incidentes v\u00e3o se espalhando.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso seguir sempre as regras e reduzir os riscos que forem poss\u00edveis. N\u00f3s voamos a mais de 200km\/h, a no m\u00e1ximo quatro metros de altura. Temos de nos aperfei\u00e7oar, estudar, porque nosso trabalho exige muita responsabilidade\u201d, afirma Matheus Timm, 29 anos, v\u00edtima de um acidente no in\u00edcio de 2018.<\/p>\n<p>O avi\u00e3o pilotado por Matheus ainda est\u00e1 na oficina da empresa, em Pelotas, a 260km de Porto Alegre (RS). O ve\u00edculo passa por reparos, mas deve voltar a voar em breve. Para n\u00e3o dar chance ao azar, o rapaz tenta aprender com a experi\u00eancia e diz ter redobrado os cuidados ao comandar uma aeronave.<\/p>\n<p>\u201cDEPOIS DO INCIDENTE, VOC\u00ca PENSA O QUANTO PODERIA TER SIDO S\u00c9RIO E AT\u00c9 FATAL. COME\u00c7A A TER UMA ATEN\u00c7\u00c3O MAIOR\u201d, DIZ MATHEUS. \u201cEU SEMPRE CUIDEI MUITO, MAS, NAQUELE MOMENTO, FALTOU. ESSA \u00c9 A INGRATID\u00c3O DA PROFISS\u00c3O: VOC\u00ca PODE TER FEITO TUDO CERTINHO, A\u00cd, EM UM DESCUIDO, UM DESLIZE, POR FALTA DE PLANEJAMENTO, PODE ACONTECER O ACIDENTE\u201d, EXPLICA.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul \u2013 estado pioneiro em terras brasileiras nesse tipo de avia\u00e7\u00e3o \u2013, nove dos 16 acidentes a\u00e9reos registrados em 2018 ocorreram durante voos aeroagr\u00edcolas. Ou seja, as m\u00e1quinas que sobrevoam as lavouras responderam por 56,2% dos desastres com avi\u00f5es em todo o territ\u00f3rio ga\u00facho. \u00cdndice semelhante ao de Goi\u00e1s, onde o agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m move a economia e lan\u00e7a m\u00e3o em grande escala dos servi\u00e7os prestados pelos pilotos especializados. Dos oito acidentes ocorridos em solo goiano neste ano, quatro foram em fazendas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Info_linha-do-tempo.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Faltam controle e forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As empresas donas de aeronaves agr\u00edcolas que contratam pilotos para prestarem esse tipo de servi\u00e7o afirmam seguir todas as regras de seguran\u00e7a para evitar trag\u00e9dias. Segundo as companhias, tudo \u00e9 feito dentro da legisla\u00e7\u00e3o. E nem poderia ser diferente: elas precisam de diversas libera\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os governamentais de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle para voar.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pilotos defendem uma melhor forma\u00e7\u00e3o para os novatos. Os profissionais responsabilizam a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac) por n\u00e3o regulamentar devidamente o setor e as escolas de avia\u00e7\u00e3o, tampouco fiscaliz\u00e1-los de forma eficiente.<\/p>\n<p>O Sindicato Nacional das Empresas de Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Sindag) pede \u00e0 Anac o aumento das horas obrigat\u00f3rias de voos para que um piloto conquiste a habilita\u00e7\u00e3o. Segundo o Regulamento Brasileiro de Avia\u00e7\u00e3o Civil (RBAC) n\u00ba 61, o candidato deve possuir 400 horas de voo totais, das quais, no m\u00ednimo, 200 precisam ser realizadas na categoria de aeronave para a qual \u00e9 solicitada a habilita\u00e7\u00e3o. Dessas, pelo menos 100 devem ter o piloto em comando. Confira as regras exigidas a seguir:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Info_Como-sao-formados-os-pilotos.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Foto-Gabriel-Colli.jpg\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cN\u00f3s precisamos melhorar essa quest\u00e3o. Mas a Anac diz n\u00e3o ter interesse em regulamentar mais, burocratizar mais, porque tem car\u00eancia de fiscais e n\u00e3o vai conseguir acompanhar tudo.\u201d\u00a0Gabriel Colli, diretor-executivo do Sindag<\/em><\/p>\n<p>A Anac se defende. De acordo com a ag\u00eancia, os pilotos chegam ao mercado aeroagr\u00edcola brasileiro com \u201cgrande experi\u00eancia\u201d, mas se colocam em risco ao realizarem acrobacias durante os voos. O setor reconhece a realiza\u00e7\u00e3o de manobras perigosas, e apresenta duas raz\u00f5es principais para justific\u00e1-las.<\/p>\n<p>Para cobrirem toda a \u00e1rea das lavouras, os pilotos precisam voar baixo e fazer curvas fechadas, assim, n\u00e3o deixam nenhuma parte da planta\u00e7\u00e3o sem o agrot\u00f3xico. J\u00e1 as acrobacias seriam necess\u00e1rias para impedir que os avi\u00f5es colidam com \u00e1rvores e rede de alta-tens\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3V0mKWJiSos\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Outro agravante para a ocorr\u00eancia de acidentes \u00e9 o n\u00famero de profissionais inaptos a exercer a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, segundo o sindicato das empresas do setor. A Anac, contudo, afirma n\u00e3o dispor desse dado \u201cporque os registros s\u00e3o categorizados por pilotos de aeronaves privadas (TPR),[crit\u00e9rio] mais abrangente que por pilotos da avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d. No ano passado, de acordo a ag\u00eancia, havia no Brasil 21.156 habilitados para comandar avi\u00f5es de uso privativo.<\/p>\n<p><strong>A vida por um fio<\/strong><\/p>\n<p>A morte bateu \u00e0 porta do piloto \u00c2ngelo Steckel Baldicera, 33 anos, durante pulveriza\u00e7\u00e3o de inibidor de florescimento sobre um canavial \u00e0s margens da BR-080, em Vila Prop\u00edcio (GO). Era mar\u00e7o de 2017 e ele sobrevoava a \u00e1rea, quando colidiu com linha de transmiss\u00e3o n\u00e3o energizada \u00e0 beira da pista. \u00c2ngelo perdeu o controle da aeronave, um Cessna Aircraft fabricado em 1977, que caiu de bico no solo. O piloto teve perda de mem\u00f3ria. N\u00e3o guarda lembran\u00e7a alguma do dia do acidente nem do anterior, mas sup\u00f5e n\u00e3o ter visto o fio da rede el\u00e9trica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Angelo_120718-RF-Aviacao-Agricola-002.jpg\" \/><em>\u00c2ngelo Baldicera sobreviveu a uma queda de avi\u00e3o em Vila Prop\u00edcio (GO). Ele n\u00e3o usava capacete e perdeu a mem\u00f3ria do acidente e dia anterior<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cBati com a cabe\u00e7a contra o painel, trinquei o cr\u00e2nio e sofri corte acima do olho direito. Tamb\u00e9m rompi dois tend\u00f5es do joelho direito, quebrei o bra\u00e7o esquerdo e fraturei uma costela, que perfurou o pulm\u00e3o.\u201d\u00a0\u00c2ngelo Steckel Baldicera, piloto, acidentou-se no ano passado<\/em><\/p>\n<p>Ele n\u00e3o usava capacete naquele momento. Hoje, \u00c2ngelo tem uma d\u00e9cada de carreira, acumula 4,8 mil horas de voo e n\u00e3o dispensa o uso do equipamento de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O acidente ocorreu em \u00e9poca de safra, per\u00edodo no qual os pilotos mais padecem de exaust\u00e3o pelo trabalho, devido \u00e0 rotina extenuante. Os profissionais despertam antes de o sol raiar e voltar para casa ap\u00f3s o anoitecer, depois da mon\u00f3tona e desgastante sequ\u00eancia de pulveriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Lei Federal n\u00ba 13.475\/2017, conhecida como \u201cLei do Aeronauta\u201d, determina: aos pilotos agr\u00edcolas, entre outras categorias de aviadores, \u201cs\u00e3o assegurados os seguintes limites de horas de voo em uma mesma jornada de trabalho: nove horas e 30 minutos\u201d, \u201cna hip\u00f3tese de integrante de tripula\u00e7\u00e3o m\u00ednima ou simples\u201d. O texto tamb\u00e9m restringe o tempo de voo mensal e anual ao limite de 100h\/m\u00eas e 960h\/ano em avi\u00f5es convencionais e 85h\/m\u00eas e 850h\/ano em aeronaves turbo\u00e9lices.<\/p>\n<p>Apesar disso, parte dos pilotos extrapola o limite nas \u00e9pocas de safra. \u00c2ngelo buscou, no rec\u00f4ndito de sua mem\u00f3ria, lembrar suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsica e mental no momento do acidente. N\u00e3o conseguiu. A batalha pela vida e a chance de fazer novamente o que mais ama durou 42 dias \u2013 10 deles em coma \u2013, em um hospital de Goi\u00e2nia. Nesse per\u00edodo, ele emagreceu 20kg.<\/p>\n<p>SEIS MESES DEPOIS, \u00c2NGELO SUPEROU O BAQUE E VOLTOU A PILOTAR NAS PROXIMIDADES DE GOIAN\u00c9SIA, ONDE MORA. DESDE ENT\u00c3O, PASSA CONSTANTEMENTE PELO LUGAR NO QUAL QUASE PERDEU A VIDA, ISSO N\u00c3O O INTIMIDA. O RISCO DE SOFRER OUTRO ACIDENTE E N\u00c3O TER A MESMA SORTE TAMB\u00c9M N\u00c3O. \u201cSE O AVI\u00c3O CAIR, N\u00c3O ESTOU NEM A\u00cd. VOAR \u00c9 O QUE EU AMO FAZER\u201d, RESUME.<\/p>\n<p>Quase um ano e meio depois do acidente de \u00c2ngelo, o Sistema de Investiga\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes Aeron\u00e1uticos (Sipaer), do Cenipa, ainda n\u00e3o concluiu o relat\u00f3rio sobre a ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o de riscos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas um fator que leva \u00e0 trag\u00e9dia\u201d, diz Leonardo Pinheiro, chefe do 5\u00ba Servi\u00e7o Regional de Investiga\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes Aeron\u00e1uticos (Seripa V).<\/p>\n<p>\u201cSempre h\u00e1 uma s\u00e9rie de acontecimentos para a queda. N\u00f3s sabemos: toda atividade de avia\u00e7\u00e3o representa um risco. Por isso, o importante \u00e9 seguir o padr\u00e3o e aumentar a aten\u00e7\u00e3o com os protocolos de seguran\u00e7a\u201d, explica o tenente-coronel-aviador.<\/p>\n<p>Segundo Pinheiro, a FAB denomina de fator contribuinte as situa\u00e7\u00f5es que podem levar a um acidente. \u201cAs causas podem ser humana, operacional e material. Por exemplo, o clima ruim e a posi\u00e7\u00e3o do sol sempre influenciam\u201d, detalha. \u201cSe o piloto n\u00e3o fez o planejamento correto, ou se tomou um rem\u00e9dio que causa sonol\u00eancia, a meteorologia ter\u00e1 um efeito muito maior na possibilidade ou gravidade do acidente\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Ele adverte ainda: todo acidente pode ser evitado e, mais do que buscar constantemente o aumento da seguran\u00e7a, \u00e9 preciso acabar com a \u201ccultura do piloto ousado\u201d. De acordo com o tenente-coronel-aviador, esse tipo de profissional quer ir al\u00e9m do limite da aeronave, sem seguir normas ou o manual.<\/p>\n<p>Aos 63 anos, Alan Sejer Poulsen sabe bem o que significa deixar de ser um \u201cpiloto arrojado\u201d para se tornar do tipo conservador. Com mais de quatro d\u00e9cadas na avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, atualmente ele controla uma empresa com outros seis profissionais. \u201cSempre converso com os colegas mais jovens e conto tudo que j\u00e1 passei, todas as porcarias feitas por mim no passado\u201d, afirma.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap_1_Foto_110718MM_AviacaoTaim030.jpg\" \/><em>Alan Sejer Poulsen (de verde) tem mais de quatro d\u00e9cadas de experi\u00eancia na avia\u00e7\u00e3o. Com os anos, tornou-se um piloto mais cuidadoso e passa sua experi\u00eancia aos colegas mais jovens<\/em><\/p>\n<p>Pensando nisso, ele tem por regra n\u00e3o contratar rec\u00e9m-formados na sua empresa em Pelotas (RS). O mais novo profissional da companhia tem 29 anos; o mais velho, Jos\u00e9 Larentis, 69. \u201cEra para eu ter parado h\u00e1 mais de 10 anos. Sempre digo que ser\u00e1 a \u00faltima safra, mas nunca \u00e9\u201d, brinca Larentis. Apaixonado pela profiss\u00e3o, o piloto trabalha h\u00e1 quase 40 anos no segmento agr\u00edcola, sem contar a experi\u00eancia em outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cEu tive tr\u00eas pequenos acidentes nesse tempo. Dois deles na aeroagr\u00edcola. O primeiro foi falta de julgamento da minha parte, aquilo de \u2018acho que d\u00e1\u2019, n\u00e3o deu e o avi\u00e3o caiu. O segundo foi um problema t\u00e9cnico na aeronave\u201d, recorda o experiente piloto. \u201cN\u00e3o me machuquei em nenhum deles. S\u00f3 o orgulho mesmo\u201d, ri.<\/p>\n<p>Mais s\u00e9rio, por\u00e9m, Jos\u00e9 Larentis conta o quanto aprendeu com esses incidentes. \u201cNo primeiro acidente, o culpado fui eu. Mas, se voc\u00ea tirar proveito do que acontece e aprender com isso, vale a pena\u201d, diz.<\/p>\n<p><em>\u201cEst\u00e1 faltando experi\u00eancia por a\u00ed sim. Eu tento ensinar um pouco a galera daqui. Digo sempre a eles: \u2018Se est\u00e1 dentro do avi\u00e3o, est\u00e1 voando. N\u00e3o tem de ficar pensando em namorada, nas contas\u2019. Tem de ter concentra\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tem de saber, antes de chegar ao destino, o que vai acontecer. Muitos acidentes ocorrem porque v\u00e3o no acho e deixam de lado a certeza.\u201d\u00a0Jos\u00e9 Larentis, 69 anos, piloto aeroagr\u00edcola h\u00e1 quase 40<\/em><\/p>\n<p>Piloto agr\u00edcola h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, Rochele Barcelos Teixeira, 36, aponta falhas, que podem custar vidas, na forma\u00e7\u00e3o dos aviadores iniciantes. Para ela, esses problemas decorrem, principalmente, da inexperi\u00eancia dos instrutores e r\u00e9dea curta da Anac \u2013 a ag\u00eancia \u00e9 respons\u00e1vel por definir o cronograma e as tarefas dos cursos, al\u00e9m das manobras permitidas. Hoje, grande parte dos aeronautas dedicados a ensinar n\u00e3o o fazem como ganha-p\u00e3o, mas para acumular horas de voo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap_1_Foto_130718-RF-Rochele-e-uma-das-7-mulheres-piloto-agricola-008.jpg\" \/><em>Rochele Barcelos Teixeira tem 36 anos e pilota aeronaves agr\u00edcolas h\u00e1 quase 20: no Brasil, somente ela e outras seis mulheres exercem essa profiss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>\u201cEXISTE ROTATIVIDADE MUITO GRANDE PORQUE INSTRUTOR N\u00c3O \u00c9 UMA PROFISS\u00c3O PARA GANHAR A VIDA. N\u00c3O SE VIVE DE SER INSTRUTOR, \u00c9 UM PER\u00cdODO PARA ADQUIRIR MAIS EXPERI\u00caNCIA E ENTRAR PARA A AVIA\u00c7\u00c3O AGR\u00cdCOLA OU A\u00c9REA\u201d, EXPLICA. ROCHELE \u00c9 UMA DAS SETE MULHERES ENTRE OS 1,5 MIL PILOTOS AGR\u00cdCOLAS NO BRASIL.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m aponta excesso de rigor da Anac ao restringir a quantidade de manobras ensinadas aos pilotos agr\u00edcolas em forma\u00e7\u00e3o. \u201cAcho que as escolas no Brasil est\u00e3o muito limitadas nesse sentido. As pessoas veem com certo pavor algumas manobras semi-acrob\u00e1ticas tiradas do curso pela Anac, por quest\u00e3o de seguran\u00e7a\u201d, ressalta. \u201cMas o exagero gera uma inseguran\u00e7a l\u00e1 na frente, um d\u00e9ficit na forma\u00e7\u00e3o do piloto, que n\u00e3o sabe agir quando se encontra em situa\u00e7\u00e3o adversa\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u00c2ngelo concorda. Ele cita o pr\u00f3prio exemplo para refor\u00e7ar a necessidade de dar aos aviadores maior liberdade no per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o. \u201cFalta autoconfian\u00e7a. Das 23 horas que voei no curso de forma\u00e7\u00e3o [na aeroagr\u00edcola], 10 foram no solo. S\u00f3 depois me senti um piloto de verdade. At\u00e9 ter 100 horas, eu n\u00e3o tinha confian\u00e7a\u201d, destaca.<\/p>\n<p>A essas falhas somam-se elementos intr\u00ednsecos \u00e0 profiss\u00e3o, como a press\u00e3o causada pela dist\u00e2ncia da fam\u00edlia e por excesso de trabalho. Nas \u00e9pocas de safra, muitos pilotos moram em alojamentos ou hot\u00e9is, longe de suas casas. Passam o dia inteiro na labuta, chegando a trabalhar 12 horas. Ficam a merc\u00ea dos clientes.<\/p>\n<p>\u201cQuerem que a gente aplique [o agrot\u00f3xico] porque a perda na lavoura \u00e9 coisa muito s\u00e9ria. \u00c0s vezes, uma praga se alastra com grande velocidade. Ent\u00e3o, n\u00e3o se pode ficar em casa com a fam\u00edlia em P\u00e1scoa, no Natal\u201d, relata Rochele. \u201cSe tem uma lagarta pegando, temos de aplicar um veneno para mat\u00e1-la. Mais um dia e o estrago aumenta em uma propor\u00e7\u00e3o muito grande. Ent\u00e3o, encaramos aquilo como prioridade m\u00e1xima. Para quem tem fam\u00edlia, \u00e9 um pouco dif\u00edcil\u201d, detalha.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Info_7mulheres.jpg\" \/><\/p>\n<p>Ela n\u00e3o voa desde 2014, quando deu \u00e0 luz seu primog\u00eanito, hoje com 3 anos. Pouco depois, nasceu o ca\u00e7ula, de 11 meses. Agora, a piloto se prepara para retomar o trabalho em 2019. Mas decidiu abriu m\u00e3o de parte do \u00f4nus da profiss\u00e3o. Rochele j\u00e1 atuou em Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s e Rio Grande do Sul. \u00c0 \u00e9poca, tinha de pingar de cidade em cidade a cada 10 dias, em m\u00e9dia. Quando voltar \u00e0 carreira, vai procurar emprego o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel de casa, em Luzi\u00e2nia (GO), a 59km de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Causas e preconceito<\/strong><\/p>\n<p>O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) avalia que a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola tem aumentado no Brasil, mas reconhece: \u201cOs acidentes n\u00e3o deveriam crescer\u201d. A entidade diz trabalhar a preven\u00e7\u00e3o, durante encontros com pilotos e empres\u00e1rios em eventos pr\u00f3prios, junto ao Sindag e \u00f3rg\u00e3os como o Cenipa. \u201cEstamos participando, por exemplo, da discuss\u00e3o com as escolas de avia\u00e7\u00e3o, para melhoria do curr\u00edculo na forma\u00e7\u00e3o dos pilotos\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap_1_Foto_110718MM_Aviacao-Taim004.jpg\" \/><em>Jos\u00e9 Larentis tem quase 40 anos de aeroagr\u00edcola. Aos 69, \u00e9 o mais velho de sua empresa, que n\u00e3o contrata rec\u00e9m-formados, pois se arriscam muito<\/em><\/p>\n<p>Para o sindicato, h\u00e1 v\u00e1rios fatores contribuindo para a ocorr\u00eancia de acidentes. O meio, o homem e a m\u00e1quina s\u00e3o os principais. Circunst\u00e2ncias como locais afastados, voos repetitivos, baixa altitude e obst\u00e1culos s\u00e3o alguns dos fatores naturais listados pela entidade. Condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, \u201ccomo dist\u00e2ncia dos pilotos de seus familiares por longo per\u00edodo, alimenta\u00e7\u00e3o e isolamento, al\u00e9m da necessidade de alto rendimento operacional para haver bom resultado financeiro\u201d, tamb\u00e9m ajudam a explicar a alta incid\u00eancia de desastres com aeroagr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Segundo a entidade, manuten\u00e7\u00e3o inadequada, falta de reparo e opera\u00e7\u00e3o com equipamentos obsoletos somam-se aos outros motivos.<\/p>\n<p>O SNA afirma tamb\u00e9m que h\u00e1 preconceito contra a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, \u201cprincipalmente, em discuss\u00f5es envolvendo a quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos nas lavouras\u201d. \u201cA avia\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a agricultura, \u00e9 um ferramenta necess\u00e1ria e segura. O profissional \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a seguran\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds e requer maior incentivo por parte dos \u00f3rg\u00e3os reguladores\u201d, diz a entidade.<\/p>\n<p><strong>Sob fogo cruzado<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da possibilidade de se acidentarem ou mesmo morrerem no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, os pilotos do setor est\u00e3o sob o fogo cruzado da briga entre ruralistas e ambientalistas. Os defensores do meio ambiente acusam a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de contaminar o solo de maneira excessiva, pois as aeronaves comportam grandes quantidades de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo1\/Cap1_Foto_120718-RF-Aviacao-Agricola-041.jpg\" \/><em>Aeroagr\u00edcola em a\u00e7\u00e3o: avi\u00f5es despejam sua carga a poucos metros do ch\u00e3o e precisam manobrar rapidamente. Risco constante de acidentes a\u00e9reos<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 as empresas aeroagr\u00edcolas e seu sindicato afirmam que todos os cuidados s\u00e3o tomados e os avi\u00f5es permitem a libera\u00e7\u00e3o dos produtos qu\u00edmicos na quantidade exata para livrar a lavoura de pragas.<\/p>\n<p>Embora transportem carga altamente t\u00f3xica, s\u00e3o raras as not\u00edcias de pilotos agr\u00edcolas contaminados durante o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. Isso se deve ao fato de eles n\u00e3o terem contato direto com os agrot\u00f3xicos usados na pulveriza\u00e7\u00e3o. A manipula\u00e7\u00e3o dos produtos qu\u00edmicos \u00e9 feita por t\u00e9cnicos, que utilizam equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, como luvas, \u00f3culos, m\u00e1scaras e macac\u00f5es. Os pesticidas ficam no hooper (um reservat\u00f3rio na frente das aeronaves), e os pilotos, no cockpit (cabine), espa\u00e7o muito bem vedado.<\/p>\n<p>NA C\u00c2MARA DOS DEPUTADOS E NAS CASAS LEGISLATIVAS DE MUNIC\u00cdPIOS E ESTADOS BRASILEIROS, H\u00c1 UMA QUEDA DE BRA\u00c7O: ALGUNS PROJETOS TENTAM DERRUBAR A PULVERIZA\u00c7\u00c3O A\u00c9REA E OUTROS VISAM O AUMENTO DO USO DE AGROT\u00d3XICOS. AT\u00c9 AGORA, OS TEXTOS FAVOR\u00c1VEIS AO VETO T\u00caM PERDIDO A DISPUTA.<\/p>\n<p>Exemplo disso \u00e9 o Projeto de Lei n\u00ba 53\/2017, de autoria do vereador Professor Padre Sergio (PT-SP), de Americana, interior paulista. A mat\u00e9ria propunha banir a pr\u00e1tica de pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos, mas foi reprovada pela C\u00e2mara Municipal por 9 votos a 8.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo2\/Cap2_Abre_180718-IE-intoxicacao-agrotoxicos-006.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>O veneno vem do c\u00e9u<\/strong><\/p>\n<p>Da varanda do barraco de 35m\u00b2, onde mora com o marido e os dois filhos, a produtora rural Josinete Maria dos Santos de Lima Silva, 40 anos, olha para o c\u00e9u e faz uma viagem ao passado. Recorda o dia no qual viveu o pior pesadelo de sua vida. Sob as nuvens, ela viu despontar um avi\u00e3o agr\u00edcola em outubro do ano passado. Dominada pelo medo da morte, escondeu-se no casebre para se proteger do \u201crajado branco\u201d vindo de cima. Em v\u00e3o.<\/p>\n<p>O jato f\u00e9tido de pesticida entrou pelas frestas e tirou o ar de Neta \u2013 como a mulher \u00e9 conhecida no assentamento Luiz Beltrame de Castro, a 10km de Ubirajara (SP), resid\u00eancia da sua e de mais 76 fam\u00edlias. Em menos de um minuto, Neta sentiu-se como alvo de um ataque qu\u00edmico. Contra ela, pesaram os problemas respirat\u00f3rios resultantes de anos dedicados \u00e0 colheita manual em laranjais embebidos de \u201cveneno\u201d \u2013 a palavra agrot\u00f3xico n\u00e3o consta do vocabul\u00e1rio de boa parte das v\u00edtimas desse produto.<\/p>\n<p><em>\u201cCome\u00e7ou a me dar crise de bronquite. Tive de sair de casa. Coceira no corpo, boca formigando. \u2018Febr\u00e3o\u2019 de 40 graus, muita secura na garganta.\u201d\u00a0Josinete Maria dos Santos de Silva, a Neta, produtora rural do interior paulista<\/em><\/p>\n<p>Neta s\u00f3 conseguiu voltar para casa, naquele dia, ap\u00f3s chover. Por\u00e9m, a mesma \u00e1gua que assentou na terra as got\u00edculas de agrot\u00f3xico \u201camarelou as plantas\u201d. Tudo em menos de 24 horas, recorda a mulher.<\/p>\n<p>O incidente mudou a vida de Neta para sempre, sentenciando-a ao conv\u00edvio eterno com crises respirat\u00f3rias. \u201cFazia dois anos que eu n\u00e3o tinha crise de asma, bronquite. Agora, \u00e9 rara a semana sem sentir falta de ar. Fiz cirurgia da garganta, inflama muito. Segundo a m\u00e9dica, \u00e9 por causa de muito veneno na terra\u201d, relata.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo2\/Cap2_Foto_180718-IE-intoxicacao-agrotoxicos-011.jpg\" \/><em>Josinete Maria dos Santos de Lima Silva vive da terra, mas est\u00e1 sempre mirando o c\u00e9u: despejo de agrot\u00f3xico sobre o assentamento onde vive lhe roubou a sa\u00fade<\/em><\/p>\n<p>O quadro piora a cada dia e a impede de garantir o pr\u00f3prio sustento, fruto do trabalho na horta org\u00e2nica mantida por ela e o marido no quintal da ch\u00e1cara. O esfor\u00e7o f\u00edsico se limita aos afazeres mais b\u00e1sicos de casa, como lavar lou\u00e7a, varrer e limpar o piso. A enxada, sua mais \u00edntima companheira, sai de cena aos poucos.<\/p>\n<p>\u201cComo a gente vai falar que \u00e9 org\u00e2nica uma coisa toda intoxicada pelo veneno? N\u00e3o adianta cercar para n\u00e3o vir do vizinho, porque vem do c\u00e9u. Fica dif\u00edcil trabalhar na terra. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, tem a sa\u00fade da gente tamb\u00e9m\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Neta, depois desse epis\u00f3dio, a regi\u00e3o sofreu outras duas pulveriza\u00e7\u00f5es. Ocorreram no in\u00edcio deste ano, com intervalo de 15 dias. Toda noite, quando recosta a cabe\u00e7a no travesseiro para dormir, a mulher planeja um futuro longe daquele lugar. Para isso se concretizar, segundo ela, basta haver novo despejo de \u201cveneno\u201d, pesadelo que ela espera jamais reviver.<\/p>\n<p>A 500 metros dali, outra integrante do assentamento e trabalhadora rural, M\u00e1rcia Soares, 46, tamb\u00e9m inalou agrot\u00f3xico despejado por avi\u00e3o agr\u00edcola. Ela caminhava no pr\u00f3prio lote, perto da divisa com a propriedade vizinha, quando teve contato com o produto. Correu para o interior da casa, mas n\u00e3o p\u00f4de evitar a queda da subst\u00e2ncia sobre todo o seu corpo. Nesse tempo, sacou o celular e filmou a a\u00e7\u00e3o, para provar o que, muitas vezes, \u00e9 desmentido pelos respons\u00e1veis por pulverizar as lavouras.<\/p>\n<p>\u201cTive muita ard\u00eancia nos olhos. Corri para o banheiro, entrei embaixo do chuveiro para lavar o corpo. O barraco ficou com um cheiro insuport\u00e1vel. Abri tudo, mas tive que dormir na casa da minha m\u00e3e\u201d, relembra M\u00e1rcia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo2\/Cap2_Foto_180718-IE-intoxicacao-agrotoxicos-015.jpg\" \/><em>Tamb\u00e9m assentada rural, M\u00e1rcia Soares j\u00e1 filmou a a\u00e7\u00e3o dos avi\u00f5es pulverizadores, mas n\u00e3o esconde o medo de denunciar os grandes produtores vizinhos ao seu peda\u00e7o de ch\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>Sem socorro aos intoxicados<\/strong><\/p>\n<p>Todos os meses, o m\u00e9dico especialista em sa\u00fade da fam\u00edlia, Eduardo Perillo Mendes Vasconcelos, 30, colhe queixas dos assentados. Ele os ajuda a se proteger e tratar dos sintomas das intoxica\u00e7\u00f5es, mesmo estando a 58km da \u00e1rea rural. O doutor integra projeto de extens\u00e3o da Faculdade de Medicina de Mar\u00edlia (Famema), focado em sa\u00fade no campo, e tem visto de perto as consequ\u00eancias do envenenamento para a comunidade da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEles reclamam de dermatites, tosse, lacrimejamento, ard\u00eancia nos olhos. A maior parte tem contato com agrot\u00f3xicos organofosforados [tipo de inseticida]\u201d, relata. O m\u00e9dico explica que esse tipo de intoxica\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado agudo, e alerta para o risco da exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u2013 contato repetido a doses baixas por per\u00edodo prolongado.<\/p>\n<p>SEGUNDO PERILLO, V\u00cdTIMAS DESSE TIPO DE ENVENENAMENTO ACUSAM ALTERA\u00c7\u00d5ES DE COMPORTAMENTO, PARECEM TER MAL DE PARKINSON (POR CAUSA DOS TREMORES PELO CORPO) E PODEM DESENVOLVER C\u00c2NCER. \u201cMAS FICA DIF\u00cdCIL ESTABELECERMOS NEXO CAUSAL\u201d, ADMITE O ESPECIALISTA. \u00c0 EXPOSI\u00c7\u00c3O CR\u00d4NICA, TAMB\u00c9M SE ASSOCIAM A INFERTILIDADE E IMPACTOS NEGATIVOS NO DESENVOLVIMENTO FETAL.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo2\/Cap2_Foto_Captura-de-Tela-2018-07-26-as-21.09.46.jpg\" \/><em>Doutor Eduardo Perillo atende assentados: se intoxicados n\u00e3o forem atendidos em at\u00e9 quatro horas ap\u00f3s o contato com \u201cveneno\u201d despejado pelos aeroagr\u00edcolas, \u201cn\u00e3o h\u00e1 o que fazer\u201d<\/em><\/p>\n<p>Perillo tamb\u00e9m afirma que crian\u00e7as, mulheres gr\u00e1vidas e idosos est\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0s consequ\u00eancias do contato direto com os produtos. Ele salienta a necessidade de r\u00e1pido atendimento, \u201cem at\u00e9 quatro horas\u201d, ap\u00f3s a intoxica\u00e7\u00e3o. Isso, no caso dos assentados, \u00e9 um caminho cheio de obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>A maioria dos moradores do assentamento n\u00e3o possui carro e precisa andar quase 30km \u2013 por uma via prec\u00e1ria e sem pavimenta\u00e7\u00e3o \u2013 para chegar ao posto de sa\u00fade mais pr\u00f3ximo. Mesmo aqueles com ve\u00edculos precisam contar com a sorte: s\u00f3 vencem a dist\u00e2ncia entre os locais de resid\u00eancia e onde encontrariam socorro se n\u00e3o chover. Caso contr\u00e1rio, os autom\u00f3veis ficam atolados no lama\u00e7al no qual o caminho se transforma. \u201cA falta de acesso \u00e9 tamanha que, se for grave, n\u00e3o tem o que fazer\u201d, lamenta Perillo.<\/p>\n<p>A intoxica\u00e7\u00e3o n\u00e3o costuma despertar a aten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis por formular pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil. \u00c0s vezes, nem \u00e9 denunciada. Uma das principais causas \u00e9 o temor, compartilhado nas comunidades rurais, de poss\u00edveis repres\u00e1lias por parte de grandes propriet\u00e1rios de terra. \u201cTenho medo. Sabem que somos contra [o uso de defensivos agr\u00edcolas]\u201d, revela a produtora rural M\u00e1rcia Soares.<\/p>\n<p>Em 2010, o agricultor rural e ativista no combate aos agrot\u00f3xicos Jos\u00e9 Maria Filho foi assassinado a tiros depois de pressionar o governo do Cear\u00e1 a dar um basta na pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea. \u00c0 \u00e9poca, ele tirava fotografava e gravava avi\u00f5es decolando de um campo de voo em Limoeiro do Norte. O homem tamb\u00e9m passou a ser amea\u00e7ado. Em 21 de abril daquele ano, quando ia para casa, as intimida\u00e7\u00f5es se concretizaram: Filho foi alvejado por 25 balas de pistola. Ele morreu na hora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos moradores, a biodiversidade do assentamento tamb\u00e9m est\u00e1 amea\u00e7ada pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea. Pois, ao lado do local, h\u00e1 a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Caetetus, \u00e1rea de 2,2 mil hectares de mata preservada. O local tamb\u00e9m \u00e9 habitat de animais em extin\u00e7\u00e3o e protegidos. Essas esp\u00e9cies tamb\u00e9m recebem o \u201cveneno\u201d dispersado nas fazendas ao redor.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o atinge ainda os recursos h\u00eddricos. Pr\u00f3ximo ao assentamento e \u00e0s fazendas, h\u00e1 uma represa onde as fam\u00edlias costumam pescar e tirar \u00e1gua para abastecer suas casas quando t\u00eam problemas nos po\u00e7os artesianos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo2\/Cap2_Foto_DJI_0021.jpg\" \/><em>Assentamento Luiz Beltrame de Castro, em S\u00e3o Paulo, abriga 77 fam\u00edlias de produtores rurais: fica ao lado de reserva, represa e grandes propriedades que fazem uso de agrot\u00f3xicos para manter a produ\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>\u201cNada a ver com isso\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O Metr\u00f3poles foi \u00e0 Fazenda Brinco de Ouro, respons\u00e1vel por, segundo a comunidade, pulverizar agrot\u00f3xicos sobre o assentamento Luiz Beltrame de Castro. A propriedade rural estava inabitada. Ela \u00e9 arrendada por um produtor de mandioca conhecido como Delci. O irm\u00e3o e representante dele, identificado como Paulo, nega as acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Durante conversa telef\u00f4nica com a reportagem, ele alegou que, na \u00e1rea de 300 hectares pertencente a Delci, h\u00e1 cultivo de mandioca. Por\u00e9m, Paulo recha\u00e7ou ter havido aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico no local. Segundo o homem, \u201cj\u00e1 t\u00ednhamos arrancado a planta\u00e7\u00e3o\u201d e, assim, n\u00e3o era mais preciso usar os produtos qu\u00edmicos \u00e0 \u00e9poca das pulveriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar disso, ele soube explicar como funciona o processo. \u201cA pulveriza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita uma vez por ano, se houver ataque de praga do mandarov\u00e1, l\u00e1 para novembro\u201d, disse. \u201cN\u00e3o \u00e9 qualquer um que faz, contrata-se uma empresa especializada para realizar esse trabalho. Mas n\u00e3o temos nada a ver com isso\u201d, encerrou.<\/p>\n<p><strong>O que diz a lei<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea \u00e9 regulamentada pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.normasbrasil.com.br\/norma\/decreto-lei-917-1969_61953.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei Federal n\u00ba 917\/1969<\/a>, pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/decret\/1980-1987\/decreto-86765-22-dezembro-1981-436405-publicacaooriginal-1-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Decreto n\u00ba 86.765\/1981<\/a>\u00a0e pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.agricultura.gov.br\/assuntos\/insumos-agropecuarios\/insumos-agricolas\/agrotoxicos\/arquivos\/in2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 02\/2008<\/a>. As mat\u00e9rias estabelecem, entre outros aspectos, a obrigatoriedade do cadastro das empresas e dos pilotos de avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcolas junto ao Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento. Al\u00e9m disso, firmas e profissionais devem submeter relat\u00f3rio operacional das atividades \u00e0s superintend\u00eancias dos estados onde atuam, informando datas, hor\u00e1rios, locais e produtos usados.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos tem restri\u00e7\u00f5es. Entre elas, o veto \u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o em \u00e1reas localizadas at\u00e9 500m de povoa\u00e7\u00f5es, cidades, bairros, comunidades rurais, vilas e locais onde h\u00e1 mananciais usados para capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Os moradores do assentamento Luiz Beltrame de Castro acusam os produtores rurais da Fazenda Brinco de Ouro de n\u00e3o respeitarem esse limite.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo3\/Cap3_Foto_abre_110718MM_Aviacao-Taim011.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Um pa\u00eds onde a fiscaliza\u00e7\u00e3o falha e os agroqu\u00edmicos se espalham<\/strong><\/p>\n<p>A Anac e o Ibama unem for\u00e7as no combate \u00e0s irregularidades na avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. Os \u00f3rg\u00e3os atuam, nacionalmente, na Opera\u00e7\u00e3o Dem\u00e9ter \u2013 em alus\u00e3o \u00e0 deusa da agricultura na mitologia grega.<\/p>\n<p>A ofensiva j\u00e1 identificou, desde o ano passado, pr\u00e1ticas irregulares em Mato Grosso do Sul, S\u00e3o Paulo, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Bahia e todos os estados do Sul.<\/p>\n<p>ENTRE AS ANORMALIDADES, SEGUNDO O ANALISTA AMBIENTAL DO IBAMA CARLOS DIAS, EST\u00c3O FRAUDES EM RELAT\u00d3RIOS SOBRE HORAS DE VOO E NA MANUTEN\u00c7\u00c3O DE AERONAVES, INCLUSIVE COM O TRABALHO SENDO FEITO EM LOCAIS N\u00c3O AUTORIZADOS. A OPERA\u00c7\u00c3O TAMB\u00c9M CONSTATOU A N\u00c3O UTILIZA\u00c7\u00c3O DOS P\u00c1TIOS DE DESCONTAMINA\u00c7\u00c3O DE AVI\u00d5ES \u2013 NORMA OBRIGAT\u00d3RIA IMPOSTA PELO MINIST\u00c9RIO DA AGRICULTURA, PECU\u00c1RIA E ABASTECIMENTO.<\/p>\n<p>Certificados de aeronavegabilidade inv\u00e1lidos, habilita\u00e7\u00f5es de pilotos suspensas e aeronaves com ocupantes acima do limite permitido completam a lista de irregularidades.<\/p>\n<p><em>\u201cH\u00e1 empresas que fazem manuten\u00e7\u00e3o em oficinas n\u00e3o autorizadas, porque \u00e9 mais barato. Tamb\u00e9m n\u00e3o descontaminam as aeronaves em locais adequados, pois \u00e9, economicamente, invi\u00e1vel. H\u00e1 uma inc\u00f3gnita sobre onde fazem a descontamina\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0Carlos Dias, analista ambiental do Ibama, integrante da Opera\u00e7\u00e3o Dem\u00e9ter<\/em><\/p>\n<p>Sobre as irregularidades ambientais, segundo Carlos Dias, detectou-se uso de agrot\u00f3xico sem registro, mistura desses produtos em tanques (pr\u00e1tica proibida pelo Mapa) e deriva \u2013 quando a subst\u00e2ncia pulverizada atinge \u00e1reas que n\u00e3o deveria.<\/p>\n<p>A quantidade e variedade de problemas constatados escancaram falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o. Dias reconhece ser preciso sanar a precariedade no monitoramento de empresas e aviadores agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u201cA ATIVIDADE AINDA \u00c9 FISCALIZADA DE MANEIRA INADEQUADA, POIS OS CONTROLES S\u00c3O TODOS EM PAPEL. COMO AERONAVES N\u00c3O POSSUEM TRANSPONDER [APARELHO QUE RESPONDE AUTOMATICAMENTE A MENSAGENS DE IDENTIFICA\u00c7\u00c3O AO SINAL DE UM RADAR], NEM ANAC, IBAMA OU MAPA SABEM ONDE OS AVI\u00d5ES EST\u00c3O TRABALHANDO\u201d, DETALHA.<\/p>\n<p>Segundo o analista, Anac e Ibama pretendem ampliar o trabalho conjunto e levar a opera\u00e7\u00e3o a outras unidades da Federa\u00e7\u00e3o: at\u00e9 agora, o grupo atuou apenas nos nove estados onde a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ocorre com mais frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cObviamente, n\u00e3o damos conta de fazer tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio. Ocasionalmente, pode ter gente reclamando de o Ibama ainda n\u00e3o ter chegado a alguns locais\u201d, admite. Ainda segundo o analista, o instituto concentra esfor\u00e7os na cria\u00e7\u00e3o de um plano nacional de fiscaliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. A diretriz deve ficar pronta at\u00e9 o fim deste ano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo3\/Cap3_Foto_110718MM_Aviacao-Taim001.jpg\" \/><em>Aeronave se prepara para al\u00e7ar voo: Opera\u00e7\u00e3o Dem\u00e9ter, do Ibama e Anac, detectou falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es e documenta\u00e7\u00e3o de empresas e pilotos em nove estados<\/em><\/p>\n<p><strong>Regras mais flex\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da expectativa por normais mais r\u00edgidas de fiscaliza\u00e7\u00e3o, Dias vislumbra um cen\u00e1rio pessimista no monitoramento das atividades agr\u00edcolas. O mais novo cap\u00edtulo referente ao setor prenuncia um relaxamento das regras e mais amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade dos trabalhadores rurais: o Projeto de Lei n\u00ba 6.299\/2002, conhecido como \u201cPL do Veneno\u201d.<\/p>\n<p>No fim de junho, a Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara dos Deputados aprovou o texto, proposto pelo senador licenciado e atual ministro da agricultura, Blairo Maggi (PR-MT). A mat\u00e9ria prev\u00ea, entre outras altera\u00e7\u00f5es, a centraliza\u00e7\u00e3o dos processos de registro, fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle dos agrot\u00f3xicos na pasta hoje comandada pelo autor do PL, que, no Congresso Nacional, integra a chamada Bancada Ruralista.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m tem o objetivo de tirar essas compet\u00eancias do Ibama e da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), e trocar a nomenclatura oficial dos produtos qu\u00edmicos usados para exterminar pragas das lavouras. De agrot\u00f3xico, eles passariam a ser conhecidos por defensivos fitossanit\u00e1rios, suavizando assim a imagem pejorativa do \u201cveneno\u201d no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para o Minist\u00e9rio da Agricultura, o texto \u201ccongrega uma s\u00e9rie hist\u00f3rica de diversas demandas negligenciadas pelos \u00f3rg\u00e3os federais nos \u00faltimos 20 anos\u201d. O PL ainda precisa ser aprovado no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados, mas coleciona in\u00fameras cr\u00edticas desde o in\u00edcio de sua tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se v\u00ea objetivo claro [da proposta], a n\u00e3o ser ceder \u00e0s investidas das ind\u00fastrias de agrot\u00f3xicos. Se fosse o caso de modernizar a legisla\u00e7\u00e3o e aproxim\u00e1-la da refer\u00eancia, que \u00e9 a dos Estados Unidos, centralizariam a fiscaliza\u00e7\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o de meio ambiente [Ibama], n\u00e3o [no minist\u00e9rio da] agricultura\u201d, critica Carlos Dias.<\/p>\n<p><em>\u201cO Brasil voltar\u00e1 36 anos no tempo com o PL do Veneno. Vamos retroceder para antes de 1982, quando aprovamos uma lei que garantiu um maior controle de receitas de agrot\u00f3xicos.\u201d\u00a0Marco Ant\u00f4nio Delfino de Almeida, procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em Mato Grosso do Sul<\/em><\/p>\n<p>A Anvisa tamb\u00e9m se posicionou contr\u00e1ria ao texto. \u201cO PL n\u00e3o contribui com a melhoria, disponibilidade de alimentos mais seguros ou novas tecnologias para o agricultor e nem mesmo com o fortalecimento do sistema regulat\u00f3rio de agrot\u00f3xicos, n\u00e3o atendendo, dessa forma, a quem deveria ser o foco da legisla\u00e7\u00e3o: a popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, diz a ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Para a organiza\u00e7\u00e3o global ambientalista Greenpeace, a mudan\u00e7a na nomenclatura \u00e9 \u201cclara tentativa de mascarar sua nocividade, afastando informa\u00e7\u00f5es essenciais \u00e0 escolha do consumidor, e desconsiderando os impactos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente no processo de aprova\u00e7\u00e3o de novas subst\u00e2ncias.\u201d<\/p>\n<p><em>\u201cO PL terceiriza, ainda, as responsabilidades por doen\u00e7as e agravos \u00e0 sa\u00fade do trabalhador e do consumidor; monitoramento dos res\u00edduos de agrot\u00f3xicos e uso adequado dos produtos; acompanhamento sistem\u00e1tico das popula\u00e7\u00f5es expostas e das intoxica\u00e7\u00f5es; e planos de emerg\u00eancia nos casos de acidentes de trabalho, transporte e ambientais que possam advir da cadeia produtiva e log\u00edstica do agrot\u00f3xico.\u201d\u00a0Marina Lac\u00f4rte, especialista do Greenpeace<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aM8C_wnAGu4\" width=\"600\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo4\/Cap4_Foto_Abre.jpg\" \/><\/p>\n<p>O que o futuro e a tecnologia reservam \u00e0 aeroagr\u00edcola?<\/p>\n<p>Quando a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola come\u00e7ou no Brasil, de forma improvisada, em 19 de agosto de 1947, Cl\u00f3vis Candiota n\u00e3o imaginou que, 71 anos depois, a modalidade tomaria essa propor\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, o ent\u00e3o representante comercial viu os amigos agricultores desesperados com uma nuvem de gafanhotos vinda da \u00c1frica: os insetos estavam destruindo todas as planta\u00e7\u00f5es. Apaixonado por avia\u00e7\u00e3o, o piloto amador conversou com o engenheiro agr\u00f4nomo Le\u00f4ncio Fontelle e teve uma ideia brilhante.<\/p>\n<p>\u201cMEU PAI INVENTOU UM CONT\u00caINER, ELE O CHAMAVA DE ENGENHOCA, E COLOCOU AO LADO DELE DURANTE O VOO. PEGOU UM AVI\u00c3O BIPLANO, QUE DE NADA SERVIA PARA A AVIA\u00c7\u00c3O AGR\u00cdCOLA, E FOI. IA VOANDO COM UMA M\u00c3O E JOGANDO O PRODUTO NAS LAVOURAS COM A OUTRA. FOI UM SUCESSO! NO DIA SEGUINTE, TODOS OS GAFANHOTOS ESTAVAM MORTOS\u201d, CONTA IRIS HELENA CANDIOTA, FILHA DO AVIADOR.<\/p>\n<p>Conforme detalha a aposentada, a a\u00e7\u00e3o do pai foi realizada de forma totalmente improvisada. Ele n\u00e3o usou qualquer prote\u00e7\u00e3o para manusear o produto, mesmo jogando sobre as lavouras dos amigos o hexacloro benzeno, conhecido tamb\u00e9m como BHC ou \u201cp\u00f3 de broca\u201d. O inseticida foi banido do Brasil h\u00e1 mais de 30 anos por causar danos ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>De 1947 para c\u00e1, a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola se profissionalizou. Mas, al\u00e9m de ser acusada de provocar problemas ambientais devido \u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, ainda assombra a vida de alguns pilotos. J\u00e1 faz 10 anos que Eduardo da Costa Goer, 31, sofreu um acidente de avi\u00e3o. Ele nunca mais encarou a profiss\u00e3o como antes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s despencar da aeronave, acompanhado de um aluno ao qual ensinava a pilotar, e quase morrer, Goer come\u00e7ou a pensar no que poderia ser feito para tornar o trabalho do piloto agr\u00edcola mais seguro.<\/p>\n<p>\u201cSempre se soube que a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 pouco fiscalizada e muitas empresas acabam pecando na checagem constante das condi\u00e7\u00f5es das aeronaves. Por isso, \u00e9 preciso encontrar alternativas para tornar a profiss\u00e3o mais segura, independentemente de qualquer manuten\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo4\/Cap_4_Foto_090718MM_ARPAC-DRONE010.jpg\" \/><em>Equipe da Arpac desenvolve drones para substituir pilotos em a\u00e7\u00f5es de maior risco: objetivo \u00e9 tornar avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola uma atividade mais segura<\/em><\/p>\n<p>H\u00c1 ALGUNS ANOS, ELE TEVE UMA IDEIA. DURANTE F\u00c9RIAS, ENQUANTO CAPTAVA IMAGENS DOS PASSEIOS COM UM DRONE, PENSOU: \u201cPOR QUE N\u00c3O USAR ESSA TECNOLOGIA TAMB\u00c9M NA AEROAGR\u00cdCOLA?\u201d. \u201cN\u00d3S SABEMOS AS CAUSAS DOS ACIDENTES NA AVIA\u00c7\u00c3O AGR\u00cdCOLA, ENT\u00c3O, VAMOS SUBSTITUIR O AVI\u00c3O PELO DRONE NOS LOCAIS ONDE OS PILOTOS MORREM\u201d, COMPLETA.<\/p>\n<p>Assim, de dois anos para c\u00e1, Eduardo Goer inaugurou, ao lado de s\u00f3cios, uma empresa especializada em drones pr\u00f3prios para regi\u00f5es rurais. O equipamento n\u00e3o consegue trabalhar em grandes \u00e1reas, pois sua capacidade de armazenamento de produto \u00e9 pequena. Mas o drone pode ser usado de forma pontual, evitando que os pilotos se arrisquem em trechos perigosos ou at\u00e9 mesmo comportando produtos biol\u00f3gicos menos agressivos ao meio ambiente.<\/p>\n<p>A empresa de Eduardo n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. No Rio Grande do Sul, por exemplo, uma outra firma de drones rurais j\u00e1 se sindicalizou \u00e0 entidade que representa a aeroagr\u00edcola.<\/p>\n<p><em>\u201cO drone j\u00e1 trabalha junto com algumas empresas de aeroagr\u00edcola. Ele s\u00f3 ser\u00e1 uma amea\u00e7a para quem n\u00e3o entender que o equipamento pode ser um aliado.\u201d\u00a0Gabriel Colli, diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.metropoles.com\/static\/especiais\/aviacao-agricola\/assets\/images\/capitulo4\/Cap4_Foto_090718MM_ARPAC-DRONE006.jpg\" \/><em>Eduardo Goer era piloto e quase morreu em um acidente. Um dia pensou que a tecnologia podia salvar vidas, e abriu empresa cuja miss\u00e3o \u00e9 preparar drones para atuar no agroneg\u00f3cio<\/em><\/p>\n<p>Questionado se o dispositivo poder\u00e1 ajudar na seguran\u00e7a dos pilotos e na evolu\u00e7\u00e3o dos equipamentos, Colli \u00e9 otimista. \u201cO drone ter\u00e1, no futuro, a mesma import\u00e2ncia que o GPS teve na avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d, afirma, convicto. \u201cEstamos convencendo os empres\u00e1rios a trazerem o aparelho para a sua frota. Acredito que ele pode ajudar na seguran\u00e7a do piloto tamb\u00e9m, pois, se houver queda, a perda ser\u00e1 apenas material\u201d, completa o diretor-executivo do Sindag.<\/p>\n<p>DIRETORA-EXECUTIVA\u00a0Lilian Tahan<br \/>\nEDITORA-EXECUTIVA\u00a0Priscilla Borges<br \/>\nEDITORA-CHEFE\u00a0Maria Eug\u00eania Moreira<br \/>\nCOORDENA\u00c7\u00c3O\u00a0Ol\u00edvia Meireles<br \/>\nEDI\u00c7\u00c3O\u00a0Ana Helena Paix\u00e3o<br \/>\nREPORTAGEM\u00a0Douglas Carvalho e Larissa Rodrigues<br \/>\nREVIS\u00c3O\u00a0Denise Costa<br \/>\nEDI\u00c7\u00c3O DE FOTOGRAFIA\u00a0Daniel Ferreira<br \/>\nFOTOGRAFIA\u00a0Igo Estrela, Michael Melo, Rafaela Felicciano<br \/>\nEDI\u00c7\u00c3O DE ARTE\u00a0Gui Pr\u00edmola<br \/>\nDESIGN\u00a0Gui Pr\u00edmola e Stela Woo<br \/>\nV\u00cdDEO\u00a0Gabriel Forster, Igo Estrela, Michael Melo<br \/>\nEDI\u00c7\u00c3O DE V\u00cdDEO\u00a0Gabriel Forster e Gabriel Pereira<br \/>\nTECNOLOGIA\u00a0Allan Rabelo e Saulo Marques<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Metr\u00f3poles de 29 de julho de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ar ou no ch\u00e3o, ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo quando avi\u00f5es agr\u00edcolas rasgam o c\u00e9u a mais de 200km\/h \u2013 e tr\u00eas metros apenas acima do solo. 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