{"id":27007,"date":"2018-09-19T13:00:38","date_gmt":"2018-09-19T16:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=27007"},"modified":"2018-09-11T17:18:08","modified_gmt":"2018-09-11T20:18:08","slug":"as-plantas-sao-conscientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/as-plantas-sao-conscientes\/","title":{"rendered":"As plantas s\u00e3o conscientes?"},"content":{"rendered":"<p>Os ativistas dos direitos dos animais fizeram um trabalho impressionante em chamar aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o da consci\u00eancia dos animais: nenhum comedor de carne \u00e9 agora ignorante do fato de que sua comida viveu, respirou e talvez tenha dado o adeus final aos seus iguais em um matadouro ensanguentado.<\/p>\n<p>Os ambientalistas t\u00eam um trabalho mais dif\u00edcil. Filmagens de colheitas sempre v\u00e3o ser menos perturbadoras do que imagens da produ\u00e7\u00e3o de carne de um restaurante fast-food: plantas n\u00e3o choram enquanto s\u00e3o ceifadas aos milh\u00f5es. Mas isso significa que elas n\u00e3o s\u00e3o conscientes? \u00c9 sensato, ou desej\u00e1vel, come\u00e7ar a antropomorfizar um p\u00e9 de repolho e os dentes-de-le\u00e3o, ou as plantas s\u00e3o realmente t\u00e3o insens\u00edveis quanto todos n\u00f3s instintivamente supomos?<\/p>\n<p>Para o\u00a0<a href=\"https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/tag\/giz-pergunta\/\"><em>Giz Pergunta<\/em><\/a>\u00a0desta semana, levantamos essas quest\u00f5es para v\u00e1rios cientistas e fil\u00f3sofos ambientais \u2013 incluindo um professor na vanguarda de algo chamado \u201cneurobiologia vegetal\u201d.\u00a0<strong>As plantas podem n\u00e3o refletir com aten\u00e7\u00e3o sobre sua inf\u00e2ncia ou ouvir\/ver qualquer coisa em um sentido convencional, mas elas, como vamos ver, ret\u00eam informa\u00e7\u00f5es e tomam \u201cdecis\u00f5es\u201d baseadas em experi\u00eancias passadas<\/strong>. Se isso constitui \u201cconsci\u00eancia\u201d depende, como sempre, de como voc\u00ea define o termo.<\/p>\n<p><strong>Michael Marder &#8211;\u00a0Professor de Filosofia, Universidade do Pa\u00eds Basco, Vitoria-Gasteiz e autor do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Plant-Thinking-Philosophy-Vegetal-Michael-Marder\/dp\/0231161255\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plant-Thinking: A Philosophy of Vegetal Life<\/a>, entre outras obras<\/strong><\/p>\n<p>As plantas s\u00e3o definitivamente conscientes, embora de um modo diferente do que n\u00f3s humanos.<\/p>\n<p>Para encontrar os recursos de que necessitam para viver e prosperar, elas precisam se orientar em ambientes acima e abaixo do solo. E assim, as ra\u00edzes das plantas navegam pelos labirintos subterr\u00e2neos do solo, rocha, \u00e1gua, bact\u00e9rias e ra\u00edzes de outras plantas, n\u00e3o menos proficientemente que ratos em busca de alimento. Elas devem estar cientes dos perigos \u2013 o in\u00edcio de uma seca ou uma invas\u00e3o de insetos herb\u00edvoros \u2013 para realizar as atividades essenciais da vida, ou para ativar suas defesas (por exemplo, liberando sinais bioqu\u00edmicos que chamam os predadores que devorar\u00e3o as herb\u00edvoros amea\u00e7adores). Elas precisam tomar decis\u00f5es complexas sobre o melhor momento para florescer, fazendo malabarismos com at\u00e9 vinte fatores ambientais, como a dura\u00e7\u00e3o do dia ou o calor do ar, comparando a evolu\u00e7\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es ao longo de pelo menos um m\u00eas.<\/p>\n<p>Em outras palavras, as plantas re\u00fanem tantas informa\u00e7\u00f5es sobre o mundo em que vivem quanto poss\u00edvel e, atentas \u00e0s mudan\u00e7as, reagem com discernimento.<\/p>\n<p>Se ter consci\u00eancia literalmente significa ter \u201cconhecimento\u201d, ent\u00e3o as plantas se encaixam perfeitamente. \u00c9 claro que elas n\u00e3o t\u00eam os \u00f3rg\u00e3os dos sentidos que estamos acostumados, como os olhos e os ouvidos, para receber est\u00edmulos do ambiente. Mas elas t\u00eam c\u00e9lulas e tecidos (digamos, c\u00e9lulas receptoras fotossens\u00edveis) que cumprem a fun\u00e7\u00e3o t\u00e3o bem quanto \u2013 e \u00e0s vezes melhor do que \u2013 um olho ou ouvido animal ou humano. Os dados que elas recebem do mundo em constante mudan\u00e7a s\u00e3o essenciais para sua sobreviv\u00eancia. Na verdade, elas mudam em sintonia com o mundo e com as esta\u00e7\u00f5es do ano, crescendo quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o ideais, ou perdendo folhas e levando seu metabolismo a um m\u00ednimo no frio do inverno. Podemos dizer que a consci\u00eancia das plantas \u00e9 sobrecarregada com toneladas de conhecimento, porque as plantas vivem dentro de uma extrema sensibilidade, atenta aos lugares onde crescem.<\/p>\n<p>\u00c9 outra quest\u00e3o se as plantas s\u00e3o autoconscientes. Antes de descartar completamente a exist\u00eancia dessa faculdade superior, devemos considerar o que um ser vegetal pode ser. As plantas s\u00e3o apenas vagamente integradas em uma unidade (plante uma parte de um caule de magn\u00f3lia e ele crescer\u00e1 independentemente!). \u00c9 l\u00f3gico que seu senso de identidade seria igualmente disperso.<\/p>\n<p>Com muita frequ\u00eancia, na verdade, partes de uma planta sujeitas a perigo (por exemplo, as folhas invadidas por insetos indesejados) comunicar\u00e3o a amea\u00e7a liberando subst\u00e2ncias bioqu\u00edmicas transportadas pelo ar para outras partes da mesma planta. O projeto de uma integra\u00e7\u00e3o vegetal cont\u00ednua por meio de estrat\u00e9gias e mecanismos de comunica\u00e7\u00e3o pode ser considerado an\u00e1logo ao que n\u00f3s, humanos, definimos como autoconsci\u00eancia. A quest\u00e3o \u00e9 deixar de lado nossa associa\u00e7\u00e3o fixa de estruturas biol\u00f3gicas, se n\u00e3o psicol\u00f3gicas, e as fun\u00e7\u00f5es que elas cumprem, imaginando as possibilidades de ver e pensar de outras formas do que com o olho e o c\u00e9rebro. Talvez quando conseguirmos isso, finalmente nos tornaremos cientes da consci\u00eancia das plantas.<\/p>\n<p><strong>Heidi Appel &#8211;\u00a0Professora de Ci\u00eancias Ambientais da Universidade de Toledo, cuja pesquisa se concentra em como as plantas reconhecem e respondem a insetos herb\u00edvoros com defesas qu\u00edmicas<\/strong><\/p>\n<p>As plantas s\u00e3o conscientes? Minha opini\u00e3o \u00e9 que elas n\u00e3o s\u00e3o, embora elas estejam cientes de muitos aspectos do ambiente em que vivem. Minha resposta \u00e9 moldada pelas defini\u00e7\u00f5es comuns de consci\u00eancia na l\u00edngua inglesa, que incluem o conceito de mente e autoconsci\u00eancia, al\u00e9m de estarem conscientes do ambiente.<\/p>\n<p>A capacidade de sentir as coisas no ambiente e de integrar essas sensa\u00e7\u00f5es em uma resposta ben\u00e9fica n\u00e3o \u00e9, automaticamente, consci\u00eancia. As plantas n\u00e3o s\u00e3o excepcionais em conseguir fazer isso \u2013 \u00e9 uma caracter\u00edstica de todas as formas de vida. As plantas geralmente s\u00e3o subestimadas porque n\u00e3o possuem os \u00f3rg\u00e3os especializados que os vertebrados possuem para sentir seu ambiente.<\/p>\n<p>Alguns sugerem que, uma vez que as plantas podem formar \u2018mem\u00f3rias\u2019, elas s\u00e3o, portanto, seres conscientes. As plantas ret\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre o que elas experimentam, na medida em que sua resposta \u00e0s mudan\u00e7as em seu ambiente pode depender do que elas experimentaram anteriormente. Mesmo os descendentes podem exibir alguns tra\u00e7os influenciados pelo que seus pais vivenciaram. Reten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es dentro e entre gera\u00e7\u00f5es de organismos \u00e9 uma caracter\u00edstica de todos os seres vivos, com uma base gen\u00e9tica cada vez mais bem compreendida. Se elas constituem \u2018mem\u00f3rias\u2019, depende se voc\u00ea define \u2018mem\u00f3ria\u2019 como \u2018recorda\u00e7\u00e3o\u2019 ou algo mais. Se retornarmos a defini\u00e7\u00f5es comuns na l\u00edngua inglesa, a mem\u00f3ria como comumente definida n\u00e3o requer autoconsci\u00eancia, mesmo que nossa experi\u00eancia pessoal de mem\u00f3ria como seres humanos esteja certamente integrada \u00e0 no\u00e7\u00e3o de autoconsci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Dr. Fran\u00e7ois Bouteau &#8211;\u00a0Professor Assistente de Biologia Vegetal, Universit\u00e9 Paris-Diderot<\/strong><\/p>\n<p>O principal problema com essa quest\u00e3o \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do que chamamos de consci\u00eancia. Se considerarmos a defini\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia em um sentido psicol\u00f3gico, isto \u00e9, feita para descrever diferentes aspectos da vida humana que seriam relacionados a no\u00e7\u00f5es de conhecimento, emo\u00e7\u00e3o, exist\u00eancia, intui\u00e7\u00e3o, pensamento, psique, subjetividade, sensa\u00e7\u00e3o, reflexividade\u2026 \u00c9 obviamente dif\u00edcil responder \u00e0 esta pergunta sobre uma planta.<\/p>\n<p>Entretanto, os m\u00e9dicos que trabalham com pacientes em coma sabem que a consci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 bin\u00e1ria e que h\u00e1 uma ampla gama de estados conscientes em humanos entre a perda total e o estado de despertar de um indiv\u00edduo saud\u00e1vel. Se considerarmos uma defini\u00e7\u00e3o mais geral de consci\u00eancia como a capacidade de perceber nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia e o mundo ao nosso redor, e aceitarmos que n\u00e3o precisamos de um c\u00e9rebro para ter uma consci\u00eancia, o assunto come\u00e7a a ser mais simples. Muitos estudos mostraram que as plantas percebem e interagem com o mundo ao seu redor, usando comportamentos complexos.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, ningu\u00e9m sabe dizer, mas h\u00e1 evid\u00eancias crescentes de que as plantas s\u00e3o capazes de um reconhecimento de parentesco que poderia argumentar em favor de uma capacidade de auto-reconhecimento.<\/p>\n<p>Outra maneira de abordar a quest\u00e3o \u00e9 buscar evid\u00eancias operacionais dessa consci\u00eancia. Uma maneira cl\u00e1ssica de fazer um ser humano perder a consci\u00eancia \u00e9 anestesi\u00e1-lo, a consequ\u00eancia pr\u00e1tica durante uma cirurgia \u00e9 a perda de percep\u00e7\u00e3o de nossa exist\u00eancia e do mundo ao nosso redor. A efic\u00e1cia de anest\u00e9sicos em plantas tem sido demonstrada j\u00e1 h\u00e1 muito tempo. Embora ainda n\u00e3o saibamos realmente como funcionam esses anest\u00e9sicos em plantas ou animais, parece, de maneira muito interessante, que os mesmos mecanismos celulares, incluindo o funcionamento de canais i\u00f4nicos que permitem a g\u00eanese do potencial de a\u00e7\u00e3o, s\u00e3o inibidos.<\/p>\n<p>Outro ponto de discuss\u00e3o \u00e9 que as plantas, quando machucadas, sintetizam mol\u00e9culas com poder anest\u00e9sico. \u00c9 muito prov\u00e1vel que as plantas, como todos os outros seres vivos na Terra, tenham uma forma de consci\u00eancia, j\u00e1 que ela poderia corresponder a uma necessidade adaptativa de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Richard Karban &#8211;\u00a0Professor de Entomologia e Nematologia na Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis e autor de\u00a0<a href=\"http:\/\/press.uchicago.edu\/ucp\/books\/book\/chicago\/P\/bo20298924.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plant Sensing and Communication<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A resposta para esta pergunta depende inteiramente de como voc\u00ea define a consci\u00eancia. A maioria das defini\u00e7\u00f5es inclui a no\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Por esta defini\u00e7\u00e3o, pode haver pouca d\u00favida de que as plantas s\u00e3o organismos conscientes. Outras defini\u00e7\u00f5es precisam do funcionamento do c\u00e9rebro de uma pessoa. As plantas obviamente n\u00e3o cumprem esses requisitos, pois n\u00e3o s\u00e3o pessoas e n\u00e3o possuem c\u00e9rebros.<\/p>\n<p>Mas a evid\u00eancia de que as plantas est\u00e3o cientes de seus ambientes \u00e9 esmagadora. Quem j\u00e1 teve uma planta de casa ao lado de uma janela observou que a planta cresce em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luz. Para conseguir essa fa\u00e7anha, ela precisa perceber a dire\u00e7\u00e3o da luz e alocar recursos preferencialmente. De fato, as plantas percebem o eu e o n\u00e3o-eu e alocam recursos de maneira diferente quando encontram tecidos desses dois tipos. As plantas diferenciam a qualidade da sombra projetada por um competidor verde e respondem mais fortemente a essa amea\u00e7a do que a de um objeto inanimado. As plantas antecipam as condi\u00e7\u00f5es futuras e respondem \u00e0 luz emitida pelos competidores antes de realmente serem cobertas de sombra.<\/p>\n<p>As plantas n\u00e3o percebem apenas a luz, mas muitas outras qualidades de seus ambientes que afetam sua sobreviv\u00eancia e capacidade de se reproduzir. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica confi\u00e1vel de que elas percebem m\u00fasica ou prefiram m\u00fasica cl\u00e1ssica ao inv\u00e9s de rock. Plantas procuram nutrientes no solo, cultivam ra\u00edzes densas em \u00e1reas ricas e abandonam as pobres. Elas avaliam os micr\u00f3bios com os quais entram em contato e recompensam as associa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o ben\u00e9ficas para elas enquanto se defendem ativamente daqueles que s\u00e3o prejudiciais.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m se defendem ativamente contra insetos e outros herb\u00edvoros maiores que ganham a vida se alimentando de plantas. As plantas respondem a danos reais, assim como a uma variedade de pistas confi\u00e1veis \u200b\u200bque predizem riscos futuros, elevando defesas sofisticadas e muitas vezes custosas. Estas sugest\u00f5es incluem produtos qu\u00edmicos transportados pelo ar que s\u00e3o emitidos pelos seus pr\u00f3prios tecidos danificados ou pelos seus vizinhos. Elas respondem a produtos qu\u00edmicos associados ao acasalamento e coloca\u00e7\u00e3o de ovos de insetos, assim como passos de insetos, saliva de insetos e vibra\u00e7\u00f5es causadas pela sua mastiga\u00e7\u00e3o. As plantas que sofreram danos lembram-se dessas experi\u00eancias e respondem mais rapidamente e com mais for\u00e7a aos ataques subsequentes. Em alguns casos, essa mem\u00f3ria persiste durante v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de plantas.<\/p>\n<p><strong>Danny Chamovitz &#8211;\u00a0Reitor da Faculdade de Ci\u00eancias da Vida George S. Wise, Diretor do Manna Center for Plant Biosciences, Universidade de Tel Aviv<\/strong><\/p>\n<p>As plantas s\u00e3o obviamente conscientes de seu ambiente visual e de cheiros no ar; elas sabem se est\u00e3o sendo tocadas; elas t\u00eam diferentes tipos de mem\u00f3rias; elas podem diferenciar entre as dire\u00e7\u00f5es para cima e para baixo \u2013 mas isso n\u00e3o significa que as plantas sejam conscientes.<\/p>\n<p>Eu posso usar a palavra ciente: as plantas est\u00e3o cientes do seu ambiente. Mas todos os organismos est\u00e3o cientes de seu ambiente \u2013 voc\u00ea precisa estar para sobreviver. Todos os organismos, at\u00e9 mesmo as bact\u00e9rias, precisam ser capazes de encontrar o nicho exato que lhes permitir\u00e1 sobreviver. N\u00e3o \u00e9 exclusivo das pessoas. Elas s\u00e3o autoconscientes? N\u00e3o. N\u00f3s nos preocupamos com as plantas, as plantas se importam com a gente? N\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro, isso tamb\u00e9m se enquadra na quest\u00e3o da intelig\u00eancia. As plantas s\u00e3o incrivelmente complexas \u2013 isso as torna inteligentes? Podemos at\u00e9 definir o que \u00e9 intelig\u00eancia? Os psic\u00f3logos n\u00e3o podem sequer concordar com uma defini\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia para as pessoas.<\/p>\n<p>O foco da quest\u00e3o, como a vejo, \u00e9 que as plantas s\u00e3o organismos incrivelmente complexos que evolu\u00edram nos \u00faltimos dois bilh\u00f5es de anos de forma completamente diferente do que os animais, e n\u00e3o precisamos antropomorfiz\u00e1-las para apreciar sua complexidade. As plantas n\u00e3o t\u00eam nervos, e as plantas n\u00e3o t\u00eam c\u00e9rebros, mas ainda assim integram os sinais de suas ra\u00edzes, folhas e flores, e sabem quanta luz h\u00e1 e qual a temperatura e quantos insetos existem na \u00e1rea, e elas usam toda essa informa\u00e7\u00e3o para criar uma planta que \u00e9 incrivelmente adaptada ao seu ambiente, e fazem isso tudo sem um c\u00e9rebro. Ent\u00e3o, o que isso diz sobre a necessidade de um c\u00e9rebro?<\/p>\n<p>Em outras palavras: voc\u00ea pode comer as suas plantas sem se sentir culpado.<\/p>\n<p><em>Imagem do topo: Pexels<\/em><\/p>\n<p>Fonte &#8211; Daniel Kolitz, Gizmodo Brasil de 11 de setembro de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ativistas dos direitos dos animais fizeram um trabalho impressionante em chamar aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o da consci\u00eancia dos animais: nenhum comedor de carne \u00e9 agora ignorante do fato de que sua comida viveu, respirou e talvez tenha dado o adeus final aos seus iguais em um matadouro ensanguentado. 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