{"id":26921,"date":"2018-09-10T15:00:26","date_gmt":"2018-09-10T18:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=26921"},"modified":"2018-09-10T12:53:41","modified_gmt":"2018-09-10T15:53:41","slug":"materiais-ecologicos-comecam-a-substituir-o-plastico-no-comercio-do-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/materiais-ecologicos-comecam-a-substituir-o-plastico-no-comercio-do-df\/","title":{"rendered":"Materiais ecol\u00f3gicos come\u00e7am a substituir o pl\u00e1stico no com\u00e9rcio do DF"},"content":{"rendered":"<p><strong>Das 400 toneladas de descart\u00e1veis retiradas a cada dia das ruas do DF, apenas 15% s\u00e3o reciclados. Incentivados por campanhas on-line, restaurantes, bares e lanchonetes da cidade substituem esses produtos, mas custo alto ainda \u00e9 um obst\u00e1culo<\/strong><\/p>\n<p>Pr\u00e1ticos e baratos, os descart\u00e1veis conseguiram um espa\u00e7o na rotina que muitas vezes passa despercebido. Seja no cafezinho r\u00e1pido durante o trabalho ou o canudo do refrigerante do almo\u00e7o, os materiais est\u00e3o sempre presentes. O resultado disso s\u00e3o mais de 400 toneladas de pl\u00e1stico retiradas por dia das ruas do DF pelo Servi\u00e7o de Limpeza Urbana (SLU). O tempo de uso \u00e9, em m\u00e9dia, 60 segundos, mas o prazo que eles ficam no planeta at\u00e9 se decompor supera 400 anos.<\/p>\n<p>O maior problema \u00e9 a dificuldade de dar um destino correto aos materiais. No DF, s\u00f3 15% de todo o pl\u00e1stico recolhido pelo SLU \u00e9 reciclado, devido ao baixo pre\u00e7o de mercado. Enquanto a tonelada de alum\u00ednio custa R$ 2,5 mil e o de garrafas PETS, R$ 1,2 mil, o mesmo peso de descart\u00e1veis sai por cerca de R$ 350.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/2\/1897\/29659098557_762689e3da_o.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um ano, o Bar Pinella, de Fl\u00e1via Attuch, come\u00e7ou a investir para diminuir a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos.\u00a0(foto: Barbara Cabral\/Esp. CB\/D.A Press)<\/em><\/p>\n<p>Hoje, o pl\u00e1stico representa de 60% a 80% de todo o lixo oce\u00e2nico, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Estudo divulgado durante o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos mostra que, at\u00e9 2050, existir\u00e1 mais pl\u00e1sticos nos oceanos do que peixes.<\/p>\n<p>O problema pode parecer distante do Planalto Central, mas, desde 2011, programas de limpeza do Lago Parano\u00e1 realizados pelo governo e pela iniciativa privada retiraram mais de 38 toneladas de lixo do principal corpo d\u2019\u00e1gua do DF. Cerca da metade s\u00e3o pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, rodovias acumulam lixos jogados por motoristas. Muitas dessas est\u00e3o localizadas pr\u00f3ximas a c\u00f3rregos e nascentes que fornecem \u00e1gua n\u00e3o s\u00f3 para reservat\u00f3rios de Bras\u00edlia, mas de todo o pa\u00eds. O cen\u00e1rio atual e o ativismo de ambientalistas v\u00eam fazendo com que o com\u00e9rcio passe por reestrutura\u00e7\u00e3o, para um formato em que os descart\u00e1veis n\u00e3o ter\u00e3o mais vez.<\/p>\n<p><strong>Impacto<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros pl\u00e1sticos surgiram no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, e a explos\u00e3o do uso, principalmente dos descart\u00e1veis, veio na segunda metade da d\u00e9cada de 1950, provocada principalmente pelo baixo custo do produto. Hoje, um copo descart\u00e1vel custa, em m\u00e9dia, R$ 0,02. Al\u00e9m dos problemas de decomposi\u00e7\u00e3o, grande parte dos materiais s\u00e3o compostos de polipropileno e poliestireno, feitos a partir do refinamento do petr\u00f3leo, recurso finito, que libera carbono durante a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um estudo de 2015 do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia e Tecnologia (IFSP) Itapetininga mostrou que, para cada copo descart\u00e1vel produzido, s\u00e3o usados 500ml de \u00e1gua, mais do que seria gasto para lavar um copo de vidro na pia. Al\u00e9m disso, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) levantou alerta de que o poliestireno, existente nos copos e canudos, ao serem submetidos ao calor, liberam o estireno, mon\u00f4mero t\u00f3xico apontado como cancer\u00edgeno.<\/p>\n<p>No debate local sobre recicl\u00e1veis, as promotorias de Meio Ambiente lutam pela implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem a diminui\u00e7\u00e3o de uso ou re\u00faso. O promotor titular da 1\u00aa Promotoria de Meio Ambiente do DF, Roberto Carlos Batista, conta que, no caso dos pl\u00e1sticos, o trabalho \u00e9 focado, principalmente, na implementa\u00e7\u00e3o da coleta seletiva.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, o pl\u00e1stico deixar\u00e1 de ser misturado ao lixo org\u00e2nico, o que diminui o valor de venda. Precisamos de uma campanha a n\u00edvel distrital para trazer aten\u00e7\u00e3o ao assunto\u201d, explica. \u201cN\u00e3o se trata de um problema apenas ambiental, mas de sa\u00fade p\u00fablica\u201d, completa Roberto Batista.<\/p>\n<p>Hoje, a coleta seletiva atende em torno de 54% do DF, segundo o SLU. S\u00e3o captadas cerca de 200 toneladas de lixo, das quais a metade \u00e9 aproveitada para reciclagem. \u201cA quantidade de pl\u00e1stico corresponde a mais ou menos 30 toneladas. O que tem mais valor s\u00e3o as garrafas pet, que praticamente n\u00e3o ficam nas cooperativas\u201d, explica o diretor adjunto do SLU, Paulo Celso dos Reis. Para incentivar a pr\u00e1tica, o \u00f3rg\u00e3o oferece subs\u00eddio aos catadores a cada parte de material vendida.<\/p>\n<p>Segundo o \u00f3rg\u00e3o, 85% do pl\u00e1stico do DF vai para os aterros sanit\u00e1rios. \u201cS\u00e3o produtos n\u00e3o biodegrad\u00e1veis, ou seja, v\u00e3o ficar s\u00e9culos l\u00e1, decompondo. Se ele for colorido, a \u00e1gua da chuva \u2018lava\u2019 esse res\u00edduo e a tinta vai para o meio ambiente. Temos um trabalho para tratar o solo e evitar isso, mas, com tanto res\u00edduo, \u00e9 um processo que vem ficando cada vez mais caro\u201d, adverte Reis. O SLU gasta, aproximadamente, R$ 2 milh\u00f5es por m\u00eas para tratar o Aterro de Samambaia. \u201cEssa quantia vem do enterramento do res\u00edduo, cobertura com terra, tratamento do chorume, coleta e queima de g\u00e1s\u201d, explica o diretor.<\/p>\n<p><strong>Ao lado da legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A guerra contra os descart\u00e1veis chegou ao Legislativo. Um dos destaques ocorreu em junho deste ano, quando a C\u00e2mara dos Vereadores do Rio de Janeiro aprovou projeto de lei que obriga os estabelecimentos comerciais a substitu\u00edrem os canudos pl\u00e1sticos por biodegrad\u00e1veis. A n\u00edvel nacional, um PLS da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) pretende banir copos, pratos, bandejas e talheres descart\u00e1veis do Brasil em at\u00e9 10 anos. O texto est\u00e1 em an\u00e1lise na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE).<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara Legislativa do DF o debate segue em passo semelhante. O deputado distrital Cristiano Ara\u00fajo (PSD) tem dois projetos sobre o assunto. Em junho, a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) analisou e aprovou o PL 976\/2016, mais r\u00edgido que o projeto aprovado no Rio de Janeiro, que prev\u00ea a substitui\u00e7\u00e3o de descart\u00e1veis de pl\u00e1stico em copos e canudos por produtos biodegrad\u00e1veis. Agora, o projeto aguarda ser inclu\u00eddo na pauta do dia.<\/p>\n<p><strong>Multa<\/strong><\/p>\n<p>Os estabelecimentos que descumprirem a norma pagar\u00e3o multa de R$ 1 mil a R$ 5 mil. O outro projeto, o PL 274\/2015, que tamb\u00e9m aguarda ser adicionado \u00e0 ordem do dia, pretende que todas as embalagens pl\u00e1sticas de produtos comercializados no DF contenham informa\u00e7\u00f5es sobre o tempo de decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora de direito ambiental do UniCeub Mariana Cirne acredita que as legisla\u00e7\u00f5es podem ter efeito positivo. \u201cA consci\u00eancia ambiental \u00e9 algo criado com o passar de anos e, se n\u00e3o tivermos algum tipo de san\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o fica s\u00f3 no debate. O grande problema \u00e9 que essas leis pedem aux\u00edlio de uma ind\u00fastria (de produtos biodegrad\u00e1veis) que ainda n\u00e3o est\u00e1 forte no DF. Ser\u00e1 preciso tamb\u00e9m incentivo tribut\u00e1rio para que os produtos se tornem mais baratos para que todos consigam acess\u00e1-los\u201d, explica.<\/p>\n<p>A especialista ainda alerta para a urg\u00eancia da quest\u00e3o. \u201cDesativamos o Lix\u00e3o da Estrutural h\u00e1 pouco tempo, mas, agora, vamos acabar esgotando o novo aterro em poucos anos se continuarmos levando tantos res\u00edduos que poderiam ter uma melhor destina\u00e7\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>O que diz a lei<\/strong><\/p>\n<p>A Lei Federal n\u00ba 12.305\/2010, conhecida como Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, institui instrumentos para o enfrentamento dos principais problemas sociais, ambientais e econ\u00f4micos relacionados ao manejo inadequado dos res\u00edduos s\u00f3lidos. No Artigo 9 \u00e9 determinada a ordem de prioridade na gest\u00e3o e gerenciamento de res\u00edduos s\u00f3lidos. A primeira \u00e9 n\u00e3o gerar produtos que se tornem lixo. Se n\u00e3o for poss\u00edvel, reduzir a produ\u00e7\u00e3o. Depois disso, \u00e9 indicada a reutiliza\u00e7\u00e3o de um produto o m\u00e1ximo poss\u00edvel, depois, a reciclagem, o tratamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos e a disposi\u00e7\u00e3o final ambientalmente adequada dos rejeitos. A lei institui tamb\u00e9m a responsabilidade compartilhada dos geradores de res\u00edduos de uma linha produtiva que vai do fabricante ao consumidor. \u00c9 uma log\u00edstica que segue exemplo da instaurada em pa\u00edses europeus, que coloca todos como respons\u00e1veis pelo lixo que produzem.<\/p>\n<p><strong>No embalo dos biodegrad\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>A luta contra os pl\u00e1sticos descart\u00e1veis ganhou os holofotes no \u00faltimo ano. A como\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio pela internet com campanhas como a #RefusePlasticStraws (Recuse canudos de pl\u00e1stico, em ingl\u00eas), focadas em mostrar o impacto do uso dos objetos na vida marinha. Em um dos v\u00eddeos da iniciativa, uma equipe de pesquisa retira um canudo preso no nariz de uma tartaruga. Incentivadas pela como\u00e7\u00e3o on-line, diversas marcas e empresas se juntaram \u00e0 a\u00e7\u00e3o e est\u00e3o substituindo os descart\u00e1veis das lojas. Em Bras\u00edlia, o Correio encontrou 12 restaurantes, bares e lanchonetes que trocaram copos e canudos por materiais ecol\u00f3gicos ou biodegrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os desafios, no entanto, s\u00e3o muitos. Segundo os empres\u00e1rios, alguns materiais biodegrad\u00e1veis chegam a ser tr\u00eas vezes mais caros do que o mesmo produto em vers\u00e3o descart\u00e1vel. Um dos pioneiros no DF \u00e9 o Na Praia. No \u00faltimo ano, ap\u00f3s tr\u00eas meses de evento, menos de 5% dos res\u00edduos produzidos foram levados para o aterro sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O principal respons\u00e1vel pela marca foi um trabalho que reduziu em quase 100% o uso de descart\u00e1veis. Internamente, foram adotados \u201ccopos ecol\u00f3gicos\u201d, entregues no formato de cau\u00e7\u00e3o. \u201cAvisamos que as pessoas podem trazer um copo de casa, mas, para aqueles que n\u00e3o puderem, oferecemos os nossos. O objetivo n\u00e3o \u00e9 faturar, tanto que, se o cliente n\u00e3o quiser lev\u00e1-lo, pode devolver e \u00e9 reembolsado\u201d, ressalta Eduardo Azambuja, diretor de Sustentabilidade do Na Praia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/2\/1885\/43878202294_3910cd2179_z.jpg\" width=\"601\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p><em>Clean Up, do Na Praia, retira mais de 2 toneladas de lixo do Lago Parano\u00e1 em tr\u00eas anos.\u00a0(foto: Na Praia\/Divulgacao)<\/em><\/p>\n<p>Para a edi\u00e7\u00e3o deste ano, que come\u00e7ou em junho e segue at\u00e9 6 de setembro, o projeto trar\u00e1 uma novidade: canudos biodegrad\u00e1veis. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, o canudo era a \u00fanica coisa que ia para a m\u00e3o do nosso cliente que n\u00e3o era consciente. Agora, temos esse produto, que se decomp\u00f5e no meio ambiente em 30 dias. Todos os materiais que n\u00e3o podem ser reciclados no Na Praia, como canudo, pratinhos e guardanapos, podem ser jogados no lixo org\u00e2nico e, depois viram adubo, usado para plantar \u00e1rvores na regi\u00e3o do Descoberto\u201d, revela.<\/p>\n<p>Em junho, o Na Praia promoveu o Clean Up Day, no qual 80 mergulhadores retiraram lixo do Lago Parano\u00e1. Nas duas primeiras edi\u00e7\u00f5es, mais de uma tonelada de res\u00edduos foram retirados do espelho d\u2019\u00e1gua. A iniciativa \u00e9 semelhante a uma a\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento B\u00e1sico do Distrito Federal (Adasa), a Semana do Lago Limpo, que ocorre, anualmente, em setembro. Desde 2011, foram recolhidas mais de 35 toneladas de lixo do Lago Parano\u00e1 \u2014 cerca de metade era pl\u00e1stico.<\/p>\n<p><strong>Sistema de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma empresa do interior de S\u00e3o Paulo \u00e9 pioneira na cria\u00e7\u00e3o e venda de produtos biodegrad\u00e1veis no Brasil. A partir de uma pequena movimenta\u00e7\u00e3o fora do pa\u00eds, ainda na d\u00e9cada passada, a Fulpel Group decidiu apostar em uma linha chamada BioCopo, que vem sendo adaptado. O copo que substitui o descart\u00e1vel se decomp\u00f5e em 180 dias. O gerente de Marketing e Vendas, Wellington De Paula, conta que, por ser um mercado novo, o grupo cria e adapta propostas para alcan\u00e7ar o produto ideal para cada tipo de p\u00fablico. \u201cO principal desafio \u00e9 relacionado ao custo. \u00c0s vezes, temos ideias revolucion\u00e1rias, mas n\u00e3o s\u00e3o vi\u00e1veis financeiramente\u201d, conta.<\/p>\n<p>Desde 2009, quando a empresa come\u00e7ou a vender os produtos, a quantidade de copos descart\u00e1veis de pl\u00e1stico que custavam R$ 20, por exemplo, eram negociados por R$ 36 em uma vers\u00e3o sustent\u00e1vel feita de papel \u2014 diferen\u00e7a de 80% no pre\u00e7o. Hoje, esse valor caiu para 40%, e a expectativa \u00e9 de que, com a populariza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, os valores caiam ainda mais nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>No foodtruck Se Essa Rua Fosse Minha, o gasto com biodegrad\u00e1veis gera um custo 40% maior em rela\u00e7\u00e3o aos descart\u00e1veis de pl\u00e1stico. Mas investir na sustentabilidade \u00e9 uma escolha tomada desde a concep\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, que saiu \u00e0s ruas pela primeira vez em outubro do ano passado. \u201cPensamos em um projeto que fosse o menos poluente poss\u00edvel. Isso vai desde trabalhar com placas de energia solar at\u00e9 copos de papel\u00e3o\u201d, ressalta Lu\u00eds Tajes, propriet\u00e1rio do restaurante m\u00f3vel.<\/p>\n<p>O formato de neg\u00f3cio \u00e9 novo no DF, e Tajes conta que passa por diversas adapta\u00e7\u00f5es. Os produtos s\u00e3o comprados de f\u00e1bricas de S\u00e3o Paulo. \u201cS\u00e3o mudan\u00e7as que v\u00e3o ocorrendo aos poucos. Ainda n\u00e3o t\u00ednhamos um produto bom e de pre\u00e7o acess\u00edvel para substituir o canudo de pl\u00e1stico, mas conseguimos fechar recentemente um acordo. Agora, vamos trabalhar para substituir os copinhos de molho. \u00c9 um trabalho no qual adaptamos diariamente, e percebemos que o p\u00fablico gosta de participar dessa mudan\u00e7a\u201d, assegura.<\/p>\n<p><strong>Pegada ecol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>O engenheiro florestal Kallel Kopp \u00e9 consultor de sustentabilidade para empres\u00e1rios que buscam adicionar produtos biodegrad\u00e1veis ou ecol\u00f3gicos ao perfil. Ele conta que, entre os clientes, h\u00e1 desde fam\u00edlias que n\u00e3o querem usar descart\u00e1veis na festa de anivers\u00e1rio do filho a megaeventos.<\/p>\n<p>\u201cFalo muito para os comerciantes que querem investir na \u00e1rea que n\u00e3o se trata de vender um produto, mas de apoiar uma ideia. Temos os copos consignados, por exemplo. Colocamos um pre\u00e7o baixo, por volta de R$ 6, e, se a pessoa n\u00e3o quiser levar para casa, ela recebe o dinheiro de volta. E isso \u00e9 bom at\u00e9 para o empreendedor, que tem um servi\u00e7o que n\u00e3o gera custo a ele\u201d, ressalta. A solu\u00e7\u00e3o para os canudos, o principal vil\u00e3o do momento, \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do material de pl\u00e1stico por inox ou vidro. \u201cA l\u00f3gica da sustentabilidade \u00e9 que, o quanto menos descartar, melhor vai ser\u201d, diz Kallel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/2\/1853\/29659098747_ffab3c7278_z.jpg\" width=\"601\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p><em>Canudos, copos, sacolas e at\u00e9 colherzinhas de mandioca est\u00e3o entre as mudan\u00e7as que a Ricco Burguer, de Lucas Porto, adotou.\u00a0(foto: Barbara Cabral\/Esp. CB\/D.A Press)<\/em><\/p>\n<p>Na Ricco Burguer, hamburgueria instalada na 306 Sul, as a\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis chegam aos talheres. Na \u00faltima semana, a empresa come\u00e7ou a usar colheres feitas de mandioca. O produto \u00e9 comest\u00edvel, mas, ao ser jogado no lixo, torna-se tamb\u00e9m compost\u00e1vel, sendo decomposto em dias. \u201cFaz parte de uma pegada sustent\u00e1vel que adotamos. Ao abrirmos a loja, tivemos muita preocupa\u00e7\u00e3o com as embalagens devido \u00e0 grande quantidade de lixo que geraria. A\u00ed, procuramos op\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis. Hoje, temos copos biodegrad\u00e1veis, estamos implementando ecocanudos e sacolas de papel\u201d, afirma o propriet\u00e1rio, Lucas Porto.<\/p>\n<p><strong>Bastidores<\/strong><\/p>\n<p>O Pinella Bar, na 408 Norte, quer se tornar o primeiro bar lixo zero do DF. Desde junho de 2017, o estabelecimento adotou uma postura que, para a propriet\u00e1ria, Fl\u00e1via Attuch, significa ter responsabilidade sobre tudo o que \u00e9 produzido e emitido para a natureza. \u201cA primeira mudan\u00e7a foi quando paramos de trabalhar com long necks, devido \u00e0 dificuldade na reciclagem de vidros para as empresas do DF. Ap\u00f3s isso, entramos com copos em cau\u00e7\u00e3o; substitu\u00edmos os pap\u00e9is toalha do banheiro por secadores de m\u00e3o; eliminamos os canudos; e passamos a usar colheres de madeira\u201d, detalha.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria acredita que as altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ficar apenas no que \u00e9 entregue ao cliente, mas tamb\u00e9m na parte interna do empreendimento. \u201cComecei a perceber que compr\u00e1vamos produtos que vinham dentro de v\u00e1rias embalagens. A carne tinha um pl\u00e1stico ao redor. Depois, vinha outro e, mais al\u00e9m, uma caixa. Com a verdura era a mesma coisa. Da\u00ed, comecei a falar com os nossos fornecedores, tentando levar a ideia de eles tamb\u00e9m irem contra o desperd\u00edcio\u201d, conta. (PG)<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sabia?<\/strong><\/p>\n<p>Antes da descoberta do pl\u00e1stico, produtos como copos, garrafas e guarda-chuvas eram feitos de marfim, retirado das presas e dentes de grandes mam\u00edferos, como baleias, hipop\u00f3tamos e elefantes. Isso causou a extin\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies e a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da popula\u00e7\u00e3o dos demais.<\/p>\n<p>A queima de pl\u00e1stico libera diversas toxinas na atmosfera, podendo causar at\u00e9 doen\u00e7as.<\/p>\n<p>1 milh\u00e3o de garrafas s\u00e3o compradas por minuto no mundo, segundo a Euromonitor International.<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0Pedro Grigori, Correio Braziliense de 19 de agosto de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das 400 toneladas de descart\u00e1veis retiradas a cada dia das ruas do DF, apenas 15% s\u00e3o reciclados. Incentivados por campanhas on-line, restaurantes, bares e lanchonetes da cidade substituem esses produtos, mas custo alto ainda \u00e9 um obst\u00e1culo Pr\u00e1ticos e baratos, os descart\u00e1veis conseguiram um espa\u00e7o na rotina que muitas vezes passa despercebido. 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