{"id":26951,"date":"2018-09-27T17:00:05","date_gmt":"2018-09-27T20:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=26951"},"modified":"2018-09-15T12:24:53","modified_gmt":"2018-09-15T15:24:53","slug":"mortes-silenciosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/mortes-silenciosas\/","title":{"rendered":"Mortes silenciosas"},"content":{"rendered":"<p><strong>D\u00e9cadas depois de contato com amianto, trabalhadores adoecem e obt\u00eam indeniza\u00e7\u00f5es &#8211; antes negadas pela Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Numa tarde de 1995, Eliezer Jo\u00e3o de Souza recebeu um telefonema esclarecedor. \u201cVoc\u00ea trabalhou com amianto? Sente falta de ar,\u00a0cansa\u00e7&#8230;\u201d, perguntava um amigo. Souza nem o deixou terminar: \u201cTenho tudo isso!\u201d<\/p>\n<p>Souza descobria que os sintomas eram resultado de anos trabalhando com amianto, fibra cancer\u00edgena utilizada na fabrica\u00e7\u00e3o de telhas e caixas d\u2019\u00e1gua. Sua sa\u00fade, assim como a de todos os trabalhadores expostos \u00e0 subst\u00e2ncia, estava\u00a0comprometida.<\/p>\n<p>Quando os problemas de sa\u00fade de Souza come\u00e7aram a se agravar, ele foi orientado a procurar um m\u00e9dico. \u201cSe n\u00e3o fosse a associa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 teria subido pro andar de cima faz tempo\u201d, diz, referindo-se \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), criada em 1995.<\/p>\n<p>Encaminhado ao Instituto do Cora\u00e7\u00e3o do Hospital das Cl\u00ednicas (Incor), fez tratamentos e cirurgias para retirar n\u00f3dulos provocados\u00a0pela exposi\u00e7\u00e3o ao amianto.<\/p>\n<p>Como outros milhares de trabalhadores expostos ao material, Souza tentou indeniza\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a do Trabalho. Mas perdeu: a\u00a0empresa em que havia trabalhado, Eternit, uma das maiores fabricantes de telha do pa\u00eds, recorreu e ganhou de Souza em todas as\u00a0inst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria come\u00e7ou a mudar no fim do ano passado, quando o <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2017\/11\/1939248-stf-proibe-uso-de-amianto-no-brasil.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">STF proibiu o uso do amianto no Brasil<\/a>. Mais de 70 pa\u00edses j\u00e1\u00a0baniram a subst\u00e2ncia, considerada cancer\u00edgena.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do Supremo abriu um novo cap\u00edtulo no conflito de ex-funcion\u00e1rios contra as empresas que utilizam o amianto. Em agosto,\u00a0dois ju\u00edzes do trabalho, um de Minas Gerais e outro do Rio de Janeiro, deram ganho de causa a duas mulheres que perderam seus\u00a0maridos por conta da exposi\u00e7\u00e3o ao amianto. Nas duas decis\u00f5es ainda cabe recurso.<\/p>\n<p>Na primeira delas, o Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa Regi\u00e3o condenou as empresas Eternit e Saint Gobain a pagarem R$ 400\u00a0mil para a fam\u00edlia de Ant\u00f4nio Marques J\u00fanior, morto em 2012 por asbestose \u2013 tipo de c\u00e2ncer causado pela inala\u00e7\u00e3o de amianto (a\u00a0subst\u00e2ncia tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como asbesto). J\u00fanior havia trabalhado por 16 anos na Eternit entre 1960 e 1970 e come\u00e7ou a ter<br \/>\nsintomas da doen\u00e7a no come\u00e7o dos anos 2000.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi proposta pela vi\u00fava de Ant\u00f4nio, Maria Helena Neves Marques, e seus cinco filhos \u2013 o magistrado delegou a divis\u00e3o\u00a0igualit\u00e1ria da indeniza\u00e7\u00e3o entre os seis membros da fam\u00edlia. A indeniza\u00e7\u00e3o representou um contraste significante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0decis\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia. No julgamento, em 2014, a justi\u00e7a trabalhista havia condenado as empresas apenas a reembolsar as<br \/>\ndespesas m\u00e9dicas da fam\u00edlia, avaliadas em R$ 1.164,22.<\/p>\n<p>No outro caso, o juiz Daniel Ferreira Brito, do Tribunal Regional do Trabalho da 3\u00aa Regi\u00e3o, deu ganho de causa \u00e0 vi\u00fava e \u00e0s duas\u00a0filhas de Luiz Roberto Gonzaga, morto em 2016 por causa de um mesotelioma, outro tipo de c\u00e2ncer que adv\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o ao\u00a0amianto. Gonzaga foi funcion\u00e1rio da Precon, empresa fabricante de tubos e conex\u00f5es, onde trabalhou por cerca de quatro anos,<br \/>\nentre 1975 e 1983.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que h\u00e1 gravidade suficiente para gerar danos morais em ricochete na vi\u00fava e filhas do \u2018de cujus\u2019 ex-empregado da\u00a0r\u00e9, posto que viram o seu marido e genitor falecer, depois de um per\u00edodo doente, de mesotelioma (c\u00e2ncer)\u201d, escreveu o magistrado\u00a0na decis\u00e3o, que definiu R$ 150 mil em indeniza\u00e7\u00f5es para a vi\u00fava e as filhas do ex-funcion\u00e1rio da Precon.<\/p>\n<p>Ao UOL, o advogado das duas fam\u00edlias, Leonardo Amarante, disse que as empresas faziam acordos com os funcion\u00e1rios para\u00a0impedir processos futuros, o que \u00e9 ilegal.<\/p>\n<p>\u201cOs trabalhadores assinavam esses acordos sem a presen\u00e7a de um advogado, sem qualquer consultoria. Agora, a Justi\u00e7a est\u00e1\u00a0desconsiderando esses acordos.\u201d, disse o advogado, que atua em quase cem processos similares.<\/p>\n<p>\u201cA empresa, ao propor esse tipo de acordo, reconhecia formalmente que os trabalhadores estavam sendo afetados\u201d, explica\u00a0Amarante. No caso de Ant\u00f4nio, foi firmado um acordo extrajudicial com a empresa Eterbras, controlada pela Eternit. \u201cEles\u00a0esconderam e omitiram esses acordos por bastante tempo, s\u00f3 que agora os ex-funcion\u00e1rios come\u00e7aram a morrer e eles vieram \u00e0\u00a0tona\u201d.<\/p>\n<p>O ex-funcion\u00e1rio da Eternit, Eliezer de Souza, tamb\u00e9m disse que ele e outros trabalhadores da empresa passavam por exames\u00a0peri\u00f3dicos de raio-x, mas nunca tiveram acesso aos resultados.<\/p>\n<p><em>&#8220;Trabalhei 13 anos na Eternit lixando e cortando pe\u00e7as, sempre em contato com o p\u00f3 do amianto. N\u00e3o tinha ideia dos problemas que esse veneno causava&#8221;\u00a0Eliezer Jo\u00e3o de Souza<\/em><\/p>\n<p>Lobby forte &#8211; O Brasil \u00e9 um grande produtor, extrator e exportador de amianto. O pa\u00eds tem uma das maiores reservas da subst\u00e2ncia, junto com China, R\u00fassia e Cazaquist\u00e3o, e exportou mais de 106 mil toneladas em 2015<\/p>\n<p>Mortalidade &#8211; Entre 2000 e 2010, segundo o Instituto de Sa\u00fade Coletiva, vinculado \u00e0 Universidade Federal da Bahia, houve 2.400 mortes de pessoas com 20 anos ou mais por conta de doen\u00e7as relacionadas ao amianto no Brasil<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos processos individuais, tramitam na justi\u00e7a do trabalho sete a\u00e7\u00f5es coletivas contra o Grupo Eternit no Paran\u00e1, na Bahia, no\u00a0Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo. Na decis\u00e3o mais recente, em 2016, a ju\u00edza Raquel Gabbai de Oliveira, da 9\u00aa Vara do Trabalho de\u00a0S\u00e3o Paulo, condenou a Eternit a pagar mais de R$ 400 milh\u00f5es de indeniza\u00e7\u00f5es por expor trabalhadores ao amianto.<\/p>\n<p>Deste valor, 100 milh\u00f5es ser\u00e3o destinados a financiar um grupo de apoio aos trabalhadores afetados pelo amianto, e o restante ser\u00e1\u00a0dividido em indeniza\u00e7\u00f5es individuais. Os revezes na Justi\u00e7a fizeram com que o Grupo Eternit entrasse em recupera\u00e7\u00e3o judicial\u00a0neste ano.<\/p>\n<p>\u201cTemos certeza sobre a nocividade dessa mat\u00e9ria-prima, isso ficou muito claro. As decis\u00f5es ajudam a criar jurisprud\u00eancias e trazem\u00a0respaldo para as outras a\u00e7\u00f5es\u201d, disse Fernanda Giannasi (foto), ex-auditora fiscal do Minist\u00e9rio do Trabalho e fundadora da Abrea.\u00a0Giannasi diz desconfiar que o pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial da empresa seja uma manobra para n\u00e3o pagar as d\u00edvidas. \u201cTemos\u00a0d\u00favidas sobre a lisura desse processo\u201d, comentou.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o &#8211; criada em Osasco, ber\u00e7o da ind\u00fastria do amianto em S\u00e3o Paulo &#8211; orienta trabalhadores de todo o Brasil a buscar\u00a0atendimento m\u00e9dico especializado e seus direitos na justi\u00e7a. &#8220;O amianto matou mais que qualquer guerra no mundo&#8221;, diz Eliezer,\u00a0que foi eleito presidente da Abrea em 1998 e permanece no cargo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>OMS j\u00e1 condenou o amianto &#8211;\u00a0A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade j\u00e1 se posicionou algumas vezes sobre o amianto, afirmando que\u00a0ele &#8220;causa c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, mesotelioma e c\u00e2ncer de laringe&#8221;. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diz que o\u00a0amianto causa 107 mil mortes por ano, e que 125 milh\u00f5es de trabalhadores est\u00e3o expostos \u00e0\u00a0subst\u00e2ncia em todo o mundo<\/p>\n<p>Proibido l\u00e1 fora &#8211;\u00a0Mais de 70 pa\u00edses j\u00e1 proibiram o amianto. A Uni\u00e3o Europeia baniu a subst\u00e2ncia em 2005. No Brasil,\u00a0Roraima, Amap\u00e1, Piau\u00ed, Tocantins, Goi\u00e1s, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do\u00a0Sul, Esp\u00edrito Santo, Paran\u00e1 e Cear\u00e1 ainda t\u00eam amparo legal para utilizar a subst\u00e2ncia<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7as silenciosas<\/strong><\/p>\n<p>O amianto, ou asbesto, \u00e9 encontrado na natureza: s\u00e3o minerais formados por fibras muito finas, que se desvencilham facilmente\u00a0umas das outras, tendo uma forte propens\u00e3o a produzir um p\u00f3 com alta ader\u00eancia. Em outras palavras, a poeira do amianto gruda\u00a0em qualquer coisa, inclusive nas paredes dos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>Pneumologistas ouvidos pelo UOL afirmaram que, quando inalado, o amianto se deposita nas partes mais profundas do pulm\u00e3o. O\u00a0organismo, ao perceber uma subst\u00e2ncia estranha, produz c\u00e9lulas de defesa e desencadeia um processo de inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>&#8220;As doen\u00e7as aparecem muitos anos depois da exposi\u00e7\u00e3o, principalmente o c\u00e2ncer e\u00a0o mesotelioma. Normalmente, aparecem 30 ou 40 anos depois que a pessoa come\u00e7ou a trabalhar\u00a0com amianto&#8221;\u00a0Eduardo Algranti, pneumologista da Funda\u00e7\u00e3o Jorge Duprat e Figueiredo (Fundacentro)<\/em><\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o em que Algranti trabalha j\u00e1 atendeu mais de mil ex-funcion\u00e1rios da Eternit que tiveram problemas de sa\u00fade por conta\u00a0da subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A irrita\u00e7\u00e3o do pulm\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do asbesto pode levar a tr\u00eas doen\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam cura: a asbestose (fibrose dos pulm\u00f5es), o\u00a0c\u00e2ncer de pleura (tamb\u00e9m conhecido como mesotelioma) e o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. Segundo o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), o\u00a0adenocarcinoma (um dos tipos de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o) \u00e9 o tipo mais frequente entre os c\u00e2nceres desenvolvidos por aqueles\u00a0expostos ao amianto.<\/p>\n<p>Algranti estuda o amianto desde os anos 1990 e diz que mesmo aqueles que n\u00e3o trabalham diretamente com o material correm\u00a0risco.<\/p>\n<p>\u201cPode ser uma exposi\u00e7\u00e3o inadvertida, como um mec\u00e2nico que faz a manuten\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas em empresas que usam o amianto,\u00a0ou at\u00e9 domiciliar, como os parentes de trabalhadores que lavam as roupas carregadas com a poeira\u201d, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Como s\u00e3o doen\u00e7as que exigem conhecimentos espec\u00edficos do amianto, muitas vezes passam despercebidas nos consult\u00f3rios\u00a0m\u00e9dicos. Foi o que aconteceu com os ex-funcion\u00e1rios da Eternit Ant\u00f4nio e Eliezer, diagnosticados v\u00e1rias vezes com problemas\u00a0respirat\u00f3rios simples, como bronquites e pneumonias. \u201cEssas doen\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o muito conhecidas. Os m\u00e9dicos n\u00e3o est\u00e3o\u00a0habituados a ver e confundem com infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias\u201d, explica Algranti.<\/p>\n<p><strong>Liminar deu sobrevida<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o do STF de novembro de 2017 concluiu um debate que se arrastava h\u00e1 pelo menos 13 anos, proibindo o uso do amianto\u00a0crisotila, utilizado para fabricar telhas e caixas d\u2019\u00e1gua. At\u00e9 ent\u00e3o essa era o \u00fanico tipo que podia ser comercializado.<\/p>\n<p>Mas uma decis\u00e3o monocr\u00e1tica da ministra Rosa Weber, cerca de um m\u00eas depois, mudou o panorama novamente. Em decis\u00e3o\u00a0liminar, ela afirmou que o amianto s\u00f3 est\u00e1 vetado nos Estados que j\u00e1 t\u00eam leis contra a subst\u00e2ncia. A decis\u00e3o atendeu a um pedido\u00a0da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Ind\u00fastria e do Instituto Brasileiro de Crisotila.<\/p>\n<p>A Eternit era uma das poucas empresas brasileiras que ainda utilizavam o material e se organizou para defender o produto.\u00a0\u201cN\u00e3o h\u00e1 registro, no mundo inteiro, de pessoa que contraiu doen\u00e7a por usar produtos com amianto, inclusive caixas d\u2019\u00e1gua. O\u00a0amianto crisotila \u00e9 um produto natural, presente em dois ter\u00e7os da crosta terrestre, nos leitos dos rios, riachos, len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos e\u00a0at\u00e9 no ar que respiramos\u201d, diz um texto publicado no site da empresa. O artigo ainda fala que a campanha contra o produto \u00e9 uma\u00a0&#8220;guerra suja&#8221;.<\/p>\n<p>At\u00e9 que todos os recursos estejam esva\u00eddos, a decis\u00e3o da ministra prevalece e, onde n\u00e3o h\u00e1 leis proibindo sua utiliza\u00e7\u00e3o, o amianto\u00a0est\u00e1 liberado. \u00c9 o caso de Minas Gerais e Goi\u00e1s, estados onde est\u00e3o grandes produtores que utilizam amianto.<\/p>\n<p>A reportagem do UOL tentou entrar em contato com a Precon, mas n\u00e3o obteve retorno. O Grupo Eternit, em nota, afirmou que &#8220;n\u00e3o\u00a0teve acesso \u00e0 decis\u00e3o judicial visto que o ac\u00f3rd\u00e3o n\u00e3o foi redigido&#8221; e que a empresa &#8220;atua com as melhores pr\u00e1ticas de seguran\u00e7a\u00a0e comprometimento com os seus colaboradores, de acordo com as normas e leis que regem o setor.\u201d<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0Alex Tarja, Edi\u00e7\u00e3o\u00a0Bruno Aragaki e Talita Marchao, UOL de\u00a010 de setembro de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00e9cadas depois de contato com amianto, trabalhadores adoecem e obt\u00eam indeniza\u00e7\u00f5es &#8211; antes negadas pela Justi\u00e7a Numa tarde de 1995, Eliezer Jo\u00e3o de Souza recebeu um telefonema esclarecedor. \u201cVoc\u00ea trabalhou com amianto? Sente falta de ar,\u00a0cansa\u00e7&#8230;\u201d, perguntava um amigo. 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