{"id":28045,"date":"2018-10-22T18:00:43","date_gmt":"2018-10-22T21:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=28045"},"modified":"2018-10-22T17:33:18","modified_gmt":"2018-10-22T20:33:18","slug":"intoxicacao-leva-produtores-do-es-a-descobrirem-qualidade-de-vida-longe-de-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/intoxicacao-leva-produtores-do-es-a-descobrirem-qualidade-de-vida-longe-de-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Intoxica\u00e7\u00e3o leva produtores do ES a descobrirem qualidade de vida longe de agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p><em>Fam\u00edlia exibe gr\u00e3os de caf\u00e9 ar\u00e1bica cultivados sem agrot\u00f3xico, na propriedade em Ponto Alto, Domingos Martins \u2014 Foto: Juliana Borges\/G1<\/em><\/p>\n<p><strong>Problemas de sa\u00fade na fam\u00edlia fizeram produtores se redescobrirem na profiss\u00e3o. Casos de intoxica\u00e7\u00e3o s\u00e3o comuns no Estado: em 10 anos, pelo menos 5.675 foram registrados.<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;O m\u00e9dico me pediu para escolher entre a minha esposa e o veneno.&#8221; &#8211; Adriano Wruck, produtor rural.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Perdi um menino para o veneno.&#8221; &#8211; Dalm\u00e1cio Barcellos, produtor rural.<\/em><\/p>\n<p>Duas hist\u00f3rias que se encontram em um mesmo ponto: a decis\u00e3o por parar de usar agrot\u00f3xicos nas lavouras e investir na produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos para ganhar qualidade de vida.<\/p>\n<p>Mas elas n\u00e3o t\u00eam um in\u00edcio feliz. As hist\u00f3rias desses dois produtores come\u00e7a com problemas de sa\u00fade na fam\u00edlia, casos de intoxica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o incomuns no Esp\u00edrito Santo, e que acabaram virando motiva\u00e7\u00e3o para se reiventarem na profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A esposa ou o agrot\u00f3xico<\/strong><\/p>\n<p>O agricultor Adriano Wruck come\u00e7ou a eliminar o uso de agrot\u00f3xicos na propriedade em Domingos Martins, regi\u00e3o Serrana do Esp\u00edrito Santo, no ano de 2002.<\/p>\n<p>Apesar de o filho mais velho ter sido o primeiro a insistir na mudan\u00e7a, ap\u00f3s aprender t\u00e9cnicas na escola agr\u00edcola onde estudava, ela s\u00f3 ocorreu depois de uma reviravolta na vida da fam\u00edlia. A esposa de Adriano, Joselia Wruck, come\u00e7ou a ter problemas de sa\u00fade por causa de intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>&#8220;Eu sentia fraqueza, dores de cabe\u00e7a fortes, dores na juntas. N\u00e3o conseguia me alimentar bem, n\u00e3o conseguia mais trabalhar. Tomava rem\u00e9dio atr\u00e1s de rem\u00e9dio, mas n\u00e3o funcionava&#8221;, contou.<\/em><\/p>\n<p>Adriano contou que a esposa nunca aplicou agrot\u00f3xico nas planta\u00e7\u00f5es. &#8220;Ela teve que fazer 16 exames, que comprovaram que ela estava intoxicada. Eu falei com o m\u00e9dico que n\u00e3o era ela que aplicava o veneno, era eu, mas ele explicou que como ela trabalhava comigo, tamb\u00e9m podia ficar intoxicada. Ele ent\u00e3o pediu para escolher entre minha esposa e o veneno. Claro que escolhi minha esposa&#8221;, lembrou.<\/p>\n<p>Todas as embalagens de agrot\u00f3xicos e os rem\u00e9dios que j\u00e1 existiam na casa foram jogados fora. Dona Joselia iniciou o tratamento, que evoluiu bem, assim como as mudan\u00e7as na propriedade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/KAXQ7Vshht6xey1eLndaGL109GY=\/0x0:1920x1280\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2018\/b\/B\/XciBHVRo65BTEZ02k9jQ\/img-9372.jpg\" alt=\"Ap\u00c3\u00b3s a fam\u00c3\u00adlia abandonar os agrot\u00c3\u00b3xicos, dona Joselia nunca mais precisou tomar rem\u00c3\u00a9dios caros \u00e2\u0080\u0094 Foto: Juliana Borges\/G1\" \/><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s a fam\u00edlia abandonar os agrot\u00f3xicos, dona Joselia nunca mais precisou tomar rem\u00e9dios caros \u2014 Foto: Juliana Borges\/G1<\/em><\/p>\n<p>Produtor de caf\u00e9 ar\u00e1bica, Adriano contou que os tr\u00eas primeiros anos de adapta\u00e7\u00e3o da terra sem o uso de agrot\u00f3xico foram os mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio eu pensava que ia morrer de fome, que dava muito mais trabalho, que a produ\u00e7\u00e3o era baixa. Mas meu filho me convenceu de que n\u00e3o era assim, que eu ia conseguir, ia cuidar da minha sa\u00fade e da sa\u00fade das pessoas que iam consumir o produto.&#8221;<\/p>\n<p>Outro desafio foi a aceita\u00e7\u00e3o do mercado. O produtor contou que quando come\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o sem agrot\u00f3xicos, os consumidores ainda n\u00e3o tinham grande aceita\u00e7\u00e3o pelos org\u00e2nicos e o fator pre\u00e7o era o determinante. Hoje as vendas j\u00e1 aumentaram e a fam\u00edlia ganhou qualidade de vida.<\/p>\n<p>&#8220;Antes a gente produzia com agrot\u00f3xico, mas sempre tinha rem\u00e9dio entrando em casa, faltava sa\u00fade para n\u00f3s. Depois que eliminamos o veneno, eliminamos tamb\u00e9m os rem\u00e9dios das nossas vidas. Hoje eu vivo tranquilo com a minha esposa e os meus filhos&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>A propriedade possui certificado da Organiza\u00e7\u00e3o de Controle Social (OCS) e Adriano foi inserido no Cadastro Nacional de Produtores Org\u00e2nicos. Com isso, al\u00e9m do caf\u00e9, eles come\u00e7aram a comercializar frutas, leguminosas e verduras. Tudo org\u00e2nico.<\/p>\n<p>O produtor tamb\u00e9m \u00e9 integrante da Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), o que o ajudou muito a alavancar os neg\u00f3cios na parte comercial. Parte dos produtos da horta org\u00e2nica e frutas \u00e9 revendido para merenda escolar e tamb\u00e9m vai para feiras na Grande Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso do caf\u00e9 especial org\u00e2nico, Adriano conseguiu financiar maquin\u00e1rio atrav\u00e9s da Coopram e faz o beneficiamento e produ\u00e7\u00e3o em p\u00f3 em uma mini-ind\u00fastria no quintal da casa, onde j\u00e1 est\u00e1 sendo montada at\u00e9 mesmo uma lojinha para atender clientes.<\/p>\n<p><em>&#8220;Eu sempre falo que n\u00e3o tive outra escolha, mas que na verdade foi a melhor escolha que eu fiz. T\u00f4 feliz da vida, tenho minha fam\u00edlia e meu sonho realizado&#8221;, definiu.<\/em><\/p>\n<p><strong>A perda de um filho<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do produtor rural Dalm\u00e1cio Barcellos com o cultivo livre de agrot\u00f3xicos \u00e9 ainda mais antiga, mas que tamb\u00e9m come\u00e7ou por uma quest\u00e3o de sa\u00fade na fam\u00edlia que, infelizmente n\u00e3o teve um final feliz. Em 1984, ele perdeu um filho de tr\u00eas anos de idade que foi intoxicado.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca a gente ainda trabalhava como meeiro, com muitas dificuldades, ent\u00e3o sempre lev\u00e1vamos as crian\u00e7as pra ro\u00e7a. N\u00e3o tinha orienta\u00e7\u00e3o nenhuma pro uso de agrot\u00f3xico. Foi nessa \u00e9poca que meu menino se intoxicou, n\u00e3o teve jeito. Ainda tratamos por um ano e pouco em Vit\u00f3ria, mas tinha virado leucemia&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, n\u00e3o usou mais agrot\u00f3xicos e passou a trabalhar s\u00f3 no pr\u00f3prio peda\u00e7o de terra, fruto de heran\u00e7a, em Domingos Martins. As planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o adubadas apenas com esterco e compostagem, e garante conseguir uma produ\u00e7\u00e3o de qualidade.<\/p>\n<p>Na propriedade \u00e9 cultivado caf\u00e9, laranjas de todas as variedades &#8211; inclusive enviadas para S\u00e3o Paulo -, abacate, banana e leguminosas.<\/p>\n<p>Assim como Adriano, Dalm\u00e1cio tamb\u00e9m vende os produtos em feiras org\u00e2nicas e disse que est\u00e1 tendo cada vez mais aceita\u00e7\u00e3o. Ele garante que o lucro aumentou.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o posso reclamar, n\u00e3o sobra nada da minha produ\u00e7\u00e3o, vendo tudo. Quando acontece de sobrar alguma coisa, eu fa\u00e7o doa\u00e7\u00e3o para hospitais, orfanatos ou creches. E a gente sabe que \u00e9 um produto saud\u00e1vel, tanto \u00e9 que minha fam\u00edlia s\u00f3 come o que a gente produz, n\u00e3o tenho coragem de comer fora&#8221;, explicou.<\/p>\n<p><strong>Cooperativa com vis\u00e3o no futuro<\/strong><\/p>\n<p>Adriano e Dalm\u00e1cio fazem parte de um grupo de 15 cooperados da Coopram que trabalham sem agrot\u00f3xicos ou est\u00e3o em processo de &#8220;desintoxica\u00e7\u00e3o&#8221; das propriedades. O presidente da cooperativa, Darli Jos\u00e9 Schaefer, explicou que desde o ano passado \u00e9 dada uma assist\u00eancia maior aos que decidem por essa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esse trabalho, o objetivo \u00e9 que pelo menos 20 produtores cooperados abandonem de vez os agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><em>&#8220;Estamos investindo nisso. Um grupo de uma cooperativa de consultoria e pesquisa de S\u00e3o Paulo veio dar cursos para n\u00f3s, para capacitar os produtores, e o que a gente quer \u00e9 isso, dar suporte para esse pessoal todo&#8221;, disse.<\/em><\/p>\n<p>A cooperativa tamb\u00e9m fornece alimenta\u00e7\u00e3o para escolas p\u00fablicas e parte dela j\u00e1 tem produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos tamb\u00e9m. &#8220;Queremos sempre expandir isso, a quest\u00e3o da sa\u00fade est\u00e1 em primeiro lugar, ainda mais se tratando de crian\u00e7as&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p><strong>Os efeitos em n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/2\/1903\/45503145041_fafa8860cc_b.jpg\" \/><\/p>\n<p>No Esp\u00edrito Santo o uso de agrot\u00f3xicos ainda \u00e9 alto, e o perigo se reflete nos n\u00fameros. Dados do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es T\u00f3xico-Farmacol\u00f3gicas (Sinitox), do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que de 2006 a 2016 pelo menos 5.675 casos de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos foram registradas, sendo ao menos 154 mortes confirmadas.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o precisas porque n\u00e3o foram publicados os casos ocorridos em 2008, 2013 e 2014.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/2\/1947\/43686099500_b6b52e7826_b.jpg\" \/><\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m acompanha os n\u00fameros de intoxica\u00e7\u00f5es por agrot\u00f3xicos &#8211; e por outros meios &#8211; no Estado \u00e9 o Centro de Atendimento Toxicol\u00f3gico do Esp\u00edrito Santo (Toxcen).<\/p>\n<p>O n\u00facleo \u00e9 ligado \u00e0 Secretaria de Estado da Sa\u00fade (Sesa) e presta servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o e recomenda\u00e7\u00e3o sobre agravos toxicol\u00f3gicos a m\u00e9dicos e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o 24 horas por dia, por meio de liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, desde 1992.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do Toxcen de 2016, o perfil das pessoas que mais sentem os efeitos s\u00e3o homens na faixa dos 30 a 39 anos. Mas o que chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 que nesse mesmo ano foram registrados 104 casos de intoxica\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes de 0 a 14 anos, sendo treze com menos de um ano de idade.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o sendo da faixa et\u00e1ria de pessoas que aplicam os defensivos nas lavouras, a intoxica\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as pode ser justificada de acordo com a forma que esses produtos s\u00e3o usados. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 do m\u00e9dico do Toxcen, Nixon Sesse.<\/p>\n<p>&#8220;Acontece de o produtor estar l\u00e1 pulverizando a planta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do vento, por exemplo, que pode estar jogando o agrot\u00f3xico at\u00e9 para dentro da casa dele ou na dire\u00e7\u00e3o de outras pessoas que n\u00e3o est\u00e3o protegidas. Pode ocorrer tamb\u00e9m uma contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ou ainda de, depois da pulveriza\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as entrarem na \u00e1rea da lavoura para brincarem, em um per\u00edodo em que o produto ainda est\u00e1 muito ativo&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico alertou que as pessoas que costumam procurar os servi\u00e7os do Toxcen s\u00e3o aquelas que est\u00e3o com sintomas agudos, ou seja, as sensa\u00e7\u00f5es que costumam aparecer logo depois do contato com o produto. Os mais comuns s\u00e3o v\u00f4mitos, vermelhid\u00e3o na pele, dores fortes de cabe\u00e7a, fraqueza.<\/p>\n<p>O problema maior \u00e9 quando os sintomas aparecem a longo prazo. &#8220;\u00c0s vezes esses primeiros sintomas s\u00e3o ignorados, \u00e0s vezes nem aparecem mesmo, e da\u00ed a v\u00e1rios anos esse produtor aparece com um quadro cr\u00f4nico de intoxica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 mais grave&#8221;, explicou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/qMfgoZi7Rz_N-LJv2vNIeQFRtpI=\/0x0:824x495\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2018\/Q\/7\/oDTS01Rt2AJBAveAe6lA\/toxcen-2.jpg\" alt=\"M\u00c3\u00a9dico do Toxcen, Nixon Sesse, conta que o servi\u00c3\u00a7o funciona 24 horas por dia \u00e2\u0080\u0094 Foto: Oliveira Alves\/TV Gazeta\" \/><\/p>\n<p><em>M\u00e9dico do Toxcen, Nixon Sesse, conta que o servi\u00e7o funciona 24 horas por dia \u2014 Foto: Oliveira Alves\/TV Gazeta<\/em><\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico, o ideal para acabar com o problema seria uma produ\u00e7\u00e3o livre de agrot\u00f3xicos no Brasil, mas como essa ainda n\u00e3o \u00e9 uma realidade, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, pelo menos, os produtores tomem mais cuidados na hora da aplica\u00e7\u00e3o dos defensivos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que essa pessoa esteja protegida com roupa especial, e que tamb\u00e9m depois se fa\u00e7a a destina\u00e7\u00e3o correta dessa roupa para limpeza, sem que contamine uma segunda pessoa. Ainda falta muita conscientiza\u00e7\u00e3o do trabalhador e tamb\u00e9m falta de conhecimento sobre a quantidade de produto pra aplicar, quanto tempo depois pode-se entrar na lavoura, destina\u00e7\u00e3o de embalagens vazias. Falta fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m&#8221;, acredita.<\/p>\n<p><em>&#8220;O ideal mesmo seria n\u00e3o trabalhar com agrot\u00f3xicos, mas acaba sendo o mais f\u00e1cil. Hoje existe a t\u00e9cnica dos org\u00e2nicos e tamb\u00e9m outras t\u00e9cnicas de controle de pragas sem uso desses produtos. \u00c9 bom pro produtor que usa, pra fam\u00edlia dele, pro solo, pra \u00e1gua, para os animais. Todo mundo sai ganhando&#8221; &#8211; Nixon Sesse, m\u00e9dico.<\/em><\/p>\n<p>Para entrar em contato com o servi\u00e7o do Toxcen, basta ligar gratuitamente para o 0800 283 9904.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00eamica PL 6.299<\/strong><\/p>\n<p>Not\u00edcias envolvendo o uso de agrot\u00f3xicos levantaram discuss\u00f5es neste ano, com a aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei 6.299, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/comissao-especial-da-camara-aprova-texto-base-de-projeto-que-flexibiliza-uso-de-agrotoxico.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aprovado em comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados<\/a> no final de junho, mas ainda precisa ser votado em plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Se aprovado, a produ\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/projeto-de-lei-quer-mudar-legislacao-dos-agrotoxicos-no-brasil-entenda.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Brasil pode sofrer mudan\u00e7as nos crit\u00e9rios de aprova\u00e7\u00e3o<\/a>, na an\u00e1lise de riscos e at\u00e9 no nome dado aos produtos.<\/p>\n<p>Veja os principais pontos do projeto:<\/p>\n<p><strong>Designa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 atualmente:<\/strong> Agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p><strong>Pelo projeto:<\/strong> Inicialmente era produto fitossanit\u00e1rio, em seguida o relator, deputado Lu\u00eds Nishimori (PR-PR), alterou o termo para \u201cpesticida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Controle do registro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 atualmente:<\/strong> O controle \u00e9 feito por tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Ibama e Minist\u00e9rio da Agricultura). Todo o processo \u00e9 manual e tramita em paralelo, nos tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Pelo projeto:<\/strong> Unifica o processo, que fica sob comando do Minist\u00e9rio da Agricultura, mas os tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os dar\u00e3o pareceres sobre o produto. O processo passa a ser digital e integrado<\/p>\n<p><strong>Prazo para registro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 atualmente:<\/strong> Parecer sobre o produtor deve ser liberado em 120 dias. Mas atualmente leva oito anos.<\/p>\n<p><strong>Pelo projeto:<\/strong> O registro ser\u00e1 de dois anos. Inicialmente, o relat\u00f3rio definia o prazo de 12 meses, para que o produto entre no mercado em dois ou tr\u00eas anos.<\/p>\n<p><strong>Registro tempor\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 atualmente:<\/strong> Atualmente, n\u00e3o existe registro tempor\u00e1rio de um agrot\u00f3xico<\/p>\n<p><strong>Pelo projeto:<\/strong> Para os produtos novos, usadas em pesquisas e em experimentos, haver\u00e1 um registro tempor\u00e1rio de 30 dias no Brasil. Para isso, o produto deve ser registrado em pelo menos tr\u00eas pa\u00edses-membros da OCDE e na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) e deve ser usado na mesma cultura.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Juliana Borges, <strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/es\/espirito-santo\/agronegocios\/noticia\/2018\/10\/19\/intoxicacao-leva-produtores-do-es-a-descobrirem-qualidade-de-vida-longe-de-agrotoxicos.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 ES<\/a><\/strong>\u00a0de\u00a019 de outubro de 2018<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">No link da mat\u00e9ria, assista ao v\u00eddeo da mat\u00e9ria.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia exibe gr\u00e3os de caf\u00e9 ar\u00e1bica cultivados sem agrot\u00f3xico, na propriedade em Ponto Alto, Domingos Martins \u2014 Foto: Juliana Borges\/G1 Problemas de sa\u00fade na fam\u00edlia fizeram produtores se redescobrirem na profiss\u00e3o. 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